“O Triunfo da Mediocridade”

Liberdade daqui a: 811 dias!

Condicionados pela nossa circunstância. Balizada a nossa percepção do Mundo, do Outro, pela natureza da nossa personalidade, muitas vezes criticamos terceiros não reconhecendo nestes os atributos e aspectos positivos que encerram em si.

Critiquei neste espaço, no passado, o facto de o Exmo. Sr. Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, ter atribuído um louvor colectivo aos meus três colegas Inspectores que investigaram o meu “caso” (CFR. texto, “Louvores”, de 7 de Novembro de 2016).

Desejo neste opúsculo fazer retratação: errei, possivelmente condicionado pela minha condição de recluso, porque não compreendi o gesto do Senhor Director, o real alcance do mesmo.

É merecido o louvor, agora compreendo claramente, uma vez que os meus três colegas do Departamento de Setúbal ( e a Dra. Maria Alice, para sermos justos!) são os únicos que conseguem a manutenção da prisão preventiva de um perigoso corrupto durante 3 anos e 3 meses; são os únicos que conseguem provar a existência de corrupção, ainda por cima na forma de “uma promessa”, ao contrário de todos os outros Inspectores, Inspectores-chefe, Coordenadores, e, convém incluir, Magistrados do Ministério Público e Magistrados Judiciais, como se pode confirmar através dos exemplos que por forma a ilustrar e corroborar o que afirmei passo a apresentar; Hermínio Loureiro e seus co-arguidos: António Mexia e seus co-arguidos (inclusive Manuel Pinho, sendo que este nem as perguntas fizeram); Manuel Macedo, Manuel Palos e restantes co-arguidos dos “Vistos Gold”; Paulo Lalanda e Castro, Luís Cunha Ribeiro e restantes co-arguidos do caso do sangue, “Zero negativo”; Ricardo Espírito Santo e restantes “accionistas”; Hélder Bataglia e os outros “Monte Branco”; Armando Vara, Manuel Godinho e restantes envolvidos no caso “Face Oculta”!

Que raio de investigações realiza a restante P.J. que não consegue obter o resultado da Coordenadora Maria Alice e dos três fiéis Inspectores? O que fizeram estes que os outros não fazem?

Retratação feita, porque todos nós encerramos coisas positivas, vamos voltar ao Exmo. Sr. Director da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, porque, mais uma vez, a realidade deu-me razão!

1 de Julho de 2017, 20h25, RTP1, “Telejornal”: “IPMA, em relatório solicitado pelo Primeiro-Ministro António Costa, assegura que não caíu raio perto da árvore “identificada” pela Polícia Judiciária”!

2 de Julho de 2017: “Diário de Notícias” e “Correio da Manhã”, noticiam que não foi como o Director da P.J. afirmou, horas após o incêndio começar, apresentando a perícia do IPMA para rebater as declarações do responsável máximo da Polícia Judiciária!

3 de Julho de 2017, TVI, “Diário da Manhã”: “Relatório de 120 páginas do IPMA contraria versão da P.J. (Director Almeida Rodrigues). Miguel Miranda, Presidente do IPMA, na televisão apresenta o relatório e suas conclusões, esclarecendo dúvidas.

LUSA, 3 de Julho de 2017, edição “on-line”: “Não há evidência meteorológica desse facto, salienta Miguel Miranda (Presidente do IPMA) […] que até pediu apoio a colegas da rede “Euclide” (rede europeia) […] o sistema tem uma eficiência de cerca de 95% […]”

Como dizia o gigante Batista-Bastos, “Há que dizê-lo com frontalidade”: que grande “borrada”, Dr. Almeida Rodrigues!

Asneira feita, como resolver, como corrigir o borrão, como recuperar esta “pintura tosca”?

Tenho que relembrar o(a) Leitor(a), porque eu já escrevi sobre isto! O Primeiro texto deste blogue, “Todos vêem o que aparentas ser, poucos percebem quem tu és”, 4 de Outubro de 2014:

“[…]Imaginem alguém que presenciou o momento em que se decidia o que escrever/dizer aos “média”, para que dessa forma se pudesse colocar “um véu de trevas honestas” sobre o erro que se cometeu numa qualquer investigação […]” Escrito há cerca de 3 anos! Confirmou-se!

O que fez o Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues? Deu a cara, esclareceu, retratou-se? Claro que não!

Numa investigação em segredo de Justiça observamos um Coordenador da P.J., coordenador dessa mesma investigação, aparecer na revista “Sábado”, edição nº 687, de 29 de Junho de 2017, a prestar declarações, justificando conclusões, adiantando que foram ouvidas três testemunhas, “três pessoas que dizem ter visto cair o raio que terá iniciado o incêndio de Pedrogão Grande”!

“Um véu de trevas honestas”: Fizeram tudo, encontraram a árvore e até três pessoas, o que sempre é melhor que uma!

“[…] Que garantias temos que tudo vai ser feito para apurar as reais causas do incêndio, e não para confirmar as declarações despropositadas, verdadeiro estrupício, do Director da P.J. […]”. Deixei-vos esta na semana passada!

Vamos dar o benefício da dúvida: não foi para salvaguardar o verdadeiro desbocamento do Dr. Almeida Rodrigues. Mas, e a questão é pertinente: vamos valorizar mais a subjectividade de três testemunhas ou os dados científicos apresentados? Afinal: a P.J. é ou não é uma polícia científica?

“Quase com certeza, é a minha convicção, não vi”; “Não estava presente, não ouvi nada, não se sabe. Apenas se verificou através das intercepções telefónicas!”; “Tenho 36 anos de profissão, não 36 dias!”. “Não posso afirmar que pagavam!”; “Se calhar encontrei razões!”. “Não sabemos, não fizemos a perícia!”; “Seria o ideal mas não foi feito”. “Devido à pressão a que formos sujeitos eu assinei relatórios do meu colega e o meu colega assinou os meus!”

São frases que já conhecem: pronunciadas pela Coordenadora Maria Alice; pelos três fieis e louvados Inspectores, sendo que a última foi proferida por um elemento da Autoridade Tributária, durante o meu Julgamento (está tudo gravado, como a “fita do tempo” da tragédia e as impensáveis declarações do Director da P.J. – “Achámos a árvore” – horas após o início do incêndio, ainda lavravam as chamas!).

Conseguem identificar um padrão de actuação? É notório o triunfo da mediocridade?

Tenho razão ou não? Claro que tenho: ainda continuo, vergonhosamente, em prisão preventiva. Incomodamente já expus tudo isto aqui, antecipando, explicando!

Eu posso estar condicionado, ressabiado, então e a Clara Ferreira Alves? “[…] Quero saber o que correu mal e o que não correu mal. Ou se correu tudo mal. Quero saber por que raio a Polícia Judiciária um dia depois já sabia que era um raio, na investigação mais célere da sua história […]” (in revista “E” do Jornal “Expresso”, edição 2331, de 1 de Julho de 2017)

“Então Polícia Judiciária? Esclarecimentos, por favor!” Texto publicado neste blogue em 8 de Novembro de 2014 (em 2014!). Excerto: “[…] A P.J. tem de esclarecer, tem de assumir de uma vez por todas que não se pode remeter ao silêncio, como sempre fez e faz, esperando que no segundo seguinte surja outro caso que faça esquecer os erros e omissões do anterior […] Não pode esperar que tudo vá passar, não deve depositar fé na solução sem acção, procrastinar o gesto e a fala. Actualmente não é possível. […]”

Ainda bem que tudo fica na “net”. É isto que me dá alento para tudo suportar: saber, ter razão! Observem! TVI, “Jornal das 8”. 20h20, José Alberto Carvalho: “A TVI colocou 8 questões à Direcção Nacional da P.J., após a apresentação do relatório do IPMA: Não responderam a nada!

Ah! João de Sousa, orgulho de seus pais!!!

Bom, sejamos justos, se calhar agora, confortavelmente, tem o Dr. Almeida Rodrigues que obedecer à questão do segredo de Justiça!

Que grande cacetada na idoneidade da P.J.! Surpreendido, eu? O que venho escrevendo comprova-o: “Quem está no convento sabe o que vai lá dentro”, e eu estive lá 15 anos e muito atento!

Onomástica. Estudo dos nomes próprios. Desde sempre que é um “hobby”. Todos temos o nome que nos dão aquando do nascimento – padrinhos, pais, etc. – e aquele que os outros, consequência do nosso desempenho, nos “ofertam”. Por vezes coincidem!

Reparem! “Almeida”: é um termo náutico que designa a abertura que dá entrada ao cano do leme. Engraçado como se aplica ao Exmo. Sr. Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues: a abertura, o “buraco” está lá mas o leme encontra-se em falta, logo a P.J. navega impelida pelas vagas destruidoras da incompetência.

Utilizei termos como “borrada” e “borrão”, o que me conduz a outro exercício de onomástica. Criado em Lisboa pelos meus avós paternos, sempre os ouvi a dizer, sobre os funcionários da Câmara que realizavam a limpeza da cidade: “Respeita o trabalho do “Almeida” e não atires lixo para o chão!”

O Dr. Almeida também não dignifica estes “Almeidas”: uns limpam, prestando serviço público, ele, Director da P.J., conspurca irremediavelmente a imagem da instituição que dirige!

O que nos leva à análise da imagem que ilustra este texto!

Todos nós criticamos, furiosamente, as tolices, as baboseiras, os perigosos regulares regurgitares de Donald Trump. Todos nós manifestamos a nossa indignação perante a falta de verdade, honestidade e cientificidade das declarações do actual presidente dos E.U.A.

As “fake news”, a falta de rigor, as versões mirabolantes que só mancham a bandeira estado-unidense e o seu valoroso povo são por todos repudiadas; e por cá? E as declarações sem rigor científico, responsabilidade institucional, honestidade intelectual do Director da P.J.? Não mancham a bandeira da Instituição, a idoneidade dos profissionais que fazem parte da mesma?

