“Apanhados (ou talvez não)!”

Liberdade daqui a 797 dias (ou talvez não)!

Descoberta. “Coisa que se descobriu, descobrimento, achamento; invenção, invento.”

Esta semana, no centésimo quadragésimo nono texto, vou ousar aconselhando uma leitura.

Época de veraneio, calmaria, podemos ler um livro a ouvir o restolho dos campos ou o marulhar das águas, doces ou salgadas.

Eu li a obra durante esta semana que passou acompanhado pela ruidosa Verborréia dos sujos corredores do Estabelecimento Prisional de “Ébola”.

Imerso no que lia, durante quatro dias nada escutei do ruído das chaves ou das vozes de revolta e asco.

O livro: “Apanhados”. O autor: António José Vilela (Grande repórter da revista “Sábado”). Editora: “Manuscrito”. 549 páginas (sim, 549 porque é muito interessante ler de páginas 517 a 549 as “Fontes” consultadas!)

Não posso dizer que foi uma “descoberta”. Primeiro porque não se encontra “invenção” ou “invento” na matéria que nos é ofertada – as “Fontes” são os próprios inquéritos e os responsáveis pela investigação e/ou os investigados – diria que foi mais uma “confirmação”, vou um pouco mais longe: uma ratificação!

O livro trata (como surge no grafismo da capa) das “investigações judiciais às fortunas escondidas dos ricos e poderosos”.

Manuseando, no verso após sinopse: “Um livro indispensável para perceber o que aconteceu em Portugal nos últimos 15 anos”

Eu (uma questão de egotismo) percebi ou confirmei, não descobri, os meus últimos 3 anos e 3 meses de prisão preventiva!

Tudo aquilo que li está marcado a ferro e fogo em mim, o juízo moral que formulei justifica-se por tudo a que me sujeitam, a assimilação das palavras do autor foi facilitada pela minha actual condição.

Esta questão não é de somenos importância porque como dizia Ronald Dworkin no seu “Justiça para Ouriços”: “Assim, não deveríamos ter medo de admitir que as opiniões morais de todas as pessoas são acidentais neste sentido: se as suas vidas tivessem sido suficientemente diferentes, as suas crenças teriam também sido diferentes”.

Ou seja, as vendas deste livro podem ser muito humildes atendendo que existe um “divórcio” da população portuguesa sobre a matéria em apreço, uma vez que a “experiência” da maioria – com apenas 43 anos de democracia – é do “deixa andar até a mim tocar”!

Reconhecidamente o maior e mais perigoso criminoso em Portugal do pós-25 de Abril, o mais nefasto dos prevaricadores, aquele que se revelou o mais nocivo para a economia nacional consequência da sua corrupção através de uma promessa, e tudo o que se escreveu facilmente é comprovável através da manutenção da prisão preventiva, inúmeras vezes confirmada pela 9ª secção do Tribunal da Relação de Lisboa, eu, João de Sousa, Inspector da P.J., revi Tucídides nas letras de António José Vilela quando Arquídamo, rei dos espartanos, afirmava em “A guerra do Peloponeso” que: “A guerra é mais uma questão de dinheiro do que armas”.

“Fugiram aos fisco entre 2002/2006, contabilizando a empresa facturas fictícias de quase 28 milhões de euros produzidas em nome do “offshore” Union Trade […]” Operação Furacão, página 95

O meu co-arguido manifestou ao Tribunal a sua vontade de “saldar as dívidas” com o fisco, à semelhança de todos aqueles da “Operação Furacão”: não permitiram o pagamento, “apanhou” 10 anos!

O Juiz (Carlos Alexandre), a Directora Cândida Almeida (Ministério Público) e o Procurador Vitor Magalhães (intermediário), reuniram-se num almoço, objectivando os dois magistrados do Ministério Público convencer o Juiz a concordar com a solução para a “Operação Furacão” – “pagas e não vais para a prisão” – solução com a qual estavam de acordo os membros do governo liderado por José Sócrates (argumento utilizado pela Dra. Cândida de Almeida)! Página 95 da obra em apreço.

Como !?!?! O Juiz dos Direitos, Liberdades e Garantias, o “fiel da balança”, aquele que deve manter-se equidistante das partes – arguido e Ministério Público – num almoço para ajustarem uma “solução judicial”? Repito: como ?!?

Página 184: Juiz–desembargador, Dr. Nuno Ataíde das Neves ligado a Francisco Canas: “[…] 13 telefonemas entre Canas e o Juiz por causa de uma alegada transferência […]”

O autor está a inventar e eu a aproveitar? Leiam tudo: páginas 527/528, “Fontes”!!!

Ricardo Arcos. “Operação Monte Branco”. 300 mil euros de caução e liberdade após denunciar vários clientes e prometer continuar a colaborar!

Afinal sempre se “negoceia” a Liberdade em Portugal. Afinal sempre se prende para extorquir a “confissão”, afinal os pressupostos da prisão preventiva são “vendáveis”!

Este Sr. Ricardo Arcos foi criticado pelo “super-Juiz”, Dr. Carlos Alexandre , como se pode verificar num despacho de sua autoria: “Diríamos que a atitude […] é a causa da ausência de receitas fiscais por parte do Estado, alimentando uma economia paralela superior a 3 mil milhões de euros” (página 218)

3 mil milhões de euros!!!! E com 300 mil euros : liberdade!?!

