“Como se faz um canalha!”

Liberdade daqui a: 944 dias!

Canalha: A plebe mais vil, gente desprezível. Pessoa sem moral, desonesta; patife, infame, velhaco.

Canalhocracia: Sistema em que preponderam os canalhas. 

Hoje vou falar-vos de uma autêntica canalhice! Uma gritante falta de Moral e de Honestidade!

Presentemente, encontro-me a recorrer da decisão do Tribunal de 1ª Instância, plasmada no Acórdão de Sentença de 20 de Setembro de 2016: condenação pela prática dos crimes de corrupção e violação de segredo de funcionário agravado.

Corrompido por uma “promessa de vantagem patrimonial futura”: um perfeito disparate, sem provas, uma sentença feita “à medida”!

Violação de segredo de funcionário agravado: admiti a violação mas o agravamento é mais uma decisão para ajustar os prazos do castigo!

Agora, “a acção ou palavra própria de canalha”: como já tinha deixado neste espaço, o energúmeno obnóxio do Exmo. Sr. Procurador, Dr. João Davin, magistrado responsável pela fase de inquérito, mandou extrair certidão de peças processuais do NUIPC 2210/12.9 TASTB, processo no âmbito do qual encontro-me preso preventivamente há 2 anos e 11 meses (no próximo dia 29 de Março de 2017, completar-se-ão, 3 anos!!!) objectivando procedimento criminal autónomo por factos que podiam configurar ilícitos criminais praticados por mim.

Esta certidão deu origem ao inquérito NUIPC 353/15.6 T9ALM, a correr termos no Tribunal de Almada, delegada a investigação na Polícia Judiciária, Departamento de Investigação Criminal de Setúbal; departamento onde esteve fisicamente o processo parado, a “marinar”, durante todo o ano de 2015, até que foi enviado para a Direcção de Lisboa e Vale do Tejo! Parado, latente, ameaçador. Como o “Anel de Sauron”, do “Senhor dos Anéis”: “E coisas que não deviam ter sido esquecidas, foram perdidas. A História tornou-se lenda e a lenda tornou-se mito, e durante 2500 longos anos, o Anel caiu no esquecimento. Até que, mal a oportunidade se apresentou, ele seduziu novo portador…”

Durante mais 7 meses do ano de 2016 andou pela Directoria de Lisboa e Vale do Tejo, até que (não, não foi o “Gollum” que o encontrou!) após distribuição a um colega Inspector-chefe, a 12 de Julho de 2016, conheci o inquérito e fui constituído arguido, aqui em “Ébola”: emergindo, revelando-se a malícia e astúcia do “Anel”; perdão, do processo-crime em apreço.

Recordo-vos que desde Outubro de 2015, a Juiz-presidente do meu Julgamento argumenta, também, que devo permanecer em prisão preventiva porque existe “o perigo de continuação da actividade criminosa, considerando, além do mais, a categoria profissional do arguido [eu], sendo que aquele se afere não apenas à factualidade objecto nos presentes autos”.

Nunca, até hoje, foi explicado, concretizado, qual a “factualidade extra”!

Será que se trata dos factos do inquérito 353/15.6 T9ALM? É possível, admissível, intelectualmente honesto, ético, que tenham deixado “marinar” este inquérito para reforçarem a manutenção da medida de coacção – prisão preventiva – que no mínimo pode ser qualificada de vergonhosa?

Acabei, na semana passada, de ler a obra de Montefiore, “Estaline, a corte do czar vermelho” (fascículos grátis com o jornal “Expresso”). Estaline mantinha, guardados, vários relatórios, informações sobre os seus colaboradores e/ou inimigos (reais ou imaginados) a fim de no futuro utilizar esse “espólio” contra os mesmos: os famosos “julgamentos estalinistas”!

Na referida obra, vol. VI, páginas 66 e 67: “Acreditaria Estaline em tudo isto? Sim, com paixão, porque era politicamente necessário, o que era melhor do que ser simplesmente verdade. <<Nós próprios saberemos determinar>>, disse a Ignatiev, << o que é verdade e o que não é.>>”

Ao ler este excerto, senti uma inquietante familiaridade, uma similitude com o que experimento!

Mas o que está em causa no Inquérito 353/15.6 T9ALM? Possível violação de segredo de justiça e violação de segredo de funcionário, assim como uma “mirabolante” tese na qual eu era suspeito de ter ajudado a retirar um indivíduo preso de um estabelecimento prisional, auxiliando o meu co-arguido nessa diligência !!!!

