Inspector João De Sousa da Polícia Judiciária, também conhecido por “Grande Mestre da Ordem dos Magos e dos Feiticeiros”

Estimado(a) Leitor(a), conforme prometido, passo a apresentar-me.

O meu nome é João De Sousa, sou Inspector da Polícia Judiciária, tenho 41 anos e estou preso desde 29 de Março de 2014 no estabelecimento prisional de Évora.

Estou preso preventivamente há 10 meses e um dia. 308 Dias. São 43 semanas!

Estou casado com uma mulher maravilhosa, corajosa. Sou Pai. Um vaidoso pai de uma “ninhada”, como carinhosamente os trato: a Maria Leonor (11 anos), a Maria Helena (8 anos) e o João De Sousa, mas conhecido por Jr. (8 meses).

O único dos três ao qual não assisti ao parto foi o pequeno João. Já estava recluído em Évora – há dois meses – quando ele nasceu.

O Jr. também é conhecido pelo “boquinha linda”!

Porquê escrever um “blog”? Para quê? Porquê só agora revelar a minha identidade, assumir a autoria destes textos?

O porquê é simples: Catárse e o receio, um medo sempre presente, de não ter oportunidade de dizer/esclarecer tudo!

Por mais elevado que seja o nosso índice de resiliência, independentemente de conhecer as idiossincrasias das pessoas (meus colegas) responsáveis pela investigação, ou mesmo de conhecer e reconhecer as “ regras do jogo “, descobri, aqui, que o pior que nos podem fazer é silenciar, é não permitir a nossa defesa, negar a contradição.

O verdadeiro horror é contraditar, expor as razões deste ou daquele comportamento, explicar uma frase escutada, descontextualizada, e observar que não relevam o que se declarou porque ancorados num preconceito, num estereótipo, num estado de alma, decidem a nossa reclusão!

Permita-me o meu Leitor que partilhe o que senti aquando do meu interrogatório perante o Juiz e o Ministério Público, que ilustre o sentimento que experimentei posteriormente perante dois colegas que me investigaram, e novamente perante o Ministério Público. Sim, porque fui interrogado três vezes!

Senti-me como Sócrates (entenda-se o filósofo) respondendo a Trasímaco.

O diálogo pode ser lido na “opus magna” de Platão, “República”.

Trasímaco após questionar Sócrates, impõem regras quanto à forma da resposta, o que de facto pretende Trasímaco é condicionar o filósofo, não permitir a explanação da sua argumentação, não deseja ouvir algo diverso do que é a sua convicção, tem receio do que possa Sócrates dizer!

Impõem Trasímaco: “ […] vê lá homem, não me digas que são duas vezes seis, nem que são três vezes quatro, nem seis vezes dois, nem quatro vezes três, que eu não aceito tais banalidades […]”

Trasímaco perguntou a Sócrates quantas vezes são doze!

Sócrates demonstrou que assim não valia apena o esforço para responder. Mas eu, respondi!

Respondi a tudo e expliquei todos os factos que apresentaram como fortes indícios.

Valeu a pena? Claro que sim!

Como escreveu Baptista Bastos: “pessoalmente, quando entendo que a razão me alimenta, pego no estadulho e vou a terreiro. É só!”.

Foi exactamente isso que fiz nos interrogatórios, é precisamente isso que estou a fazer agora, encontrando no meu acto presente a resposta para a questão antes colocada: “Para quê? Qual o objectivo deste “blog”? ”

O meu advogado, que durante este percurso ofertou-me inúmeras razões para o considerar pessoal e profissionalmente, desconhecendo a existência deste “blog” quando lhe comuniquei que este espaço existia e que eu era o autor, tendo decidido identificar-me, alertou-me, e bem, para o facto de que o que escrevo poder ser utilizado contra mim.

A minha mulher está apavorada mas apoia a decisão, amigos (não os “ambíguos” que tenho), verdadeiros amigos, agora que conhecem os textos, agora que sabem que decidi identificar-me partilham o receio e a preocupação da minha esposa.

É mesmo assim, tem de ser mesmo assim, não existe outra maneira!

Um homem é livre na exacta medida em que diz ao mundo aquilo que é a tradução dos seus valores, as suas palavras. A obrigação de ser livre gera angustia, a opção de construir algo valido, de não pactuar com o que considera errado, injusto, é ao mesmo tempo o fundamento de toda a acção. Optar por uma alternativa é aniquilar todas as outras. Este “excesso” que deveria ser direito primeiro, constitucional, gera medo.

Não deveria ser, nunca, factor de alienação da liberdade!

Só agora identificar-me. Porquê?

Porque não quero que pensem que somente após a decisão do tribunal da Relação relativamente ao meu recurso para alteração da medida de coação aplicada (decisão que aguardo há cerca de 3 meses!) decisão que pode ser contrária às minhas pretensões, só nessa altura, inconformado, revoltado, zangado com o decidido, resolvo “partir a loiça toda”.

