“Finalmente sou, oficialmente, corrupto!”

Liberdade daqui a 577 dias!!!!

Só adquiri conhecimento do facto na quarta-feira passada, dia 7 de Fevereiro de 2018, apesar da minha defensora-oficiosa ter sido notificada na sexta-feira, dia 2 de Fevereiro de 2018. Na sexta-feira, a minha defensora nomeada pelo Estado português não foi ao seu escritório, pelo que só 5 dias após a notificação foi-me comunicado (durante os 5 minutos diários de que disponho para falar com a Família) que o Tribunal Constitucional decidiu indeferir a minha reclamação apesar de considerar que o recurso foi interposto atempadamente!

– Desculpa?! Como?!

– Pedro, a advogada ainda não enviou a cópia do despacho para eu colocar no correio e enviar-te – a minha devotada e inestimável “gente”, o meu incansável “exército”.

– O.K.! Telefona-lhe agora de manhã e informa-a que eu vou ligar para ela às 17h15, quando abrirem as celas. Nessa altura eu pergunto-lhe sobre o despacho…

– Está bem! Eu só estou a transmitir-te o que ela disse…

17h20. 7 de Fevereiro de 2018.

– Como está Sra. Doutora? Então o que se passou no Constitucional?

– João, ainda não li bem, li na diagonal…

– Está bem, está bem… depois telefono-lhe… após eu recepcionar e ler! Um abraço!

Claro que foi telegráfico: tenho de poupar dinheiro nas chamadas; se não existe informação não posso dar-me ao luxo de manter “conversa-fiada”. Como disse: as chamadas são pagas, não são fiadas!

O Acórdão nº52/2018 encontra-se junto a este texto, digitalizado. Como sempre, coloco aqui toda a informação para que possam, querendo, com conhecimento de causa, formarem a Vossa opinião, mas, mais do que a Vossa opinião, desejo que conheçam de facto!

Dizem os peritos que nesta era da informação, neste campo das “fake-news” e das enxurradas de dados, deve-se “transformar os dados em informação, a informação em conhecimento e o conhecimento em sabedoria”. Muito bem, aqui estão os “dados” digitalizados!

Se repararem, o Acórdão nº 52/2018 é composto por 21 páginas.

Dessas 21 páginas, 16 são “copy-paste” do recurso e da reclamação realizado pela minha advogada-oficiosa (de fls. 1 a fls. 16).

Dessas 21 páginas, 2 são um “copy-paste” da pronúncia do Ministério Público relativamente ao exposto pela minha advogada-oficiosa (de fls. 16 a fls. 18).

Por fim, dessas 21 páginas, 3 páginas, são a “Fundamentação” e a “Decisão” dos Doutos Juízes Conselheiros!

Recordo-Vos que diligenciou junto do Tribunal Constitucional a minha defensora-oficiosa, decorria o mês de Setembro, do ano da Graça do Senhor de 2017! Praticamente 6 meses de espera! Pacientemente aguardando, preso, 85 linhas, 3 páginas!

E o que decidiu e como decidiu o Tribunal que defende e faz cumprir a Constituição, o “Livro” do qual brota todo o normativo vigente, o “Livro” que a todos nós, portugueses, orienta e protege?

Eu podia estar na audiência no Tribunal da Relação, mas não levantei a questão junto da Relação!

Ó Doutos Juízes, então não o fiz para o Tribunal superior: o Supremo Tribunal de Justiça?

Pois, mas a questão era “desprovida de natureza normativa”!

Bom, mas a questão foi levantada no Supremo, mas (mais um “mas”) “mostra-se irrelevante, uma vez que o recurso não foi admitido”!

Ah! Então foi isso! Mas (outra vez!) “destarte, mostra-se observado o prazo de 10 dias estatuído no art. 75º […] o que significa que o recurso interposto para este Tribunal o foi atempadamente”

Mau! Então podia recorrer ou não? Tinha razão ou não?!

“Faltando um destes requisitos cumulativos, o Tribunal não pode conhecer do recurso.”

Ah! Afinal sou corrupto! Até porque incumbia a mim, o “ónus de enunciação dessa mesma interpretação, destacando-a da situação concreta e formulando-a de tal forma que ela seja susceptível de potencial aplicação genérica”!

Entendo, entendo… a culpa é minha, não enunciei bem! Não me foi permitido estar na sessão do Tribunal da Relação de Lisboa, 9ª Secção (olha a tal Secção do Rangel!); tinha ainda “prazo” para recorrer mas mesmo assim a 9ª Secção disse que não e condenou-me, mas, (como é que os Doutos gostam de escrever?) ah! Já sei, destarte, a minha defensora-oficiosa, nomeada pelo Estado português, conforme prevê a Constituição portuguesa, não soube, porque o ónus era meu/dela destacar e formular a questão correctamente?

Facto: não permitiram a minha presença na audiência. Inconstitucional!

Facto: transitaram em julgado quando podia ainda recorrer. Inconstitucional!

Mas, no “arquétipo constitucional português tal sindicância mostra-se arrecadada das competências deste Tribunal que não intervém a título de recurso de amparo”.

Então, o cidadão que recorre para o Constitucional ampara-se em quem, no quê?

Arquidamo, rei dos Espartanos, afirmava: “A guerra é mais uma questão de dinheiro do que armas.” (in “A guerra do Poleponeso”, Tucidides).

Sábio Arquidamo que diagnosticou uma das enfermidades, quiçá a mais nociva, da Justiça portuguesa: não tens dinheiro, não tens Justiça! Não consegues pagar a um defensor que “enuncie”, “formule” e exponha (mesmo que os factos sejam inegáveis) então estás fo… desculpem, forçosamente sujeito ao indeferimento, ao “Douto indeferimento” e sequente/consequente condenação!

“Eu, recorrer?!? Estás doido? Gasto dinheiro e fico aqui mais tempo!” Muitos dizem isto mesmo. E têm razão! Observem a pág. 21! Decisão: indeferimento e… taxa de Justiça: 20 UC!!! São mais de dois mil euros (2000€!) !!!!

3 páginas, 85 linhas: mais de 2000 mil euros!!!!

– Estou, doutora é João de Sousa! Diga-me, a isenção da taxa de Justiça está tratada, não está? – no dia 8 de Fevereiro de 2018.

– Está João! Esteja descansado! – a minha defensora-oficiosa.

Eu, João de Sousa, Inspector da P.J., sem ordenado. O Dr. Rui Rangel, Juiz, suspenso de funções mas com ordenado!

Estimados, finalmente sou, oficialmente, corrupto!

No dia 8 de Fevereiro de 2018, quinta-feira, a Polícia Judiciária notificou-me da decisão da Senhora Ministra da Justiça, após processo disciplinar no âmbito do qual não desejaram realizar o meu interrogatório (notificaram-me para fazer a minha defesa por escrito) de que foi-me aplicada a pena disciplinar de demissão!

Informaram ainda que disponho de três meses para, querendo, interpor acção administrativa com vista à impugnação judicial. Calma, não o vou fazer!

Não o faço porque tudo estava “desenhado” para este desfecho. Finis coronat opus: “O remate de uma obra é o que o começo fazia prever”.

Não o faço porque como Franz Kafka genialmente colocou na boca de K., personagem da obra “O processo”, “A Justiça deve permanecer imóvel, de outro modo, a balança põe-se a oscilar e deixa de ser possível pesar equitativamente”. O Constitucional nunca poderia dar razão à minha “causa”. A P.J., esta P.J., tem que demitir o Inspector João de Sousa: Finis coronat opus!

Consummatum est. O fim da obra chegou. Não esquecer: ao contrário do Xadrez, na Vida, o jogo não acaba após o xeque-mate!

E, minha bela “ninhada”, minha Família, “a hora mais escura é a que precede a madrugada”: no dia 8 de Fevereiro de 2018, quinta-feira, após ter lido o Acórdão 52/2018, do Tribunal Constitucional (com muita atenção, sem ser na “diagonal”) entreguei aos serviços do Estabelecimento Prisional de “Ébola” o meu “Pedido de Licença de Saída Jurisdicional”, ou seja, solicitei 72 horas para estar em casa com a Família!

Vou iniciar, se a Juiz do T.E.P. de Évora autorizar, o meu “processo de reaproximação ao meio livre para que seja avaliada a reintegração na sociedade”.

A verificar-se a autorização, será em Março de 2018, no mês que vem, depois de 4 anos sem ir a casa! É muito tempo, tanto tempo sem ir a casa só acontece aos condenados a 12, 15, 20 anos de pena! No meu caso assim o será (se a Juiz autorizar) porque cumpri com a minha palavra: só após a decisão do Tribunal Constitucional (poderia ter colocado o pedido em Julho do ano passado, em 2017, há 7 meses! Mas, comigo: palavra dada palavra honrada!)

Ou se quiserem, como já aqui antes deixei, como Miguel Rovisco disse: “Onde estaria a virtude de uma ética que não primasse pela teimosia?”.

Caro Leitor, Estimada Leitora, finalmente sou, oficialmente, corrupto! Finalmente vou ser demitido da Polícia Judiciária! Se estou triste? Claro que sim, muito!

Se estou desiludido com a Justiça lusa e o meu país? Claro que sim, mas não vou desistir; agora vamos iniciar outra batalha. Maquiavel afirmava que a Fortuna é dona de metade das nossas acções, o resto é governado pela vontade individual.

A minha vontade é indomável, imensa!

Vou continuar a informar-Vos. Vou continuar a lutar pela exposição e melhoramento do que está mal na Justiça; sim, porque apesar de finalmente ser, oficialmente, corrupto, todos Vós já perceberam que alguma coisa neste meu caso foi/está mal explicada! Garanto-Vos: eu explicarei!

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“A intocável sacrossanta pessoa dos Meritíssimos Magistrados”

Liberdade daqui a: 584 dias!!!!

