“Embaixadas, consulados, imunidades e doenças auto-imunes!”

Prisão Preventiva: 2 anos, 5 meses!!!!

Leitura da sentença, faltam: 22 dias!

2 anos e 5 meses de Prisão Preventiva! 126 semanas! 885 dias! Uau!

Impensável, não é? 2 anos e 5 meses em “banho-maria”, em “apneia-de-mim”, sem condenação! Ufa! É obra! Mas não é sobre isso que desejo hoje, pensar… e partilhar com o(a) Leitor(a).

Ponte Sor. Irmãos iraquianos espancam um adolescente português. A vítima encontra-se em coma induzido, consequência das graves lesões, resultado directo das agressões praticadas.

Irmãos iraquianos, filhos do Embaixador do Iraque.

Imprensa nacional: “Diplomacia inactiva. […] a diplomacia tomou conta demasiado tarde do problema […]” (o Director-adjunto do C.M., edição de 24/08/2016).

“Crime imune. […] Ao governo português ficará bem assumir, por sua iniciativa e de forma rápida esse ressarcimento […]” (António Jaime Martins, advogado, C.M., edição de 24/08/16).

“Portugal pode pedir levantamento da imunidade diplomática” (C.M., mesma edição).

“Irmãos iraquianos aceitaram entregar roupa à P.J. para testes de ADN” (in jornal “I”, edição de 24/08/16).

“Não chamem a polícia que não vale a pena” (Vitor Rainho, Director executivo do jornal “I”, em editoral da edição de 24/08/16).

Vamos começar por aqui: pelo excelente editorial do Director executivo do jornal “I”.

Será que não vale a pena chamar a Polícia?

No jornal “Expresso” (edição de 20/08/16) lê-se: “[…] na manhã seguinte foram detidos pela GNR [os gémeos iraquianos] que acabou por passar o caso para as mãos da Polícia Judiciária. Só que os Inspectores foram obrigados a libertar os suspeitos depois de estes apresentarem o passaporte diplomático […]”.

Nota prévia: a minha análise é falível, uma vez que apenas “trabalho” sobre a informação veiculada pelos média, mas, atendendo à entrevista prestada pelos gémeos e restantes declarações dos “chefes máximos das forças mínimas lusas”, posso com segurança afirmar que é mais do mesmo. Com propriedade afirmo, pois já vivi a situação, já experimentei na pele a doença auto-imune da Justiça portuguesa: forte com os fracos, fraco com os fortes; destituída da coragem suficiente para fazer cumprir a Lei!

O que vou relatar é também um elucidativo exemplo do que são algumas chefias intermédias da P.J., do que foi a Coordenação do Departamento de Investigação Criminal da P.J. de Setúbal, responsabilidade da Coordenadora Superior de Investigação Criminal (C.S.I.C.) Sra. Maria Alice Fernandes, e contrasta (no mínimo) com aquilo que foram as histérico-histriónicas declarações em Tribunal da testemunha Maria Alice Fernandes, em relação ao seu funcionário, Inspector João de Sousa.

Ano: 2008 (o ano da fundação da minha associação criminosa).

Local: Charneca da Caparica, Almada.

Ocorrência: cidadão brasileiro vítima de homicídio com recurso a arma branca, agressão praticada por outro cidadão brasileiro. Autor do homicídio em fuga.

Desenvolvimento: Inspector João de Sousa realiza inspecção judiciária, assiste à autópsia, recolhe informações junto de familiares e da comunidade brasileira. Faculta o seu contacto pessoal aos cidadãos brasileiros, auxilia a família agilizando procedimentos burocráticos (“O João de Sousa auxiliava os familiares, como faz a Segurança Social? Nunca tive conhecimento disso” – ironizaram em Tribunal colegas e superiores hierárquicos, nomeadamente a testemunha Maria Alice.)

Imprensa de 2008, Março, sobre o caso em apreço (imprensa nacional e brasileira!).