Não quero que pensem que é uma questão estratégica, que só falei/escrevi após ser conhecido o conteúdo da acusação do Ministério Público – faltam 57 dias para o final do prazo para a acusação ser apresentada.

Isso seria calculismo, não coragem de dizer o que tem de ser dito!

Desde o primeiro momento que disse à minha Família e amigos que iria penar o tempo todo de todos os prazos! Sempre afirmei e reitero agora, que a minha acusação “sairá” na vigésima quarta hora do último dia. Até apostei um almoço!

Portanto, vou falar/escrever sem ocultar-me porque considero que uma Justiça que actua em segredo, não pode ser considerada Justiça. Não se esqueçam que sei do que falo: Eu estava do lado de lá das grades há 308 dias atrás!

Mas outra razão, maior, existe para eu me identificar: Eu sou de facto o “Grande Mestre da Ordem dos Magos e dos Feiticeiros” e devo agir como tal!

Mais importante do que ter louvores na Policia Judiciária (e eu tenho)  mais do que ser Inspector há 15 anos, mais do que ser membro convidado da Academia Americana de Ciências Forenses (o único policia português) mais do que ter sido Coordenador de pós-graduações, mais do que ser Doutorando em Ciência Politica e Relações Internacionais na Universidade Católica de Lisboa, mais do que ter salvo pessoas vitimas de sinistralidade rodoviária na Avenida da Liberdade, mais do que tudo isto e tudo o mais que possa existir, o que é mesmo importante é que para a Maria Leonor e para a Maria Helena De Sousa, o pai é o “Grande Mestre da Ordem dos Magos e dos Feiticeiros”.

Porque o pai faz magias, porque o pai ganha sempre no “Trivial Pursuit”, porque o pai aparece nas revistas a falar de ciência forense, porque o pai prende os maus e sabe coisas como “Tópsias” – é a maneira que a Helena tem de dizer autópsias – porque o pai é professor e tem alunos, porque o pai é o pai delas.

Mas, há uma semana, a Maria Leonor perguntou-me (em Janeiro!) se eu ia ficar preso outra vez no Natal. Mas, há uma semana, a Maria Helena perguntou-me se eu não queria ir para casa!

Antes de responder o óbvio – sim, claro! – tive de perguntar:

– Porquê, meu amor? Porque perguntas isso ao pai?!

– Porque se és o “Grande Mestre da Ordem dos Magos e dos Feiticeiros”, se não és mau, já devias de estar em casa!

Que doloroso “mas”, que dor!

Ter a noção que a nossa imagem foi arrasada pela imprensa, pela responsável da investigação que internamente propalou que “ um terrível monstro dissimulado medrava entre nós”, reconhecer que o esforço, depois desta “travessia no deserto”, para recuperar tudo não começará no zero, mas sim, no menos um ou menos dois, o que pode de facto devastar  um homem, um pai, é o facto de a sua “ninhada” colocar em causa o mais ambicionado dos reconhecimentos: ser, para eles, o “Grande Mestre da Ordem dos Magos e dos Feiticeiros”!

Esta é a razão mais forte para abertamente escrever!

Outra razão também existe. Uma dívida que tenho, não sabendo se algum dia a conseguirei saldar. É um dever que tenho, de gratidão: Lassalete Guerreiro.

É o nome de uma mãe que perdeu um filho – o Tiago – consequência de uma agressão. O Tiago foi assassinado, eu investiguei, o autor foi preso.

A “Lassa” (como carinhosamente a trato) ao saber da minha prisão, através da “internet”, lançou uma petição para que junto das autoridades, com as assinaturas, pudesse o decisor permitir que eu aguardasse o julgamento sujeito a prisão domiciliária.

Como é característico desta “mãe coragem”, multiplicou contactos, reuniu-se com pessoas, desmultiplicou-se em acções várias, para aumentar o número de peticionários. Até hoje não falámos directamente. Pois bem: “ Obrigado, Lassa! Temos de agendar a visita que eu protelei ao máximo.”

Obrigado também aos outros familiares de vítimas, colegas, amigos, alunos e a todos os desconhecidos que vão assinando a petição. Grato ainda por todas as cartas de apoio que recebi aqui, neste lado das grades.

A revelação da minha identidade é também uma forma de retribuir com coragem a coragem demonstrada por todos aqueles que apoiaram a petição, não relevando o que noticiaram os “média”, sopesando apenas aquilo que conhecem diretamente do Inspector, do colega, do professor, do aluno, do homem João De Sousa.

No meio desta tormenta, marcado por tudo aquilo que “de muito mau” já experimentei aqui, existe força, esperança, optimismo!

Nelson Mandela disse: “ Um optimista tem sempre um rosto virado para o sol e um pé em movimento para diante.”

