“APARtar da APAR!”

Sim, é mesmo isso: apartar! Separar, desviar, afastar. Do quê? Da APAR! Da Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso que de apoio ao recluso não tem nada. Pode-se afirmar que de facto é uma associação e com o pior que o português (quando medíocre) pode ofertar!

Surpreendidos? Só quem não acompanha este blogue semanalmente, ora vejam (revisitem aqui no blogue):

12 de Agosto de 2019, texto “Dos Deveres” (De Officis), publicado neste espaço;

15 de Julho de 2019, texto “O Homem é a medida de todas as coisas”, publicado neste espaço;

17 de Junho de 2019, texto “APAR: utilidade pública”, publicado neste espaço;

20 de Maio de 2019, texto “Justifica-se a existência da APAR?”, publicado neste espaço;

15 de Abril de 2019, texto “Um longo caminho para a Cidadania”, publicado neste espaço. 

Posso agora “APARtar-me” da APAR de consciência tranquila porque alertei, publica e notoriamente, para o facto de a Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso ser incapaz de alcançar os seus objectivos, i.e., “(…) apoiar directa e efectivamente, a nível nacional e internacional, as acções e projectos de ajuda aos reclusos no sentido das suas penas serem cumpridas de acordo com as leis em vigor (…)”.

Ainda recluído no E.P. de Évora, em prisão preventiva, aceitei o convite da APAR para ser Delegado da associação, na altura escrevia semanalmente para o “Correio da Manhã”.

Confirmo agora o que suspeitei aquando do convite: o convite surge porque a pequena exposição mediática que tinha ajudava a APAR “a aparecer”! Tudo bem, gestão de imagem da associação, necessidade de estar na “agenda do dia”, uma forma de conseguir o tempo de antena que eu também considerava importante e que ajudaria a APAR a alcançar os seus nobres objectivos.

Necessitei da ajuda da APAR durante este período, ajuda que se traduzia na presença de quem me convidou para ser delegado – o Secretário-geral – no E.P. de Évora, para me explicar o que poderia ou não poderia fazer enquanto delegado da associação: durante os 4 anos e oito meses que estive em “Ébola”, nunca o Secretário-geral visitou-me ou facultou qualquer tipo de informação, somente enviou-me dois livros de sua autoria!

Não relevei o que antes narrei e, quando saí em liberdade condicional, aceitei o convite do mesmo Secretário-geral para ser membro de uma nova direcção da APAR porque considerei que poderia contribuir para a dignificação do ser humano recluído através do associativismo, auxiliando a manutenção de uma verdadeira Democracia, pugnando pelos direitos constitucionalmente garantidos, obedecendo aos deveres legalmente previstos e observando o cumprimento das obrigações ética e moralmente exigíveis.

Durante oito meses conheci, por dentro, o que a APAR fazia: reuniões com o novo Director Geral da Direcção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (contactando antes os meios de comunicação para que se pudesse saber que a APAR era recebida pela DGRSP, uma acção de sabotagem, deliberada, extremamente deselegante e prejudicial quando se parte para uma reunião com uma entidade com a qual se pretende chegar a um entendimento profícuo!). Reuniões com a Procuradora-Geral da República (preparadas 20 minutos antes numa pastelaria, revelando um amadorismo e displicência aviltantes que atentam seriamente contra a imagem e idoneidade da APAR) e reuniões com outras entidades nas quais assisti a tudo e mais alguma coisa menos à procura de alcançar os nobres propósitos presentes nos estatutos da APAR. Pelo contrário, assisti a reuniões cujo objectivo primeiro (e último) era a satisfação de uma agenda pessoal, a concretização de interesses particulares.

Enquanto membro da direcção da APAR alertei para esta triste realidade, para o que era de facto a associação. 

Nunca o fiz à totalidade da direcção porque nem sequer quórum existia para reuniões de direcção.