Relativamente a esta “tese fantástica”, e após ler o resumo da intercepção telefónica onde falo com o meu co-arguido, foi notória a “canalhice” de quem investigou e resumiu a conversa, de quem Coordenou e despachou a informação e de quem extraiu a certidão, a saber: os meus colegas Inspectores, a Coordenadora Maria Alice, o Procurador Dr. João Davin! A “Canalhice” é tão grande que o colega Inspector-chefe que recebeu o inquérito, e realizou o meu interrogatório, concluiu que “resultou do resumo algo equívoco” e “não terá relevância criminal”!

Mas foi relevante para manter a minha medida de coacção, quiçá, ou pelo menos para fazer de mim um canalha!

Quanto à violação do segredo de justiça: concluiu que não se verifica!

Quanto à violação do segredo de funcionário… vejam a “canalhice suprema”!

Eu já fui julgado pela prática dos factos em apreço no 353/15.6 T9ALM! Eu falei, declarei os contactos com a imprensa, prestei declarações (está gravado, porra!) sobre a matéria em “investigação” no 353/15.6 T9ALM, aquando do meu Julgamento!!!

Contactada a magistrada do Ministério público de Almada, pelo investigador da P.J., a mesma afirmou que os factos não têm qualquer relação, logo, envie os autos que nós depois tratamos do canalha!

Non bis in idem. Princípio segundo o qual o Estado não pode submeter a um processo um acusado duas vezes pelo mesmo facto, seja em forma simultânea ou sucessiva!

24 de Fevereiro de 2017, RTP3: Paulo Pereira Cristovão não será acusado pela prática de crime de corrupção porque a Juiz de Instrução considera que já foi julgado relativamente a esses factos no âmbito do Julgamento do “Processo Cardinal”, no qual foi condenado a 4 anos e 6 meses de pena suspensa!

A realidade é incontornável, a canalhice sinto-a na pele!

Vejam o despacho da Procuradora do Tribunal de Almada: “[…] determinei que o Inquérito aguardasse por 3 meses que o processo “baixasse” do V. TRL pelos recursos interpostos […]”

Descodificando: vai aguardar o resultado do meu recurso para a Relação relativamente à sentença! Ora, se os factos não têm relação alguma, por que razão aguardar o resultado do recurso?

Se o canalha se safar, leva com este também? Em Março vai ser avaliada novamente a medida de coacção e este processo pendente ajuda a manter o canalha na prisão?

Caro(a) Leitor(a), isto é vergonhoso! Isto não se faz! É de uma mediocridade aviltante!

E porquê? Porquê a mim? Vejam esta “pérola” com mais de 2000 anos, de um comandante das legiões de Marco António: “Não é fácil escrever [scribere] críticas sobre alguém que nos pode proscrever [proscribere]” (“Sátiras”, Macróbio. Frase atribuída a Asínio Polião). Tão distante e tão dolorosamente actual.

Carlos Alexandre, Juiz, referindo-se a uma investigação famosa – “Caso Vistos Gold” – qualificava os factos adjectivando: “um autêntico lamaçal”.

Esta canalhice é um lamaçal com um miasma fétido, acrescento eu.

Mas até na escuridão existe luz, mesmo na “esperança sem garantias” de uma luta que já vai longa.

Os Inspectores que investigaram o Inspector João de Sousa e a Coordenadora Maria Alice, em sede de audiência de Julgamento, declararam que ninguém faz pesquisas fora do âmbito de inquéritos distribuídos, ninguém tem práticas como o arguido João de Sousa!

Caro(a) Leitor(a), nem toda a Polícia Judiciária, nem toda a administração da Justiça é falsa, canalha.

O Inspector-chefe que realizou as diligências no âmbito do “inquérito-canalha”, colega que conheci no dia em que realizou o meu interrogatório, na sua conclusão: “[…] consta daquele processo que o arguido João de Sousa terá consultado as bases da Polícia Judiciária relativamente a […]. Tais pesquisas, na opinião do signatário (o Inspector-chefe responsável pela investigação) e face ao teor da conversa em causa, são perfeitamente naturais. Estranho seria se o Inspector João de Sousa não as tivesse efectuado […]”

Será que este Inspector-chefe faz parte da “minha associação criminosa”? É corrupto?

Ou foi simplesmente profissional, equidistante, honesto intelectualmente, com uma agenda única: apurar a verdade material e não transformar alguém num canalha!

Num dos interrogatórios subsequentes à minha detenção, um colega de Setúbal sentiu necessidade de dizer o seguinte (em 2014): “João, se fosse em Lisboa a investigação teria sido feita da mesma maneira, não foi nada pessoal!” Sentiu necessidade de o dizer. A psicanálise explica muito bem este fenómeno…

Este mês, comemoram-se os 30 anos decorridos desde a morte do grande Zeca Afonso.