Nota prévia: O texto da passada semana foi publicado mais tarde porque a correspondência dos reclusos do E.P. de Évora só foi enviada na sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2018. Paguei “correio-azul” e entreguei a missiva com o texto “Orlando Figueira, o dilema do prisioneiro e a delacção premiada”, na quarta-feira, 31 de Janeiro de 2018, pelas 08h05. Demorou 5 dias a chegar à minha casa.

No meu Plano Individual de Readaptação (P.I.R.) solicita-se, para a minha capaz reinserção e readaptação, que eu mantenha os contactos telefónicos com a Família (5 minutos diários!) assim como a manutenção da correspondência escrita!

Sabem o que é mais inacreditável? O normativo vigente garante a negligência dos serviços prisionais, ou melhor, podem os Serviços Prisionais negligenciar impunemente os direitos dos reclusos, conforme o artigo 126º (envio e recepção de correspondência) no seu nº 2: “[…] assegurando-se a respectiva expedição até ao termo do 2º dia útil seguinte […]”.

Pois é! Entretanto… vou pagando “correio-azul”!

Antes de começar a mexer na… imundícia desta semana, permitam-me uma afirmação politicamente correcta, que se impõem por lei, a única, primeira e última, deste opúsculo: “Todos aqueles que neste espaço nomearei, excepto a minha pessoa (já condenada) gozam da presunção de inocência”

Contextualização Legal: Lei nº 21/85, de 30 de Julho. Estatuto dos Magistrados Judiciais.

Artigo 16º, Prisão Preventiva: 1. Os magistrados não podem ser presos ou detidos antes de ser proferido despacho que designe dia para julgamento relativamente a acusação contra si deduzida, salvo em flagrante delito por crime punível com pena de prisão superior a 3 anos […].

[…] 3. O cumprimento da prisão preventiva e das penas privativas de liberdade pelos Magistrados judiciais ocorrerá em estabelecimento prisional comum, em regime de separação dos restantes detidos ou presos. […]

30 de Janeiro de 2018, terça-feira, estava eu a escrever o texto da semana passada, o 181º opúsculo, quando, na televisão, noticiava-se a “Operação Lex” e a detenção (julgavam os média erradamente) do Juiz Desembargador, Dr. Rui Rangel. Nesta data o povo português ficou a saber que, de facto, existem castas intocáveis e sacrossantas em Portugal, aliás, como já tinha afirmado e escrito um certo corrupto condenado, um tal de João de Sousa, em 11 de Julho de 2016, no texto “O Estado da Nação? Viva Portugal!”

Esperem, esperem que há muito mais, e, como reiteradamente tenho escrito: eu tenho razão!

Como reiteradamente tenho afirmado: este blogue serve, também, para provar e comprovar, para registar e aguardar pacientemente a “verdade histórica” (cfr. Texto de 4 de Setembro de 2017, “A verdade histórica e o pensamento socrático”) . Prestemos a Clio, musa da História, da verdade histórica, indispensável para a reposição da Justiça, a devida homenagem!

Dura Lex sed Lex! Só para alguns (muitos) para outros (poucos), uma verdadeira casta, a Lei é Velosa e macia como o veludo (vejam o artigo 16º do Estatuto dos Magistrados)!

Mas já lá vamos, agora quero relembrar-Vos algumas questões que ao longo de praticamente 4 anos tenho colocado neste espaço e que de profético nada possuem, trata-se apenas de um conhecimento profundo, vivido, experienciado do universo da Justiça em Portugal.

Um oficial de Justiça, funcionário da 9ª Secção do Tribunal da Relação de Lisboa (T.R.L.) detido, suspeito de viciar os sorteios dos recursos apresentados nesse Tribunal superior!

6 de Março de 2017, texto deste blogue, “A Justiça portuguesa e Pompeia”: “[…] Como devo posicionar-me em relação a tudo isto? Levantar suspeitas? Protestar por “sair-me” outra vez a 9ª Secção? […]; “[…] por incrível que possa parecer, uma vez que se trata de uma distribuição por “sorteio informático”, foram para a 9ª Secção! Eu estranhava o facto… agora…nem sei o que pensar![…]”

A pergunta que o(a) Leitor(a) coloca é pertinente: “Mas quem é o João de Sousa para que a Relação se preocupe com a sua prisão preventiva ou a sua condenação?”

Respondendo, invoco dois pormenores básicos: tudo o que tenho escrito aqui e a atipicidade (claro eufemismo) do meu caso, nomeadamente a prisão preventiva e a condenação baseada numa promessa, repito, numa promessa de vantagem patrimonial futura!

Dispensem-me um pouco mais da Vossa atenção, peço-Vos, por favor!

O energúmeno obnóxio do Magistrado do Ministério Público de Almada que conduziu a fase de inquérito do meu processo-crime, Dr. João Davin, aquando do meu primeiro recurso para o T.R.L., objectivando-se a alteração da medida de coacção (assim como o fez nos recursos subsequentes, todos sorteados para a 9ª Secção, durante 3 anos!), negava o pretendido alegando: “[…] fortes indícios de perturbação grave da ordem e tranquilidade públicas, porquanto a, apenas recente, notícia pública da existência destes autos teve um impacto muito grande nos meios judiciais e na opinião pública em geral, designadamente tendo em consideração a participação do arguido João de Sousa na prática dos factos […]”.

Considerava ainda o Ministério Público que eu podia “dissipar meios de prova ainda não encontrados”

Ainda o Dr. João Davin: “[…] com efeito o arguido João de Sousa movimenta-se bem no mundo judiciário dispondo de forma indesmentível de uma prodigiosa rede de contactos quer nas instâncias formais de controlo quer fora delas […]”

E para terminar com o Dr. João Davin: “[…] Na verdade […] o arguido movimentava somas de relevo totalmente incompagináveis com a sua condição de funcionário público […]”

Estes argumentos que após o julgamento não se provaram – foi só promessa! – foram secundados, subscritos, fundamentaram a decisão, no primeiro recurso que apresentei em 2014 (repito 2014) como dizia, foram o fundamento da decisão do Juiz… adivinhem lá… do Juiz… Dr. Rui Rangel, da 9ª Secção do T.R.L.!!!!

Que grande ironia, não acham? Que grande borrada!

O Dr. Rui Rangel com 10 mil euros em casa (em notas de 500€). O Dr. Rui Rangel que tinha/tem uma teia de contactos! O Dr. Rui Rangel manteve em prisão preventiva o João de Sousa, subscrevendo tudo o que o Ministério Público alegou!

Textos deste blogue: “A Justiça no reino animal”, 28/9/2015; “Parabéns Maria Helena, o pai explica”, 5/10/2015. Está lá tudo! Felizmente, na “net”, fica para sempre e eu tenho razão!

Se tudo isto que expus não responde à questão, “porquê um “cú de cobra”, alguém modesto na “classificação das castas”, um anónimo, ser alvo da “má vontade” da Justiça Lusa”, observem esta: “Sísifo, o Leão, a Raposa e a Barata”, texto publicado em 3/10/2016.

Excerto: “[…] Quiçá sou uma “barata-tonta”: “Vou agora recorrer para a Relação onde está um Juíz que recebe dinheiro? Eu não tenho dinheiro!!” Não devias ter afirmado isso, João, sua “barata-tonta”![…]” . Está tudo registado na “net” (e na minha pele também!)

Deixemos o ego do João de Sousa (eu tenho razão!) deixemos o condenado João de Sousa!

Voltemos à “borrada”!

Os magistrados judiciais não podem ser presos ou detidos antes de ser proferido despacho que designe dia para julgamento? E o José Sócrates, pode? E os sete guardas prisionais que aqui estiveram em “Ébola” durante um ano e três meses e, após julgamento, foram 3 absolvidos, sendo que os outros 4 foram condenados a penas suspensas? Neste caso o T.R.L., os Juízes do Julgamento e o Ministério Público, alegavam o perigo de continuidade de actividade criminosa, perturbação da ordem e tranquilidade públicas e perigo de fuga: estão todos a trabalhar, presentemente, nos Serviços Prisionais! Como explicar a sujeição dos indivíduos a 1 ano e vários meses de prisão preventiva? Como explicar a prisão do Armindo Castro durante mais de 2 anos, condenado, quando foi outro que matou? Como justificar a prisão do jovem Leandro, se não foi ele o abusador?

Expliquem-me, por favor, a razão pela qual esta autêntica “casta” não é responsabilizada pelas suas decisões e ainda tem “vantagens”?

Sim “vantagens”, como afirmou a Dra. Manuela Paupério, Juiz, Presidente da Associação de Juízes, corrigindo de imediato o acto falhado, o lapsus linguae, dizendo que não eram “vantagens” mas sim “excepções”, garantindo que ninguém está acima da Lei, todos são iguais, tentando justificar o injustificável, num desempenho que fez jus ao seu apelido: paupérrimo!

Um Juiz da Relação do Porto revela-se um autêntico “Magistrado de Alquilaria” (texto de 2/11/2017), retrógrado, obsoleto, um “analfabeto constitucional”; quem o responsabiliza?

Um Inspector da P.J. vê a sua pena agravada consequência do “desvalor da sua acção”, e um Juiz não pode ser detido ou preso preventivamente?

A prisão preventiva de um Magistrado ou a pena, ocorrerá em estabelecimento comum, em regime de separação? Então eu entro em “Ébola” e sou colocado numa camarata com quatro pedófilos, alguns detidos por mim, depois colocam-me com agressores (violência doméstica) e traficantes, áreas onde trabalhei, e o Meritíssimo (magistrado judicial ou do M.P.) não pode sequer ser sujeito a prisão preventiva?

