“Tecido Cicatricial e Instinto”

Liberdade daqui a: 1007 dias!

Nesta altura do ano – quadra Natalícia – todos Vós, e bem, nutrem pensamentos calorosos, sentimentos nobres, partilham, sorriem, logo, pensar em iniquidades, elucubrar, ou seja, “compor à custa de vigílias e trabalho” é algo que todos nós dispensamos, mas…

Mas esta semana um Juiz alemão considerou manifestamente desproporcional a prisão de um cidadão português a pedido das autoridades lusas!

Refiro-me a Lalanda e Castro.

O nosso Código Penal e Processual Penal não tem como fonte o Direito germânico?

Será que a fonte é germânica, a letra da Lei, mas quem a aplica é latino, profundamente imbuído do espírito judaico-cristão da penitência, do jugo, da acção inquisitorial?

Reconheço que a época é mais de amor e carinho e compras de última hora, mas para quem, como eu, encontra-se em autêntica penitência, factos como este fazem-nos pensar, elucubrar, revoltar.

Indivíduo cujas vítimas tinham 6 e 9 anos, as quais foram abusadas sexualmente pelo mesmo trinta e seis (36) vezes, foi condenado a cinco anos e meio de prisão!

Tal e qual como eu!

Um Padre que abusou sexualmente de duas meninas de 10 e 13 anos (a idade das minhas filhas) foi condenado a 20 meses de pena suspensa!

Um elemento da P.S.P.- Escola Segura, de 42 anos (menos um ano que eu) abusou sexualmente de uma menor de 13 anos (a idade da minha filha mais velha) e não está aqui em “Ébola”?

O Sr. Ricardo Salgado tem uma casa na Comporta arrestada pela Justiça e utiliza a mesma, enquanto eu e todos Vós vamos desembolsar 280 milhões de euros para indemnizar as vítimas do BES (do Sr. Espírito Santo) defraudadas pelo mesmo?

Eu sei, eu sei, é Natal, daqui a uma semana é Ano Novo, que chato que eu sou: só pensamentos negativos, pouco “natalícios”!

Perdoem-me o negror da minha escrita… é que no próximo dia 29 de Dezembro de 2016 atinjo o meio da minha pena e ainda estou aqui!

Estou em recurso, ou melhor: “recursos”, da medida de coacção e da sentença!

Eu, ao contrário de todos os outros, devo, tenho, é imperioso para a manutenção da ordem e tranquilidade públicas, estar em prisão preventiva, até porque, ao contrário de todos os outros, tenho perigo de fuga!

Há três anos seguidos que não passo o Natal em casa com os meus!

Com o meu filho de 2 anos que nunca vi a brincar em casa!

O ano passado, e no ano anterior, chorei ao escrever o texto nesta data: hoje não!

A data é-me indiferente! Já só penso em 2017! Só projecto o Futuro, não vivo no presente! Não tenho doçura em mim! Estou frio como a cela húmida onde agora escrevo, com luvas nas mãos e os pés gelados!

Não tenho fome, não tenho fome de carinho: quero que o Tempo se esgote!

Sou forte, estou acima do sentimento, sou aquele sobre o qual podem erigir uma imensa Igreja, sou Cefas: “Tu és Simão, filho de João. Vais chamar-te Cefas (que quer dizer Pedra)(João, 1,42)

Sou o cacto da Natália!

“Quando nos acontece o pior que nos poderia acontecer e o aguentamos, então somos o homem mais forte do mundo… o que na realidade, pode não ser uma coisa boa […]”

(in “O quarto Kennedy”, Mario Puzo)

Pode não ser uma coisa boa…” Será? Será assim?

Tenho medo. Muito medo! Estou a alienar quem amo porque antes quebrar que vergar!

– Não quero a “ninhada” aqui! Nem a 24 ou a 25! Depois os vejo! – eu, decidido.

Decidido ou com medo, com receio de sofrer ao vê-los a saírem da sala de visitas?

Longe dos olhos, longe do coração!

A Sophia de Mello Breyner Andresen escreveu um conto belíssimo (entre vários): “O Cavaleiro da Dinamarca”.

A história de um valoroso cavaleiro que após uma morosa peregrinação à terra da Palestina, deseja mais do que tudo regressar a sua Casa para celebrar o Natal com os seus mas depara-se com enormes dificuldades, somente vencendo os obstáculos através da sua Força, firme, inabalável.

A questão que coloco é esta: o que perdeu o Cavaleiro durante o regresso?

O Amor dos seus? Esqueceu-se quem era? Perdeu humanidade? Tornou-se frio?

Todos os dias, aqui em “Ébola”, coloco a máscara! Visto a armadura! Desenho o sorriso forçado quando a “ninhada” vem ver o Pai!

Amo aqueles seres mais do que à própria Vida mas por vezes nem os quero ver. Eu sei, é cobarde da minha parte, mas a seguir dói tanto vê-los partir!

Estou forte, sólido ainda que vazio. Não sinto nada porque sentir é sofrer; tenho medo daquilo em que me estou a tornar. Quem ou o quê sou eu agora?

O meu sorriso é de escárnio, não é de alegria.

Qualquer voluntarismo da minha parte é interesseiro.

Estou dormente, indiferente, há muito que não tiro a máscara…

No teatro “Nō” Japonês (o teatro tradicional nipónico), as personagens são identificadas pela máscara. Existe uma personagem – o ancião místico com poderes divinos – cujo actor que desempenha esse papel sujeita-se a vários rituais de purificação porque depois de ter colocado a máscara torna-se Deus.

A minha máscara está a tornar-me no quê?

Este “ritual” a que me sujeitam não é de purificação! Estou sujo, maculado!

