“João de Sousa, o Orago!”

Liberdade daqui a: 881 dias!

Questão prévia, com sentido pedido de desculpas: na passada semana todos Vós celebraram o “25 de Abril de 74”; celebrou-se a Democracia e o Estado de Direito. Festejou-se a igualdade de oportunidades e de tratamento. Reiteraram-se os nobres princípios e valores constitucionais conquistados em Abril de 74: Princípio de Igualdade, o Direito à Vida, o Direito à Integridade pessoal e, Artigo 64º da Constituição da República Portuguesa (Saúde), o “direito à Protecção da saúde e o dever de a defender e promover”, direito esse realizado “através de um serviço nacional de saúde universal e geral […] tendencialmente gratuito”.

A minha mãe foi internada no dia 24 de Abril de 2017, com o objectivo de, nesse mesmo dia, realizar combate com o “bicho mau”.

A intervenção cirúrgica extractora não se realizou nesse dia. Não se realizou no dia seguinte! Não se realizou dois dias depois! Somente três dias após o internamento, foi intervencionado o “bicho mau”!

Queixo-me eu dos atrasos da Justiça e da minha interminável medida de coacção, quando a minha mãe tem de gerir a sua ansiedade e gerir a sua frustração com o “bicho mau” a medrar!

Razão para os adiamentos: devido ao cansaço das equipas de cirurgiões que no hospital estatal são obrigadas a operar várias horas seguidas, sem interrupção!

Agora o pedido de desculpas à minha mãe. Minha querida, lamento que o teu filho seja um triste inepto criminoso, um inenarrável inábil corrupto, que se deixa corromper por uma promessa, não tendo a sua futura locupletação permitido o reunir de fundos públicos de um qualquer banco ou outra entidade, lamentando igualmente não ter reunido amigos pródigos que permitissem neste momento difícil “comprar” a tua saúde num hospital privado! Lamento, mea culpa!

O tema desta semana.

“Palavra cuja forma se parece à de outra”. Gramaticalmente designa-se por Parônimo.

Por forma a evitar que os meus detractores possam jogar com as palavras, é “Orago” e não “Onagro”!

Possivelmente estou a sobrepujar o real intelecto dos “detractores”: saberão “eles” o que é um parônimo ou um onagro? Continuando…

Orago, no seu sentido figurado, significa “aquele que profetiza a respeito da marcha dos acontecimentos futuros, um oráculo.”

O que é isto agora? Julga-se este um oráculo?

Sim! “Falar como um oráculo”, isto é, “dizer coisas verdadeiras”.

Prova-o este blogue. Eu tenho razão!

“Inspector-chefe da P.J. denuncia Director Nacional” (in Jornal “Sol”, 22 de Abril de 2017)

Excerto de texto deste blogue, datado de 10 de Abril de 2016, “Uma questão de Postura”:

“[…] P.S. – Sei que muitas pessoas expectam a minha reacção, aqui vai: conheço os dois colegas da P.J. detidos […] eramos agentes, ele mais antigo e reconhecidamente um profissional de excepção na investigação do crime de tráfico de estupefacientes, tendo ofertado muito à Justiça, à instituição P.J. e aos superiores hierárquicos que muito “lucraram” em prestígio e promoção das suas próprias carreiras. […] Espero, sinceramente, que ambos não penem o que tenho penado e faço votos (para a “saúde da Justiça”) que não sejam condenados por práticas de investigação superiormente conhecidas e reconhecidas e que agora “puritanamente” se repudiam. […]”

O Orago João de Sousa… inepto corrupto… escrito um ano antes, ainda nem tinham sido presentes a Juiz, ao Juiz (o tal!), escrito no momento da detenção!

É tão bom ter razão, ainda que apodrecendo aqui em “Ébola” quando todos em casa estão, ainda que apodrecendo precisamente porque se tem razão!

“Director da P.J. vai fazer queixa do Juiz Carlos Alexandre à magistratura. […] O Director da Polícia Judiciária, que acusa Carlos Alexandre de ignorância em matéria das leis […]”. “O Juiz não sabe o que está a dizer. Desconhece a lei e faz comentários completamente desajustados”, reage Almeida Rodrigues […]” ( in Jornal “Público”, 24 de Abril de 2017)

Excerto de texto deste blogue, datado de 9 de Outubro de 2016, “Discrepância: Teorético Vs Práxis”: “[…] Autêntico círio para quem desconhece, para aqueles que conhecem a prática, o discurso teorético do Dr. Carlos Alexandre pode ser qualificado, no mínimo, como um exercício de “auto-promoção lusco-fusco”, no outro extremo, como alguém a quem não importa a proficuidade da aplicação da lei, alguém que não olha a meios para atingir o fim: a “notícia Justicialista” que o deifica! […]”

Será possível? Este tipo, o inepto João de Sousa, é um autêntico oráculo!

A pergunta do(a) Leitor(a) é pertinente: “O que é que se está a passar com esta gente?”

Zangam-se as comadres, sabem-se as verdades? Ou mais tecnicamente: quem observa atribui estes comportamentos a um estado interno, ou seja, perante o Juiz, o colega detido resolveu falar porque se trata de um imperativo moral conquanto a prática de anos dessa forma de investigar – aquilo a que os psicólogos sociais designam por atribuição disposicional.

Ou, por estar detido, antevendo a prisão preventiva, numa estratégia de “terra queimada”, “depois de mim o dilúvio”, resolveu denunciar as nefastas práticas, condicionado pelas circunstâncias – aquilo a que os psicólogos sociais designam por atribuição situacional.

Trata-se da “Teoria da Atribuição”, das “atribuições disposicionais” versus “atribuições situacionais”.

Todos nós inferimos através dos actos dos outros, interpretamos atendendo ao que o outro faz.

Na maior parte das vezes, quase na totalidade, como a informação é escassa, verifica-se o chamado “viés e o erro na atribuição”, um “erro de atribuição fundamental” por falta de informação.

Que peça do puzzle está em falta neste caso? Porque estão zangados o Director da P.J. e o “Super-Juiz” Alexandre? Que razões alimentam as críticas do Dr. Carlos Alexandre que em todos os interrogatórios – no meu também, está gravado – “descasca” violentamente os responsáveis máximos da P.J.?

Antes de facultar informações só mais um reparo, porque a palavra-chave desta semana, já devem ter reparado, é “intrujar” (verbo transitivo: Intrometer-se com outras pessoas para as desfrutar ou explorar em proveito próprio; enganar, explorar, intrujir. Como verbo intransitivo: Contar patranhas)

“[…] “O Dr. Almeida Rodrigues a assinar um pedido para que uma brasileira ficasse como cidadã nacional por compensação de ter sido prestado um bom serviço à polícia? Não me revejo em nada disso e vou reponderar essa parte gaga”, observou […] (in Jornal “Público”, de 24 de Abril de 2017)

Como é que é, Sr. Dr. Juiz? Não se revê?

O “Super-Juiz”, celebrado e aclamado pela Polícia Judiciária como um capaz “ponta-de-lança”, infalível finalizador das diligências da fase de inquérito – “apresenta-se os “tipos” ao Alexandre que ficam de certeza presos!” – não se revê nas práticas da P.J.?

Será que se revê no facto de ter dito – está gravado – a um arguido, que também o Sr. Paulo Pereira Cristóvão ficou preso tanto tempo porque não disse o que ele queria?

Palavras que ilustram o sentimento de superioridade, que evidenciam a “paixão pelo poder”, o menosprezo pela Lei, a falta de equidistância que deve imperar entre o Ministério Público e o Juiz Zelador das Liberdades, Direitos e Garantias do arguido, numa clara perversão do Instituto da prisão preventiva, dos seus pressupostos e finalidades!

Excerto de texto deste blogue, datado de 15 de Junho de 2016, “Uma semana de Emoções: delírios da Justiça”: “[…] José Veiga em casa com guarda à porta, e se pagar 1,2 milhões: Liberdade plena! […]

“Vistos Gold”: Carlos Alexandre considerava a prova indiciária arrasadora: 21 arguidos (alguns chineses) todos em Liberdade. Denominador comum? Dr. Carlos Alexandre e o instituto da prisão preventiva utilizado para vergar, obrigar a denunciar, a delatar, a confessar! Mas só para  alguns… […]”

Revê-se o “Super-Juiz”, Dr. Carlos Alexandre, nestas práticas?

Já se realizou a estatística de condenações finais após o decretar da prisão preventiva pelo Juiz, Dr. Carlos Alexandre, correlacionando com o número de notícias publicadas?

Mantém-se a questão: Porque estão zangados o Director da P.J. e o “Super-Juiz”?

Só mais uma questão prévia: Alguém consegue explicar a razão que fundamenta a ausência da Polícia Judiciária na “Operação Marquês”?

Vejamos o “Orago”!

Excerto de texto desse blogue datado de 29 de Novembro de 2014, “A prisão de José Sócrates: onde está a Polícia Judiciária?”: “[…] Pode-se facilmente inferir que à data do “Caso Freeport”, se não se tivessem verificado algumas “travagens estratégicas”, não estaríamos hoje a ouvir falar no “Caso Marquês” […] Ora, aqui está a razão, caro Leitor(a). A P.J. não “tocou na massa” na investigação e sequente detenção de José Sócrates porque anteriormente revelou-se incompetente (no mínimo) […]

Atentem: este texto é escrito aquando da detenção! Atentem também à chamada de atenção presente: “no mínimo!”.

Vamos ao resto, no mesmo texto: “[..] A arte de “bem delegar” é sinónimo de excelência na Liderança. A Direcção da Polícia Judiciária não soube delegar. Permitiu que funcionários sem preparação executassem. Permitiu que indivíduo reconhecidamente incapaz fosse responsável pela coordenação […]”

Estarei eu a incorrer também num “Viés”, um “erro fundamental de atribuição”?