Polichinelo! Conhecem? É um boneco, uma personagem cómica do teatro de marionetas. Um bobo que até poderia despertar em todos nós a gargalhada se o luto que todos experimentamos não condicionasse o nosso humor!

Polichinelo, um títere: “indivíduo que se deixa facilmente levar por outrem, que só age por inspiração ou a mando de outrem”. Eu acrescento: que se deixa levar por algo, neste caso português, manietado pela incompetência!

Como é possível medrarem líderes com estas características? A última imagem ilustra e oferece explicação: porque o português médio esquece facilmente, não se interessa! Porque, após a “borrada”, tentam reescrever a “narrativa”, porque toda a “máquina judicial” não se auto-regula e auto-critica.

Porque como é costume, a culpa morre solteira, o que facilita o medrar destes autênticos cogumelos que preferem os lugares da fria indiferença, da húmida e nefasta ignorância.

Depois de Pedrogão Grande, Tancos: o Director Almeida respira de alívio, o foco já não está sobre si!

Depois de Pedrogão Grande a guerrilha política: o Director Almeida, qual títere, servirá!

Depois de Pedrogão Grande, o esquecimento: o Director Almeida manterá o seu lugar frio e húmido até prevaricar outra vez e inevitavelmente tudo ser esquecido!

Ou talvez não! Como tudo fica na “net”, eu reitero: demita-se, Dr. Almeida Rodrigues, já toda a gente sabe (é um “segredo de Polichinelo”) que V. Exa. é o oxiúro que provoca o desagradável incómodo e que só pode ser eliminado através da administração de purgativos!

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura!”

Liberdade daqui a: 818 dias!

Não desistir, não capitular, interpelar, falar, gritar se necessário for mas nunca desistir…

Temos que revisitar o tema da passada semana … perseverar… temos que ir ao encontro das vítimas: relembrar, alertar…

No Domingo passado, 25 de Junho de 2017, a “ninhada” veio visitar o pai.

Durante a semana apenas cinco minutos para falar com a mãe da “ninhada”, cinco minutos para tudo, trezentos segundos em que tudo fica por dizer.

Reunidos no Domingo, duas horas (um luxo), complementa-se a informação que durante a semana (30 minutos acumulados, no total) foi trocada.

Soube no Domingo, 25 de Junho, que as filhas daquele atónico pai que vi na televisão a chorar a morte de ambas, assim como a morte da sua mulher, estavam em câmara ardente na escola das minhas filhas, a serem veladas. Os corpos, os cadáveres de duas meninas com a idade das minhas, estavam num féretro na escola que frequentavam com a Leonor e a Helena.

As minhas filhas não as conheciam pessoalmente, não privavam com elas diariamente, não iam a casa delas: “apenas as conheciam de vista, do recreio!”

Por acaso “apenas as conheciam de vista, do recreio”, não passavam tardes com as meninas, nunca foram com elas e os seus pais passar um fim-de-semana na sua casa, como já inúmeras vezes sucedeu com outras ou outros colegas, por acaso.

As minhas filhas podiam ter estado lá, qualquer um de nós podia ter estado lá, todos nós somos vítimas. Pior: todos nós somos responsáveis pelo sucedido! Sim! Todos nós!

Passadas duas semanas após o incêndio, verdadeiro inferno, obra do Diabo porque o Diabo está nos “pormenores” e tantos “pormenores” existiram e subsistem, observámos o “jogo-do-empurra-a-responsabilidade” do costume e a costumeira apatia, marasmo e indiferença cívica do povo português!

Um concerto solidário que de forma inédita uniu os três canais de televisão?

Recorde de contribuições voluntárias de alimentos e roupa?

Indignação generalizada?

Toda a gente que é alguém e muitos mais que nunca se ouviu falar, criticaram em revistas, jornais, televisões e na inevitável rede social o que aconteceu?

Estimados, com todo o respeito: “Bardamerda” para tudo e todos!

Na Grã-Bretanha, Londres, morreram pessoas num prédio, vítimas de um incêndio evitável, e verificou-se um “day of rage”, um dia de raiva, indignação, um protesto cívico, como nos deixou Clara Ferreira Alves na sua crónica semanal na revista “E”, do jornal “Expresso”.

E por cá? O que se fez? Falou-se dos gémeos do Cristiano Ronaldo, e se perguntarem a um português médio em que zona do país fica Pedrogão Grande, é muito provável que desconheça mas responderá correctamente se for questionado sobre o nome das crianças do nosso génio futebolístico!

Estas desgraças que nos tocam são fruto da nossa indiferença. Consequência do nosso divórcio de tudo o que é política, participação cívica, capacidade de protesto informado e esclarecido. Todos criticam o Estado (que somos todos nós) e os políticos, olvidando que aqueles a quem apontamos o dedo foram por nós eleitos quer pelo voto, quer pela abstenção.

Não existe lá nenhum em quem eu confie; oiço-vos dizer? Candidatem-se!

Ajam!

Tudo o que se passou nas semanas “pós-inferno” é um fiel retrato do que é ser português: O líder (hipérbole generosa) da oposição, utiliza a desgraça alheia como arma política e “esbardalha-se” todo com informação não confirmada sobre suicídios (26 Junho 2017)!

A Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, no dia 28 de Junho de 2017, pelas 17h30, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, emociona-se até às lágrimas, embarga-se a voz, declara que não foi o pior dia da sua carreira política mas sim o pior dia da sua vida. O português médio que viu o “Zé Maria” vencer o “Big Brother” porque era o mais “coitadinho”, fica embevecido e compreende; as respostas ficam por dar, a responsabilidade fica por apurar.

Ninguém obtém respostas do Governo, dos Ministérios responsáveis, das Instituições envolvidas ou das autoridades presentes, e o Governo solicita (ordena) a criação de um “focus group” para apurar os índices de popularidade que dispõe após a tragédia ?!?

Nada disto vos indigna? Revolta? Nada disto vos exaspera?

Se acham que eu estou “de mal com tudo e todos”, peguem no comando da “box”, recuem até 29 de Junho de 2017, quinta-feira, RTP1, programa “Grande entrevista” e atentem no que nos deixou António Barreto!!!

Diz-nos António Barreto que não acredita que se alcancem explicações válidas, causas verdadeiras, responsabilização sobre o sucedido.

Acrescentou que o contrato do SIRESP é uma vergonha, mais do mesmo de três protagonistas conhecidos e reconhecidos: José Sócrates, BES e PT!

O Sistema Integrado de redes de emergência e segurança de Portugal, no seu contrato, cláusula 17ª, consigna que serve para tudo excepto para emergências! Aquando do concurso público, outra entidade fornecia o serviço com ligação satélite, mais barato, mas não ganhou o concurso porque, palavras de António Barreto (não do Inspector João de Sousa preso preventivamente há 3 anos e 3 meses) não estava por detrás do negócio a nefanda tríade: José Sócrates, BES e PT!!!

Por favor, vejam a entrevista! Informem-se! Participem! Podiam ser vocês e os vossos filhos!

António Barreto, conhecedor, disse que a criação de uma comissão independente para apurar, com exactidão, responsabilidades/causas é uma assumpção tácita de que as entidades oficiais não são idóneas, credíveis e capazes!

Debate quinzenal, 28 de Junho de 2017. Assembleia da República. António Costa, primeiro-ministro, em resposta a Assunção Cristas, afirma que é o Primeiro-Ministro e não só o António Costa, por isso, guardava a sua opinião sobre o sucedido, opinando somente quando soubesse onde e como começou o incêndio!

António Barreto, António Costa e… Almeida Rodrigues, Director Nacional da P.J.!!!

“Água mole em pedra dura…” “Eles” podem continuar a manter-me por aqui, em “Ébola”, mas eu não me calo: podiam ser os meus filhos, a mãe da “ninhada” no meio do Inferno!

Voltando ao texto da semana passada, perseverando, voltando ao “calhau” do Exmo. Sr. Director da P.J., Dr. Almeida Rodrigues…

Horas após o início da tragédia, ainda o fogo medrava, ceifava vidas, incompreensivelmente o Director da P.J. encontrava a árvore atingida por um raio que esteve na origem do incêndio afastando “mão criminosa”! Estultícia, falta de cientificidade, ausência de bom senso e liderança, incapacidade para gerir uma instituição que seria, como o foi, chamada a dar resposta científica ao sucedido, uma instituição que o português médio (o mesmo que sabe o nome dos gémeos do nosso Ronaldo) ainda, por ignorância, considera uma das melhores polícias do Mundo!

“Daniel Saúde viu o fogo começar em Escalos Fundeiros. Ligou para o 112 às 14h38. Tirou-lhe a primeira fotografia. A P.J. nunca lhe perguntou como foi”. A frase é do Jornal “Expresso”, edição de Sábado, 24 de Junho de 2017, mas encontra-se em todos os “media”!

Mais uma vez: eu tenho razão!

O António Barreto tem razão quanto à comissão independente. O Primeiro-Ministro, o Ministério Público, a Procuradora Geral da República, Dra. Joana Marques Vidal, vão receber um relatório da P.J. que estará irremediavelmente ensombrado pela indómita inépcia do Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues!

Todos nós temos que interpelar quem lidera (lá estou eu com as hipérboles) toda esta desgraça, sim, desgraça, não investigação: que garantias temos que tudo vai ser feito para apurar as reais causas do incêndio e não para confirmar as declarações despropositadas, verdadeiro estrupício, do Director da P.J.?

Será que também neste caso vão excluir tudo aquilo que não confirma a autêntica “barbaridade” que o Director Nacional disse?

Reparem: até pode ter sido o raio da árvore, mas “raio parta” um dirigente máximo vir a público dizer isto, horas após o ocorrido, sem relatório, cientificidade, método aplicado!

Mais, agora tudo indica que não foi conforme adiantou o Dr. Almeida Rodrigues!!!

Como fica a idoneidade da P.J.?

Durante estas duas semanas a impensável actuação do Director da P.J., passou incólume, sem escrutínio, crítica ou responsabilização. Um povo sem sentido crítico, sem conhecimento, sem preocupação e consequente participação cívica, é responsável pela nefasta manutenção e medrar de dirigentes incompetentes.