Eu, com “uma promessa”, ainda cá estou a “apodrecer”!

Estás a apodrecer porque queres: vende a tua Honra, informa o Juiz, diz o que eles querem saber, colabora com a Justiça!

Muito bem, e se não existir nada para dizer, e se não for má vontade, comportamento criminoso? E se não existir nada, o que fazer?

Ainda persistem dúvidas sobre como tudo isto funciona?

Página 257. Michel Canals “detido há 10 dias (10 dias!!! Fraca resiliência!) no estabelecimento prisional anexo à sede da Polícia Judiciária (P.J.) […] por suspeitas de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais”, escreve carta a Rosário Teixeira apelando ao Magistrado do Ministério Público: recebam-me que eu quero “chibar-me” (“liberdade poética” do autor deste blogue).

Resultado: liberdade para o Sr. Canals!

Ainda acreditam que a Justiça é igual para todos?

Página 327. Rosário Teixeira “justifica” a “não prisão” do Dr. Ricardo Salgado: “[…] o ora arguido permanecerá controlado nos seus movimentos e poderá ser encontrado […]”

Na página 341 pode-se ler como os advogados do Dr. Salgado ironizaram com as medidas aplicadas invocando que o Sr. Salgado saíu das instalações do Tribunal sem qualquer escolta policial, conduzido pelo seu motorista. Os próprios advogados gozam com tudo isto!

Eu, que ainda aqui estou com perigo de fuga, se achar graça é porque enlouqueci ou sou estulto: não estou a rir!

Página 424. Salgado, o Ricardo e Riciardi, o António, assim como outros (estes administradores da ESCOM) receberam 16 milhões de comissões pelo negócio dos “famosos submarinos”.

Pagaram ao fisco, estavam em falta e não podiam ser presos, foram cumpridores: 50 mil euros!

Incrível, não é?

Leiam a obra, há muito mais: a extinção do mandado internacional de detenção de Hélder Bataglia por parte do “super-juiz”, o “negócio” da Justiça (pág. 430); o “super-juiz” escondido no W.C. da fisioterapeuta para não se cruzar com dois ex-presidentes, ou seja, comportamentos do “fanático beato” (pág. 464). Atenção: “fanático beato” é epiteto da responsabilidade do autor deste blogue!

Página 488 a 493: Carlos Alexandre e a relação com Orlando Figueira e os comportamentos neuróticos do “super-juiz”!

Sócrates e os empréstimos está lá tudo, todos eles estão em liberdade, presumíveis inocentes. Eu não estou lá, não conto como é lógico e nem podia contar como é óbvio: não tenho riqueza pessoal ou familiar; o resultado da minha corrupção, o meu lucro, foi uma promessa; não delatei, não colaborei; não consegui comprar o cartão “está livre da prisão”, não possuo o monopólio de nada!

Mais: eu sou o mais perigoso, ardiloso e ruim dos criminosos, eu perturbo a ordem e tranquilidade públicas se for colocado em casa ou em liberdade!

Meus Caros, leiam a obra e pensem, porque se pensarem, ainda que o tempo esteja bom para banhos de mar/rio ou ­­banhos de sol, já é tempo de insurgirmo-nos, de zelarmos pela res pública, de participarmos conhecedora e criticamente na gestão da “Polis”, de sermos de facto “animais políticos”.

Não esqueçam Carl Schmitt, “O conceito do político”: “Por um povo já não ter força ou vontade de se manter na esfera do político, o político não desaparece do mundo. Desaparece apenas um povo fraco.”

Leiam “Apanhados” do António José Vilela conquanto o título não corresponda à realidade; pois “apanhado”, “bem apanhado”, apenas conheço um: João de Sousa, 43 anos, português, pai de filhos, Inspector da P.J., nunca tendo negociado com ninguém, sem sorte alguma neste autêntico jogo do “Monopólio” que é a Justiça Lusa!

 

 

 

“A Validação Científica”

Liberdade daqui a: 804 dias!

Acreditem! Peço-vos! Não era suposto voltar ao tema da “silly season” do Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues.

O objectivo não era continuar a “bater” na notória e vergonhosa falta de cientificidade das palavras do responsável máximo da Polícia Judiciária; mas eles continuam a reiterar no erro!

“P.J. contesta dados do IPMA. IPMA fala de 5% de hipóteses do raio ter causado fogo. P.J. diz ter provas do contrário e alerta para falta de “validação científica”” (in Jornal “Expresso”, primeiro caderno, edição de 8 de Julho de 2017).

Trata-se de uma “magra” coluna do referido jornal, inserida na mesma página que aborda a temática da “tragédia de Pedrogão”, a “paredes meias” (como dizia o outro) com o espaço irónico-satírico “Gente”, onde se ironiza, satirizando, a actualidade social e política.

Invoquemos os Mestres!

“O principal é termos consciência e sermos críticos do nosso ponto de vista, ou seja, evitar, na medida do possível, um viés inconsciente, e por conseguinte acrítico, na apresentação dos factos” (in “A sociedade aberta e os seus inimigos”, Karl Popper)

Como está a Polícia Judiciária a tentar limpar a “borrada” das declarações do seu Director Nacional?