Não creio! Não esteve o processo “Freeport”, cuja coordenação era da responsabilidade da Coordenadora-superior de Investigação Criminal, Maria Alice Fernandes, parado durante anos?

Não ficaram diligências por realizar? Inexplicavelmente. Não estava referenciado, ainda que “misteriosamente” não constando do processo, o primo de José Sócrates, o mesmo primo da “Operação Marquês”, assim como os locais onde o dinheiro era “entregue” ao mesmo?

Quem liderava a P.J.? Quem permitiu que esta vergonha (no mínimo!) fosse mantida?

Quem, com o poder de avocar e redistribuir o inquérito, não o fez? Sim, avocar (expressão muito na moda) uma prerrogativa/dever do Director da P.J.? Na altura, como agora, o Dr. Almeida Rodrigues!

Vamos lá, meus amigos, deixar de contar patranhas! Não havia necessidade, hein! Não se revejam em intrujices! Os artistas são bons artistas… não havia necessidade!

O Orago João de Sousa, inepto corrupto, tem razão; e por ter razão e propalar orgulhosamente o facto, ainda apodrece na prisão!

“Suspeitos relatam crimes nos corredores da Judiciária” (in Jornal “Sol”, 22 de Abril de 2017)

O Juiz Carlos Alexandre não se revê; o Director da P.J. ofende-se e queixa-se!

O Orago João de Sousa, inepto corrupto, denunciou mais uma inacreditável coordenação da Coordenadora Maria Alice: uma menor sujeita a mais um abuso sexual, com consentimento e “coordenação” da P.J. a fim de se recolher amostra de esperma para prender o agressor!

Denunciado, aberto inquérito interno. Resultado: nada!

Alguém se revê nisto? Sr. Director, V. Exa., consegue rever-se?

“Coimbra. Vítima desenterrada. Homicídio. Juiz que julga Ana Saltão quer radiografia ao cadáver” (in “Correio da Manhã”, 1 de Abril de 2017)

Alguém se revê nestas práticas de investigação, V. Exa., Sr. Director da P.J.?

“Nova sede continua com falhas e heliporto e laboratório não funcionam. Direcção Nacional optou por não responder” (in Jornal “i”, 13 de Março de 2017)

A quem se vão queixar os portugueses e portuguesas?

Sabem que mais, o “orago-inepto-corrupto” consegue diminuir a elevada percentagem de hipótese de “Viés” ou de “erro de atribuição causal”, porque estava lá e presenciou!

Nunca foi “situacional” o factor que influenciou a crítica por mim manifestada, lá, no outro lado das grades, sempre o fiz e está gravado pois eu estive sob investigação!

Curiosamente, esses registos de intercepções telefónicas não tinham interesse para os autos, conquanto muito do que eu disse sobre pares e superiores hierárquicos tenha sido apresentado aos mesmos pela Coordenadora Maria Alice!

Prática na qual não me revejo? Nunca o fiz ou faria, mas sei que o indivíduo Maria Alice era useiro e vezeiro neste tipo de “estratégias de investigação”!

Ter razão é bom, afaga o ego, mas quando se é pequeno como o mexilhão, quando do outro lado estão “peixes graúdos” ou alguém medíocre com poder, a única coisa que nos resta é um blogue e apregoar no deserto, maculado porque se é corrupto! Mas eu tenho razão!

Como é que tudo isto dignifica a Justiça e as instituições que a aplicam e zelam pelo seu cumprimento?

Auxiliarão estas “patranhas” no esclarecimento das decisões judiciais? A quem lucra toda esta infeliz pantomima? Estas momices e esgares, este burlesco, quem é que dirige esta verdadeira “opera bufa”?

Uma coisa, este vosso “orago-inepto-corrupto” Inspector João de Sousa consegue vaticinar: se todos Vós continuarem a assistir, muitas vezes a aplaudir, cedendo ao facilitismo e aceitação desprovida de análise crítica (semelhantes a passivos corpos aclásticos que se deixam atravessar pela luz sem a refractar), correm o sério risco de um destes dias se acharem no palco, no papel principal, maniatados qual “pequena figura de madeira ou papelão que um homem, oculto atrás de uma tela, movimenta com os dedos ou por meio de cordéis”.

Mesmo que tenham razão!

 

 

 

“O meu moribundo cravo!”

Liberdade daqui a: 888 dias!

“Para falar ao vento bastam palavras, para falar ao coração são necessárias obras.”

Padre António Vieira

Este, o de 2017, será o quarto “Dia da Liberdade” que celebro preso (preventivamente!).

Na próxima terça-feira, um dia após a publicação deste texto, vou observar o “25 de Abril” do interior da minha cela, uma vez mais!

Tendo nascido sete meses antes da “data de todas as datas” da história recente de Portugal, não reunia na ocasião capacidade, nem experiência vivida, do que foi a privação, imposta pelo Poder, daquele valor por todos cantado, falado e proclamado: a Liberdade!

Prioridade maior na altura para o jovem João de Sousa, eram o biberão, a fralda seca e a companhia e carinhos dos progenitores, avós e demais que faziam parte do meu mundo perfeito.

Ausência de sentido crítico e experiência vivida, em razão da idade. E agora, a todos nós portugueses?

O que motiva, onde se pode encontrar a raiz desta ressequida árvore cujos secos frutos são a indiferença e a ignorância?

Qual é o estado do nosso Estado de Direito? Como está a nossa Liberdade? Como contribuímos para a manutenção da mesma e para o seu saudável e viçoso medrar?

Na década de 90 do século passado, aluno de filosofia na Universidade Católica, senti o olhar de reprovação e crítica de alunos e corpo docente, tudo porque orgulhosa e desafiadoramente, caminhava com o “Evangelho segundo Jesus Cristo”, de Saramago, debaixo do braço.

Não realizaram auto-da-fé, não fui ostracizado (muito!): na ocasião percebi que vivia num Estado de Direito.

Ainda antes das naturais crises pubertárias, socorrendo-me do mais alto banco da cozinha, na casa dos meus pais, alcançava o cume do “meu Evareste”, que de facto era a mais alta prateleira onde se alinhavam os últimos volumes da “Enciclopédia Sexual” (volumes dos 10-18 anos; 18-35 anos e 35-velhice) interditos por se encontrarem fora do alcance do meu metro e meio, por uma questão de descrição mas nunca por vergonha, tabu ou proibição fruto de falsa pudicícia.

Fui criado e educado numa casa onde se prezava a saudável descoberta da sexualidade e do livre-pensamento!

Após pubescer, acedi livremente a todas as obras escritas, faladas, cantadas ou pintadas sem qualquer balizamento ou imposição interpretativa. Experimentei Liberdade!

Já na idade adulta, atendendo às especificidades da minha profissão – Inspector da P.J. – e nos limites da Lei, várias vezes contribuí para o cercear da Liberdade de outros, temporária ou definitivamente (até 25 anos).

Reunindo um poder desta natureza – retirar a Liberdade a outrem – impus ao meu desempenho elevado grau de conhecimento e tecnicidade, aliado a um exercício permanente de auto-crítica. Como diria o meu orientador de estágio na P.J. de Lisboa, também ele João: “Máxima Liberdade, máxima responsabilidade”.

Fechado que estou numa cela presentemente, olhando para trás, vejo, com alegria, que fui educado para a Liberdade. Liberdade de fazer, dizer e pensar!

Mas tenho de reconhecer. Algo está mal no meu quarto “25 de Abril” fechado numa cela!

Foram os meus actos que me conduziram até este ponto? Traí os ensinamentos da Liberdade? Não creio!

Independentemente da culpabilidade que os Tribunais vão acordar e decretar relativamente ao João de Sousa, um facto é inegável e incontornável: o tratamento que a Justiça dispensa ao mesmo é diferente!

Vamos acordar uma coisa, Caro(a) Leitor(a)! Não referirei mais o nome “João de Sousa”, vamos designar o mesmo por “o Arguido”, por forma a realizarmos somente um exercício crítico de análise que a nosso ver se impõe, porque uma (in)Justiça dúbia sobre um, é uma (ini)equidade a todos oferecida/imposta!

“Noções básicas de Direito Penal. Ou o Estado de Direito” (Expresso, 18 Março 17); “Os labirintos da Justiça e os da memória” (“Expresso”, 8 de Abril 17). Ambos, textos de Miguel Sousa Tavares, com uma escrita invejável. Segredo de Justiça, presunção de inocência, direito ao bom nome, ónus da prova, celeridade da Justiça, “os Julgamentos fazem-se nos tribunais. Não se fazem nem nos jornais nem em ajuntamentos de rua”.

Leiam! São pérolas, está lá tudo! Só detectamos uma falha que mancha tudo o mais: será que isso só se aplica ao Dr. Dias Loureiro, ao Dr. Ricardo Salgado, ao Eng. Sócrates, ao Dr. Duarte Lima?

Antes, simultaneamente ou após, existem inúmeros casos de concidadãos, igualmente abrangidos pelo art.º13 da Constituição da República Portuguesa (Princípio da Igualdade), que experimentaram, ainda experimentam ou virão a experimentar, as iniquidades que brilhantemente o Dr. Miguel Sousa Tavares denuncia.

O Dr. Miguel Sousa Tavares merece todo o nosso crédito mas trata-se de alguém que opina, um opinar esclarecido, mas sempre uma opinião subjectiva. O que dizer de um indivíduo eleito pelo povo, que confrontado com o dever de redigir relatório final de uma petição popular sobre os prazos da prisão preventiva, no campo destinado à “opinião da relatora”, escreve: “A relatora abstem-se de emitir a sua opinião”.

