“Ena pá! Tanta gente que eu conheço!”

Liberdade daqui a: 367 dias!!!!

Setembro! Um mês especial para mim: nasci em Setembro! Nasci em Setembro e este ano, após 3 anos sem festejar a data junto dos meus, no quarto ano de reclusão, vou comemorar com aqueles que amo (depois eu conto-Vos como foi, eu “mostro-Vos” neste espaço!)

Setembro, mês especial para mim, mas este Setembro de 2018 ainda mais! Sentado, fechado no meu “jazigo” de “Ébola”, a ler, a televisão capta a minha atenção: “rentrée” do ano judicial!

Com um grafismo muito engraçado e de fácil assimilação, a RTP informa-nos das datas dos vários processos-crime que vão iniciar, continuar e, quiçá, terminar.

O apontamento jornalístico chega ao fim após 5 minutos e de imediato este texto surge na minha cabeça! O título foi fácil, apenas tomei nota da interjeição que deixei escapar à medida que ia vendo as fotos dos envolvidos: “Ena pá! Tanta gente que eu conheço!”

Tanta gente, tantos figurinos que eu realmente conheço porque trabalhei com eles ou adquiri conhecimento através daqueles que os investigaram, ou, muito melhor, conheci-os em ambiente prisional, sem o verniz habitual, sem máscara, crus, despidos no meio da miséria comum.

Os colegas da P.J., Sócrates, Manuel Palos, Orlando Figueira, Paulo Pereira Cristovão e co-arguidos (elementos da P.S.P.), todos estes por aqui passaram e penaram.

Duarte Lima, Armando Vara, João Rendeiro, Oliveira e Costa, Paulo Lalanda e Castro, Secretários de Estado, o Sport Lisboa e Benfica, o meu Sporting Clube de Portugal, e outros que também referiram, como por exemplo o “super-espião” Jorge Silva Carvalho ou Carvalhão Gil (só espião, sem o “super”): tanta gente que eu conheço!

Esta gente foi investigada, constituída arguida ou até julgada na mesma altura que eu: 2013, 2014, 2015! A alguns a Justiça “alcançou” mais cedo (v.g. Dias Loureiro, 8 anos de investigação e arquivado; João Rendeiro (BPP) investigação desde 2008; Oliveira e Costa (BPN) investigação desde 2008). Talvez afirmar que a Justiça “alcançou” estas figuras seja um exagero da minha parte, admito-o!

Entretanto, após tomar nota de algumas ideias para este opúsculo que agora Vos deixo, instalou-se em mim, paulatinamente, um desconforto pesado. Uma sensação incómoda que se materializou quando li estas palavras de Eduardo Dâmaso, no seu espaço de opinião na revista Sábado (edição nº 748): “[…] Num país em que aplicar uma pena de prisão efectiva demora 4 ou 5 anos e é atrasada por recursos que só os ricos podem pagar, construir um M.P. controlado politicamente é um crime de lesa-pátria.” (título do editorial: “A guerra contra Joana Marques Vidal”).

Com a sensação desconfortável materializada sobre os meus ombros, percebi o que me incomodava: Eduardo Dâmaso tem toda a razão, excepção feita no meu caso!

A 30 de Janeiro de 2015, neste espaço, escrevi: “Desde o primeiro momento que disse à minha Família e amigos que iria penar o tempo todo de todos os prazos! Sempre afirmei e reitero agora, que a minha acusação “sairá” na vigésima quarta hora do último dia. Até apostei um almoço!”

(texto: “Inspector João de Sousa da P.J., também conhecido por Grande Mestre da Ordem dos Magos e dos Feiticeiros”)

Ao contrário de todos aqueles que Vocês também conhecem, eu, João de Sousa, ex-Inspector da P.J., condenado a prisão efectiva pela prática dos crimes de Corrupção e Violação de segredo de Funcionário, esgotei o prazo total de prisão preventiva!

Eu, João de Sousa, último rosto condenado pelo crime de Corrupção em Portugal nos últimos quatro anos e meio (corrupção na forma de uma promessa patrimonial futura) ao contrário destes que todos Vós conhecem, apresentava real perigo de fuga, continuação da actividade criminosa e perigo real de perturbação da ordem e tranquilidade públicas!

Eu, João de Sousa, em razão da natureza e circunstâncias dos crimes que pratiquei, assim como em razão das características da minha personalidade, nunca poderia (nem pude) aguardar o meu julgamento sem estar sujeito à medida de coacção mais gravosa: prisão preventiva!

Todos os outros que agora protagonizam a “rentrée” do ano judicial possuem menos influência e protagonismo no espaço público, político ou institucional que o João de Sousa!

Os crimes da mesma natureza que o João de Sousa praticou e pelos quais foi condenado, são menos graves no caso de todos os outros que aparecem de novo na agenda dos média!

A capacidade de fuga, manipulação de provas/testemunhos ou a influência nos média de um José Sócrates, não é nada comparada com o “ex-Inspector Hugo-Boss” da P.J.!

Os valores em euros no caso de Ricardo Salgado, são “peanuts” quando comparados com a “promessa de vantagem patrimonial futura” do, definitivamente, corrupto João de Sousa!

Vejo toda esta gente lá fora, livre, a enfrentar o seu Julgamento em liberdade! Eu, perigoso criminoso, ia algemado (ainda que bastante elegante!) com escolta: “Posso ir urinar Sr. Guarda?”

Recursos e recursos! Vírus nas escutas! Armando Vara está, desde o trânsito do seu recurso no Tribunal da Relação, a pedir esclarecimentos, nem sequer é um recurso!

31 e Julho de 2017, texto “(In) Justiça ad hominem: “Lembram-se (quem acompanha este blogue semanalmente) de eu afirmar que os meus prazos para a liberdade nunca se esgotariam e os prazos de privação da mesma seriam “religiosamente” observados? Desta forma o “tipo vai penar mais”!”

O Armando Vara, desde esta data – Julho de 2017 – anda a pedir esclarecimentos!

Neste mesmo texto – “(In) Justiça ad hominem – relato a conversa que mantive com a minha defensora-oficiosa (“Recursos que só os ricos podem pagar”, Eduardo Dâmaso dixit) na qual esta garantia-me que o prazo da prisão preventiva ia ser ultrapassado e eu iria para casa aguardar o resultado dos recursos, como é habitual, em liberdade.

– Olhe que não, Dra.! Eles vão resolver isto rapidamente! – afirmei sereno.

“[…] Dia 14 de Julho de 2017, sexta-feira, a reclamação é enviada às 21h30; na segunda-feira, 17 de Julho de 2017, é manuscrito o despacho de 12 linhas”

O Armando Vara, desde esta data, em liberdade, ainda aguarda os esclarecimentos solicitados pelo seu advogado. Atenção! Esclarecimentos, nem sequer é um recurso! Mais de um ano para esclarecer; o corrupto João de Sousa: 72 horas, num fim-de-semana e com greve dos funcionários judiciais! É obra!

Já “oiço” os comentadores “Anónimos” a dizerem: “Miserável, não te compares com esta gente, quem és tu, tu és corrupto!”

Muito bem! Então o que dizer do meu co-arguido, condenado a 5 anos e 6 meses como eu, e que se encontra em liberdade, após ter visto ser revogada a medida de coacção (que também era a mais grave: prisão preventiva) desde 15 de Março de 2017 (liberdade plena) e que ainda não tem resposta ao recurso interposto, encontrando-me eu a cerca de um ano do final da pena?!?

Mas o que terá este ex-Inspector da P.J. corrupto (eu, João de Sousa) que toda esta gente conhecida (e até desconhecida, como o meu co-arguido) não tem?

Ou será que ele, o ex-Inspector corrupto, não tem e os outros têm?!?