Quem esteve do “outro lado das grades” e conhece os protagonistas, já expecta que declarações como aquela do Director Nacional da P.J. ocorram! Vendo nos jornais (ou em directo nas televisões) indivíduos que no passado, imprudentemente, de forma inacreditável e impunemente, ordenaram aos bombeiros a limpeza antes da devida análise, com recurso a jactos de água, de uma cena de crime de um homicídio, agora assumirem cargos de direcção de áreas científicas da Polícia Judiciária, é como reviver o erro, assistir ao triunfo da mediocridade, confirmar que a evolução não se verificou!

Quem afirmar que só agora alerto e falo disto, só agora recluído, oiçam as gravações do primeiro interrogatório a que fui sujeito aquando da minha detenção em Março de 2014 (gravações que tornarei públicas) onde se ouve o Procurador, Dr. João Davin, não a perguntar pela “minha corrupção”, não apresentando factos que conformassem acções ilícitas, mas sim a questionar se eu, Inspector João de Sousa, mantinha as opiniões que expressava nas “escutas” sobre os meus superiores hierárquicos!!! Surpresos? Acreditem!

Eu sei porque estou aqui, o Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, colocado lá, não sabe o que diz, e todos nós, governantes incluídos, permitimos que a incompetência, a iniquidade, a consequente injustiça, a ignorância, o desmérito e, pior que tudo, o desrespeito pelas vítimas e seus familiares desta horrorosa tragédia, macule qualquer concerto solidário, recolha de fundos ou discurso político!

Ninguém me ouve? Ninguém me liga? Brado aos ventos? Estou só? Não. Não acredito nisso!

Se ninguém ouvisse (ou melhor, lesse!) eu já estava em casa junto dos meus!

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura!” Eu vou continuar a “pingar”, como na “tortura chinesa”. Uma torneira que pinga, à noite, onde está instalado o silêncio da indiferença, a pingar ininterruptamente, de forma cadenciada: incómoda!

Tenho de incomodar, tenho que me sentir incomodado com tudo isto: as vítimas mortais e seus familiares exigem isto de mim e de todos nós!

Mesmo que o Director Nacional da Polícia Judiciária, Dr. Almeida Rodrigues, passe entre os pingos da chuva, mesmo que a imprensa nada diga sobre as suas declarações, mesmo que o meu contributo seja uma gota no oceano, um dia, uma simples gota, a última, fará transbordar a água do copo. Um dia, uma simples gota, de tanto bater: fura!

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”: Demita-se, Dr. Almeida Rodrigues!

 

“A tragédia de Pedrogão Grande e a “silly season” do Dr. Almeida Rodrigues (P.J.)”

Liberdade daqui a: 825 dias!!!

Um pai/marido sobrevivo, visivelmente aturdido, vencido, a relatar como conseguiu salvar os seus pais e como perdeu a mulher e duas filhas, da idade das minhas.

O mesmo pai/marido sobrevivo, visivelmente atónico, inerte, oferecendo a si uma reconfortante versão do que possivelmente se passou nos instantes finais da mulher e filhas: “Se calhar o “airbag” disparou e ambas desmaiaram, a outra por causa do cinto ou sem o cinto também deve ter ficado inconsciente.” Algo deste género porque não consegui apontar, consequência da comoção que experimentei ao ver e ouvir este pai/marido impotente, fraco, débil, incrédulo.

As mais sentidas condolências para todos os familiares desta tragédia e para todos nós!

Para quem nos governa, um conselho com milénios; para quem (supostamente) nos lidera:

“Faz planos para o que é difícil enquanto o que é difícil é fácil; faz o que é grande enquanto o que é grande é pequeno. As coisas mais difíceis do mundo devem ser feitas quando ainda é fácil fazê-las; as maiores coisas do mundo devem ser feitas quando se afiguram pequenas. Por esta razão, os sábios nunca fazem o que é grandioso, e é por isso que conseguem alcançar tal grandeza.” (“A arte da Guerra”, Sun Tzu) Percebem isto, V.Exas.?

Para os “soldados da Paz”, os nossos valorosos bombeiros: que altíssimo exemplo de dedicação, abnegação de si mesmo, voluntarismo e coragem! Coragem? Perdoem-me mas tenho que substituir “coragem” por “temeridade”. Temerário é aquele que se revela audacioso até à imprudência, o que não é profícuo, não lucra à causa nem ao próprio!

Bravos “soldados da Paz” exijam formação, condições e profissionalismo, exijam serem pagos, exijam serem dotados de cientificidade e capacidade logística; coragem é ter medo, conhecer o perigo e avançar. Os nossos bombeiros avançam, sempre, mas não conhecem o perigo  e morrem, isto não é admissível. Obrigado, soldados da Paz de Portugal!

Junho, Julho, Agosto, Setembro: férias para os portugueses, para o Parlamento, para os Tribunais. Não existindo nada mais do que o ansiado descanso, nas televisões nacionais, inicia-se oficialmente a “silly season”!

Ultimamente, os incêndios, infelizmente, reiteradamente ofertam “matéria” para notícia, comentário, comentário ao comentário, inferência retirada do comentado, comentário da inferência, especialistas da especialidade especialmente preparados para a emissão especial sobre a tragédia!

No fundo, é uma “silly season temática” na “silly season”.

Ninguém ajuda na confusão, pelo contrário, e tudo fica na mesma, ficando mais uma vez a culpa e a responsabilização por desposar!

Um exemplo do que afirmo, ocorrido nesta tragédia de Pedrogão Grande! Um docente de uma universidade “engenheiro florestal e especialista em comportamento do fogo”, sobre as vítimas da estrada EN236 (a mulher e duas filhas daquele pai/marido atónico): “O fumo terá matado antes das chamas. Conta quem já investigou centenas de casos de incêndios. Acredito que as vítimas ficaram inconscientes. Mesmo as que foram encontradas carbonizadas, só foram queimadas muito depois de perderem os sentidos e estariam já mortas por causa da inalação de fumos. Sinal disto é a disposição dos cadáveres. Quando alguém é atingido pelas chamas, o corpo é encontrado com os braços em posição defensiva, como se fosse um “bouxer” a tentar apagar o fogo com as mãos. Se os corpos são encontrados com os braços caídos ao longo do corpo, isto quer dizer que estariam inconscientes quando as chamas chegaram.” (site do Jornal “Correio da Manhã”, em www.cmjornal.pt)

É docente de uma universidade, está nos média, centenas de casos investigados, deve ser, melhor: claro que é credível!

Vergonhoso, é o que isto é! Uma falta de respeito pela memória das vítimas, uma burla para os sobrevivos e seus familiares!

O cadáver de carbonizados apresenta posições atípicas ou se quiserem peculiares, designadas de “combate” ou “posição de bouxer”, consequência de um fenómeno físico, devido à rigidez muscular provocada pelo calor, predominando a musculatura flexora sobre a extensora. Esta flexão das extremidades superiores – braços – desenvolve-se à medida que o corpo esfria e não são o reflexo/prova de posição do corpo antes de ser queimado ou aquando da exposição ao fogo em vida!

Se por acaso não crêem no Inspector João de Sousa, a meses de ser considerado definitivamente corrupto pela Justiça Portuguesa, se acham que é só criticar por criticar, então eu oferto-vos aquilo que ninguém até agora ofertou, isto é, cientificidade: “Manual de Patologia Forense”, Vicente J.M. Di Maio e Suzanna E. Dana, VIII. Cadáveres Carbonizados; “Medicina Legal y Toxicologia”, Gisbert Calabuig, 6ª edición, Hábito externo de los cadáveres carbonizados.

Reparem que não invoquei os 15 anos de carreira na P.J., 13 de investigação de Homicídios, centenas de autópsias ou dezenas de carbonizados, nem sequer o facto de ser Membro da Academia Americana de Ciências Forenses, ou, ter sido um caso de homicídio em que o cadáver apresentou-se carbonizado a minha primeira publicação nos E.U.A., para ofertar credibilidade ao que afirmei. Apenas obriguei-me ao rigor, honestidade intelectual e respeito pelas vítimas e familiares que se impõe, ao contrário do senhor que se segue, incrível exemplo do que não se deve ou pode fazer, a bandeira da terrível “silly season” a que todos nós assistimos: Dr. Almeida Rodrigues, Director Nacional da Polícia Judiciária.

Primeira nota prévia: A coordenadora-superior, Maria Alice Fernandes, afirmou no  meu Julgamento (está gravado) que o Inspector João de Sousa sempre criticou muito a Polícia Judiciária.

Segunda nota prévia: Os elementos do laboratório da Polícia Científica da Polícia Judiciária, área da Física e da Química, são exemplos de profissionalismo, capazes de excelência no trabalho, assim como existem Inspectores e Inspectores-chefes com muita experiência e “saber-fazer”.

Terceira nota prévia: Novamente Sun Tzu, “A arte da guerra”, porque isto é uma batalha contra a ignorância e a incompetência. “Fazer com que homens combatam deixando que a energia do momento linear opere é como fazer rolar troncos e pedras. Os troncos e as pedras, quando estão em terra plana, estão parados, mas rolam se estiverem num terreno inclinado; mantêm-se imóveis se forem rectangulares, mas rolam se forem redondos. Assim, quando as pessoas são habilmente conduzidas em batalha, o momento linear é como o ímpeto de pedras redondas que se despenham, rolando montanha abaixo – isto é Força.”

A P.J. em perfeita articulação com a G.N.R., conseguiu determinar a origem do incêndio e tudo aponta muito claramente para que sejam causas naturais, inclusivamente encontrámos a árvore que foi atingida por um raio, disse Almeida Rodrigues”

O Senhor Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, que deveria conduzir os seus homens e mulheres na investigação, afinal é um autêntico “calhau” que imobiliza a máquina investigatória da instituição que dirige! Atenção que “calhau” é uma pedra de pequenas dimensões, logo entra facilmente na engrenagem e paralisa tudo; não é no sentido de indivíduo limitado, ignorante, tacanho (no sentido figurado de quem revela estreiteza de ideias) ainda que eu compreenda e aceite que o(a) Leitor(a) possa concluir facilmente isso mesmo!