Falamos da deputada relatora Isabel Moreira (P.S.) e da petição que muitos de Vós assinaram.

A deputada Isabel Moreira que várias vezes visitou aqui em “Ébola” o Eng. Sócrates, traduzindo-se essa sua acção numa opinião, ou não será assim?

À visita não temos nada a apontar, à inacreditável falta de opinião de quem nos representa é outra questão.

Que raio de participação cívica, que tipo de vivência democrática é esta?

Seria interessante conhecer a opinião da deputada em questão sobre os prazos da prisão preventiva porque diariamente deparamo-nos com “fenómenos” desta natureza.

“Professor morto pelo amante gay à facada. Apanhado após ficar com viatura da vítima e tentar vendê-la, falsificando a assinatura. Confessou o homicídio mas ficou apenas sujeito a termo de identidade e residência”. (in “Correio da Manhã”, 11 de Março de 17).

“Condenado por abusar do neto dos donos da quinta onde era caseiro. […] filmou um dos abusos. Apanhou 6 anos e meio de prisão […] com a condenação, o tribunal determinou que o arguido continue em prisão domiciliária enquanto aguarda a conclusão do processo” (in “Jornal “Mirante”, 2 de Fevereiro de 17)

“Quanto ao perigo de perturbação da ordem e tranquilidade públicas […] relativamente ao “o Arguido” acresce a sua qualidade de Inspector da P.J. […] Aliás as sessões de julgamento realizadas, bem como a Leitura do acórdão, foram acompanhadas pelos órgãos de comunicação social, sendo constantes as notícias em jornais e em canais televisivos […] com algum contributo efectivo do próprio […]”.

O Arguido” é que perturba a ordem e tranquilidade públicas, não o homicida ou o abusador sexual, um em liberdade, o outro em casa com pulseira!

Declaro-me preocupado com o meu colega Inspector-chefe Ricardo Macedo que está (felizmente para o próprio) em casa com pulseira electrónica depois de ter estado aqui em “Ébola”, porque “fez” primeira página do Jornal “Sol”: será que foi com o seu contributo, será que vai voltar para aqui?!?

E como olhar para “isto” quando se celebra o “25 de Abril”:

“Vasconcellos só tem uma moto de água para pagar dívida de 9,7 milhões de euros” (in “Expresso”, 8 Abril 17)

Primo de Sócrates escapa a notificação. […] José Paulo Pinto de Sousa tem conseguido escapar com uma agilidade surpreendente à acção da Justiça portuguesa […]. (in Jornal “Expresso”, 4 Março 17)

Jovem provocador, “o Arguido”, passeava o “Evangelho segundo Jesus Cristo” na Universidade Católica, adulto, Inspector da P.J., criticava a instituição adjectivando melhorá-la. Sempre refém da honestidade intelectual antes, durante (e o fará depois) de ser preso pela prática do mais aviltante e censurável dos crimes – Corrupção passiva – denuncia e critica como se pode comprovar pelo texto publicado neste espaço sobre a Polícia Judiciária, aquando da inauguração do novo edifício-sede: “Não se trata de uma justificação é apenas um esclarecimento”. A 9 de Março de 2015, comparando o edifício ao “Palácio” do poema de Edmund Spencer, “The Faerie Queene” (Séc. XVI), criticava e denunciava as limitações e precariedade da P.J. Opinião de um “ressabiado Inspector preso”?

Reparem: “Tensão na P.J. Faltam equipamentos essenciais no CSI português […] nova sede continua com falhas e heliporto e laboratório não funcionam. Direcção Nacional optou por não responder.” (in Jornal “I” de 13 de Março de 17)

O tempo dar-me-á razão, em tudo! 2 anos depois…

Como está a nossa Liberdade? Mal! Muito mal, basta um de nós não a usufruir!

O Arguido” está preso preventivamente há (ainda) 3 anos e um mês. Durante essa provação esteve de castigo por opinar sobre as condições do Estabelecimento Prisional: 6 dias fechado durante 24 horas, somente com duas horas de “céu aberto” e uma hora semanal para visitas da família! Em pleno séc. XXI, 42 anos após o “25 de Abril”)

Julgo que tudo isto que se passa com “o Arguido” é fruto, resultado da nossa portugalidade.

Portugalidade que se traduz numa deficiente “Educação para a Liberdade”, num déficit de participação cívica, crítica e pensada, numa ausência de conhecimento e falta de experimentação.

Observemos o “microcosmos” muito particular que se revela no Estabelecimento Prisional de Évora.

A população é “supostamente” diferenciada uma vez que se trata de indivíduos agentes de autoridade ou outros que tais.

Sócrates desconhecia as leis, as normas que tinha ratificado.

Os polícias desconhecem os seus direitos e deveres conquanto reclusos.

O tema da atualidade, para além do Sporting-Benfica, é a vinda do Papa Francisco e a possível, e muito ansiada, amnistia e tudo mais relacionado com o tema.

Vejam esta! Esta semana foi anunciada a canonização de Francisco e Jacinta.

– Os miúdos foram canonizados! Os pastores! – um recluso exultante.

– Onde? No Gerês? – um outro.

– No Gerês?!? – o primeiro – Porquê no Gerês?

– Então não está tudo a arder por lá? Não morreram carbonizados?

– Canonizados!!!

– Sei lá o que é isso?

– É bom, acelera e reforça a amnistia!

– Ah! Óptimo!

Garanto-vos que não é anedota.

Onésimo Teotónio Almeida tem um livro novo: “A obsessão da Portugalidade”. Foi entrevistado pelo “Expresso”, lê-se: “Os anos 60 foram um período de idealismo utópico. Entregávamo-nos a todas as causas. Trabalhei, por exemplo, na cadeia de Angra, a alfabetizar os presos. Achávamos que o mundo ia mudar, eramos completamente ingénuos em relação à natureza humana […]”

No mínimo preocupante…

Vamos todos celebrar a Liberdade no dia 25 de Abril. Todos? Não, um de nós não e isso devia causar apreensão e indignação ao maior número de portugueses possível (ainda que se trate de “o Arguido”!)

Não bastam as palavras, são necessárias obras, reformas, despertares, para que no coração de todos se possa celebrar a Liberdade!

Sabem o que espero festejar na terça-feira, dia 25 de Abril?

Não é a Democracia, o Estado de Direito ou a Liberdade; para mim o cravo está murcho, definhou, está moribundo.

Segunda-feira, 24 de Abril de 2017, a minha mãe, aquela que comprou a enciclopédia sexual, ofertou-me educação e formou-me em Liberdade, vai combater mais uma batalha (no dia em que este texto é publicado) a fim de se libertar do “bicho mau”!

Infelizmente, não poderei estar no dia seguinte a oferecer-lhe cravos, rosas ou um simples beijo, mas ela compreende e até sente orgulho, um triste orgulho.

Tenho saudades do passado e da minha Liberdade física. O presente não é muito doce, mas o futuro está já aí. Outros dias da Liberdade serão celebrados. Para mim, o dia em que “isto” terminar será o meu 25 de Abril, poderei então explicar aos meus “projectos-de-gente-adulta-livre” os perigos da indiferença e da ignorância. Até lá, acabemos como começámos, com o Padre António Vieira:

“O Bem ou é presente, ou passado, ou futuro: se é presente, causa gosto; se é passado, causa saudade; se é futuro, causa desejo.”

E eu nunca desejei tanto como hoje!

“Autoridade e Lei ao serviço de quem?”

Liberdade daqui a: 895 dias!

Impõe-se, porque não pretendemos que este texto se preste a outra interpretação que não aquela que é a sua intenção, esclarecer que objectiva-se, única e exclusivamente, prestar informação para que a Leitora ou o Leitor formem uma opinião esclarecida e, mais do que isso, “despertem” para o que é a prática e aplicação da Justiça em Portugal. É somente esse o meu desejo: informar!

Recordo que inicialmente indiciado pela prática de 9 crimes, fui acusado da prática de 6, e se inicialmente era co-autor de tentacular, ardilosa e perigosa associação criminosa, na qual desempenhava um papel decisivo e decisor, um autêntico taumaturgo do crime, não resultou, no final do Julgamento, a condenação pela prática desse mesmo crime. Indiciado e acusado da prática do crime de Corrupção, por receber dinheiro, objectos em ouro, carros de luxo e afins, fui condenado por ter sido corrompido não por algo material, mas sim por uma ideia, uma promessa, algo no futuro.

Tendo assumido a prática do crime de violação de segredo de funcionário, fui condenado pela minha acção ilícita mas na forma agravada!

É este o ponto da situação, resultado da decisão do Tribunal de 1ª Instância, acrescido do facto do Tribunal da Relação ter dado razão ao decidido (mas a Relação fica para outro texto porque passada uma semana ainda não chegou aqui, no “fim do Mundo”, o acórdão das Venerandas Juízes).

Não sei se a Leitora ou o Leitor alguma vez leu um acórdão de sentença; se nunca leu, permita-me informar que o colectivo de juízes expõe os “factos provados”, em vários pontos, e depois os “factos não provados” em outros tantos pontos, numerados, fundamentando depois a sua decisão, de acordo com aquilo que anteriormente expôs.

O Direito estuda-se, aprende-se a aplicar, encerra teorias, princípio, fundamentos, mas, falível opinião pessoal, tudo se resume à aplicação do bom senso, equidade, sabedoria, equilíbrio e justeza. Da prova inicial de Salomão, da qual saiu o Rei prestigiado pela decisão, pelo juízo (enquanto “faculdade intelectual de julgar, entender, comparar e tirar conclusões”) se pode extrair o mais feliz e justo exemplo da capacidade de julgar.

