“Miséria e a dignidade da criatura humana”

Liberdade daqui a: 486 dias!!!!

Comportamentos que pela sua frequência e número, cujas características se afastam do que consideramos normal (“desvio estatístico”).

Mais do que a intensidade ou frequência é a qualidade do comportamento, diferente da norma, que importa relevar.

Duas perspectivas relativamente à definição de psicopatologia, ou se desejarem: “Psicologia da anormalidade”. Estamos já distantes da primeva “Loucura”, ou por vezes ainda utilizada “insanidade”.

William Blake, em 1795, pintou a loucura do Rei da Babilónia, Nabucodonosor, que o “levava” a andar em quatro patas julgando-se um lobo (podemos vê-lo na Tate Gallery, em Londres).

Se agora pensarmos na origem e tratamento da “loucura”, também já é um eco distante o considerar a mesma como uma “possessão demoníaca”; torturas e a morte, actualmente, não fazem parte do tratamento a administrar. A “teoria demológica” foi abandonada, mas o “tratamento” não se revestiu de um maior (e melhor) humanismo. A sociedade segregava os “loucos”. Até ao início do séc. XIX, os chamados hospitais (que não o eram) serviam como “lugar de confinamento”, onde barbaramente eram “tratados” os miseráveis loucos; o “louco” era visto “como um animal perigoso que devia estar enjaulado”.

Philippe Pinel (1745-1826) tentou humanizar os “hospitais dos loucos”, retirando as correntes que os mantinham presos e imobilizados.

Michel Foucault, no seu livro “Madness and Civilization” (1965), descreve as condições do maior hospital de Paris e o tratamento que dispensava às “mulheres loucas francesas”: indigno, desumano!

Felizmente evoluímos; presentemente a definição de “Perturbação Mental”, no DSM-5 (Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais – Quinta Edição) é esta: “[…] Uma perturbação mental é uma síndrome caracterizada por perturbação clinicamente significativa da cognição, da regulação da emoção, ou do comportamento do sujeito que reflecte uma disfunção dos processos psicológicos, biológicos ou do desenvolvimento subjacentes ao funcionamento mental. As perturbações mentais estão geralmente associadas com significativo mal-estar ou défice social, ocupacional, ou noutras actividades importantes […]”

Perante a definição anterior, atendendo ao desenvolvimento (evolução positiva e humanista) da Psicologia e Psiquiatria, actualmente propugna-se a necessidade de internamento e sequente tratamento dos indivíduos com perturbações mentais e não o seu encarceramento!

O desenvolvimento ou transformação de ideias, sistemas, costumes, hábitos e práticas neste particular – perturbação mental e seu tratamento – foi de tal forma positivo, profícuo e capaz que o nosso Código Penal, no seu Capítulo VIII (Internamento de imputáveis portadores de anomalia psíquica) prevê no seus artigos 104º (anomalia psíquica anterior), 105º (anomalia psíquica posterior) e 106º (anomalia psíquica posterior sem perigosidade), situações em que, conquanto o agente não tenha sido declarado inimputável, “o regime dos estabelecimentos comuns lhe será prejudicial, ou que ele perturbará seriamente esse regime”, possa o mesmo, após ordem do Tribunal, “ser internado em estabelecimento destinado a inimputáveis pelo tempo correspondente à duração da pena”!

E a evolução é tal, a preocupação humanista é tão vincada que, se o Tribunal falhar na avaliação, com o indivíduo perturbado mentalmente recluído em estabelecimento prisional (regime comum), o Código de Execução das Penas e Medidas Privativas da Liberdade, nos seus artigos 164º e 165º, prevê os procedimentos a adoptar para o internamento necessário ao tratamento. No artigo 165º lê-se no seu nº1 – “[…] o processo inicia-se com o requerimento do condenado ou do seu representante legal, do Ministério Público ou do director do estabelecimento prisional a que aquele está afecto […]”

Chegados aqui, com a devida vénia, permitam-me a questão: Quanto mais tempo vamos assistir aqui, no Estabelecimento Prisional de Évora, à miséria e indignidade humana a que está sujeito um indivíduo claramente perturbado mentalmente?

O facto de eu estar a aguardar pelo meu RAI (Regime Aberto no Interior), por mais 3 dias da licença administrativa concedida pela Directora ou de estar com a execução do Plano Individual de Readaptação condicionada (fará na segunda-feira, dia 21 de Maio, data da publicação deste texto, 52 dias!!!!) consequência de um episódio delirante do recluso perturbado mentalmente, não é nada quando comparado com o triste espectáculo que diariamente reclusos e guardas assistem, um deprimente espectáculo de miséria e indignidade de um ser humano.

Diariamente este sujeito apresenta acções que demonstram a inexistência de um padrão estável de experiência interna, comportamentos que se afastam marcadamente do que é expectável a um indivíduo que se encontra na situação em que o mesmo está – recluído numa prisão.

As respostas emocionais que o mesmo oferece a factores de stress internos e externos (que profusamente se podem encontrar em ambiente prisional) que para um indivíduo dito normal são mantidos num “equilíbrio homeostático”, as respostas dizia, são desadequadas, descontextualizadas, causa majorde disrupção no seu funcionamento pessoal normal, e do funcionamento normal das rotinas diárias do estabelecimento prisional.

Apresentando “delírios persecutórios” (a crença de que vai ser prejudicado por alguém) cujo foco é a minha pessoa (“o chibo da judiciária!”) assim como “delírios de referência”(“crença de que certos gestos, comentários, estímulos do ambiente […]”são dirigidos a si) o comportamento provocatório e desafiador do sujeito é constante (o sujeito, porque eu telefono todos os dias às 08h00 para casa, acha que estou a informar a P.J. sobre as suas actividades diárias!)

Como é sabido, na “Perturbação Delirante”, subtipo “persecutório”, estes indivíduos “são muitas vezes ressentidos e zangados, podendo recorrer à violência contra aqueles que julgam estar a prejudicá-los”!

Recorde-se o episódio ocorrido no dia 30 de março de 2018 aquando da minha saída para o gozo de 3 dias: o indivíduo atirou-me um recipiente de plástico cheio de água!

Todos os dias é entregue aos reclusos a medicação: todos os dias este indivíduo deita fora a medicação, vangloriando-se!

Colocação de ligaduras sobre as calças (região do joelho) exibindo aos guardas, pedindo para ir à enfermaria (perturbação histriónica?); depois joga à bola durante uma hora! Após, apresenta-se com dores outra vez!

Coloca diariamente, no quadro de cortiça onde os serviços afixam informação do E.P., pequenos papéis manuscritos com mensagens religiosas ou pessoais, assinadas. Os guardas chamam-lhe à atenção e o sujeito coloca novamente, mesmo observado, ocultando (julga o mesmo) o seu acto!

É evidente, é notório o défice no funcionamento psicossocial.

Dizem que caiu de um quarto andar e ficou assim! Causa somatogénica? Já era assim antes?

Ficou assim durante a permanência aqui? Isto não faz bem à mente de ninguém, eu posso atestá-lo, mas este sujeito é o único que recolhe beatas dos caixotes onde outros escarram e as fuma!!!!

Este é o único que acha que telefono todos os dias para a P.J. para informar o Director Nacional das suas rotinas diárias!

Este, até hoje, foi o único que me deu um flato e atirou com algo numa tentativa de agressão!

Se ainda não foi feito, é imperioso sujeitar o quanto antes este recluso a avaliação clínica por forma a “controlar especulações sem fundamento sobre perturbações mentais” e o “funcionamento” do indivíduo, a fim de existir uma tomada de decisão que possa solucionar este humilhante quadro de miséria e indignidade humana.

Já tarda: estou há 52 dias “estagnado” por causa do pobre infeliz demente! O mesmo apresentou o primeiro “episódio estranho” no dia 15 de Fevereiro de 2018, pelas 7h25, sendo que a 28 de Abril de 2018, pelas 8h05, referenciou-me como “chibo da P.J.”, e, finalmente, às 18h50 do dia 30 de Março de 2018, tentou agredir-me após ofertar-me “esforçado flato”! O que se seguirá?

O que quer que seja, eu vou resolver porque aqui consideram que, como eu tenho estudos, tenho de ter paciência, e o sujeito como (infelizmente) é “maluco”, não é responsável por nada!

Quem será o responsável por esta miséria e indignidade?

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“É por debaixo do pano que eu sou feliz!”

Liberdade daqui a: 493 dias!!!!

Nesta semana que passou muito se falou em “crise no P.S.”, consequência do levantar do pano que ocultava Manuel Pinho. A reboque das revelações sobre os “delitos da natureza dos praticados por Manuel Pinho” (presumivelmente) apareceu José Sócrates.

“Costa apanhado de surpresa pela “vergonha” de César”, noticiou-se!

Os indefectíveis socráticos tornaram-se surpresos ignorantes, não conhecedores envergonhados de tudo o que não conseguiam sequer imaginar ser possível o seu ex-líder incontestável praticar (presumivelmente).

O “à Justiça o que é da Justiça, à política o que é da política”, foi substituído pela vergonha embaraçada. José Sócrates saiu do P.S. para terminar com “o embaraço mútuo”; Costa e o P.S. suspiraram de alívio mas só até chegarem à parte do comunicado do José em que ele afirma, prometendo, “que não vai ficar calado”.

Não se lê no comunicado este desejo/ameaça do José falar? É verdade, isto foi dito por “debaixo do pano”, como na canção do Ney Matogrosso!

E é por “debaixo do pano” que todas as coisas se passam!

É por “debaixo do pano” que o P.S. decide, por “tacticismo político/eleitoral”, deixar cair José Sócrates, como se o José fosse “Timon de Atenas”, com a sua fortuna esgotada, sem comida para rechear a mesa dos seus oportunistas e interesseiros comensais.

Rever declarações dos “amigos” de Sócrates antes, durante e após o levantar do pano, é como assistir a uma trágico-comédia cuja temática é a mais abjecta hipocrisia humana.

A hipocrisia é um “vício que consiste em se aparentar uma virtude, um sentimento que não se tem”; é um exercício voluntário (doloso) de fingimento e ou falsidade.

De facto, é “por debaixo do pano” que somos felizes, mais ainda se for debaixo de uns lençóis de seda, entrelaçados na pessoa amada, suados, à luz das velas.

Mas, também “por debaixo do pano” se conspira, arquiteta, se urdem conjuras, se tecem redes de interesses, se fazia transferências, se destroem vidas!

E, pior, é por debaixo do pano, não de um véu diáfono mas sim de uma pesada manta, que se coloca o Povo, todos nós, mantendo-nos na mais escura, ainda que quentinha e reconfortante, ignorância!