Caro Leitor, Estimada Leitora, eu, assim como todos aqueles que aqui estão (tal como nos outros E.P.’s) quando somos presentes ao Juiz de Instrução, quando solicitamos (ou o nosso advogado, no meu caso um oficioso!) mais informação sobre os factos que nos imputam, ouvimos algo como isto: “São estes os factos que estão disponíveis!”; “O resto quero ouvir da sua boca!”; “Como deve entender porque os praticou, muitos mais ilícitos temos aqui no processo mas é o senhor que terá de dizer!”.

No meu caso, um Juiz com o qual trabalhei durante anos, afirmou: “Sr. Inspector, não direi mais mas isto é só a ponta do iceberg!”

Não sei dizer o que mais me indignou: a falta de informação ou o desrespeito pela minha inteligência!

Quanto ao Juiz Rangel e à Juiz Fátima Galante, somente uma semana depois são interrogados por um Juiz, e, nessa ocasião, não prestam declarações porque não conhecem a factualidade na sua totalidade!!!!

Sabem o que Vos acontece se invocarem um direito que a lei prevê, o direito ao silêncio:

“Conduzam o(a) senhor(a) aos calabouços porque não deseja colaborar e eu não tenho tempo para isto!” (decisão típica do Dr. Carlos Alexandre!)

A defesa do Dr. Rangel e da Dra. Galante invocou, e bem, a falta de tempo para ler, avaliar a matéria vastíssima de um processo de especial complexidade. O meu caso foi considerado de especial complexidade (conquanto dos 34 acusados, só cinco foram condenados a pena efectiva!): não tiveram os advogados do caso da “fraude do ouro envolvendo um inspector da P.J.”, a mesma benesse que os advogados dos Magistrados antes referenciados!

É verdade que ninguém está acima da Lei porque a Lei prevê esta excepcionalidade para os Magistrados, mas, “gentilmente acordado entre o Ministério Público e os defensores do Dr. Rangel e da Dra. Galante”, facultar as medidas de coacção propostas, prolongar o tempo para a leitura dos autos, uma semana, gentileza do Juiz de Instrução, isto sim é uma cagada em três actos!!!!

Os restantes arguidos (cinco) que estavam detidos, após serem presentes a Juiz de Instrução ficaram em liberdade com imposição de condutas, ou seja, proibiram o pai advogado de contactar com o próprio filho!

Lucrou a estes arguidos terem co-arguidos magistrados: imaginem o escândalo, a borrada maior que seria, se os Juízes ficassem em Liberdade e os “fora da casta” presos?!?

No meu caso, o meu co-arguido, como muitos fizeram em outras investigações célebres, disponibilizou-se a regularizar o devido ao fisco. Não permitiram, estava o ardiloso e mais que perigoso Inspector da P.J. envolvido!

José Miguel Júdice, no seu espaço de comentário na TVI, “Porquê?”, no seu estilo próprio, disse que a corrupção nota-se pelos colegas (referindo-se aos Magistrados), “notam-se as más decisões, são coisas tão fora do normal que os outros falam”!

Estimados, a 3ª Secção do Tribunal da Relação de Lisboa, quando foi sorteada para avaliar o recurso de um co-arguido meu (também condenado a 5 anos e 6 meses de pena efectiva) colocou-o em Liberdade, pronunciando-se sobre a minha medida de coacção, considerando que se violou o princípio da proporcionalidade! (cfr. Texto de 3/4/2017, “Ansiedade e eucatástrofe”)

Mesmo cumprindo-se o que o Dr. José Miguel Judíce afirmou, eu, corrompido por uma promessa, por aqui, em “Ébola”, fiquei a apodrecer!

Estimadas e Estimados, existem castas no Portugal do séc. XXI, na Lusa Nação do “pós-25 de Abril de 1974”!

Minha boa gente, esta autêntica cagada da “Operação Lex”, a que se pode juntar a “Operação Fizz”, que nem todo o papel higiénico do mundo consegue higienizar, prova que não vivemos num Estado verdadeiramente Democrático e de Direito, prova que se um cidadão, sem excepções legais e com conhecimento de facto, falar e escrever, está condenado!

Não acreditam? Invoco novamente Roberto Saviano: “Mas quem mete medo não é o homem que escreve, são as muitas pessoas que ouvem, os olhos que lêem uma história, as muitas línguas que a contarão depois. A palavra torna-se premissa da acção e em muitos casos a acção […]”.

Tenho vindo a escrever neste espaço (há cerca de 4 anos; de ininterrupta reclusão) muito do que está a acontecer. Incompreensivelmente (talvez para Vós, para mim não!) cerca de duas horas e meia de entrevista no programa “6ª às nove”, são reduzidas a cerca de 5 minutos, com destaque para o fato e os botões de punho, enquadrado pelo título: Dia Mundial da Corrupção!

Tudo o que o Inspector da P.J. recluído em Évora disse foi apagado! Não é normal!

Ainda bem que existe a “net” e os blogues!

Caros Leitores, Estimadas Leitoras, o Juiz Rui Rangel é suspeito de mercadejar a Justiça da nossa Nação. Conquanto a gravidade da coisa, é um privilegiado porque faz parte de uma sacrossanta casta. Este conspícuo Juiz mercador faz-me lembrar outro ilustre mercador: Shylock, personagem do “Mercador de Veneza”, de Shakespeare. No seu famoso monólogo: “Um judeu não tem olhos? Não tem mãos, órgãos, dimensões, sentidos, afectos, paixões? Não come do mesmo alimento? Não se fere com as mesmas armas, não está atreito aos mesmos males? Não é curado pelas mesmas poções? Aquecido e arrefecido pelos mesmos verões e invernos que um cristão? Sendo picados, não sangramos? Sofrendo cócegas, não rimos? Sendo envenenados, não morremos? E se nos fazeis mal, não nos devemos vingar?! Se nos assemelhamos no resto, nisso nos assemelhamos também!”

Este monólogo, fabuloso, é considerado por muitos um manifesto de igualdade, uma ode contra o anti-semitismo!

Vamos pedir emprestado ao génio do Bardo inglês: não têm os Magistrados mãos, órgãos, dimensões, sentidos, afectos e paixões? Não são falíveis, humanos como o(a) Leitor(a) ou eu? Será que ao vestir a toga a humanidade dos mesmos, no que tem de bom e de mau, desaparece, sendo substituída pela infalibilidade da divindade?

Perdoem-me, mas o politicamente correcto esgotou-se na presunção de inocência:

Será que as cagadas dos Magistrados não cheiram a merda?

 

 

 

 

 

“Orlando Figueira, o dilema do prisioneiro e a delacção premiada!”

Liberdade daqui a: 591 dias!!!!

“Quanto ao perigo de fuga, os desembargadores acreditam que a sua formação cultural e o facto de ter sido Magistrado do Ministério Público faz com que Orlando Figueira seja um cidadão com responsabilidades e deveres acrescidos. Por isso mesmo, a Relação de Lisboa tem a convicção de que o magistrado ficará em Portugal, para afirmar e comprovar a sua invocada inocência, com o consequente refazer da sua imagem e credibilidade social”.

Este excerto do despacho da Relação de Lisboa que fundamentou a decisão de colocar Orlando Figueira em “casa com pulseira”, retirando-o do Inferno de “Ébola”, vai por aqui ficar a pairar por forma a iluminar tudo o que a seguir vou expor!

A Polícia Judiciária, ainda, goza o prestígio de uma imagem de proficiência e infalibilidade (merecedora por vezes, ainda que menos vezes do que é suposto).

Por diversas ocasiões ouvi o vulgo, os “não-iniciados” afirmarem: “Eles [a P.J.] sabem tudo! Parece que possuem uma bola de cristal!”; “A “Judite” tem toda a gente debaixo das escutas!”; “Os “gajos da Justa” têm produtos que até sabem se estiveste no sítio só pelo ar que expiraste!”

Não é assim! A maior parte dos casos resolvidos tem como factor decisivo o que a Teoria Matemática dos Jogos (Brown, 1965) cedeu ao estudo da Psicologia Social sobre “as facetas do pânico da fuga”. Falo-Vos do “Dilema do Prisioneiro”, ou seja, a P.J. resolve a maior parte dos seus casos devido à existência de “chibos”!

O exemplo clássico da ciência: dois indivíduos suspeitos da prática do roubo de um banco. O Ministério Público, a P.J. e/ou o Juiz de Instrução precisam de uma confissão que garanta a condenação. Congeminam um plano: falam com os prisioneiros separadamente, e oferecem a cada um uma escolha simples, isto é, confessar ou manter-se calado!

O plano não fica por aqui: informam também, separadamente, cada prisioneiro, que as consequências dependerão não apenas daquilo que ele faça mas também da postura e acções do seu “compincha no crime”.

Estamos a falar de uma “matriz de ganhos e perdas” que resume as hipóteses de decisão, decisões que se existir a confissão de ambos, resulta 8 anos para cada um; se ambos não confessarem serão condenados ambos a 1 ano de prisão; se por acaso um confessar e o outro não: um sai em liberdade (o que confessou), o outro “apanha” 20 anos!!!!

Roger Brown (1965) estudou este fenómeno e concluiu que as decisões estão dependentes/relacionadas com a experiência do estado de pânico. Está provado matematicamente, é ciência!

De uma forma mais simplista: o “chibo” que comete ilícitos é sempre um cobarde que no momento em que é confrontado pela prova, pelo “plano” da P.J., M.P. ou do Juiz de Instrução, assim como pela prisão preventiva ou a ameaça da condenação, coloca a “merda toda na ventoinha” (como aqui se diz), “abre a gasosa”, “dispara para todo o lado”, revelando a sua natureza medíocre!

O passo é muito curto, a distância é mínima, deste particular que antes abordámos à “delacção premiada”!