“Entregai o menino vivo à primeira mulher. Não o mateis, pois ela é a sua mãe.” (1Rs, 3,16-28)

Acima de tudo, Salomão foi honesto intelectualmente e somente desejava julgar bem, não encerrava outra qualquer intenção o seu juízo.

Apreciai! Facto provado, ponto 35: “[…]No âmbito da relação de amizade criada, o arguido João de Sousa tomou conhecimento da actividade dos arguidos […] e da necessidade de os preservar do controlo das autoridades judiciárias e policiais […]”

Muito bem, o Tribunal considerou que eu facultava informações para que o “meu grupo criminoso” se eximisse à acção da Justiça. Eu, conhecedor das “actividades criminosas” do “bando”, nomeadamente as operações bancárias, o modo como vendiam/compravam o ouro, ou seja, a actividade empresarial, “infiltrado” na P.J. (qual argumento de Scorsese do filme “The Departed”) preservava toda uma rede criminosa – apenas 7 condenados entre 34 acusados!

Apreciem agora estes “pontos não provados” (atenção: “Não provados”):

2. Para garantir a segurança e operacionalidade do grupo constituído, o arguido […] escolheu o Inspector da P.J., (Departamento de Investigação de Setúbal) João de Sousa.

19. O arguido […] explicou aos co-arguidos […] e João de Sousa e outros, os seus procedimentos e a forma como realizava a sua actividade.

28. Todos os arguidos, nomeadamente João de Sousa, tinham perfeito conhecimento das transferências e pagamentos.

118. O arguido João de Sousa conhecia em pormenor as transacções realizadas e o modo de actuação do grupo.

121. O arguido João de Sousa assumia uma posição de controle e até de ascendente na organização criminosa.

Relembro que estes são os “factos não provados”, numa clara e notória (gritante e indigna) contradição com o ponto 35 dado como provado! Façam o Vosso juízo!

Recorri para o Tribunal da Relação, “saiu-me” mais uma vez, a 9ª secção e deram razão à decisão da 1ª Instância, invocando o mais nobre e “salomónico” dos artigos da Código Processual Penal: Artigo 127º (Livre apreciação da prova): Salvo quando a lei dispuser diferentemente, a prova é apreciada segundo as regras da experiência e a livre convicção da entidade competente.

Diz a Relação: “[…] a resposta dada pela 1ª Instância tem suporte na regra estabelecida no Artº 127º do C.P.P., e, por isso, está a coberto de qualquer censura e deve manter-se […]”

(este excerto relatou-me a minha advogada oficiosa, via telefone, durante os 5 minutos que disponho).

Ou seja, independentemente da contradição em termos, da incongruência entre o provado e não provado, nada disso importa, a infalibilidade dos Juízes é soberana: “Vós comuns mortais, não conseguem aceder, alcançar a inteligibilidade da douta decisão.”

Salomão, o Rei sapiente, quando Deus apareceu num sonho seu e perguntou o que desejava, respondeu: “Ensina-me a ouvir, para que saiba governar o teu povo e discernir entre o Bem e o Mal”. Deus satisfeito, concedeu a Salomão “discernimento para ouvir e julgar” (1Reis, 3,4-13)

Este “discernimento para ouvir e julgar” encerra uma condição, um pilar fundamental onde deve assentar, suportar-se o juízo, a decisão de quem decide: honestidade intelectual que é o garante da ausência, do afastamento de qualquer intencionalidade, de qualquer pré-juízo que vai inquinar a decisão!

Deixo a todos Vós a apreciação do que expus, apenas desejo informar. Conheçam como é aplicada a Justiça em Portugal.

Reparem!

“Dias Loureiro: Arquivado sob suspeita.” Lê-se nos jornais: “O negócio foi “ruinoso”, serviu para “pagar comissões a Dias Loureiro”. Resultado: Nada. Oito anos de investigação e nada!

Mas no despacho de arquivamento, “a condenação moral”, a condenação pública sem provas, a inacreditável convicção da procuradora plasmada no despacho!

Ilustres comentadores indignaram-se, eu também, e subscrevo as opiniões: não há prova, arquiva-se!

Mas reparem: Dias Loureiro arquiva-se e mancha-se o seu nome; ao João de Sousa mantém-se uma prisão preventiva vergonhosa de 3 anos e 1 mês, e, sem provas, em clara contradição, condena-se a 5 anos e 6 meses, confirmando esta decisão a “fatídica 9ª secção do Tribunal da Relação”!

Existe uma clara intenção em tudo isto, facto que em nada dignifica a nossa Justiça!

Celebramos a Páscoa. A condenação injusta de alguém.

Claramente invocado o excerto por causa do “cordeiro de Deus”, lembrei-me de uma passagem do livro do Mestre Eco, “A passo de caranguejo” (que é também o ritmo e direcção que me obrigam a manter aqui em “Ébola”) que julgo ilustrar as decisões dos Tribunais portugueses em relação à minha humilde pessoa. Atentem:

“[…] Um lobo e um cordeiro, movidos pela sede, dirigiram-se ao mesmo riacho. O lobo parou no alto, o cordeiro muito mais abaixo. Então, o velhaco lobo, invadido por uma desenfreada gulodice, procurou um pretexto para entrar em litígio.

– Por que é que – disse – turvas a água que eu estou a beber?

Cheio de temor o cordeiro respondeu-lhe: Desculpa, mas como é que eu posso turvá-la? A água que eu bebo passa primeiro por ti.

E aquele, vencido pela evidência do facto, disse:

– Há seis meses disseste mal de mim. E o cordeiro replicou:

– Mas há seis meses ainda nem sequer tinha nascido!

– Por Hércules, então foi o teu pai que disse mal de mim – disse o lobo. E saltou de repente para cima do cordeiro, despedaçando-o e matando-o injustamente.

Esta fábula foi escrita para aqueles que oprimem os inocentes com falsos pretextos […]”

Boa Páscoa para todos!

“O Hemerologista esclarecido”

Liberdade daqui a: 902 dias!

Primeiro esclarecer o(a) Leitor(a): Hemerologia é a arte de estabelecer os calendários; não se trata de vituperar algo ou alguém, até porque o “hemerologista esclarecido” aqui exposto, sou eu!

Existiram vários “hemerologistas” famosos que criaram sistemas de divisão do tempo.

A partir de Numa, o calendário romano contou 12 meses lunares. O maior dos romanos, Júlio César, colocou-o de acordo com o curso do Sol, admitia três anos comuns de 365 dias e subsistiu até meados do séc. XVI.

Gregório XIII reformou o “calendário juliano” adiantando 13 dias em relação a este. É o actual balizador do nosso Tempo que, vejam lá vocês, apresenta um erro de 1 dia em 4000 anos!

Os franceses com a sua “Revolução”, implementaram o “Calendário Republicano”, e não podemos esquecer a medição do tempo dos Astecas ou o “Calendário Chinês”!

Eu, regulo os meus dias pelo “Calendário Doloroso da Justiça Portuguesa”, contando segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos!

Parece ser contraditório o que no anterior parágrafo expus, se atendermos ao facto de ter iniciado este opúsculo afirmando ser um “hemerologista”, mais, um esclarecido “hemerologista”!

Passo a explicar! No passado dia 7 de Abril de 2017, sexta-feira, o Tribunal da Relação de Lisboa, contradizendo a indicação que tinha dado, atrasando-se um dia, comunicou a sua decisão relativamente ao meu recurso e aos recursos dos meus co-arguidos (um dos quais em Liberdade), a saber:

– Arguido condenado a 10 anos: retiraram 2 anos e 6 meses, ficando condenado a 7 anos e 6 meses;

– Arguida condenada a 7 anos e 6 meses: negado provimento; fica com os mesmos 7 anos e 6 meses;

– Arguida condenada a 5 anos e 6 meses: negado provimento; fica com os mesmos 5 anos e 6 meses;

– Arguido condenado a 5 anos e 6 meses (em liberdade desde 15 Março de 2017): não foi aceite o recurso interposto! Fica com os mesmos 5 anos e 6 meses!

– Arguido João de Sousa (o “hemerologista esclarecido”): negado provimento. Fica com os mesmos 5 anos e 6 meses!

Não vou deixar-vos o que a decisão agora apresentada causou nos “meus”: nos meus pais, na “ninhada”, na “mãe-corajosa-da-ninhada”, nos meus sogros, amigos, conhecidos e afins. Deixo isso para a vossa imaginação, mais ou menos benévola consoante o vosso índice de empatia, sentido de equidade e capacidade para se indignarem. O que pretendo agora é esclarecer esta calendarização!

O arguido passou de 10 anos de pena efectiva para 7 anos e 6 meses: é bom, são menos 2 anos e 6 meses! Não, não é! O Tribunal da Relação cerceou a hipótese de o mesmo ter mais uma possibilidade de recurso, uma vez que somente penas superiores a 8 anos permitem recorrer para o Supremo Tribunal de Justiça! Suprimiram no “doloroso calendário”, a hipótese deste arguido, dentro de 3 meses, estar em liberdade a aguardar a resultado dos futuros recursos!

O arguido que está em liberdade e que viu negada a admissão do seu recurso: neste caso, com a devida vénia, a “canalhice”, a mediocridade é absolutamente aviltante!