Estou há 994 dias a protagonizar um papel que não é o meu!

Dia 1 de Janeiro de 2017 estarei preso, sem condenação “transitada em julgado”, há 1000 dias!!!

Como isto tudo, esta máscara, pode afectar a minha personalidade?

À luz da teoria cognitivo-comportamental da personalidade, a situação que enfrento no momento e a forma como estou a agir e a pensar, acções e pensamentos produzidos ou resultado da situação, vão influenciar a persona João de Sousa!

Tenho medo, receio o que tudo isto está a operar em mim!

James Rollins, “O olho de Deus”: “[…] não tinha medo que ele visse o seu rosto verdadeiro, mas receava não ter rosto. Após ter passado tantos anos a desempenhar papéis diferentes para sobreviver, temia que não restasse nada. Se baixasse a guarda, sobraria alguma coisa? Será que não passo de tecido cicatricial e instinto?[…]”

Será que comigo se está a passar o mesmo?

Receio tirar a máscara! Digo a mim próprio e aos que amo que depois se vê, mais tarde falamos sobre isto ou aquilo. Nada de lágrimas ou abraços mais calorosos, exuberantes: “Estamos na prisão, aqui não!”

Quando eu sair depois resolve-se! Agora não posso, estou preso!

Quem sou eu agora, que raramente esboço um sorriso?

Tenho medo de retirar a máscara e deparar-me com o rosto da imagem que ilustra este texto: uma vítima mortal da lepra!

Estimados, um melhor 2017 para todos Vós e não se esqueçam: de quando em vez, retirem a máscara e sorriam carinhosamente para quem Vos ama! Acreditem em mim porque sei do que falo!

Anúncios

“E se eu me calar… o que mudará?”

Liberdade daqui a: 1014 dias!!!

– Agora é que me surpreendeu, Sr. João! – um guarda prisional – O “Sexta às 9”? A RTP1?

O canal do Estado a dar-lhe tempo de antena?! – incrédulo – Como é que você consegue estas coisas? Muitos contactos, hã? – piscando o olho.

O Ministério Público e a Juiz-presidente do meu julgamento, mantêm a minha prisão preventiva por causa da minha “postura” e porque o meu processo “tem sido alvo de curiosidade e acompanhamento efectivo por parte dos órgãos de comunicação social, sendo certo que o próprio arguido descreve como <<notória>> a sua <<destreza comunicacional e capacidade de contactos>>, não sendo imprevisível a produção de declarações opiniosas” (excerto do despacho que fundamenta a manutenção da prisão preventiva).

Como é que eu consigo estas coisas? Serei mesmo o tentacular manipulador dos poderes em Portugal instalados? Uma verdadeira ameaça ao Estado Democrático de Direito?

É tudo muito simples! Acompanhem-me: pedi ao meu “Secretariado” para entrar em contacto com a jornalista Sandra Felgueiras, que eu só conheço como todos Vós – vejo-a na televisão – e comunicaram-lhe que eu desejava falar sobre o instituto da prisão preventiva e sobre a “estranheza” da manutenção da minha media de coacção quando comparada com outros casos.

Uma jornalista da equipa do  “Sexta às 9” deslocou-se à prisão de “Ébola”, ouviu-me, disse estar interessada e eu (o meu “Secretariado”) facultei todas as peças processuais do meu Inquérito/Instrução/Julgamento.

A conversa mantida “fluiu” com facilidade uma vez que a Jornalista em questão tinha acompanhado o Julgamento, tendo estado presente na leitura do acórdão da sentença.

Contactos privilegiados? Manipulação? Não, nada disso. Exercício de um direito constitucional (artº 37º da C.R.P.: “Liberdade de expressão e informação”), vontade de lutar e muita leitura!

Permitam-me que partilhe um pouco das leituras!

A imprensa enquanto instrumento democrático da liberdade, conforme Tocqueville:

“[…] Em nossos dias, um cidadão oprimido só tem um meio de se defender: dirigir-se à Nação inteira e, se ela lhe for surda, ao género humano. E só há um meio para fazê-lo, a imprensa. Assim, a liberdade de imprensa é infinitamente mais preciosa nas nações democráticas do que em todas as outras, só ela cura a maioria dos males que a igualdade pode produzir. A igualdade isola e debilita os homens; mas a imprensa coloca ao lado de cada um deles uma arma poderosíssima, de que o mais fraco e o mais isolado pode lançar mão. A igualdade tira de cada indivíduo o apoio de seus próximos; mas a imprensa permite-lhe chamar em seu socorro todos os seus concidadãos e todos os seus semelhantes […]” (escrito em 1831!)

Duas coisas inteiramente correlativas”: soberania popular e liberdade de imprensa. Assim pensava (e bem, acrescento eu) Tocqueville. Se o Povo tem o poder de se governar (através do exercício do voto) é importante permitir ao Povo que busque e receba informação indispensável para se “auto-governar”.

Eu, através do meu exemplo, pretendi facultar mais e melhor informação. Não é uma entrevista que vai levar-me a casa, não é o “tempo de antena” que vai ofertar-me a Liberdade, pelo contrário, atendendo ao despacho judicial antes invocado.

Desde o primeiro contacto que a equipa do “Sexta às 9” esclareceu que não era objectivo da entrevista branquear a imagem do Inspector João de Sousa, preso preventivamente há 2 anos e 8 meses, presentemente condenado, em 1ª instância, a 5 anos e 6 meses de prisão pela prática dos crimes de Corrupção passiva e Violação de segredo de funcionário agravado.

Tudo bem! Por isso mesmo foram facultadas todas as peças processuais, material indispensável para um válido e profícuo trabalho jornalismo de investigação.