“Homicídio de brasileiro gera caso diplomático” (in “Brazilian Times”)

“Cônsul do Brasil em Portugal critica ação da polícia” (in “notícias.orm.com.br.)

“Conflito diplomático Brasil-Portugal – Assassino tentou esconder-se no Consulado” (in “port.pravda.ru”)

“Polícia portuguesa é acusada de invadir consulado brasileiro em Lisboa” (in “zh.clicrbs.com.br”)

“Homicida foge do Consulado” (in C.M., edição de 20/03/08)

Ministro lamenta incidente em Consulado do Brasil” (in “TVI24”, edição 20/03/08)

“PSP entra no Consulado do Brasil em busca de um suspeito” (in “Público”, edição de 20/03/08)

O que é que se passou?

Em contacto permanente com a comunidade brasileira (que felizmente para ambos, nunca me corrompeu, como o fizeram, segundo a testemunha Alice, outros que facultavam informações ou contactaram comigo) obtive que o presumível homicida estaria no Consulado do Brasil, sito na Praça Luís de Camões, nº 22, em Lisboa.

– Chefe, preciso de um carro com urgência e alguém que vá comigo buscar um tipo a Lisboa no Consulado do Brasil! – aguardando a conhecida bonomia e “serena-quase-estática” postura de tomada de decisão.

– Carro… vê lá se arranjas… fala com as outras brigadas… uhh… sim, fala com a Maria Alice…

Sim, claro, muito bem Caro(a) Leitor(a): ele é que estava a chefiar!

– Senhora, com licença… Lá está você a fumar… fico com esse cheiro nos “Hugo Boss”… gasto um dinheirão com as limpezas a seco…

– Para a semana deixo de fumar! O que quer? – a Maria Alice.

Explicado o sucedido e necessidades logísticas.

– Muito bem, leve um carro da brigada do “X” – após telefonar à minha frente – e vai consigo o “A” e o “B” – sim, “microgestão”, o chefe já estava a pensar em algo diferente.

Contacto com a P.S.P.: pedi aos colegas ajuda para detectarem o sujeito, objectivando-se a sua detenção.

Eu, mais dois colegas, um deles mais velho que o Inspector João de Sousa (na P.J. ligam muito à antiguidade por causa do lugar que se ocupa na viatura, mas quando é para assumir algo… está quieto. Eu nunca liguei a isso e assumir é comigo!)

Resultado da diligência: suspeito detido! Mas…

“O Comando Metropolitano de Lisboa (P.S.P.) desvaloriza a contenda […]. Na versão da PSP […] deslocaram-se ao Consulado-Geral do Brasil a pedido da Brigada de Homicídios da P.J. de Setúbal […]. ” (in “Público”, edição 20/03/08)

“[…] numa atitude “intimidatória” e sem autorização do Cônsul-geral mas a P.S.P. invoca “imprecisões” e que actuou a pedido da P.J. […]. (in “Lusa”, edição on-line de 19/03/08)

O Inspector João de Sousa a ultimar o expediente para apresentar o cidadão brasileiro, homicida confesso:

– João, vai à Maria Alice, passa-se qualquer coisa com o Cônsul do Brasil! – o chefe.

– Diga, Senhora! – outra vez a fumar e eu de fato.

– João, o Director pediu explicações sobre a ocorrência no Consulado! – apagando o cigarro.

– E o que disse a Senhora? – sorrindo olhando o cinzeiro.

– Uh… você vai fazer uma informação escrita para o Director! – mexendo nervosamente no isqueiro.

– Eu!? Sou eu Director deste Departamento? Eu, que sou o chefe da brigada de homicídios? – adivinhando o que aí vinha.

– Lá está você. Foi o Director que pediu – concluindo com a colocação de um cigarro no canto da boca. Era o sinal para eu sair.

Fácil seria dizer que foram os tipos da P.S.P. que se precipitaram. Que eu não entrei no Consulado, que não tinha pedido para intervirem, era só segurança periférica o solicitado.