Agora, neste preciso momento enquanto escrevo, o sol começou a aquecer-me a face através das grades da janela da minha cela.

Apesar de terem retirado na totalidade o meu ordenado, sem ter sido condenado em processo disciplinar na P.J. ou ter sido condenado no âmbito do processo pelo qual me encontro preso preventivamente (sem ordenado desde Junho de 2014) conquanto a minha mulher não ter sido ainda colocada – ela é Educadora de Infância – encontrando-se desempregada, ainda que o camarada de reclusão, Eng. José Sócrates, apresente uma providência cautelar por causa de umas botas, e tem-nas agora calçadas porque daqui o estou a ver a passear no pátio, e eu que apresentei providência cautelar relativamente ao meu ordenado, ainda não obtive resposta (continuando sem ordenado desde Junho de 2014), apesar de me ter sido negado um Habeas Corpus muito antes de os Habeas Corpus serem notícia, apesar de ter denunciado ao Juiz e ao Procurador, com provas materiais para apresentar, o crime de violação de segredo de justiça no meu processo (isto há cerca de 7 meses) e de ambos nada terem feito até agora, apesar de todos estes pesares, sou um optimista!

Sem ordenado, mulher desempregada, três filhos, sem todo o ouro e dinheiro que diziam eu ter (quando aparecem notícias sobre o meu caso é sempre o “Ex-Inspector da P.J. do ouro”, designação errónea porque ainda sou Inspector da P.J. e o ouro nem vê-lo!), Mário Draghi decide e a taxa Euribor entra em queda, logo os juros dos meus empréstimos descem, logo o valor das prestações é menor. O barril do petróleo negoceia a menos de 50 dólares, logo o gasóleo mais barato, logo deslocações da Família a Évora menos dispendiosas!

O copo para mim está sempre meio-cheio! Engasguem-se!

Winston Churchill ensinou-nos: “Sucesso consiste em seguir de falhanço em falhanço sem perder o entusiasmo!”

Ainda que os meus colegas e a coordenação (investigação) a tudo aquilo que eu chamo causa, entre eles, designem por culpa, mesmo assim ainda aqui estou. Optimista. Pronto. Determinado.

Determinado a apresentar os meus argumentos, a revelar o que eu acho da prisão preventiva, da reclusão, da P.J., da Justiça. Pronto para responder a questões que desejem colocar neste espaço.

Optimista porque muita gente me apoia. Optimista porque só faltam 57 dias para conhecer a minha acusação.

Optimista e seguro porque sei o que fiz e o que nunca fiz ou farei!

Optimista porque independentemente de tudo isto, consegui, há uma semana atrás que antes da visita terminar as minha filhas dissessem, enquanto o Jr. sorria, “nós vamos estudar e ajudar a mãe com o mano, porque queremos ser como tu: “Grandes Mestres da Ordem dos Magos e dos Feiticeiros”!”

Até para a semana!

(30 de Janeiro de 2015)

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“Média e Justiça: Algo Está Mal!”

Uma pergunta para o meu Caro(a) Leitor(a): O que é uma notícia?

Alguma vez pensou nisso?

Recentemente uma jornalista apresentou-me uma definição: “género jornalístico constituído pelo conjunto de dados essenciais sobre qualquer acontecimento ou ideias actuais ou actualizáveis e que possuam factores de interesse informativo e projecção social. Este conceito é a base da informação jornalística e o ingrediente básico de todos os géneros jornalísticos.”

Muito bem. Acho que pacificamente se pode aceitar a definição.

Mas eu, valendo-me da boa vontade e paciência da referida jornalista, instei a mesma a demonstrar o que nos leva a dizer de algo que é notícia.

Eis o que ela expôs: o momento do acontecimento, a intensidade, a clareza, a proximidade, a consonância, a surpresa, a continuidade, a composição e os valores sócio-culturais!

Enriquecido pelo exposto, atento ao que a jovem jornalista explanou, dei por mim incomodado e surpreso com algo que se passou nos “média” nesta semana transacta.

Afonso Camões, Director do “Jornal de Notícias”, na edição de segunda-feira, 19 de Janeiro de 2015, escreveu um editorial com o título: “Estado não cumpre e assobia para o lado”. Alguns excertos da peça jornalística: “[…] Erro criminoso é ser verdade a possibilidade de a fuga de informação sobre a investigação Sócrates ter vindo do Juiz Carlos Alexandre […]”, ou ainda “[…] Narrei à Procuradora-Geral da República o gravíssimo atentado à credibilidade do JN. Aconselhou-me a consultar um advogado […]”.

O que me incomoda não é a “intentona” de um jornal a outro, o que me surpreende não é a “imobilidade judicial” da Procuradoria ao ter conhecimento de um crime – violação do segredo de justiça – aquilo que me deixa com cara de ponto de exclamação é o silêncio ensurdecedor a que se remeteram os jornais nos dias seguintes a esta verdadeira bomba, ou melhor, a seguir a este “furo jornalístico”!