“Como se faz um canalha” é um poema seu musicado. A certa altura: “[…] Mas ninguém sabia ao certo / Como se faz um canalha […]”

Eu sei Zeca, faz-se assim, ainda hoje, da forma como antes descrevi!

E o canalha, sou eu!?!

Aproveitem aí fora o Carnaval!

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AVISO

Por favor, leiam o texto que vai ser publicado amanhã, segunda-feira, daqui a algumas horas, porque muitas questões serão esclarecidas: Muita da intenção subjacente à investigação, acusação, julgamento e sentença.

O Secretariado do Blogue

“Descubra as semelhanças!”

Liberdade daqui a: 951 dias!

 

“[…] «O que é a Verdade?» Mas pode responder-se à pergunta de Pilatos de um modo simples e razoável – embora de um modo que dificilmente o satisfaria – da seguinte forma: uma asserção, proposição, declaração ou crença é verdadeira se, e apenas se, corresponder aos factos […]” (in “A sociedade aberta e os seus inimigos”, vol. II, Karl Popper)

 

Como está o(a) Caro(a) Leitor(a)? Tudo bem?! Por aqui, em “Ébola”, tudo na mesma!

Esta semana uma proposta, um desafio lúdico: vamos tentar descobrir as semelhanças entre os indivíduos ilustrados na imagem que acompanha este texto!

Acompanhem-me!

O donairoso Inspector, o ex-primeiro-ministro, o senhor Procurador e o ex-director do SEF estiveram presos preventivamente em Évora por suspeita/indícios da prática de crime de corrupção…

Não, não existe semelhança: o elegante Inspector ainda está em “Ébola” preso, os outros três não! O ex-primeiro-ministro e o ex-director do SEF em liberdade plena, o senhor Procurador em prisão domiciliária!

Assegura o(a) atento(a) Leitor(a) que não se pode comparar porque o galhardo Inspector já foi condenado em 1ª Instância a 5 anos e 6 meses, logo, tem de estar preso e os outros não porque são presumivelmente inocentes?

Concedo. Reconheço o argumento! Então e semelhanças entre o bonachão Inspector e o Dr. Armando Vara? Ambos condenados em 1ª Instância e a recorrerem para o Tribunal da Relação… não, também não se detectam semelhanças: o Dr. Armando Vara está em liberdade a recorrer!

Mas esperem, podem existir semelhanças: o paciente Inspector também recorreu para a Relação e solicitou nos termos do nº5 do artigo 411º do Código Processo Penal, realização de audiência como fez o Dr. Armando Vara, logo, não deve ser negada a audiência e até pode ser que o resultado seja semelhante! Por existir esta possibilidade, porque ambos estão a ser julgados pela mesma Justiça, de acordo com o mesmo normativo legal, o plácido Inspector também está curioso quanto ao resultado do recurso do Dr. Armando Vara!

Uma possível semelhança: o comunicativo Inspector deve permanecer preso porque a sua escrita ou pontual oralidade na comunicação social perturba a ordem e tranquilidade públicas, assim como o ex-primeiro-ministro histriónico… Não, claro que não, o alarmante Inspector está preso, o outro não!

Ah! Achei! Eureka! O “super-espião”, Dr. Jorge Silva Carvalho, afirmou em Tribunal que o seu superior hierárquico mentiu, acrescentando que agiu (relativamente à facturação detalhada) como agiu porque “sempre foi ensinado a fazê-lo”. O alisado Inspector afirmou o mesmo em Tribunal… Não, também não: o polido Inspector foi condenado a pena efectiva de 5 anos e 6 meses, o Dr. Silva Carvalho a 4 anos e meio de pena suspensa; e claro, o condenado Inspector foi por corrupção e violação de segredo de funcionário agravado, o Dr. Silva Carvalho apenas condenado pela prática dos crimes de acesso ilegítimo a dados pessoais, abuso de poder, violação do segredo de Estado e devassa por meio informático! Claro, é óbvio: são coisas diferentes!

Voltemos ao Dr. Jarmela Palos, ex-director do SEF, que partilhou o beliche aqui em “Ébola” comigo. Declarou o Dr. Palos em Tribunal o seguinte: “Custa-me (…) uma vida de trabalho por duas garrafas de vinho.” Segundo os “média” o Juiz do colectivo terá concordado com o “desabafo” mas era o que estava escrito na acusação.

O ponderado Inspector também invocou o seu percurso profissional e académico, a vida estruturada e sustentada que não necessitava de recurso a corruptores… Não, não existe semelhanças:

Ao esperançoso Inspector não foram duas garrafas de vinho que o corromperam, foi mais grave, foi uma promessa!