Desacreditando o IPMA que, ao contrário da P.J., já tem um relatório de 120 páginas passível de ser alvo de “testabilidade” e “falsificabilidade”, princípios epistemológicos fundamentais para Karl Popper para lograrmos “cientificidade”. A P.J. tem declarações impertinentes, extemporâneas, ignorantes e inverificáveis, asserções sem sustentação fáctica!

“Não trabalhamos com probabilidades, trabalhamos com factos. Já temos factos e questionamos até as probabilidades apresentadas pelo IPMA. Disse ao “Expresso” fonte da P.J.”

Ah! Afinal estou errado! Afinal têm factos e até questionaram! Questionaram o quê? A tese que o Director apresentou? Não, a dos outros!

Este excerto da notícia é um exemplo da pobre gestão dos danos, da fraca gestão da crise da P.J.: “[…] Disse ao “Expresso” fonte da P.J. […]”

Qual fonte? O Director, baixinho, ao telefone? Alguém do laboratório? O funcionário administrativo? O elemento da segurança? O motorista do Dr. Almeida Rodrigues?

Como é que se pode verificar esta afirmação? Onde está a “testabilidade” e a “falsificabilidade”? Onde está a “validação científica”, indecorosamente invocada pela “fonte da P.J.”?

Aqui está a prova do “colocar do véu de trevas honestas sobre o erro que se cometeu numa qualquer investigação”, de que venho a “falar” (escrever) há três semanas!

Todos nós sabemos que estas “fontes” da P.J., do Governo, da Presidência da República, são informações “dolosamente” prestadas aos média para alcançar algo: branqueamento do erro, de acções/omissões ou tentativas de credibilizar o próprio e descredibilizar outros!

“[…] fontes da investigação garantem ao “Expresso” que as convicções <<não se alteraram um milímetro>> e que foram recolhidas provas forenses para as atestar […]”

Novamente as ocultas fontes inesgotáveis! Mais do que as fontes, convém reter a nossa atenção no caudal de ignorância; atentemos novamente ao Mestre Popper: “O conhecimento subjectivo, exemplificado como <<sentimentos de convicção>> sobre uma teoria ou eventual prova que a sustenta, seria apenas do interesse da ciência se pudesse ser formulado por meio de afirmações públicas, e, preferencialmente, testáveis. Nem a intensidade de tais sentimentos, nem o seu peso cumulativo podiam ser evocados na defesa ou refutação de qualquer afirmação científica” (in “Popper: Filosofia, Política e Método Científico”, Geoffrey Stokes)

Já tinha invocado antes esta passagem mas foi por causa da minha condenação, e, posso estar condicionado pela minha condição, pelo que altero mais do que um milímetro no meu caso, é a postura correcta. A tal “fonte”, numa atitude dogmática, pouco ou nada científica, nem coloca qualquer possibilidade de estar errada!

Afastada “mão criminosa” pelo Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, horas após o início do incêndio, como arranjar presentemente alguns “milímetros” para acomodar laboratorialmente os artefactos encontrados no rescaldo dos vários locais do incêndio, artefactos que indiciam “mecanismos manufacturados de ignição de fogos” ?

A 13 de Julho de 2017, na SIC, noticia-se a descoberta de dispositivos no local dos incêndios! Os artefactos foram entregues à G.N.R. que, por sua vez, apresentou ao Ministério Público o recolhido!

O vergonhoso dogmatismo que as ocultas fontes da P.J. apresentam, representa a atitude “pseudocientífica” que procura apenas confirmar a teoria muito cedo apresentada.

Exclui-se tudo aquilo que não confirma ou reforça o “desbocamento” inexplicável do Dr. Almeida Rodrigues!

Voltemos à “magra coluna” do Expresso, depósito do “caudal ignorante” das “fontes ocultas”:

“[…] em causa está o sistema de detecção nacional das descargas eléctricas <<de apenas quatro sensores, e em que só três estavam operacionais, ficando aquém dos padrões internacionais mínimos exigidos para uma cobertura eficaz e, consequentemente, pondo em causa a validação científica>> […]”

A sério, meus Senhores? Querem ir por aí?

Vestígios de material resultante de disparo de arma de fogo!

O Laboratório de Polícia Científica da P.J. (L.P.C.) dispõe de uma perícia (recolha/exame) que permite apurar (cientificamente) a presença ou ausência de vestígios resultantes do disparo de arma de fogo.

Entre nós na P.J.: os “Stubs”!

A recolha é realizada nas mãos, roupa e até pode ser na face ou lesões das vítimas e/ou dos presumíveis autores dos disparos de arma de fogo.

O resultado do exame pode confirmar/infirmar as hipóteses da investigação. Ora, se o resultado da perícia pode confirmar ou infirmar teorias, hipóteses, teses da investigação, a recolha deve ser realizada por forma a “cobrir” todas as possibilidades de explicação do evento que se investiga!