Somente a SIC – com a presença do desconcertante advogado do Engenheiro Sócrates – e a TVI, deram cobertura jornalística na terça e quarta-feira!

O Correio da Manhã – a “coisa publicada” como escreveu Afonso Camões – jornal que desvenda, desmascara, jornal que contra tudo e todos lutou contra José Sócrates, jornal que nos dias seguintes à prisão do Engenheiro apresentou editoriais, primeiras páginas, fundo e verso propalando terem visto à distância a manha do agora recluso 44, o jornal que se considera também parte fundamental da recolha de informação sobre todos os actos negros do “menino de ouro” do PS, este mesmo jornal não reagiu? Não repôs a verdade?

Não esclareceu o que queria o Sr. Afonso Camões dizer com a seguinte frase: “[…] É verdade: disse-me um jornalista do grupo empresarial da coisa que a prisão de Sócrates estava iminente […] Ele deveria ter publicado a informação, que lhe veio, disse-me depois, por um seu camarada, directamente da investigação, liderada pelo Juiz Carlos Alexandre e pelo Procurador Rosário Teixeira […] Sim, eles falam com jornalistas! […]”

Perdoe-me o meu Estimado(a) Leitor(a) mas vai ter de ser: “Há moral ou mamam todos!”

E nem uma única notícia, um quadradinho, sobre o assunto? Não foi só o Correio da Manhã a remeter-se ao silêncio, foi toda a gente, todo o universo jornalístico!

Voltando à jovem jornalista.

Será que este editorial – do Director Afonso Camões – não é “um conjunto de dados essenciais sobre um acontecimento ou ideias actuais ou actualizáveis”?

Será que o “momento do acontecimento” não é o melhor? Não tem “intensidade”?

Não foi Afonso Camões “claro” no que escreveu? Não é uma “surpresa” tudo o que relatou? (Se calhar não, nós já desconfiávamos!). Consonância, composição, valores sócio-culturais? Está tudo lá! Esperem, não está não! Falta uma condição para ser notícia: continuidade! Mas não está lá porque quem tinha o dever de dar continuidade, de fazer jornalismo saudável – investigação jornalística – não o fez, transformou uma denúncia gravíssima numa “não-notícia”!

Tudo isto podem ser “intentonas”, interesses políticos, “zangam-se as comadres descobrem-se as verdades”, isso até compreendo, o que não compreendo por mais que me esforce é o “assobiar para o lado” da Procuradoria-Geral da República! Estamos perante a denúncia de um crime! Não compreendo mesmo o porquê, a razão pela qual o jornalismo português não “explorou” esta verdadeira notícia.

Serão as botas do Engenheiro José Sócrates uma notícia, serão as visitas, os lençóis, o “edredon”, o cachecol, quantas vezes este corre, bebe agua ou vai mictar, verdadeira notícia?

Será que noticiar-se quantas vezes urina José Sócrates é urgente, é intenso?

O que posso extrair? Que  a uretra do mesmo e a dimensão da próstata estão excelentes?

Quantas pessoas relevam mais o facto de alguém denunciar um crime do que “info” sobre o aparelho urinário do Ex-Primeiro Ministro?

Algo está mal.

Poderá ser, afinal, uma notícia aquilo que os “poderes instituídos” desejam? Aquilo que alguém sussurra ao ouvido do jornalista?

Ou será a notícia aquilo que o público deseja ouvir/ler?

É possível que o público não se indigne?

Não defendo, nem acuso José Sócrates, considero que a hagiografia jornalística é tão condenável quanto a omissão pura e simples, muito mais grave que a maledicência ou a campanha difamatória, mas tenho que reconhecer que algo está mal.

Quanto a nós, Caro(a) Leitor(a), antecipo já a notícia: para a semana, porque isto de falar por trás da cortina não é sinal de grande coragem e credibilidade, apresentar-me-ei!

Até lá!

(24 de Janeiro de 2015)

Prisão preventiva em Portugal: o paradigma da pseudo-ciência!

“Pode haver contributos teóricos muito interessantes, mas, para que sejam considerados realmente valiosos, têm de cumprir um requisito fundamental: que possam ser criticados. Essa é a ideia de fundo do seu racionalismo critico.”

Karl Popper

“[…] Assim sendo e tendo em atenção este quadro de fundo e o facto, não despiciendo, de ainda decorrerem averiguações e diligências de grande relevo e impacto para a prova e para a descoberta da verdade, deve o arguido(a) aguardar os ulteriores termos do processo sujeito(a) à medida de coacção: prisão preventiva[…]”

Este é um “despacho-padrão” de um Juiz de Instrução, após promoção do Ministério Público, lido e ouvido vezes sem conta nos tribunais lusos.

Qual é o problema, pergunta o meu Leitor(a)?

