“A tragédia de Pedrogão Grande e a “silly season” do Dr. Almeida Rodrigues (P.J.)”

Liberdade daqui a: 825 dias!!!

Um pai/marido sobrevivo, visivelmente aturdido, vencido, a relatar como conseguiu salvar os seus pais e como perdeu a mulher e duas filhas, da idade das minhas.

O mesmo pai/marido sobrevivo, visivelmente atónico, inerte, oferecendo a si uma reconfortante versão do que possivelmente se passou nos instantes finais da mulher e filhas: “Se calhar o “airbag” disparou e ambas desmaiaram, a outra por causa do cinto ou sem o cinto também deve ter ficado inconsciente.” Algo deste género porque não consegui apontar, consequência da comoção que experimentei ao ver e ouvir este pai/marido impotente, fraco, débil, incrédulo.

As mais sentidas condolências para todos os familiares desta tragédia e para todos nós!

Para quem nos governa, um conselho com milénios; para quem (supostamente) nos lidera:

“Faz planos para o que é difícil enquanto o que é difícil é fácil; faz o que é grande enquanto o que é grande é pequeno. As coisas mais difíceis do mundo devem ser feitas quando ainda é fácil fazê-las; as maiores coisas do mundo devem ser feitas quando se afiguram pequenas. Por esta razão, os sábios nunca fazem o que é grandioso, e é por isso que conseguem alcançar tal grandeza.” (“A arte da Guerra”, Sun Tzu) Percebem isto, V.Exas.?

Para os “soldados da Paz”, os nossos valorosos bombeiros: que altíssimo exemplo de dedicação, abnegação de si mesmo, voluntarismo e coragem! Coragem? Perdoem-me mas tenho que substituir “coragem” por “temeridade”. Temerário é aquele que se revela audacioso até à imprudência, o que não é profícuo, não lucra à causa nem ao próprio!

Bravos “soldados da Paz” exijam formação, condições e profissionalismo, exijam serem pagos, exijam serem dotados de cientificidade e capacidade logística; coragem é ter medo, conhecer o perigo e avançar. Os nossos bombeiros avançam, sempre, mas não conhecem o perigo  e morrem, isto não é admissível. Obrigado, soldados da Paz de Portugal!

Junho, Julho, Agosto, Setembro: férias para os portugueses, para o Parlamento, para os Tribunais. Não existindo nada mais do que o ansiado descanso, nas televisões nacionais, inicia-se oficialmente a “silly season”!

Ultimamente, os incêndios, infelizmente, reiteradamente ofertam “matéria” para notícia, comentário, comentário ao comentário, inferência retirada do comentado, comentário da inferência, especialistas da especialidade especialmente preparados para a emissão especial sobre a tragédia!

No fundo, é uma “silly season temática” na “silly season”.

Ninguém ajuda na confusão, pelo contrário, e tudo fica na mesma, ficando mais uma vez a culpa e a responsabilização por desposar!

Um exemplo do que afirmo, ocorrido nesta tragédia de Pedrogão Grande! Um docente de uma universidade “engenheiro florestal e especialista em comportamento do fogo”, sobre as vítimas da estrada EN236 (a mulher e duas filhas daquele pai/marido atónico): “O fumo terá matado antes das chamas. Conta quem já investigou centenas de casos de incêndios. Acredito que as vítimas ficaram inconscientes. Mesmo as que foram encontradas carbonizadas, só foram queimadas muito depois de perderem os sentidos e estariam já mortas por causa da inalação de fumos. Sinal disto é a disposição dos cadáveres. Quando alguém é atingido pelas chamas, o corpo é encontrado com os braços em posição defensiva, como se fosse um “bouxer” a tentar apagar o fogo com as mãos. Se os corpos são encontrados com os braços caídos ao longo do corpo, isto quer dizer que estariam inconscientes quando as chamas chegaram.” (site do Jornal “Correio da Manhã”, em www.cmjornal.pt)

É docente de uma universidade, está nos média, centenas de casos investigados, deve ser, melhor: claro que é credível!

Vergonhoso, é o que isto é! Uma falta de respeito pela memória das vítimas, uma burla para os sobrevivos e seus familiares!

O cadáver de carbonizados apresenta posições atípicas ou se quiserem peculiares, designadas de “combate” ou “posição de bouxer”, consequência de um fenómeno físico, devido à rigidez muscular provocada pelo calor, predominando a musculatura flexora sobre a extensora. Esta flexão das extremidades superiores – braços – desenvolve-se à medida que o corpo esfria e não são o reflexo/prova de posição do corpo antes de ser queimado ou aquando da exposição ao fogo em vida!

Se por acaso não crêem no Inspector João de Sousa, a meses de ser considerado definitivamente corrupto pela Justiça Portuguesa, se acham que é só criticar por criticar, então eu oferto-vos aquilo que ninguém até agora ofertou, isto é, cientificidade: “Manual de Patologia Forense”, Vicente J.M. Di Maio e Suzanna E. Dana, VIII. Cadáveres Carbonizados; “Medicina Legal y Toxicologia”, Gisbert Calabuig, 6ª edición, Hábito externo de los cadáveres carbonizados.

Reparem que não invoquei os 15 anos de carreira na P.J., 13 de investigação de Homicídios, centenas de autópsias ou dezenas de carbonizados, nem sequer o facto de ser Membro da Academia Americana de Ciências Forenses, ou, ter sido um caso de homicídio em que o cadáver apresentou-se carbonizado a minha primeira publicação nos E.U.A., para ofertar credibilidade ao que afirmei. Apenas obriguei-me ao rigor, honestidade intelectual e respeito pelas vítimas e familiares que se impõe, ao contrário do senhor que se segue, incrível exemplo do que não se deve ou pode fazer, a bandeira da terrível “silly season” a que todos nós assistimos: Dr. Almeida Rodrigues, Director Nacional da Polícia Judiciária.