Até nisto não existem semelhanças com os outros indivíduos! Enquanto que no caso do sorridente Inspector foi uma “promessa de vantagem patrimonial futura”, nada palpável, concreto, nada que os factos sustentassem, sem prova física, apenas a crença ou convicção da Juiz, no caso do ex-primeiro-ministro são malas de dinheiro, transferências do vil metal; o Procurador, Dr. Orlando Figueira, são “300 mil euros em Andorra”/“200mil euros num cofre bancário”/ “processos arquivados”; o Dr. Armando Vara parece que foram “carapaus”… Não, foram “robalos”; o Dr. Silva Carvalho acabou a trabalhar na empresa para a qual facultou informação (será isto a concretização da “promessa de vantagem patrimonial futura”!?). Não existem semelhanças também neste importante particular: os fortes indícios/provas concretas, físicas!

Talvez seja isto: todos funcionários públicos, todos com cargos de responsabilidade, todos capazes de manipular o sistema por forma a comprometer a investigação/instrução/julgamento/testemunhas!

É isso! Claro que é… Não, não é! Calma, entusiástico Inspector!

O único que possui essa capacidade, e porque a possui deve estar preso preventivamente, é o omnisciente Inspector!

O património conhecido e reconhecido que permite uma defesa dispendiosa! Não, também não é isso: tenho uma incansável e profissional defensora oficiosa, todos eles, felizmente para os mesmos, possuem escritórios de advogados! Mas isto pode ser estratégia do ardiloso Inspector… e o património real? Habitação, carros, contas bancárias? Não, infelizmente não é o caso: o agora depauperado Inspector luta para manter a sua “Casa” porque a EDP, a C.G.D. que emprestou o dinheiro para a habitação, as gasolineiras onde a esposa do Inspector abastece o depósito do carro para deslocar-se a Évora, os estabelecimentos comerciais onde a mulher compra os alimentos para ela, não aceitam como pagamento dos seus serviços, a “promessa futura”!

Seria excelente que todas estas entidades fossem tão ingénuas quanto o Inspector que comprometeu toda a sua vida profissional, académica e pessoal em troca de uma “promessa de vantagem futura”!

Também não existem semelhanças quanto às subvenções vitalícias que os outros auferem ou o regresso remunerado à actividade profissional. O Inspector em notório deperecimento está há 2 anos e 11 meses sem receber ordenado!

Bolas! Acho que me enganei no título: não são as semelhanças que devemos tentar descobrir, seria mais lógico procurar as diferenças!

Não! Estou a desistir facilmente! Claro que existem semelhanças: todos do género masculino, todos portugueses, todos a viver em Portugal; alvo da Justiça portuguesa todos eles.

E o sol? Não é igual e nasce para todos? Não, o meu vejo-o aos “quadradinhos” e com horas definidas… e … lembrei-me agora, tenho duas “Velux” no telhado da minha habitação, casa onde o sol bate, logo o IMI será diferente…

Como? O Inspector neste texto é sempre “agraciado” por adjectivos favoráveis?

Meus Caros, eu não tenho disponibilidade económica (ou amigos com essa disponibilidade) para remunerar indivíduos que escrevem blogues elogiando a minha pessoa! Perdoem-me o “auto-panegírico” mas “quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é tolo ou não tem arte”! E não pensem em lucros da corrupção porque só tenho “promessas” para partir e repartir!

Mais, sejamos verdadeiros e objectivos, obedeçamos a Karl Popper quando este diz que uma “declaração ou crença é verdadeira se, e apenas se, corresponder aos factos”! Não existem semelhanças entre os indivíduos ilustrados e é notória e incontornável a evidência:

Dos seis, o mais elegante, composto, donairoso, autêntico raio de luz na forma de um homem é… o Inspector João de Sousa! (como sustenta também a jurisprudência, veja-se o acórdão de 22 de Setembro de 1973, e mais recente, o acordão de 9 de Fevereiro de 2017, data da visita ao E.P. de Évora da relatora de ambos os acórdãos, Julieta de Sousa, mãe do próprio).

“A Besta-fera e o Tempo”

Liberdade daqui a: 958 dias… Tique-taque, tique-taque… 

Esta semana os meus pais visitaram-me. O meu pai de 75 anos e a minha mãe de 72 anos…  Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

Hércules a lutar com a fera, com o indestrutível “Leão de Nemeia”.

Hércules travou combate duro contra a “besta-fera” e surpreendeu-se quando reparou que os olhos do bestial oponente reflectiam a sua própria imagem; Hércules estava como que no interior do Leão; Hércules era o Leão!

Lutou várias vezes, com armas diversas mas nenhuma conseguia lesar a dura pele do animal. Após reflexão decidiu lutar sem armas, com recurso aos seus punhos despidos, Hércules raciocinou, utilizou a Razão.