Recordam-se do que denunciei aqui sobre os “sorteios aleatórios” da 9ª Secção do Tribunal da Relação de Lisboa?

Lembram-se de eu afirmar que o Juiz Carlos Alexandre era sempre sorteado para os casos que “davam jeito” à P.J.?

Não se esqueceram do que Vos relatei sobre a “Instrução” no meu caso, presidida pelo “super-juiz” Carlos Alexandre, pois não?

Na altura, um daqueles que eu conheço e que por aqui esteve uns tempos, encontrando-se agora em liberdade a aguardar julgamento, foi presente ao juiz Carlos Alexandre. Na ocasião falaram deste blogue, tendo o “super-juiz” dito que iria diligenciar junto da Direcção dos Serviços Prisionais no sentido de apurar se José Sócrates realmente gozava de tratamento privilegiado aqui em “Ébola”. Mais (inusitadamente) disse o Dr. Carlos Alexandre: informou o então arguido detido preventivamente que era ele o responsável pela instrução do meu caso e estava a aguardar o Dr. João Davin (Magistrado do Ministério Público responsável pela fase de inquérito e pela acusação) para discutirem o processo!!! Onde está o sorteio?!? Isto passou-se semanas antes de eu ser notificado! Onde está a equidistância do juiz dos Direitos, Liberdades e Garantias?!?

Vem agora o Vara, o Carlos Santos Silva e o José Sócrates falar de “sorteios aleatórios”?

Vou aguardar pacientemente (não posso fazer mais nada, por agora!) para ver o que isto vai dar! Será que com eles vai ser diferente?!?

Escrevo este texto a 8 de Setembro de 2018. Como já Vos disse, assim tem de ser por causa dos “CTT” e afins. Estou preso, ainda, sou anacrónico, estou recluído, sou pária, estou de fora. Vou aguardar para ver o desfecho de tudo isto, atentamente!

Ena pá, Tanta gente que eu conheço!

Deixo-Vos o enorme António Aleixo:

“Sei que pareço um ladrão…

Mas há muitos que eu conheço

Que, não parecendo o que são,

São aquilo que eu pareço”

Presumivelmente, no caso “deles”, claro!

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“O dizer e o “saber-fazer””

Liberdade daqui a: 374 dias!!!!

 

 “Polícia Judiciária de Portugal

Departamento de Investigação Criminal de Setúbal

Inspector João de Sousa

 

Um caso de homicídio: vantagens de uma abordagem holística nas ciências forenses.

O caso em apreço ilustra a necessidade de se ter uma perspectiva holística das ciências forenses, importando ressalvar que somente com o contributo de todas as áreas do saber ao dispor da investigação criminal é possível alcançar-se patamares de excelência no trabalho policial.

Habitualmente, numa investigação de homicídio, as áreas das ciências forenses mais solicitadas são a tanatologia, biologia e dactiloscopia. O caso que se apresenta é o paradigma do recurso a um grande número de disciplinas forenses, algumas das quais contribuem habitualmente para investigações desta natureza, e que no seu todo, de forma multidisciplinar, contribuíram para a resolução do homicídio analisado.

Aos 10 dias do mês de Julho de 2006, na região de Setúbal, Portugal, a cerca de 20Km da capital, Lisboa, numa zona de arvoredo, local onde costumadamente se efectuam despejos de lixo, após o rescaldo de um incêndio é detectada a presença de um cadáver de um indivíduo do sexo masculino, carbonizado, não identificado, sem quaisquer sinais manufacturados (tatuagens) ou quaisquer artefactos que permitissem uma identificação positiva. O cadáver encontrava-se amordaçado, manietado, apresentando (após o exame preliminar realizado) sinais de espancamento.

Perante a escassez de elementos identificativos/interpretação do local, num primeiro momento solicitou-se a presença de um especialista da Área da Química (Laboratório de Polícia Científica da P.J.) a fim de interpretar o cenário no sentido de se apurar o foco inicial do incêndio e o material acelerante utilizado.

Num segundo momento recorreu-se à Tanatologia, Antropologia Forense (Instituto Nacional de Medicina Legal – Delegação de Lisboa) e Lofoscopia (Polícia Judiciária) objectivando-se a identificação do cadáver. Cerca de dois meses depois, ainda sem a identificação do cadáver, na Directoria de Lisboa da P.J. surge um veículo automóvel com manchas hemáticas. Socorrendo-se a investigação da área de Biologia Forense do L.P.C., solicitadas as amostras de sangue recolhidas no cadáver ao I.N.M.L. (Delegação de Lisboa) é obtido um “match” nos perfis de D.N.A.

É identificado o cadáver: Sr. “X”, sexo masculino, idade “Y”.

Como o veículo automóvel foi alvo de uma venda ilícita, com recurso a falsificação de assinatura (contrato de venda) é solicitado ao L.P.C., Área da Escrita Manual, avaliação pericial do documento.

A investigação, neste momento, é detentora da identificação da vítima e, após estudo de perfil do(s) autor(es) do crime [com realização de “autópsia psicológica”] logra alcançar a identidade dos homicidas.

Solicitada a colaboração das Equipas de Cena de Crime da P.J. portuguesa, é realizada busca domiciliária à residência do principal suspeito, local onde praticou o homicídio com o auxílio de outro indivíduo, tendo-se obtido a informação do local exacto onde foi torturada a vítima, onde esta foi morta, o local exacto onde o corpo permaneceu por dois dias, os artefactos utilizados na agressão e os artefactos utilizados para a remoção, encobrimento, transporte e destruição (através do fogo) do cadáver.

Indivíduos condenados a 18 e 25 anos de prisão efectiva. Pena máxima em Portugal pelo crime de homicídio: 25 anos”

O que é isto que Vos trago hoje? O que acabaram de ler é o resumo da publicação científica que submeti à apreciação da Academia Americana de Ciências Forenses (A.A.F.S.), corria o ano de 2011, aceite e apresentado na 64ª reunião anual da A.A.F.S. em Atlanta, U.S.A. (2012).

Recuperei o resumo e segue junto a este opúsculo o “poster” apresentado, porque durante esta semana que passou – de 27 a 31 de Agosto de 2018 – muito se comentou e mais se disse sobre o presumível homicídio do triatleta Luís Grilo.

Conquanto existam semelhanças com o caso de Luís Grilo (v.g. o envolver do corpo em mantas/tapetes, a violência notória a que foram sujeitas ambas as vítimas, o desaparecimento, etc.) a referência a este homicídio de 2005 que investiguei, não tem por objectivo a comparação no que aos procedimentos realizados ou a realizar diz respeito, ou até aos resultados finais obtidos.

Cada caso é um caso, com as dificuldades e oportunidades de investigação que encerra, estando eu convicto de que os investigadores da P.J. vão fazer o seu melhor de acordo com a formação que receberam, observando a normalidade do fazer habitual suportado pela experiência acumulada.

Para que não restem duvidas, não se trata de demonstrar que o ex-Inspector João de Sousa era o “Masterblaster” dos Homicídios, um farol de Sabedoria, e os actuais inspectores nada sabem fazer! Nada disso! Tenho presentes as palavras de Séneca (Sempre estiveram presentes): “Qualquer objecto que sobressaia entre os objectos vizinhos só é grande no local onde sobressai. A grandeza não tem medida certa, é a comparação que a torna maior ou menor. Um barco que parece enorme no rio é minúsculo em pleno mar; um leme pode ser grande para uma embarcação e pequeno para outra”. Passados estes anos de reclusão, em autoscopia, meditando, vejo agora que possivelmente eu nem era assim tão proficiente, os “objectos vizinhos” é que…

Vamos ao que interessa! Esta semana vi e ouvi comentarem o “caso Luís Grilo”. Vi e ouvi com muita atenção todos, mas com especial cuidado atencioso somente alguns: os que merecem esse empenho.