Importa também dizê-lo: muitos de nós desejam a “pesada manta”, permitindo o resguardo que nos isenta de pensar, criticar e agir!

Oferto-Vos um exemplo: 10 de Maio de 2018. Tribunal da Relação de Lisboa remete processo de Manuel Vicente para Angola.

Presidente da República Portuguesa e o Primeiro-Ministro dessa mesma República, congratulam-se pelo facto de “desaparecer um irritante” com Angola!!!!

A realização da “Justiça Lusa” é qualificada como “um irritante” pelas duas figuras principais do nosso (presumivelmente) Estado de Direito Democrático!

Como e quando decidiu o Tribunal, órgão de soberania (art.º 111º da Constituição da República Portuguesa) que “deve observar a separação e a interdependência estabelecida na Constituição” (art.º 112º da Constituição da República Portuguesa) sobre o processo de Manuel Vicente?

Decidiu (“por debaixo do pano”) quando o Julgamento da “Operação Fizz” caminha a passos largos para o afastamento das suspeitas/responsabilidades do arguido Manuel Vicente; decidiu quando uma “amnistia” legalmente prevista na lei angolana se materializou; invocando ainda o seguinte argumento: caso seja condenado Manuel Vicente, a sua reinserção social após cumprimento da pena é realizada de forma mais válida e profícua em Angola!!!!

Quão humanistas e prescientes, realmente preocupados com a recuperação do indivíduo delinquente, são os Tribunais superiores portugueses! Que orgulho devemos nós ter na Justiça do nosso país!

Podemos permitir que nos cubram ou sacudir o pano: em Angola, Luaty Beirão e outros, penaram por ter lido um livro! Já se esqueceram?!? Hipócritas!

Não se deixem cobrir, não se deixem fecundar por estes hipócritas, mesmo que isso no imediato Vos prejudique! A recompensa será grande e o mérito da acção maior!

Manuela Moura Guedes muito penou, no plano pessoal e profissional. Muitos, os ignorantes, os hipócritas ou os interesseiros que lucravam com o status quo da altura, criticaram-na, ostracizaram-na, derrubaram-na. Manuela Moura Guedes, ainda que vacilando, contra tudo e contra todos manteve as suas convicções, a sua opinião, agarrou-se aquilo que viu “debaixo do pano”; aquilo que ela não permitiu que todos nós ignorássemos!

Esta semana, no dia 8 de Maio de 2018, na “SIC Notícias”, Manuela Moura Guedes falou, apoiada pelos mais poderosos e invencíveis aliados: a verdade histórica, os factos conhecidos, as acções/comportamentos revelados pelo levantar do pano!

Pinto Monteiro fez tudo para abafar as investigações a José Sócrates! Pinto Monteiro devia/deve ser investigado! Ouvi a Manuela Moura Guedes afirmar tudo isto e ainda: “São todos cúmplices!”

É verdade, sim senhor! Eu sei! Eu estou a penar por causa disso!

A Coordenadora-superior Maria Alice Fernandes, conhecia os quartos de hotel onde o primo de José Sócrates ia buscar as malas de dinheiro! (“Caso Freeport”, informação que me chegou através de um elemento da equipa de investigação).

A Coordenadora-superior Maria Alice Fernandes, refez o relatório final do “Caso Freeport”, alegando ter perdido o relatório já realizado, alterando inferências, “ligações perigosas” e informações que tinham sido apuradas durante a investigação (conforme informação que me chegou através de um elemento da equipa de investigação).

Vejam agora como tudo se “passou debaixo do pano”: o elemento da investigação em desespero, à beira do esgotamento nervoso, solicitou a minha ajuda para fazer chegar tudo isto ao Director Nacional da P.J.

Toda esta trágico-comédia é relatada ao Coordenador de Investigação Criminal da P.J.. Pedro Fonseca, que na altura está no Departamento de Setúbal, “trabalhando como a formiguinha” no Inverno para ter “comidinha no Verão”: obter a Direcção do Departamento de Investigação Criminal de Setúbal!

Escavando, armazenando, laboriosamente, com o auxílio do Inspector João de Sousa, Pedro Fonseca aguarda, urdindo a sua teia.

Mas o díptero é pesado demais para a teia urdida, é nociva pelos micróbios que transporta nas patas e na sua assustadora probóscide, Maria Alice Fernandes destrói a teia e de presa passa a predador!

O laborioso Pedro Fonseca abandona o projecto de tomada de poder, fecha os olhos, cala fundo, cobre com a pesada manta tudo o que conhece sobre as atrocidades da Maria Alice (v.g. a gravíssima questão do abuso sexual da menor, abuso industriado e permitido mais uma vez, sujeitando a criança a algo que devia ser evitado e não promovido, a fim de prender o abusador!) e hipocritamente ignora a intumescência do relevo, provocada por tudo aquilo que apodrece e fermenta debaixo do pano, e que, por todos os meios, não permite a Maria Alice Fernandes chegar à superfície!

O que agora leem já aqui antes o escrevi! Aquilo que agora leem relatei aquando de entrevista ao programa “Sexta às 9”: nada disso foi transmitido! Tudo ficou debaixo do pano!

À luz de tudo o que presentemente conhecemos é perfeitamente compreensível (ainda que não seja aceitável para mim e para os meus!) que o Inspector João de Sousa tenha sido condenado a 5 anos e 6 meses de prisão por ter sido corrompido por “uma promessa de vantagem patrimonial futura”!

Sempre “debaixo do pano”, sem a felicidade que sentimos quando cobertos pelos lençóis de seda e a suar, todos nós, uns mais que outros, vamos sofrendo. E se aí fora é assim, imaginem aqui dentro, em “Ébola”, intra-muros, muros que não existem para prevenir/evitar as fugas dos recluídos delinquentes, mas sim, para não sair a informação do que por aqui se passa; “a prisão é a região mais sombria do aparelho da Justiça!”

No dia em que este texto vai ser publicado – 14 de Maio de 2018 (o dia em que o meu belo “filho-homem” celebra o seu quarto aniversário de vida) terão passado 45 dia desde o incidente que Vos relatei no texto, “Intra-muros, no meio da merda, é inevitável: sujarmo-nos”: até à presente data estou em “banho-maria”, sem atribuição de R.A.I. (solicitado a 3 de Abril de 2018) sem saber se vou ser alvo de processo disciplinar, sem ver a situação do recluso notoriamente desequilibrado mentalmente e que é por demais evidente o regime do estabelecimento comum lhe ser prejudicial, assim como o próprio perturba esse mesmo regime, dizia eu, sem ver a situação indigna de um ser humano ser resolvida.

Decazes, em 1819, no seu “Rapport au Roi sur les prisons”, escrevia: “A lei deve seguir o culpado na prisão para onde ela o conduziu”. Isto é: aqui dentro, intra-muros, debaixo de pesado pano que não nos permite a felicidade, tudo está enquadrado, previsto na lei (código de Execução das Penas e Medidas Privativas da Liberdade) mas o normativo não é observado.

Excedem-se prazos, ignoram-se orientações legais, desprezam-se princípios orientadores consignados na lei, alimenta-se pela omissão, pela descarada e impune procrastinação, assim como, pela negligência no cumprimento das obrigações, o isolamento, a imutabilidade e imobilidade de um sistema que por maior e melhor “plasticidade psicológica” ou capacidade de resiliência que o sujeito recluído apresente, desestrutura-o, fá-lo experimentar a destruidora experiência da dissonância cognitiva! Aqui, por debaixo do pano, insidiosamente, transforma-se o recluído em neurótico, confirmando-se que a neurose mais do que uma característica inata é o resultado da interacção indivíduo-meio!

O meu belo “filho-homem” na última visita (há 15 dias atrás) questionou-me. Perguntou-me se não queria estar em casa com ele “nas brincadeiras outra vez”. Pela primeira vez não queria ir embora sem mim! Vocês não sabem (e espero que nunca o venham a saber) o que isto nos faz.

Está certo, está certo, oiço-Vos dizer: “Não tivesses praticado crimes!”

Aceito (com grandes reservas!) a observação, mas aqui (em “Ébola”) não é suposto cumprir-se a lei, adequar a nossa personalidade ao Direito? 45 dias sem respostas?

Termino com outra observação do século XVIII sobre as prisões, dirão vocês desactualizada porque de 1819, muito actual e dolorosa garanto-Vos eu que aqui estou “debaixo do pano”, infeliz. F. Bigot Préameneu, “Rapport au conseil général de la société des prisons”: “O sentimento de injustiça que um prisioneiro sofre é uma das causas que mais lhe podem tornar indomável o carácter. Quando se vê assim vítima de sofrimentos que a lei não ordenou e previu, entra num estado habitual de ira contra tudo aquilo que o rodeia; em todos os agentes de autoridade só vê carrascos; já não acredita ter sido culpado: acusa a própria justiça”.

Deprimentemente actual. Pouco evoluímos em Portugal, ainda que nos sintamos a maior parte das vezes felizes e aconchegados, no escurinho, debaixo do pano!

 

P.S. – Sabem qual foi a secção do Tribunal da Relação de Lisboa que “produziu o acórdão” de Manuel Vicente? 

Pois foi: a 9ª Secção!!!!

“Pedro Fonseca, Coordenador da P.J. e os reais adminículos”

Liberdade daqui a: 500 dias!!!!

“[…] Ainda no séc. XVIII, encontravam-se regularmente distinções como as seguintes: as provas verdadeiras, directas ou legítimas […], e as provas indirectas, conjecturais, artificiais […]; ou ainda as provas manifestas, as provas consideráveis, as provas imperfeitas ou ligeiras; ou ainda: as provas <<urgentes ou necessárias>> […] os indícios próximos ou provas semiplenas; por último, os indícios longínquos ou <<adminículos» que consistem apenas na opinião dos homens (o rumor público, a fuga do suspeito, a sua perturbação quando interrogado, etc.) […]”

                                                        Michel Foucault, “Vigiar e Punir”

Adminículo: s.m. Ajuda, subsídio. Jur. O que contribui para constituir prova.

Jornal “Record”, 23/4/2018: Queixa contra Inspector da P.J. que “queria arrumar o Benfica”. “O Ministério Público recebeu ontem uma queixa anónima contra o Coordenador Pedro Fonseca”

“[…] E que é “reconhecido pelos próprios colegas que quer subir na estrutura sem olhar a meios, de desmedida ambição e que em múltiplas conversas não esconde o seu portismo e queria arrumar Benfica”

“Fonseca origina e-toupeira!”; “Fonseca informou Saudade Nunes que havia tomado conhecimento deste facto através de um denunciante “que declinou identificar-se, alegando receio de represálias e de risco sério para a carreira profissional”; “[…] documentos originais internos da responsabilidade de Pedro Fonseca […]”.