Nesta placa que eu trouxe de Creta, Grécia, está representada a luta constante que mantemos com a “besta-fera” que habita em Nós. Vencer o “Leão de Nemeia”, colocar a sua pele sobre as nossas costas após esfolarmos a besta representa o egocentrismo e a extrema dificuldade de lidar com a frustração, com a raiva contida.

A placa está desde 2008, colocada sobre a minha lareira, na minha casa, para que eu não me esqueça! Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

No final do ano de 2013 a minha mãe sofreu um acidente isquémico transitório (AIT).

Perdeu as memórias que tinha da sua vida semanas antes do evento e até do próprio evento.

Tique-taque, tique-taque, tique-taque… Na altura eu estava “sob-escuta”!

Pedi à “besta-fera-medíocre-verde-de-inveja” da Coordenadora Maria Alice Fernandes para sair do departamento, objectivando voltar a Lisboa por forma a estar mais disponível para os meus pais e para auxiliar a minha mulher na sua gravidez. Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

No dia 11 de Fevereiro de 2016, com 60 anos, Maria Alice, no Tribunal do Seixal, afirma que eu queria ir para Lisboa para estar numa secção que permitisse maior acesso a informação, a fim de facultar a mesma à minha associação criminosa… isso da mãe… acha que havia qualquer coisa… Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

“Besta-fera-medíocre-verde-de-inveja-mentirosa”!

Todos nós encerramos uma “besta-fera” no nosso ser.

Há milénios, Platão descreveu (antecipando a perspectiva tripartida da psique de Freud) a célebre avriga platonis: a alma comparada com uma avriga puxada por dois cavalos, cada um puxando para seu lado. Um cavalo, o “Espírito” (“emoções nobres”) o outro, a “Concupiscência”, ambos conduzidos por um homem com um chicote, a Razão. Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

Todos nós encerramos uma “besta-fera” no nosso ser.

Pedi aos meus pais para me visitarem esta semana porque precisava tocar-lhes, vê-los, cheirá-los. Visitaram-me poucas vezes porque a minha mãe está a combater a sua “besta-fera”. Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

A 21 de Junho de 2016, abriram a minha mãe para retirarem um bocado dela, o pedaço onde se agarrou a “besta-fera”. Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

Esta “besta-fera” é insidiosa, mais aleivosa e traiçoeira do que a “besta-fera-medíocre-verde-de-inveja-mentirosa” da Maria Alice. Esta alimenta-se do hospedeiro. Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

Como insidiosamente esteve acoitada esta “besta-fera” dentro da minha mãe, por estar encostada, deixou a sombra de si, suou, deixou parte do seu pelo em outro órgão. A minha Mãe, para além dos químicos, vai ser cortada outra vez, vai combater outra vez. Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

– Quando sais, Pedro? – a minha lutadora.

– Em 2019. Setembro. 29 de Setembro de 2019! – sentindo, controlando a minha “besta-fera” que se revolve no meu interior.

– Ai filho… terei tempo? – Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

– Claro que sim. Aguenta-te! – como está agitada em mim a “besta-fera”!

Estou a perder o “Jogo”: a “besta-fera-medíocre-verde-de-inveja-mentirosa” e a “besta-fera-pusilânime-pálida” do Coordenador Pedro Fonseca estão a medrar, a respirar ar livre. Tudo bem, são as regras do “Jogo”. Tenho de cumprir a crueldade do Tempo. Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

Optei por falar, lutar, criticar, denunciar: aceito o jugo. Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

Adoptava  esta postura sempre, mil vezes: é assim a minha “besta-fera”!

Mas agora temos um problema: a “besta-fera” da minha mãe e a inexorável onomatopeia sempre presente… Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

Acabou a visita! – o guarda. Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

Volto para dentro, para junto da população prisional! Para junto da “besta-fera” do pedófilo polícia que abusou da filha nas instalações da P.S.P.! Para junto daquele que matou e retalhou com bestialidade as jovens em Santa Comba Dão! Para junto das feras homicidas, das “melosas-feras” abusadoras de crianças, como as minhas crianças!

Agora começa o diário combate com a minha “besta-fera”, com o meu “caldeirão a ferver”, como descrevia Hobbes o Homem “bárbaro cujos impulsos naturais levariam ao crime, ao roubo, à pilhagem, se não fossem refriados”. Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

O conflito entre as exigências instintivas e a sociedade. Recalcamento e ansiedade. Competem em mim pelo domínio um do outro, o instinto e a razão.