Lucra a “chibaria”, como a matemática demonstrou, é vantajoso (como o era antes do “25 de Abril de 1974”) delatar e apontar o Outro porque quem detém o “Poder” de prender, de decidir, alimenta e exige o aviltante acto!

Quantos, pelo menos aqui em “Ébola”, já estiveram presos preventivamente porque, conforme despacho dos doutos Magistrados (M.P. e Juiz de Instrução) “não esclareceram os factos voluntariamente” ou “não colaboraram na “válida prossecução da verdade material”” e depois, após julgamento, nem são condenados?

Vejam o meu caso: Ministério público, colegas da P.J., Juiz de 1ª Instância, Tribunal da Relação, Juiz de Instrução e inquérito-crime aberto até à condenação, todos exigindo que eu delatasse colegas que supostamente avisaram-me de que estava a ser investigado! A delacção possibilitava a minha colocação em prisão domiciliária junto do meu filho recém-nascido, da minha “Mãe Ju” enferma (enfermidade que há 3 meses a levou), com a minha “ninhada”, longe de “Ébola”.

Imaginem se eu deixasse que o pânico ordenasse os meus actos, equacionem o que seria se eu preferisse o meu conforto e o conforto dos meus, sacrificando “Outros”, independentemente de ser verdadeiro o meu testemunho?

Sim, independentemente da “Verdade material” que eu tinha ajudado a alcançar, porque como se verificou, o processo-crime no âmbito do qual se investigava quem teria avisado o Inspector João de Sousa (assim que ele foi condenado) foi arquivado e ninguém foi “castigado”! O “plano” para colocar a minha pessoa perante o “Dilema do Prisioneiro” não logrou alcançar o desejado, e, humildemente (o que não é meu apanágio) nem foi preciso muita coragem, bastou somente dizer a Verdade!

Há 1895 anos, um homem foi colocado perante o eterno “Dilema do Prisioneiro”, e por 30 moedas apontou outro. Acabou enforcado numa figueira! Por falar em Figueira: “Não sei como ele permite a desgraça de um cidadão honesto como eu”, lamentou-se o Dr. Figueira, após admitir ter praticado os crimes de branqueamento de capitais e fraude fiscal!

Lembram-se do excerto que iniciou este texto: “afirmar e comprovar a sua invocada inocência”!

“Orlando Figueira resolveu virar o processo do avesso, apresentando ao Tribunal uma exposição em que confessa ter mentido ao Ministério Público e à Juíza de Instrução, porque o advogado Daniel Proença de Carvalho comprara o seu silêncio

Comprara o seu silêncio?!? Olha ó excerto: “ter sido Magistrado do Ministério Público[…] faz com que seja um cidadão com responsabilidades e deveres acrescidos”

“Foi obrigado por Carlos Silva a fugir aos impostos, assegura, que de outra forma não lhe pagaria”.

A Lei garante ao Dr. Orlando Figueira e a todos aqueles que ele está a “chibar”, a presunção de inocência, mas, é evidente a mediocridade do Dr. Figueira e a parcialidade do Tribunal da Relação que decide favoravelmente quando se trata da “casta”!

“Orlando Figueira revelou que quando soube da investigação tentou corrigir a sua situação fiscal, já que não tinha declarado dinheiro enviado para uma conta em Andorra”

Como?!? Quando soube? Através de quem?

Acho muito bem que o Dr. Figueira esteja em casa e não aqui em “Ébola”. A prisão preventiva é a última das medidas, a mais grave. Então e eu, e todos aqueles que aqui estiveram ou ainda estão porque existe perigo de perturbação do inquérito ou alarme social?!?

Atendendo às palavras do próprio que transcrevemos da imprensa (que acompanha o julgamento) só faltou Orlando Figueira matar alguém, tudo o mais ele fez!

O Dr. Figueira justificou a celeridade que imprimiu à investigação e sequente arquivamento do inquérito, cujo alvo era o Dr. Manuel Vicente porque se tratava de um futuro vice-presidente!!!

Como?!? Então eu, filho da D. Julieta e do Sr. Fernando, nascido em Luanda, Angola, tenho outros “tempos” e decisões na Justiça portuguesa?!?

O Dr. Figueira afirma que o banqueiro angolano ofereceu-lhe emprego, possivelmente porque sabia podres sobre a vida do banqueiro, acrescentando: “toda a gente tem podres, não é?”

Como?!? Olha ó excerto: “A sua formação cultural e o facto de ter sido Magistrado do Ministério Público”!!!

“Como o arguido é um transmontano, um homem de honra e de palavra, nunca o arguido falou no seu nome nem no nome do Dr. Carlos Silva.” Coitado do nobre e valoroso povo transmontano que nunca fez “acordos de cavalheiros” que maculassem a sua Honra!

Acham tudo isto inacreditável? Têm dificuldade em compreender as palavras deste Magistrado? (e não qualifiquem a floresta só por olharmos esta “Figueira”!)

Não estavam à espera? Eu não fiquei surpreendido: a 29 de Maio de 2017 publiquei neste blogue o texto, “Sheol e a fuga dissociativa do Dr. Orlando Figueira”. Está lá tudo!

Uma pena de cinco anos e meio e tenho aprendido tanto observando estes indivíduos sem o Verniz, despidos como eu aqui em “Ébola”; fragilizados, vulneráveis (como eu) somente com recurso ao material de que de facto são feitos!

O que eles revelam, minhas Senhoras e meus Senhores! Esta “Figueira”, até para cima da funcionária judicial atirou responsabilidades. Esta “Figueira”, exemplo infeliz de um “novo-riquismo” provinciano, revelou-se aqui e tristemente evidencia-se aí fora!

Escrevo este texto no dia 30 de Janeiro (tem que ser porque esta semana não tenho visita) e na televisão, nos canais aqui em “Ébola” disponíveis, “corre” em rodapé que um Juiz da Relação de Lisboa, da 9ª Secção, a que sempre saiu no sorteio (durante 3 anos e 10 meses) dos meus recursos, um Juiz que despachou o meu primeiro recurso em 2014, mantendo-me aqui por factualidade que se provou não existir, esse mesmo Juiz, o Dr. Rui Rangel, foi alvo de buscas e está detido! Será que vem para aqui, para o inferno de “Ébola”? Vamos aguardar! (julgo que não!)

Independentemente do resultado do Julgamento do Dr. Figueira uma coisa é evidente: o homem é um “chibo”!

A “Delacção premiada” é algo que devemos repudiar porque os nossos avós, os nossos pais (e muito mais gente que muito sofreu no tempo da “Outra Senhora”) lutaram para erradicar definitivamente, uma vez que muitos foram injustamente prejudicados e muitos mais foram os velhacos que se eximiram ao castigo!

Para mim tudo isto é surreal porque tudo, para mim, tem sido dolorosamente diferente (para pior!).

Vou fechar com chave de ouro, deixando-Vos uma frase do Mestre António Barreto sobre “estes” (não o meu, com toda a certeza) casos de corrupção:

“De recurso em recurso, de adiamento em adiamento, de chicana em chicana, da impossibilidade em provar, de dificuldade em demonstrar, não haverá responsáveis nem culpados”

“Informação”

Caros Leitores,

Devido à morosidade no processamento de envio do correio, o Inspector lamenta não ser possível a publicação semanal do texto com a assiduidade habitual, sendo a responsabilidade dos Serviços Prisionais e dos CTT. Contudo, o mesmo será publicado logo que possível.

Infelizmente, estamos dependentes dos Serviços Prisionais e dos Serviços dos CTT.

Grato pela atenção,

O Inspector João de Sousa

“Plano Individual de Readaptação (vulgo P.I.R.)”

Liberdade daqui a: 598 dias!!!!

Conforme Vos deixei na passada semana, vou informar-Vos sobre o “Plano Individual de Readaptação” (P.I.R.), peça fundamental, instrumento, ferramenta que permite o alcançar profícuo do tratamento prisional, cujo objectivo primeiro é a “aquisição de competências que lhe permitam [ao recluso] optar por um modo de vida socialmente responsável, sem cometer crimes, e prover às suas necessidades após a libertação”.

Junto a este texto deixo-Vos a digitalização do meu P.I.R. (desta forma, publicamente, frontal e honestamente, informados, agora sim, podem opinar com conhecimento de causa sobre a real reinserção e ressocialização que se pratica (ou não) em Portugal).

Mas antes isto: “[…] Já uma procuradora-geral adjunta […] E acabou por se criar esse entendimento do mandato único, de seis anos, que está no espírito da Lei, mas não na sua letra […]”

Trata-se de um excerto do artigo “Joana, a consensual (ou quase)”, da autoria de J. Plácido Júnior e Silva Caneco, presente na revista “Visão”, edição nº 1298, de 18 Janeiro a 24 de Janeiro de 2018.

Como é que está relacionado com o tema de hoje – o P.I.R.– a questão da renovação do mandato da Dra. Joana Marques Vidal? Atentem ao que a “bolt” se encontra: “[…] que está no espírito da lei, mas não na sua letra[…]”

Muito do que previsto se encontra na Constituição portuguesa, no código de Processo Penal ou no Código de Execução das Penas e Medidas Privativas da Liberdade (no qual se encontra prevista a existência do P.I.R. no seu artigo 21º) não cumpre o nobre e humanista objectivo do espírito da lei, e, tão ou mais grave, não cumpre a letra do normativo porque a mesma não é observada!

Todos Vós, eu aqui também, assistimos a convictas e bem colocadas declarações dos Ministros da Justiça, dos Directores das Prisões, dos Directores das Direcções Gerais dos Serviços Prisionais e Reinserção, dos Presidentes da República e dos Primeiros-Ministros, que asseguram que tudo está bem ou para lá caminha, que as estatísticas reforçam a Luminosidade ofuscante do progresso da Justiça em Portugal.