“[…] É ele que tem fornecido informação circunstanciada sobre horários e locais de busca […] vangloriando-se de passar informação que deveria estar em rigoroso segredo de Justiça […]”; “Vaidade e Clubismo”

(Retirado dos jornais “Record”, “Expresso on-line”, “CMTV”, “SIC Notícias”)

Antes de tudo o mais uma “declaração de interesses”! Eu, João de Sousa, sou fervoroso adepto de dois clubes, a saber: Sporting Clube de Portugal e o clube “daqueles-que-não-gostam-que-o-benfica-ganhe-o-que-quer-que-seja”! Disse!

Vamos lá então ao Coordenador de Investigação Criminal da P.J., Dr. Pedro Fonseca, quando faltam 500 dias para a minha liberdade, no dia do clássico Sporting – Benfica, um dia antes do dia da Mãe, uma semana antes de o meu “filho-homem” fazer 4 anos!

Quem acompanha este blogue sabe qual é a minha opinião sobre o Coordenador Pedro Fonseca (conforme vários textos publicados, como “Um certo tipo de homem na história da humanidade, ao longo dos tempos…”  e “Foi medo, Pedro, ou os meus idos de Março?”)

Quem acompanha este blogue, no texto publicado no dia 2 de Abril de 2018, viu-me como vim ao mundo, somente coberto por uma nota de 500€ e muito ouro, assim como viu um pequeno vídeo da minha chegada a casa, com a minha “ninhada”. Este vídeo era para ser um de dois que eu pretendia “realizar”. O outro, por falta de tempo e muitas emoções à mistura, não se realizou mas posso adiantar-Vos que se tratava de uma explicação relativamente à possível fonte do documento da P.J. (“Informação de Serviço”) escrito no computador pelo Coordenador Pedro Fonseca, dirigido à sua superior hierárquica, Dra. Saudade Nunes, documento interno que apareceu em blogues e na comunicação social (até na televisão).

O documento em questão não estava assinado pelo redator (Dr. Pedro Fonseca) nem “despachado” pela Directora da Unidade de Combate à Corrupção (Dra. Saudade Nunes)!!!!

Porquê relevarmos este pormenor? Porque só pode ter acontecido o que se explana numa das seguintes hipóteses/questões:

1. Pedro Fonseca redige a Informação de Serviço e um ataque informático à rede interna da P.J. consegue subtrair o documento, antes de o assinar e a directora despachar, e é enviado para a comunicação social? (não foi referenciado qualquer ataque informático até à presente data!);

2. Pedro Fonseca partilha a “palavra-chave” da sua conta pessoal e alguém, (colega ou a senhora das limpezas) subtrai o documento e envia-o para a comunicação social?;

3. Pedro Fonseca, vítima indefesa do seu ego, dolosamente partilha o documento com a comunicação social?

Voltemos ao início, olhemos Foucault: julgo que a denúncia anónima noticiada, ou seja, a queixa contra o Coordenador Pedro Fonseca, pode ser somente “indício longínquo ou <<adminículos>>”.

Eu desconfio das denúncias anónimas, das “declarações encapotadas”, dos testemunhos falsos, das manobras dilatórias, dos atentados de carácter, das “notícias/fugas de informação/violação de Segredo de Justiça” colocados na imprensa no “tempo próprio”, na altura em que mais lucra à parte envolvida.

Conquanto o Pedro Fonseca se tenha sôfrega e desesperadamente afastado do “anjo-corrupto-caído-em-desgraça”, seu colega, Inspector João de Sousa, eu conheço bem o sujeito, conheço o ego, a ambição, a personalidade e isto posso assegurar em sua defesa: acho extremamente improvável que o Pedro Fonseca tenha “em múltiplas conversas” afirmado que queria “arrumar o Benfica” ou que se tenha vangloriado de “passar informação” aos média, e afirmo-o porque o conheço: o Pedro Fonseca é um “poltrão cagádo”, a imagem viva da pusilanimidade! Ao contrário de “Ricardo III”, Pedro Fonseca não nos fala das suas velhacarias, não, nada disso, o medo e a dissimulação (que a si mesmo impõe) não o permitem.

Não podemos assegurar que foi o Pedro Fonseca que facultou a “Informação de Serviço” aos média, ainda que tudo indique que assim foi atendendo às hipóteses/questões antes apresentadas, mas não deixem de ver o vídeo que ficou por fazer e será feito. Confiem em mim: afinal, não fui eu condenado por violação de Segredo de Funcionário? Eu sei como se faz!

“Reconhecido pelos próprios colegas que quer subir na estrutura sem olhar a meios”

Por favor, tenham paciência! É só isto que tem contra o homem? Isto é inveja! O tipo percebe de Direito, é organizado, tem coordenado vários processos “célebres e pesados”, é Coordenador de Investigação Criminal na Unidade de Combate à Corrupção, foi primeiro no seu curso de Agentes, foi primeiro no seu curso de Coordenadores! Não, isso não são provas, são, como nos ensinou Foucault, rumores públicos, opinião dos homens! Isto valia no séc. XVIII, agora não!

Dizem todos Vós (e bem!): “João de Sousa, a tua defesa do Pedro Fonseca também é boato, rumor, é a tua opinião! As tuas críticas no passado também foram opiniões!”

Muito bem, vamos aos reais “adminículos”!

Antes deixem-me dizer-Vos que, ao contrário do José Sócrates, eu queria que o meu Julgamento, os meus interrogatórios, as inquirições das testemunhas fossem todos televisionados, ouvidos, escrutinados!

Daqui a 500 dias, como já aqui deixei, vou publicar tudo, som inclusive; hoje, agora, vou deixar-Vos a transcrição de parte do depoimento prestado pelo Coordenador da P.J., Pedro Fonseca, conforme CD com prova gravada em audiência de Julgamento no dia 9-3-2016.

O depoimento de Pedro Fonseca foi “gravado através do sistema integrado de gravação digital disponível na aplicação informática em uso” no Tribunal do Seixal. Prestou declarações desde as 16:06:27 até às 17:58:47 horas (cfr. Certidão 346350669).

Nestes excertos podem avaliar a personalidade, ego, valores pessoais, lealdade e outros. Para os elementos da P.J. que conhecem o João de Sousa, o Pedro Fonseca, a relação de ambos e os percursos pessoais, académicos e profissionais, o que vão ler é de facto… bom, vocês sabem!

Questionado sobre o arguido João de Sousa pelo Ministério Público (M.P.):

Ministério Público (M.P.): “O arguido João de Sousa era uma pessoa que investia muito na sua formação…”

Pedro Fonseca (P.F.): “Eu não diria isso dessa forma […] o que eu percebi, enfim na qualidade de Coordenador de… enfim… de líder de equipas e gestor de recursos humanos, é que havia de facto algum auto-didatismo na formação, na sua auto-formação… aquilo que eu fiz rigorosamente enquanto estive no Departamento de Setúbal foi, se calhar não o único, mas… foi patrocinar esse desenvolvimento pessoal e académico… cheguei inclusive a intermediar uma inscrição numa pós-graduação de Medicina Legal, porque entendi que de facto seria útil […] eu fui um dos que tentei, como aliás faço com uma série de colegas que tenho, tentei que… por razões de carreira, por razões de progressão, por até de… de… da… da formação pessoal, tentei dizer-lhe que era um bom caminho lançar mão de uma formação académica […]”

Ninguém sabia, mas o Pedro Fonseca é o Júlio Isidro da P.J.! Ele descobre talentos, forma talentos, ajuda na progressão da carreira e na formação pessoal!!!!

Bom, no meu caso falhou: tornei-me corrupto!

Um pedido de desculpa à Prof. Dra. Isabel Pinto Ribeiro, a responsável (intermediária) pela minha frequência no Curso Superior de Medicina Legal! Sra. Professora, o Pedro Fonseca devia de estar a delirar neste dia!

Eu entendo o Dr. Pedro Fonseca; deixou-se conduzir pelo seu ego, o meu também é enorme, como aliás o bonus pater Pedro Fonseca sabia, condescendendo, tolerando como é apanágio dos indivíduos iluminados:

P.F.: “O Sr. Inspector [eu] não era propriamente uma “persona grata” no Departamento de Setúbal, tinha ali… enfim… um grupo de pessoas que trabalhavam com ele com alguma… enfim… empatia, mas não espalhava propriamente empatia pelos restantes… fruto enfim… da personalidade… da sua… da sua… auto-estima, de uma personalidade muito própria… mas eu nunca… nunca isso influenciou sequer a minha tomada de posição perante o engrandecimento de um funcionário da polícia pelo qual eu tive a percepção que poderia eventualmente desenvolver ainda mais as suas valências […]”

O quanto eu estou devedor ao Pedro Fonseca! Aqui infere-se sobre o ego, a jactância, o narcisismo.

A seguir sobre a idoneidade, a verdade do discurso, a velhacaria cobarde:

Advogado: “[…] Pode garantir ao Tribunal que não conhecia mais ninguém?” (sobre os meus co-arguidos)

P.F.: “[…] Eu posso garantir ao Tribunal, e voltei a olhar para as pessoas em causa… eu posso garantir ao Tribunal que não reconheço mais ninguém nesta fila que está atrás de mim […]”

Observem a imagem que ilustra este texto. Atentem na legendagem. Ele conhecia-os, pesquisou os seus nomes a meu pedido, conhecia a minha orientação do trabalho de Pós-graduação da minha co-arguida (então aluna) sobre acreditação/creditação de laboratórios forenses, mas mentiu!

E nem precisava de o fazer porque eu salvaguardei que ele não sabia o que eu fazia com a informação, desresponsabilizando-o! Mas, uma vez poltrão, para sempre poltrão!

Mais do que negar conhecer co-arguidos meus, era importante negar conhecer (por três vezes antes do galo cantar) o João de Sousa:

P.F.: “[…] O Sr. Inspector João de Sousa nunca almoçou em minha casa, nunca jantou em minha casa, nunca fez férias comigo, eu se me cruzar com a família dele garantidamente não conheço nem os filhos nem a mulher, tal é a minha deficiência com as alunas […] quando me veio confidenciar que fazia parte de uma investigação enquanto visado […] veja bem que eu, “amigo do peito” do Sr. Inspector João de Sousa, e sem hesitar, cumpri elementares deveres de lealdade[…] e acto contínuo desloquei-me para casa de uma senhora que era só a Coordenadora-Superior do Departamento Dra. Maria Alice Fernandes![…]”

Perdoa-me Dr. Calado, mas tenho que invocar a tua pessoa: “Ó Calado, o gajo disse em Tribunal que tinha deveres de lealdade para com a Maria Alice! Ri-te, ri-te à vontade, eu não me importo, mesmo aqui a sofrer eu desmancho-me a rir! Lembraste das conversas a três, com ele quase a rebentar, o “Menino Tonecas”? Lealdade para com ela?!?!”

