“Quando o regime ordenou que fossem queimados publicamente
Os livros que continham saber pernicioso (…)
Não me façam uma coisa dessas! Não me deixem de lado!
Eu não relatei sempre a verdade em meus livros?
E agora tratam-me como um mentiroso?
Eu lhes ordeno: Queimem-me!”
Trata-se de um poema satírico de Bertolt Brecht, sobre a queima de livros realizada pelos nazis poucos meses depois de Adolf Hitler chegar ao poder (1933).
Em 1960, Oskar Maria Graf, escritor alemão, recebeu um Doutoramento Honoris Causa na Wayne State University de Detroit (EUA), pelo reconhecimento da “sua atitude espiritual descomprometida”.
Ao verificar que os seus livros não foram reduzidos a cinzas durante a “Queima dos Livros” de 1933 (estando inclusive a leitura dos livros de Oskar Maria Graf recomendada pelo regime de Hitler), em Maio de 1933 Graf publicou no jornal de Viena – “Jornal dos Trabalhadores” (“Arbeiter-Zeitung”) – um apelo anti-nazi: “Verbrennt mich!” (“Queimem-me!”).
Somente um ano depois, os estultos responsáveis do partido nazi proibiram os livros de Graf para seu maior gáudio.
Trago-Vos este momento inspirador da História recente (sim, não esqueçam, é muito recente: Achtung!!!) porque por vezes, quiçá na maior parte das vezes, é dignificante fazer parte da lista dos proscritos!
Falo-Vos da APAR, da Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso, da qual era dirigente até à data da minha demissão (23 de Agosto de 2019) e que agora está nas “bocas do mundo” por causa da queixa-crime apresentada pela ex-Presidente, Dra. Maria do Céu Cotrim, que também se demitiu na mesma data.
Hoje, 2 de Setembro de 2019, o “Correio da Manhã” publicou o seguinte artigo na sua página 14 (cfr. digitalização que Vos deixo):

Há dois dias, o “Diário de Notícias”, na sua plataforma digital, noticiava: “Suspeitas na associação de apoio ao recluso. Há demissões e queixa no MP”.
No dia 30 de Agosto de 2019, o Secretário-geral da APAR, sócio fundador da associação, afirmava ao jornalista do “DN”: “Maria do Céu Cotrim foi um erro de casting!”
Eu também falei com o jornalista do “DN”, eu propalei, expliquei.
Eu, durante vários meses, alertei para o facto da APAR não cumprir com a sua missão.
Eu, durante vários meses, tornei público o que pensava, escrevendo.
Fiquei indignado com a notícia do “DN”: “Então eu, João De Sousa, não fui também, de acordo com o Secretário-geral da APAR, um erro de casting?!? Como é que é possível?“
“VERBRENNT MICH!, Sr. Secretário-geral, por favor!
Hoje, 2 de Setembro de 2019, no “Correio da Manhã”, na sua página 14, fui promovido, distinguido, fui agraciado. Pode-se ler:
“Maria do Céu Cotrim e João De Sousa foram “erros de casting”, afirma Vítor Ilharco (Secretário-geral da APAR)”.
Claro que fui um erro de casting se o que se pretende na APAR é a promoção pessoal, o branqueamento de imagem, o alimentar de fogueiras de vaidades ou o inconsequente contacto com instituições e entidades responsáveis pelo sistema Judiciário/Prisional português só para tirar uma fotografia e colocar nas paredes de uma qualquer sala, não apresentando ideias, projectos ou acções que possam de facto contribuir para o melhoramento do Sistema Penitenciário e de Justiça em Portugal, ou seja, fazer algo concreto e idóneo que se possa dizer que é de facto para apoiar os reclusos!
Assim sendo, relembrando Oskar Maria Graf e outros: em alguns casos, é dignificante fazer parte da lista dos proscritos…
É isto…como lhe escrevi na semana passada “NADA ACONTECE POR ACASO” e por vezes o que julgamos ser menos bom, afinal foi o melhor que podia ter acontecido!
Partilho:
“Consta que são bastantes, os ignorantes, os indiferentes, os invejosos, os mesquinhos, os desconfiados, os medrosos, os corruptos e os interesseiros, que desconhecem o sentido da cidadania, logo, não a exercem. E, por isso, permitem que o país seja malgovernado, abandalhado e vendido aos pedaços, a quem dá mais.
Se a ignorância pagasse imposto, Portugal seria o país mais rico do mundo. Esta é a triste verdade.
É que a ignorância está disseminada por toda a parte, por todos os extractos sociais e pelos mais altos cargos da Nação.
A Saúde, em Portugal, está gravemente doente.
A Pobreza espreita em cada esquina.
O Ensino anda a rastejar por um chão pejado de uma descomunal cegueira mental.
A Cultura Culta e a Cultura Crítica emigraram para mundos mais civilizados.
As Artes sufocam, e apenas os escravos do poder vivem à custa delas.
A Língua Portuguesa anda perdida nos subterrâneos de uma ignorância e de uma indiferença descomunais que, alarvemente, estão a esmagar a identidade do povo português.
A política da violência e crueldade contra seres vivos têm os seus maiores defensores sentados nos Palácios de São Bento e de Belém.
Os indiferentes andejam por aí, como sonâmbulos. Se lhes mexem nos bolsos, agitam-se, mas sem grande convicção, por isso tudo continua sempre igual, sempre funesto, sempre obscuro, sempre mergulhado no lodo de um passado que se quer passado, e não presente ou futuro.
Na hora do voto, vota-se na continuidade, porque o medo de mudar é mais forte do que a vontade de ousar o desconhecido, a modernidade, o avanço civilizacional.
A ignorância e a indiferença estão a cozinhar Portugal em banho-maria, e os bobos da corte saltam e riem, porque enquanto houver povo ignorante e indiferente, mantê-lo-ão sob o seu jugo, e destruirão a Nação, em prol de interesses que não interessam, de modo algum, a Portugal.
E os Portugueses, tal como num tempo ainda bem presente, lá vão cantando e rindo, levados, levados, sim, pela voz do som tremendo, da ignorância sem fim…”
Isabel A. Ferreira
Excerto adaptado do Hino da Mocidade Portuguesa, letra de Mário Beirão