O problema reside no facto de o  “quadro de fundo” não ser apresentado na sua totalidade por forma a ser contraditado, criticado.
O problema encontra-se quando observamos que uma investigação que dura há 1, 2, 3, 4, 6 anos, não vê o seu culminar na detenção e sequente prisão do suspeito porque se reuniram as provas, sustentáculo de uma decisão racional, o mais objectiva possível, sendo a detenção e sequente prisão decretadas porque ainda “decorrem averiguações” e diligências de grande relevo e impacto para a prova e para a descoberta da verdade”!

Um momento! Prende-se em Portugal para investigar? Prende-se em Portugal para que a Investigação, lenta e incapaz possa reunir provas?
Retira-se o indivíduo da sociedade, coloca-se o mesmo em reclusão, coloca-se o sujeito no purgatório, num limbo, em “banho-maria”, porque ainda falta apurar mais e melhor.

Foi isso que fizeram ao Armindo Castro, quando o acusaram e este teve de cumprir vários anos; foi isso que aconteceu ao pai que esteve 8 meses preso por ser falsamente acusado de abuso sexual (casos anteriormente comentados neste espaço)?

Meu Caro(a) Leitor(a), na dúvida o arguido tem de ficar em liberdade: in dubio pro reo.
Não se pode prender alguém baseada em conjecturas a decisão.

Não há um saber definitivo, só conjecturas provisórias“. Karl Popper de novo.
O direito e mais concretamente a prisão preventiva em Portugal tem de obedecer a critérios objectivos, tem de ser decretada não porque “existem fortes indícios”, mas sim porque existem provas concretas. Provas que são apresentadas ao arguido e à sua defesa por forma a que a defesa/arguido possam explicar, contraditar, refutar.

O que é uma hipótese? Hipótese é a antecipação de uma relação entre um fenómeno e um conceito capaz de o explicar.
O que a Investigação/Ministério Público elaboram é essa relação e esse conceito.
Ora isso é o raciocínio da acusação. Como rebater ou explicar? Somente se o raciocínio/provas/factos forem na sua totalidade apresentados ao arguido(a)!

Não pode – como diz o Juiz de Instrução – porque colocava em perigo a investigação e a aquisição da prova. Então, dizemos nós, reunam as provas e quando munidos das mesmas prendam! Excepcionando-se o flagrante delito, ninguém devia ser preso porque existem fortes indícios. O passar horas, dias, meses, anos recluído, privado da liberdade é horrível. Ninguém pode levianamente decidir a sujeição de outro a essa provação.

O juízo humano é falível. “A ilusão mais perigosa de todas é a de que existe apenas uma realidade.” Watzlawick, in “A realidade é real?”

David Marçal, autor do “Inimigo Público”, escreveu um pequeno livro (ensaio) publicado pela fundação Francisco Manuel dos Santos, cujo título é “Pseudociência”, na obra podemos ler o seguinte:

“Pseudo-ciência é qualquer tipo de informação ou actividade que se diz baseada em factos científicos, mas que não resulta da aplicação válida de métodos científicos […] o desconhecimento das características da ciência resulta por vezes numa visão mitificada. Nessa visão, a ciência é erradamente vista como sendo capaz de fornecer solução para todos os problemas, infalível e imprescrutável.  De algum modo é a ciência como uma espécie de religião, em que o conhecimento científico é apresentado como uma crença, validada por figuras de autoridade. Essa visão da ciência é o terreno fértil para semear ideias falsamente científicas […]”

Consegue o meu Leitor(a) fazer o paralelismo com a Prisão Preventiva em Portugal?
Acompanhe-me.
“Baseada a indiciação dos factos em dados/factos científicos”. Somente encerram cientificidade os dados que são publicados e alvo de refutação. Prende-se em Portugal sem apresentar a totalidade do “quadro de fundo”.

Partindo do pressuposto que o arguido já é culpado, é apresentada uma visão parcelar e mitificada da factualidade em apreço.
O Juiz é infalivel porque não é contraditado, somente existe refutação do que este decide apresentar ao arguido, e pode o Juiz decretar a prisão preventiva porque considerou insuficiente a explicação à luz dos factos que conhece e não pode apresentar ao arguido porque iria colocar em perigo a investigação!

Deuses! Esta última é incrível, não?
Tudo isto é validado por figuras de autoridade: o Juiz, a investigação, o Ministério Público e os “média” que propalam o que saiu das feridas infligidas ao segredo de justiça!