Colegas, ex-estagiários, Maria Alice Fernandes, Zé e outros mais da P.J., olhem esta:

P.F.: “Porque eu tive a percepção durante essa conversa que… considerando-me o Sr. Inspector João de Sousa, e a consideração pessoal que provavelmente tinha por mim à data era até maior que a que eu tinha por ele,  porque no fundo eu ajudei a criar um bom investigador e a formar um bom investigador porque tive essa… essa… digamos assim essa antevisão como faço aliás com “n” pessoas que hoje estão sob a minha alçada […]”

Nesta, até a Procuradora do Ministério público (acusação) não conseguiu evitar uma careta, um esgar de repulsa.

Atenção: a conversa que ele disse que manteve comigo, tendo acto contínuo ido à casa da Maria Alice reportar (mais tarde no seu depoimento já não era na casa dela, era num café) só passou a declarações oficiais no inquérito passado um ano!!!!! Poltrão!

Advogado: “Alguma coisa foi dita pelo Sr. Inspector [eu], que em concreto, pudesse concretizar que estava a praticar algum ilícito de natureza criminal, fosse ele de que natureza fosse?”

P.F.: “Não! Não houve esse comprometimento!”

Isto é o poltrão Pedro Fonseca! Claro que eu sou um condenado corrupto a cumprir pena. É lógico que a estima que tenho por este miserável exemplo de hombridade é nenhuma, mas o que Vos deixo agora é que importa reter e permite conhecer o homem e os seus actos. Acompanhem-me um pouco mais, por favor!

Pedro Miguel Ventura Pratas da Fonseca, Coordenador de Investigação Criminal da P.J. na Unidade de Combate à Corrupção, prestou juramento legal e foi advertido que incorreria em responsabilidade penal caso faltasse à verdade às perguntas que lhe seriam feitas na audiência do meu julgamento.

P.F.: “[…] Eu tenho a firme convicção de que o que estou a dizer ao Tribunal é a verdade e que, aliás, jurei dizer no início desta sessão! […]” A verdade vence sempre!

Advogada: “As aulas que leccionou foram a título gratuito?”

P.F.: “As que… que referi ao Tribunal foram garantidamente graciosas… deve haver registo documental desse facto. Se por ventura nas pós-graduações de 2009 e 2012… 2008, 2012 salvo erro, se não são estas datas… garantidamente são pós-graduações que foram dadas a título de um mero módulo… numa escola superior de ciências médicas a cem metros da minha casa, se a Sra. Dra. conseguir descobrir algum pagamento inerente a essas pós-graduações… A Sra. Juiz permite-me só que acrescente uma coisa? É que para além do que disse ao Tribunal sob juramento de que não tive nenhum pagamento nas duas pós-graduações que aqui foram invocadas […] e outras que prestei em acumulação com as minhas funções de Coordenador em representação da polícia, são graciosas…”

Advogada: “Todas elas, Sr. Coordenador? Todas elas?”

P.F.: “A pergunta que me fez foi relativamente a que pós-graduações? A Sra. Dra. quer sindicar a minha vida? Estamos a falar de…” (que pena não existir som e imagem registados!)

Advogada: “Mas as pós-graduações que foram a convite do Inspector João de Sousa?”

P.F.: “Acabei de lhe dizer… acabei de lhe dizer que nas pós-graduações que dei na escola Superior de Ciências Médicas a convite do Sr. Inspector não há um documento que ateste o recebimento de um cêntimo! Portanto a Sra. Dra. está a falar de uma virtualidade!”

Fiz um requerimento para juntar documentação que provava (e prova) que o Coordenador da Unidade de Combate à Corrupção mentia, tinha recebido dinheiro: a Juiz não permitiu!

No dia seguinte arrolei a única testemunha abonatória que tive: o Director da Instituição de ensino na qual o Coordenador da unidade de Combate à Corrupção, Dr. Pedro Fonseca, deu aulas a meu convite e recebeu dinheiro. A Juiz não queria que este respondesse se o Pedro Fonseca recebeu dinheiro ou não, mas ele lá respondeu!

A Procuradora do Ministério Público, perante o testemunho que indiciava a prática de um crime de “falsidade de testemunho” (art. 360º do Código Penal) não fez nada! Mas isso fica para outra altura, o que interessa agora é o seguinte:

O bonus pater, o fazedor de carreiras, o formador de homens, o Coordenador da Unidade de Combate à Corrupção da P.J., Dr. Pedro Fonseca, enganou os seus superiores hierárquicos quando solicitou autorização para colaborar com uma instituição de ensino, não mencionando que iria ganhar dinheiro! Tenho comigo as “informações de serviço” que dirigiu à sua Directora (a mesma Saudade Nunes) e ao Director Nacional, nas quais não menciona as quantias que iria auferir!

Qual a razão para possuir estes “reais adminículos”? Possuo os mesmos porque o bonus pater Fonseca os enviou para o meu “mail”, para que eu pudesse dar o meu parecer/conselho, para dizer como fazer, uma vez que eu era o único (na altura, presentemente desconheço) elemento da P.J. que podia receber dinheiro dando aulas! Até parece, erroneamente claro, que quem está a “dar uma mãozinha”, quem orienta o quase impoluto Pedro Fonseca sou eu, não é?!?

Nada disto interessa, isto é uma questão de egos, o que interessa é que este poltrão é falso, mente em Tribunal (eu tenho provas) e, conquanto não possa assegurar que a verdadeira “e-toupeira” é ele, posso com toda a certeza afirmar que o “menino Tonecas” (desculpa lá Calado a indiscrição!) o Coordenador de Investigação Criminal da P.J. da Unidade de Combate à Corrupção, Dr. Pedro Fonseca, praticou um crime em sede de audiência de julgamento e ignorou os deveres de lealdade para com os seus superiores hierárquicos, passando por cima da “exclusividade”, qual Manuel Pinho, com uma diferença: não estava ao serviço do “Dono Disto Tudo”, estava sim, ao serviço do Grande Mestre da Ordem dos Magos e dos Feiticeiros, João de Sousa! Paulatinamente a Verdade está a revelar-se!

“Intramuros, no meio da merda, é inevitável: sujamo-nos!”

Liberdade daqui a: 507 dias!!!!

Primeiro uma advertência e um pedido de desculpa: advertir a “ninhada” para não repetir o(s) impropério(s) que vai ler neste texto; solicitar a indulgência do(a) Leitor(a) para o recurso a vernáculo boçal.

A advertência à “ninhada” impõem-se porque eles não deixam de ler todas as semanas o blogue, uma vez que anseiam a próxima saída do Pai e não querem ser surpreendidos novamente!

Apelo agora à Vossa imaginação (imaginação no sentido de representar imagens/objectos, não no sentido de fantasiar, porque aquilo que vou relatar é real!)

Representem o seguinte: há cerca de dois meses entrou neste estabelecimento prisional mais um indivíduo, o quadragésimo (número da actual população recluída).

Sujeito na casa dos 50 anos, ex-guarda prisional, aspecto rude, desleixado, higiene pessoal descuidada. Colocado na camarata, na companhia de mais três reclusos, ao fim de alguns dias começaram os boatos: não realiza higiene pessoal, não dorme e não deixa dormir, apresenta comportamentos estranhos e violentos.

Decorrida uma semana: revolta na camarata porque o mesmo sujeito “emitia flatos”, ameaçava os outros reclusos e “continuava sem tomar banho”!

Aqui, quando se deseja mudar de cela ou afastar alguém da cela que se partilha, recorre-se ao “bullying”, ou à disseminação do boato. Por assim ser, reservas cautelosas foram colocadas quando se ouviram os relatos inacreditáveis que os indignados (e à beira de um ataque de nervos) reclusos da camarata propalavam.

No “regime comum” todos partilham espaços, todos observam todos. Observou-se este sujeito, clara e notoriamente desequilibrado, a recolher beatas dos caixotes do lixo nos quais os reclusos escarram, assim como recolhia beatas das sarjetas existentes no pátio.

Após colocar a secar o tabaco que assim recolhe, o indivíduo fuma o mesmo, deixando no ar, não o cheiro a tabaco, mas sim um miasma que não ouso descrever ou qualificar!

É convicção geral (guardas incluídos): o sujeito é desequilibrado!

Dia 15 de Fevereiro de 2018, pelas 8h05, confirmou-se a convicção geral: abertas as celas, em frente à porta da camarata, encontrava-se o sujeito referenciado gritando para um surpreso guarda: “Largue-me, não me toque! Partiram-me o braço! Quero ir ao hospital! Quero apresentar queixa!” – enquanto deitado no chão esperneava.

A situação foi resolvida pelo diligente e profissional guarda que estava na ocasião de serviço, verificando-se que não estava partido o braço e que ninguém tinha agredido o sujeito!

Activado o alarme de socorro pelos outros reclusos nesta ocasião, não o foi depois quando este mutilou-se dando cabeçadas no ferro da cama, apresentando cortes/lesões na região ocular, assim como cortes nas mãos que o próprio a si provocou!

Imediatamente após o descrito, os outros reclusos reclamaram a saída da camarata deste indivíduo, comprovadamente desequilibrado psicologicamente.

E assim foi: colocação numa cela partilhada com outro recluso, só os dois!

Ex-guarda prisional, conhecedor profundo das idiossincrasias do sistema, colocou-se a hipótese do mesmo estar a “fazer trabalhinho americano” (como aqui se diz) para ficar sozinho.

Mas não, o sujeito é profundamente desequilibrado: continuou a “pesca à beata”, continuou o desrespeito a guardas e chefes dos guardas, os pontapés inopinados nos caixotes do lixo e, seria cómico se não fosse trágico, começou a jogar à bola (para satisfação mesquinha e gozo de alguns) apresentando-se com ligaduras por cima da roupa, na região dos joelhos, mãos ligadas, falando sozinho como um tresloucado D. Quixote, e, pasmem, com meias calçadas por cima dos ténis!

Diz-se que terá de cumprir 120 dias porque não pagou multa(s). Corre que teve um acidente – uma queda – e que ficou desequilibrado mentalmente o que obrigou à sua suspensão! Boatos! Factos: o sujeito é doente mental!

E agora a parte que me toca (e como tocou!): estive 4 anos e 4 dias sem sair daqui, sem gozar “precárias”. Por decisão pessoal, por defender valores, por princípios ético-morais. Poderia ter solicitado em Junho de 2017. Aguentei aqui durante 9 meses!

No dia 30 de Março de 2018, sexta-feira Santa, chegaram finalmente as 72 horas de liberdade que todos Vós puderam testemunhar através da leitura do texto deste blogue, “Três dias de Liberdade: 72 horas para desenterrar algum ouro e exumar-me”.