Primeira nota prévia: A coordenadora-superior, Maria Alice Fernandes, afirmou no  meu Julgamento (está gravado) que o Inspector João de Sousa sempre criticou muito a Polícia Judiciária.

Segunda nota prévia: Os elementos do laboratório da Polícia Científica da Polícia Judiciária, área da Física e da Química, são exemplos de profissionalismo, capazes de excelência no trabalho, assim como existem Inspectores e Inspectores-chefes com muita experiência e “saber-fazer”.

Terceira nota prévia: Novamente Sun Tzu, “A arte da guerra”, porque isto é uma batalha contra a ignorância e a incompetência. “Fazer com que homens combatam deixando que a energia do momento linear opere é como fazer rolar troncos e pedras. Os troncos e as pedras, quando estão em terra plana, estão parados, mas rolam se estiverem num terreno inclinado; mantêm-se imóveis se forem rectangulares, mas rolam se forem redondos. Assim, quando as pessoas são habilmente conduzidas em batalha, o momento linear é como o ímpeto de pedras redondas que se despenham, rolando montanha abaixo – isto é Força.”

A P.J. em perfeita articulação com a G.N.R., conseguiu determinar a origem do incêndio e tudo aponta muito claramente para que sejam causas naturais, inclusivamente encontrámos a árvore que foi atingida por um raio, disse Almeida Rodrigues”

O Senhor Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, que deveria conduzir os seus homens e mulheres na investigação, afinal é um autêntico “calhau” que imobiliza a máquina investigatória da instituição que dirige! Atenção que “calhau” é uma pedra de pequenas dimensões, logo entra facilmente na engrenagem e paralisa tudo; não é no sentido de indivíduo limitado, ignorante, tacanho (no sentido figurado de quem revela estreiteza de ideias) ainda que eu compreenda e aceite que o(a) Leitor(a) possa concluir facilmente isso mesmo!

Incompreensivelmente, ou talvez não para quem conhece a realidade da P.J. e quem a dirige, o Dr. Almeida Rodrigues comprometeu definitivamente a investigação capaz e esclarecedora do sucedido, permitindo, fruto da leveza, diria mesmo leviandade das suas palavras, que a dúvida e a desconfiança se instalassem e permaneçam mesmo aquando das conclusões finais dos investigadores.

Esta Direcção que se escuda no tempo que demoram as perícias forenses, recorrendo ao já estafado chavão, “isto não é como nas séries televisivas, como no “CSI” que dá resultados na hora”, surge nas televisões, na pessoa do Dr. Almeida Rodrigues, a afirmar taxativamente que está afastada a hipótese de “mão criminosa”, tendo inclusive detectado a árvore onde caiu o raio, local onde tudo se iniciou!

Como é possível tanta imprudência, falta de cientificidade, bom-senso?

João Pereira Moutinho, professor Universitário: “Não basta dizer que se fez o “máximo”, pode ser negligente, ignorante, ou ambos. No limite não é a natureza que mata. É a pobreza – material ou mental – dos homens” (in C.M. de 19 de Junho 2017)

Com as chamas ainda a lavrarem, sem confirmação laboratorial, pericial, só por “olhómetro” e averiguações preliminares, o Dr. Almeida Rodrigues avança, conclui, infere, aparece? O outro estudioso da posição de “Bouxer” é apenas um ignorante desbocado, o Dr. Almeida Rodrigues é o Director Nacional da Polícia Judiciária, uma Polícia científica (supostamente!)

João Pereira Coutinho “tocou na ferida” mas não nomeou, não responsabilizou. Eu, critico antes, durante e depois da prisão preventiva, aponto, identifico: é a minha humilde contribuição para as vítimas, familiares e Polícia Judiciária!

O Dr. Almeida Rodrigues é a comprovação viva de que a velocidade da luz é superior à do som, facto científico que auxilia, por breves instantes, o medrar da incompetência: surge a imagem, e, assim que começa a falar, a credibilidade e proficiência evolam-se!

Anteriormente, neste espaço, epitetei o Dr. Almeida Rodrigues de “Disparatado factótum” (texto publicado a 19 de Dezembro de 2016, “E se eu me calar… o que mudará?”).

“Factótum”, designa, ironicamente, um indivíduo que se julga capaz de tudo fazer ou resolver!

As suas declarações, à semelhança do que proferiu na ocasião em que escrevi o texto referido, corroboram o que expus!

Aquando da detenção de Pedro Dias, critiquei num texto publicado a 21 de Novembro de 2016 – “O caso Pedro Dias: uma mudança de paradigma na investigação criminal?” – o facto do Dr. Almeida Rodrigues estar a ser visível e notoriamente industriado (no sentido de “adestrar”) por uma advogada e por uma jornalista que em directo, via televisão, exigiam ao Director Nacional da P.J. que fosse o departamento “A” e não o “B” a deter o presumível homicida e no tempo, local e modo que exigiam!

O desempenho do Exmo. Sr. Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, nesta tragédia, à semelhança do que fez na tragédia das vítimas do presumível homicida Pedro Dias, corroboram o que venho expondo aqui há 3 anos e 3 meses (duração da minha prisão preventiva!)