Mas eu sou “o” Inspector da P.J., João de Sousa, e se quero o “filet mignon”, também tenho que roer o osso: Nós lá na P.J. ganhamos mais que a P.S.P. e temos subsídio de risco!

Se a minha chefia intermédia e a minha C.S.I.C. Maria Alice “borram-se” porque a imprensa fala em “incidente diplomático” e não assumem, não vou fazer o mesmo!

As duas informações de serviço que redigi ao Director Nacional da P.J., cujo despacho da chefia não existiu e o despacho da Maria Alice foi um lacónico “Visto. Comunique-se”, provam que assumi as responsabilidades e desresponsabilizam os elementos da P.S.P. que foram uma ajuda fundamental na resolução do caso.

A C.S.I.C. Maria Alice não assumiu nada, lamentável atitude, à semelhança das mentiras que apresentou em Tribunal: “O Inspector João de Sousa facultou o seu contacto pessoal em outros casos que fez com os seus co-arguidos? Desconheço! Não é comum fazer-se!”

As informações existentes e o meu trabalho provam a minha forma de trabalhar.

Aqui não tenho disponibilidade desse material, mas garanto que no futuro colocarei tudo.

Uma palavra de agradecimento ao jornalista que ajudou o “meu secretariado” na recolha dos elementos para este texto. Retribuo o abraço!

Com contactos privilegiados na imprensa? Claro! E valeram ouro nesta ocasião: vendo-se “abandonado” pelas chefias, o “ardiloso e tentacular” Inspector João de Sousa socorreu-se dos média: “[…] Os amigos de “X” estavam no Consulado e viram “Y” [o alegado homicida], tendo telefonado para o inspector João de Sousa, da PJ de Setúbal […]” conta um dos amigos da vítima, acrescentando: “A comunidade brasileira só tem que agradecer à PSP e à PJ, que agiram de boa vontade e na hora. E critica a actuação do Consulado, que só hoje telefonou à família […]. (in “braziliantimes.com”)

Assim é mais difícil os “chefes máximos das forças mínimas” da P.S.P. e da P.J. sacudirem para cima dos elementos que andam na rua a trabalhar, a “decidir na hora” porque quem tem o dever de decidir, procrastina!

Cada acção tem uma reacção: cerca de um ano depois, o Dr. Mário Mendes é vítima de um acidente rodoviário na Av. da Liberdade – “Inspector da P.J. salva “super-polícia”.

O Inspector era eu, quem compareceu da P.S.P. tinha estado na ocorrência do Consulado.

– Sr. Inspector, lembra-se de mim? Você está em todas! Vamos invadir algum país?

Filhos do Embaixador? Imunidade diplomática?

Quando o “Zé ninguém” é detido por nós (P.J.) ou outro O.P.C., sob o “manto protector” de um Capítulo inteiro do Código Processual Penal, o Capítulo II, das medidas cautelares de Polícia, praticamos “actos cautelares necessários e urgentes para assegurar os meios de prova” (art. 249º do C.P.P.); “identificamos suspeitos e pedimos informações” (art.250º do C.P.P.); “reduzimos a auto o que vimos e apuramos” (art. 250, nº7 do C.P.P.); até podemos manter as pessoas no local!

Será que isto não se aplica a gémeos, filhos de Embaixadores? Será que o Código Processo Penal é “forte com os fracos e fraco com os fortes”?!

E a imunidade diplomática?

Os “moços iraquianos” disseram na televisão que não a invocaram!

E mesmo que o tivessem feito, tinham que aguardar, haja coragem para isso!

7 de Setembro de 2003: Queda de via pedonal aérea no IC19.

Inspector João de Sousa, colocado nos homicídios de Lisboa investiga o caso.

No seu relatório final solicita ao Ministério Público a promoção da “retirada” da imunidade parlamentar ao Director das estradas de Portugal que “atempadamente” deixa o cargo e retira-se para a Assembleia da República onde assume o cargo de deputado da nação!