Primeiro devo declarar que a defesa da instituição Polícia Judiciária é uma atitude nobre e louvável mas, muito importante, não podemos tornar geral o que de mau ou menos bom existe, nem devemos acreditar que os nossos procedimentos, quando correctos e profícuos, são prática generalizada. Existem, infelizmente, várias P.J.`s na P.J., se quiserem, várias velocidades dentro da Polícia Judiciária, várias formas de fazer e até de “não-fazer”!

Assim sendo (e sei que vai entender) como canta o grande Carlos do Carmo: “Por morrer uma andorinha não acaba a Primavera”! Acrescento eu: “e nem uma andorinha somente, faz a dita primavera!”

A crítica construtiva deve pautar as intervenções de todos aqueles que conhecem a P.J.: elementos no activo e reformados (até ex-funcionários condenados e demitidos!). É uma obrigação moral e ética! Na passada semana vi e ouvi, atentamente, afirmarem que a P.J. realizará “autópsia psicológica” no “caso de Luís Grilo”, como aliás o faz sempre!

Falso! E mesmo que com a elegância e capacidade de comunicação que possa o “interlocutor conhecedor” apresentar no momento, não desmentir a afirmação prejudica ainda mais a P.J., do que ocultar a falha: desta forma a instituição não evolui!

Quem falou na “autópsia psicológica”  apenas leu sobre a prática, somente leu excertos da tese de doutoramento do Prof. Dr. Jorge Costa Santos, especialista do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (antigo Director do I.N.M.L.  delegação de Lisboa).

Sim, garanto-Vos porque estava na aula onde facultaram as fotocópias dos excertos e discuti a questão. Tinha lido a tese na sua totalidade e até tinha reunido com o Prof. Costa Santos, a fim de o convidar para apresentar o tema numa Pós-Graduação de Enfermagem Forense que eu coordenava.

Estas afirmações típicas de “debutantes”, este “dizer-sem-conhecer”, só prejudica a P.J. e todos aqueles que a instituição serve.

A “autópsia psicológica” é uma prática que encerra um método, que obedece a procedimentos estruturados e protocolados. Até o Prof. Jorge Costa Santos nunca realizou qualquer “autópsia psicológica”!

Imaginem um suicídio. A leitura do cenário da ocorrência (habitação, disposição do mobiliário, livros existentes, quadros, a arrumação da cama, o posicionamento do cadáver, até os odores, os perfumes que o indivíduo usava) é indispensável para a realização da “autópsia psicológica”.

Ora, se o perito médico-legal não está presente no local – apenas o Inspector da P.J. e o delegado de saúde – como pode o responsável pela “autópsia psicológica” realizar a mesma? Mas o Inspector vai à autópsia no I.N.M.L.C.F. e comunica ao perito o que viu!!! Falso e falacioso! Para além de ser a “visão”, o “olhar” de terceiro, por interposta pessoa, saberá o Inspector da P.J. o que deve “ver”? Não, não sabe porque não tem formação; mas nem precisamos ir tão longe: raramente se vê um Inspector da P.J. nas autópsias. O procedimento habitual é telefonar para o I.N.M.L.C.F. e perguntar o resultado preliminar do exame autóptico!

Justiça seja feita: a delegação do Porto do I.N.M.L.C.F. desloca-se aos locais/cenários de crime!

Reitero o que já deixei neste blogue anteriormente: a P.J. não tem procedimentos padronizados, estudados, ensaiados, confirmados experiêncialmente (através de análise científica) como correctos, a realizar em cenários de morte!

Esta falha tão básica, conhecida por muitos, reconhecida publicamente por ninguém, oferece à afirmação de que a P.J. vai realizar “autópsia psicológica” no “caso de Luís Grilo”, à semelhança do que usualmente faz, um cunho carnavalesco, grotesco!

Pior que o ridículo é estar a “alimentar” a opinião pública com falsidades.

No ano de 2005, no caso apresentado nos E.U.A. (cujo “poster” podem consultar junto a este texto, digitalizado) observei uma abordagem holística da cena de crime. Apresentei o caso, ou melhor, a minha teorização do caso (no qual utilizei o protocolo da “autópsia psicológica”) num congresso de Medicina Legal em Elvas. Expus o caso (a sua teorização) a colegas.

Falar de Descartes, invocar Mauss, referir o “mecanicismo cartesiano” como falível, tudo isto num caso de homicídio, era, como muitos afirmaram: “americanices do doutor!”

Pois bem, fomos à América, aos E.U.A.: e não é que eles deram-me razão! Não é que eles ficaram a pensar que nós, portugueses, estamos “muito à frente” na investigação de homicídios!

Lá, nas “américas”, gostaram muito do “layout” do poster: a escolha geométrica da apresentação, as setas sinusoidais bidireccionais que representavam a procura da verdade material de forma holística, socorrendo-se de todas as áreas das ciências forenses (vejam a digitalização!)

Isto foi há 7 anos! Sete anos e ainda se dizem disparates, fazem-se disparates e ofertam-se disparates em horário nobre. Cuidado com a negligência! Stefan Zweig alertou-nos: “Na História, tal como na vida humana, o arrependimento não consegue reaver o minuto que passa: mil anos não resgatam uma hora de negligência.” Não esqueçam! Não medrar no “saber-fazer” é negligência. É negligente quem afirma algo desconhecendo a prática real!

Escrevo este opúsculo a 1 de Setembro de 2018, sábado. Assim tem de ser por causa dos “CTT” que demoram 16 dias a entregar “correio azul”: negligência da pior!

O texto será publicado dia 10 de Setembro de 2018, segunda-feira. Daqui a 9 dias. Até lá, espero sinceramente (estou a “torcer” pela equipa da P.J. que investiga o caso) que o presumível homicídio de Luís Grilo seja resolvido, com o(s) autor(es) apresentados a um(a) Juiz para que se faça Justiça, elevando-se o prestígio da Polícia Judiciária portuguesa. Garanto-Vos, porque servi a instituição durante 15 anos e conheço as pessoas, que os elementos da P.J. tudo vão fazer para resolver o caso com a máxima dedicação e esforço pessoal, apenas condicionados pela sua formação e “experiência não pensada”.

Não se esqueçam, Srs. Inspectores da P.J.: “O verdadeiro conhecimento, o real “saber-fazer”, é como uma frágil chama de uma pequena vela, constantemente ameaçada pelos fortes ventos da ignorância e da negligência”.

Bom trabalho!

Poster

“Sonhos e sopa de letras”

Liberdade daqui a: 381 dias!!!!

De acordo com Aristóteles, os sonhos são “Reevocações de imagens e de dons que surgiram durante a vigília do indivíduo que sonha”.

Quando experiências emocionais intensas recentes (ou emocionalmente marcantes num passado distante) são vividas, reaparecem nos sonhos como na realidade ocorreram ou transfiguradas com camadas de sentido para decifrar.

Freud, em 1900, com a publicação da sua obra “A interpretação dos sonhos”, explica-nos a razão pela qual a maior parte dos nossos sonhos é estranha e sem sentido; esta estranheza e incongruência são superficiais, “uma máscara habilidosa que nos permite ser indulgentes com o desejo inaceitável, sem nos darmos conta do que é inaceitável”.

Desde os meus 15 anos que mantenho “diários de sonhos”. Desde essa idade que registo o que sonho, quando sonho e consigo recuperar o sonhado. No meu “iPad”, apreendido pelos meus colegas da P.J. que me investigaram, não constavam as quantias monetárias, os locais das “offshores” ou moradas de casas adquiridas com o resultado da minha corrupção, constava sim vários relatos de experiências oníricas.