Qual a razão para tão disparatada declaração? Uma árvore atingida por um raio, apurando-se depois de perfeita articulação com a G.N.R.? “Articulação perfeita” como no caso do Pedro Dias?

Vontade, necessidade de aparecer? O cargo que ocupa é tão nobre e dignificante que não pode ser essa a razão! Ou é?!?

Facto curioso: Sandra Felgueiras surge dias após a tragédia e as também trágicas (para a P.J. e todos nós) declarações do Director Nacional da P.J., junto da árvore em questão!

No mesmo dia em que a Dra. Joana Marques Vidal, Procuradora-Geral da República, informa que foi aberto um inquérito para averiguar as causas “de tudo”, inquérito que se encontra em segredo de Justiça!

Um inquérito aberto pelo Ministério Público após o Director Nacional da P.J. afirmar que não existia “mão criminosa”!?!

Jornal “I”, quinta-feira, 22 de Junho de 2017, número 2466, primeira página: “Incêndios de Pedrogão Grande: P.J. admite fogo posto”.

E agora: ficamos como?

O meu saudoso avô-paterno tinha uma expressão deliciosa para descrever indivíduos que notoriamente teimavam em reiterar na aviltante inépcia: “É um pateta alegre!”

O Exmo. Sr. Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, tem responsabilidades acrescidas, relativamente ao que afirma. É a cara de uma instituição da qual todos esperam respostas seguras, científicas, sólidas, esclarecedoras.

O Dr. Almeida Rodrigues comprometeu toda a investigação e lesou a credibilidade científica da Polícia Judiciária.

O Dr. Almeida Rodrigues é notícia, por causa do que afirmou, no “D.N.” e no “C.M.”, mas também no “El Mundo”, “El País”, “Globo.com”, “BBC News”, “CNN”, “The Telegraph” e “The New York Times”. Quem é técnico, perito, honesto intelectualmente: escandaliza-se!

Quem conseguir rir, ser irónico, pode satirizar: “As autoridades inglesas só agora conseguiram identificar as causas da tragédia do aranha-céus, ocorrida em Londres. Pudera, não é Director da “Scotland Yard” o Dr. Almeida Rodrigues que em poucas horas e com o fogo ainda a matar: dá com a árvore!”

À frente de uma instituição que ainda é vista pela população portuguesa como garante de cientificidade e aplicação capaz da Justiça (o que eu discordo construtivamente) Almeida Rodrigues, Director Nacional, goza desse prestígio ao mesmo tempo que o destrói, assim como destrói o património de confiança dos portugueses.

Se o Dr. Almeida Rodrigues não tivesse suspendido o meu ordenado, há 3 anos e 3 meses, eu oferecia-lhe a versão da obra de Sun Tzu, “A arte da guerra”, ilustrada, igual à que possuo, porque está comentada por excelentes líderes do antanho.

Comentário de Du Mu: “Atirar pedras do topo de uma montanha de dez mil pés de altura, tal que elas rolem encosta abaixo, e nada as poderá parar – isto deve-se à montanha, e não às pedras.”

Atendendo ao reiterar aviltante de manifestações de ignorância crassa, por parte do Dr. Almeida Rodrigues, e não por causa do(a) Leitor(a), impõem-se descodificar: a “montanha” e a sua “altura” representam a instituição P.J. e o seu património de confiança por parte dos concidadãos que servem; as “pedras”, os investigadores; quem as “atira”, o Sr. Director. Mesmo com esta vantagem natural (entenda-se: a falta de controlo de qualidade, escrutínio, conhecimento das populações, responsabilização, autoscopia e auto-crítica) o Dr. Almeida Rodrigues consegue esbarrondar toda a investigação!

Reiteração e responsabilização.

Reiteração: “Caso Joana”, “Caso Maddie”, “Caso Rui Pedro”, “Caso Freeport”, “Caso Pedro Dias”, “Caso Armindo Castro”, “Caso Ana Saltão”, incidente “Lingotes de ouro desaparecidos na Directoria do Norte da P.J.”, “Caso Meco” e agora a “Tragédia de Pedrogão Grande”!

Responsabilização: a Associação Sindical de Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária (ASFIC-PJ) tem o dever ético e moral de zelar pela boa imagem da instituição que servem/representam. Fui condenado em primeira instância pela prática do crime de violação de segredo por funcionário agravada; o e-mail que provaria os contactos que mantive com a imprensa a fim de denunciar outros “disparates” do Sr. Director Nacional da P.J., a pedido de elementos da ASFIC, serviu para provar a minha corrupção passiva e a tal violação agravada. A seu tempo será esclarecido, agora não importa!

Agora o que importa é responsabilizar! Se a ASFIC-PJ não tem a coragem e o sentido ético-moral para o fazer, eu, ainda que maculado, preso, desacreditado, faço-o:

Exmo. Sr. Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, demita-se!

Se por acaso o próprio não possuir esta réstia de nobreza e sentido de serviço público: a tutela, por favor, demita o Dr. Almeida Rodrigues. O país em luto agradece!

“Ainda o espanto? Venha lá a indignação e a responsabilização!”

Liberdade daqui a: 832 dias!

 A questão incontornável: o indivíduo não gosta de “mexer” em mortos!

É um pormenor, uma particularidade que poderia, se a gestão de recursos humanos da P.J. existisse de facto, inviabilizar a continuação do texto desta semana, mas, infelizmente, o sujeito (inerência da sua nobre profissão) é “obrigado” a tocar nos restos mortais de terceiros.