Consequência da contenção de despesas, e, em abono da verdade tem que se dizer, da irresponsabilidade e falta de cientificidade de quem dirige o L.P.C., assim como de quem dirige a Polícia Judiciária, todos os departamentos e Direcções receberam uma ordem superiormente emanada, que alterava os procedimentos de recolha, impondo contenção na utilização dos “Stubs”, devendo os peritos e os Inspectores realizar “recolha direcionada”, ou seja: se achar, se tiver a convicção de que se trata de um suicídio faça só a recolha versão “A”, se considera ser homicídio faça a recolha “B”, se não considerar estas hipóteses: “poupe no material que a Direcção agradece!”

Meus caros, se o exame é para infirmar/confirmar a “convicção”, vamos condicionar a resposta final da perícia por aquilo que acreditamos falivelmente, ser, à priori, a explicação para … o homicídio… ou o incêndio?

Validação científica”?Padrões mínimos exigidos internacionalmente”?

“[…] Porque olhas para o argueiro no olho do teu irmão e não prestas atenção à trave que está no teu próprio olho […]”. E nem é preciso invocar o Crucificado, porque a todos Vós que estão a ler, quando referi a perícia dos “Stubs”, a primeira e célere associação mental que fizeram foi com o caso da minha colega Inspectora, Sra. Ana Saltão; não foi?

Como apelar à falta de “validação científica” de terceiros quando a “custódia da prova” é um assunto vago e distante na P.J.? Não é? Se não é, se observam a “custódia da prova”, como é que se justifica o tratamento dado às roupas do sobrevivente do “Caso Meco”?

Como explicar o facto de semanas após o exame à cena de crime do “Caso Ana Saltão”, encontrar-se mais uma cápsula de munição deflagrada?

Validação científica. Após as declarações do Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, tudo se pode dizer, toda a dúvida é pertinente!

João Duque, no caderno de Economia do jornal “Expresso”, edição de 8 de Julho de 2017, na sua coluna de opinião “Confusion de Confusiones”, com o título “O plano inclinado”, homenageia a memória de Henrique Medina Carreira, o “pessimista esclarecido”. Lê-se: “Ao contrário de todas as investigações que se fizeram em Portugal que eram lentas, consumidoras de enormes recursos e sempre inconclusivas, no caso do terrível fogo de Pedrogão Grande um só Inspector da P.J. chegou, cheirou, mirou e em coisa de minutos declarou que a origem do incêndio foi um raio que fulminou a árvore. Abençoado P.J.! Este homem merecia uma medalha no 10 de Junho! […]”

Alvo de chacota a P.J.? Responsabilidade do seu insensato Director Nacional!

Certo! Reconheço! Estou condicionado pela minha reclusão, não estou a ser imparcial, “cientificamente equitativo”! Muito bem, os próprios falam por mim: revista “Sábado”, edição nº 688, de 6 a 12 de Julho de 2017, reportagem de Tiago Carrasco sobre o Laboratório de Polícia Científica da P.J., declarações de peritos e do Exmo. Sr. Director do L.P.C., Dr. Carlos Farinha.

“Quando os testes do L.P.C. são inconclusivos, o que acontece em 15% dos casos de NSP, as substâncias são enviadas para a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa ou para a Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, que têm técnicas mais potentes e caras, como a ressonância magnética nuclear […]

O IPMA fala em 5% de hipóteses do raio ter causado o incêndio. A P.J. refere 15% de “inconclusivos” consequência de incapacidade técnica, mas, o que verdadeiramente preocupa não são os 15%, é a validade científica dos restantes 85% !!!

 

“O Triunfo da Mediocridade”

Liberdade daqui a: 811 dias!

Condicionados pela nossa circunstância. Balizada a nossa percepção do Mundo, do Outro, pela natureza da nossa personalidade, muitas vezes criticamos terceiros não reconhecendo nestes os atributos e aspectos positivos que encerram em si.

Critiquei neste espaço, no passado, o facto de o Exmo. Sr. Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, ter atribuído um louvor colectivo aos meus três colegas Inspectores que investigaram o meu “caso” (CFR. texto, “Louvores”, de 7 de Novembro de 2016).

Desejo neste opúsculo fazer retratação: errei, possivelmente condicionado pela minha condição de recluso, porque não compreendi o gesto do Senhor Director, o real alcance do mesmo.

É merecido o louvor, agora compreendo claramente, uma vez que os meus três colegas do Departamento de Setúbal ( e a Dra. Maria Alice, para sermos justos!) são os únicos que conseguem a manutenção da prisão preventiva de um perigoso corrupto durante 3 anos e 3 meses; são os únicos que conseguem provar a existência de corrupção, ainda por cima na forma de “uma promessa”, ao contrário de todos os outros Inspectores, Inspectores-chefe, Coordenadores, e, convém incluir, Magistrados do Ministério Público e Magistrados Judiciais, como se pode confirmar através dos exemplos que por forma a ilustrar e corroborar o que afirmei passo a apresentar; Hermínio Loureiro e seus co-arguidos: António Mexia e seus co-arguidos (inclusive Manuel Pinho, sendo que este nem as perguntas fizeram); Manuel Macedo, Manuel Palos e restantes co-arguidos dos “Vistos Gold”; Paulo Lalanda e Castro, Luís Cunha Ribeiro e restantes co-arguidos do caso do sangue, “Zero negativo”; Ricardo Espírito Santo e restantes “accionistas”; Hélder Bataglia e os outros “Monte Branco”; Armando Vara, Manuel Godinho e restantes envolvidos no caso “Face Oculta”!