A chefia intermédia e a coordenação da secção de homicídios de Lisboa:

– João, não acha que é um pouco demais solicitar isto? Não é melhor alterar a conclusão do seu relatório?

– Não altero uma vírgula, só se os senhores o fizerem no vosso despacho! – ainda distante de ser considerado corrupto, mas já bastante “incómodo”.

Resultado: o Ministério Público não promoveu a minha solicitação, mas está no papel, nos registos, assinado por mim!

Mais que a questão da imunidade, prevista na lei de Viena de 1960, a Justiça portuguesa sofre de uma doença auto-imune! Uma “doença causada pelo nosso sistema imunológico, que passa a funcionar de forma inapropriada”.

“Toda a vez que um sistema imunológico se depara com alguma substância estranha, que ele interpreta como potencialmente danosa, ele passa a produzir células de defesa e anti-corpos para combatê-la”.

O problema está no próprio sistema, na cultura que impera: se eu tocar neste sector da sociedade, neste poder instituído, se eu tocar neste indivíduo. Bom, a lei prevê actuar, mas e as chefias, as coordenações, as direcções que não assumem?

O “Zé-ninguém” pede para ligar ao advogado: “Aguarde, mais tarde liga!”

O carro tem matrícula da embaixada: “vamos levar os senhores a casa!”

Tenho tanto receio, medo como qualquer um que diariamente está na rua “sem rede”.

Há uns anos saía da Gomes Freire com outro colega eram 11h30.

Fomos interpelados por outro agente da P.J.:

– Então João? Tudo bem? Vão onde?

– Vamos à Cova da Moura tentar “sacar” um tipo! – enquanto o cumprimentava.

– O quê?! Estás louco? Às 11h30 na Cova da Moura? Só de madrugada ou com a P.S.P.! – indignado.

– Companheiro, quando eu, agente da P.J., não conseguir entrar num bairro em Portugal, o país estará em “estado de sítio”! – arrogantemente inchado.

– João, tem que se dedicar ao caso do empresário desaparecido! – a Maria Alice.

– Senhora, eu tenho em mãos um homicídio… – mais irritado com o cheiro a tabaco no fato do que com o pedido – não ia deixar de fumar? – para a irritar.

Um Coordenador reformado e um Procurador “amigo” da Maria Alice tinham ligado porque se tratava de uma família conhecida, com apóstrofo no apelido.

Todo o Departamento de Setúbal trabalhou no processo do empresário, enquanto o titular desse inquérito – eu – estava a diligenciar num caso em que a vítima não fazia parte da “Associação das famílias numerosas” ou conhecia Coordenadores reformados.

Resultado: 25 e 18 anos de prisão para os autores do homicídio do “Zé-ninguém”!

Mais: um dos indivíduos relacionados com o processo, a quem facultei o meu número de telemóvel, acompanhei e auxiliei, é presentemente Mestre em Psicologia Clínica, formado na Universidade onde eu fiz a minha licenciatura em Psicologia. Escreveu-me esta semana a dar força e a agradecer, agradecimento que não era necessário: apenas fiz o meu habitual trabalho!

A minha profissão é como o jogo do “Risco”, com a diferença fundamental de não ser necessário lançar dados para apurar resultados, a sorte nada tem a dizer no resultado das investigações, e se tem é porque favorece sempre os audazes, a coragem de fazer!

Na maior parte das vezes, nem se trata de coragem física – chegamos sempre depois da prática do crime – é a coragem ética e moral de fazer cumprir a Lei e considerar todos, sem excepção, iguais perante a mesma.

Não considerem este texto um “auto-panegírico” ao João de Sousa, não é essa a intenção, até porque se trata de factos comprováveis. Acreditem que existem na P.J. muitos e bons que também se pautam por estes valores, como poderão constatar pelo resultado final deste caso dos gémeos iraquianos (ou não! Vamos aguardar!)