Ainda que “obrigado”, muitas vezes contornou esta exigência, até que um dia…

O cadáver, em avançado estado de putrefacção, encontrava-se no interior de um veículo automóvel, uma carrinha.

O Inspector de Homicídios da P.J., como era costumeiro naquele departamento, encontrava-se no local do crime somente com uma colega da “equipa” (um claro exagero) de recolhas forenses.

Useiro e vezeiro, foi célere na realização da Inspecção Judiciária: “Tira umas fotografias”, para o técnico que o acompanhava, “Depois podem retirar o corpo, por favor! Depois vê-se melhor na autópsia! Onde está o P.S.P. que tem o nome das testemunhas?”

Festina lente, dizia Augusto, “Apressa-te devagar”.

O cadáver deu entrada no gabinete Médico-legal regional. Foi colocado numa câmara frigorífica. A autópsia realizar-se-á no dia seguinte por um perito médico-legal que não esteve presente no local do crime. Informação que dispõe sobre o cadáver: indivíduo do sexo masculino, encontrado no interior de uma carrinha de cor branca, avançado estado de putrefacção. Foi chamada da Prevenção de Homicídios da P.J., que tomou conta da ocorrência. Uma folha A4, um auto de notícia da P.S.P., primeiro OPC (Órgão de Polícia Criminal) a deslocar-se ao local da ocorrência. Mais informação? Terá que ser com a P.J.!

No dia seguinte, no final da manhã, o Inspector da P.J. redige uma Informação de Serviço (um modelo disponibilizado informaticamente e que serve para informar a Chefia / Coordenação / Serviços Administrativos da colocação de dias de férias, avarias com o computador, etc., mas que costumeiramente utilizam para relatar as Inspecções Judiciárias ainda que o Código de Processo Penal Português, no seu artigo 99º, consigne que o “Auto” é o instrumento destinado a fazer fé quanto aos termos em que se desenrolam os actos processuais!).

Nessa informação  relatará o que realizou na Inspecção Judiciária (“realizou” é notoriamente hiperbólico) e, sem assistir à autópsia ou ter contactado o perito médico-legal, concluirá com a “chapa” costumeira, a mesmice: “Não existem indícios de intervenção de terceiros na morte em apreço, pelo que levo o presente expediente à douta consideração superior de V.Exa.”

Cerca de uma, duas horas após esta pérola da investigação estar em cima da secretária do Inspector-Chefe, aguardando que este levasse à Coordenação para a “douta apreciação superior”, o telefone do responsável pela brigada toca!

Era o perito médico-legal que tinha na sua sala de autópsias o cadáver do indivíduo cuja morte “não teve intervenção de terceiros”:

“Por favor é melhor vir aqui alguém da P.J. porque o tipo tem um cinto à volta do pescoço e não creio que tenha sido o próprio a colocar o mesmo!”

Espantados? Não pode ser?

A temática deste texto surgiu quando, após o almoço, aqui em “Ébola”, já na cela liguei a televisão e estava na antena Hernâni Carvalho, Júlia Pinheiro e o João Paulo.

Comentavam o julgamento da colega Inspectora, Ana Saltão.

Espantados estavam Júlia Pinheiro e João Paulo porque o Director da Directoria do Porto da P.J. reconhecia que tinha sido subtraído das instalações da Directoria um lingote de ouro!

Atenção Maria Alice: não fui eu, já estou preso há 3 anos e quase 3 meses!

O espanto medrava nos interlocutores de Hernâni Carvalho enquanto este informava-os, e aos telespectadores, das provas, dos exames realizados, do resultado das perícias, do acondicionamento das provas/vestígios, dos testemunhos dos peritos, das declarações das testemunhas!

No “caso Ana Saltão” passados dias, semanas, encontraram outra cápsula de uma munição na casa onde ocorreram os factos? Espantados? Inédito? Atentem!

O Inspector estava a ordenar as fotografias que o colega da equipa técnica tinha realizado no local do crime: compunha a reportagem fotográfica que acompanha a “Informação de Serviço” costumeira, ilustrando-a.

Um crime passional. Vários disparos de espingarda caçadeira. Na fotografia contabilizou “X” cartuchos de espingarda caçadeira deflagrados. Em cima da sua secretária observava “Y” cartuchos, entre deflagrados e íntegros! Faltava um cartucho deflagrado!

Viram no interior do carro. Vasculharam a sala dos técnicos forenses. Viraram a sala do Inspector do avesso. Confirmaram através de palpação de bolsos de uns e outros.

Faltava um cartucho deflagrado! Tinham a espingarda caçadeira e os cartuchos íntegros, da mesma marca e calibre. Vamos fazer constar que existiu um erro, um lapso; vamos assumir a negligência, é humano! Não! Solução: efectuar um disparo com a caçadeira, com um dos cartuchos íntegros e assim fica tudo bem!

Nem ocorreu a ninguém voltar ao local do crime!

Conhecem aquela anedota, sobre outro OPC cujo elemento lavra um auto de notícia no local da ocorrência, e, vendo parte do corpo de uma vítima de um brutal atropelamento – a cabeça – no passeio, não sabendo se “passeio” se escreve com um ou dois “S”, resolve a dúvida pontapeando a cabeça para a estrada e escreve: “[…] e a cabeça na estrada […].” Conhecem?

Esta do cartucho é a versão P.J.!

Espantados?

E as roupas do sobrevivente do “caso Meco”? E o tratamento dado às roupas da Inspectora Ana Saltão? E a recolha do vestígio palmar do “caso Estripador de Lisboa” que não aparecia?