Aqui em “´Ébola” também registo todos os meus sonhos (excepto aqueles que sonho acordado a olhar para as paredes do “jazigo”), estão registados no Moleskine como: “Sonhos no cárcere”.

Ao fim de 4 anos e 5 meses nunca experimentei um pesadelo, um sonho aflitivo. Curioso, não?

Pelo contrário: sonho com a minha falecida “Mãe Ju” e estamos sempre a rir e, invariavelmente, a comer! Sonho com a “ninhada” e estamos sempre a brincar e, invariavelmente, a comer!

E até, permitam-me a extrema intimidade onírica, já tive sonhos eróticos e, invariavelmente, estou a comer durante o acto! Acreditem!

A mente humana é fabulosa. Esta semana que passou sonhei com… sopa de letras!

Novamente comida, mas, com várias camadas de sentido subjacente às imagens que brotaram profusamente no sonho em apreço.

Sabem o que é um “Palíndromo”? Palíndromo é uma palavra ou um grupo de palavras, ou mesmo um verso, em que o sentido é o mesmo quer seja lido da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda. Por exemplo: RADAR.

Nas visitas com a “ninhada”, de 15 em 15 dias, como não se pode ter jogos, canetas e papéis (até comida para o “Jr.” que com 4 anos tem de aguentar 3 horas!) o “Pai criminoso” inventa “jogos de magia com palavras e letras”.

Às escondidas dos Srs. Guardas, escrevo (ainda na cela) nos dedos das mãos, assim como nas palmas e até nos antebraços, palavras mágicas. A semana passada ensinei-lhes a “escrita especular” do Grande Mestre Leonardo da Vinci! Muito admirados, aprenderam que o Mestre escrevia os seus apontamentos com “escrita especular” apenas decifrável através da colocação de um espelho – escrevia como vemos escrito nas ambulâncias a palavra AMBULÂNCIA!!!!

Com tudo isso na cabeça, sonhei com a “sopa de letras” da “Mãe Ju” que eu demorava um pouco mais a comer porque nunca encontrava o “P” para completar o meu nome na borda do prato da sopa: “Pedro”.

Como estou preso, fechado numa cela, isolado, formei na “Terra do Nunca” (até o “Peter (Pedro) Pan” “convidei” para o sonho) o seguinte palíndromo: A torre da derrota.

Se lerem da direita para a esquerda,“voilá”: a mesma frase. Fascinante o mundo dos sonhos, não é? Derrotado, fechado como numa torre, forma-se o palíndromo. E o que dizer deste: seco de raiva coloco no colo caviar e doces. Leiam ao contrário! Incrível não é? As filhas e o filhote, durante as 3 horas da visita, disputam a minha atenção e o meu colo, e eu, porque observado pelos guardas, porque se os agarro num gesto mais carinhoso desfaço-me em lágrimas e depois não os quero largar, então, seco de raiva coloco no meu colo caviar e doces: novamente o meu desejo de amar os meus transformado em comida, algo que por aqui não abunda!

No sonho, a “sopa de letras” da “Mãe Ju” não sabia muito bem, tinha um sabor amargo. Talvez porque muitas vezes a sopa é uma imposição quando somos mais pequenos.

Mas depois de comer a “sopa do sonho” o resto da refeição foi muito prazerosa; quiçá identifiquei a sopa com a prisão e o “pós-prisão (sopa)” com a liberdade! E, logo de imediato, nasceu outro palíndromo: após a sopa (façam o mesmo exercício, leiam da direita para a esquerda, por favor!)

Por esta altura (no sonho) encontrava-me numa sala enorme, onde à minha frente estava um colectivo de juízes presidido pela Sra. Maria Alice que me repreendeu duramente quando eu dirigi-me à mesma e muito entusiasmado afirmei: “Tenho outro palíndromo: a droga da gorda.

Sem perceber se a senhora ficou arreliada por ter dito “gorda” ou “droga”, apesar da visível irritação descontrolada desta, eu insistia: “Leia da direita para a esquerda, por favor!” Curiosíssima a mente humana!

Mas o que fazia eu naquele julgamento afinal? (isto no sonho, claro). Percebi tudo quando a Maria Alice foi substituída por uma coruja (símbolo de Sabedoria). A Coruja, de toga, informou-me: “Este Tribunal quer encontrar o palíndromo perfeito!”

De imediato respondi: Ana!

Como num passo de mágica – só possivel num sonho – vejo um velho com um acordeão, sentado num banco de madeira junto ao Coliseu de Roma, a tocar “Speak softly love”, enquanto leio numa ementa (novamente a comida): Roma é Amor (outro palíndromo)

Ainda a ouvir a musica da canção do Andy Williams (banda sonora da trilogia do “Padrinho” de Coppola) uma luz azul (outro palíndromo) cega-me e estou de novo perante a Coruja a defender a minha resposta: Ana.

“Porquê Ana?” – insiste a Coruja

“Porque Ana significa “graciosa” ou “plena de graça”! – claramente aquilo que faço com a “ninhada” quando lhes explico o significado dos seus nomes.

Como nos sonhos a geografia, o tempo e a lógica regem-se por outras leis, no lugar da Coruja está agora o Gianni Morandi que canta: “Anna, io sono un treno / Ho passato una vita a viaggare anche senza freno…” (Ana eu sou um comboio / Passei a minha vida toda a viajar sem freio (travão)). Fui sonhar isto porquê? Talvez por causa da crise na C.P., será?

Talvez não porque o Gianni Morandi continuou: “Questa notte è una notte di luna / E tu mi porterai fortuna e penso a te…” (“Esta noite é uma noite de lua / E tu trazes-me Fortuna (sorte) e eu penso em ti”).

Apareceu então o Dr. Carlos Alexandre que me diz: “Dr. Sousa. explique melhor isso, explique-me porque eu não entendo a razão pela qual Ana é o palíndromo perfeito!” – irado.

A minha resposta: “Eu vou apelar ao meu advogado para explicar a V. Exa. – aponto então para o meu lado direito e vejo, surpreso, o Roberto Carlos levantar-se, pegar no microfone… e começar a cantar o “Concavo e o Convexo”: “Nosso amor é demais e quando o amor se faz / Tudo é bem mais bonito / Nele a gente se dá muito mais do que está / E o que não está escrito”

A “ninhada”, atrás de mim e do inesperado “advogado” Roberto Carlos, começa a aplaudir.

Um Carlos Alexandre a espumar grita: “Calem o advogado e as crianças!”

Mas o “Rei Roberto” continua: “Nosso amor é assim, para você e para mim / Como manda a receita / Nossas curvas se acham, nossas formas se encaixam / Na medida perfeita…”

Grita então alguém que não consigo identificar: “Cala-te ó Juíz, porque as coisas simples da vida são as mais belas!”

Silêncio absoluto, está escuro, apenas vejo a cara iluminada do Juíz Carlos Alexandre que me diz: “Dr. Sousa, o senhor é um lobo e vai ficar preso! Levem-no!”

Eu, entusiasmado digo apressadamente: “Antes de ir permita-me dizer, com a devida vénia: “O lobo ama o bolo”! Viu Dr. Carlos Alexandre! Leia da direita para a esquerda, por favor! Não posso ser preso, fiz mais um palíndromo, ganhei! – enquanto oiço a voz da minha Helena: “Uau! O Pai é mesmo mágico!”

Agora estou fechado dentro da carrinha celular. Sei que vou a caminho do E.P. de Évora.

Sozinho, convicto de que o palíndromo perfeito é Ana, começo a ouvir na rádio a música “Bo tem mel”. Sorrio, relembrando…

Chegando ao E.P. de Évora, sou recebido por um burro com um fato vestido que me pergunta: “Anotaram a data da libertação, a data do final da pena?”