Incompreensivelmente, ou talvez não para quem conhece a realidade da P.J. e quem a dirige, o Dr. Almeida Rodrigues comprometeu definitivamente a investigação capaz e esclarecedora do sucedido, permitindo, fruto da leveza, diria mesmo leviandade das suas palavras, que a dúvida e a desconfiança se instalassem e permaneçam mesmo aquando das conclusões finais dos investigadores.

Esta Direcção que se escuda no tempo que demoram as perícias forenses, recorrendo ao já estafado chavão, “isto não é como nas séries televisivas, como no “CSI” que dá resultados na hora”, surge nas televisões, na pessoa do Dr. Almeida Rodrigues, a afirmar taxativamente que está afastada a hipótese de “mão criminosa”, tendo inclusive detectado a árvore onde caiu o raio, local onde tudo se iniciou!

Como é possível tanta imprudência, falta de cientificidade, bom-senso?

João Pereira Moutinho, professor Universitário: “Não basta dizer que se fez o “máximo”, pode ser negligente, ignorante, ou ambos. No limite não é a natureza que mata. É a pobreza – material ou mental – dos homens” (in C.M. de 19 de Junho 2017)

Com as chamas ainda a lavrarem, sem confirmação laboratorial, pericial, só por “olhómetro” e averiguações preliminares, o Dr. Almeida Rodrigues avança, conclui, infere, aparece? O outro estudioso da posição de “Bouxer” é apenas um ignorante desbocado, o Dr. Almeida Rodrigues é o Director Nacional da Polícia Judiciária, uma Polícia científica (supostamente!)

João Pereira Coutinho “tocou na ferida” mas não nomeou, não responsabilizou. Eu, critico antes, durante e depois da prisão preventiva, aponto, identifico: é a minha humilde contribuição para as vítimas, familiares e Polícia Judiciária!

O Dr. Almeida Rodrigues é a comprovação viva de que a velocidade da luz é superior à do som, facto científico que auxilia, por breves instantes, o medrar da incompetência: surge a imagem, e, assim que começa a falar, a credibilidade e proficiência evolam-se!

Anteriormente, neste espaço, epitetei o Dr. Almeida Rodrigues de “Disparatado factótum” (texto publicado a 19 de Dezembro de 2016, “E se eu me calar… o que mudará?”).

“Factótum”, designa, ironicamente, um indivíduo que se julga capaz de tudo fazer ou resolver!

As suas declarações, à semelhança do que proferiu na ocasião em que escrevi o texto referido, corroboram o que expus!

Aquando da detenção de Pedro Dias, critiquei num texto publicado a 21 de Novembro de 2016 – “O caso Pedro Dias: uma mudança de paradigma na investigação criminal?” – o facto do Dr. Almeida Rodrigues estar a ser visível e notoriamente industriado (no sentido de “adestrar”) por uma advogada e por uma jornalista que em directo, via televisão, exigiam ao Director Nacional da P.J. que fosse o departamento “A” e não o “B” a deter o presumível homicida e no tempo, local e modo que exigiam!

O desempenho do Exmo. Sr. Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, nesta tragédia, à semelhança do que fez na tragédia das vítimas do presumível homicida Pedro Dias, corroboram o que venho expondo aqui há 3 anos e 3 meses (duração da minha prisão preventiva!)

Qual a razão para tão disparatada declaração? Uma árvore atingida por um raio, apurando-se depois de perfeita articulação com a G.N.R.? “Articulação perfeita” como no caso do Pedro Dias?

Vontade, necessidade de aparecer? O cargo que ocupa é tão nobre e dignificante que não pode ser essa a razão! Ou é?!?

Facto curioso: Sandra Felgueiras surge dias após a tragédia e as também trágicas (para a P.J. e todos nós) declarações do Director Nacional da P.J., junto da árvore em questão!

No mesmo dia em que a Dra. Joana Marques Vidal, Procuradora-Geral da República, informa que foi aberto um inquérito para averiguar as causas “de tudo”, inquérito que se encontra em segredo de Justiça!

Um inquérito aberto pelo Ministério Público após o Director Nacional da P.J. afirmar que não existia “mão criminosa”!?!

Jornal “I”, quinta-feira, 22 de Junho de 2017, número 2466, primeira página: “Incêndios de Pedrogão Grande: P.J. admite fogo posto”.

E agora: ficamos como?

O meu saudoso avô-paterno tinha uma expressão deliciosa para descrever indivíduos que notoriamente teimavam em reiterar na aviltante inépcia: “É um pateta alegre!”

O Exmo. Sr. Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, tem responsabilidades acrescidas, relativamente ao que afirma. É a cara de uma instituição da qual todos esperam respostas seguras, científicas, sólidas, esclarecedoras.

O Dr. Almeida Rodrigues comprometeu toda a investigação e lesou a credibilidade científica da Polícia Judiciária.

O Dr. Almeida Rodrigues é notícia, por causa do que afirmou, no “D.N.” e no “C.M.”, mas também no “El Mundo”, “El País”, “Globo.com”, “BBC News”, “CNN”, “The Telegraph” e “The New York Times”. Quem é técnico, perito, honesto intelectualmente: escandaliza-se!

Quem conseguir rir, ser irónico, pode satirizar: “As autoridades inglesas só agora conseguiram identificar as causas da tragédia do aranha-céus, ocorrida em Londres. Pudera, não é Director da “Scotland Yard” o Dr. Almeida Rodrigues que em poucas horas e com o fogo ainda a matar: dá com a árvore!”

À frente de uma instituição que ainda é vista pela população portuguesa como garante de cientificidade e aplicação capaz da Justiça (o que eu discordo construtivamente) Almeida Rodrigues, Director Nacional, goza desse prestígio ao mesmo tempo que o destrói, assim como destrói o património de confiança dos portugueses.

Se o Dr. Almeida Rodrigues não tivesse suspendido o meu ordenado, há 3 anos e 3 meses, eu oferecia-lhe a versão da obra de Sun Tzu, “A arte da guerra”, ilustrada, igual à que possuo, porque está comentada por excelentes líderes do antanho.

Comentário de Du Mu: “Atirar pedras do topo de uma montanha de dez mil pés de altura, tal que elas rolem encosta abaixo, e nada as poderá parar – isto deve-se à montanha, e não às pedras.”

Atendendo ao reiterar aviltante de manifestações de ignorância crassa, por parte do Dr. Almeida Rodrigues, e não por causa do(a) Leitor(a), impõem-se descodificar: a “montanha” e a sua “altura” representam a instituição P.J. e o seu património de confiança por parte dos concidadãos que servem; as “pedras”, os investigadores; quem as “atira”, o Sr. Director. Mesmo com esta vantagem natural (entenda-se: a falta de controlo de qualidade, escrutínio, conhecimento das populações, responsabilização, autoscopia e auto-crítica) o Dr. Almeida Rodrigues consegue esbarrondar toda a investigação!

Reiteração e responsabilização.

Reiteração: “Caso Joana”, “Caso Maddie”, “Caso Rui Pedro”, “Caso Freeport”, “Caso Pedro Dias”, “Caso Armindo Castro”, “Caso Ana Saltão”, incidente “Lingotes de ouro desaparecidos na Directoria do Norte da P.J.”, “Caso Meco” e agora a “Tragédia de Pedrogão Grande”!

Responsabilização: a Associação Sindical de Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária (ASFIC-PJ) tem o dever ético e moral de zelar pela boa imagem da instituição que servem/representam. Fui condenado em primeira instância pela prática do crime de violação de segredo por funcionário agravada; o e-mail que provaria os contactos que mantive com a imprensa a fim de denunciar outros “disparates” do Sr. Director Nacional da P.J., a pedido de elementos da ASFIC, serviu para provar a minha corrupção passiva e a tal violação agravada. A seu tempo será esclarecido, agora não importa!

Agora o que importa é responsabilizar! Se a ASFIC-PJ não tem a coragem e o sentido ético-moral para o fazer, eu, ainda que maculado, preso, desacreditado, faço-o:

Exmo. Sr. Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, demita-se!

Se por acaso o próprio não possuir esta réstia de nobreza e sentido de serviço público: a tutela, por favor, demita o Dr. Almeida Rodrigues. O país em luto agradece!

“Ainda o espanto? Venha lá a indignação e a responsabilização!”

Liberdade daqui a: 832 dias!

 A questão incontornável: o indivíduo não gosta de “mexer” em mortos!

É um pormenor, uma particularidade que poderia, se a gestão de recursos humanos da P.J. existisse de facto, inviabilizar a continuação do texto desta semana, mas, infelizmente, o sujeito (inerência da sua nobre profissão) é “obrigado” a tocar nos restos mortais de terceiros.

Ainda que “obrigado”, muitas vezes contornou esta exigência, até que um dia…

O cadáver, em avançado estado de putrefacção, encontrava-se no interior de um veículo automóvel, uma carrinha.

O Inspector de Homicídios da P.J., como era costumeiro naquele departamento, encontrava-se no local do crime somente com uma colega da “equipa” (um claro exagero) de recolhas forenses.

Useiro e vezeiro, foi célere na realização da Inspecção Judiciária: “Tira umas fotografias”, para o técnico que o acompanhava, “Depois podem retirar o corpo, por favor! Depois vê-se melhor na autópsia! Onde está o P.S.P. que tem o nome das testemunhas?”

Festina lente, dizia Augusto, “Apressa-te devagar”.

O cadáver deu entrada no gabinete Médico-legal regional. Foi colocado numa câmara frigorífica. A autópsia realizar-se-á no dia seguinte por um perito médico-legal que não esteve presente no local do crime. Informação que dispõe sobre o cadáver: indivíduo do sexo masculino, encontrado no interior de uma carrinha de cor branca, avançado estado de putrefacção. Foi chamada da Prevenção de Homicídios da P.J., que tomou conta da ocorrência. Uma folha A4, um auto de notícia da P.S.P., primeiro OPC (Órgão de Polícia Criminal) a deslocar-se ao local da ocorrência. Mais informação? Terá que ser com a P.J.!

