A última obra de Marco Túlio Cícero, escrita em finais de 44 a.C., o mesmo ano em que foi assassinado Júlio César: De Officiis.
Passado um ano, em Dezembro de 43 a. C., Cícero morre.
Aquando da escrita de “De Officiis”, Marco Túlio Cícero manifestava-se descrente relativamente à manutenção da República romana.
Esta obra foi escrita durante um período de crise política. Júlio César tinha sido assassinado no Senado e tudo o mais que se seguiu colocou a manutenção da República em risco.
O tratado político, porque é disso mesmo que se trata, é constituído por três livros.
No seu livro primeiro, Cícero glorifica a natureza e essência da Honestidade, o pudor e decoro na vida pública, a grandeza da alma, os deveres segundo as idades e o dever do cidadão entre outros.
Existe, segundo Cícero, explanado neste primeiro livro, uma hierarquia de deveres, sendo que importa escolher um mais do que outro por forma a preservarmos a nossa Honra.
Diz o egrégio orador que o principal dever é respeitar a Honestidade alicerçada na prática diária das virtudes essenciais, a saber, a Sabedoria, a Moderação, a Justiça, a Firmeza!
O segundo livro fala-nos sobre “a função do que é útil, que nunca deve ser confundido com o honesto nem com a aparente utilidade que não passa de esperteza”. Marco Túlio Cícero demonstra-nos que as noções de Utilidade e de Honestidade são indissociáveis, i.e., se o útil se revela nefasto para alguém, logo, deixa de ser honesto!
O terceiro livro demonstra a função do que é útil atendendo que a Honestidade deve sempre, em qualquer circunstância, prevalecer.
Cícero, neste terceiro livro, alerta-nos para o facto de sabermos distinguir o “útil aparente” do “útil real”. O primeiro é semente de confusão e consequentemente de discórdia, o segundo, sempre de acordo com a Honestidade.
Nesta obra Cícero ensina-nos: “Nada em nossa vida se pode eximir aos deveres.”
Quais deveres? O dever de Amizade, Justiça, Caridade, Honestidade, Verdade e Temperança!
Cícero observa que a Injustiça pode ser praticada de duas formas: pela Violência e pela Fraude! Sendo que a Fraude é a mais execrável das duas: um homem/mulher que se faça passar por pessoa de bem com o único propósito de enganar terceiros é um ser abominável!
Marco Túlio Cícero deixou-nos muito mais, legou-nos “os princípios fundamentais do dever moral de modo a se conseguir estabelecer um conjunto de regras de conduta!”
Questiona-me o Leitor(a): qual a razão para estar a evocar Marco Túlio Cícero e a sua obra De Officiis?
Questiona-me o Leitor(a): devemos colar esta matéria a que fenómeno nacional ou internacional? A crise dos combustíveis? O Governo?
Eu respondo: estou a referir-me à Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR) da qual faço parte enquanto elemento da sua Direcção.
P.S. – Espero que todos os elementos da Direcção da APAR conheçam o De Officiis, por terem lido a obra de Cícero, ou se não conhecem, que levem o livro para as férias e tenham oportunidade de o ler antes da reunião de 1 de Setembro de 2019!
A fraude e a desonestidade não conhecem Honra nem Justiça!
Espero que todos os elementos da Direcção da APAR conheçam o De Officiis, por terem lido a obra de Cícero, ou se não conhecem, que levem o livro para as férias e tenham oportunidade de o ler antes da reunião de 1 de Setembro de 2019!
Desejo-lhe “sorte”!
Cumprimentos 😅
“Pior que a demagogia popular é a demagogia informada. A primeira tenta-se combater com paciência, nervos de aço e argumentação. Na segunda, não há pedagogia que valha”.
Sergio Figueiredo
Jornal de negócios (2006/08/23)