O Juízo humano é falível. Não há um saber definitivo, só conjecturas provisórias!
Façam este exercício e comprovem como até uma escuta telefónica pode induzir em erro:

Um carpinteiro escutado a falar com outro sujeito.
– Então Carlos, como estás? (carpinteiro)
– Olá José, tudo bem? (interlocutor)
– Que dizes? (carpinteiro)
– Quero saber como estão as coisas (interlocutor)
– Já acabei a cadeira! (carpinteiro)
– O.K. Depois passo por aí. Abraço. (interlocutor)

Estimado(a) Leitor(a), interprete esta conversa e depois leia o resto do texto, por favor!
É muito provável que tenha inferido que o carpinteiro tinha acabado um trabalho – uma cadeira – e que fala com o cliente que depois irá buscar o artefacto.
Não! O carpinteiro tinha acabado a cadeira de “História de Arte Antiga”, no curso superior de História de Arte.

“O quê? Um carpinteiro em História de arte?”: Preconceito é “estereotipagem”!
“Como poderia adivinhar?”: Logo não deveria tentar ou sustentar a sua inferência em conjecturas, em dados que não pudesse refutar!

O meu Leitor(a) é humano, erra? Também os Juízes e os investigadores.
E por assim ser a prisão preventiva é a mais grave das medidas de coacção.
Em Portugal prende-se preventivamente e a taxa de condenações efectivas é muito inferior. Algo vai mal na nossa República.

Atentos ao exemplo do carpinteiro temos de alertar os decisores da Justiça que a certeza está em nós, mas a verdade reside nos factos!

(17 de Janeiro de 2015)

Prisão ou apneia do “eu”

“As emoções que falham nestas descrições são as da raiva, medo, rivalidade, ambição e desejo. Todas estas emoções têm um enorme valor de sobrevivência. O não se permitir a si próprio e aos outros que sintam e exprimam estas emoções é manietar a pessoa num colete de forças. Quando se permite que estas emoções sejam parte legitima e valorizada da interacção, as dificuldades podem ser resolvidas com maior flexibilidade e mais humanamente do que quando são suprimidas.”

Carl Rogers

Estamos em apneia! Não respiramos. Tudo é contagem decrescente: o prazo para a resposta ao último recurso para a relação, o tempo que falta para a porta da cela se abrir e podermos caminhar cá dentro, quanto tempo tenho ainda de pátio para conseguir treinar, quanto tempo falta para a visita do meu amor e dos nossos filhos. Já acabou o tempo da visita!? O único tempo que corre célere!

A vida não parou, o mundo gira e avança, só que para mim nas mãos da Justiça e não na mão da minha criança, aquela que de semana a semana me visita e ainda não se habituou ao pai, quando falo o “boquinha linda” olha para a mãe!

Tudo isto se passa no tempo, na espera, tudo isto se respira mas para mim não, para mim o tempo é diferente, eu estou em apneia.

Apneia moral porque aqui o regime politico é consequencialista, utilitário. O que me podes dar? O pequeno tráfico: troco um pacote de bolachas de aveia por dois pacotes de leite. Passo-te à frente na fila do refeitório porque assim como mais do menos que aqui servem!

Apneia de sentimentos. Nunca dou um abraço prolongado à minha mulher porque receio não a largar mais. Não ligo aos filhos encostados à parede, junto à porta da saída, como o pai à espera que o guarda abra, a chorarem! Coragem! Um dia, um dia o pai vai para casa. Coragem! Costas direitas! Nariz empinado, meninas!

Quando pai, quando voltas? Coragem meninas porque eu preciso ver coragem em vocês para eu aproveitar o reflexo e vos parecer corajoso!

Apneia da vaidade. Desfazer a barba somente em dias de visita porque o director não permite a entrada das Mach 3 ou 4, temos de comprar as do estabelecimento prisional. Cabeça rapada. Não posso ter o champô que quero, não é permitido. Rapada a cabeça porque nunca tive tantos cabelos brancos, envelheci!

Apneia de emoções. Chorar somente depois das 19h00 até às 08h00, nesta altura estamos sozinhos e fechados. Convém referir que somente os sortudos, aqueles que estão sozinhos, porque nas exíguas celas com beliches não podemos, está lá outro com tanta vontade de chorar, como nós, mas ele é duro, não chora. Chorar é fraqueza, coisa de violador, coisa de pedófilo.

Apneia de emoções ou só respirar as emoções adequadas: raiva, indignação, violência.
Representar durante o dia para à noite retirar a máscara e ceder ao pranto, chorar a impotência.

Apneia de “ser-eu-próprio”, de sonhar e ambicionar.

“Uma vez que seja dada oportunidade, um organismo vivo tende a realizar as suas potencialidades mais complexas, em vez de estagnar em satisfações mais simples.”

Mais uma vez sábias palavras de Carl Rogers. Acertadas, ou talvez não, tivesse Rogers de as escrever com as mãos geladas, agarrado a uma garrafa velha de plástico com água quente, água quente da dose diária que o recluso coloca no seu “termos”. Uma fonte de calor fruto da criatividade e da necessidade pois o director não permite radiadores nas celas, local onde a temperatura marca -1º (e não são permitidos “edredons” também!).