Como leram aqui, como foi noticiado no Jornal “Correio da Manhã”, tudo correu bem. Não, não correu e vou agora relatar-Vos, apelo à Vossa atenção e imaginação!

Dia 30 de Março de 2018, sexta-feira, 18h50. Faltam 10 minutos para sair de “Ébola”, momento registado em fotografia, colocado neste espaço, fotografia que o “Correio da Manhã” utilizou para ilustrar a sua notícia sobre a “precária” do “Inspector do ouro”.

Sentado num banco de madeira existente na ala da minha cela, na companhia de um camarada recluso, ataviado com o meu fato “Hugo Boss” por baixo do sobretudo que se vê na fotografia, partilhamos emoções: “Vais ver que não terás tempo para tudo e para toda a gente!” – o camarada que ao fim de 7 anos gozou a sua primeira precária, “Eu quero é estar com a “ninhada”! – eu, sorrindo.

Estávamos nós nisto, quando passa por nós o “sujeito desequilibrado” que antes descrevi. Faltavam menos de 10 minutos para todos os reclusos serem fechados nas celas, faltavam menos de 5 minutos para eu ser chamado e sair!

“Meu caro, vou comer bem ao fim de 4 anos, acho que vou estranhar a comida” – eu, jocosamente.

Acto contínuo, o “sujeito desequilibrado” que passava por nós pára! Agacha-se ligeiramente, espeta o rabo, e após alguns segundos de esforço, segundos em que ficamos atónitos a olhá-lo, emite ruidoso e descarado flato (ou como aqui se diz: “cagou-se para nós!”)

– Seu porco, seu animal, és um porco! – em uníssono, mais coisa menos coisa.

Possivelmente insatisfeito com o que ouviu ou considerando insuficiente ofertar-nos somente um gesto ordinário, retirou do bolso um sujo recipiente de plástico (recipiente de café solúvel ao qual retirou os rótulos) do qual bebe o que julgo ser água, e atirou o mesmo, com violência, na nossa direcção, iniciando fuga apressada!

Não tendo atingido nenhum dos dois com o objecto, o mesmo não sucedeu com o líquido que continha (que eu ainda hoje quero acreditar que era somente água, apesar de quando o “sujeito desequilibrado” passou por nós, fê-lo após sair da casa de banho existente na ala!) ficando o sobretudo do recluso João de Sousa, a minutos de sair para gozar 72 horas de liberdade, todo molhado.

Como uma mola saltei do banco e fui atrás do “recluso desequilibrado mentalmente”, enquanto chamava pelos guardas para confrontar o mesmo, perante os responsáveis pela segurança e vigilância do local onde obrigado me mantêm, com a sua acção.

Encontrando-se um guarda no piso superior e outro na sala de convívio, não se encontrando ninguém do corpo dos guardas no interior da “sala panóptica”  do Chefe de Ala, continuei a chamar (gritando) pelos guardas, enquanto o “maluco”, mas não parvo, fugia para as escadas de acesso ao piso superior onde se situa a sua cela.

Quando o alcançava, junto às escadas, este inverteu a marcha e, qual “Paulo Futre” dentro da área, projectou-se para cima de outro banco de madeira existente neste espaço comum!

Estanquei de imediato: “Olá! Trabalhinho americano!”

Entretanto chegaram os guardas, encontrando-se o “desequilibrado recluso” no chão, agarrado ao banco, berrando: “Quero apresentar queixa! Foi este senhor [eu] e o outro grande! [o que comigo estava sentado]. Quero ir ao hospital, quero falar com a G.N.R., a P.S.P., a P.J., quero falar com alguém! Apresentar queixa!”

Com o Chefe dos Guardas presente e o Chefe de Ala também, na presença dos restantes guardas, assisto ao “desequilibrado sujeito” a apontar-me, afirmando a pés juntos: “Foi este, foi este, o “investigador”!” Não me perguntem o porquê de ele me chamar “investigador”, afinal o tipo é louco, não é?

Todo molhado, “branco como a cal” (como descreveram a minha cara) pensei enquanto experimentava aquele momento surreal: “Eu ia sair agora! Como é que isto é possível? Será que ainda vou sair?!?”

Saí! O Chefe dos Guardas, o Chefe de Ala, a equipa que estava de serviço, já conheciam os vários episódios do “sujeito desequilibrado”, conhecem o recluso João de Sousa, recluído há 4 anos e 1 mês! Saí, todo molhado, “branco como a cal”, incrédulo, mas saí!

Ficou tudo bem, tudo passou! Não, nada disso. Reparem: o sujeito pediu para ir ao hospital. Apresentava lesão na boca, sangrava. Afirmava também que tinha as costelas partidas, pois tinha sido agredido nessa zona. Foi o “investigador” e o “tipo grande”!

Claro que não partiu as costelas, e se de facto sangrava da boca (eu vi isso na ocasião) também eu sangraria se tivesse mergulhado daquela forma para o banco!

Amanhã, Domingo, 29 de Março, depois de 15 dias sem os ver, vou estar com a “ninhada” na sala de visitas de “Ébola”! Não era para ser assim, era para os ver em casa porque a Sra. Directora deste E.P. podia ter “dado” ao recluso João de Sousa o R.A.I. (Regime Aberto no Interior) uma vez que a Licença de Saída Jurisdicional concedida pela Juiz do T.E.P. realizou-se com sucesso, gozando desta forma mais 3 dias de liberdade!

Hoje, durante os 5 minutos ao telefone, disseram-me, novamente, que a “ninhada” continua a pensar que vou aparecer de surpresa e que este incidente que já lhes foi relatado faz parte da estratégia para os ludibriar. Não é assim de facto! Amanhã, a “ninhada” vai ver que não é assim!

Neste momento não tenho R.A.I. e não tenho mais 3 dias porque sou “indiciado num processo” como tendo agredido o “sujeito desequilibrado”!

Pois é, meus Caros, é assim a prisão, a ressocialização e a reinserção!

O incidente ocorreu a 30 de Março de 2018. Quando voltei, solicitei conferência com a Sra. Directora, tendo sido recebido no dia 12 de Abril de 2018 (somente uma semana e dois dias após a solicitação porque a mesma não se encontrava presente no E.P.). Relatei o sucedido e alertei para a perigosidade (para o próprio e terceiros, guardas incluídos) que o “sujeito desequilibrado” representava e ainda representa (continuou o comportamento imprevisível e nefasto).

No dia 30 de Abril, dia em que este texto será publicado, passaram 30 dias desde o ocorrido. Até hoje, dia em que escrevo (28/Abril/18) estou num limbo, à espera!

O que diz o normativo? Artigo 110º do Código de Execução de Penas e Medidas Privativas da Liberdade, no seu ponto 3: “[…] O procedimento disciplinar é considerado urgente, devendo ser concluído no prazo máximo de 10 dias úteis […]”

Artigo 163º (Processo de Inquérito) do Decreto-lei 51/2011, de 11 de Abril, que aprova o Regulamento Geral dos Estabelecimentos Prisionais, no seu número 2:“[…] O processo de inquérito é concluído em 10 dias úteis, com relatório final em que se descrevem os factos indiciados e o seu presumível autor, se conhecido […]”

10 dias úteis! Já passaram 30 dias!!!! E eu a “marinar” por causa do “louco”!

E agora? Como vai ser? – perguntam Vocês.

Temos de olhar para o passado, temos de comparar com o que já sucedeu! Comparar com uma ressalva e um motivo de preocupação. Ressalva: o anterior Director já não está cá! Preocupação: o instrutor do processo de inquérito ou processo disciplinar (ainda não fui informado do que está a decorrer) é o mesmo, isto é, o adjunto do anterior Director, é o adjunto da actual Directora!

O que é que se passou no passado?

1 de Dezembro de 2014. Sou de imediato fechado, durante 10 dias, porque segundo outro recluso o agredi. Facto: após outro recluso “enviar-me” de forma violenta e ofensiva para a genitália masculina (eufemismo) fui atrás do mesmo com o objectivo de o agredir (declarado por mim aquando do interrogatório em sede de inquérito disciplinar).

Fui condenado, em sede de inquérito disciplinar, a 10 dias de isolamento por ter praticado uma agressão a outro recluso! Falso! Eu tentei agredir, os guardas impediram!

O “recluso-vítima-burlão” apresentou queixa ao Ministério Público. Fui acusado  de coacção e ofensas à integridade física qualificada.

13 Maio de 2016 (ver texto “Uma semana de Emoções: Delírios da Justiça”): sou absolvido de todos os crimes pelos quais estava acusado, inclusive o pedido de indemnização do “recluso-vítima-burlão” de 5000euros, tendo os guardas prisionais testemunhado que eu nunca agredi o “recluso-vítima-burlão”!

Internamente, o Sr. Adjunto do Director concluiu que eu agredi!

1 ano e 4 meses para a Verdade surgir!

Outro exemplo do passado: a 16 de Junho de 2015, o anterior Director diz-me que eu serei alvo de processo disciplinar se continuar a escrever sobre José Sócrates no blogue e no “Correio da Manhã” (ver texto “Liberdade, Responsabilidade e Angústia”).

A 14 de Setembro de 2015 (3 meses após a advertência!)os Serviços de Auditoria e Inspecção (SAI) da Direcção Geral dos Serviços Prisionais, interroga-me sobre a minha escrita, após denuncia da anterior Direcção do E.P. de Évora! (cfr. Texto De commodo et incommodo).

A 9 de Novembro de 2015 (2 meses após o interrogatório anteriormente referenciado) sou condenado, no âmbito do processo disciplinar, aberto pela anterior Direcção do E.P. de “Ébola”, a 6 dias de isolamento! 41 anos após o “25 de Abril de 1974”, castigado por opinar num jornal!

Perguntavam-me o que vai agora suceder? Os predictores não permitem augurar nada de bom!

Com os resultados do passado, tendo no presente o mesmo instrutor dos processos de inquérito/processos disciplinares (o mesmo adjunto da Direcção) uma coisa tenho garantida: os 10 dias úteis para conclusão dos processos, tal como no passado, não vão ser respeitados!

Se posso apresentar testemunhas? Claro que sim! Vou apresentar os guardas, como fiz no passado, e espero não ter que esperar pelo veredicto de um Juiz de Direito no âmbito de um processo-crime, depois de ser sujeito a castigo, isolado, só com 2 horas de céu aberto, para acreditarem no meu testemunho e não no “trabalhinho americano” de um qualquer miserável, ainda que com problemas mentais!