Desenganem-se! Desliguem os máximos dos faróis porque quem aqui está, mesmo que não consiga ver, obnubilado por tamanha luminescência (emissão de luz a baixa temperatura) sente a frialdade da ausência, o escuro de uma condição a que o Estado o votou, (sem esquecer que assim o foi porque prevaricou) não pensando esse mesmo Estado nos indivíduos recluídos que serão, inevitavelmente, devolvidos à Sociedade após a reclusão.

Resumindo: quando ouvirem alguém dizer que se ressocializa, que se obtém a reinserção social após a reclusão, atribuam essa estultícia à ignorância ou ao interesse próprio, político ou de facção! É falso (ou mentira se o afirmarem repetidamente) que o recluso português, após seguir um plano aprovado porque adequado à sua personalidade, condição social e competências pessoais, atinge os resultados previstos na lei, isto é, as finalidades “Major” da execução das penas: reinserção e ressocialização!

Os princípios orientadores estão no papel, na realidade valem tanto como o papel que todos nós utilizamos para a higienização de certas áreas do corpo!

Vejam o meu P.I.R.!

Agora atentem neste exemplo de completo cumprimento de pena a que assisti aqui em “Ébola”.

Nesta semana que passou, saiu em liberdade um indivíduo que foi condenado a 7 anos de prisão.

Não se tratou da primeira condenação, foi a segunda vez que cumpriu pena.

7 anos de pena porque espancava a mãe! O sujeito, a chegar à casa dos 60 anos, que os Leitores nunca viram, podem vê-lo, fielmente, na personagem do irmão mais baixo dos “irmãos Dalton”, dos livros do “LuckyLuke”: o bigode, a estatura, as pernas finas, o aspecto frágil e o quociente de inteligência (possivelmente um pouco abaixo) de “Joe Dalton”!

Distinguia-se dos demais reclusos (para além da referida estampa) pela falta de higiene que lhe lucrou estar sozinho numa cela, pois ninguém suportava o odor e o encardido da pele e das calças que eternizou durante os 3 anos e 9 meses que o vi; assim como pela utilização compulsiva do cigarro, hábito que lhe permitia, antes e depois do pequeno-almoço, algo que muito o divertia assim como a uns poucos mais: “puxar” de forma repugnante um brutal escarro que depositava nos caixotes do lixo existentes no Estabelecimento Prisional!

Este “animal”, que por duas vezes partilhou comigo a sala de visitas, ocasiões em que vi uma Senhora idosa que permanecia o tempo todo da vista a olhar o vazio sem trocarem palavra, espelhando o comportamento do “escarrador matinal”, e que disseram-me ser a sua mãe, nunca o vi a adquirir ou a treinar “competências pessoais e sociais”!

Não li, nem nunca o mesmo trocou comigo qualquer informação sobre o seu P.I.R. (claro que nem lhe possibilitei essa hipótese, não fosse o sujeito “puxar” o escarro julgando que me divertia com o repugnante acto) mas, durante os 3 anos e 9 meses que, infelizmente, partilhei “Ébola” com ele, se o “Joe Dalton” activamente, de forma voluntaria ou imposta pelo seu P.I.R., corrigiu-se ou readaptou-se, eu devia estar muito distraído!

Tendo cumprido 4 anos e 8 meses de uma pena de 7 anos por, mais uma vez, ter espancado a mãe (eu em Dezembro deste ano quando for ouvido novamente pela Juiz do T.E.P.de Évora que libertou o “recuperado Joe Dalton” , estarei com 4 anos e 9 meses de uma pena de cinco anos e meio!!!!) saiu em liberdade, concluindo-se logicamente que, ao contrário da minha pessoa, “aproveitou a sua reclusão para trabalhar esse aspecto da personalidade”; ou seja, não espancar mais a idosa progenitora, não receando a douta Juiz do T.E.P. de Évora que “uma vez em liberdade não tenha pejo de voltar a actuar da mesma forma”!

Nesta última condição sine qua non para a libertação do recluso, eu dou razão à douta Juiz do T.E.P. de Évora , mas não se trata de uma questão endógena, de uma interiorização da censurabilidade do acto hediondo do “Joe Dalton”, trata-se sim de um factor exógeno: a Senhora triste e idosa que eu vi nas visitas, a mãe do sujeito, uma semana antes da minha “Mãe Ju” falecer, faleceu! Desta forma, o pequeno “animal Joe Dalton” já não reincide: o alvo da sua cobardia, deixou de existir!

As frases anteriormente evidenciadas (a “bolt”) foram retiradas do despacho da douta Juiz do T.E.P. de Évora relativamente à minha pessoa. Deduzo eu, porque foi colocado em liberdade o pequeno “Joe Dalton”, que este, independentemente do seu percurso aqui, pautado pela mais degradante vivência, ao contrário de mim, atingiu as finalidades da execução da sua pena!

Tenho à minha frente, enquanto escrevo, o P.I.R. de outro recluso que ainda cá está, gentilmente facultado por si. Entrou em “Ébola” em 2011. O seu P.I.R. só foi realizado em 2016!!!! Prevê o normativo vigente no seu artigo 19º, nº4: “[…] Se o recluso der entrada no estabelecimento prisional já condenado por sentença transitada em julgado, a avaliação e a programação do tratamento prisional adequado ou a elaboração do plano individual de readaptação [P.I.R.], sempre que este seja obrigatório [neste caso é]são concluídas no prazo de 60 dias […]”

No caso em apreço demorou 5 anos!!!! Não é caso único, todos, repito, todos, até à chegada da nova Direcção e do novo Técnico dos Serviços de Educação, apresentam esta discrepância temporal! No meu caso, até à homologação pela doutíssima Juiz do T.E.P. de Évora, decorreram 3 anos e 4 meses após entrar no E.P. de Évora, tendo ocorrido 5 meses após o trânsito em julgado!

Atentem nos campos existentes no P.I.R. que digitalizei! Observem um dos campos:

2.2. Inserção em programas de treino de competências pessoais e sociais. No meu caso nada está previsto. No caso do P.I.R. que invoquei antes, e trata-se de um indivíduo que cumpre uma pena pesada pela prática de um crime de violência doméstica, lê-se: “[…] deveria frequentar um programa de agressores de violência doméstica […]”. Conquanto o recluso tenha aderido ao seu P.I.R., desde 2016 até hoje, apesar de estar na “letra” do P.I.R., não existem programas para frequentar!!!

Estão a ver o “espírito da lei” e a “letra da lei”? Acham mesmo que está tudo a caminhar para a perfeição, a proficuidade, como vários altos responsáveis declararam a 18 deste mês aquando da cerimónia da abertura do ano judicial?

Olhemos agora ao meu P.I.R.!

Devo manter a actividade física. É bom isso, mas porque a isso me propus desde o primeiro dia. Vejam o exemplo do “Dalton escarrador”: o único esforço que o vi fazer durante 3 anos e 9 meses, foi para expulsar mucosidades viscosas e via-o a acelerar o passo sempre que chegava carregamentos de tabaco.

O meu P.I.R. preocupa-me: se “neste momento não estão previstas a realização de acções neste âmbito, ou seja, “programas de treino de competências pessoais e sociais”, como vou, como decidiu a doutíssima Juiz do T.E.P. de Évora, “aproveitar a reclusão” para trabalhar a minha personalidade que é “desconforme ao Direito”?

4.1. A nível socio-familiar: devo manter contactos através de telefonemas ou troca de correspondência, como forma de manter e reforçar laços familiares. Cinco (5) minutos diários para falar com a mulher e três filhos?!? Duas horas semanais com os filhos, que no meu caso porque não tive arte e engenho para um crime de corrupção a sério (uma merda de uma promessa) eu vou realizar só de 15 em 15 dias, contabilizando 48 horas no total, ou seja, verei os meus filhos 2 dias em 365 dias (isto é, se não existirem greves)? Manutenção da estabilidade emocional?!?

Atentem ao mapa de “execução do plano”!

Com o máximo respeito e consideração pelo trabalho meritório do actual técnico, assim como pela “utopia” necessária para realizar algo (da parte da actual Direcção): qual avaliação?

Actividades sócio-culturais e desportivas: como manter a frequência da biblioteca se ninguém se cala ou fala baixo, e se a leitura, com comentário ululante a acompanhar, são as “revistas cor-de-rosa” e o último implante mamário ou as nádegas de uma qualquer pseudo-celebridade?

“Aquisição de competências pessoais e sociais”: participação em projectos dinamizados pelo E.P.!

Jogos de tabuleiro?!?

Obriguei-me a participar, para poder opinar com conhecimento de causa, numa iniciativa que se realizou em 5 sessões: “Empregabilidade, competências e empreendorismo”. Coloquei a questão. Resposta: “A reinserção e ressocialização não existem, portanto não coloquem no vosso curriculum vitae o vosso passado, a passagem pela prisão, mintam! Depois, se alguém disser algo, falem na entrevista”.

“Se tiverem uma média de 10 valores não coloquem no curriculum vitae!”

“Não se preocupem com isso na procura de emprego, o registo criminal não é importante!”

Além de incentivarem a prática da mentira, estigmatizam o passado do indivíduo!?!

O P.I.R. “é elaborado a partir do diagnóstico das necessidades por áreas específicas, que resulta da avaliação do recluso: contemplando os objectivos a alcançar, as acções a desenvolver, o tempo previsível para a sua aplicação e os recursos necessários à sua concretização.

Colocado desta forma só podemos concluir que Portugal está muito avançado neste campo da Justiça! O “espírito” da coisa está lá, a prática: não!!!