Respondo eu sorrindo, orgulhoso: “Anotaram a data da maratona?”

– Como?!? – pergunta admirado o burro, erguendo as orelhas.

– Leia, por favor, da direita para a esquerda! É mais um palíndromo, venci outra vez!

– Um quê?!? Levem-no para a cela e sirvam o jantar – ordena

Enquanto vou escoltado por dois guardas oiço o burro dizer: “Este tem a mania que é mais esperto que os outros mas foi preso!” – gargalhando.

Não ligando à última do burro, feliz por mais um palíndromo, pergunto aos guardas:

– O que é o jantar?

– Sopa de letras … mas faltam letras!

– Faltam?!? Tem dois “A” e um “N”? – pergunto ansioso

– Sim, tem, a sua mãe colocou. – respondeu o guarda

– Perfeito! – desejoso, com muita saudade.

E acordei. É mesmo maravilhosa a mente humana, não é?

 

 

 

 

 

 

 

“Onde estão os psicólogos na prisão?”

Estimado(as) Leitores(as), este é o texto que enviei para o meu incansável “Secretariado” na quarta-feira, 1 de Agosto de 2018, via “correio-azul”.

A carta chegou após 16 dias !!!! Como devemos “dar a César o que é de César”, o Estabelecimento Prisional de Évora e os seus serviços não foram responsáveis pelo atraso; assim sendo, reddite Caesari quod est Caesaris, et Deo quod est Dei: os “CTT” são uma desgraça e o E.P. de “Ébola” foi célere e diligente nesta situação.

Mais uma informação que entretanto reuni: a Psicóloga só dispõe de 2 horas semanais para desempenhar o seu importante trabalho no E.P. de Évora. Talvez antes do final da minha pena, ou melhor, do meu “tratamento prisional” (antes de Setembro de 2019) eu consiga estar perante a Psicóloga, até lá: só uma cadeira vazia!

 

Liberdade daqui a: 409 dias!!!!

Foi há uma ou duas semanas que vi na televisão um apontamento jornalístico sobre Psicólogos nas prisões e a miséria da remuneração que auferem: 5€/hora!

Na passada semana reuni com o Técnico do Serviço de Educação do Estabelecimento Prisional de Évora, tendo obtido a informação, durante a reunião, que, desde a semana de 16 de Julho de 2018, existia no E.P. uma psicóloga.

Ao fim de 4 anos, 4 meses e 1 dia, eu, João de Sousa, recluído, fechado num espaço de 9 metros quadrados durante 13 horas diárias dos 1577 dias que já cumpri, que durante os últimos 1577 dias apenas copulei 7 vezes com a pessoa amada (aquando das saídas precárias concedidas) que regredi, obrigado, até à fase da adolescência e às práticas manuais típicas desse conturbado período da minha vida, distante dos filhos, ausente aquando do falecimento da minha progenitora, assim como do nascimento do “filho-homem” desejado, diariamente cerceado na expressão saudável da minha personalidade, cristalizado no tempo, partilhando tempo e espaço com alguns dos “animais” mais execráveis da nossa sociedade, finalmente vou ter o auxílio de um profissional formado, com conhecimentos reais que lhe permitem auxiliar seres humanos sujeitos à reclusão!

Ou não!

O recluído, eu, sistema bio-psico-sociológico complexo, em confronto diário, real, com o “outro sistema” – a prisão – cuja realidade física e social é nociva para um desenvolvimento psicológico (e até físico) saudável, que dia após dia tenho de realizar a correcta e sábia gestão entre a minha individualidade e as imposições institucionais, que tenho de “representar” os papeis que se enquadram no expectável/exigido pelo contexto, pelo “sistema”, sendo obrigado a apresentar “esquemas comportamentais” que em “sociedade livre” seriam incontestavelmente, de imediato, reprovados, eu que a tudo isto estou submetido, podendo-se facilmente afirmar que cada vez mais vejo-me afastado do que se considera ser “uma pessoa saudável”, finalmente vou ter a auxiliar-me um profissional capaz, com conhecimentos reais que lhe permitem observar, diagnosticar e tratar a minha doente pessoa.

Ou não!

Em 1993, Rui Abrunhosa Gonçalves escreve, “A adaptação à prisão – um processo vivido e observado”, obra que, como o próprio descreve, “constitui no seu essencial, a dissertação de Mestrado em Psicologia, especialidade de Psicologia do Comportamento Desviante, concluída em Dezembro de 1990”.

Há cerca de 25 anos, o Dr. Rui Abrunhosa Gonçalves concluía: “[…] que a tarefa dos psicólogos a trabalhar em meio prisional deve ser, sobretudo, a de promover uma adaptação – processo que permita a indivíduo sobreviver intra-muros, tão autonomamente quanto possível, em termos de preservação da sua identidade e personalidades próprias, facultando os meios possíveis para a aprendizagem das formas mais adequadas de estar na prisão sem ter que assumir modelações simbióticas com ela que, aquando da libertação, dificultarão seguramente o seu devir como cidadão livre […]”.

A Sra. Dra. Psicóloga colocada aqui em “Ébola”, vai alcançar tudo isto a 5€/hora, dispondo de 2 horas diárias para lograr fazê-lo? Melhor (ou pior): acho que são 2 horas semanais!

Olhe que não Dra.! Olhe que não!

Mas há mais! Aqui, em Ébola, somos “apenas” 40 exemplares nocivos; como será nas prisões sobrelotadas com 500, 600, 700 delinquentes?

E aqui, como vai ser aferida a necessidade de cada recluso? Sim, porque 2 horas diárias (ou semanais, estão ainda a decidir como vai ser!) não chegam para todos os 40 que não estão a evoluir, estão sim “cristalizados” ou a regredir!

A solução seria uma análise capaz “dos 40”,com entrevista, sujeição a psicometria e posterior análise dos dados recolhidos. Mas não, aqui é feito a “olhómetro”!

Atenção, temos que ser honestos intelectualmente e justos: como é que a Direcção do E.P. de Évora poderia fazer diferente? Como fazer correctamente quando só existe um profissional da saúde mental disponível durante 2 horas diárias (ou semanais!!!) a auferir 5€/hora?

Um dos elementos/factor de aferição/rastreio são os Serviços Clínicos, i.e., a médica que está colocada aqui em “Ébola” considerar que o recluso necessita de ser “atendido” pela Psicóloga. É uma boa forma de solucionar a questão. Não, não é! A “Sra. Dótora” é a mesma que me comunicou restarem-me 3 meses de vida (leiam, se não o fizeram ainda, o texto deste blogue, “A Medicina do Refugo”!

Outra solução é a observação diária dos reclusos por parte do corpo dos guardas prisionais!

Com todo o respeito que merecem, será que na sua formação profissional base, ou mesmo em formações posteriores, os “srs. guardas” foram dotados das ferramentas necessárias para observar, identificar e comunicar patologias de adaptação, critérios de normalidade, contextos comportamentais, manifestações de stress, comportamentos de assimilação, acomodação ou “modelações simbióticas”?

Com a devida vénia, a não ser que o recluso João de Sousa amanhã defeque no refeitório e com as fezes tente reproduzir a “Guernica” na parede, o corpo dos guardas prisionais conclui: está tudo bem com o mesmo!

Sabem a falta que fazem os Psicólogos na prisão? Quem é que aplica, quando aplicam, os tratamentos (acompanhamento/terapia/observação/avaliação) aos abusadores sexuais (pedófilos, violadores) ou quem é que executa/realiza os programas de treino de competências pessoais e sociais (v.g. aos homicidas e autores de violência doméstica)?

Deveriam ser psicólogos! É essa a falta que fazem!