No dia seguinte, no final da manhã, o Inspector da P.J. redige uma Informação de Serviço (um modelo disponibilizado informaticamente e que serve para informar a Chefia / Coordenação / Serviços Administrativos da colocação de dias de férias, avarias com o computador, etc., mas que costumeiramente utilizam para relatar as Inspecções Judiciárias ainda que o Código de Processo Penal Português, no seu artigo 99º, consigne que o “Auto” é o instrumento destinado a fazer fé quanto aos termos em que se desenrolam os actos processuais!).

Nessa informação  relatará o que realizou na Inspecção Judiciária (“realizou” é notoriamente hiperbólico) e, sem assistir à autópsia ou ter contactado o perito médico-legal, concluirá com a “chapa” costumeira, a mesmice: “Não existem indícios de intervenção de terceiros na morte em apreço, pelo que levo o presente expediente à douta consideração superior de V.Exa.”

Cerca de uma, duas horas após esta pérola da investigação estar em cima da secretária do Inspector-Chefe, aguardando que este levasse à Coordenação para a “douta apreciação superior”, o telefone do responsável pela brigada toca!

Era o perito médico-legal que tinha na sua sala de autópsias o cadáver do indivíduo cuja morte “não teve intervenção de terceiros”:

“Por favor é melhor vir aqui alguém da P.J. porque o tipo tem um cinto à volta do pescoço e não creio que tenha sido o próprio a colocar o mesmo!”

Espantados? Não pode ser?

A temática deste texto surgiu quando, após o almoço, aqui em “Ébola”, já na cela liguei a televisão e estava na antena Hernâni Carvalho, Júlia Pinheiro e o João Paulo.

Comentavam o julgamento da colega Inspectora, Ana Saltão.

Espantados estavam Júlia Pinheiro e João Paulo porque o Director da Directoria do Porto da P.J. reconhecia que tinha sido subtraído das instalações da Directoria um lingote de ouro!

Atenção Maria Alice: não fui eu, já estou preso há 3 anos e quase 3 meses!

O espanto medrava nos interlocutores de Hernâni Carvalho enquanto este informava-os, e aos telespectadores, das provas, dos exames realizados, do resultado das perícias, do acondicionamento das provas/vestígios, dos testemunhos dos peritos, das declarações das testemunhas!

No “caso Ana Saltão” passados dias, semanas, encontraram outra cápsula de uma munição na casa onde ocorreram os factos? Espantados? Inédito? Atentem!

O Inspector estava a ordenar as fotografias que o colega da equipa técnica tinha realizado no local do crime: compunha a reportagem fotográfica que acompanha a “Informação de Serviço” costumeira, ilustrando-a.

Um crime passional. Vários disparos de espingarda caçadeira. Na fotografia contabilizou “X” cartuchos de espingarda caçadeira deflagrados. Em cima da sua secretária observava “Y” cartuchos, entre deflagrados e íntegros! Faltava um cartucho deflagrado!

Viram no interior do carro. Vasculharam a sala dos técnicos forenses. Viraram a sala do Inspector do avesso. Confirmaram através de palpação de bolsos de uns e outros.

Faltava um cartucho deflagrado! Tinham a espingarda caçadeira e os cartuchos íntegros, da mesma marca e calibre. Vamos fazer constar que existiu um erro, um lapso; vamos assumir a negligência, é humano! Não! Solução: efectuar um disparo com a caçadeira, com um dos cartuchos íntegros e assim fica tudo bem!

Nem ocorreu a ninguém voltar ao local do crime!

Conhecem aquela anedota, sobre outro OPC cujo elemento lavra um auto de notícia no local da ocorrência, e, vendo parte do corpo de uma vítima de um brutal atropelamento – a cabeça – no passeio, não sabendo se “passeio” se escreve com um ou dois “S”, resolve a dúvida pontapeando a cabeça para a estrada e escreve: “[…] e a cabeça na estrada […].” Conhecem?

Esta do cartucho é a versão P.J.!

Espantados?

E as roupas do sobrevivente do “caso Meco”? E o tratamento dado às roupas da Inspectora Ana Saltão? E a recolha do vestígio palmar do “caso Estripador de Lisboa” que não aparecia?

E o outro que esteve preso por homicídio mas não foi ele?

Ah! E aquele que afinal era corrupto por causa de uma promessa mas que cada vez mais acha que sempre teve razão e considera que ainda está preso por causa disso, e não há meio de se calar, sendo prova registada os textos deste blogue, antecipando tudo o que agora se comprova? Espantados?

Não se espantem! Indignem-se! Exijam responsabilização!

Hernâni Carvalho afirmou que se não estivessem a acompanhar o julgamento da Inspectora Ana Saltão nada disto se sabia, pelo que continuariam, empresa privada (SIC), a realizar serviço público independentemente dos processos-crime em que fossem constituídos arguidos por difamação ou injúria!

Força Hernâni Carvalho! Força Júlia Pinheiro!

Só tenho uma mágoa: o meu julgamento e o que se passou nas sessões não foi escrutinado, analisado, comentado. Não espantou!

Não espanta a duração da minha prisão preventiva! Não espanta Juízes da Relação criticarem Juízes da Relação por causa da minha prisão preventiva! Não espanta eu estar condenado pela prática de crime de corrupção na forma de promessa!

Não espanta e até se estranha, conforme um(a) Leitor(a) tem deixado aqui todas as semanas nos comentários, não espantar aquilo a que me sujeitam!

A mim não me espanta e reitero: eu tenho razão!

Eu sei como a máquina da Justiça funciona mas não aceito, não baixo os braços.

A todos Vós só peço: não se espantem! Indignem-se, exijam responsabilidades, porque senão serão tão responsáveis quanto os costumeiros!

“Surpresas, curiosidades e confirmações após (mais) uma semana!”

Liberdade daqui a: 839 dias!

Enraizada na cultura ocidental, judaico-cristã, está a imagem da pena eterna infernal que ilustra uma sucessão eternal de dias, sempre iguais, sempre penosos, de renovada e constante dor.

Na mitologia grega temos Sísifo e o seu absurdo renovado trabalho: carregar o calhau até ao cume da montanha para o ver rolar por ela abaixo e retomar a tormenta.

Nos tempos modernos se desejarem tantalizar alguém é prendê-lo, de preferência preventivamente; nesta condição o indivíduo é sujeito a suplício semelhante à personagem mitológica grega – Tântalo – que ilustra a provocada irrealização dos seus desejos mais básicos: suprir a sede e/ou a fome.

Estar recluído é isto tudo. O mesmo dia de ontem que espelha o dia de amanhã. Não se vive o presente, anseia-se pelo futuro, condena-se o passado. Ou talvez não!

Se estivermos atentos, críticos, despertos, as semanas que desejamos que corram céleres podem-se revelar autênticas caixinhas de surpresas, que se insinuam perante nós e nos obrigam a pensar, surpreendendo-nos e, mais uma vez, confirmando que de facto temos razão!

António Mexia, Rui Cartaxo, Pedro Resende e Jorge Machado constituídos arguidos!

Surpresa? Claro que sim!

Mas sabem o que é de facto curioso para mim? É a inexplicável falta de aconselhamento jurídico que o Dr. António Mexia notoriamente apresenta!

Então a primeira coisa que o Dr. Mexia faz é dar uma conferência de imprensa após ser constituído arguido, ele e os outros!

Não saberá o Dr. Mexia e a sua equipa de advogados que existe um concidadão seu, preso preventivamente porque “[…] sendo certo que a audiência de Julgamento e a leitura do acórdão suscitaram a curiosidade dos órgãos de comunicação social, sobretudo atenta a qualidade de Inspector da Polícia Judiciária do arguido/condenado, com algum contributo efectivo do mesmo […]”, perturba a ordem e tranquilidade públicas?

Ninguém avisou o Dr. Mexia e os seus colaboradores que podem ficar em prisão preventiva, pela suspeita da prática de crime de corrupção, se existir curiosidade dos órgãos de comunicação social e se o próprio contribuir para essa mesma curiosidade?

Ele e os seus colaboradores não ficaram presos, são presumíveis inocentes! Claro que são e eu defendo isso mesmo; o que não é mais que a confirmação daquilo que me alimenta nesta luta infernal: eu tenho razão!

Durante a sua inquirição em sede de Julgamento, a Senhora Coordenadora Maria Alice (encarnação viva de uma harpia, para não fugirmos das imagens da mitologia grega) num dos seus paroxismos histéricos, afirmava que possivelmente o meu co-arguido pagava as minhas viagens aos E.U.A., assim como pagava a cota da Associação Americana de Ciências Forenses. Claro que isto foi um desesperado disparate, uma tentativa de levantar suspeitas, formar convicção na Juiz de que eu fora corrompido. Com documentação provou-se o contrário.

Surpresa: António Mexia (a E.D.P.) admitiu ter doado 1,2 milhões de dólares à Universidade Columbia (E.U.A.) a mesma que escolheu Manuel Pinho para dar aulas!!!!

Confirma-se: A defesa do Dr. António Mexia é muito fraca. Então não sabem que em Portugal um concidadão foi condenado pela prática de um crime de corrupção porque foi prometido ao mesmo, no futuro, sem documentação, contrato ou projecto, um laboratório?

Neste caso reconhecem a entrada de dinheiro que subsidia um curso de um antigo governante, decisor em questões relacionadas com a E.D.P.?

As semanas, aqui em “Ébola”, nunca são iguais para quem está atento, mesmo que as notícias cheguem com atraso. Agradeço o envio da notícia que a seguir vamos analisar!