Perdoem-me, mas utilizar aqui o superlativo para exprimir o “auge da intensificação de uma qualidade”, como por exemplo tratar por “Meritíssimos Juízes” ou “Venerandas Desembargadoras Juízes da 9ª secção”, não me é possível! Observem a pequenez destes “nefastos hemerologistas”:

– a Juiz-Presidente do Tribunal que decidiu pelas penas antes descritas (1ª Instância), não admitiu o recurso interposto por [arguido agora em Liberdade] do acórdão judicial, por extemporâneo. Ou seja, foi apresentado o recurso “fora do prazo”! Tudo bem, são as regras! Os advogados deste arguido observaram as regras e recorreram para o Tribunal da Relação, e, espanto total, “saiu” a 9ª secção, e, espanto maior, a Juiz Vice-Presidente decide, a 13 de Janeiro de 2017, que o recurso é tempestivo! Isto é, pode apresentar o recurso porque, conforme o douto despacho: “[…] afigura-se-nos que no presente caso deve beneficiar de tal prorrogação de prazo porquanto o despacho não é muito explícito […]”. A Vice-Presidente do Tribunal da Relação está a referir-se ao despacho da Juiz-Presidente do Julgamento (1ª Instância)!!! Acrescenta ainda: […] Tanto mais que, o fundamento para tal prorrogação é, como se refere no despacho, a “notória especial complexidade do recurso nestes autos” e não qualquer motivo pessoal do recorrente […]”

Sabem o que decidiram as Juízes que avaliaram os recursos; Juízes-desembargadoras da “fatídica 9ª secção”?

Não aceitaram o recurso! E agora a inacreditável mediocridade: argumentaram que não existia especial complexidade! Como!?! Então foi atribuída “especial complexidade” ao inquérito, o que prolonga até 3 anos e 4 meses os prazos da prisão preventiva, e, agora, surpreendentemente, já não é especialmente complexo?!?

Como é que dizia o tio-avô do Presidente do Sporting Clube de Portugal?

Estimados, isto é uma Vergonha!

Vamos lá sanar a aparente contradição: afinal sou um “hemerologista”, faço o meu “calendário” ou não?

Aqui está a reforma do “Calendário Doloroso da Justiça Portuguesa”, da autoria de João de Sousa; O “Calendário Joanino”:

– Não recorro para o Tribunal Constitucional e, 4 meses após o meio da pena (já decorridos), solicito a antecipação da liberdade condicional, conformando-me com a condenação, existindo uma hipótese de já este ano passar o Natal com os meus. Não, não o vou fazer!

Vou recorrer para o Tribunal Constitucional (tenho 10 dias para o fazer!)

Resultado no “calendário”: de acordo com o “hemerologista legislador”, Artigo 215º, nº5 do Código Processual Penal português, acrescentam mais 6 meses (meio ano) ao prazo da minha prisão preventiva! Não saio em Julho deste ano, o prazo só esgota em Janeiro de 2018!!!

Só mais uma informação do “hemerologista esclarecido”: este recurso lucra a quem está em liberdade, não a quem está preso!

Querem saber algo curioso, diria mesmo cómico! Não se aplica o nº6 do mesmo Artigo 215º do Código Processual Penal (que diz que se o arguido for condenado em 1ª Instância e a sentença condenatória for confirmada em sede de recurso ordinário (é o meu caso) o prazo máximo da prisão preventiva eleva-se para metade da pena) e não se aplica porque inacreditavelmente eu já ultrapassei, em 4 meses, o meio da pena!!!!

Resumindo, e mais uma vez lamento a dor que os “meus” experimentam, mas se eu não optasse por este calendário, trairia a minha pessoa, afasto assim a hipótese de em Julho ou o mais tardar em Novembro/Dezembro estar com aqueles que amo!

Tem de ser “minha gente”! Deixem-me, no entanto, sossegar-vos. Como esclarecido “hemerologista” que sou, posso assegurar que o Tribunal Constitucional vai decidir de forma célere! Como? Perguntam se mais depressa do que em relação a outros casos? Concerteza! Arrogante? Não, esclarecido! Não têm os factos confirmado aquilo que aqui, neste espaço, tenho antecipado?

Não tem tudo aquilo que aqui deixo, semanalmente, contribuído de forma decisiva , para a “calendarização” que há 3 anos e 12 dias, punitivamente, me sujeitam?

Nesta minha “reforma Joanina” do calendário, algo perturba a minha determinação.

A 14 de Maio de 2017 o meu Jr., o meu “filho-homem”, celebra 3 anos de vida!

Segundo as normas da Direcção Geral dos Serviços Prisionais (e Reinserção?) vou ser obrigado a escolher entre os meus três filhos! Não permitem a visita dos três conjuntamente porque consideram que uma criança de 3 anos “conta como um adulto”!

Impensável, não é?

“Calendas Gregas”! Conhecem a expressão? “Isso fica para as Calendas Gregas!”

Aforismo que significa “em momento ou tempo nenhum” porque os gregos não tinham “calendas”, só os romanos, posteriormente, designavam assim parte dos meses!

Será que tudo isto só termina lá para as “calendas gregas”?

Acto de coragem e bravura, o Sócrates (o José, não o filósofo) recusar a pulseira electrónica ao fim de 9 meses?

Gostava de o ver a realizar a reforma da “calendarização da Justiça” por si decretada, ratificada e defendida, antes de o Tempo revelar o que agora sabemos!

Não é meu objectivo reformar o Tempo, esclarecido que sou, sei bem o que me aguarda; o que pretendo é informar-vos, facultar-vos dados, revelar e denunciar o “sistema” que muito bem conheço e sinto na pele!

Faltam alguns meses para a sociedade decretar definitivamente que sou Corrupto, um dos piores de sempre, mas vou até à exaustão demonstrar e denunciar como se faz de alguém um autêntico “canalha”, para que assim se evite que no futuro outros sejam sujeitos a tudo isto, a toda esta subtracção do Tempo, a toda esta “execrável calendarização”!

Vou ainda recorrer da medida de coacção. Será que vai “sair” no sorteio novamente a 9ª secção? Relembro que a 3ª secção decidiu colocar em Liberdade (plena) um dos meus co-arguidos! O mesmo que tinha um recurso bem elaborado, com um parecer de professores de Coimbra, um recurso que lucrava a todos! Foi rejeitado!

Já ouviram falar em “vinculação temática do Tribunal”? Conhecem o “efectivo e consistente direito de defesa do arguido”? “Actividade cognitória e decisória do Tribunal”?

Calendarização de temas: para a semana vou deixar-vos aqui partes do Acórdão da Sentença, não para minha defesa, mas para perceberem como tudo isto cheira muito mal!

Isaltino Morais candidata-se à Câmara de Oeiras!

Quem sabe se eu não farei algo semelhante em 2019!?! Terei calendário e agenda?

Quem sabe? Posso assegurar algo, com toda a certeza: é compromisso de Honra que quando sair vou lutar para alterar toda esta calendarização, vou contribuir para uma melhor Justiça.

Palavra de João de Sousa! E a Dra. Maria Alice e o Dr. Pedro Fonseca sabem que eu cumpro sempre com a minha palavra, não sabem? Claro que sabem!

 

“Ansiedade e eucatástrofe”

Liberdade daqui a: 909 dias!

“Ansiedad, de tenerte en mis brazos / Musitando… palabras de amor / Ansiedad, de tener tus encantos / Y en la boca, volverte a besar …”

A versão de “Ansiedad” que eu mais gosto é a interpretada pela voz cristalina e dengosa do Nat King Cole! Adoro ouvi-la, dançá-la… mas não é desta ansiedade (que também a sinto) que Vos quero “falar”!

É da outra, da perniciosa: a da “inquietação global relacionada com a incerteza”.

Esta maldita deixa-nos “sistematicamente apreensivos”, receamos sempre o pior e somos colocados em constante angústia, em defesa permanente contra “desastres antecipados”.

Existe uma entidade nosológica, devidamente classificada: perturbação da ansiedade generalizada!

Tanta pompa e circunstância na designação não pode trazer nada de bom. É verdade!

Agitação; nervosismo ou tensão interior; fadiga fácil; dificuldade de concentração ou mente vazia; irritabilidade; tensão muscular e/ou perturbação do sono. Um autêntico monstro!

Diz-nos a literatura da especialidade: “[…] Os adultos com Perturbação da Ansiedade Generalizada preocupam-se frequentemente com circunstâncias diárias e rotineiras da vida, tais como possíveis responsabilidades no emprego, aspectos financeiros, saúde dos membros da família, azares que possam suceder aos filhos ou pequenos problemas […]”.

Está lá tudo! Preencho todos os critérios de diagnóstico!

Mas… surpreendentemente: Não! Não sinto ansiedade!

Conquanto encerre em mim profunda preocupação com a Família, com a “ninhada”, treino diariamente como o “CR7”, estou focado na “Luta”. A única tensão muscular que sinto é a saudável dor banhada pelo doce bem-estar da endorfina e durmo como um santo, um doce e inocente querubim!

Então, qual a razão para debruçar-me sobre a Ansiedade?

Porque faltam hoje 5 dias para conhecer a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa e quem me ama, quem estima a minha amizade, quem apoia o recluído Inspector João de Sousa, está, ou melhor, estão ansiosos!

Não se trata de fanfarronice, postura para “inglês ver” da minha parte. O(a) Caro(a) Leitor(a), tem que conceder-me que aqui “desnudei-me” sempre, fui honesto intelectualmente, chorei, choro e chorarei, demonstrando assim que o aforismo é verdadeiro: os homens também choram! E muito!

O que se passa de facto – não. Não é a loucura do desespero – é uma segura racionalidade, uma conformidade com os factos que alimentam o motor, o impulso desta minha luta de 3 anos e que se resume e define numa simples frase: “Eu tenho razão!”

Esta semana, aquando da visita de um querido colega e Amigo:

– Não alimentas grandes expectativas relativamente ao resultado do teu recurso para a Relação pois não, João? – com um olhar triste.