Que raio de investigações realiza a restante P.J. que não consegue obter o resultado da Coordenadora Maria Alice e dos três fiéis Inspectores? O que fizeram estes que os outros não fazem?

Retratação feita, porque todos nós encerramos coisas positivas, vamos voltar ao Exmo. Sr. Director da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, porque, mais uma vez, a realidade deu-me razão!

1 de Julho de 2017, 20h25, RTP1, “Telejornal”: “IPMA, em relatório solicitado pelo Primeiro-Ministro António Costa, assegura que não caíu raio perto da árvore “identificada” pela Polícia Judiciária”!

2 de Julho de 2017: “Diário de Notícias” e “Correio da Manhã”, noticiam que não foi como o Director da P.J. afirmou, horas após o incêndio começar, apresentando a perícia do IPMA para rebater as declarações do responsável máximo da Polícia Judiciária!

3 de Julho de 2017, TVI, “Diário da Manhã”: “Relatório de 120 páginas do IPMA contraria versão da P.J. (Director Almeida Rodrigues). Miguel Miranda, Presidente do IPMA, na televisão apresenta o relatório e suas conclusões, esclarecendo dúvidas.

LUSA, 3 de Julho de 2017, edição “on-line”: “Não há evidência meteorológica desse facto, salienta Miguel Miranda (Presidente do IPMA) […] que até pediu apoio a colegas da rede “Euclide” (rede europeia) […] o sistema tem uma eficiência de cerca de 95% […]”

Como dizia o gigante Batista-Bastos, “Há que dizê-lo com frontalidade”: que grande “borrada”, Dr. Almeida Rodrigues!

Asneira feita, como resolver, como corrigir o borrão, como recuperar esta “pintura tosca”?

Tenho que relembrar o(a) Leitor(a), porque eu já escrevi sobre isto! O Primeiro texto deste blogue, “Todos vêem o que aparentas ser, poucos percebem quem tu és”, 4 de Outubro de 2014:

“[…]Imaginem alguém que presenciou o momento em que se decidia o que escrever/dizer aos “média”, para que dessa forma se pudesse colocar “um véu de trevas honestas” sobre o erro que se cometeu numa qualquer investigação […]” Escrito há cerca de 3 anos! Confirmou-se!

O que fez o Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues? Deu a cara, esclareceu, retratou-se? Claro que não!

Numa investigação em segredo de Justiça observamos um Coordenador da P.J., coordenador dessa mesma investigação, aparecer na revista “Sábado”, edição nº 687, de 29 de Junho de 2017, a prestar declarações, justificando conclusões, adiantando que foram ouvidas três testemunhas, “três pessoas que dizem ter visto cair o raio que terá iniciado o incêndio de Pedrogão Grande”!

“Um véu de trevas honestas”: Fizeram tudo, encontraram a árvore e até três pessoas, o que sempre é melhor que uma!

“[…] Que garantias temos que tudo vai ser feito para apurar as reais causas do incêndio, e não para confirmar as declarações despropositadas, verdadeiro estrupício, do Director da P.J. […]”. Deixei-vos esta na semana passada!

Vamos dar o benefício da dúvida: não foi para salvaguardar o verdadeiro desbocamento do Dr. Almeida Rodrigues. Mas, e a questão é pertinente: vamos valorizar mais a subjectividade de três testemunhas ou os dados científicos apresentados? Afinal: a P.J. é ou não é uma polícia científica?

“Quase com certeza, é a minha convicção, não vi”; “Não estava presente, não ouvi nada, não se sabe. Apenas se verificou através das intercepções telefónicas!”; “Tenho 36 anos de profissão, não 36 dias!”. “Não posso afirmar que pagavam!”; “Se calhar encontrei razões!”. “Não sabemos, não fizemos a perícia!”; “Seria o ideal mas não foi feito”. “Devido à pressão a que formos sujeitos eu assinei relatórios do meu colega e o meu colega assinou os meus!”

São frases que já conhecem: pronunciadas pela Coordenadora Maria Alice; pelos três fieis e louvados Inspectores, sendo que a última foi proferida por um elemento da Autoridade Tributária, durante o meu Julgamento (está tudo gravado, como a “fita do tempo” da tragédia e as impensáveis declarações do Director da P.J. – “Achámos a árvore” – horas após o início do incêndio, ainda lavravam as chamas!).

Conseguem identificar um padrão de actuação? É notório o triunfo da mediocridade?

Tenho razão ou não? Claro que tenho: ainda continuo, vergonhosamente, em prisão preventiva. Incomodamente já expus tudo isto aqui, antecipando, explicando!