E o outro que esteve preso por homicídio mas não foi ele?

Ah! E aquele que afinal era corrupto por causa de uma promessa mas que cada vez mais acha que sempre teve razão e considera que ainda está preso por causa disso, e não há meio de se calar, sendo prova registada os textos deste blogue, antecipando tudo o que agora se comprova? Espantados?

Não se espantem! Indignem-se! Exijam responsabilização!

Hernâni Carvalho afirmou que se não estivessem a acompanhar o julgamento da Inspectora Ana Saltão nada disto se sabia, pelo que continuariam, empresa privada (SIC), a realizar serviço público independentemente dos processos-crime em que fossem constituídos arguidos por difamação ou injúria!

Força Hernâni Carvalho! Força Júlia Pinheiro!

Só tenho uma mágoa: o meu julgamento e o que se passou nas sessões não foi escrutinado, analisado, comentado. Não espantou!

Não espanta a duração da minha prisão preventiva! Não espanta Juízes da Relação criticarem Juízes da Relação por causa da minha prisão preventiva! Não espanta eu estar condenado pela prática de crime de corrupção na forma de promessa!

Não espanta e até se estranha, conforme um(a) Leitor(a) tem deixado aqui todas as semanas nos comentários, não espantar aquilo a que me sujeitam!

A mim não me espanta e reitero: eu tenho razão!

Eu sei como a máquina da Justiça funciona mas não aceito, não baixo os braços.

A todos Vós só peço: não se espantem! Indignem-se, exijam responsabilidades, porque senão serão tão responsáveis quanto os costumeiros!

“Surpresas, curiosidades e confirmações após (mais) uma semana!”

Liberdade daqui a: 839 dias!

Enraizada na cultura ocidental, judaico-cristã, está a imagem da pena eterna infernal que ilustra uma sucessão eternal de dias, sempre iguais, sempre penosos, de renovada e constante dor.

Na mitologia grega temos Sísifo e o seu absurdo renovado trabalho: carregar o calhau até ao cume da montanha para o ver rolar por ela abaixo e retomar a tormenta.

Nos tempos modernos se desejarem tantalizar alguém é prendê-lo, de preferência preventivamente; nesta condição o indivíduo é sujeito a suplício semelhante à personagem mitológica grega – Tântalo – que ilustra a provocada irrealização dos seus desejos mais básicos: suprir a sede e/ou a fome.

Estar recluído é isto tudo. O mesmo dia de ontem que espelha o dia de amanhã. Não se vive o presente, anseia-se pelo futuro, condena-se o passado. Ou talvez não!

Se estivermos atentos, críticos, despertos, as semanas que desejamos que corram céleres podem-se revelar autênticas caixinhas de surpresas, que se insinuam perante nós e nos obrigam a pensar, surpreendendo-nos e, mais uma vez, confirmando que de facto temos razão!

António Mexia, Rui Cartaxo, Pedro Resende e Jorge Machado constituídos arguidos!

Surpresa? Claro que sim!

Mas sabem o que é de facto curioso para mim? É a inexplicável falta de aconselhamento jurídico que o Dr. António Mexia notoriamente apresenta!

Então a primeira coisa que o Dr. Mexia faz é dar uma conferência de imprensa após ser constituído arguido, ele e os outros!

Não saberá o Dr. Mexia e a sua equipa de advogados que existe um concidadão seu, preso preventivamente porque “[…] sendo certo que a audiência de Julgamento e a leitura do acórdão suscitaram a curiosidade dos órgãos de comunicação social, sobretudo atenta a qualidade de Inspector da Polícia Judiciária do arguido/condenado, com algum contributo efectivo do mesmo […]”, perturba a ordem e tranquilidade públicas?

Ninguém avisou o Dr. Mexia e os seus colaboradores que podem ficar em prisão preventiva, pela suspeita da prática de crime de corrupção, se existir curiosidade dos órgãos de comunicação social e se o próprio contribuir para essa mesma curiosidade?

Ele e os seus colaboradores não ficaram presos, são presumíveis inocentes! Claro que são e eu defendo isso mesmo; o que não é mais que a confirmação daquilo que me alimenta nesta luta infernal: eu tenho razão!

Durante a sua inquirição em sede de Julgamento, a Senhora Coordenadora Maria Alice (encarnação viva de uma harpia, para não fugirmos das imagens da mitologia grega) num dos seus paroxismos histéricos, afirmava que possivelmente o meu co-arguido pagava as minhas viagens aos E.U.A., assim como pagava a cota da Associação Americana de Ciências Forenses. Claro que isto foi um desesperado disparate, uma tentativa de levantar suspeitas, formar convicção na Juiz de que eu fora corrompido. Com documentação provou-se o contrário.

Surpresa: António Mexia (a E.D.P.) admitiu ter doado 1,2 milhões de dólares à Universidade Columbia (E.U.A.) a mesma que escolheu Manuel Pinho para dar aulas!!!!

Confirma-se: A defesa do Dr. António Mexia é muito fraca. Então não sabem que em Portugal um concidadão foi condenado pela prática de um crime de corrupção porque foi prometido ao mesmo, no futuro, sem documentação, contrato ou projecto, um laboratório?

Neste caso reconhecem a entrada de dinheiro que subsidia um curso de um antigo governante, decisor em questões relacionadas com a E.D.P.?

As semanas, aqui em “Ébola”, nunca são iguais para quem está atento, mesmo que as notícias cheguem com atraso. Agradeço o envio da notícia que a seguir vamos analisar!