Respondi sem falar, somente sorrindo. Ele retorquiu:

– João, companheiro, não vês que se eles fizerem cair a Corrupção e diminuírem a pena, estão a dizer publicamente que tu tens razão e o “sistema” está errado?!? Não vês que isso é impossível?

– Eu sei! Mas mesmo que isso não aconteça, há algo que me alimenta e fortalece!

– O quê? – interrompendo.

– Eu tenho razão! – sempre sorrindo.

Ainda esta semana:

– E se deixarem a Corrupção e desagravarem a Violação de segredo de funcionário… quantos anos tiram? Dá para ires para casa? – ansiosa.

– E se considerarem… e se analisarem… – ansiosos, preocupados!

Como manter a serenidade, a sanidade, a constância no dizer e fazer, como manter a força moral de quem não se deixa abater? Como preservar e possuir força e ânimo?

Antes de Vos expor os factos que sustentam a minha resistência, e que possivelmente vão gerar ansiedade em alguns tantos, acompanhem-me mais um pouco, por favor!

Voltando a Tolkien e ao “Senhor dos Anéis: O regresso do Pai” (foi intencional o lapso!)

Tom Shippey, estudioso da obra de Tolkien, autor do livro, “J.R.R. Tolkien: Author of the century”, deixa-nos que Tolkien  referia-se à palavra por ele criada, “eucatástrofe”, como o termo que devia de existir como antónimo, oposição ao termo catástrofe.

Catástrofe é a súbita reviravolta do Bem para o Mal. “Eucatástrofe”, será a súbita mudança em sentido contrário, mas mais que isso: é o Bem que resulta do Mal!

Tolkien ofertava o exemplo de Cristo: da tragédia da crucificação resultou a salvação de toda a Humanidade!

Percebe o(a) Leitor(a)? Conquanto tudo se revele sombrio, mau e terrível, há um momento de viragem! Não esquecer que vem aí o mês de Abril: altura do ano em que se celebra o dia da Liberdade e a Páscoa!

É um sinal positivo? Estou optimista? Estou com uma “fezada”?

Não! Creio que a superstição dá azar e sou como Newton nas palavras de Keats.

Keats censurava Newton por “destruir toda a poesia do arco-íris” através da sua análise científica do fenómeno!

Não é Fé, trata-se de análise racional. E não se esqueçam: eu tenho razão!

Vamos à factualidade.

Correcção ao texto da passada semana: o meu co-arguido não está em casa com pulseira electrónica, o meu co-arguido está em Liberdade plena, apenas sujeito à menos gravosa das medidas de coacção, Termo de Identidade e Residência!

Como!?! Pois é: “eucatástrofe”!

Como é sabido, para quem acompanha este espaço, sempre que a 9ª Secção do Tribunal da Relação de Lisboa foi chamada a decidir sobre a medida de coacção dos 5 arguidos presos no “caso da fraude do ouro envolvendo o Inspector João de Sousa”, decidiram sempre da mesma forma: manter a prisão preventiva!

A 3ª Secção avaliou a questão – alteração da medida de coacção – e o meu co-arguido, com uma pena igual à minha, 5 anos e 6 meses, está em Liberdade (plena!).

Vou deixar-vos dois parágrafos do Acórdão da 3ª Secção, transcrição ipsis litteris:

“[…] Invoca também o despacho recorrido, se bem que, aparentemente, a propósito de um outro arguido, que << a falta de resposta imediata e adequada por parte da autoridade judiciária e do sentimento de impunidade associado na comunidade >> a este tipo de ilícitos imporia a prisão preventiva, o que, sendo em parte verdade, não pode ser mitigado através da imposição de medidas de coacção, transformando estas em <<penas provisórias>> aplicadas a presumíveis inocentes […]”

O que está “a bolt” é da minha responsabilidade. Sabem quem é o “outro arguido”?

É isso: o filho da D. Julieta e do Sr. Fernando! Eu!!! Um recado para alguém?

“Outro arguido” referido no Acórdão de um recurso de outro arguido? “Eucatástrofe”?!?

Só mais este parágrafo: “[…] Não podemos deixar ainda de dizer que, mesmo que não se subscrevessem as considerações acabadas de fazer, não se vê como é que se poderia manter a prisão preventiva com uma duração de quase 3 anos sem que se considerasse violado o princípio da proporcionalidade, tantas vezes invocado […]”.

Contextualização: o meu co-arguido quando recorreu, à semelhança do meu recurso (só que o meu foi “sorteado” e saiu-me a “fava”, perdão, a 9ª Secção) estávamos presos há 2 anos e 9 meses! Eu já estou preso com os 3 restantes, há 3 anos e 5 dias!

Contextualização: o “princípio da proporcionalidade invocado”; é invocado pelo Ministério Público e pela Juiz de Julgamento, para manter a prisão preventiva! “Tantas vezes invocado”!!!

Será isto a “eucatástrofe do Tolkien”?

O que senti ao ler isto? Como devem imaginar, há 3 anos que não usufruo de um orgasmo em condições uma vez que só faço “o Amor” comigo; a sensação foi um “quase orgasmo” devidamente acompanhado e partilhado!

Eu tinha, eu tenho razão: está tudo registado neste blogue!

Prisioneiro do desespero? Presa da predadora Treva? Nunca, existem coisas mais fortes que o Desespero! O quê? Ter razão!

Estar seguro do que fiz, do que não fiz e do que nunca teria feito ou farei!

Muitos, inúmeras vezes, aconselharam, alertaram, com Amor: “João, não podes lutar contra tudo e contra todos!”

Correcto! Não podemos lutar todas as batalhas, em todas as frentes, o homem ponderado sabe-o! Devemos ser sensatos e escolher, mas existem batalhas que necessária e urgentemente temos de lutar, pleitar, é um imperativo Ético e Moral: não podemos fugir!

O Tempo, a História, muitas das vezes dão razão ao ostracizado, ao derrotado, ao excluído; ainda que dos fracos não reze a História e as “crónicas dos tempos” sejam sempre, invariavelmente, escritas pelos vencedores.

Actualmente, felizmente, podemos deixar o nosso registo, podemos difundir a nossa palavra, a nossa versão dos factos, ainda que isso nos valha a prisão!

O Tempo está do meu lado, a razão assiste-me. Enquanto escrevo o Tempo está a passar, e, se muito perdi, tanto ou mais existe para conquistar, ganhar. Sim, claro, porque a “eucatástrofe” existe, as marés mudam, os ventos alteram a sua direcção.

Ansiedade? Não, não sinto, mas alguns estarão agora a sentir a ansiedade e a angústia, consequência do “desastre antecipado”, do desmoronar da construção maldosa que realizaram.

E se tudo ficar na mesma? Afinal não é a 9ª Secção que agora vai avaliar todos os recursos da sentença?

Não importa, porque em última análise, eu tenho razão e isso faz toda a diferença!

“3 anos: a Luta continua!”

Liberdade daqui a: 916 dias!

… E então uma pequena luz… não, três pequenos pontos de luz desenharam-se na Treva!

Pequenos, primeiro qual fogo-fátuo, depois três pontos de luz intensos, luz quente, de ternura! Luz de amor…

Aí está ela, a “ninhada”. No momento de maior desespero, quando tudo me esmaga… a viragem da maré, a simples verdade que tudo vence, a epifania. A razão superior para continuar a Lutar; o verdadeiro tesouro, o meu ouro, a minha riqueza; o sopro que faz com que eu reviva: os meus filhos!

No dia do Pai – 19 de Março de 2017, domingo passado – a “ninhada” viu, ouviu e sentiu o Pai desanimado. A Leonor leu o texto da passada semana: “Treva”.

Durante a visita de dia 19 falámos ainda sobre os nossos filmes preferidos. No “top+”, a trilogia “O Senhor dos Anéis”, particularmente, “O Regresso do Rei”.

O regresso do Pai a casa. Muitas vezes digo-lhes que estou preso em “Mordor”, no meio de Orcs e Troll´s. Outras vezes explico-lhes as influências que a cultura judaico-cristã exerceu na obra maior de Tolkien.

Na última visita falámos no “Regresso do Rei” e de um episódio do Antigo Testamento que pode ter influenciado o capítulo do “Caminho dos Mortos”, quando Aragon convoca um exército de mortos para combater contra o Mal: Ezequiel, 37, 1-14!

Esta passagem do Antigo Testamento também é conhecida por “Ezequiel e o Vale dos ossos secos”.

Ezequiel tem uma visão: um vale cheio de ossos espalhados, ressequidos, significando o domínio, a destruição e o exílio a que tinha sido sujeito o povo de Deus.

Deus diz então a Ezequiel que não abandonou o Povo escolhido e com o seu “sopro” ou “espírito”, vai cobrir os ossos de nervos, “fazer crescer carne” e revestir de pele esses restos inertes.

Deus colocou de pé estas ossadas, insuflou-lhes vida. “Era um exército imenso”.

No “Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei”, também as ossadas ganham vida sob a forma de espectros de cor verde, fortemente armados, aterradores, ao serviço do Rei!

O que fez o meu incansável “Secretariado” e a “ninhada”? Aquilo que o(a) Leitor(a) pode ver na imagem que acompanha este texto: formaram um exército, relembraram ao Pai que não está sozinho, tem um invencível exército a apoiá-lo!

Não permitem que eu desanime, chamam-me à luta, iluminam a “Treva”, indicam-me o caminho!

Retribuem tudo, devolvem-me as palavras por mim invocadas, por mim lidas e comentadas: “Não é necessário um grande poder para combater o Mal” (a adversidade ou a derrota), uma vez que apenas são necessários pequenos “actos simples de bondade e amor incondicional”.

Eis o acto simples dos meus enormes guerreiros!