Aqui em “Ébola” existem Planos Individuais de Readaptação (PIR) onde está prevista a participação em Programas de Treino de Competências para autores de violência doméstica (homicidas): não são aplicados! Num dos casos, o indivíduo assinou o seu PIR, elaborado somente ao fim de 5 anos (numa pena de 16 anos) e ainda não frequentou qualquer programa de treino de competências!

Não foi avaliado por um psicólogo! Não foi aplicado qualquer tipo de psicometria! Foi, mais uma vez, a “olhómetro”!

O Técnico dos Serviços de Educação do E.P. de Évora, desde que chegou, faz o que pode, sendo que por vezes aquilo que o recluso precisa é de alguém que faça um pouco de “escuta activa”, que o oiça de facto, mas isso até um “barman” faz com elevada mestria. Agora, ouvir, identificar o problema e “desenhar” um plano de actividades que permitam a reinserção e ressocialização capaz, isso somente um técnico da área, um psicólogo.

Mas não a 5€/hora e com 2 horas diárias (ou semanais, estão ainda a decidir). Crer que algo se está na realidade a fazer, só se for para a promoção política de algum governante ou Director que tutela a área responsável pela questão, de outra forma, é atirar areia para o “olhómetro” do pessoal!

 

 

“As montanhas da Vida”

Liberdade daqui a: 395 dias!!!!

Adoro e vibro com o ciclismo porque considero este desporto uma metáfora da Vida.

Ver um pelotão de ciclistas a rolar como uma serpente primeva, ancestral, sábia nos seus movimentos, insidiosa, traiçoeira na sua aparente calmaria, é um constante deleite.

Assistir à insolência do “homem só” que desafia o monstro policromo e destaca-se, é a expressão metafórica da rebeldia, da iniciativa, do desejo de ser mais e melhor que o colectivo.

As etapas diárias que encerram possibilidades várias, durante o seu acidentado percurso, para todo o tipo de homem – o “sprinter”, o “escalador de montanhas”, o “combativo das fugas” – assim como para os grupos de homens que em equipa trabalham, são o reflexo, o paralelismo evidente que se pode fazer com as nossas jornadas quotidianas.

Até no “enganar a Verdade” existem semelhanças evidentes: o “doping” (injecção ilícita estimulante do ciclista) e os atalhos ilícitos que todos nós, numa dimensão maior ou menor, uns apanhados outros não, optamos por “tomar”.

No ciclismo, para além da orografia e das condições do clima (entre outros factores) o Tempo é uma entidade de capital importância: por milésimos de segundo se perde ou se alcança a Glória.

A gestão do Tempo é fundamental: quando ingerir alimentos/água, quando atacar, quando aguardar.

Como na Vida, existe o “Tempo Longo”, onde tem de imperar a calma e a paciência. Nestas ocasiões temos de adoptar uma postura defensiva, aguardar a oportunidade, não agir por impulso.

O “Tempo Forçado”, ocasião na qual temos de “perturbar o senso de oportunidade dos outros”, “entregar-lhes” a decisão de atacar ou esperar, perturbar a gestão do tempo do Outro.

Finalmente, o “Tempo Final”. Após pacientemente esperar, observar e forçar o Outro: agir, atacar. Atacar a montanha, deixar o adversário para trás e correndo atrás do Tempo, ganhar tempo ao segundo (o primeiro dos últimos!).

Tudo isto o ciclismo nos oferta, tudo isto a Vida nos dá, ensina. O “Tempo Longo, Forçado e Final”, são termos criados por Robert Greene, especialista em “Estudos Clássicos”.

Não sei se gosta de ciclismo, nem se algum dos ciclistas consagrados alguma vez o leu, mas está lá tudo: no ciclismo, no Greene e nas nossas vidas!

Todos os anos, final de Julho, princípio de Agosto: le Tour de France!

Todos os anos, princípio de Agosto: Volta a Portugal em bicicleta!

As últimas quatro edições de ambos os eventos assisti às mesmas encerrado numa cela, a fazer a gestão do meu “Tempo Longo”. Há quatro anos que oiço o João Pedro Mendonça e o Marco Chagas na RTP1, à semelhança do que fazia em liberdade.

No dia 15 de Agosto deste ano, completar-se-ão 20 anos desde o dia em que decidi ir com a minha namorada e o seu irmão menor (a “mãe da ninhada” e o meu cunhado) no carro do pai deles (o meu sogro) até à Torre (Serra da Estrela) local onde terminava a 6ª etapa (Portalegre-Torre) da 60ª Edição da “Volta a Portugal em bicicleta”. Se a memória não me falha, julgo que o vencedor da etapa foi o Belli, na altura a correr na formação da extinta Festina.

Fui lá porque no dia anterior, em casa dos meus pais, ao ver o “Prémio da Voltinha” (uma iniciativa da organização da “Volta a Portugal” que colocava cidadãos comuns a competir por uma bicicleta (1º prémio) numa competição de contra-relógio e velocidade explosiva (“sprint”) durante um minuto em bicicletas estáticas) afirmei, com toda a auto-estima/arrogância/vaidade que me caracteriza: “Vou ganhar a bicicleta para ti” – referia-me à minha namorada. Os presentes riram-se.

Fui, cheguei, respondi às três questões prévias para ser seleccionado, montei, pedalei e… venci!

Tenho em casa, gravado, o segmento da “Volta” que foi transmitido na RTP, onde se pode ver o agora recluído João de Sousa, com 25 anos, a receber das mãos do Marco Chagas a bicicleta (para a namorada) após o mesmo Marco Chagas ter-me ajudado a vestir uma camisola amarela!!!!

Três anos depois – Agosto de 2001 – com a bicicleta que eu “ganhei”, a namorada (a “mãe da ninhada”) o grande Luís e o imenso David (que já não vejo há 4 anos e 4 meses) desde casa a Santiago de Compostela, sem carros de apoio, com dois alforges colocados na roda traseira das bicicletas (com o material: cerca de 15 Kg) completámos em cinco etapas os 616 Km da aventura. No quadro que fiz com os registos e fotografias, assim como com os “passaportes dos peregrinos de Compostela”, lê-se a frase do Padre António Vieira: “Nós somos o que fizemos. O que não se faz não existe. Portanto, só existimos nos dias em que fazemos. Nos dias em que não fazemos apenas duramos”.

Em 2003, ano do nascimento da Leonor, ano em que ela foi operada pelo Dr. Gentil Martins, (um dos “grandes ciclistas” na sua área) meses após a operação, como que para realizar a catarse de tudo aquilo que tinha “pedalado” angustiado, porque ao meu primeiro diamante ainda faltava facetar e polir uma das faces, na companhia do meu querido David (abraço com saudade!) realizámos a ligação entre Madrid e Lisboa (as duas capitais peninsulares) vencendo os 693,5 Km em cinco dias. Passámos, e penámos, pela Sierra de Gredos, em ano de fogos e temperaturas acima dos 40ºC! Pedalámos com o Tejo espanhol a fazer-nos companhia, desidratámos e superámo-nos. A última etapa, Elvas-Lisboa, foi a mais longa que alguma vez realizei: 208,7 Km, 20.1 de média, mais de 10 horas em cima das “pasteleiras” que podem ver na foto que acompanha este texto!

À chegada, na última subida para a minha casa, a “mãe Ju” correu os metros finais ao nosso lado (existe um pequeno “vídeo familiar”). À minha espera a Família, uma mesa farta e o meu pequeno diamante (está ao meu colo, é do tamanho da garrafa). Vencida a adversidade, o repouso do guerreiro, a alegria.