No dia 21 de Novembro de 2016, após o almoço, durante cerca de 3 horas, o recluído João de Sousa respondeu às questões da jornalista do “Sexta às 9”!

Claro que não, Caro(a) Leitor(a)! Claro que não esperava que apresentassem na RTP1, três horas de entrevista, eu tinha a perfeita noção que existiriam “cortes” e edição das imagens!

Não negociei a edição, não exigi que dessem mais importância ao tema “A” ou “B”:

O facto de não estar a candidatar-me a nada, o respeito que nutro pelos jornalistas envolvidos e a consciência do meu “peso” nestes “tabuleiros do poder” não me permitiam fazê-lo!

Nunca soube – até três dias antes – quando iria “passar” a entrevista, nem tinha conhecimento que seria “passada” no “Dia Internacional contra a Corrupção” (não esquecer que o tema que tinha falado com a equipa do “Sexta às 9” era o “Instituto da prisão preventiva”!)

Não fiquei preocupado ou melindrado por associarem-me ao “Dia Internacional contra a Corrupção”, ou mesmo por aparecer a minha imagem com o título relativo à efemérie, quase como que transmitindo: “Ecce homo” . Eis o homem, eis o maior corrupto de Portugal!

Afinal, eu estou condenado, em 1ª instância (presentemente em recurso), pela prática do crime de Corrupção, sendo que o tratamento que a Justiça tem dispensado à minha pessoa é diferente: todos os outros presumivelmente inocentes, em casa com pulseira ou em liberdade plena, eu não, logo, o maior e mais perigoso corrupto português!

Não fiquei melindrado ou preocupado porque teria oportunidade de apresentar argumentos, exercer contraditório, expor factos, e então, um universo maior de concidadãos do que aqueles que generosamente visitam este espaço, seria o receptáculo crítico das minhas palavras!

Mas não! Não foi isto que sucedeu!

Importa referir que após a entrevista – no dia 21 de Novembro de 2016 – a jornalista do “Sexta às 9” telefonou ao meu “Secretariado” e expressou o seu entusiasmo, efusivo, em relação ao resultado da mesma. No dia seguinte, a mãe dos meus filhos, expressava, durante os 5 minutos de conversa diária, a sua preocupação: ”O que terás dito, Pedro? Para ela estar tão satisfeita? Deves ter dito algo que depois te pode prejudicar!”

Sosseguei-a: “Só disse a Verdade! E sabes que assumo sempre o que digo!”

Pensando algo como aquilo que o Director da “Sábado”, Rui Hortelão, escreveu na mesma revista sobre o exclusivo de Michel Canals (capa da edição nº 658) que, supostamente (digo eu), “quebrou o silêncio […] que faz desta entrevista mais um incontornável trabalho jornalístico”, julguei também ser importante a difusão das minhas palavras!

No fundo, aquilo que ofertei, na minha modesta opinião, foi um “furo jornalístico”!

– Sr. João, vi a entrevista e foi só cerca de 4 a 5 aparições, 5 a 6 minutos no total! Você esteve ali 3 horas!!! – um dos guardas que esteve a vigiar a entrevista.

No dia da emissão – 9 de Dezembro de 2016 – na RTP3, de hora a hora, aparecia o João de Sousa anunciando-se a entrada do “Sexta às 9” na prisão de Évora. “Novos factos”!

“Entrevista ao Inspector da P.J. condenado por promessa”! Vamos lá ver a coisa:

Excertos de frases minhas, sem contextualização. Imagens de momentos anteriores ao começo formal da entrevista: o Inspector a dizer piadas! E, o melhor, grande foco na indumentária!!!

O fato, o anel, o lenço no bolso da lapela, os botões de punho e até os sapatos!

A CMTV, o “terrível canal televisivo do horrível C.M.”, também focou estes aspectos mas não os comentou, deixou ao critério do telespectador! A RTP1: “Não parece estarmos numa prisão até pela indumentária do João de Sousa!” (algo deste género).

Pedi ao meu “Secretariado” para transmitir os meus agradecimentos à jornalista do “Sexta às 9” pela atenção dispensada, acrescentando que lamentava que o foco da entrevista tenha sido a indumentária!

Resposta da jornalista: tivemos que referenciar o facto porque quando estávamos na sala de edição das imagens, sempre que entrava alguém dizia que o indivíduo não parecia estar preso numa prisão!!! Como diria um grande jornalista, um histórico da RTP1: “E esta, hein?!?”

Meus caros, permitam-me colocar a questão: como se deve apresentar um preso preventivo? Com uma bola de ferro sobre os joelhos e uma corrente a prender a mesma a um dos tornozelos?

Um fato roto, às riscas, qual “irmão metralha”? Deve apresentar-se com a barba por desfazer, com a higiene descorada, dentes sujos? Não pode sorrir? Tem de largar uma ou duas lágrimas, tartamudear as palavras, manter a cabeça baixa?

Estimados , nem sequer se pode afirmar que o fato, os botões de punho, o anel, a gravata ou os sapatos são fruto da Corrupção porque estariam apreendidos, eram resultado do branqueamento de capitais! Mais, não se pode afirmar nada disso porque “promessas” não pagam fatos, anéis ou botões de punho, e eu fui corrompido por uma “promessa de vantagem futura” (segundo o Tribunal de 1ª Instância)!

Um “camarada recluso”: “João, você não pode apresentar-se assim! Parece o “Padrinho” dos corruptos! Você não pode dizer “defecar”, tem que dizer “cagar” como um verdadeiro polícia corrupto! – rindo.

Respondi-lhe com o Aleixo: “Mas há outros que eu conheço que, não parecendo o que são, são aquilo que eu pareço!”