Os meus colegas, com toda a certeza, também vão combater esta exuberante “doença auto-imune” da nossa Justiça: “Ser forte com os fracos e fraco com os fortes”!

Existem sinais de melhoras: a Maria Alice já se reformou, já não procrastina ou decide! E de certeza que ainda não deixou de fumar!

Força para o Ruben recuperar e força para a sua Família!

P.S. – o homicida brasileiro foi condenado pela morte que provocou!     

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“Proxenetismo Luso de Luxo”

Prisão Preventiva: 2 anos, 4 meses e 24 dias!!!!

Leitura da sentença, faltam: 29 dias!

A “Lupa Capitolina”. Pode ser vista nos Museus Capitolinos, em Roma. Tenho uma “memória cristalizada”, em formato fotografia, da minha filha Leonor junto da mesma quando estivemos de férias em Roma, nos bons velhos tempos, nos tempos distantes (parece-me agora, aqui fechado), muito distantes, de sol e alegria.

A Leonor na altura achou muita graça aos “dois meninos que querem morder o cão”!

Expliquei-lhe na ocasião o significado da representação: uma pequena introdução à iconologia.

Tenho tantas saudades de explicar coisas aos meus filhos … de ter férias com eles …

“Eneida” de Virgílio: Eneias, filho da Deusa Vénus, com Tróia em chamas, foge com o seu pai às costas. Alguns séculos depois, Reia Sílvia, Vestal, engravida de Marte e nascem os gémeos Rômulo e Remo que vemos na imagem que acompanha este texto, a alimentarem-se com o leite da loba.

Como Reia Sílvia não se manteve casta (“condição” que a sua posição como Vestal obrigava) foi encarcerada num calabouço e foi ordenado que Rômulo e Remo fossem atirados ao rio Tibre!

O resto é conhecido: a loba encontra-os e amamenta-os, Marte no Olimpo protege-os, depois pastores os acham, Remo é capturado. Rômulo, sabendo da sua origem divina, liberta o irmão e fundam Roma! Depois os irmãos zangam-se e Remo morre, Rômulo governa até à sua morte a eterna Roma.

Na Roma antiga, se um indivíduo desejava ser Cônsul (o mais alto cargo da República) tinha que observar certo número de fases: primeiro, tinha que ser admitido no Senado como Senador; segundo, exercer o cargo de Questor; terceiro, ser Pretor e por último, candidatar-se a Cônsul.

Estes “quatro passos” de ascensão ao Poder eram conhecidos por cursus honorum.

Esta sequência de Magistraturas era obrigatória, sendo igualmente obrigatório possuir muitos “denários e sestércios” para comprar votos, angariar clientes, realizar jogos (o famoso panem et circenses, presente nas “Sátiras” de Juvenal) eventos que davam grande notoriedade, reconhecimento e votos nas urnas a quem os organizava.

Claro que só certas “ordens sociais” tinham “disponibilidade” para percorrer a “Via da Honra”(cursus honorum).

Ainda que existisse “permeabilidade” entre as ordens – Senatorial, Equestre, Decurial – tratava-se de uma “permeabilidade selectiva”, selecção feita através do apuramento da riqueza pessoal e/ou familiar dos indivíduos – por exemplo, o acesso à Ordem Decurial exigia a disponibilidade de 100.000 sestércios!

Muitos dedicavam-se à carreira militar, sendo o seu objectivo major o governo de uma província que proporcionasse fartos lucros!

Como Júlio César disse: “Prefiro ser o primeiro numa aldeia do que o segundo em Roma!” (desde que não se tratasse da aldeia dos irredutíveis Gauleses!)

Resumindo: o que os romanos antigos que desejavam o Poder faziam era, à imagem do seu mito fundador, mamar até à saciedade nas tetas da Loba (Roma) deixando a mesma descorada e fraca, esquálida!