Epitetei a Sra. Coordenadora Maria Alice de harpia? Claro que sim! Depois daquilo que neste espaço denunciei, depois de tudo a que assisti quando trabalhava sob a sua coordenação, eu posso fazê-lo, mas, se acham que estou errado, vejam o que me enviaram esta semana:

“Diário de Notícias”, 2 de Maio de 2017. Título da notícia (digital): “47,7 anos: P.J. tem os polícias mais envelhecidos do país”.

Maria Alice Fernandes odiava jornalistas, não gostava de falar com os “media” (e nós fazíamos de conta que assim o era!). Excerto do artigo referido: “[…] Mais céptica é a ex-dirigente, outra histórica da P.J., Maria Alice Fernandes, que se reformou há três anos, depois de ter liderado a directoria de Setúbal. “Vejo com preocupação essa realidade. Pelo que fui acompanhando de uma forma geral, as mulheres acomodam-se muito na P.J. Usam e abusam de licenças e baixas. Querem ser boas investigadoras, boas mães e boas esposas. Isso é impossível.  A investigação criminal levada a sério requer uma dedicação extrema, exige que se renuncie a muita coisa e muito espírito de sacrifício. Não foi o que vi, de uma forma geral, repito, e não sei o efeito que terá no futuro do trabalho da P.J.”

Quando neste espaço deixei que a Sra. Maria Alice, convictamente, considerava que só nas famílias pobres verificavam-se abusos sexuais, quando esta dizia que eram a “fina flor do entulho”; quando aqui escrevi que uma menor foi novamente abusada com o conhecimento e industriada pela P.J., Departamento de Setúbal, coordenado pela Senhora Maria Alice, muitos de Vós não acreditaram, era demais, o tipo está preso e está desesperado! Pois bem, retirem as vossas conclusões!

Eu, sem surpresa confirmei o que já sabia e testemunhei: a desonestidade intelectual, a estreiteza de espírito e mediocridade foram sempre propriedade característica da Sra. Alice!

Pelo que testemunhei durante o tempo que trabalhei com este espécime retrógado e atendendo às suas palavras, só posso concluir que terá sido uma excelente mãe e esposa porque profissionalmente provou ser muito fraca!

Uma mulher a diminuir o seu género. A vomitar barbaridades que não a dignificam, a rebaixar todas as funcionárias Inspectoras, Inspectoras-chefes, Coordenadoras e Coordenadoras-superiores da P.J., só revela a mesquinhez e falta de liderança, racionalidade e bom-senso. Foi esta personagem serôdia que freneticamente tudo fez para me prender e condenar!

Que derrota a minha! Perder é mau, ser derrotado temporariamente por alguém assim, é terrível!

A semana continuou profícua: erro judicial no caso “Máfia de Braga”! Supremo negou os Habeas corpus! Durante a semana, “os meus” comentaram: “Ó Pedro, só no teu caso é que não cometeram erros!”. Será que não? Vamos aguardar…

Curiosidade: Ana Saltão, Inspectora da P.J., assiste a um novo testemunho que a incrimina!

Os comentadores, fazendo eco das palavras dos Magistrados do Julgamento, dizem que não é a Polícia Judiciária que está a ser julgada!

Como não? Sábado, 1 de Abril de 2017, “Correio da Manhã”: “Vítima desenterrada. Juiz que julga Ana Saltão quer radiografia do cadáver”. Quatro anos após o sucedido existem dúvidas? Foi o Instituto de Medicina Legal? Deixem-se disso: eu estive 15 anos desse lado das grades!

Começou a Instrução do processo do “caso Fizz”. Na televisão vê-se o Dr. Orlando Figueira de óculos escuros a dizer que não presta declarações à imprensa!

Vou criticar os óculos escuros? Claro que não! Vamos só confirmar: estar preso preventivamente é horrível! Dizer que se deseja voltar para a prisão é desonesto!

Eu fui à minha Instrução, ao meu Julgamento, ao dentista, ao médico, sempre algemado, transportado como um “animal perigoso”, colocado em calabouços!

Caminhar dignamente, sozinho, sem algemas, confrontar o Tribunal sem escolta, faz toda a diferença. Querem falar sobre os óculos? Pois bem, não são permitidos! E eu fico tão bem de óculos escuros e fato (conforme atesta a minha mãe!)

A minha mãe. Os meus pais visitaram-me na 5ª feira, dia 8 de Junho. No dia 9, sexta-feira, no dia em que o Orlando Figueira de óculos escuros, sem escolta, dizia não desejar fazer comentários, a minha mãe completou 73 anos.

Vi a minha mãe na quinta-feira porque na sexta não posso ter visitas.

Não pude estar com ela no dia do seu aniversário.

Confirma-se: é desonesto dizer que se quer voltar para a prisão!

O espião Carvalhão Gil foi acusado, esta semana, pela prática dos crimes de Espionagem (5 a 15 anos), Violação de Segredo de Estado (3 a 10 anos), Corrupção passiva (1 a 8 anos) e está em casa com pulseira electrónica!

Este facto, sem surpresa para mim, confirma algo! O quê?

Confirma que a minha medida de coacção é uma autêntica palhaçada judicial! Uma vergonha!

Os meus pais visitaram-me. A minha mãe “Ju” luta contra o “bicho-mau” que dentro dela, qual harpia, avidamente, insidiosamente a quer derrotar.

Com surpresa ouvi a minha mãe dizer: “E se não tenho tempo para te ver em Liberdade?”