Epitetei a Sra. Coordenadora Maria Alice de harpia? Claro que sim! Depois daquilo que neste espaço denunciei, depois de tudo a que assisti quando trabalhava sob a sua coordenação, eu posso fazê-lo, mas, se acham que estou errado, vejam o que me enviaram esta semana:

“Diário de Notícias”, 2 de Maio de 2017. Título da notícia (digital): “47,7 anos: P.J. tem os polícias mais envelhecidos do país”.

Maria Alice Fernandes odiava jornalistas, não gostava de falar com os “media” (e nós fazíamos de conta que assim o era!). Excerto do artigo referido: “[…] Mais céptica é a ex-dirigente, outra histórica da P.J., Maria Alice Fernandes, que se reformou há três anos, depois de ter liderado a directoria de Setúbal. “Vejo com preocupação essa realidade. Pelo que fui acompanhando de uma forma geral, as mulheres acomodam-se muito na P.J. Usam e abusam de licenças e baixas. Querem ser boas investigadoras, boas mães e boas esposas. Isso é impossível.  A investigação criminal levada a sério requer uma dedicação extrema, exige que se renuncie a muita coisa e muito espírito de sacrifício. Não foi o que vi, de uma forma geral, repito, e não sei o efeito que terá no futuro do trabalho da P.J.”

Quando neste espaço deixei que a Sra. Maria Alice, convictamente, considerava que só nas famílias pobres verificavam-se abusos sexuais, quando esta dizia que eram a “fina flor do entulho”; quando aqui escrevi que uma menor foi novamente abusada com o conhecimento e industriada pela P.J., Departamento de Setúbal, coordenado pela Senhora Maria Alice, muitos de Vós não acreditaram, era demais, o tipo está preso e está desesperado! Pois bem, retirem as vossas conclusões!

Eu, sem surpresa confirmei o que já sabia e testemunhei: a desonestidade intelectual, a estreiteza de espírito e mediocridade foram sempre propriedade característica da Sra. Alice!

Pelo que testemunhei durante o tempo que trabalhei com este espécime retrógado e atendendo às suas palavras, só posso concluir que terá sido uma excelente mãe e esposa porque profissionalmente provou ser muito fraca!

Uma mulher a diminuir o seu género. A vomitar barbaridades que não a dignificam, a rebaixar todas as funcionárias Inspectoras, Inspectoras-chefes, Coordenadoras e Coordenadoras-superiores da P.J., só revela a mesquinhez e falta de liderança, racionalidade e bom-senso. Foi esta personagem serôdia que freneticamente tudo fez para me prender e condenar!

Que derrota a minha! Perder é mau, ser derrotado temporariamente por alguém assim, é terrível!

A semana continuou profícua: erro judicial no caso “Máfia de Braga”! Supremo negou os Habeas corpus! Durante a semana, “os meus” comentaram: “Ó Pedro, só no teu caso é que não cometeram erros!”. Será que não? Vamos aguardar…

Curiosidade: Ana Saltão, Inspectora da P.J., assiste a um novo testemunho que a incrimina!

Os comentadores, fazendo eco das palavras dos Magistrados do Julgamento, dizem que não é a Polícia Judiciária que está a ser julgada!

Como não? Sábado, 1 de Abril de 2017, “Correio da Manhã”: “Vítima desenterrada. Juiz que julga Ana Saltão quer radiografia do cadáver”. Quatro anos após o sucedido existem dúvidas? Foi o Instituto de Medicina Legal? Deixem-se disso: eu estive 15 anos desse lado das grades!

Começou a Instrução do processo do “caso Fizz”. Na televisão vê-se o Dr. Orlando Figueira de óculos escuros a dizer que não presta declarações à imprensa!

Vou criticar os óculos escuros? Claro que não! Vamos só confirmar: estar preso preventivamente é horrível! Dizer que se deseja voltar para a prisão é desonesto!

Eu fui à minha Instrução, ao meu Julgamento, ao dentista, ao médico, sempre algemado, transportado como um “animal perigoso”, colocado em calabouços!

Caminhar dignamente, sozinho, sem algemas, confrontar o Tribunal sem escolta, faz toda a diferença. Querem falar sobre os óculos? Pois bem, não são permitidos! E eu fico tão bem de óculos escuros e fato (conforme atesta a minha mãe!)

A minha mãe. Os meus pais visitaram-me na 5ª feira, dia 8 de Junho. No dia 9, sexta-feira, no dia em que o Orlando Figueira de óculos escuros, sem escolta, dizia não desejar fazer comentários, a minha mãe completou 73 anos.

Vi a minha mãe na quinta-feira porque na sexta não posso ter visitas.

Não pude estar com ela no dia do seu aniversário.

Confirma-se: é desonesto dizer que se quer voltar para a prisão!

O espião Carvalhão Gil foi acusado, esta semana, pela prática dos crimes de Espionagem (5 a 15 anos), Violação de Segredo de Estado (3 a 10 anos), Corrupção passiva (1 a 8 anos) e está em casa com pulseira electrónica!

Este facto, sem surpresa para mim, confirma algo! O quê?

Confirma que a minha medida de coacção é uma autêntica palhaçada judicial! Uma vergonha!

Os meus pais visitaram-me. A minha mãe “Ju” luta contra o “bicho-mau” que dentro dela, qual harpia, avidamente, insidiosamente a quer derrotar.

Com surpresa ouvi a minha mãe dizer: “E se não tenho tempo para te ver em Liberdade?”

Foi uma surpresa porque nós, os “De Sousa”, somos geneticamente optimistas, alegres, de bem com a Vida e com o que ela nos dá, lutadores!

Foi um pequeno momento de fragilidade, compreensível, humano.

Depois da visita pensei neste momento, não com tristeza, pelo contrário, com alegria porque o resto da visita foi passada a rir!

Perante isto, e depois de atentamente ler a entrevista de George Steiner ao jornal “Expresso” (in  revista “E”, edição nº 2327, de 3 de Junho de 2017) retive esta passagem que desejo partilhar contigo mãe! “Ouve” esta: “Uma onda gigante está prestes a acabar com o mundo daqui a 10 minutos. O Católico começa a rezar pela salvação. O Batista apressa-se a deixar as finanças em ordem. E o Judeu diz: se faltam 10 minutos, ainda posso aprender a respirar dentro de água.”

Uma curiosidade: temos sangue judeu na Família, minha querida?

Eu julgo que não, porque da última vez que olhei, o meu prepúcio ainda cá estava!

Sorri sempre, minha Mãe, já faltou mais e todas as semanas abundam surpresas e/ou curiosidades que confirmam tudo o que o teu filho (sem óculos e com vontade de comentar) aqui, neste espaço, tem deixado! Beijoca!

 

“Nada disto é matéria de Justiça…”

Liberdade daqui a: 846 dias! 

Como está a Estimada Leitora e o Caro Leitor?

Eu?!? Eu hoje estou particularmente satisfeito! Boas notícias, pergunta?

Não, apenas a confirmação do que venho aqui propalando: Eu tenho razão!

Acompanhem-me por favor!

Atentem na imagem dos dois indivíduos que discutem sobre a identidade do signo gráfico que representa um número: é um “6” ou um “9”? “6” defende vigorosamente um, “9” assegura com igual convicção o outro.

Psicologia pura. Percepção e seus fenómenos. Apreensão de objectos e eventos da realidade externa circundante.

“A percepção é selectiva. Esta selecção é conseguida, em parte, pela orientação física, como no caso do movimentos dos olhos. Também é conseguida graças a um processo central,  a atenção selectiva. Entre os métodos que estudam a atenção estão incluídos, o olhar selectivo, como foi demonstrado pelos procedimentos de procura visual, e a escuta selectiva, que vimos em acção na apresentação dicótica, em que uma mensagem é escutada, enquanto a outra é ignorada.” (in “Psicologia”, Henry Gleitman et al.)

Não se deixem intimidar pelos “palavrões técnicos”, todos nós experimentamos estes fenómenos diariamente: quando “ouvem” uma jovem cantora desnudada a interpretar uma canção (ou um jovem cantor desnudado) todos “olham” para o preciosismo da sua voz!

Quando estão numa festa com toda a gente a beber e a falar alto, se por acaso alguém diz o seu nome ou fala de algo familiar a si, o(a) Leitor(a) fixa a sua atenção nessa conversa!

Quem nunca se divertiu a olhar as nuvens no céu na companhia de outrém, interpretando formas, descrevendo um elefante quando o outro invoca um bombeiro segurando a mangueira!?!

Tudo isto é falivelmente humano, tudo isto é Psicologia.

“A Sandra pousou o vaso com muita força no banco e ele partiu-se!”

Ele, refere-se a quem (ou a quê)?

Como interpretar? Diz-nos a experiência que um vaso é mais frágil que um banco. E se for um vaso enorme e um banco frágil? Dispõe esta Sandra de capacidade física para erguer um vaso grande?

Como é complexa a percepção!

Vamos continuar com esta Sandra, ou melhor, vamos “pegar” em outra Sandra, esta, Magistrada do Ministério Público, que se pronunciou, mais uma vez, sobre a medida de coacção do Inspector João de Sousa.

Atenção! Eu, arguido preso preventivamente há 3 anos, 2 meses e 1 semana, posso, porque é do meu interesse, estar a ver um “6”, e, a Sra. Magistrada do Ministério Público, a olhar para um “9”. É humano e lucra aos argumentos de cada uma das partes percepcionar realidades, argumentos, explicações para a mesma acção de forma díspar.

O que eu vou fazer agora é expor aos Leitores os factos, o que está consignado, e, apelar à Vossa percepção distante das partes, não envolvida no pleito.

A Sra. Magistrada, em resposta ao meu recurso para o Tribunal da Relação de Lisboa, considera e defende que deve o Inspector João de Sousa ser mantido em prisão preventiva!