“O que aconteceu, de novo acontecerá; e o que se fez, de novo será feito: debaixo do Sol não há nenhuma novidade. Às vezes ouvimos dizer: “Vede aqui está uma coisa nova!” Mas ela já existiu em outros tempos, muito antes de nós” (Eclesiastes, 1, 9-10)

Quer ver o(a) Leitor(a) como hoje, na nossa República, dois mil e tal anos depois, indivíduos mamam sofregamente, não nas tetas da Loba, mas nos belos seios da nossa representação iconográfica da República; quer ver como “eles” estão pendurados nos mamilos do interesse comum, da comunidade, quer perceber como saciados uns mamam e outros sedentos, definham! Veja como Portugal é um país de castas, de privilegiados, um país com uma democracia insípida.

Atente no Proxenetismo Luso de Luxo:

“Ricardo Salgado autorizado a ir de férias para a Comporta, apresentando-se na G.N.R. da Comporta por forma a facilitar a sua estadia no local onde usufruirá das casas arrestadas pela Justiça portuguesa” (in “TVI Jornal das 8″, de 13/08/16)

Despacho da Ministra da Justiça sobre o ordenado suspenso ao Inspector João de Sousa, preso preventivamente há 2 anos, 4 meses e 24 dias, após este interpor providência cautelar:

“[…] Por um lado, cabe a cada um, perante situações imponderáveis, como as de desemprego ou outras que impliquem perda de remuneração, prevenir-se antecipadamente para as consequências nefastas que daí possa resultar […] Por fim, o ora Requerente (o Inspector João de Sousa) tem que adaptar as suas despesas à nova realidade da sua vida […]”

Eu, o “Zé Povinho” (com manguito e tudo), eu, fora da casta, eu e os meus sem “os sestércios” tenho que me adaptar, o Ricardo Salgado não se adapta: adaptam-se a sua medida de coação e os bens arrestados para que o mesmo passe férias em Família!

José Sócrates, numa das muitas caminhadas comigo nas alas de “Ébola”, antes de “rompermos o namoro”, dizia-me com semblante triste:

– João, estes canalhas obrigam-me a vender a minha casa que eu queria deixar aos meus filhos, para conseguir pagar despesas: aos advogados e ao Carlos Santos Silva!

– João, perceba, a luta é contra o Estado, contra o “Monstro Estado” que oprime o cidadão indefeso! – colérico, o Engenheiro.

Então e agora o mesmo Engenheiro, vítima do “Leviatã”, pede subvenção vitalícia: dois mil e mais alguns “sestércios”!

O Sr. Engenheiro vê-se obrigado a recorrer ao Estado e paga (ou pagará alguém!?) a renda de uma habitação numa das zonas habitacionais mais caras da capital portuguesa!?!

E o que dizer de Duarte Lima: 2.289,10€ de subvenção vitalícia, condenado a 10 anos de prisão, suspeito da prática de um homicídio?

Armando Vara: condenado a 5 anos de prisão, suspeito na “Operação Marquês” e com subvenção vitalícia?

Vejamos o que disse o Director Nacional Adjunto da P.J. relativamente ao ordenado do Inspector João de Sousa: “[…] Que a imediata suspensão dos efeitos do despacho, a qual sendo provavelmente propalada, nos meios de comunicação social, na maior parte das vezes, com títulos a atirar para uma forma sensacionalista e conteúdos pouco rigorosos do ponto de vista técnico-jurídico, traduzir-se-ia no desprestígio da imagem externa e bom nome da Polícia Judiciária, já que este caso envolve directamente um seu trabalhador […] e, em consequência, reconheço que seria gravemente prejudicial para o interesse público o diferimento da sua execução […]”

Eu, João “Povinho” de Sousa, sou responsável pelos títulos dos “média”, eu, de “casta inferior”, lesava gravemente o interesse público se recebesse um sexto do meu ordenado, seria talvez um exemplo de proxenetismo: mamaria nas “tetas da grande porca” do Bordalo Pinheiro. Eu, presumivelmente inocente, lesaria, eles, que junto à “porca” estão há anos: não!