Eu posso estar condicionado, ressabiado, então e a Clara Ferreira Alves? “[…] Quero saber o que correu mal e o que não correu mal. Ou se correu tudo mal. Quero saber por que raio a Polícia Judiciária um dia depois já sabia que era um raio, na investigação mais célere da sua história […]” (in revista “E” do Jornal “Expresso”, edição 2331, de 1 de Julho de 2017)

“Então Polícia Judiciária? Esclarecimentos, por favor!” Texto publicado neste blogue em 8 de Novembro de 2014 (em 2014!). Excerto: “[…] A P.J. tem de esclarecer, tem de assumir de uma vez por todas que não se pode remeter ao silêncio, como sempre fez e faz, esperando que no segundo seguinte surja outro caso que faça esquecer os erros e omissões do anterior […] Não pode esperar que tudo vá passar, não deve depositar fé na solução sem acção, procrastinar o gesto e a fala. Actualmente não é possível. […]”

Ainda bem que tudo fica na “net”. É isto que me dá alento para tudo suportar: saber, ter razão! Observem! TVI, “Jornal das 8”. 20h20, José Alberto Carvalho: “A TVI colocou 8 questões à Direcção Nacional da P.J., após a apresentação do relatório do IPMA: Não responderam a nada!

Ah! João de Sousa, orgulho de seus pais!!!

Bom, sejamos justos, se calhar agora, confortavelmente, tem o Dr. Almeida Rodrigues que obedecer à questão do segredo de Justiça!

Que grande cacetada na idoneidade da P.J.! Surpreendido, eu? O que venho escrevendo comprova-o: “Quem está no convento sabe o que vai lá dentro”, e eu estive lá 15 anos e muito atento!

Onomástica. Estudo dos nomes próprios. Desde sempre que é um “hobby”. Todos temos o nome que nos dão aquando do nascimento – padrinhos, pais, etc. – e aquele que os outros, consequência do nosso desempenho, nos “ofertam”. Por vezes coincidem!

Reparem! “Almeida”: é um termo náutico que designa a abertura que dá entrada ao cano do leme. Engraçado como se aplica ao Exmo. Sr. Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues: a abertura, o “buraco” está lá mas o leme encontra-se em falta, logo a P.J. navega impelida pelas vagas destruidoras da incompetência.

Utilizei termos como “borrada” e “borrão”, o que me conduz a outro exercício de onomástica. Criado em Lisboa pelos meus avós paternos, sempre os ouvi a dizer, sobre os funcionários da Câmara que realizavam a limpeza da cidade: “Respeita o trabalho do “Almeida” e não atires lixo para o chão!”

O Dr. Almeida também não dignifica estes “Almeidas”: uns limpam, prestando serviço público, ele, Director da P.J., conspurca irremediavelmente a imagem da instituição que dirige!

O que nos leva à análise da imagem que ilustra este texto!

Todos nós criticamos, furiosamente, as tolices, as baboseiras, os perigosos regulares regurgitares de Donald Trump. Todos nós manifestamos a nossa indignação perante a falta de verdade, honestidade e cientificidade das declarações do actual presidente dos E.U.A.

As “fake news”, a falta de rigor, as versões mirabolantes que só mancham a bandeira estado-unidense e o seu valoroso povo são por todos repudiadas; e por cá? E as declarações sem rigor científico, responsabilidade institucional, honestidade intelectual do Director da P.J.? Não mancham a bandeira da Instituição, a idoneidade dos profissionais que fazem parte da mesma?

Polichinelo! Conhecem? É um boneco, uma personagem cómica do teatro de marionetas. Um bobo que até poderia despertar em todos nós a gargalhada se o luto que todos experimentamos não condicionasse o nosso humor!

Polichinelo, um títere: “indivíduo que se deixa facilmente levar por outrem, que só age por inspiração ou a mando de outrem”. Eu acrescento: que se deixa levar por algo, neste caso português, manietado pela incompetência!

Como é possível medrarem líderes com estas características? A última imagem ilustra e oferece explicação: porque o português médio esquece facilmente, não se interessa! Porque, após a “borrada”, tentam reescrever a “narrativa”, porque toda a “máquina judicial” não se auto-regula e auto-critica.

Porque como é costume, a culpa morre solteira, o que facilita o medrar destes autênticos cogumelos que preferem os lugares da fria indiferença, da húmida e nefasta ignorância.

Depois de Pedrogão Grande, Tancos: o Director Almeida respira de alívio, o foco já não está sobre si!

Depois de Pedrogão Grande a guerrilha política: o Director Almeida, qual títere, servirá!

Depois de Pedrogão Grande, o esquecimento: o Director Almeida manterá o seu lugar frio e húmido até prevaricar outra vez e inevitavelmente tudo ser esquecido!

Ou talvez não! Como tudo fica na “net”, eu reitero: demita-se, Dr. Almeida Rodrigues, já toda a gente sabe (é um “segredo de Polichinelo”) que V. Exa. é o oxiúro que provoca o desagradável incómodo e que só pode ser eliminado através da administração de purgativos!

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura!”

Liberdade daqui a: 818 dias!

Não desistir, não capitular, interpelar, falar, gritar se necessário for mas nunca desistir…

Temos que revisitar o tema da passada semana … perseverar… temos que ir ao encontro das vítimas: relembrar, alertar…

No Domingo passado, 25 de Junho de 2017, a “ninhada” veio visitar o pai.

Durante a semana apenas cinco minutos para falar com a mãe da “ninhada”, cinco minutos para tudo, trezentos segundos em que tudo fica por dizer.

Reunidos no Domingo, duas horas (um luxo), complementa-se a informação que durante a semana (30 minutos acumulados, no total) foi trocada.