Todos os dias, aqui, são vésperas de batalha, muitas delas, a maior parte, já ontem perdidas!

Mas com um exército destes, uma legião de Amor, é impossível no final da guerra, perder.

Em Ezequiel, o Espírito de Deus dá força, renova, revigora, é garantia de Vitória.

Sou agnóstico. A minha religião é o Homem, a minha Família.

Aqui, na terra dos Orcs, aposta-se fortemente na vinda do Papa Francisco, na possível amnistia.

Muitos, de repente, são vistos nas alas com a Bíblia debaixo do braço a passear; muitos reúnem-se a rezar.

Muitos, agora que Maio se aproxima, apostam no Êxodo daqui de “Ébola”, esquecendo-se que no livro que transportam ostensivamente nas suas caminhadas, no “Pentateuco”, em “Êxodo 20, 1-17”, pode-se ler no 2º Mandamento, que não se deve invocar o nome de Deus em vão em vista a coisa vã ou falsa!

Que curiosidade tenho eu de os ver se não vier a ansiada amnistia que os faz agora, de forma descaradamente oportunista, tão devotos e crentes: apostasia a rodo em “Ébola”!!!

Respeitando quem verdadeiramente crê… a minha crença e a minha força está neste pequeno mas determinado exército: a “ninhada”! Obrigado, meus amores!

Este texto era para ser um texto de balanço, uma vez que no dia 29 de Março de 2017 é o dia em que se cumprem 1087 dias, 155 semanas, 3 anos! Inacreditável!!!

Dia 29 de Março de 2017 é o dia em que, desde que o meu “filho-homem” nasceu, uma dolorosa e revoltante estatística se cumpre: passaram 1049 dias desde que o Jr. nasceu, 25.176 horas.

Destes 1049 dias, apenas 13 dias eu estive com ele!

Dessas 25.176 horas, apenas 312 horas partilhei com ele!

Percentualmente, estive 14% dos dias da vida do meu guerreiro na sua companhia; 1% das horas de nossas vidas um com o outro!

Mas como eu não sou um economista, sou um humanista, e como sei que o Amor que tenho por ele não é mensurável: nós aguentamos!

Este texto era para ser de balanço e de alguma auto-comiseração, mas o meu “exército-ninhada” chama-me às armas, quer que eu lute, e os acontecimentos também não permitem, ainda, o descanso, o repouso, a balança, a contagem das vítimas.

Este espaço prova-o, as minhas palavras demonstram e os eventos diários dão-me razão:

A semana passada deixei-vos que o Tribunal da Relação não permitiu a minha presença na audiência do meu recurso, ferindo um direito constitucional que me assiste.

Esta semana, na RTP3: Ricardo Salgado não estava obrigado, ou era necessária a sua presença no Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão de Santarém, onde se encontra o recurso do arguido Ricardo Salgado, mas o mesmo, palavras suas à jornalista: “Quero estar presente para tirar notas!”

Eu não pude estar na audiência do meu recurso! “Não desistas! Luta, Pai!”

A audiência do meu recurso no Tribunal da Relação de Lisboa realizou-se. Ainda não sei bem o que se passou: somente 5 minutos de telefonema para a advogada! “Luta, Pai! Não desistas!”

O que sei, e assumo a soberba intelectual (mas a corrupção não!), é que mais uma vez se cumpriu aquilo que aqui escrevi: “[…] Os recursos da Relação demoram em média 8 a 9 meses (até mais).

Se assim for, em Julho de 2017 “vou para a rua” por excesso de prisão preventiva: 3 anos e 4 meses!

Burro, idiota, João! Foste lembrar os tipos disso! Assim não deixam passar os prazos como fizeram aos traficantes que estavam presos em Monsanto! Calma, os meus recursos vão ter decisões rápidas, acreditem! Tem sido confirmado tudo o que aqui escrevo![…]

Este é um excerto do texto, “Promessas”, publicado neste blogue no dia 26 de Setembro de 2016!

Cumpriu-se o previsto: 4 meses até à audiência e, pasmem, no dia 6 de Abril de 2017, treze (13) dias após a exposição da minha advogada oficiosa, a decisão da Relação!

No dia 5 de Abril de 2017, Armando Vara, cerca de 2 meses após a sua audiência na Relação, conhece a decisão; eu: treze dias após!

Da falta de celeridade da Justiça não posso eu queixar-me! Como? Já tinham a decisão tomada? O acórdão feito? Então para quê a audiência?

Do pouco que sei do que se passou, um pormenor preocupa-me: nos escassos 5 minutos de relato dos trabalhos, foi-me comunicado que o colectivo de Venerandos Desembargadores aquando da abertura da audiência, transmitiram à minha defensora oficiosa que estavam receptivos ao debate sobre a violação de segredo de funcionário agravado!

Então e a Corrupção?!? Não interessa? Já decidiram? Fica como está?!?

Possivelmente percebi mal! São só 5 minutos para tudo, um telefonema de cinco minutos e eu não pude assistir… vamos serenamente aguardar, não é!?! “Luta, Pai! Não desistas!”

Agora a “cereja no topo” deste cozinhado bolo!

Sou notificado aqui em “Ébola”, despacho datado de 17 de Março de 2017, que devo continuar em prisão preventiva, assim como os meus 4 co-arguidos presos.

Os argumentos invocados para mim: os mesmos! Tenho perigo de fuga por causa da minha rede de contactos, perigo de continuidade de atividade criminosa porque os meus crimes vão para além da minha actividade profissional (não perguntem porque também eu não sei o que isto significa!)

E, claro, perturbo a ordem pública porque os órgãos de comunicação acompanham o caso e eu contribuo para isso!

Agora o espectáculo! Três dos arguidos presos, por disporem de elevados rendimentos, aliado às ligações que têm no estrangeiro, podem fugir, logo, devem permanecer presos preventivamente!

Mais, não sabendo do paradeiro dos bens e do dinheiro destes (no final da investigação e julgamento!) devem permanecer presos!

Um destes três recorreu para a Relação de Lisboa da medida de coacção: “saiu-lhe” no sorteio a 9ª Secção e viu mantida a prisão preventiva!

Recorreu de novo e “saiu-lhe” a 3ª Secção! Encontra-se desde dia 15 de Março de 2017 em casa com pulseira eletrónica!!! “Luta, Pai! Não desistas!”

O ridículo da “coisa”: despacho datado de dia 17 de Março de 2017 obriga este meu co-arguido a ficar na prisão descrevendo-o como o “terrível dos terríveis”! Ele está em casa desde 15 de Março!

Quem é este co-arguido? É somente o sujeito que deu início à investigação, tendo aparecido depois o arguido Paulo Martinho, e, brinde para alguns, o Inspector João de Sousa a falar ao telemóvel com este último!

Este co-arguido que, finalmente, se encontra em casa com pulseira, foi condenado a 5 anos e 6 meses pela prática dos crimes de branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada!

Eu fui condenado a 5 anos e 6 meses pela prática dos crimes de corrupção e violação de segredo de funcionário agravado! Estou, ainda, preso em “Ébola”! “Luta, Pai! Não desistas!

Esta semana visitaram-me e eu cumpro sempre a minha palavra: no dia 29 de Março de 2017, um dia Félix para ti!

Estou aqui há três anos e os factos, a realidade, dão-me razão! Aguento não porque sou forte ou corajoso: o conseguido, a força, o ânimo, pouco de mim é, e muito a outros devo! Devo à “ninhada”, à “mãe da ninhada”, à Ana, aos sogros, aos pais, aos padrinhos, às visitas, ao André, ao Manuel que nem sequer conheço pessoalmente, à minha jovem advogada oficiosa, a corajosa e incansável Dra. Sónia, aos comentários de todos Vós, particularmente àqueles que por mim velam e de quem tenho saudades e aos que não esquecem a Dignitas!

Este é o verdadeiro exército que ao longo destes três anos tem lutado ao meu lado!
O ouro, os diamantes, os contactos, são estas pessoas, este é o meu património, a minha incomensurável riqueza.

O sopro divino que me faz voltar à vida, a energia divina, o meu sangue, músculos, vontade, são aqueles três pequenos seres que vocês podem ver na imagem!

Vou acabar com um excerto, uma pequena quadra premonitória da obra de Tolkien, “O Senhor dos Anéis: O regresso do Pai”, perdão, “O Regresso do Rei”. A invocação será feita na língua original, Inglês, porque a Lugar-Tenente do meu exército – Leonor, a Brava – obteve 100% na ficha de Inglês escrito e 83% na ficha de “Listening”:

“From the ashes a fire shall be woken

 A light from the shadow shall spring

 Renewed shall be blade that was broken

 The crownless again shall be King”

Obrigado, meus amores! Eu não desisto. Eu vou continuar a Lutar! Por Vocês!

“Treva”

Liberdade daqui a: 923 dias!

Não existe qualquer problema com a imagem!

Caro(a) Leitor(a), o seu monitor, o servidor, a ligação à “net”: está tudo a funcionar bem! É intencional, é assim mesmo: é a Treva!

Geralmente utiliza-se a palavra no plural – “Trevas” – mas não neste caso. Para mim, esta escuridão completa é uma entidade incorpórea, uma força que me esmaga e asfixia, uma presença, uma representação da mediocridade, um abuso, um assédio.

A manifestação pictórica do ponto a que cheguei, obrigado por algo ou alguém: o exacto momento do falhanço total! A desesperança. A ausência de luz. A solidão dos vencidos!

No próximo dia 23 de Março de 2017, pelas 14h45, no Tribunal da Relação de Lisboa, 9ª Secção, sito na Rua do Arsenal – letra G, 1100-038 Lisboa, realizar-se-á a audiência requerida pela defesa do Inspector João de Sousa, objectivando-se debater os pontos da motivação do recurso interposto porque o mesmo não se conformou com o acórdão da sentença do Tribunal de 1ª Instância.