“[…] O que achei valioso no testemunho que tinha recolhido era, por um lado, a versão dele sobre os factos e, por outro, todos os dados do chamado elocutório, da intenção, dos gestos, da aparência com que ele se apresentou perante mim […]” (Sandra Felgueiras sobre Pedro Dias, em grande entrevista ao “Jornal i”, página 27, edição de 13 de Dezembro de 2016, número 2329)

Muito bem, entendo a questão do “meu elocutório”, é importante, concedo, mas onde está a “minha versão sobre os factos”?

Voltaremos mais tarde à entrevista ao “Jornal i”.

O que disse eu? Que “furo jornalístico”?

Pela primeira vez concretizei que a Coordenadora da P.J. que “coordenou” (é um claro exagero da minha parte) é mais correcto dizer que conduziu intencionalmente a investigação que resultou na minha condenação, fê-lo sem isenção, equidistância e profissionalismo, tudo porque fui escutado a conversar com magistrados, jornalistas e outros (violação de segredo de funcionário) sobre o facto desta travar a investigação do caso “Freeport”, informação que me chegou através de um elemento da equipa da P.J. que a mesma coordenava, elemento esse que solicitou a minha ajuda para informar o Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues! As “escutas” que provariam o que afirmo “não se revelaram importantes para os autos”!

Concretizei, como já apresentei neste espaço, que esta mesma Coordenadora coordenou (lá estou eu!), permitiu (assim está melhor) que uma menor sofresse novo abuso sexual para que a P.J. conseguisse obter prova (amostra de sémen)!

Denunciei a adulteração do conteúdo das minhas “escutas”!

Demonstrei como um Coordenador da P.J., testemunha de acusação no meu Julgamento, recebeu remuneração por colaborar em pós-graduações que eu coordenava, tendo prestado falsas declarações em Tribunal, negando o facto, tendo a minha defesa apresentado provas materiais (documentação) que a juiz-presidente não permitiu juntar aos autos, num gritante exemplo de denegação de Justiça!

Demonstrei a falibilidade do designado “super-juiz” que presidiu a uma Instrução que leva 34 pessoas/empresas a Julgamento, resultando na absolvição das empresas e de 22 arguidos, no que era uma perigosa e ardilosa Associação Criminosa!

Comparei, denunciando, a terrível (para mim e para os meus) falta de igualdade perante a Lei que é o meu caso e os casos conhecidos de pessoas como o Dr. Orlando Figueira, o Eng. Sócrates, Dr. Duarte Lima ou o Dr. Jorge Silva Carvalho (“super-espião”) este último um exemplo notório da diferença de tratamento a que sou sujeito!

Tudo isto documentado, documentação facultada à equipa do “Sexta às 9”!

O texto vai longo mas peço-Vos, por favor, acompanhem-me! Voltemos às leituras!

John Stuart Mill, “Sobre a Liberdade” (1859). Para o autor era imprescindível para a existência da liberdade de expressão, ter em atenção o seguinte:

  1. Uma opinião que silenciamos pode muito bem ser verdadeira, negá-la é imaginar-se infalível;
  2. Mesmo que a opinião silenciada seja falsa, ela pode perfeitamente conter uma parte de Verdade e como a opinião dominante só muito raramente – ou nunca – é a expressão da verdade no seu todo, só a confrontação de opiniões nos dará uma oportunidade de chegar à verdade;
  3. Se admitirmos que a opinião dominante represente a verdade no seu todo, silenciar uma opinião divergente assemelha-se a professar a opinião dominante como um preconceito, sem compreender ou apreender os seus princípios racionais, caso ela possa ser debatida vigorosa ou lealmente; por fim,
  4. Silenciar uma opinião dissidente é perder, enfraquecer, desvitalizar o sentido da própria doutrina que deixa de ser uma convicção autêntica e sincera fundada na razão ou na experiência pessoal para se tornar dogmática, informal.

Fui apresentado como um “boneco-bem-vestido-que-brincou-ironizou”, uma imagem que não corresponde ao expectável ou que era exactamente assim que um “corrupto rico” se apresentaria, se pudesse!

Não me lamentei como um ex-recluso famoso o fez, a mim, dizendo consternado que estava obrigado a vender a casa que queria deixar aos filhos por forma a saldar as dívidas que tinha para com o seu “amigo de escola” e pagar aos advogados, encontrando-se actualmente a residir numa das zonas mais caras da capital!

Não tenho vocação para “coitadinho” ou “Mártir”! Não me visto a condizer!

Surpreendentemente, vi surgir no ecrã o Director da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, com o máximo respeito (que a instituição que servi merece) a dizer disparates: “Estamos a prender um corrupto, digamos assim, de 3 em 3 dias!”

O que é isto? Populismo? Sensacionalismo? A P.J. não prende, detém! E como é que é? Quantos é que estão efectivamente presos? Sr. Director, eu conheço um: eu!

Mas não é corrupto, é presumivelmente! Ao afirmar que prende “um corrupto de 3 em 3 dias” está a desprezar o constitucional direito à presunção de inocência! Que disparate!

Engraçado que na entrevista falei sobre esta posição da P.J. e dos Magistrados: o desprezo pela presunção de inocência!

Surpreendentemente, vi surgir no ecrã o Presidente da minha Associação Sindical a declarar que tinha ficado provado em Tribunal que eu tinha praticado os crimes!!!

Disparate, no mínimo! Ainda está em recurso o associado João de Sousa!

Estará este Presidente ao serviço do quê e de quem?

E o que dizer das declarações da Dra. Maria José Morgado? Reminiscências de outros tempos, de lutas mais radicais, de acções de luta mais intensas: a vitória ou a morte!