Tenho frio, passo fome, literalmente. Se me ofertassem agora um Caravaggio queimava-o para me aquecer. Nada em mim é complexo neste momento, nada em mim é potencialidade, somente sinto necessidade!

Não penso em mistérios maiores que tudo, não estou a assimilar nada, não estou a retirar algo do que agora experimento, não tenho epifanias. É tudo muito simples. É como a metafísica que existia nos chocolates da pequena da “Tabacaria” do Pessoa… chocolates… um luxo aqui!

Mas que presunção, que descaramento! Estás preso é porque fizeste alguma coisa, mereces!
Quantos anos está a cumprir? Qual é o crime que cometeu?
Desconheço, não me deixaram consultar o processo, sei que existem fortes indícios.
Estou preso preventivamente!

De forma deturpada os jornais contaram tudo. Eu sei, eu sei: estou preso e agora é conveniente dizê-lo. Violação do segredo de justiça, agora é moda!

Não, meu caro Leitor. Foi mesmo assim. Facultaram informações aos média e estes deturparam.
O José Sócrates diz o mesmo? Esperem! Eu tenho provas físicas, concretas, e denunciei. Estou a aguardar resposta há 5 meses!

Não leram os jornais? Pois é, infelizmente não é notícia. Somente a minha mulher e a “ninhada” sabem. Não consigo encaixar isto na agenda mediática.

É mesmo assim, eu melhor que ninguém sei como se joga o jogo. Deixei de existir. Só existo aqui, fechado. Sou um pária, um preso. Sou Coriolano.
Estou na prisão, neste lado das grades, em apneia de mim.
A onda já passou? É agora! Vou colocar a cabeça de fora e respirar. É a minha vez. Vai começar!

(10 de Janeiro de 2015)

O cálice amargo do Eng. José Sócrates

“Será que é mais nobre para a Alma sofrer os golpes e as flechas da Fortuna adversa ou pegar em armas contra um oceano de desgraças e, fazendo-lhes frente, destruí-las?”

(“Hamlet”, III, 1)

Eis a questão para o preso preventivo mais ilustre do nosso país.
O que deve José Sócrates fazer? Soltar o verbo, falar, explicar?

Fazê-lo através de quem? Com a ajuda de Mário Soares, através da publicação da troca epistolar? Através do boçal advogado que o defende? (será que o defende realmente?)

Contratar um assessor de imprensa?

A Lei, a dura lex, sed lex, proibiu José Sócrates de falar!
Na página 25 do seu livro, “A confiança no mundo”, lê-se:

“[…] para qualquer democrata, todo o silêncio é uma cobardia […]”

Corajoso ainda não sei se é, temerário e colérico tenho a certeza.
Possivelmente Sócrates pretende emular os grandes homens que cita abundantemente no seu livro, os colossos da humanidade que sentiram na pele e no espírito, qual ferro em brasa, o jugo opressor, a injustiça, o mais absoluto golpe nas suas personalidades: o esquecimento, a tentativa de anulação das suas idiossincrasias por forma a serem esquecidos e a esquecerem-se de si próprios.

Esquecimento e falta de atenção, ausência de empatia, ausência de mediatismo das dores e  provações, o aniquilamento do “eu”, mais do que derrubar a perspectiva de uma candidatura a Belém, muito mais grave do que o atentado à democracia que é, sem dúvida, não autorizar a entrada de um livro, pior que tudo isto e muito mais é não permitir a simples hipótese de defesa: bem-vindo José Sócrates Pinto de Sousa ao instituto da prisão preventiva, para o qual contribuiu decisivamente!

Estão presos no estabelecimento prisional de Évora, presentemente, 46 indivíduos, dos quais 11 estão presos preventivamente (entre eles José Sócrates).
Nunca a voz destes recluídos foi ouvida.
Minto. Muito recentemente alguns foram notícia. Foram notícia aparecendo sempre como o preso que fez isto ou aquilo e que está na prisão do José Sócrates.

“Sócrates corre diariamente e tem seguidores”. “Sócrates não jantou devido às más condições do estabelecimento prisional e os restantes reclusos seguiram o seu exemplo.”

Antes de José Sócrates “residir” em Évora a comida já era péssima, não havia água quente, já nessa altura os reclusos não podiam comprar comida porque não existem funcionários em número suficiente para comprar os produtos no “Continente”, já nessa altura os reclusos se agrediam consequência da tensão a que estão sujeitos, enfim, antes de Sócrates já existia gente presa em Portugal nas piores condições.

Mas sabe o meu Leitor(a) o que é mais irónico?
Ironia das ironias é o facto de José Sócrates ser agora vitima do normativo que aprovou e ratificou, irónico é ser agora director-geral dos serviços prisionais um “boy” dos seus (ex-secretário de estado, por sinal pouco respeitado pelo José!)