Diariamente controlo a minha “besta-fera” interior porque tenho de aceitar a ressocialização, a reinserção, tenho de revelar “resistência à frustração”, tenho de o fazer, faço-o há 1043 dias, só faltam 958 dias de contenção da besta… Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

Freud legou-nos o “id”, a parte mais primitiva da personalidade, o instinto; o “ego”, deriva do anterior, está ao seu serviço, obedece ao “princípio da realidade”, “tenta satisfazer o “id” mas fá-lo de modo pragmático, de acordo com o mundo real e respectivas exigências reais”, queres ter prazer mas não pode ser; o “superego”, o nosso Juiz, as regras da sociedade, as admoestações, a Moral.

Só nos sonhos os homens são verdadeiramente livres. Esta semana sonhei. Poucos sonhos conscientes, tenho tido. Como fazia em liberdade, aqui, recluído, também mantenho um diário onírico.

Esta semana: um local escuro, húmido. Muitas portas fechadas mas que eu abria facilmente. Gemidos. Pedidos de socorro de vozes que eu conheço porque durante anos trabalhei com eles.

Pessoas, indistintas, a fugir das salas cujas portas eu abro. Numa das salas, escura, dois corpos dependurados com uma corda  a atar os punhos: um homem e uma mulher. Não consigo ver as feições, mas sei quem são. Estou feliz. O homem grita por socorro! A mulher diz-lhe para ter calma que ela resolve. Ele responde gritando que eu ocultarei as provas do que vou fazer, “ele sabe fazê-lo”, repete em pânico.

Lanço-me sobre a sua face e devoro-lhe a língua, tenho que retirar algo da boca, um objecto estranho que me feriu as gengivas: são os seus óculos. Está morto!

A mulher dependurada parece-me ao toque, porque não a vejo, um saco de gordura.

Devoro-lhe a língua mas tenho de cuspir porque sabe mal, sabe a tabaco! Morreu!

Acordo! São 04h30! Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

Os sonhos são catárticos. Existe o “sonho latente” e o “sonho manifesto”. Sem a vigilância do “ego” e do “superego”, o nosso “id”, feliz, deixa os “cavalos à solta”!

O “desejo subjacente” manifesta-se, por vezes simbolicamente, por vezes de forma crua e exacta.

Todos nós encerramos uma “besta-fera” no nosso ser. Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

A minha está controlada, segura, acorrentada, só se liberta em sonhos! É simbólica!

A “besta-fera” da minha mãe é uma merda!

Eu quero ser um calmo analista do possível, mas o Tempo agora corre contra mim: Tique-taque, tique-taque, tique-taque…

A minha “besta-fera” agitou-se esta semana por outra razão! Já foi realizado o sorteio no Tribunal da Relação de Lisboa para a atribuição à secção do mesmo do meu recurso da sentença! Resultado: 9ª Secção!

Não é sonho, não é anedota! Ao longo de 3 anos de prisão preventiva saiu sempre a 9ª Secção! A 9ª Secção que tem indeferido todos os meus recursos! Tique-taque, tique-taque, tique-taque!

Mais: o processo-crime que desde 2015 foi aberto pelo Procurador, Dr. João Davin, com certidões extraídas do processo no âmbito do qual encontro-me preso, passados 2 anos, vai ficar a aguardar durante 3 meses pela decisão da Relação porque ninguém pode ser julgado pelo mesmo crime duas vezes; assim, se a decisão da Relação for manter a pena, tudo bem, senão se verificar: solta-se novamente as “bestas-feras” ao João de Sousa! Tique-taque, tique-taque, tique-taque!

É uma bestialidade! Sim, claro: eu já fui julgado mas eles não controlam os cavalos, a “besta-fera” deles tudo faz, e não em sonhos, para colocar o açaimo que me impede de morder, comer, falar! Até 29 de Setembro de 2019! Tique-taque, tique-taque, tique-taque!

Todos nós encerramos uma “besta-fera” no nosso ser. A minha eu controlo, liberto-a em sonhos.

A da minha mãe é uma merda, quer roubar-lhe os sonhos, é dolorosamente real e eu não esqueço nem perdoo a quem me está a roubar o Tempo com ela! Tique-taque, tique-taque, tique-taque!

“O “Pós-verdade”, também, na Justiça portuguesa!”

Liberdade daqui a: 965 dias!

Na passada semana escrevi sobre o “Caso Meco”; hoje tenho de voltar, de forma breve, ao tema: No dia 2 de Fevereiro de 2017, em Ilhavo, uma mulher de 34 anos, inserida num grupo de 10 pessoas que se reuniram à beira-mar, desapareceu no mar revolto. O corpo ainda não foi encontrado (à data em que escrevo).