E se demorar tanto tempo como no passado? Fico sem “R.A.I.” e “os 3 dias”; em Julho de 2018, porque tenho um processo a decorrer, a juiz do T.E.P. não concederá 4 dias de precária, e, em Dezembro de 2018, aquando da audição pela Juíz do T.E.P., como não me comporto como um bom e ressocializado recluso, não vou para casa em liberdade condicional e fico cá mais 9 meses até ao final da pena! (eu, por razões sobejamente conhecidas, espero cumprir a pena até ao fim – 26 de Setembro de 2019 – mas não esperava ter de o fazer consequência de “trabalhinhos americanos!”)

Como é que te deixas levar por estas situações, como é que cais nisto, João de Sousa?

Estimados(as), Virgílio admoesta Dante, no Inferno (III, 51): “Non ragioniam di lor, ma guarda e passa”(“ Não falemos deles, olhemos somente e continuemos”). Referia-se aos espíritos daqueles cujas vidas foram repletas de intenções mesquinhas! Eu emulo Dante, eu oiço Virgílio aqui em “Ébola”, diariamente olho somente e continuo o meu caminho!

Sigo o Taoismo, as palavras do Mestre Bruce Lee: “Seja como a água que abre caminho através das pedras, não se oponha ao obstáculo: contorne-o!”

Eu tento contornar mas até água (espero que tenha sido água) o descompensado atirou à minha pessoa! E o que é que eu fiz? Chamei os guardas! SunTzu, “A Arte da Guerra”: “Aqueles que são bons príncipes não são beligerantes; aqueles que são bons guerreiros em batalhas não se deixam enfurecer; aqueles que são bons a triunfar sobre os seus adversários não se envolvem

Tudo isto observei e emulei, e como estou? Estou com o meu “tratamento penitenciário”, com a minha aquisição de competências que me permitem optar por um modo de vida socialmente responsável suspensos!

A Juiz do T.E.P. de Évora considerou que eu devo aproveitar mais um ano de reclusão (até 14 de Dezembro de 2018) para “trabalhar aspectos da minha personalidade que é desconforme ao Direito, para que o Tribunal possa considerar que não existem riscos de reincidência”.

Deve ser isto: ser alvo de tentativa de agressão por parte de desequilibrados mentais, ser testemunha passiva de peidos esforçados, ser resiliente e aguardar, equilibrado psicologicamente, conformado, sereno, que o instrutor do processo disciplinar siga os seus prazos, (como postulava Juvenal nas suas “Sátiras”, “Quero-o, ordeno-o, que a minha vontade se sobreponha à razão”) desprezando completamente o normativo vigente!

Estimados(as) Leitores(as), isto é a prisão, isto é a ressocialização e reinserção que existe em Portugal. Isto é mais uma das feias faces da Justiça Lusa!

É do senso comum, do bom senso: vítimas, testemunhas e arguidos são chamados no inquérito no mais curto espaço de tempo possível, garante-se assim a idoneidade dos testemunhos.

Na prisão, a escumalha que não gosta de um “tipo corrupto como eu”, de imediato começa a privar com o “sujeito desequilibrado”, a dar-lhe tabaco e a oferecer-se como testemunha, mesmo verificando-se o facto de não terem presenciado nada!

E o que faz o instrutor do processo? Deixa medrar estes fungos nocivos, estes “amanita-falóide”.

E eu, que devo fazer? Aguardar, até porque o “desvalor da acção” para mim é maior: “Sr. João, você tem estudos, deve ser capaz de dirimir com sucesso estas questões!”

Oh! Sim! Claro que sim! Mas não podemos esquecer, e quem por cá passa sabe disso perfeitamente, até aí fora é uma questão evidente: Intramuros, se estivermos no meio da merda, é inevitável: sujamo-nos! (Literalmente!)

“Fado Tropical”

Liberdade daqui a: 514 dias!!!!

“Ó musa do meu Fado, / Ó minha mãe gentil […]”; assim começa, na voz inconfundível de Chico Buarque, o fabuloso poema “Fado Tropical”.

“Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal, / Ainda vai tornar-se um imenso Portugal!”

O poema, uma obra-prima repleta de metáforas, trocadilhos e identidades trocadas, fala do país irmão, o Brasil, e do nosso país colonizador e difusor, propagador de cultura e… do microorganismo Treponema pallidum (sífilis).

Esta semana que passou ofertou-nos a entrega voluntária do ex-presidente Lula da Silva!

O “Povão”, ou parte dele, reuniu-se para ouvir e ver Lula da Silva, qual Messias injustamente condenado, e chorou, cantou, berrou e até, como seria expectável, sambou!

Entretanto, o típico “snobismo-intelectualóide-nacional” criticou a emoção e escarneceu da humildade do povo brasileiro que com o microfone na cara, mais do que comentar ou opinar, chorava articulando mau português.

O intelectual português, ou melhor, o “pseudo-intelectual” comentador português (e outros) chegou ao ponto de afirmar peremptoria e convictamente que em Portugal tais manifestações ou percursos da Justiça são fenómenos sociais que por cá nunca assistiríamos, porque somos uma democracia madura, um verdadeiro estado de Direito.

Num artigo de opinião, na revista “Visão” (edição nº 1310) podemos ler a seguinte frase de Diogo Sardinha (Filósofo residente em França, antigo presidente do Colégio Internacional de Filosofia); “[…] Antes de perguntarmos se Lula é o líder corrupto que os Tribunais condenaram, devemos ter presente que, num país como o Brasil, a Justiça não é igual para todos […]”

E isto ficou a “sambar” na minha cabeça!

Na mesma revista (na mesma edição) umas páginas mais à frente, Pedro Norton, também referindo-se ao Lula e ao Brasil:“[…] Repugna-me o recurso à chamada “delação premiada”. Assim como do alto da minha ignorância jurídica, me incomoda a ideia de que um condenado com recursos pendentes para um tribunal superior possa iniciar o cumprimento de uma pena, numa clara inversão do princípio (que julgava estabelecido) da presunção da inocência […]”

Nesta altura a minha cabeça era o asfalto do sambódromo!

E esta, “oiçam” esta deste conhecido sambista luso (Miguel Sousa Tavares, Jornal “Expresso”, 14 de Abril de 2018): “[…] decidiu contra lei expressa e clara da Constituição brasileira: “ninguém pode ser preso sem trânsito em julgado da sentença”.  Como em qualquer país civilizado. […]”

“Moro num país tropical, / Abençoado por Deus, / E bonito por natureza. / Mas que beleza. / Em Fevereiro… tem Carnaval.”

Como sambam bem os fadistas Lusos!

Ó cambada jactante e pretensiosa; criticam o “país irmão” quando por cá, conquanto as moscas sejam outras, a substância à volta da qual voam seja a mesma?

Eu, João de Sousa, cidadão deste país, não sou a prova viva, real, documentada de que  num país como Portugal, a Justiça não é igual para todos?

Não se encontra neste espaço documentado, com os despachos digitalizados (o parecer do Tribunal Constitucional) que eu podia recorrer e ainda dispunha de prazo mas de nada valeu, foi só “Lero-lero”, “berimbau-de-boca”, “farofa”? (como se diz no Brasil)

Como podemos demonstrar a superioridade moral e ética da nossa Justiça, quando Armando Vara, confirmada a sua pena efectiva de 5 anos de prisão pelo Tribunal da Relação do Porto, na mesma data que foi a minha pena de 5 anos e 6 meses confirmada pelo Tribunal da Relação de Lisboa, não sendo possível recorrer para o Supremo Tribunal, como eu, pediu esclarecimentos (não é um recurso) e passados 10 meses não existia qualquer resposta?

Esse cara, o Vara, é um “farrombeiro”, né?!?

Aqui em Portugal, nesta autêntica fantasia carnavalesca que é a nossa Justiça, uns são “pai-João”, outros são “pai-d`égua”!

Talvez eu seja azarado, talvez seja como cantavam os saudosos “Mamonas Assassinas”: “Vejam só como é que é / Se der uma chuva de Xuxa / No meu colo cai Pelé!”

Miguel Sousa Tavares ainda: “[…] Moro não conseguiu apresentar uma única prova: uma escritura, um contrato-promessa, um e-mail, uma escuta, um testemunho, um papel, uma conta bancária […]”

Rapaz, isso é “pagodeira” mesmo! Eu fui condenado por uma “PROMESSA DE VANTAGEM PATRIMONAL FUTURA”. Isto é um autêntico pontapé nos “ovos”!

A “delacção premiada” escandaliza o português? Desculpem lá! Como é que acham que o Sr. José Veiga foi para casa? Como é que acham que chegaram ao Juiz Rangel?

Será que não sabem (ou não querem saber) que o Tribunal da Relação rejeitou colocar a pulseira electrónica no empresário José Veiga, e o “super-juiz” Carlos  Alexandre libertou-o mesmo sem pagar 1,2 milhões da caução, porque não achava bem o Sr. Veiga ter polícia à porta para guardá-lo, contrariando o que fez com o Sr. Ricardo Salgado?

A “pagodeira” nas terras lusas mete a um canto o “pagode” brasileiro!

Oliveira e Costa (14 anos): “A minha alegria atravessou o mar / e ancorou na passarela…”

Duarte Lima (6 anos e suspeita da autoria de homicídio): “Não posso ficar, não posso ficar / Nem mais um minuto com você…”

Manuel Godinho (15 anos): “Tristeza, por favor vá embora / Minha alma que chora…”

A ostentação ridícula, a patarata nacional é vergonhosa!

Criticam Lula da Silva? Criticam os brasileiros que votaram no Lula da Silva?

Ontem e hoje (escrevo este texto na 3ª feira, 17 de Abril de 2018) a SIC mostrou imagens exclusivas dos vários interrogatórios de José Sócrates!

Olhamos e criticamos, com sobranceria, o fenómeno Lula e como explicam este indivíduo que obteve maioria absoluta numa eleição? Como se consegue explicar José Sócrates?

Se vocês acham que a Justiça portuguesa é igual para todos, eu garanto-Vos: não é!

Se eu, ou qualquer um de Vós, exibisse o comportamento que José Sócrates exibiu, éramos retirados da sala e recolhíamos aos calabouços!

Se não respondessemos, como se verificou, ao Procurador: prisão preventiva!

“Desculpe, eu fui primeiro-ministro!” ; “Para a sua cabecinha…” ; “Achei uma manha do Sr. Procurador!” ; “Não levante a voz! – o procurador” “Eu levanto a voz pela indignação!”

Será que algum de Vós pensa que podem apresentar-se assim?

Possivelmente não o fariam porque são pessoas educadas, não é?

Como podem agora verificar, o que aqui escrevi, apesar de muitos duvidarem, foi verídico. Ocorreu.