Foi uma surpresa porque nós, os “De Sousa”, somos geneticamente optimistas, alegres, de bem com a Vida e com o que ela nos dá, lutadores!

Foi um pequeno momento de fragilidade, compreensível, humano.

Depois da visita pensei neste momento, não com tristeza, pelo contrário, com alegria porque o resto da visita foi passada a rir!

Perante isto, e depois de atentamente ler a entrevista de George Steiner ao jornal “Expresso” (in  revista “E”, edição nº 2327, de 3 de Junho de 2017) retive esta passagem que desejo partilhar contigo mãe! “Ouve” esta: “Uma onda gigante está prestes a acabar com o mundo daqui a 10 minutos. O Católico começa a rezar pela salvação. O Batista apressa-se a deixar as finanças em ordem. E o Judeu diz: se faltam 10 minutos, ainda posso aprender a respirar dentro de água.”

Uma curiosidade: temos sangue judeu na Família, minha querida?

Eu julgo que não, porque da última vez que olhei, o meu prepúcio ainda cá estava!

Sorri sempre, minha Mãe, já faltou mais e todas as semanas abundam surpresas e/ou curiosidades que confirmam tudo o que o teu filho (sem óculos e com vontade de comentar) aqui, neste espaço, tem deixado! Beijoca!

 

“Nada disto é matéria de Justiça…”

Liberdade daqui a: 846 dias! 

Como está a Estimada Leitora e o Caro Leitor?

Eu?!? Eu hoje estou particularmente satisfeito! Boas notícias, pergunta?

Não, apenas a confirmação do que venho aqui propalando: Eu tenho razão!

Acompanhem-me por favor!

Atentem na imagem dos dois indivíduos que discutem sobre a identidade do signo gráfico que representa um número: é um “6” ou um “9”? “6” defende vigorosamente um, “9” assegura com igual convicção o outro.

Psicologia pura. Percepção e seus fenómenos. Apreensão de objectos e eventos da realidade externa circundante.

“A percepção é selectiva. Esta selecção é conseguida, em parte, pela orientação física, como no caso do movimentos dos olhos. Também é conseguida graças a um processo central,  a atenção selectiva. Entre os métodos que estudam a atenção estão incluídos, o olhar selectivo, como foi demonstrado pelos procedimentos de procura visual, e a escuta selectiva, que vimos em acção na apresentação dicótica, em que uma mensagem é escutada, enquanto a outra é ignorada.” (in “Psicologia”, Henry Gleitman et al.)

Não se deixem intimidar pelos “palavrões técnicos”, todos nós experimentamos estes fenómenos diariamente: quando “ouvem” uma jovem cantora desnudada a interpretar uma canção (ou um jovem cantor desnudado) todos “olham” para o preciosismo da sua voz!

Quando estão numa festa com toda a gente a beber e a falar alto, se por acaso alguém diz o seu nome ou fala de algo familiar a si, o(a) Leitor(a) fixa a sua atenção nessa conversa!

Quem nunca se divertiu a olhar as nuvens no céu na companhia de outrém, interpretando formas, descrevendo um elefante quando o outro invoca um bombeiro segurando a mangueira!?!

Tudo isto é falivelmente humano, tudo isto é Psicologia.

“A Sandra pousou o vaso com muita força no banco e ele partiu-se!”

Ele, refere-se a quem (ou a quê)?

Como interpretar? Diz-nos a experiência que um vaso é mais frágil que um banco. E se for um vaso enorme e um banco frágil? Dispõe esta Sandra de capacidade física para erguer um vaso grande?

Como é complexa a percepção!

Vamos continuar com esta Sandra, ou melhor, vamos “pegar” em outra Sandra, esta, Magistrada do Ministério Público, que se pronunciou, mais uma vez, sobre a medida de coacção do Inspector João de Sousa.

Atenção! Eu, arguido preso preventivamente há 3 anos, 2 meses e 1 semana, posso, porque é do meu interesse, estar a ver um “6”, e, a Sra. Magistrada do Ministério Público, a olhar para um “9”. É humano e lucra aos argumentos de cada uma das partes percepcionar realidades, argumentos, explicações para a mesma acção de forma díspar.

O que eu vou fazer agora é expor aos Leitores os factos, o que está consignado, e, apelar à Vossa percepção distante das partes, não envolvida no pleito.

A Sra. Magistrada, em resposta ao meu recurso para o Tribunal da Relação de Lisboa, considera e defende que deve o Inspector João de Sousa ser mantido em prisão preventiva!

Invocando a minha defesa o despacho da 3ª Secção do Tribunal da Relação de Lisboa, relativamente a um co-arguido que desde Março deste ano encontra-se em Liberdade, somente com Termo de Identidade e Residência (tendo sido condenado a 5 anos e 6 meses como eu), despacho que se refere à minha pessoa (conforme o texto deste blogue, “Questões que, com facilidade, se colocam agora”, e conforme foi noticiado na imprensa nacional, “Juízes denunciam prisão exagerada”. Correio da Manhã, 2 de Maio de 2017) a Magistrada do Tribunal de Almada pronunciou-se sobre este ponto/argumento e nem sequer viu um “6” onde eu descortinei um “9”: a Magistrada negou a existência de algarismos de forma irretorquível (irretorquível para ela, entenda-se!).

Aprecie o(a) Leitor(a); do despacho da Magistrada: “[…] Da leitura do referido acórdão resulta à evidência, que a sua apreciação recaíu sobre a situação do arguido [o meu co-arguido em liberdade] e não sobre o estatuto coativo de qualquer um dos outros presos preventivamente, entre eles o recorrente [eu, o João de Sousa]”

Excerto da resposta da Magistrada para os Juízes Desembargadores da Relação de Lisboa!