Supostamente o grupo de 10 indivíduos dedicava-se à prática de rituais religiosos junto à rebentação marítima. No dia 3 de Fevereiro de 2017, responsável pelas equipas da Polícia Marítima declara que estão a inquirir as testemunhas, acrescentando que “não existem indícios de crime e se assim fosse o processo transitaria para o Ministério Público”!

Dolorosa e preocupantemente familiar, inquietante “déjà-vu”, o percurso do erro está novamente a ser calcorreado: onde está a instituição com conhecimentos técnicos e reserva funcional para concluir se existe indício de crime ou não? Onde está a Polícia Judiciária? Onde está o Magistrado do Ministério Público que tem o dever de ser presciente e acautelar a proficuidade da investigação?

Coloquem estas hipóteses: Será que o ritual religioso implicava o sacrifício, voluntário ou não, de um elemento do grupo?; É possível que um familiar/amigo da vítima, não se conformando com a morte desta, coloque questões, apresente suspeições que obriguem a uma investigação com rigor pericial, não se conseguindo ultrapassar o hiato temporal que já existe entre a chegada ao local, às testemunhas, do órgão de Polícia Criminal com capacidade para investigar e a ocorrência do evento?

Questões rocambolescas? Filmes americanos? Excesso de zelo? Permitam-me a questão incontornável: sabem por acaso o que realmente se passou no “Caso Meco” ou somente conhecem o “pós-verdade”?!? Pois é! A tempestade prevista para esta semana parece que não ocorreu, o que considero estar já presente são as variáveis indispensáveis para a formação da “tempestade do erro perfeita”, em mais uma investigação forense!

Depois da tempestade a bonança? Não, depois somente o “pós-verdade”!

“Pós-verdade”. Um termo, conceito, estratégia política muito em voga hoje em dia.

Também se pode designar por “factos alternativos”, “narrativa construída” ou como António Costa declarou: “Vai defender aquela que é a sua verdade”!

Não aceitando, compreendo a “pós-verdade” jornalística. Os jornais, por mais independentes e profissionais, constroem sempre uma narrativa, mais ou menos fiel à verdade material dos factos.

Na Política profissional existe a “pós-verdade” estatística: o menos votado é eleito, forma governo num “pós-resultado”.

Existe uma verdade em campanha eleitoral e uma realidade verdadeira após contagem dos votos: “Faz-se campanha em poesia, governa-se em prosa”!

Eticamente reprovável, moralmente deficiente, é esta a Verdade. Temos de sacudir, repudiar estas manobras hipnagógicas, escudando-nos no espírito crítico, no pensamento, na participação cívica. Grave, muito grave mesmo, é quando a “pós-verdade” medra, qual erva daninha, nefasto parasita, em instituições que têm como pilar fundacional e fundamental a procura, isenta, da Verdade material dos factos.

Acompanhem-me, por favor!

Desde 2014, Março, data da minha prisão preventiva (que se mantém há 2 anos e 11 meses) que recorro para o Tribunal da Relação objectivando ver desagravada a medida de coacção.

Desde Março de 2014 que o sorteio realizado para a distribuição do recurso por mim apresentado tem por resultado a 9ª Secção! Quais são as probabilidades?!? Acontece!

Esta semana, a mesma 9ª Secção do Tribunal da Relação julgou improcedente o meu recurso: continuo em prisão preventiva!

O que tem isto de extraordinário, eu que sou o único e mais perigoso criminoso em Portugal?

Eu explico: um co-arguido meu, também condenado a 5 anos e 6 meses de prisão pela prática dos crimes de branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada, recorreu da medida de coacção (também se encontra em prisão preventiva) porque, entre outras razões, não se encontrava fundamentada a medida de coacção. O que decidiu a mesma 9ª Secção? Transcreve-se: “Impõem-se, pois, conceder provimento ao recurso, reconhecendo-se a nulidade da decisão recorrida […] devendo o Tribunal “a quo” proferir nova decisão, devidamente fundamentada […]”.

Deram razão ao meu co-arguido!

Apresentei recurso no Tribunal da Relação relativamente à minha medida de coacção, por sorteio, foi mais uma vez distribuído à 9ª Secção. Entre outros argumentos, invoquei a falta de fundamentação, à semelhança do que fez o meu co-arguido. Eis a transcrição da decisão dos Juízes desembargadores da 9ª Secção: “[…] Contudo não tem razão. [eu] Não se pode dizer que a decisão que aplicou a prisão preventiva não tinha fundamento. O Tribunal recorrido podia ter sido mais explícito na indicação das razões por que o fez; mas não podemos dizer que o fez sem fundamentos […]”.

A medida de coacção foi mantida para ambos na mesma data – leitura do acórdão da sentença a 20 de Setembro de 2016 – com a mesma lacónica frase: “[…] Determinar que os arguidos […] e João de Sousa continuem a aguardar a tramitação superveniente do processo em prisão preventiva […]”.