Sabem o que de facto me indigna? O que me causa indignação é o comum dos portugueses ser admoestado, repreendido, ameaçado porque desconhece como dirigir-se a um Tribunal, e, o sujeito, um ex-primeiro-ministro, borrifar-se para os mais elementares princípios da urbanidade e boa-educação com total impunidade!

O que me indigna é ouvir dizer: “Ele é que sabe! Com ele o Procurador pia fininho”.

Palavras proferidas por indivíduos que estão aqui em “Ébola” a passar frio, fome, com contactos de 5 minutos com a Família, com visitas de 2 horas, tudo porque aquele vulgar sujeito assinou, ratificando, leis que impõem a miséria que aqui se experimenta!

O mesmo vulgar sujeito que passou por cima do normativo e gozou com tudo e todos por aqui, só porque, como disse ao Procurador: “Desculpe, eu fui um primeiro-ministro!”

Os livros sapienciais advertem: “A resposta calma aplaca a ira, a palavra mordaz atiça a cólera” ( Pr., 15,1); mas o “animal político” não liga, é superior.

Muitas vezes, aqui, comigo, comparava a sua situação – “preso político” (não “político-preso”) – com o que passou Nelson Mandela! Ridículo, no mínimo; perturbação narcísica da personalidade com toda a certeza! Oiçamos Nelson Mandela: “ Em política, o sucesso exige que sejamos capazes de incutir confiança em relação aos nossos pontos de vista e de os expressar com grande clareza, de forma muito educada, muito calma, mas sempre com grande transparência”

Pergunto-Vos: ao observar o histérico José Sócrates, conseguem aplicar, pelo menos, parte das palavras de Mandela ao que viram?

Não, pois não? Então façamos todos um exercício saudável de autoscopia, e sejamos mais parcimoniosos a opinar sobre o Brasil, porque nunca como agora, neste particular (a Justiça) fomos tanto “país irmão”, né?

 

P.S. – São 21h38. Terça-feira, 17 de Abril de 2018. Estou na minha cela húmida, comi mal ao jantar (como é hábito) vou estar 15 dias sem ver os meus filhos. Estou a ver a “Grande Reportagem” da SIC sobre a “Operação Marquês”. Estou na cela onde sobrevivo desde 29 de Março de 2014. Estou a ver a “Grande Reportagem” e sorrindo, talvez desespero, questiono-me: Eu é que sou Corrupto?

Estou a ver a reportagem, falam do “Freeport” e no “primo gordo” do Sócrates, e eu pergunto-te: “Maria Alice, foi só incompetência da tua parte?”

Estou a ver tudo isto no interior de uma cela e, sempre sorrindo, coloco a questão: “Eu fui condenado por causa de uma “promessa de vantagem patrimonial futura” a 5 anos e 6 meses, e estes tipos, Sócrates incluído, quantos anos de prisão? Prisão perpétua?” (sempre sorrindo, porque já chorei tudo o que tinha para chorar!)

 

 

 

 

“Sobre ratos e homens”

Liberdade daqui a: 521 dias!!!!

“[…] Como aconselha o poeta James Fenton:«Ouve o que eles fizeram. Não ouças o que eles disseram […]»” (in “Liberdade de Expressão”, de Timothy Garton Ash)

“[…] A prisão é um cadinho onde o carácter de um homem é posto à prova. Submetidos às tensões do encarceramento, alguns homens revelam a sua força de carácter, enquanto outros se mostram inferiores ao que aparentavam […]” (in “Um longo caminho para a liberdade”, de Nelson Mandela)

Regresso a estes dois autores que nos textos passados citei porque na semana passada foi noticiado: “Tribunal proíbe ex-procurador de dar entrevista para não perturbar a ordem pública” (in revista “Sábado”, 3/4/2018)

E o que fez o Dr. Orlando Figueira, “ex-recluso preventivo” no Estabelecimento Prisional de Évora? Calou-se! Remeteu-se ao silêncio, ele que desejava “publicamente expor factos em que interveio directa e pessoalmente, em defesa do seu bom nome, honra e de forma a repor a verdade”!

A postura que em nada me surpreendeu, só merece ser mencionada e falada porque é mais um contributo fortíssimo para a manutenção do status quo da Justiça Lusa, é um reforço da mediocridade hesitante e falta de caracter de alguém que até há pouco tempo representava o Estado português e acusava co-cidadãos seus.

A forma como Orlando Figueira realiza a sua defesa seria absolutamente indiferente para todos nós não fosse Orlando Figueira um ex-procurador (ou ainda Procurador) que conhece e reconhece como funciona o “sistema de Justiça português” e, ao contrário do que propalou enquanto aqui esteve em “Ébola”, alimenta as suas lacunas contribuindo para as deficiências e idiossincracias que penalizam quem não “colabora” com a Justiça, isto é, quem não delata, confessa e negoceia medidas de coacção ou mesmo condenações!

Orlando Figueira, português, com exemplos portugueses de luta pela liberdade de expressão – dos próprios e dos seus co-cidadãos – numa altura em que se celebram datas como os 50 anos da morte de Martin Luther King, Jr. ou se celebra a vida de Nelson Mandela, faz tabula rasa da História do Homem e prefere a companhia dos mamíferos roedores!

Possivelmente por ignorância, em gritante contraste com o despacho dos seus pares aquando do desagravamento da sua medida de coacção – “[…] os desembargadores acreditam que a sua formação cultural e o facto de ter sido Magistrado do Ministério Público faz com que Orlando Figueira seja um cidadão com responsabilidades e deveres acrescidos […]” – o Dr. Figueira não deseja emular os exemplos daqueles que também por ele lutaram; veja-se o saudoso Batista Bastos: “Pessoalmente, quando entendo que a razão me alimenta, pego no estadulho e vou a terreiro. É só!”

O que fez Orlando? Calou-se! Observem as palavras de Martin Luther King, Jr.: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.”

Não é pretensão qualificar o Dr. Orlando – é bom é mau? Não interessa! – mas podemos invocar Thomas Hobbes no seu “Leviatã”: “A autopreservação é a lei fundamental da natureza, situando-se acima da obrigação para com os outros.”Eu demonstro-vos como se aplica esta máxima de Hobbes ao sujeito em apreço.

Quando o Orlando Figueira aqui chegou a “Ébola”, desanimado, fragilizado, por diversas vezes falava em suicídio! Ao segundo dia pediram-me (outro recluso) para falar com o “Sr. Dótor”:

– Sr. João, o homem está de rastos, veja lá!

Da “pseudo-ideação suicida” Orlando passou à revelação divina: “João, Deus está a testar-me! Deus quer que eu saia mais forte e que possa demonstrar aos outros os erros dos homens e da Justiça. Serei um instrumento!”

Respeitei a fé, a crença do Orlando, passámos a fazer exegese bíblica na minha cela.

Depois, o Orlando iniciou um grupo de oração com mais dois ou três reclusos.

Entre orações, Orlando ouvia e contava anedotas picantes na companhia de pedófilos, partilhando relatos de proezas sexuais “pré-andropausicas”!

Entendi esta postura, Jesus também disse: “Porque Eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores.” (Mateus, 9,13). Possivelmente Orlando almejava a Justiça e a Misericórdia, a Conversão.

Orlando preso mas “livre para servir” confidenciou-me: “João, você é delegado da APAR (Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso) mas eles nada fazem! Eu vou fundar a ACAR!

Eu explico, a ACAR é a Associação Cristã de Apoio ao Recluso!”

No meio de tudo isto Orlando ainda afirmou, de forma irrevogável, que recusaria a pulseira se a mesma fosse “dada”! Dois meses depois: “Estou farto disto, vou tentar a pulseira!”

É na acção que o homem se revela (ou na omissão).

Dia 27 de Fevereiro de 2016, 8h50, um dia após entrar em “Ébola”: “Não se consegue a montante, vamos a jusante, coimas durissímas!” (referia-se ao “Correio da Manhã” e às notícias sobre a sua prisão)

23 de Maio de 2016. “Correio da Manhã”: “Procurador enfrenta o director da cadeia”

Porque não deixaram entrar alimentos ao Orlando – frutos secos, bolos e produtos de charcutaria – como não permitiam aos outros reclusos, Orlando Figueira pede-me para falar com alguém no “Correio da Manhã” a fim de se denunciar a situação. Assim foi feito, cedendo o Orlando o manuscrito que redigiu à Ministra da Justiça e ao director-geral dos Serviços Prisionais, Dr. Celso Maneta.

Após a notícia, e porque referenciavam os crimes pelos quais estava indiciado, assim como pelo teor da notícia que, na sua interpretação, o apresentava como “alguém que queria bolinhos”, Orlando manifestou o seu profundo desagrado alertando-me para os perigos do jornalismo do “C.M.” que não era controlado por ninguém!

– E isso é mau, Orlando? – questionei-o.

– Claro que é, João! A notícia não saiu como eu queria! – indignado.

Orlando Figueira, futuro fundador da Associação Cristã de Apoio ao Recluso:

2 de Junho de 2016. Equipas cinotécnicas, rusgas nas celas. 8h40. Após os cães farejarem as celas, depois de tudo resolvido, Orlando Figueira pede para eu ir à sua cela e apresenta-me o mesmo cenário que eu tinha no meu “jazigo”.

– Já viu, João? O que é isto, que brutalidade é esta? Vai fazer algo, João?

– Orlando, isto é normal…

– Normal? Olhe a minha roupa! – colérico

– Orlando, se você visse a cela do […], está muito pior!

– Oh João! Por favor, está a comparar-me com o [utilizou a alcunha]?!?

O recluso em questão era um dos parceiros de oração do Orlando Figueira!

Regra de ouro do Cristianismo: “Tudo o que desejais que os outros vos façam, fazei-o também a eles.”

19 de Junho de 2016. Entra na minha cela e questiona-me: “João, o que é uma pessoa temente a Deus?”

Deve ser porque é temente a Deus, deve ser porque “pecou”, porque comeu do “fruto da árvore que está no meio do jardim” que Orlando Figueira, quando entrou em “Ébola”, tapou-se com um casaco facultado pelo Inspector da P.J., porque, como Adão respondeu a Deus: “Ouvi os teus passos no jardim: tive medo, porque estou nu, e escondi-me” (Génesis, 3,10)

Um Homem não se esconde! Um Homem não se cala! Um Homem injustiçado não negoceia a sua Honra! Um Homem não se envergonha dos seus actos!

Durante os três dias da minha licença de saída jurisdicional, entre muitas outras questões, perguntaram-me sobre o facto de estes indivíduos, de “casos famosos” – Armando Vara, José Sócrates, Orlando Figueira, Manuel Palos, Duarte Lima, Miguel Macedo, o espião português e outros – estarem em liberdade durante o Julgamento, alguns até após terem estado presos preventivamente, e eu, João de Sousa, ter permanecido 3 anos e 4 meses em preventiva (esgotando o prazo) nunca tendo gozado do mesmo tratamento que os referenciados.