Dra. Maria José Morgado, o “inimigo”?!? Vamos às leituras!

Carl Schmitt, “O conceito do político”: “[…] “hostis” é aquele com quem temos uma guerra pública […] “inimicus” que é aquele com quem temos ódios privados […] “inimicus” quem nos odeia; “hostis” quem se nos opõe […]”

O Ministério Público não nutre ódios ou é instrumento de castigo porque alguém odeia!

Também sobre isto falei! Claro que não! Ninguém foi informado do teor das minhas declarações (que não transmitiram) foi apenas coincidência!

Mas sejamos justos com a jornalista Sandra Felgueiras. No “Sexta às 11”, questionou o Presidente do Sindicato do Ministério Público, Dr. António Ventinhas, sobre o facto de João de Sousa, condenado a 5 anos e 6 meses, ainda estar preso preventivamente e Manuel Godinho (vulgo “sucateiro” ligado a Armando Vara) com uma condenação de 17 anos, estar em liberdade, encontrando-se ambos a recorrer da sentença.

A resposta foi algo como isto: Cada caso é um caso e a população portuguesa não percebe as decisões dos Tribunais porque ainda pensa que os juízes têm cabeleira!!!

Ou seja: “Vocês, povinho, são todos uns ignorantes; não questionem a minha Casta!”

Por mero acaso, na entrevista, falei sobre casuísmo e casuística! Não passou!

A jornalista que me entrevistou e teve acesso a toda a documentação, disse ao meu “Secretariado” que existem muitas incongruências no meu caso, muitas decisões por explicar ou contraditórias!

Não passou!

Atentos a tudo isto, vamos voltar à entrevista exclusiva da Sra. Sandra Felgueiras ao “Jornal i”: “[…] Conhecia de ginjeira as duas almas que inventaram uma história paranoica sobre a minha mãe. Pior do que isso: percebi a motivação. Percebi o envolvimento que eles tinham com agentes da Polícia Judiciária. Dizerem que não há cabalas não é verdade […]”.

Eu trabalhei com a Coordenadora Maria Alice durante 8 anos, servi na P.J. durante 15 anos, falei sobre motivações, envolvimentos e falta de rigor! Mas isso não passou na T.V.!

“[…] A minha mãe foi a primeira grande “cabeça de cartaz” na luta anti-corrupção. Da forma mais injusta possível, porque se há coisa que tenho certeza absoluta sobre a minha mãe é que é a pessoa mais honesta do mundo […]”.

A minha mãe pensa de mim o mesmo que a Sandra pensa da sua mãe. Mais, até disse que apesar de careca continuo lindo. Vale o que vale: mãe é mãe!

“[…] O que se disse e o que se percebeu na altura é que estas duas pessoas se juntaram, congeminaram ali uma estratégia e fizeram crer ao Ministério Público que a minha mãe beneficiava as empresas que davam dinheiro ao partido […]”.

Eu até expliquei como é que as “congeminações” funcionam … mas não passou na T.V.!

“[…] Tenho consciência plena de que nunca farei aos outros o que me fizeram a mim. Essa é a principal razão por que faço o “Sexta às 9”. […] Se no primeiro momento em que uma denúncia horrorosa caiu sobre a minha mãe o jornalista a tivesse questionado sobre o que estava a ser dito sobre ela e ela pudesse ter falado, nada disto tinha assumido estas proporções […]”.

Bom, a mim, a jornalista perguntou só que … não passou na T.V.! Sem comentários!

“[…] Mas eu vi-as eu vivi-as. E vivias tão de perto que hoje em dia se me perguntares se tenho confiança cega no sistema, não tenho […]”.

Pois eu faço parte do sistema, descrevi-o, denunciei-o mas … isso não passou na T.V.!

O título deste opúsculo – “E se eu me calar … o que mudará?” – retirei-o de uma carta que o meu querido “Secretariado” enviou. Estão a tentar convencer-me a deixar de escrever no blogue. A minha filha Helena já pediu ao Pai para acabar com a escrita para o deixarem ir para casa. Tem 10 anos!

“Talvez se te calares as coisas mudam!” – escreveram – “Quando estiveres “aqui”, logo falas, criticas, denuncias mas munido da tua estrutura coesa e robusta, do apoio e protecção dos que te amam e auxiliado por quem te ajudará. Lembra-te das palavras genuínas da Helena, as crianças são maravilhosas. O resto da luta continuará aqui e não vamos parar, mas por favor, aqui, deste lado das grades!” – acrescentaram.

Não atender a quem nos ama é não amar … estive para encerrar o blogue esta semana, deixar de falar … mas eu tenho razão (disse-o na entrevista … só que não passou na T.V.!)

Tudo o que se passou no “Sexta às 9” dá-me razão, reforça a minha vontade de lutar! Algo está errado e o que se passou prova-o.

Não é falta de amor, respeito ou egoísmo, é simplesmente não ceder ao compromisso. Não posso pactuar com o que estão a fazer-me! Não posso comprometer tudo aquilo em que acredito e ferozmente (sempre bem ataviado!) defendo com unhas e dentes.

Lamento, respeitando o pedido do meu “Secretariado”, mas tenho que continuar!