Trata-se de uma audiência igual à requerida pelo Dr. Armando Vara e alguns arguidos do conhecido caso “Face Oculta”.

Contextualização: “Artº 61º do Código de Processo Penal (Português). Direitos e Deveres Processuais. Número 1. O arguido goza, em especial, em qualquer fase do processo, e salvas as excepções da lei, dos direitos de:

    a) Estar presente aos actos processuais que directamente lhe disserem respeito; […]”

Atendendo ao gozo, em especial, deste direito que me está constitucionalmente garantido, e como não posso deslocar-me por meios próprios uma vez que estou preso preventivamente, a minha defesa requereu às Venerandas Juízes Desembargadoras da 9ª Secção às quais foi distribuída a avaliação do meu recurso, a minha presença na audiência.

Num lacónico despacho manuscrito no verso de uma notificação enviada via fax, datado de 9/Março/2017, lê-se: “Não há lugar a renovação de prova, pelo que a presença do arguido não se mostra necessária”.

Não me é permitida a presença num acto processual que directamente me diz respeito!

O(a) Caro(a) Leitor(a), o cidadão português ou estrangeiro, os jornalistas, quem quer que seja que no dia 23 Março de 2017 deseje ver, assistir à realização da Justiça Lusa no Tribunal da Relação de Lisboa pode comparecer, o principal visado não!

A transferência da significação própria de uma palavra para outro significado que lhe convém apenas em virtude de uma comparação mental, é conhecida por metáfora! A “Treva” é também a representação da ignorância a que me votam, o isolamento a que me obrigam!

O arguido preso preventivamente apenas está privado da sua liberdade física, os seus direitos estão salvaguardados, existe igualdade de armas, capacidade para a preparação da sua defesa!

Tretas! Eu sou o maculado corrupto! Eu sou a escória! Eu não tenho nada que invocar os meus direitos!

Não vou falar na audiência, quem fará a exposição é a minha advogada oficiosa!

Não se vai renovar a prova, mas assiste-me o direito de estar presente: não posso comparecer, eles não querem!

A escuridão instala-se, a Treva oprime-me!

Recorre João! Luta! Socorre-te da Lei, das instâncias superiores! Dos Tribunais internacionais!

Reparem como a Treva veio para ficar!

“Inspector ataca Tribunais: João de Sousa queixa-se de desigualdade. Vai recorrer até ao Tribunal Europeu” (“Correio da Manhã”, edição de 13 de Fevereiro de 2017)

Esta notícia resulta de um texto deste blogue no qual exponho a minha frustração por “sair-me” sempre a 9ª Secção (muito antes da polémica dos “sorteios informáticos”) e denuncio o pagamento desigual das custas judiciais! Acrescentei que vou lutar sempre até ao fim, junto das instâncias legais!

Surpreendentemente, ou não, esta 4ª feira sou notificado pela Segurança Social de que foi indeferido o meu requerimento de protecção jurídica, pelo que devo pagar a taxa de justiça e demais encargos com o processo e defensor oficioso!!!

Sabem o que é mais incrível: ainda nem transitou em julgado a sentença! Ainda estou a recorrer! Ainda sou presumivelmente inocente!!!

Querem ver o que é mesmo vergonhoso? Não recebo ordenado desde Março de 2014, data da prisão preventiva! Durante 5 meses do ano de 2015 escrevi para o “Correio da Manhã”, tendo sido remunerado! Desde Janeiro 2016 que não tenho fontes de rendimento, até à presente data! 2014 sem rendimentos, assim como 2016 e 2017! Sabem qual foi o ano que contou (para a segurança social) para o cálculo? Claro, acertaram: 2015!

Recorro das decisões dos Tribunais? Como? Sem dinheiro não há Justiça!

Cama, comida e roupa lavada?

4€: pequeno-almoço, almoço e jantar. É este o orçamento das prisões para os reclusos!

Todas as semanas a mãe da “ninhada” faz mais de 300Kms para me visitar e gasta dinheiro em 1quilo (nem mais, nem menos, conforme o regulamento) de comida: 6 croissants, frutos secos e queijo fatiado!

Todas as semanas são cerca de 80/90 euros! Tenho 3 filhos menores!

A minha mulher, educadora de infância, não está no quadro do Estado. Todos os anos fica desempregada em Agosto, aguardando colocação durante 2, 3, por vezes 4 meses!

Não tenho direito a protecção jurídica?!?

Retêm-me aqui preso, em vergonhoso e notório contraste com outros que em liberdade requerem a reposição de subvenções vitalícias ao Estado; não me permitem trabalhar, sustentar a minha Família, e a mim, que tudo declarei, que sempre cumpri com as minhas obrigações fiscais, que nunca, nunca, pedi a amigos, que tudo o que tenho está “documentado” pela entrada na minha conta conjunta com a minha mulher do dinheiro dos nossos ordenados e da saída do mesmo aquando do pagamento de tudo o que possuo – casa, roupa, carro, viagens – indeferem a protecção jurídica?

Sabem quantos recursos apresentei? Seis (6)!

Manobras dilatórias? Como, se estou preso?!? Quando se está lá fora, em liberdade, nessa condição lucra esgotar prazos: para a semana, dia 29 de Março de 2017, “celebro” 3 inacreditáveis anos de prisão preventiva!

Seis (6) recursos, não foram trinta (30)! Existe uma dolorosa diferença entre recorrer em liberdade ou recorrer preso!

Nunca, repito, nunca, atrasei uma declaração de IRS. Nunca estive em dívida para com alguém!

Tudo o que tenho, trabalhei para o conseguir. Estudei, medrei, demarquei-me dos meus pares e vi recompensado o meu esforço! Sinais exteriores de riqueza? Maldade, mediocridade, inveja, pequenez de quem coordenou a investigação!! Tenho tudo documentado! A única coisa que arranjaram para me condenarem foi uma “promessa”!

Mais do que impossibilitarem-me de lutar pela minha inocência (e pela primeira vez o digo: a minha inocência! Qual corrupto, qual merda!!!) cerceiam-me, impossibilitam o acesso às armas para defender a minha Honra. Estão a manietar, impedindo-me de lutar por aqueles que amo, por aqueles que estão a sofrer e a passar necessidades: a minha “ninhada”!

Sempre pautei o meu comportamento e acções como se as únicas vítimas dos meus actos fossem uma única pessoa: eu!

Neste momento os meus filhos, a minha Família, passam necessidades!

É o preço a pagar pelos meus crimes?!?

Quais crimes? Onde está a corrupção?!? Todos os comentadores, do Ministério Público a advogados, dos Juízes ao cidadão comum, são peremptórios: a corrupção é o crime mais difícil de provar!

Bolas! A facilidade com que me condenaram por uma promessa de vantagem patrimonial futura é incrível!

A Treva, o desespero!

Daqui a 132 dias, 29 de Julho de 2017, termina o prazo máximo para a minha prisão preventiva (3 anos e 4 meses)!

Hipótese: a Relação mantém a pena de 5 anos e 6 meses mas a minha defesa recorre para o Tribunal Constitucional e eu saio em liberdade, mesmo que volte passados alguns meses a “Ébola”!

Como vou recorrer sem disponibilidade económica?

Temo o Futuro dos meus! Eu aguento mais 2 anos e 6 meses, não aguento o definhar da minha Casa!

O desespero, a Treva!

Eu sei que tenho razão, “eles” têm TUDO!

10 mil milhões sem fiscalidade. Gestores que não desejam apresentar declarações de rendimentos.

Milhões transferidos ou transportados na bagageira de um carro!

Bréu. Treva.

Para a semana este espaço atingirá 350 000 visitantes em 2 anos e 5 meses de existência!

Mais de 100 000 leitores anuais! Já fizeram a proposta: “Disponibiliza o espaço para publicidade, lucras monetariamente!” Conquanto por vezes apareçam anúncios, eu não permiti, nem lucro com isso!

Este espaço é o meu património escrito, a prova do que pensei, hesitei, fiz!

Um leitor (ou leitora) na passada semana deixou um comentário dizendo que era por causa dos textos que escrevo que ainda estou preso. Creio que tem razão!

Hesito. Duvido. Estou só, na Treva, manietado! Nunca pensei que isto fosse possível!

Churchill: “Sucesso consiste em seguir de falhanço em falhanço, sem perder o entusiasmo!”

Quantos falhanços? Dez, vinte, alguns, muitos, poucos? Treva, preocupação, dor!

Força, João! Lembra-te de David contra Golias!

O Estado contra ti, o “Sistema” contra um só: tu! Mas nem uma funda, uma pedra, é-me permitido ter!

Como provar a minha “pontaria”, colocando a pedra na fronte do filisteu Golias, se não permitem a minha presença no “campo de batalha”?

Não! Não sou David! Sou Mársias, o sátiro da mitologia grega! Conhecem a história?

Mársias desafiou Apolo, deus da música, para um concurso musical com flauta. Propalou o soberbo Mársias ser mais virtuoso que o deus. Ficou acordado que o vencedor poderia tratar o vencido como desejasse.

Apolo venceu! Para castigar Mársias pela sua desfaçatez, arrogância, presunção, atou-o a uma árvore e esfolou-o vivo!

Ataram-me! Esfolam-me vivo! Quando um leopardo morre deixa a sua pele, um homem a sua Honra! Estou na Treva moribundo!

Esfolam-me vivo! Sujeitam quem amo à precariedade… Treva. Desespero. Hoje, lamento, sinto-me derrotado! Lamento, meus amores!