Será que a libertação de José Augusto Ferreira, condenado pela autoria da morte do meu saudoso colega João Melo, corria o ano de 2001, assim como pela prática de mais de 10 assaltos a carrinhas de valores, tráfico de estupefacientes e associação criminosa, o que lhe valeu a pena máxima (25 anos), será que a sua libertação, dizia eu, 2 meses antes dos dois terços, ao fim de cerca de 16 anos de cumprimento de pena, é consequência de um “capaz diagnóstico das necessidades”, de uma correcta “avaliação do recluso” que alcançou os objectivos durante o “previsível tempo”, com os “recursos necessários para a sua concretização”?!?

O José Alberto Ferreira, o “pequeno Joe Dalton” e a Maria das Dores (“viúva negra”) já estão entre Vós, os dois primeiros definitivamente, a última a tomar balanço para definitivamente ficar. O João de Sousa, corrupto, e outros mais estarão no futuro, inevitavelmente, entre Vós; e entre os primeiros também os abusadores sexuais, os violadores e os pedófilos que cumprem a sua pena com “bom comportamento” e sem tratamento! Atentem nisto!

E agora a verdadeira “cereja no topo do bolo”!

Eu sei que o meu “Secretariado”, que vai publicar este texto, e todos aqueles que me amam e apoiam, vão dizer: “Pedro!!! Porquê escreveres isso? Deixavas passar! Não antagonizes a Juiz, maldito feitio!”

Mas eu não resisto! Eu sei que não se deve desafiar certas “castas” institucionais, eu reconheço a temeridade do acto, mas se não existe qualquer escrutínio dos Juízes e suas decisões, se a etiqueta obriga ao tratamento por “Douta Juiz”, “Douto despacho” ou “Meritíssima”, o mínimo que se pode exigir a uma Juiz que decide sobre a nossa vida e dos que dependem de nós, que considera ou tece considerações sem qualquer cientificidade sobre a minha “postura e personalidade”, que acha que eu, ao contrário daqueles que aqui invoquei, preciso de mais um ano de reclusão (pelo menos), essa (neste caso: esta Juiz) deve, pelo menos, escrever correctamente o seu português, uma vez que as decisões são suas ao abrigo da livre apreciação mas o português aprecia-se pelo rigoroso cumprimento das suas “Leis”: ortografia, sintaxe, enfim, a gramática normativa!

Eu sempre disse que só sairia a 26 de Setembro de 2019, último dia do cumprimento da pena, eu sei, porque isto é mais forte que eu, confesso!

Atentem porque é delicioso! A primeira página digitalizada é o despacho da Juiz do T.E.P. de Évora, Dra. Isabel Patrício. Trata-se do despacho da homologação do meu P.I.R.!

O P.I.R. que visa a preparação para a minha futura reinserção social (a um ano e meio do final da pena!)

Observem o início da frase (isto é delicioso!): “Por ir de encontro aos interesses do recluso […]”

Se vai “de encontro” aos meus interesses, então vai contra, esbarra, nos objectivos da reinserção e ressocialização! Obstaculiza a profícua prossecução do desejado!

É absolutamente hilariante! A frase da Juiz que doutamente considera que devo aproveitar mais um ano de reclusão, afirma exactamente o contrário!!!

O que a Meritíssima Juiz queria dizer , com a devida vénia, era que o P.I.R. “vai ao encontro dos interesses do recluso”!!!!

Muito possivelmente este lapsus calami seja a expressão de um “acto falhado”, uma exteriorização inconsciente do reconhecimento da douta Juiz de que isto da reinserção e ressocialização é uma “treta”!

Talvez seja o reconhecimento de que o que a mesma pretende é castigar o “mau aluno João de Sousa”, colocando-o de castigo, virado para a parede com orelhas de burro!

Castigo por mau comportamento: não reconheces o crime de corrupção, és arrogante, não fazes de coitadinho, colocas em causa o “sistema”, questionas as regras e, crime de “lesa-majestade”, não vergas mantendo o discurso e a dignidade!

Se vai “de encontro”, se é contra, então, Meritíssima, tudo o que escrevi está correcto!

Sei que a reclusão não ressocializa, pelo contrário, aliena, separa, destrói e “infantiliza” (esta última descrição pedi “emprestada” à “utopia” saudável de quem decide).

Estar sujeito a tudo isto é horrível mas aceito ficar de castigo porque compreendo as limitações do sistema, agora as “orelhas de burro”, perdoem-me, mas não sou eu o merecedor da aposição das mesmas na minha cabeça!

 

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“Tremor e Temor”

Liberdade daqui a: 605 dias!!!!

Quantos de Vós se conhecem de facto? Qual de Vocês já experimentou o material de que é feito?

Entre Vós, conta-se um, ou mais, que se viu na necessidade de escolher entre “suportar as pedradas e flechadas da Fortuna cruel ou pegar armas contra um mar de problemas e acabar com eles, resistindo-lhes”? Já estiveram a olhar este dilema ou apenas leram, ou apenas o viram representado, “experimentado” a angústia do angustiado, confortavelmente sentados distantes do proscénio?

Kierkegaard, filósofo dinamarquês, entre outras obras, escreveu um livro ao qual deu o título de “Temor e Tremor”.

Esta obra, que Kierkegaard publicou sob pseudónimo, trata da “angústia existencial” (Angst), sentimento que experimentamos quando somos colocados perante os “limites da razão”.

Estes “limites da razão” são aquele(s) momento(s) em que o incognoscível nos saúda!

Kierkegaard afirmava que é neste preciso momento que o mortal (o Homem) “é confrontado e aterrorizado com a perspectiva da sua própria liberdade”.

Segundo o filósofo, conterrâneo do príncipe das “pedradas e flechadas”, deveríamos dar um “salto de fé” para gozarmos uma vida boa, para ultrapassar o incognoscível.

Na ocasião em que o indivíduo se vê obrigado a dar esse “salto de fé”, a fim de agarrar a sua liberdade, sente o terrível e, muitas vezes cerceante, “Temor e Tremor”.

Esta profunda elucubração pode ser difícil de compreender, a leitura da obra pode revelar-se de assimilação custosa… a não ser que o tenhamos experimentado na carne e no espírito, no pensamento e na acção!

Na segunda-feira, 15 de Janeiro de 2018, ocorreu um sismo cujo epicentro situou-se a cerca de 20Km de Évora, a 16Km de profundidade, registando 4.9 na escala de Richter. Eram 11h51!

Aqui em “Ébola” inverteu-se o título da obra de Kierkegaard, apesar de a “angústia existencial” ter ultrapassado os “limites da razão” e o desfecho de tudo ter sido “incognoscível”, tal como se pode ler na obra do filósofo. Aqui em “Ébola” não se filosofou, aqui, com gritaria à mistura, verificou-se “Tremor e Temor”!

As celas estavam ainda abertas: estávamos a poucos minutos de sermos chamados, pelo sinal sonoro, para ir almoçar.

Eu, após o treino matinal e subsequente banho, encontrava-me a ler o jornal que colocado estava na grade da cama do beliche, estando de pé no interior do húmido “jazigo”.

Dedução primeira: estão a arrastar camas (de ferro) no piso superior. Assim, erroneamente, identifiquei o som cavo e forte que ouvi.

Segundos após esta errada percepção, a cama, o jornal e eu, trepidaram involuntariamente ao ritmo da Terra!

– Terramoto! Terramoto! – gritava o mesmo tipo que na passagem do ano, às 23h58, berrava “Feliz Ano Novo”.

Toda a gente nas alas, fora das celas (atenção: as celas, por acaso, porque assim o determina o horário, estavam abertas!)

O meu primeiro pensamento: Lisboa e a “ninhada”! Ou melhor, a sombra da ausência dos meus filhos! Sem sair da cela, olhei para o pequeno televisor expectando ver algo, sobre Lisboa, no rodapé da RTP3. Enquanto isto a gritaria continuava, enfatizando o “Tremor e o Temor”.

Vou telefonar! Não posso: já gastei os 5 minutos hoje. Agora só amanhã: sossega, acalma-te, eles hão-de estar bem!

Passados dois ou três minutos após o sismo: toques sucessivos, urgentes, do sinal sonoro para o almoço!!!

Um dos chefes dos guardas, profissional, tinha entrado esbaforido na zona dos presos e ordenado a abertura do pátio, convocando os reclusos para o espaço, atendendo à possibilidade de réplicas, garantindo desta forma a segurança dos recluídos!

Dois ou três minutos depois! Aqui começa mais uma aula prática da indispensável cadeira de androgenesia (Ciência do desenvolvimento físico e moral do Homem)!

Já depois de entrarmos de novo para o interior da zona das celas, vindos do pátio, contando cada um a sua experiência do abalo sísmico (guardas e reclusos) falei com o atilado chefe dos guardas que, de forma franca e intelectualmente honesta, confessou-me:

– Sr. João, estava eu sentado na minha secretária quando começou tudo a tremer! Apercebi-me que era um tremor de terra e “pirei-me” logo dali para fora… – fazendo uma breve pausa para intercalar no discurso um encolher de ombros e um sorriso desculpante, continuou – … quando já ia para sair para a rua, lembrei-me: é pá, tenho que ir lá dentro abrir o pátio para os homens! E vim!

Entretanto, enquanto eu ouvia esta fabulosa descrição da experiência da “Angst” (“Angústia existencial”) juntou-se o chefe de ala à conversa. Este segundo estava no interior da zona dos reclusos, consequência da natureza do seu serviço, partilhando assim o destino (ou fatalidade se quiserem) dos prevaricadores, alguns ainda presumivelmente inocentes porque ainda em recurso!

Justificou-se então o chefe de ala (justiça seja feita ao mesmo: um dos que se pode epitetar de “profissional capaz”) que “não tomou a iniciativa de abrir o pátio porque não havia ordem para tal!”

Não sejam assim, Caros(as) Leitores(as), até os profissionais capazes vacilam quando sob pressão, quando experimentam o “incognoscível”, a “angústia existencial” e as pernas paralisam não permitindo o “salto de fé” indispensável ou até a necessária abertura do pátio, único espaço seguro numa prisão para se estar aquando de um sismo!