No ano seguinte, 2004, já equipados com boas máquinas (ainda não era corrupto!) a namorada, agora já minha mulher e mãe da “Nô-nô”, o sempre presente David e o incomparável Faísca (não é um cão, é um querido amigo que guardo num local especial do meu coração) à semelhança das duas aventuras anteriores, i.e., sem carros de apoio e com os alforges montados, vamos de comboio até França (Hendaye) para fazermos 77,4 Km até S. Jean Pied de Port, localidade onde iniciámos o “Real Caminho Francês de Santiago de Compostela”, percurso que fizemos em 10 dias, com mais uma etapa até Valença do Minho, onde completámos os 1034,44 Km de uma espantosa viagem!

No quadro que se encontra na minha casa – com fotomontagem e os “passaportes dos peregrinos de Compostela” – lê-se: “Os altos cumes que nos cercam só estão ali para desafiar o Homem. E o Homem só existe para aceitar a Honra desse desafio”. Que outra frase colocar após ter atravessado os Pirenéus a pedalar, a imprimir movimento a uma máquina recorrendo somente à nossa disponibilidade física, à nossa vontade, à nossa sede de vencer!

Em 2001, de Viana do Castelo a Pontevedra (Espanha) tive dores horríveis após várias horas em cima da bicicleta; o David esteve 3 dias sem defecar, o organismo, com o esforço, desregulou. Em 2003, desidratámos, no meio de nada, na Sierra de Gredos, bebemos água quente, a que restava. No ano de 2004, nos Pirenéus, depois de uma subida de vários quilómetros (onde passámos de sol à chuva, do quente ao frio) após descermos a mesma quilometragem, experimentei um episódio de hipotermia, tendo de tomar um “banho de lavatório” num café espanhol, todo nú no W.C., bebendo de seguida o melhor “Cola Cao” dos últimos cem anos!

Tudo isto no mês de Agosto – 1998, 2001, 2003, 2004 – tudo isto sempre com um objectivo: superar-me! Mais rápido, mais alto, mais forte. Tudo para conquistar montanhas, para ultrapassar obstáculos.

Lembrei-me do que Vos relatei hoje porque, fechado na minha cela, tenho acompanhado o “Tour de France” e a “Volta a Portugal em bicicleta”. Recordei estas aventuras porque estou agora fechado na minha cela e tenho uma toalha molhada, a pingar, colocada sobre as costas, a única forma de me refrescar, uma vez que estão mais de 30 graus aqui dentro do jazigo e são 22h15!!!!

Mudaram-me de cela, estou agora no 1º andar, pertinho do céu, estou na “grelha”! Em pleno séc. XXI, indivíduos são fechados em celas, 13 horas por dia, com temperaturas (constantes) acima dos 30 graus, com “restrições de aparelhos eléctricos”: não podes ter ventoinha se já tens televisão e DVD!!!!

Continuo a pedalar, tenho esta montanha para ultrapassar. Faltam 14 meses. O “Tempo Longo” está a acabar. A água do garrafão está quente: não interessa, bebe, tens de hidratar como fizeste com o David!

Tenho metade de uma banana para comer amanhã com a aveia ao pequeno-almoço, porque agora já não se pode comprar bananas e a outra metade comi hoje de manhã: não interessa, pedala, na etapa dos Pirenéus também acabaram as barras energéticas e conseguiste!

Quando chegar o Inverno, aqui em “Ébola”, as temperaturas estarão perto “dos -1” no interior da cela: não releves isso, pedala, lembra-te que ultrapassaste uma hipotermia em França!

E depois, quando sair, como vai ser? Estás com dúvidas, Pedro?!? Lembra-te daquele dia em que decidiste ganhar uma bicicleta! Emula o feito!

A Vida é como uma prova de ciclismo: oferta-nos montanhas, obstáculos que nos permitem vencer, ou não, consoante o material de que somos feitos. E, como nós dizíamos enquanto subíamos durante as nossas aventuras aqui relatadas: “Vamos pessoal, não pensem na subida! Pensem antes que a seguir, com toda a certeza, vamos ter que descer! Força!”

“O blogue, os comentários e a minha demissão”

Liberdade daqui a: 402 dias!!!!

Lamentavelmente, na semana que passou, não foi publicado texto algum!

Como faço de 15 em 15 dias (porque a disponibilidade económica para ter visitas semanais não existe) o texto a publicar é manuscrito à terça-feira e entregue aos serviços do estabelecimento prisional, na manhã do dia seguinte – quarta-feira – para ser expedido.

Na passada semana assim foi feito: o texto foi entregue ao guarda de serviço na quarta-feira, dia 1 de Agosto de 2018, às 8h05. Até hoje de manhã, pelas 8h00, hora em que usufruo de 5 minutos diários de contacto telefónico com a Família, o texto não tinha chegado ao seu destino!

Terça-feira, dia 7 de Agosto de 2018, começou o epopéico exercício de apuramento da “sorte” da carta enviada pelo recluso João de Sousa que, decorridos 6 dias, não tinha chegado a casa. Foi enviado o texto através de “correio azul”.

Um conjunto de variáveis funestamente se reuniu: a Directora esteve ausente do E.P.; o Técnico dos Serviços de Educação também ausente até ao final da semana e o adjunto da Direcção a assumir as rédeas da gestão diária da instituição.

Outra variável nada facilitadora: o graduado de serviço a quem me dirigi para informar o adjunto da Direcção da necessidade que tinha de falar com o mesmo – pedido feito às 9h20 do dia 8 de Agosto de 2018 (quarta-feira) – esqueceu-se de informar o adjunto nessa manhã. Fê-lo somente após a hora do almoço. O adjunto chamar-me-ia!

Até ontem, dia 10 de Agosto de 2018, 6ª feira, não tinha sido chamado!

Mas, optimista como sou, sabia que as variáveis mudariam: a Directora, ontem (sexta-feira) já estava no E.P.; outro guarda (a quem, apesar do nome, não lhe “davam brancas”) estava de serviço e, após ter manuscrito uma petição para ser recebido pela Directora, manuscrita de manhã, fui recebido ainda nessa mesma manhã de ontem… pelo adjunto da Direcção!

Cortês e prestavelmente, diligenciou o adjunto da Direcção no sentido de ser redigida uma declaração (cfr. podem ver digitalizada junto com o presente opúsculo)

Uma declaração para que fim?

Para junto dos “CTT” reclamar, tendo um documento oficial de uma instituição do Estado que neste momento zelando por mim, zela pelo bem-estar de todos Vós!

Imaginem eu a reclamar com os “CTT”: “Eu, João de Sousa, preso em Évora, condenado por corrupção, enviei uma carta no dia…”

“Enviou?” – questionam os “CTT”. “Um criminoso? A palavra deste sujeito é idónea?”

Imaginem que os privatizados “CTT” até confiavam na minha palavra mas alegavam em sua defesa algo deste género: “Não foram os serviços administrativos da “prisão” que falharam?”; “O que é que continha a carta? Um texto de um blogue a criticar a “prisão”? Não terá sido o guarda que levou o correio que extraviou a carta dolosamente?”

Para evitar este tipo de ilações, solicitei a referida declaração e a Sra. Directora, como tem sido até ao momento o seu apanágio, contribuiu para a possível resolução da questão, não protelando ou procrastinando, seja por lapso ou por infeliz esquecimento!

Lamento não ter sido publicado o texto da semana passada que tratava da questão dos psicólogos na prisão, dos 5€/hora que escandalosamente auferem e da realidade experimentada aqui em “Ébola”. Vou voltar ao tema outra vez, está garantido. Mas não foi só isso que inexplicavelmente se perdeu com a carta!

15 dias de “trabalho de cela”: 2 capítulos (45 páginas) de tradução da obra de Maslow perderam-se! Aqui não existem fotocopiadoras, computadores para “salvar o texto” ou até papel químico! Perdeu-se tudo!