Excerto do despacho da 3ª Secção da Relação de Lisboa que a Magistrada assegura que não se refere ao Inspector João de Sousa. Apreciem: “Invoca também o despacho recorrido, se bem que, aparentemente a propósito de um outro arguido, que << a falta de resposta imediata e adequada por parte da autoridade judiciária e do sentimento de “impunidade” associado na comunidade >>  a este tipo de ilícitos imporia a prisão preventiva, o que, sendo em parte verdade, não pode ser mitigado através da imposição de medidas de coacção, transformando estas em <<penas provisórias>> aplicadas a presumíveis inocentes […]”

Estou a ver um “6” onde a Magistrada colocou um “9”?

Apreciem o que a Magistrada “colocou” na sua resposta à Relação, à semelhança, isto é, realizando “copy-paste” das outras respostas aos meus recursos (isto é incrível!):

“[…] Quanto ao perigo de perturbação da ordem e tranquilidade públicas, o mesmo consubstancia-se no tipo de crimes pelo qual o arguido [eu] foi julgado, a que acresce a sua qualidade de Inspector da Polícia Judiciária, os quais não sendo alvo de uma resposta por parte das autoridades, criam na comunidade um sentimento de impunidade […]”

Auxiliem-me, por favor, porque eu até coloco a hipótese de estar a ver mal!

Tanto tempo preso preventivamente pode ter alterado a minha percepção!!!

Os Venerandos Juízes Desembargadores da 3ª Secção citaram (está entre aspas!) Ipsis litteris, o despacho desta “Sandra”, Magistrada do Ministério Público, e a Magistrada, após esse mesmo despacho admoestatório, reitera, utilizando as mesmas palavras, e tem a desfaçatez de afirmar que a 3ª secção da Relação de Lisboa não se refere à minha pessoa?!?

Ver um “6” onde o outro, consequência do seu posicionamento físico, não intelectual (deve ser reforçado e sublinhado este facto) vê um “9”, é admissível; agora, posicionados perante um despacho que até cita as palavras escritas da própria Magistrada, já não se pode defender que se trata de fenómenos condicionantes da percepção humana ou particularidades psicológicas da cognição, podemos com segurança afirmar que nesta fase nada disto é matéria de Justiça, isto é fruto de um inexplicável fanatismo, de uma febril intenção de manter preso o Inspector João de Sousa!

Negar o óbvio é sinal de estultícia quando inconscientemente ou resultado do desconhecimento se reitera o erro.

Negar o óbvio é sinal de mediocridade e de uma agenda particular bem definida que em nada dignifica a aplicação da Justiça, quando dolosamente, conscientes do resultado da acção se prejudica alguém. Quando isto tristemente se verifica, então, lamentavelmente observamos falta de grandeza, elevação, numa palavra: mesquinhez!

A imprudência, a desmedida desfaçatez evidenciada pela Exma. Sra. Magistrada  do Ministério Público é tal que, na mesma resposta ao meu recurso para a Relação de Lisboa, apresenta incompreensível anacronismo que só pode ser explicado pela notória irreflexão, com a devida vénia, pela leviandade com que decide sobre a vida de alguém recorrendo ao “copy-paste”!

Atentem: “Aliás as sessões de Julgamento realizadas têm sido acompanhadas pelos órgãos de comunicação, sendo constantes as notícias em jornais e em canais televisivos”

Como?!? O Julgamento terminou em Setembro de 2016! “Têm sido acompanhadas” ?!?

Ao menos imprimia ao despacho alguma contemporaneidade, alguma actualidade nos argumentos!

Será que a “certeza” da Sra. Magistrada de que no sorteio “sairá” novamente a 9ª Secção do Tribunal da Relação (olha, um “9”!) a faz ser displicente?

No mesmo despacho da Magistrada de Almada: “O artigo 193º do C.P.P. determina que na escolha da graduação da medida coativa a aplicar devem ser atendidos os princípios da adequação e da proporcionalidade

O despacho da 3ª Secção da Relação de Lisboa: “Não podemos deixar ainda de dizer que, mesmo que não se subscrevessem as considerações acabadas de fazer, não se vê como é que se poderia manter a prisão preventiva com uma duração de quase 3 anos sem que se considerasse violado o princípio da proporcionalidade tantas vezes invocado.”

Sem comentários! Deixo os comentários para o(a) Leitor(a)!

Nada disto é matéria de Justiça, nada disto é simples Psicologia! Eu tenho razão e está demonstrado através dos próprios actos, inacreditáveis, mesquinhos, daqueles que têm o Poder de a tudo isto sujeitar um indivíduo, neste caso: eu!

O fanatismo, a cegueira e a posição irretorquível é por demais evidente! A equidade, a decisão racional estão fora de questão. A Magistrada vê um “6”, eu vejo um “9”. E se consensualmente chegarmos a um acordo consentido pelas partes: “ Um “69”. Que tal?”

Desculpem, isto não saiu bem! Peço desculpa, eu que estudei e sei reconhecer os condicionalismos da percepção e da cognição humanas, não desejo ser mal interpretado: não existe significado subliminar ou trocadilho boçal, trata-se somente de um signo gráfico, um número que quando colocado sobre o outro, perdão, ao lado do outro invertido, um para cima o outro para baixo, parecendo alcançar a região inversa um do outro… bolas isto está mesmo a sair mal… é melhor ficar por aqui… até para a semana!