Soube no Domingo, 25 de Junho, que as filhas daquele atónico pai que vi na televisão a chorar a morte de ambas, assim como a morte da sua mulher, estavam em câmara ardente na escola das minhas filhas, a serem veladas. Os corpos, os cadáveres de duas meninas com a idade das minhas, estavam num féretro na escola que frequentavam com a Leonor e a Helena.

As minhas filhas não as conheciam pessoalmente, não privavam com elas diariamente, não iam a casa delas: “apenas as conheciam de vista, do recreio!”

Por acaso “apenas as conheciam de vista, do recreio”, não passavam tardes com as meninas, nunca foram com elas e os seus pais passar um fim-de-semana na sua casa, como já inúmeras vezes sucedeu com outras ou outros colegas, por acaso.

As minhas filhas podiam ter estado lá, qualquer um de nós podia ter estado lá, todos nós somos vítimas. Pior: todos nós somos responsáveis pelo sucedido! Sim! Todos nós!

Passadas duas semanas após o incêndio, verdadeiro inferno, obra do Diabo porque o Diabo está nos “pormenores” e tantos “pormenores” existiram e subsistem, observámos o “jogo-do-empurra-a-responsabilidade” do costume e a costumeira apatia, marasmo e indiferença cívica do povo português!

Um concerto solidário que de forma inédita uniu os três canais de televisão?

Recorde de contribuições voluntárias de alimentos e roupa?

Indignação generalizada?

Toda a gente que é alguém e muitos mais que nunca se ouviu falar, criticaram em revistas, jornais, televisões e na inevitável rede social o que aconteceu?

Estimados, com todo o respeito: “Bardamerda” para tudo e todos!

Na Grã-Bretanha, Londres, morreram pessoas num prédio, vítimas de um incêndio evitável, e verificou-se um “day of rage”, um dia de raiva, indignação, um protesto cívico, como nos deixou Clara Ferreira Alves na sua crónica semanal na revista “E”, do jornal “Expresso”.

E por cá? O que se fez? Falou-se dos gémeos do Cristiano Ronaldo, e se perguntarem a um português médio em que zona do país fica Pedrogão Grande, é muito provável que desconheça mas responderá correctamente se for questionado sobre o nome das crianças do nosso génio futebolístico!

Estas desgraças que nos tocam são fruto da nossa indiferença. Consequência do nosso divórcio de tudo o que é política, participação cívica, capacidade de protesto informado e esclarecido. Todos criticam o Estado (que somos todos nós) e os políticos, olvidando que aqueles a quem apontamos o dedo foram por nós eleitos quer pelo voto, quer pela abstenção.

Não existe lá nenhum em quem eu confie; oiço-vos dizer? Candidatem-se!

Ajam!

Tudo o que se passou nas semanas “pós-inferno” é um fiel retrato do que é ser português: O líder (hipérbole generosa) da oposição, utiliza a desgraça alheia como arma política e “esbardalha-se” todo com informação não confirmada sobre suicídios (26 Junho 2017)!

A Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, no dia 28 de Junho de 2017, pelas 17h30, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, emociona-se até às lágrimas, embarga-se a voz, declara que não foi o pior dia da sua carreira política mas sim o pior dia da sua vida. O português médio que viu o “Zé Maria” vencer o “Big Brother” porque era o mais “coitadinho”, fica embevecido e compreende; as respostas ficam por dar, a responsabilidade fica por apurar.

Ninguém obtém respostas do Governo, dos Ministérios responsáveis, das Instituições envolvidas ou das autoridades presentes, e o Governo solicita (ordena) a criação de um “focus group” para apurar os índices de popularidade que dispõe após a tragédia ?!?

Nada disto vos indigna? Revolta? Nada disto vos exaspera?

Se acham que eu estou “de mal com tudo e todos”, peguem no comando da “box”, recuem até 29 de Junho de 2017, quinta-feira, RTP1, programa “Grande entrevista” e atentem no que nos deixou António Barreto!!!

Diz-nos António Barreto que não acredita que se alcancem explicações válidas, causas verdadeiras, responsabilização sobre o sucedido.

Acrescentou que o contrato do SIRESP é uma vergonha, mais do mesmo de três protagonistas conhecidos e reconhecidos: José Sócrates, BES e PT!

O Sistema Integrado de redes de emergência e segurança de Portugal, no seu contrato, cláusula 17ª, consigna que serve para tudo excepto para emergências! Aquando do concurso público, outra entidade fornecia o serviço com ligação satélite, mais barato, mas não ganhou o concurso porque, palavras de António Barreto (não do Inspector João de Sousa preso preventivamente há 3 anos e 3 meses) não estava por detrás do negócio a nefanda tríade: José Sócrates, BES e PT!!!

Por favor, vejam a entrevista! Informem-se! Participem! Podiam ser vocês e os vossos filhos!

António Barreto, conhecedor, disse que a criação de uma comissão independente para apurar, com exactidão, responsabilidades/causas é uma assumpção tácita de que as entidades oficiais não são idóneas, credíveis e capazes!

Debate quinzenal, 28 de Junho de 2017. Assembleia da República. António Costa, primeiro-ministro, em resposta a Assunção Cristas, afirma que é o Primeiro-Ministro e não só o António Costa, por isso, guardava a sua opinião sobre o sucedido, opinando somente quando soubesse onde e como começou o incêndio!