Peço-Vos imensa desculpa, e devo fazê-lo, porque mesmo sem texto as visitas ao blogue mantêm-se!

Peço desculpa e agradeço a todos Vós, especialmente à D.Maria Helena que todos os dias informa o filho dela (aquando dos seus míseros 5 minutos diários) meu camarada de reclusão, de que o texto ainda não saiu, questionando-o inclusive sobre o meu estado de saúde!

Grato, D. Maria Helena!

Agradecido e reconhecido também a todos aqueles que aqui deixam comentários, a todos mesmo!

Gratidão para com o(a) Comentador(a) que deixou o seu comentário quando o Secretariado colocou a “Informação” do atraso da publicação do texto. O(a) Comentador(a) tem toda a razão! Já não sou Inspector da P.J., já fui demitido!

Por lapso, o Secretariado não alterou o texto que publicamos nestas ocasiões. Se o(a) Leitor(a) revisitar a “Informação”, verificará que já foi corrigida a imprecisão!

Esta questão da demissão leva-nos à parte final deste texto.

Quero partilhar com todos Vós algo muito curioso!

A 8 de Fevereiro de 2018 fui notificado da decisão proferida pela Sra. Ministra da Justiça: demissão!

Dispondo de 3 meses para interpor acção administrativa com vista à impugnação judicial do acto, não o realizei! Assim sendo, desde o dia 8 de Maio de 2018 que já não sou inspector da P.J. (lá se foi o “Inspector Hugo Boss”!)

Realizado processo disciplinar na P.J. (no âmbito do qual não quiseram “ouvir-me” em declarações, solicitaram a minha defesa por escrito!), concluído o processo, concluiu-se que violei os deveres de prossecução do interesse público e de boa conduta, de isenção e do segredo de justiça e profissional. Por inviabilizarem a manutenção da relação funcional com a P.J. a violação dos referidos deveres: pena de demissão!

A Unidade Disciplinar e de Inspecção propôs a demissão.

Proposta a demissão, uma vez que os actos por mim praticados (conforme decisão de um colectivo de Juízes e após vários recursos perdidos) foram/são atentatórios do prestígio e da dignidade da função (eu, logo eu, o “Masterblaster” dos Homicídios; provavelmente, se existisse tal publicação, o “Inspector-mais-vezes-capa-da-revista-elegância-na-investigação-criminal”), como dizia, antes do meu ego se intrometer na escrita, após a proposta de demissão, o Conselho Superior da Polícia Judiciária tinha agora que se reunir e votar o proposto.

Como podem verificar através das digitalizações da Acta do CSPJ nº1/2018 que estão juntas a este texto, a reunião realizou-se no dia 16/1/2018.

Vamos agora à curiosidade!

“Após leitura do parecer da SDL e finda a troca de impressões e larga discussão que se sucedeu, o CSPJ votou por escrutínio secreto e aprovou o parecer da SDL, com 22 votos a favor e 2 CONTRA.”

2 contra a demissão!? 2 contra a demissão do mais ardiloso, tentacular, perigoso (ainda que elegante) criminoso em Portugal! O rosto da corrupção em Portugal (pelo menos na forma de uma “promessa futura”) e 2 votos contra a demissão?!!?!?

Quem é que votou contra a demissão?

Olhando os nomes, alguns deles que até “beijo na cara” me davam quando nos víamos (um bocado mafioso, não? Mas não foi esse, porque esse ascendeu mais do que todos!), quem terá sido?

O ex-Director-Nacional não foi, de certeza! É um homem ponderado, cumpridor, feito no e para o “sistema”, apenas vacilando quando os raios provocam incêndios!

O actual Directos-Nacional? Respeitinho, João de Sousa, respeitinho! Não confundir a “estrada da Beira com a beira da estrada”!

Mas quem? O Dr. Paulo Rebelo? Claro que não! Pessoa que muito admiro intelectualmente, assim como profissionalmente, e que, com toda a certeza, criticar-me-ia pela violação do segredo profissional, assim como pela relação promíscua com os “média”!

Então quem? Os colegas de curso que ali estão? Não creio, acho que por existir uma peça de fruta podre no “34º”, não quer dizer que o resto esteja contaminado!

As pessoas do sindicato?!? Não, está fora de questão, esses querem mesmo é que eu sossegue, definhe, que me acometa uma condição de “mutismo selectivo”!

Será que a “fabulosa” investigação da agora reformada Coordenadora-superior, Maria Alice Fernandes, não expurgou totalmente a P.J.? É possível que eu ainda tenha cúmplices no activo, no interior do Conselho Superior da Polícia Judiciária?

É curioso, não é?

Depois de um colectivo de Juízes condenar o agora recluso João de Sousa, após o Tribunal da Relação e o Supremo Tribunal, assim como o Tribunal Constitucional, concordarem com a condenação, colegas de profissão, conhecedores profundos da realidade institucional, das idiossincrasias de quem investigou e de quem foi investigado, membros natos e outros eleitos, do mais alto órgão da P.J. – o seu Conselho Superior – tenham, passados cerca de 4 anos após a minha detenção, votado contra a proposta da minha demissão!

Que pena o voto ser secreto, ou não! Se não o fosse talvez teriam sido “24 a favor da demissão”!

Ou não! Existem pessoas corajosas, idóneas, capazes na P.J.!

Estimados(as), lamento não ter existido publicação na passada semana!

Se encontrarem a minha carta, devolvam-na, porque lá também seguiam os desenhos para o “Júnior”, e restantes manifestações escritas de Amor para a “ninhada”!

Quanto ao blogue, dois meses antes de completar 4 anos, já atingiu 451 000 visitas! Mais de 100 000 por ano! Nada mau para um preso votado à “Rua do esquecimento”, um perigoso corrupto!

Claro que 100 000/ano não é nada quando comparado com o meu “camarada” Cristiano Ronaldo! Porquê camarada?!? Não sabem?! O Cristiano Ronaldo é, como eu, um criminoso condenado! Sim, por crimes económicos, como eu: 2 anos com pena suspensa! Pois é, um cadastrado! Claro, claro: com dinheiro ele, eu “com promessa”; em liberdade ele, eu preso! E claro (reticente admito): mais bonito e elegante!

Este texto vai ser publicado 2ª feira, 13 de Agosto e o texto que era para ser publicado nessa mesma data, será ofertado a Vós na semana seguinte, no dia 20 de Agosto de 2018, 2ª feira.

Estes dois estão garantidos porque “vão sair” com o “secretariado” e a “ninhada” amanhã, aquando da visita.

O texto de dia 20 de Agosto “enfermará de ligeiro anacronismo”, mas, ainda assim, está contextualizado, até relacionado com este que Vos escrevo, pois trata o mesmo da capacidade de resistir, de nos ultrapassarmos, de demonstrarmos resiliência.

Acompanhem-me, por favor, todos, até os comentadores que me querem ver morto, porque se continuam a desejar-me tal condição é sinal que ainda por cá ando, e, mais importante, mesmo que muitos desejem a mim e aos meus tanto mal, haverá sempre alguém que votará contra!

Obrigada pela atenção dispensada.

João de Sousa (ex-Inspector da P.J., actualmente corrupto tentando comunicar por escrito, e a, denodadamente, cumprir o seu tratamento prisional)

Declaração E.P..jpg

Acta CSPJ pag 1Acta CSPJ

 

 

Informação

Caros Leitores,

Devido à morosidade no processamento de envio do correio, o Inspector lamenta não ser possível a publicação semanal do texto com a assiduidade habitual, sendo a responsabilidade dos Serviços Prisionais e dos CTT. Contudo, o mesmo será publicado logo que possível.

Infelizmente, estamos dependentes dos Serviços Prisionais e dos Serviços dos CTT.

Grato pela atenção,

João de Sousa