Que “pós-verdade” é esta? Que “factos alternativos” se jogam aqui? Serei eu “filho da outra”?!?

“Podia ter sido mais explícito”? Por lei, é obrigada a Juiz a sê-lo! Mas não é preciso porque a 9ª Secção já conhece o caso, já sabe o que decidir?

Será que só é verdade aquilo em que eles acreditam e não os factos?

Como deixei aqui noutro texto, solicitei à minha advogada oficiosa, incansável profissional, que invocasse no recurso as palavras da decisão deste mesmo Tribunal da Relação no seu despacho, que colocou em prisão domiciliária o Procurador Dr. Orlando Figueira. Objectivo: testar o cumprimento ou não, do art.13º da C.R.P. (princípio da igualdade). Nem se pronunciaram sobre isso! Não interessava à “pós-verdade” deles!

Esta 9ª Secção que justificou a minha prisão preventiva ao longo do tempo socorrendo-se dos argumentos do Ministério Público, ou seja, eu “fazia parte de uma associação criminosa”, era “co-líder da organização”, “um “infiltrado” nas instâncias formais de controlo”, “movimentava somas de relevo”, “encontrava-me ao serviço do principal arguido”; agora, após o Julgamento, na fase do “pós-verdade”, conquanto nada disto tenha sido provado, continua a apoiar o Ministério Público e a Juiz-Presidente, nomeadamente quando esta argumenta que eu apresento perigo de perturbação da ordem e tranquilidade públicas, se for colocado em prisão domiciliária, porque as “audiências de Julgamento e a leitura do acórdão suscitaram a curiosidade dos órgãos de comunicação social, sobretudo atenta a qualidade de Inspector da Polícia Judiciária do arguido/condenado, com algum contributo efectivo do próprio!!!

Esta semana, um ex-primeiro-ministro deu uma conferência de imprensa, com inegável contributo do próprio, que suscitou a curiosidade insaciável dos órgãos de comunicação social!

Mais grave do que isto: atentem no arguido/condenado!

Aqui está um recurso à “pós-verdade”, à emoção, à manipulação da decisão superior por parte de uma Juiz de Direito!

Observem: Artigo 32º da Constituição da República Portuguesa (Garantias do Processo Criminal), número 2. “Todo o arguido se presume inocente até ao trânsito em julgado da sentença de condenação […]”

Na Justiça portuguesa não pode existir “pós-verdade”. Não pode existir manipulação semântica dos factos: “Atenção Srs. Juízes Desembargadores, não se trata de um comum arguido a recorrer da sua sentença, não, este é o Inspector João de Sousa, condenado, não se esqueçam , condenado, por eu estar convicta, independentemente da prova, de que a este condenado foi prometido algo! O quê? Hããããã… ora… um laboratório… é isso: um laboratório!

Com os melhores cumprimentos, a convicta Juiz de Direito!”

Verdade ou “pós-verdade”: “Corruptos pagam 2000€ para não serem acusados? […] Logo a seguir aos depoimentos incriminatórios dos empresários, foi o principal arguido […] quem resolveu confessar tudo […] Engenheiro e técnico superior da ARS Norte actualmente colocado em prisão domiciliária e agora acusado de crimes de corrupção e falsificação de documentos […]” (in J.N., de 1 de Fevereiro de 2017).

Verdade ou “pós-verdade”: “[…] porque é que Ricardo Salgado transferiu 12  milhões de euros para alguém que não conhecia de lado nenhum? […]” (in “Sábado”, Eduardo Dâmaso). Ricardo Salgado, constituído arguido na “Operação Marquês”, mais uma vez arguido, indiciado por corrupção activa e mais não sei o quê: em liberdade!

Verdade ou “pós-verdade”: Hélder Bataglia… bom, vocês sabem!

Verdade: Vou recorrer para o Supremo Tribunal de Justiça! Sou uma gota no oceano mas não podemos esquecer que é uma simples gota que faz transbordar o copo!

Verdade: é inegável, incontornável, que o “tratamento” que a Justiça me oferta é diferente!

Verdade: ainda não foi distribuído o meu recurso do acórdão da sentença no Tribunal da Relação. Será extremamente improvável que o sorteio resulte: 9ª Secção!

Verdade: nem tudo são más notícias, a minha filha Helena teve Muito Bom a “Estudo do Meio”! Muito bem, “Monstro ucraniano”!

“Pós-verdade”, “factos alternativos”…  eu sou do tempo do Pinóquio! E, perdoem-me a boçalidade da expressão: julgo estar a ser alvo de uma autêntica “pinocada”!