António Barreto, António Costa e… Almeida Rodrigues, Director Nacional da P.J.!!!

“Água mole em pedra dura…” “Eles” podem continuar a manter-me por aqui, em “Ébola”, mas eu não me calo: podiam ser os meus filhos, a mãe da “ninhada” no meio do Inferno!

Voltando ao texto da semana passada, perseverando, voltando ao “calhau” do Exmo. Sr. Director da P.J., Dr. Almeida Rodrigues…

Horas após o início da tragédia, ainda o fogo medrava, ceifava vidas, incompreensivelmente o Director da P.J. encontrava a árvore atingida por um raio que esteve na origem do incêndio afastando “mão criminosa”! Estultícia, falta de cientificidade, ausência de bom senso e liderança, incapacidade para gerir uma instituição que seria, como o foi, chamada a dar resposta científica ao sucedido, uma instituição que o português médio (o mesmo que sabe o nome dos gémeos do nosso Ronaldo) ainda, por ignorância, considera uma das melhores polícias do Mundo!

“Daniel Saúde viu o fogo começar em Escalos Fundeiros. Ligou para o 112 às 14h38. Tirou-lhe a primeira fotografia. A P.J. nunca lhe perguntou como foi”. A frase é do Jornal “Expresso”, edição de Sábado, 24 de Junho de 2017, mas encontra-se em todos os “media”!

Mais uma vez: eu tenho razão!

O António Barreto tem razão quanto à comissão independente. O Primeiro-Ministro, o Ministério Público, a Procuradora Geral da República, Dra. Joana Marques Vidal, vão receber um relatório da P.J. que estará irremediavelmente ensombrado pela indómita inépcia do Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues!

Todos nós temos que interpelar quem lidera (lá estou eu com as hipérboles) toda esta desgraça, sim, desgraça, não investigação: que garantias temos que tudo vai ser feito para apurar as reais causas do incêndio e não para confirmar as declarações despropositadas, verdadeiro estrupício, do Director da P.J.?

Será que também neste caso vão excluir tudo aquilo que não confirma a autêntica “barbaridade” que o Director Nacional disse?

Reparem: até pode ter sido o raio da árvore, mas “raio parta” um dirigente máximo vir a público dizer isto, horas após o ocorrido, sem relatório, cientificidade, método aplicado!

Mais, agora tudo indica que não foi conforme adiantou o Dr. Almeida Rodrigues!!!

Como fica a idoneidade da P.J.?

Durante estas duas semanas a impensável actuação do Director da P.J., passou incólume, sem escrutínio, crítica ou responsabilização. Um povo sem sentido crítico, sem conhecimento, sem preocupação e consequente participação cívica, é responsável pela nefasta manutenção e medrar de dirigentes incompetentes.

Quem esteve do “outro lado das grades” e conhece os protagonistas, já expecta que declarações como aquela do Director Nacional da P.J. ocorram! Vendo nos jornais (ou em directo nas televisões) indivíduos que no passado, imprudentemente, de forma inacreditável e impunemente, ordenaram aos bombeiros a limpeza antes da devida análise, com recurso a jactos de água, de uma cena de crime de um homicídio, agora assumirem cargos de direcção de áreas científicas da Polícia Judiciária, é como reviver o erro, assistir ao triunfo da mediocridade, confirmar que a evolução não se verificou!

Quem afirmar que só agora alerto e falo disto, só agora recluído, oiçam as gravações do primeiro interrogatório a que fui sujeito aquando da minha detenção em Março de 2014 (gravações que tornarei públicas) onde se ouve o Procurador, Dr. João Davin, não a perguntar pela “minha corrupção”, não apresentando factos que conformassem acções ilícitas, mas sim a questionar se eu, Inspector João de Sousa, mantinha as opiniões que expressava nas “escutas” sobre os meus superiores hierárquicos!!! Surpresos? Acreditem!

Eu sei porque estou aqui, o Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, colocado lá, não sabe o que diz, e todos nós, governantes incluídos, permitimos que a incompetência, a iniquidade, a consequente injustiça, a ignorância, o desmérito e, pior que tudo, o desrespeito pelas vítimas e seus familiares desta horrorosa tragédia, macule qualquer concerto solidário, recolha de fundos ou discurso político!

Ninguém me ouve? Ninguém me liga? Brado aos ventos? Estou só? Não. Não acredito nisso!

Se ninguém ouvisse (ou melhor, lesse!) eu já estava em casa junto dos meus!

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura!” Eu vou continuar a “pingar”, como na “tortura chinesa”. Uma torneira que pinga, à noite, onde está instalado o silêncio da indiferença, a pingar ininterruptamente, de forma cadenciada: incómoda!

Tenho de incomodar, tenho que me sentir incomodado com tudo isto: as vítimas mortais e seus familiares exigem isto de mim e de todos nós!

Mesmo que o Director Nacional da Polícia Judiciária, Dr. Almeida Rodrigues, passe entre os pingos da chuva, mesmo que a imprensa nada diga sobre as suas declarações, mesmo que o meu contributo seja uma gota no oceano, um dia, uma simples gota, a última, fará transbordar a água do copo. Um dia, uma simples gota, de tanto bater: fura!

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”: Demita-se, Dr. Almeida Rodrigues!