Este é o último texto antes do dia de Natal. Para todos, os que aqui vêm ler, para aqueles que vêem mas não reconhecem, para os que deixam comentários solidários, para os que “largam” comentários “não solidários” (eufemismo), para o pessoal do “Sexta às 9” que foi muito simpático, para a Sandra Felgueiras que continuo a ver, para o disparatado factótum Director Nacional da P.J. e todos os colegas, para a Maria Alice, para o meu querido amigo da “Mister Man” que tem sempre um “Hugo Boss” que me assenta que nem uma luva, para quem me ama e eu amo (ainda que não siga os seus sensatos conselhos) para aqueles três seres que são a minha maior fraqueza mas também a fonte inesgotável da minha Força (disse na T.V. … mas não passou!) – a minha “ninhada” – para todos Vós: um Santo Natal, em Paz, junto de quem amam!

 

“Um abraço solidário à Professora Susana Pereira”

Liberdade daqui a: 1021 dias! (na 2ª feira, 12 de Dezembro de 2016)

Todas as semanas escrevo o texto deste espaço até quarta-feira, o mais tardar, por forma a ser atempadamente “teclado” e colocado na “net”.

Durante o fim-de-semana, o meu imprescindível e valioso “Secretariado” realiza o trabalho de publicação da imagem escolhida e respectivo texto. Ao Domingo tenho sempre a visita do “Secretariado” sendo que, se necessário se revelar, “afina-se” a fraca escrita do recluído.

No Domingo passado, as minhas filhas informaram-me, solenemente, que esta semana a visita terá que ser realizada no Sábado, 10 de Dezembro!

– Porquê? – questionei eu.

– Porque vamos fazer uma “acção social”! – respondeu altiva a Helena.

– “Acção social”?!? – o pai incrédulo.

– Acção de Solidariedade, Helena! – corrigiu a mais velha enquanto o projecto de homem que é o irmão as olhava – Tens que escrever para “sair” na 6ª feira!

– Isso! Tens de fazer um texto para nós! – peremptória a Dona Helena.

As minhas “belas senhoritas” desejam que o pai recluído se deixe dessas coisas da Justiça, que se deixe de lamentações e, porque muita gente o lê (crêem elas!), divulgue a acção de solidariedade na qual elas e a mãe vão participar!

Já lá vamos à acção de solidariedade…

Qual é o pai que não deseja ser o exemplo a emular pela sua descendência?

Quem é que não quer ser o referencial ético e moral daqueles que ama e pelos quais daria a sua vida?

A experiência social dos nossos filhos está circunscrita à esfera familiar, somos nós que facultamos o exemplo, somos nós, Família, que conduzimos as primeiras lições de comportamento social: o desenvolvimento moral dos nossos “tesouros” somos nós que promovemos!

Os pais, avós, tios e afins são quem regula o “fazer Bem” ou “não fazer Mal”, a interiorização destes conceitos e a autopunição é trabalhada por nós, cuidadores!

Esta temática aflige-me desmesuradamente porque estou impossibilitado de dar o meu contributo, impedido de estar com a “ninhada” nesta fase critica do seu desenvolvimento, da formação do seu raciocínio moral!

Mas as coisas até estão a correr bem, como vamos ver mais à frente…

Ao correr da pena de cem opúsculos (este é o centésimo décimo sétimo) tenho escrito sorrisos, gargalhadas, choro, pranto, lamuria e revolta, por vezes repetindo a dor que sinto, até à exaustão.

Queixo-me dos recursos, mas ainda posso recorrer!

Queixo-me das dores da pubalgia, mas curei-me!

Queixo-me da tristeza, mas sorrio quando vejo quem amo!

Queixo-me desta incerteza, desta espera, mas dia 29 de Setembro de 2019 (o mais tardar) tudo vai terminar e de novo vou estar com os meus, livre!

Tenho receio que o meu exemplo – um pai preso, corrupto em 1ª Instância, desacreditado, poluto, maculado – não seja uma referência válida para os meus projectos de “gente grande”, mas estou cá para eles incondicionalmente amarem-me e eu ter o privilégio de os amar!

Shakespeare colocou-o na perfeição: “Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos”.

Aqui em “Ébola” escarnecemos de tudo:

– Tanto tempo preso! Só falta quando sair ser-me diagnosticado um cancro no pâncreas! – um recluso rindo da Vida, do Bem e do Mal, da má Fortuna!

Nada aqui é santo, intocável, tudo é possível transformar num alvo de escárnio, um alvo de substituição para o rancor, a frustração que se alimenta entre paredes, por detrás das grades!

Mas esta provação, esta privação terá um fim anunciado: Terrível, insuportável é não sabermos o que nos reserva o final da luta, o que nos espera no final da batalha.

Angustiante é esgotarem-se as instâncias às quais recorrer, absolutamente doloroso, paradoxal, é não percebermos como foi possível (porquê a mim?) e aceitar que alguém ou algo “escreve direito por linhas tortas” ou “cujos caminhos são insondáveis”, assim como aquilo que nos reserva o é!

A Professora Susana Pereira, de 39 anos, está neste momento a travar uma batalha incomensuravelmente mais difícil do que a minha, sem qualquer dolo da sua parte, apenas porque o seu organismo decidiu guerrear com ela: a Professora Susana Pereira, de 39 anos, encontra-se a lutar contra o Cancro!

A Professora Susana Pereira, de 39 anos, está com um problema desmesuradamente maior do que o Inspector João de Sousa: enquanto eu não tenho disponibilidade económica para advogados, a Professora Susana Pereira, de 39 anos, encontra-se sem disponibilidade económica para fazer uma viagem aos E.U.A., país que tem capacidade para realizar operação cirúrgica que salvará a sua vida!

Enquanto escrevo estou a ouvir o último álbum de Leonard Cohen, “You want it darker”. Na faixa com o mesmo título do álbum, na sua hipnótica e grave voz, diz-nos: “A million candles burning/For the help that never came/You want it darker/We kill the flame”

Não vamos matar a “chama”, vamos fazer chegar a nossa ajuda, vamos iluminar a esperança de cura à Professora Susana Pereira, de 39 anos, que luta contra o Cancro!