Quantos de Vós experimentaram a Vossa real natureza? Quantos de Vós têm a consciência de que podem ser mais fracos, mais cobardes ou mais corajosos porque passaram ou reprovaram no teste real?

Androgenesia ao vivo, em tempo real, in loco, in situ!

– Sr. João, se estivermos fechados nas celas, qual é o melhor sítio para estar? – um camarada recluso.

Cinco (5) passos de comprimento, por dois (2) passos de largura. Uma janela com grades, uma porta fechada com uma abertura para controlar (observar) o preso, com vinte (20) centímetros de largura por quinze (15) centímetros de altura. Uma cama de ferro ou um beliche igualmente enferrujado. Um ou dois indivíduos neste, de facto, “jazigo” húmido!

– Acredita em Deus? – eu.

– Sim! Claro! – o preocupado camarada recluso.

– Então está melhor que eu porque sabe que após o sismo estará com o Pai, eu não tenho a certeza!

Outro guarda, com este deixamos os adjectivos para outra ocasião: “Sr. João, o pessoal que não estava aqui dentro não queria entrar, ninguém queria vir aqui ter com vocês! Safa! Olhe se houvesse réplicas?!?”

Bom, pelo menos foi sincero (afinal adjectivei) ainda que pouco precavido (mais um adjectivo!) mas compreende-se: se o chefe de ala que é um “profissional capaz” e “congelou” perante o Tremor, quanto mais este… (será que isto foi uma adjectivação subliminar?)

Estimada Leitora, Caro Leitor, mais do que hesitar entre agir ou não agir, alguma vez encontrou-se numa situação tal, em que a acção ou a omissão não são opções, dispondo somente de uma opção, ou seja, aguardar a inevitabilidade do silêncio definitivo?

“Ó minha profética alma”! Escrevi aqui: “Se algo me acontecer este blogue será o meu testemunho. Esta é a sua utilidade!”

Muito dramático? Caríssimos, façam este exercício: Vocês são guardas prisionais. São duas da madrugada. Estão no interior do estabelecimento prisional onde, como sardinhas, nas suas latas, fechados, justamente condenados porque a nossa Justiça é do melhor que se pratica, encontram-se 40 homens (aqui em “Ébola”, porque em outros estabelecimentos são 200, 300,700, mil e tal, em excesso populacional) e o chão começa a tremer!

Para aceder à abertura das celas têm que abrir quatro cadeados colocados em quatro gradões (aqui em “Ébola”) e o chão já não treme, convulsiona-se brutalmente…

… e Vocês vão arriscar ficar debaixo dos escombros enquanto salvam o polícia que violou a própria filha dentro da esquadra, o pedófilo que abusou de várias crianças ou o “intelectualóide” presunçoso e corrupto da P.J.?

Se ficar em “silêncio” no interior do “jazigo”, soterrado, podem sempre vir aqui e concluir: este fez e falou, falou e fez!

Somos os últimos a ser socorridos! Os condenados, os preventivos, os culpados, os presumíveis inocentes.

A comida é horrível; as visitas escassas; somente 5 minutos para falar com a Família (pai, mulher, três filhos…), dualidade de critérios nas prisões preventivas e nas condenações; avaliação deficiente ou inexistente da reinserção e da ressocialização; decisões do Tribunal de Execução de Penas sem fundamento, fundamentação ou escrutínio; ausência de serviços médicos capazes; a sanita do recluso do piso de cima a verter para a cela de baixo (a minha)!

E agora abalos sísmicos?!?

Afirmam os especialistas que o “terramoto de 1755” vai repetir-se: se não for hoje, amanhã! Se não for amanhã, algum dia vai ser!

Portugal tem falhas tectónicas identificadas! Eu que estou, não por cima mas por baixo, sujeito às falhas da Justiça, espero estar nesse dia junto dos meus!

5 anos e meio de pena e tanto experimentado: a morte de entes queridos, a ausência de entes queridos consequência de carência económica; nascimento do filho-homem, já preso; recorde de prisão preventiva para crimes desta natureza; o inédito de uma condenação por causa de uma suposta promessa de vantagem patrimonial futura!

Quantos de Vós vivem de facto?

Compreendo aqueles que “negoceiam” a sua liberdade, que delatam, que não falam por causa da precária, que não exigem os seus direitos (ou que não cumprem com os seus deveres), que atraiçoam a sua natureza (ou obedecem à mesma). Como os entendo, pois isto custa tanto, exige tanto de nós!

Compreendo e entendo mas não aceito nem partilho a postura, as acções e omissões.

Mais, epiteto-os: pobres ignorantes pusilâmines que se vergam quando experimentam o Tremor e o Temor!

E este “Tremor” pode ser um abalo sísmico que os faz reconhecer a sua mortalidade, ou a perspectiva de cumprir mais um, dois ou três anos se não “negociarem”.

Não se apercebem que se o “terramoto” ocorrer, serão os últimos a ser socorridos e tudo o que vai ficar são os seus actos (mais do que as palavras) que praticaram durante esta frequência do curso de Androgenesia, que no fim oferece diploma comprovando a aquisição de real conhecimento, diria mesmo Sabedoria, no difícil e exigente campo da “intelecção universal da essência das coisas humanas”.

Ah! O Homem, essa maravilha da natureza, se de facto pensasse a sua mortalidade, a sua inevitável finitude, quão mais nobre, verdadeiro e honrado seria!

Tudo o que possamos alcançar na Vida não é nada, porque enquanto objecto finito só podemos na melhor das hipóteses aspirar ser esforçados falhanços.

Alguma vez se questionaram, sujeitando-se, se de facto se conhecem?

Aqui, mesmo que não o deseje, sou obrigado a conhecer e reconhecer o verdadeiro João de Sousa e os outros.

Isaltino Morais, na RTP, na “Grande Entrevista”, esta semana, respondeu ao Jornalista Victor Gonçalves: “Durante os 14 meses na prisão, apercebi-me do lado negro do Estado”.

14 meses?!? Isso não é nada, nem sequer dá para aquecer!

Eu já levo 48 meses (sem sobrinhos taxistas com dinheiro nas contas)! Eu já tenho um pós-doutoramento!

Mas ainda falta, e no que falta para o final desta pena existe tempo e oportunidade para mais um sismo, portanto, pelo sim pelo não, vamos continuar a ser verdadeiros para connosco, resilientes, mantendo a postura e a personalidade que a Juiz do Tribunal de Execução de Penas de Évora pretende que mais um ano de reclusão altere, cônscios da nossa finitude e do facto de sermos os últimos a ser resgatados dos escombros!

Para a semana, publicarei neste espaço cópia digitalizada do meu “Plano Individual de Readaptação” visando a minha “preparação para uma futura reinserção social” (a tal alteração da postura e personalidade) homologado pela Juiz do T.E.P. de Évora.

Ofertar-Vos-ei a oportunidade de conhecerem o que é o P.I.R., o que nele escrito está e o que de facto acontece (ou não acontece).

Para a semana, se o terramoto não me calar, e só mesmo uma catástrofe natural o conseguirá fazer, aqui estarei sempre lutando para me libertar do Temor e do Tremor (ou vice-versa!).

“No escurinho tudo se faz”

Liberdade daqui a: 612 dias!!!!

Antes de abordarmos a temática desta semana, e porque nas trevas também encontramos a luz, ou como nos ofereceu o “Principezinho” de Saint-Exupéry, “o que embeleza o deserto é o facto de ter um poço escondido algures”, permitam-me o breve proémio.

No fim-de-semana passado – Domingo, 7 de Janeiro – sabendo que eu estaria por aqui muito mais sozinho porque a “ninhada” só de 15 em 15 dias visita o Pai (periodicidade imposta pela necessidade, desde o início do ano de 2018) um Querido Amigo visitou-me!

Para além do jornal “Expresso” e da franca e leal Amizade inapreciável, ofereceu “ajuda”! Não para comprar chocolates no bar da prisão, como de forma muito característica expôs, mas sim para a Leonor não desistir do piano, para a “ninhada” vir visitar o Pai mais regularmente ou para o que mais preciso for.

– Aceita! Não me ofendas! – categórico.

“Um poço escondido algures”… aceitei comovido. A comoção, experimentada por causa do generoso gesto, sobrepôs-se à tristeza por ver-me nesta paupérrima condição.

As lágrimas (de felicidade e reconhecimento) só na cela; na visita não agradeci, ofertei-lhe as palavras de um “gigante”: “Quando tiveres experimentado a afeição dos teus amigos, fixa-os à tua alma com engastes de aço, mas não estendas a mão com hospitalidade a cada novo camarada bisonho” William Shakespeare.

No final da visita, mais do que estender-lhe a mão, abracei-o! As palavras do “gigante” são parca homenagem à tua Amizade, e, sossega, se te sentires dorido, com dores musculares ou dificuldade em andar, não são sintomas de gripe, são os “engastes de aço” com que te fixei à minha Alma!

Mas as trevas existem: no escurinho tudo se faz!

“Indigno, opaco e chocante!”;“É um forte contributo para o descrédito daqueles que o aprovaram!”; “Preparado em surdina, negociado na sombra e avançado em mudez!”

Presidente da República veta a alteração à “Lei do Financiamento dos Partidos” porque deve de existir publicidade e transparência!

Quem tem acompanhado este “blogue”, por diversas vezes teve oportunidade de ler os apelos que fiz para se interessarem, indignarem, questionarem. Muitas vezes o afirmei: “Amanhã podem ser vocês!”

Esse “amanhã” chegou! De forma escandalosa. Esta aleivosia institucionalizada – a tentativa de alteração ao financiamento dos partidos – vem demonstrar (dar-me razão!) o que tenho explanado relativamente ao meu inquérito-crime, à minha prisão preventiva, à minha condenação!