Invocando a minha defesa o despacho da 3ª Secção do Tribunal da Relação de Lisboa, relativamente a um co-arguido que desde Março deste ano encontra-se em Liberdade, somente com Termo de Identidade e Residência (tendo sido condenado a 5 anos e 6 meses como eu), despacho que se refere à minha pessoa (conforme o texto deste blogue, “Questões que, com facilidade, se colocam agora”, e conforme foi noticiado na imprensa nacional, “Juízes denunciam prisão exagerada”. Correio da Manhã, 2 de Maio de 2017) a Magistrada do Tribunal de Almada pronunciou-se sobre este ponto/argumento e nem sequer viu um “6” onde eu descortinei um “9”: a Magistrada negou a existência de algarismos de forma irretorquível (irretorquível para ela, entenda-se!).

Aprecie o(a) Leitor(a); do despacho da Magistrada: “[…] Da leitura do referido acórdão resulta à evidência, que a sua apreciação recaíu sobre a situação do arguido [o meu co-arguido em liberdade] e não sobre o estatuto coativo de qualquer um dos outros presos preventivamente, entre eles o recorrente [eu, o João de Sousa]”

Excerto da resposta da Magistrada para os Juízes Desembargadores da Relação de Lisboa!

Excerto do despacho da 3ª Secção da Relação de Lisboa que a Magistrada assegura que não se refere ao Inspector João de Sousa. Apreciem: “Invoca também o despacho recorrido, se bem que, aparentemente a propósito de um outro arguido, que << a falta de resposta imediata e adequada por parte da autoridade judiciária e do sentimento de “impunidade” associado na comunidade >>  a este tipo de ilícitos imporia a prisão preventiva, o que, sendo em parte verdade, não pode ser mitigado através da imposição de medidas de coacção, transformando estas em <<penas provisórias>> aplicadas a presumíveis inocentes […]”

Estou a ver um “6” onde a Magistrada colocou um “9”?

Apreciem o que a Magistrada “colocou” na sua resposta à Relação, à semelhança, isto é, realizando “copy-paste” das outras respostas aos meus recursos (isto é incrível!):

“[…] Quanto ao perigo de perturbação da ordem e tranquilidade públicas, o mesmo consubstancia-se no tipo de crimes pelo qual o arguido [eu] foi julgado, a que acresce a sua qualidade de Inspector da Polícia Judiciária, os quais não sendo alvo de uma resposta por parte das autoridades, criam na comunidade um sentimento de impunidade […]”

Auxiliem-me, por favor, porque eu até coloco a hipótese de estar a ver mal!

Tanto tempo preso preventivamente pode ter alterado a minha percepção!!!

Os Venerandos Juízes Desembargadores da 3ª Secção citaram (está entre aspas!) Ipsis litteris, o despacho desta “Sandra”, Magistrada do Ministério Público, e a Magistrada, após esse mesmo despacho admoestatório, reitera, utilizando as mesmas palavras, e tem a desfaçatez de afirmar que a 3ª secção da Relação de Lisboa não se refere à minha pessoa?!?

Ver um “6” onde o outro, consequência do seu posicionamento físico, não intelectual (deve ser reforçado e sublinhado este facto) vê um “9”, é admissível; agora, posicionados perante um despacho que até cita as palavras escritas da própria Magistrada, já não se pode defender que se trata de fenómenos condicionantes da percepção humana ou particularidades psicológicas da cognição, podemos com segurança afirmar que nesta fase nada disto é matéria de Justiça, isto é fruto de um inexplicável fanatismo, de uma febril intenção de manter preso o Inspector João de Sousa!

Negar o óbvio é sinal de estultícia quando inconscientemente ou resultado do desconhecimento se reitera o erro.

Negar o óbvio é sinal de mediocridade e de uma agenda particular bem definida que em nada dignifica a aplicação da Justiça, quando dolosamente, conscientes do resultado da acção se prejudica alguém. Quando isto tristemente se verifica, então, lamentavelmente observamos falta de grandeza, elevação, numa palavra: mesquinhez!

A imprudência, a desmedida desfaçatez evidenciada pela Exma. Sra. Magistrada  do Ministério Público é tal que, na mesma resposta ao meu recurso para a Relação de Lisboa, apresenta incompreensível anacronismo que só pode ser explicado pela notória irreflexão, com a devida vénia, pela leviandade com que decide sobre a vida de alguém recorrendo ao “copy-paste”!

Atentem: “Aliás as sessões de Julgamento realizadas têm sido acompanhadas pelos órgãos de comunicação, sendo constantes as notícias em jornais e em canais televisivos”

Como?!? O Julgamento terminou em Setembro de 2016! “Têm sido acompanhadas” ?!?

Ao menos imprimia ao despacho alguma contemporaneidade, alguma actualidade nos argumentos!

Será que a “certeza” da Sra. Magistrada de que no sorteio “sairá” novamente a 9ª Secção do Tribunal da Relação (olha, um “9”!) a faz ser displicente?

No mesmo despacho da Magistrada de Almada: “O artigo 193º do C.P.P. determina que na escolha da graduação da medida coativa a aplicar devem ser atendidos os princípios da adequação e da proporcionalidade

O despacho da 3ª Secção da Relação de Lisboa: “Não podemos deixar ainda de dizer que, mesmo que não se subscrevessem as considerações acabadas de fazer, não se vê como é que se poderia manter a prisão preventiva com uma duração de quase 3 anos sem que se considerasse violado o princípio da proporcionalidade tantas vezes invocado.”

Sem comentários! Deixo os comentários para o(a) Leitor(a)!

Nada disto é matéria de Justiça, nada disto é simples Psicologia! Eu tenho razão e está demonstrado através dos próprios actos, inacreditáveis, mesquinhos, daqueles que têm o Poder de a tudo isto sujeitar um indivíduo, neste caso: eu!

O fanatismo, a cegueira e a posição irretorquível é por demais evidente! A equidade, a decisão racional estão fora de questão. A Magistrada vê um “6”, eu vejo um “9”. E se consensualmente chegarmos a um acordo consentido pelas partes: “ Um “69”. Que tal?”

Desculpem, isto não saiu bem! Peço desculpa, eu que estudei e sei reconhecer os condicionalismos da percepção e da cognição humanas, não desejo ser mal interpretado: não existe significado subliminar ou trocadilho boçal, trata-se somente de um signo gráfico, um número que quando colocado sobre o outro, perdão, ao lado do outro invertido, um para cima o outro para baixo, parecendo alcançar a região inversa um do outro… bolas isto está mesmo a sair mal… é melhor ficar por aqui… até para a semana!

“Sheol e a fuga dissociativa do Dr. Orlando Figueira”

Liberdade daqui a: 853 dias!

Sheol. Palavra hebraica, o “Túmulo”. A “cova”. A “terra do esquecimento”. O local onde se verifica a “interrupção da vida”.

De acordo com a religião dos judeus, o Judaísmo, trata-se do local mais distante do Céu, o local onde os mortos são abandonados para sempre; aqui experimenta-se uma inexistência; apenas a sombra do antigo ser sobrevive na exígua escuridão, partilhando o espaço com outras sombras.

Sombras impotentes habitam o Sheol: “Tudo o que puderes fazer, fá-lo enquanto tens forças, porque no mundo dos mortos, para onde vais, não existe acção, nem pensamento, nem ciência, nem sabedoria” (Ecl., 9,10)

“Sou visto como quem desce à sepultura, tornei-me homem sem forças, tenho a minha cama entre os mortos, como as vítimas que jazem no sepulcro, das quais já não te lembras” (SL, 88,5-6)

Impotência, desespero, esquecimento, dor, sofrimento…

A característica essencial das Perturbações Dissociativas é a disfunção das funções normalmente integradas da consciência, memória, identidade ou percepção. A perturbação pode ser súbita ou gradual, transitória ou crónica. Incluem-se nesta secção as seguintes perturbações: […] Fuga Dissociativa: caracterizada pelo afastamento súbito e inesperado de casa ou do local habitual de trabalho, acompanhado pela incapacidade de recordar dados do passado e por confusão acerca da identidade pessoal ou por assunção de nova identidade” (in DSM-IV, Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais, “American Psichiatric Association”)

A primeira vez que ouvi falar do Sr. Procurador, Dr. Orlando Figueira, foi assim mesmo: apenas o ouvi! Estava fechado numa cela no Estabelecimento Prisional junto à Polícia Judiciária, em Lisboa, isolado, e, a meio da noite, ouvi alguém que estava a ser fechado numa cela ao lado da minha a dirigir-se, nervoso e inseguro, ao guarda:

– E se eu sentir-me mal? O que faço? – ansioso.

– Bata à porta! – enquanto indiferente, frio, o guarda batia com a porta da cela e rodava a chave.

Só conheci pessoalmente o Dr. Orlando Figueira, quando, no final dessa mesma semana, regressei ao “Sheol” reservado às forças policiais e outras entidades – ex-primeiro ministros, ex-directores do SEF ou Magistrados.

Outro recluso pediu-me para falar com o Sr. Orlando porque o mesmo estava “em baixo”.

Conversámos e, o que é absolutamente normal e natural nestas ocasiões, o ânimo era nenhum, a força esgotada e os pensamentos de desespero abundavam, com hipóteses de resolução pouco cristãs/católicas porque atentavam contra o próprio. Orlando Figueira era a viva imagem de “Job” mas sem a aceitação incondicional e serena dos desígnios superiores do Criador!

O convívio na miséria da nossa cova comum estreitou contactos e partilha de ideias, sentimentos, revolta.

Orlando Figueira, amiúde deslocava-se ao meu “jazigo” e solicitava que o auxiliasse na leitura e exegese da Bíblia. Figueira, consequência da sua situação presente, notória e publicamente (contrariamente ao que Jesus prescreveu conforme sua indicação relativamente à relação com Deus: Mateus, 6, 5-15) aproximava-se do Senhor, relevando mais o lado espiritual e metafísico da sua existência e estatuto de arguido no âmbito do processo que o mantinha preso preventivamente, do que a análise racional, introspectiva, jurídico-penal da sua situação. Era recorrente ouvi-lo dizer: “ Deus no fim esclarecerá e demonstrará a verdade!”

Mas os dias passaram, as semanas os seguiram e sem se aperceber, o Dr. Orlando Figueira já media a sua temporalidade através do resultado da soma dos meses.