O pedido de divulgação, de coisas que realmente importam, foi feito pelas “minhas senhoritas”, pelos meus “projectos-de-gente-grande-moral-e-eticamente-sólidas”: Ajudem-nas a acreditar nos adultos!

Ajudem a Professora Susana Pereira, de 39 anos, que luta contra o Cancro!

No Domingo, 11 de Dezembro de 2016, pelas 10h30, a Escola Básica Nº1 da Póvoa de Santa Iria, abre as suas portas para uma aula colectiva de “Zumba”, por forma a angariar fundos para a Professora Susana Pereira, de 39 anos, que luta contra o Cancro! Apareçam! Contribuição: “3 Zumbas” (3 euros) por pessoa!

Como pode verificar – mesmo com um pai corrupto (em 1ª instância) – os meus “tesouros”, o “meu ouro”, as minhas “promessas” de futuro, estão a desenvolver-se moral e eticamente de forma válida (responsabilidade total da mãe da “ninhada”).

Como a Leonor e a Helena vão ajudar a mãe a “teclar” este texto, ainda com mais vontade e entusiasmo, eu, um agnóstico convicto, deixo aqui uma passagem da “Bíblia” para elas e para todos nós, é sempre bom relembrar, Lc 10,30-37: “[…] Jesus respondeu: Um homem descia de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos de salteadores, que lhe roubaram tudo e o espancaram. Depois foram-se embora e deixaram-no quase morto. Por acaso, um sacerdote descia por aquele caminho; quando viu o homem, passou adiante, pelo outro lado. O mesmo com um Levita: chegou ao lugar, viu e passou adiante, pelo outro lado. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou perto dele, viu, e teve compaixão. Aproximou-se dele e fez-lhe o curativo, derramando azeite e vinho nas feridas. Depois colocou-o no seu animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, pegou em duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: << Toma conta dele. Quando eu voltar, vou pagar o que ele tiver gasto a mais >> […]”

Nenhum de nós quer passar por “Sacerdote” ou “Levita”. Não vamos passar adiante, pelo outro lado. Vamos pegar nas “nossas moedas” e ajudar. Amanhã podemos estar nós caídos na estrada entre Jerusalém e Jericó …

Quanto à “ninhada”, como atrás escrevi, as coisas até estão a correr bem. Posso com segurança e orgulho afirmar: “Depois de mim virá quem bom de mim fará!”

Caros “Samaritanos”: Domingo, 11 de Dezembro de 2016, Escola Básica Nº1 da Póvoa de Santa Iria, pelas 10h30, “3 Zumbas” (3 euros) por pessoa, vamos abraçar solidariamente a Professora Susana Pereira, de 39 anos, que luta corajosamente contra o Cancro!

(Morada da Escola: R. Prof. Maria Luísa Lucena, 2625-176 Póvoa de Santa Iria)

“Os Recursos e a Esperança!”

Liberdade daqui a: 1028 dias!

Lamento, Caro(a) Leitor(a), mas tenho que novamente, sem que seja minha a intenção de enfadar, relevar, revelar, denunciar porque continuo a beber “a bebida amarga”, a tragar a dor, a engolir a labuta e “como é difícil acordar calado se na calada da noite eu me dano, quero lançar um grito desumano, que é uma maneira de ser escutado”!

O “Chico” Buarque queria afastar o Cálice. O nosso Pessoa admoestava: “Não se acostume com o que não o faz feliz!”

Como não desejo habituar-me e encontro-me embriagado de dor, aqui deixo mais um exemplo real do que venho, há 973 dias, a gritar: “TVI, “Diário da Manhã”, 1 de Dezembro de 2016. Operação “Trapos Soltos” 8 detidos pela Polícia Judiciária, indiciados por Fraude Fiscal, Branqueamento de capitais, Burla qualificada, Associação criminosa, lesaram o Estado em 15 milhões de euros. Presentes a Juiz de Instrução: os 8 estão em liberdade aguardando os ulteriores desenvolvimentos da investigação”!!!!

Perdoem-me se começo a parecer um “disco riscado” mas a dor é excruciante: Então e eu ?!?

Esta semana montaram a árvore de Natal e fizeram o Presépio aqui em “Ébola”.

Como já o deixei aqui nos dois Natais anteriores, ofende-me esta hipócrita manifestação de calor, humanidade, fraternidade e partilha.

Este ano ainda não esconderam o “Menino Jesus” e ofereceram a boçal piada costumeira “Façam uma rusga às celas dos pedófilos que deve estar lá escondido!”

É assim o Natal em “Ébola”!

Mas isso faz parte da pena, da provação do recluso, isso é a minha cruz. O que esta semana Vos quero deixar, é a minha visão da Esperança e o Verdadeiro espículo, a autêntica verruma que é a espera por provimento, ou não, dos recursos interpostos enquanto se está em prisão preventiva!

A Helena, na última visita, perguntou novamente, triste: “Pai, vais passar este Natal a casa?”

Ui! A dor: “Não, meu amor. Ainda não!”

– E dás presentes à mesma? – esperançada.

Ah! O consumismo, o materialismo “infanto-juvenil”! Se ofereci prédica sobre os valores do afecto, amor, o valor do desinteresse, o despojamento? Claro que não!

Alegrei-a, alimentei a sua Esperança: “Claro que vou dar-te presentes à mesma!”

O irmão de Prometeu (o que ofereceu o fogo aos homens e foi castigado por isso), Epimeteu, foi favorecido pelos deuses: Hefesto, Atena e os restantes divinos “sopraram” em Pandora várias virtudes, entre elas uma Beleza impar, assim como uma desmesurada curiosidade. Ofertaram Pandora a Epimeteu. Pandora significa: “a que possui todos os dons”.