Alguns dos elementos da direcção ainda hoje não tive o prazer de conhecer (somos somente nove indivíduos).

As decisões sobre acções a realizar, e estou a exagerar porque nada foi realizado até à presente data, foram sempre tomadas por um, dois ou três elementos da direcção, sendo que jamais em sintonia de propósitos ou objectivos.

Na sexta-feira, 23 de Agosto de 2019, após considerar muito mais do que aqui Vos deixo, nomeadamente o lamentável facto de ter sido apresentada pela Presidente da APAR uma queixa-crime no Ministério Público, consequência da existência de factos bastantes graves, presumivelmente praticados pelo Secretário-geral da APAR, apresentei a minha demissão ao Presidente da Assembleia Geral, manifestando o meu total e incondicional apoio à Exma. Sra. Dra. Maria do Céu Cotrim que na mesma data demitiu-se do cargo de Presidente da Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso.

Várias vezes disse aos elementos da direcção que estavam presentes aquando das poucas reuniões realizadas, assim como o afirmei a terceiros: “ainda bem que os indivíduos recluidos nas prisões portuguesas e que confiam na APAR, não conhecem os lamentáveis desempenhos de elementos da associação, porque naquele lugar de desespero e dor só veriam aumentar o terrível sentimento de abandono!”  

As atitudes e acções a que me refiro revelam a mais profunda mediocridade, o mais execrável dos comportamentos, pois indivíduos boçais, escudados por uma associação cujos objectivos “escritos no papel” são do que de mais nobre um ser humano pode fazer por outro, usam e abusam da “fachada” da APAR para alcançar os seus venais desígnios.

Uma palavra final aos “reclusos que ficaram” em Évora: apesar de “APARtar-me” da APAR, continuarei a dar o meu humilde contributo para o melhoramento das condições de reclusão e posterior reinserção social daqueles que prevaricaram, foram condenados e cumpriram pena de prisão.

O meu doutoramento está em curso.

Os projectos que apresentei a diversas entidades, conjuntamente com outros que também honestamente pelejam pela dignidade dos seres humanos recluídos, lutarei para os concretizar. Serão concretizados!

Continuarei a auxiliar no melhoramento do Sistema Prisional português.

A fim de cumprir com a palavra dada, deixo-Vos o  meu próximo contributo (será corrigido o panfleto de divulgação, aparecerá: “Ex-Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso”) compareçam:

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4 thoughts on ““APARtar da APAR!”

  1. É de lamentar que também nessa associaçâo os interesses pessoais sejam colocados à frente dos interesses institucionais.
    Contava ver mais dinamismo e solidariedade para um fim comum que seria o de colocar os Serviços de Reintegraçâo e de Execuçâo de Penas a funcionarem como manda a Lei!

  2. “Enquanto membro da direcção da APAR alertei para esta triste realidade, para o que era de facto a associação.”, diz Eu acrescentaria – mais do que alertamos, desdobramo-nos em reuniões e iniciativas para inverter a triste sina de uma Associação minada por um ser magalómano, acéfalo e manipulador, que vive de fachadas e agrados aos amigos que lhe alimentam o “ego” (….)…
    Quisemos pôr a APAR ao serviço dos reclusos e da sua reinserção. Minaram a nossa função. Continuaremos, sim, com quem saiba o que é serviço público.
    Obrigada, Dr João De Sousa


    • Creio que a verdade é perfeita para a matemática, a química, a filosofia, mas não para a vida. Na vida contam mais a ilusão, a imaginação, o desejo, a esperança.

      Ernesto Sábato

  3. Só alguém que vivenciou o que é ser e estar “dos dois lados das grades” pode efetivamente vestir a camisola… A sua camisola pelos vistos já estava transpirada demais e sem obter os resultados desejados… Resolveu abandonar o “ginásio” está nas suas mãos e com a sua persistência e orgulho certamente vai erguer uma verdadeira associação de apoio recluso!
    Força…nada acontece por acaso!

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