Irónica é a invocação de Jean-Marie Donegani e Marc Sadoun, as folhas 146 do seu livro:

“[…] verdadeiramente é nas situações criticas que ela se revela: ‹‹a verdade diz-se no lapso, no sonho, na loucura››[…]”.

“Ela” aqui não é nada mais nada menos que a democracia!
José Sócrates encontra-se numa situação crítica, vítima. O que legislou para o seu concidadão quando este se encontra exactamente onde ele está agora, foi, como sempre, sem conhecimento directo da realidade, logo um lapso. A ambição de ser presidente da nossa república, racionalmente avaliando, desapareceu, mas na sua mitologia pessoal (quiçá loucura) ainda é “presidenciável”: os grandes homens também passam pela prisão, é algo que os torna maiores, mais sensatos, sapientes. Sócrates vê-se no mesmo patamar olímpico que Mário Soares, Martin Luther King Jr. ou mesmo Nelson Mandela.

Ser ou não ser, eis a questão! Começámos por aí. Uma outra passagem de Hamlet surge-nos, uma passagem que deveria ser uma séria advertência para o legislador, para os políticos, para os “José Sócrates” deste mundo. Uma advertência muito mais acutilante, precisa e sábia do que qualquer sondagem à boca das urnas:

[…] O verme que vos há-de devorar é o único imperador da dieta. Engordamos todas as criaturas para que nos engordem, e alimentamos os vermes. Um rei gordo e um mendigo magro são apenas comidas variadas: dois pratos mas a mesma mesa. É como tudo acaba! Um homem pode pescar com o verme que comeu um rei e comer o peixe que comeu esse verme. Que queres dizer? Nada, a não ser mostrar-vos que um rei pode acabar nas tripas de um mendigo […]”

Shakespeare fala-nos da precariedade da fama e da fortuna, do estatuto e da real importância que temos na sociedade. Fala-nos na roda da Fortuna sempre a girar, hoje em cima amanhã em baixo.

Shakespeare alerta-nos para o pragmatismo da Morte que a todos iguala: “Io soy la muerte que a todas las criaturas que hay en el mundo destrona y arrasa” (“Danza de la muerte”, manuscrito existente na biblioteca do Escorial, Espanha).
José Sócrates está morto em vida. Dorme numa fria e suja cela que mais parece um jazigo, votado ao esquecimento porque esqueceu que podia acabar nas tripas de um mendigo, não se importou com os outros, com as suas leis para os outros e agora está entre esses mesmos “outros”!

Será estultícia ou desonestidade intelectual, citar Sócrates no seu livro John Rawls?
Na bibliografia lá está: “A theorie of Justice – revised edition”, Oxford, Oxford University Press, 1999. Será que ele leu a obra? Terá lido no tempo em que legislava ou ouviu numa qualquer “workshop” para o mestrado?

Página 170: “Em Rawls, como já notei, encontramos a defesa de uma democracia substantiva, através da formulação de uma teoria de justiça assente em dois princípios fundamentais, o princípio da igualdade de oportunidades e da diferença […]”. Na mesma página, como nota de rodapé: “As desigualdades sociais e económicas devem ser estruturadas de modo a que sejam ambas a) para maior benefício dos mais desfavorecidos, de acordo com o princípio da poupança justa, e b) associadas aos orgãos e cargos abertos a todos de acordo com uma justa igualdade de oportunidades (cfr. John Rawls, op. cit., P.266)

No topo da montanha lembrou-se Sócrates destas palavras ou só agora, no deserto, na provação, agora que sabe o que é desigualdade as recorda atribuindo-lhe o valor enquanto suspira pensando: “se eu soubesse na altura onde estaria agora governaria a Justiça de forma mais capaz, com equidade!”

Qual igualdade de oportunidades? Qual igualdade de armas no código de processo penal? Qual inserção na reclusão? Onde está a igualdade de tratamento?

Sócrates, agora que está a viver a Justiça em Portugal está lúcido como se estivesse para morrer, como o Álvaro de Campos do Pessoa!

No primeiro dia em que José, o recluso 44, contactou com a restante população recluída no estabelecimento prisional de Évora, num pequeno bloco de apontamentos, apontou uma frase que outro recluso proferiu:

– Diga lá outra vez, por favor! O conceito interessa-me – solicitou Sócrates.
Sapere Sapore
Com “S”? – questionou o José
– Sim. É uma locução latina que nos adverte para o facto de somente após termos saboreado, experimentado, após colocar as “mãos na massa”, podemos verdadeiramente conhecer algo, decidir sobre ou falar sobre algo com propriedade, no fundo ser sapiente!

Imagine o meu Leitor(a) que formidável legislador, primeiro-ministro, presidente, que líder seria o Eng. José Sócrates após esta experiência que agora vive. Que líder teria sido se antes, como agora, tivesse saboreado o cálice de vinho amargo que obteve da vindima das uvas que plantou! Irónico, não é?

(3 de Janeiro de 2015)