Jorge Miranda, ilustre constitucionalista, invocou a transparência e publicidade que deve ser ofertada ao Povo por forma a garantir a equidade, proficuidade e escrutínio das leis. Tivesse eu “feito” um crime de corrupção dos bons, não uma estulta promessa, e podia pagar a tão egrégio conhecedor da nossa Constituição um douto parecer que razão aportasse à minha causa. A inconstitucionalidade que invoquei, porque a 9ª Secção do Tribunal da Relação de Lisboa não permitiu que eu estivesse presente na sessão realizada no âmbito do meu recurso (o que faria cumprir a Constituição e o normativo vigente, ou seja, a transparência e a publicidade que deve existir na aplicação da Justiça) é o espelho do estado da nossa (in)Justiça; (in)Justiça que é aplicada observando as leis que a Assembleia da República emana, diplomas legais que são “construídos”, “cozinhados” pelos mesmos que no escurinho, onde tudo se faz, articulam-se desprezando descaradamente toda a aletologia.

“O constrangimento é tão grande que tiveram que aprovar as alterações à pressa, reuniram-se sempre à porta fechada, não há actas e ninguém sabe verdadeiramente de quem são as propostas, na medida em que estas eram feitas oralmente” (Luís Marques, coluna “Massa Crítica”: “Os inimigos da Democracia”)

Isto diz-vos respeito. A mim, diz-me directamente respeito a “pressa” com que decidiram a minha condenação definitiva sem hipótese de recurso.

Comigo também se “reuniram sempre à porta fechada”, não permitindo a minha presença, que a lei garante! Também comigo “não existiram actas” ou explicações para as decisões, como se verificou agora com os arquivamentos dos processos-crime pendentes (que permitiram a fundamentação para a manutenção da prisão preventiva) assim como dos processos disciplinares na P.J.

Por falar em processos-disciplinares: no dia 5 de Janeiro de 2018 fui notificado do arquivamento do processo-disciplinar 73/2016 da P.J. Calma, calma! O processo-disciplinar que vai levar à demissão ainda está vivo e a medrar. Não se apoquentem!

O que é sinónimo da mais asquerosa aleivosia é o facto do Tribunal de Almada ter “aberto” inquérito quando sabia que tal não era possível (como se verificou pelo arquivamento do processo-crime 353/15.6 T9ALM) e a Direcção da P.J. ter, acrítica e diligentemente, instaurado processo disciplinar! Tinham que o fazer, João, é o normativo! Pois é, mas relativamente ao processo disciplinar que “nasce” da revelação que faço sobre o abuso sexual de uma menor, industriado e orquestrado sob a batuta desse portento da investigação criminal que foi a Sra. Maria Alice: nada! Está no “escurinho”, onde tudo se faz! (processo-disciplinar 11/2015).

Mas há mais, escuro como o bréu, incompreensível: no “tal” processo-disciplinar que vai levar à purgante demissão, fui notificado a 3 de Novembro de 2017 para em 15 dias consultar o processo e apresentar defesa. No dia 14 de Novembro de 2017, apresentei-me na P.J. para prestar declarações e consultar o processo (não necessariamente por esta ordem). Apenas consultei o processo, não recolheram o meu testemunho/defesa!!!! Surpreendidos? Então e esta: no dia 5 de Dezembro de 2017, fui notificado da mesma acusação (igual à notificação do dia 3 de Novembro de 2017) onde “ofertam-me” mais 10 dias para consultar o processo (que já tinha consultado) e apresentar defesa escrita!!!!!!

Alguém consegue compreender e explicar esta “penumbra”?

Eu gosto tanto de falar com as pessoas, olhá-las, cheirá-las, gosto de as “ler” e ninguém quer falar comigo?

Mais 10 dias porquê? Para quê? Aguardam a decisão do Constitucional? Sosseguem, mesmo que o Constitucional iluminasse toda esta sombra incompleta, eu, João de Sousa, não voltaria para a Polícia Judiciária, instituição que com muito orgulho servi e critiquei (critico)!

Estimadas e Estimados, a escuridão toca-nos a todos. Eu sinto mais porque está aqui um frio e uma humidade (vai fazer dentro de 2 meses: 4 anos) que martirizam. Toca-me mais porque tenho andado com uma pequena vela de frágil chama a tentar iluminar alguma coisa: este blogue com os textos e documentação do meu processo e da minha reclusão!

Lembram-se da Rita Lee? “No escurinho do cinema…”: “José Silvano, presidente do grupo de trabalho sobre o financiamento dos partidos, estava “afónico”; por causa da “afonia” não foi ao programa “Parlamento” da RTP3 falar sobre o tema!”

“Chupando drops de aniz, longe de qualquer problema”: “o PS argumentou que não tinha qualquer deputado que pudesse estar no programa”; PS e PSD: 86 e 89 deputados respectivamente!

“Perto de um final feliz…”: a RTP, como só estavam disponíveis dois deputados para o debate (CDS-PP e PCP) decidiu não fazer o programa!

“Mas de repente o filme pifou. E a turma toda logo vaiou”: o Presidente da República vetou a Lei!

“Acenderam as luzes. Cruzes! Que flagra, que flagra!”: este foi um flagrante, um flagra!

Mas, e tudo o resto? Tudo o que se faz no “escurinho”, ou que nós não ligamos porque achamos, estultamente, que não nos toca?

A coberto da “escuridão”, que pode ser a condição económica a que me sujeitam, ou, se quiserem, as decisões de uma Juiz do Tribunal de Execução de Penas que considera que eu devo estar aqui mais um ano, porque a minha postura e personalidade (aos 44 anos) precisa de ser “moldada” pela reclusão, eu assisto a verdadeiros atropelos à Justiça, à reinserção, à ressocialização, a todos nós! Vejam o meu caso: desde o primeiro segundo não assumi a prática do crime de corrupção! Coerente, congruente, frontalmente mantive a posição! Não vai em Liberdade Condicional: eis a decisão!

Maria das Dores, a “viúva negra”, condenada a vinte um anos e meio (21 anos e 6 meses) por mandar matar o marido, negou em audiência de Julgamento ter praticado o crime!

O Tribunal de Execução de Penas, porque Maria das Dores confessou o crime aquando da audiência para a concessão da saída precária, concedeu a mesma!!!!

Maria das Dores, já condenada e a cumprir pena pela prática do crime de homicídio, foi condenada pela prática de um crime de burla (2010).

Nada é suficientemente grave, toda e qualquer sombra é afastada, a reinserção e ressocialização aconteceram: Maria das Dores viu a luz! Confessou! Seja um acto de contrição verdadeiro ou pura velhacaria, não interessa: confessou!

Orlando Figueira, procurador, ex-recluso de “Ébola”, está em casa, em regime de prisão domiciliária porque, conforme despacho que aqui publiquei, outros Magistrados alegaram: “Quanto ao perigo de fuga […] acreditam que a sua formação cultural e o facto de ter sido magistrado do Ministério Público faz com que Orlando Figueira seja um cidadão com responsabilidades e deveres acrescidos. Por isso mesmo a Relação de Lisboa tem a convicção de que o magistrado ficará em Portugal para afirmar e comprovar a sua invocada inocência, com o consequente refazer da sua imagem e credibilidade social”

Atentem: 1º Caderno, jornal “Expresso”, de 6 de Janeiro de 2018. “Orlando Figueira alegou que, afinal, quem lhe pagou foi um importante banqueiro angolano, Carlos Silva […]. Envolveu ainda o advogado Daniel Proença de Carvalho […]. Só contou esta versão agora porque tinha um “acordo de cavalheiros” e era Carlos Silva quem lhe pagava o advogado […]”

“No escurinho do cinema…”. Refazer da imagem e da credibilidade social ?!?

Só contou a versão agora; agora que o “pilim” está a faltar?!? É assim que se chama: “acordo de cavalheiros”?!?

Ai, João de Sousa! Se tu tivesses dinheiro nas contas, “generosamente” ofertado por amigos ou conhecidos; se existissem provas concretas de que facultaste informação ao teu co-arguido, e não um “salto lógico” baseado na convicção da Juiz, pobre João de Sousa, tinhas “apanhado” 25 anos!

Ao longo destes, praticamente 4 anos sem ir a casa, tenho assistido ao “pifar dos filmes” constantemente, mas, infelizmente, apesar dos “flagras”, no “escurinho” deste “cinema” deprimente a “turma” (todos nós) pouco tem vaiado.

A frágil chama da minha pequena vela, constantemente ameaçada pelos fortes ventos da (in)Justiça Lusa, vou defender até ao fim e mais um dia. A frágil chama é toda a informação que tenho publicado aqui, documentando a argumentação, muitas vezes irónica e satírica. Reconheço que tenho queimado por demasiadas vezes a mão ao proteger a chama, ao opinar, ao publicar, ao incomodar quem tem o poder de decidir.

Sim, temos que reconhecer que incomódo, porque senão é pura maldade, é castigar sem razão, e a maldade pura não existe!

Porque falo e escrevo: devo vergar! Porque não digo o que querem: devo vergar!

Porque, até na mais fria e húmida escuridão em que me encontro, não negoceio: devo penar!

Mas, voltando ao princípio! Nas trevas também encontramos luz: amanhã, Domingo, 14 de Janeiro de 2018, vou ver a minha “ninhada”! Já passaram 14 dias: tempus fugit!

Amanhã, mesmo que chova e faça frio, a manhã (das 9h15 às 11h15) estará quente com o sol a brilhar. Amanhã, falarei com os meus filhos sobre a escuridão e o valor da Amizade, cuja luz e calor ilumina e aquece o mais absconso dos locais: este, onde por agora, resiliente, estou!