A evolução foi fascinante: o desespero primevo foi substituído pela descoberta do Divino, a aproximação a Deus concedeu-lhe a graça da aceitação, a aceitação teve que ceder o seu lugar à revolta, consubstanciando-se a mesma no recurso a formas mais terrenas de luta!

Orlando Figueira que desprezava o “Correio da Manhã”, solicitou a minha ajuda para ser noticiado o tratamento desumano, a imposição de regras que atentavam contra a sua dignidade, como por exemplo, o facto de não permitirem ao recluso Figueira possuir molas para a roupa na sua cela; o facto de não permitir, o Director à data, a entrada dos medicamentos que necessitava devido a um aneurisma cerebral ao qual foi operado em 2013, assim como viu negada a entrada de alimentos que os seus familiares traziam aquando das visitas.

Orlando Figueira também sofreu por causa da imposição dos 5 minutos para realizar telefonemas; penou com a comida intragável; revoltou-se com o tratamento que dispensavam a si e aos seus quando o visitavam.

Todas as semanas eu era colocado no Estabelecimento Prisional junto da P.J. em Lisboa, isolado, sem direito a pátio (luz do sol) porque estava numa prisão que não era para polícias.

Quando regressava, o Dr. Orlando Figueira tinha experimentado o seu “Inferno” em “Ébola”, e, tão dorido quanto indignado, relatava-me o sucedido, apresentando-me tópicos por si manuscritos para que eu, porque era (e sou) delegado da APAR (Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso) desse o nome e encabeçasse a “luta”, enviando cartas às entidades responsáveis pela Justiça em Portugal: “Acho melhor ser o João porque é Delegado da APAR mas eu apoio-o!” – dizia-me o bom Orlando.

Conforme escrevi neste espaço, em 27 de Junho de 2016 (texto “Quis, quid, ubi, quibus, auxilius, cur, quomodo, quando”) quando soube que o Dr. Orlando Figueira viu alterada sua medida de coacção (foi para casa com pulseira electrónica): “[…]Estimado Orlando, não vou cobrar o almoço devido, vou cobrar a promessa de acção cívica futura por parte de V. Exa., no sentido de denunciar as contradições e iniquidades da Justiça Portuguesa […] Expectante, atento, cobrarei, não o almoço, mas a palavra que timidamente se confirmou em algumas acções […]”

Escrevi (há um ano praticamente) estas palavras porque Orlando Figueira, recluso, confessou-me: “Não imaginava que o sistema prisional, a Justiça em Portugal, fosse assim!”

Relembro: o Dr. Orlando Figueira é Procurador, Magistrado do Ministério Público!!!

Escrevi (há um ano praticamente) aquele texto porque o Dr. Orlando Figueira, possivelmente arrebatado pela leitura das palavras e obras de Jesus Cristo, ou, febril por causa da dor que a reclusão o obrigava a experimentar, garantiu-me, o que cinicamente considerei um devaneio: “João, vou fundar uma associação cristã de apoio ao recluso, a ACAR!”

Orlando, vendo o meu Calvário – todas as semanas transferido para outra prisão durante o Julgamento, a duração da minha medida de coacção, os problemas que experimentei por escrever, denunciar, etc. – preocupava-se com a sua situação: “Será que também vão transferir-me quando for o meu Julgamento?”; aconselhava-me: “ João, não escreva, ou se escrever não identifique as pessoas!”

Orlando partilhava a sua dor: “João, o meu filho vai viajar, vai frequentar o curso e eu não posso estar com ele no aeroporto!” Eu nunca tinha visto o meu, e ainda não vi, a brincar em casa: quando ele nasceu já estava em prisão preventiva!

Orlando que nunca se viu obrigado a partilhar a cela com ninguém, compreendia, à distância, o que sofriam e sofrem, outros que aqui ainda estão!

Orlando conhecia o desespero, à distância, daqueles que não têm ordenado porque estão presos preventivamente há 3 anos e 2 meses!

Orlando sabia e sabe que os reclusos são obrigados a comprar comida, para não passarem fome!

Orlando sabe que a minha mulher, assim como os familiares dos restantes reclusos, faz mais de 300km, para que eu possa ver os meus, e ainda, gasta dinheiro em comida deixando mais dinheiro para eu poder comprar artigos de higiene, pois o Estabelecimento Prisional não faculta!

Orlando sabe que passamos frio/calor e que a televisão fomos nós que a comprámos, sendo que se queremos proteger o nosso corpo do frio temos que dormir vestidos!

Orlando sabe que aqui morreu um homem consequência da falta de assistência!

Orlando sabe que isto é o Sheol, que ninguém quer saber dos que por aqui tentam sobreviver!

Orlando sabe como se coloca e mantém aqui o indivíduo, consequência de um relatório da P.J., promovido pelo Ministério Público, confirmado por um Juiz!

Orlando sabe que se pode ir para casa com um despacho tão inacreditável como aquele que decretou a alteração da sua medida de coacção: “[…] Quanto ao perigo de fuga, os desembargadores acreditam que a sua “formação cultural” e o facto de ter sido “Magistrado do Ministério Público”, faz com que Orlando Figueira seja “um cidadão com responsabilidades acrescidas e deveres acrescidos”. Por isso mesmo, a Relação de Lisboa tem a convicção de que o Magistrado ficará em Portugal para “afirmar e comprovar a sua invocada inocência, com o consequente refazer da sua imagem e credibilidade social.

Todos os outros, “não-Magistrados”, são estultos incultos, sem responsabilidades; “não-Magistrados” que não desejam afirmar e comprovar a sua invocada inocência e refazer a sua imagem e credibilidade social!!!!

Perdoem-me o vernáculo (Leonor, Helena, Jr.: isto não é para repetir), perante tudo isto, atendendo ao facto de o Orlando conhecer e saber que o “Sheol” existe, que MERDA é esta: “Exclusivo. Operação Fizz. Procurador quer voltar à prisão de Évora. Detido em casa e com todo o dinheiro apreendido, Orlando Figueira não consegue viver sem ajudas. O ex-Magistrado pediu ao Tribunal para regressar à cadeia (in revista “Sábado”, edição de 18 de Maio de 2017).

Reitero: “Que MERDA é esta?!?

Todos têm direito à defesa. Todos podem defender-se como muito bem entenderem!

Explorar lacunas na lei! Escrutinar a actuação das Polícias, dos Magistrados, dos Juízes!

Procurar o erro ou a ilegalidade nos procedimentos da acusação!

Mas, e mais grave porque trata-se de um Magistrado, supostamente culto, com responsabilidades acrescidas e deveres acrescidos, mais grave e indigno porque experimentou o Sheol e sentiu na pele tudo, é, porque se pretende a redução do arresto dos bens, utilizar argumento excrementício que somente macula quem o invoca e suja quem se encontra na cloaca onde o mesmo vai desaguar!

Não consegue o Orlando pagar as prestações dos empréstimos da casa e do carro, as contas de água, luz e gás, as dívidas fiscais e até a comida? Caro Orlando, olhe para o copo meio-cheio: o excelente advogado que o representa que, para sorte sua, deve, com toda a certeza, só pode ser assim, estar a defendê-lo pro bono, ou como nós aqui no “Sheol” menos cultos, dizemos: “De Borla!”

Caro Orlando, não vale tudo! Não podemos pautar as nossas palavras e acções pela conveniência, pelo que para nós é vantajoso. É pouco cristão. Já abandonou, o Caríssimo, as leituras da Bíblia?

Ler a notícia invocada é sentir revolta e desaire, é todos os que ainda aqui estão sentirem-se gozados, e eu muito particularmente desiludido: “Onde está a associação cristã de apoio ao recluso?” “Onde está a denúncia e a acção para ajudar na reforma da Justiça?”

Como vai ajudar na reforma da Justiça, no esclarecimento dos nossos concidadãos, esta sua resolução de merda? (Perdoem-me!)

Agora vão mesmo pensar que isto aqui é que é bom: “Televisão, comida e cama lavada de graça!” Não havia necessidade, Dr. Orlando Figueira!!!

No artigo da “Sábado” pode-se ler: “[…] E só está autorizado pelo Tribunal a falar com os familiares e médicos, pois está a ser seguido por um psiquiatra[…]”

Orlando, Orlando, aqui são 2 horas de visita por semana, cinco minutos diários ao telefone e médicos… bom, você sabe como é com a assistência médica, não é?

Acompanhado por um psiquiatra? Olhe, eu não tenho disponibilidade económica para isso!

Vou auxiliar um pouco o seu psiquiatra: do contacto permanente e intenso que mantive com o Orlando aqui no “Sheol”, da observação que realizei in loco, creio que o Exmo. Sr. Procurador, Dr. Orlando Figueira, apresenta actualmente um quadro típico de perturbação dissociativa, nomeadamente Fuga Dissociativa, uma vez que deseja o afastamento súbito e inesperado de casa, e demonstra ser incapaz de recordar dados do passado.

Isso ou um forte surto de “conveniência e pressão judicial”.

Caro Orlando, ao ler a notícia, de imediato, como um “flash”, recordei as palavras do enorme Almada Negreiros, no seu “Ultimatum futurista às gerações portuguesas do séc. XX”: “Eu não pertenço a nenhuma das gerações revolucionárias. Eu pertenço a uma geração construtiva (…) É preciso criar uma pátria portuguesa do séc. XX. O povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem, portugueses, só vos faltam as qualidades.”

Coragem, Orlando! Deixe-se de Merdas! Quer ficar aqui preso? Faça como eu: tenha “declarações opiniosas futuras” que perturbam a ordem e tranquilidade públicas!

É um dos argumentos para a manutenção da minha prisão preventiva, V. Exa. sabe disso!

Coragem, Orlando! Como diria o Almada Negreiros: “Com esta notícia já nos presenteou com os defeitos, venham de lá as qualidades em falta!”

Abraço do João de Sousa, uma sombra no Sheol há 3 anos e 2 meses (preventivamente!)