Creio que a resposta se pode encontrar aqui, neste blogue, e nas acções (e também omissões: não delatei ninguém!) ou seja, nunca me calei!

É a “minha Verdade”, eu sei, mas lutei e luto por ela! Também a mim foi imposta observância dos limites da liberdade de expressão! Caguei-me nisso, sim caguei-me (e isto é liberdade de expressão!). Onde estão os limites, numa sociedade livre e democrática?

Um Procurador, alguém que zela pelo interesse do Estado e dos cidadãos, é cerceado na sua liberdade de expressão e conforma-se?!?

Porquê? Porquê? Para ver desagravada a medida de coacção? Para não ser preso?

É um cobarde, é um rato! É um exemplo de mediocridade!

Um homem que assumiu a prática dos crimes de branqueamento de capitais e fraude fiscal, acha que vai voltar à Magistratura?!?

Há dias questionaram o Dr. Figueira sobre o seu futuro e eu não ouvi falar na ACAR (a Associação Cristã de Apoio ao Recluso) só ouvi disparates! Admirado? Não! Vejam:

15 Maio 2016. “Passeio” na ala com o Orlando Figueira. “Daqui a 2 anos vou ser Procurador-Geral da República!”

Em 2016, nesta ocasião, pensei que o Orlando estava desiquilibrado consequência da reclusão, agora, passados cerca de dois anos e em liberdade, acho que o Dr. Figueira é descompensado!

Descompensado ou não: está em liberdade! Ora calado porque tem medo, ora disparatando porque não dá para mais!

Orlando Figueira falou num “acordo de cavalheiros” – se fosse comigo era corrupção! – acrescentando que o único cavalheiro dos dois era ele, o “Ingénuo” Orlando!

Ao ler isto foi como um raio: Oscar Wilde! “O retrato de Dorian Grey”: “Se um homem é um “gentleman” sabe mais do que suficiente, e, se não é um “gentleman”, o que quer que saiba só lhe pode fazer mal.” E o Orlando só “borra a Pintura”!

O único problema é que o Orlando prejudica todos nós quando compactua – voluntariamente – com atentados à liberdade de expressão, quando “mercadeja” a aplicação da Justiça.

Orlando Figueira não é o “Inocente”, como afirmou o “super-juiz” Carlos Alexandre, o Orlando é, como dizia o meu avô-paterno, um “pateta-alegre”!

Foi pouco o tempo que passou aqui em “Ébola”, faltou tempo para falarmos um pouco mais sobre Deus e o Cristianismo, sobre o Homem!

Pode ser que o Orlando leia isto, aqui vai: “A essência do Cristianismo”, Ludwig Feuerbach. “[…] Mas o que é então a essência do homem, da qual ele tem consciência, ou o que é que constitui o género, a humanidade propriamente dita no homem? A razão, a vontade, o coração – a um homem completo pertencem a força do pensar, a força da vontade, a força do coração. A força do pensar é a luz do conhecimento, a força da vontade a energia do carácter, a força do coração o amor. […] Querer, amar, pensar são as forças supremas, a essência absoluta do homem “qua talis”, como homem, e o fundamento da sua existência […] Pensamos para pensar, amamos para amar, queremos para querer, isto é, PARA SERMOS LIVRES […]”

Como pode verificar, caro Orlando Figueira, não se referencia quaisquer despachos judiciais quando se fala na verdadeira essência do Homem, nada pode cercear a essência do Homem…

Quanto à essência dos ratos… isso já é outra história!

“Voltar à prisão para quê?”

Liberdade daqui a: 528 dias!!!!

“O Messias sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia” (Lucas 24,46)

Segundo consta no livro sagrado Ele muito sofreu, mas, ao terceiro dia tudo ficou da melhor maneira, de tal forma que muitos dos que conhecem a história de Jesus, crêem, sem qualquer hesitação, que se passará o mesmo com eles.

Deus é grande e a Paz esteja convosco!

Eu não tive tanta sorte ou graça (apesar da Graça cozinhar muito bem!) e, ao terceiro dia, do mundo dos vivos, da Luz, voltei para o mundo dos “mortos-vivos” de “Ébola”!

Regressei à “Rua do esquecimento”. Voltei ao estado no qual me mantive durante 4 anos: “apneia-de-mim-mesmo”!

Aqui estou, regressado ao meu jazigo/cela, vestido com o “disfarce de mim mesmo”.

Como dizia o filósofo: “Toda a alegria quer funda eternidade”. A minha Princesa Helena, uma das três melhores partes de mim, no Domingo, a 24 horas do regresso do Pai ao “Sheol”, à casa da sombra, num momento de carinho, agarradinha, aninhada, com as lágrimas a acariciarem-lhe a face, lamentava-se: “Pai, não quero que este dia acabe!”.

Mas o dia acabou, os três dias, as 72 horas para eu adaptar-me à liberdade, as 72 horas para aferir o grau de aceitação da Sociedade em relação ao criminoso João de Sousa!

Como podem ver pelas imagens que ilustram este opúsculo, entrei como saí: um Homem!

Assim que entrei as minhas coisas foram alvo de “escrutínio manual” por parte de um Guarda Prisional.

Após palparem as minhas coisas foi a minha vez: “Desnude-se, sr. João!”.

Ainda pensei responder: “A nota de 500 euros ficou em casa, se baixar as cuecas é mesmo o “Elvis” que vai ver!” Mas nada disse, e mais uma vez: toma lá disto!

Como podem ver, despir-me com somente uma nota de 500 euros a cobrir as “vergonhas” não é nada para quem já “o” mostrou à totalidade do corpo dos guardas prisionais de “Ébola”.

Toda a “normalidade” que readquiri “lá fora” durante 72 horas sumiu-se, de novo as “regras do pátio” e não as regras da civilidade e urbanidade.

De novo os gritos, as portas a baterem, o bater das grades, a comida imprópria para consumo, a fome, o frio, a sanita da cela de cima a verter para a minha, a mediocridade de indivíduos que como parasitas delatam, complicam, vivem do mau-estar dos outros para esquecerem o quão mal vivem consigo mesmos.

A questão que coloco é simples: “Voltar para “Ébola”, estar aqui mais 18 meses, vai ajudar-me a ser um cidadão melhor, a reinserir e ressocializar de que forma?”

Amanhã ou depois, por hipótese, preciso de ir ao dentista. Vou, quando for possível, e irei algemado/escoltado, eu que há 24 horas apresentei-me aqui depois de sair!

Amanhã falarei com a Família somente 5 minutos! Daqui a 15 dias (porque não permitem que eu saia daqui e vá trabalhar, impossibilitando que eu tenha um ordenado) verei a Família novamente!

Daqui a 15 dias porque não temos disponibilidade económica para eu ver a “ninhada” todas as semanas, vou estar com os meus filhos 120 minutos, com dois guardas a olharem para nós!

Reitero: “Voltar para “Ébola” vai ajudar-me de que forma?”

Como diz?!? Diga, diga Estimado(a) Leitor(a)!

Ah! Claro! Cometi um hediondo crime e devo penar! Aceito a explicação, mas… qual crime? Hediondo como?

Hoje – 3ª feira, dia 3 de Abril – no “Correio da Manhã” pode-se ler a notícia da minha saída de 72 horas, ilustrada com a fotografia do momento em que saio, com o título: “Inspetor despido em protesto”

Alguns guardas prisionais interpelaram-me: “Sr. João, esta é demais!”, “Sr. João, isto só o prejudica!” Até uma questão tão incrível como esta: “Sr. João, a barra de ouro é verdadeira? Aquilo deve valer muito dinheiro, não é?!? (a pergunta foi feita sem ironia!)

Outros questionaram o porquê da fotografia: “Então não se vê logo? É um protesto, não é Sr. João?” Outro guarda, alentejano, telúrico, com a sapiência dos anos vividos e bem assimilados, resumiu tudo: “Qual protesto, qual quê? Não vês do que se trata?” – com o delicioso sotaque alentejano – “Sr. João, perdoe-me a expressão! O que o homem pretendeu foi dar-lhes o que eles merecem!”

O outro guarda: “O quê!?!”

“Não se vê logo pela fotografia e pela nota… desculpe lá, Sr. João! O que ele está a dizer é que eles vão todos pó c……!”

Pessoa, no seu “Livro do Desassossego”, diz-nos: “Cada coisa é a intersecção de três linhas, e essas três linhas formam essa coisa: uma quantidade de matéria, o modo como interpretamos, e o ambiente em que está”.

Como interpretar? Um protesto? Um grito de felicidade? Uma prova de Vida?

Foi tudo isso e foi também “mandar para a nota de 500 euros” aquelas pessoas que nós sabemos!

“Vão para a nota de 500 euros” porque eu ainda aqui estou! A lutar, com um “exército” a ajudar!

As 72 horas foram preciosas, tudo fez sentido, todo o sacrifício que fiz e faço justificou-se.

“Vão os dois (que nós sabemos) para a nota de 500 euros” porque a recordação do que me fizeram (ou a vossa imagem) só se formou na minha mente quando cobria com a nota o meu apêndice ou quando ia à casa de banho defecar!

Eu, junto de todos aqueles que me amam, voltei a experimentar a felicidade, a saborear o lado bom da vida, portanto: “Vão para a nota de 500 euros!”

Ainda não compreendo como pode ajudar-me estar mais 18 meses em “Ébola”; percebo que possa auxiliar, agradar às “pessoas que nós sabemos” mas, atenção, como depressa passaram as 72 horas passarão os 18 meses!

E se em 72 horas tanto foi feito e mais conseguido, apenas recorrendo ao humor, imaginem o quanto se alcançará quando, devidamente vestido, falar ao “Mundo” sobre a feia nudez de V. Exas., coberta pela indumentária da hipocrisia, da incompetência, como traje de falsos ouros tecido que com extrema facilidade eu, João de Sousa, rasgarei!

Então, nessa ocasião, teremos oportunidade de verificar qual de nós terá o corpo mais tonificado, quem tem a melhor higiene, com as cicatrizes no peito e não nas costas (como os cobardes).

Até lá, se alguém conseguir explicar, eu agradecia: “Como é que voltar para “Ébola” vai ajudar-me a reinserir e a ressocializar?”

 

P.S. – Não vale dizer que vai ajudar-me a conseguir ser capa da revista “Cristina” porque continuarei a treinar e o meu “corpinho Danone” ficará melhor!

P.S. II – Já agora, porque preciso de ganhar algum para alimentar a “ninhada”, durante as saídas futuras “vou a casa e faço festas particulares” (sem nota de 500 euros se assim desejarem!)

 

Sorriam! Sempre! Obrigado a todos!