A Pandora, como os deuses são cínicos e vingativos, para não ir com as mãos a abanar, deram-lhe uma caixa onde encerraram todos os males. O resto já sabem! A excessiva curiosidade fez com que a bela Pandora abrisse o nefasto recipiente libertando as maleitas, ficando algo, de forma muito ténue, a brilhar no fundo da caixa, a Esperança!

Séculos depois, outra mulher – Eva – quebra a nossa relação amistosa com Deus, ao seguir as indicações da Serpente, comendo da “Árvore do Conhecimento”, movida pelo desejo de conhecer e distinguir o bem do mal (curiosidade!).

A Serpente foi condenada a ser “maldita entre todos os animais domésticos e todas as feras”; obrigada a rastejar sobre o ventre e a comer pó todos os dias da sua vida!

Eva, e todas as “Evas” subsequentes, tiveram/têm que sofrer muito na sua gravidez. E, os “Adões”, voltarão todos para a terra porque são pó e ao pó voltarão!

Mas, Deus é bom, ficou a Esperança de voltar ao abraço reconfortante do Pai Supremo, após o regresso ao pó, entre a corte dos santinhos no Céu!

Voltemos a assuntos mais terrenos.

Vamos focar-nos somente no meu recurso relativo à alteração da medida de coacção!

Dia 11 de outubro de 2016 interpus recurso no Tribunal da Relação para a alteração da medida de coacção: desejo um desagravamento como tiveram tantos outros!

Queria passar o Natal de 2016 com os meus! Claro que é possível, como o foi para tantos outros!

Acompanhem-me, vejam agora como rasteja a Justiça portuguesa tal qual a Serpente.

Dia 20 de Dezembro de 2016, daqui a 15 dias, a Juiz-presidente do meu Julgamento é “obrigada” por Lei a rever os pressupostos da minha medida de coacção.

Espero que a mesma mantenha o “castigo”, infelizmente.

O Tribunal da Relação ainda não “resolveu” o meu recurso porque, até esta data, o Ministério Público (1ª Instância) ainda não se pronunciou, logo, pronunciar-se-á a Juiz-presidente novamente antes de todos os outros, ficando por aqui o mortal João, aguardando regressar ao reconfortante abraço dos seus, o que para si seria o Céu na Terra. Trocaria qualquer recompensa Divina futura (ou a sua promessa) por esta autêntica festa terrena com os meus!

Claro, reconheço Caro(a) Leitor(a), que a questão é pertinente: “Estou esperançado num desfecho favorável, ou não?”

Se entendermos a Esperança na sua definição “mais pura”, “expectativa de um bem que se deseja”, então estou esperançado porque desejo estar com  aqueles que amo e considero essa companhia, essa verdadeira partilha, um bem sofregamente desejado!

Estar com os meus é o objecto da minha espera, a minha ténue esperança.

Considerada uma das três virtudes Teologais – a Esperança – posso definir-me como um virtuoso.

Agora, se atendermos à definição de esperançoso como sinónimo de auspicioso, significando auspicioso algo de “bom agouro”, prometedor, então nesse caso, as probabilidades de êxito são reduzidas. Não creio estar sob felizes auspícios e não me considerando áugure, o meu auspiciar é muito desencorajante.

Creio que para alimentarmos a nossa Esperança devemos possuir elevadas doses de Ilusão, temos que estar presos à expectativa.

A Ilusão é um recurso que necessariamente deve ser inesgotável.

A minha experiência, sustentada por 2 anos, 8 meses e 6 dias, obriga-me a afastar a Ilusão, verdadeiro “engano dos sentidos ou do espírito”, a repudiar a interpretação errónea que seria o expectar por algo diferente agora: o que muito facilmente podíamos considerar uma “esperança quimérica”.

Autêntico engano relativamente à forma, à dimensão e à cor – ilusão de óptica – do que venho a experimentar, somente um prestidigitador conseguiria a “arte de produzir fenómenos que parecem contradizer as leis naturais” – Ilusionismo!

Somente um ilusionista conseguiria convencer-me a manter acesa a luz da minha Esperança.

Sem Esperança não somos nada. Sem Esperança a existência é um perfeito absurdo!

Como sigo? Como consigo suportar tudo isto se não tenho Esperança?

Através da Razão!

A Razão enquanto faculdade pela qual alcanço entender, compreender e julgar quem me julga.

Tendo Razão, estando certo, com  a Verdade do meu lado: os factos diários comprovam o que tenho afirmado!

Virgílio, nas suas “Geórgicas”: Felix qui potuit rerun cognoscere causas (Feliz aquele que pode conhecer a causa das coisas) sublinhando a felicidade daqueles “cuja inteligência penetra os segredos da natureza e se eleva acima das vulgares superstições.”

A serenidade do indivíduo cognoscitivo permite ao mesmo o verdadeiro luxo de dispensar a reconfortante (mas falsa) Esperança; é o seu recurso mais valioso e imprescindível.

Saber o porquê, conhecer “quem”, identificar “como”, oferta-nos a couraça resistente para suportar o pó ou as dores deste difícil parto da Justiça: o nascer da equidade!

A Justiça, o Tribunal da Relação, “está de esperanças”, fecundei o seu ventre com a semente que é o meu recurso, vou aguardar sabendo que vou perder mais um Natal, conhecendo o sabor amargo do cálice, mas feliz por conseguir identificar quem pisou as uvas, engarrafou o vinho, serviu-o e verificou como fraca foi a colheita!