Último exemplo, o melhor de todos:

Fernando Rocha Andrade, Secretário de Estado, a convite da Galp, vai ver a Selecção Nacional com tudo pago!

Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais aceitou convite da Galp, empresa que tem um diferendo judicial com o Estado português no valor de 150 milhões de euros!

Artigo 372º do C.P. (recebimento indevido de vantagem)

  1. O funcionário que no exercício das suas funções ou por causa delas, por si, ou por interposta pessoa, com o seu consentimento ou ratificação, solicitar ou aceitar, para si ou para terceiro, vantagem patrimonial ou não patrimonial, que não lhe seja devida, é punido com pena de prisão até cinco anos […]
  2. […]
  3. Excluem-se dos números anteriores as condutas socialmente adequadas e conformes aos usos e costumes.

Primeiro: o DIAP de Lisboa ainda vai analisar se o processo-crime “tem pernas para andar”;

Segundo: Germano Marques da Silva já declarou que “houve um comportamento eticamente reprovável, mas ainda assim, não houve a prática de qualquer crime, porque um convite da Galp, que é patrocinadora da Selecção, a um Governante, enquadra-se na ressalva, muito aberta e vaga, das condutas conformes aos usos e costumes.”

Terceiro: Fernando Rocha Andrade vai reembolsar a Galp!

Quanto ao Inspector João de Sousa, acusado da prática de crime de recebimento indevido de vantagem:

Primeiro: o Ministério Público considerou que o processo- crime “tinha pernas para andar”, tanto que há 2 anos, 4 meses e 24 dias “cortou as pernas” ao Inspetor da P.J.;

Segundo: o número 3 do artigo 372º do C.P., nomeadamente “as condutas socialmente adequadas e conforme aos usos e costumes” só o são para alguns. A minha ex-aluna empresta-me o seu carro ou o meu co-arguido, com ouro velho que lhe facultei, mandar fazer um anel a um ourives da sua confiança não se enquadra nas “condutas socialmente aceitáveis”. Se ainda falta provar que Fernando Rocha Andrade favorecia ou não a Galp, no meu caso, eu de casta menor, de certeza que iria favorecer ainda que não se tenha provado ou mesmo demonstrado a intenção de o fazer, ao fim de 6 meses de julgamento;

Terceiro (e o mais difícil): como vou eu ressarcir, devolver a minha vantagem indevida se provado ficou que nada recebi? Ah! Já sei: era uma vantagem patrimonial futura! Porra! Tinha de ser algo insubstancial só para eu me lixar!

Perdoem-me! Estou a esquecer-me de algo fundamental! Afinal eu, ao contrário dos indivíduos que invoquei: sou culpado! Vou ser condenado, eles não; afinal eu, ao contrário dos sujeitos que invoquei: opino, tenho a postura errada!

Eu sou politicamente incorrecto, desbocado; ora vejam:

Proxeneta é “uma pessoa que faz profissão de intermediário em amores”; estes que invoquei, são intermediários de amor ao dinheiro, ao Poder!

Tenham-no, usufruam! A minha revolta reside no facto de não existir equidade, Justiça.

Deixem-me usufruir do pouco (para mim, tudo) que tenho: os meus filhos, a minha Família, a minha Liberdade! Ao contrário do Engenheiro e outros, não vou “sugar os seios do Estado”, vou lutar pelo meu futuro sem necessitar de ajudas. Já o fazia na P.J.: todas as minhas formações foram oneradas por mim.

Tudo isto é vergonhoso. Tudo isto se passa no meu país. Tudo isto não é nada de novo!

Como diria Astérix: Estes “proxenetas lusos de luxo” são loucos!

“Pequenos nadas que são tudo, sem falsa humildade”

Prisão Preventiva: 2 anos, 4 meses e 17 dias!!!!

Leitura da sentença, faltam: 36 dias!

No texto da passada semana, invoquei António Lobo Antunes, esta semana volto a fazê-lo!

Devo confessar algo que para um Leitor compulsivo, um bibliomaníaco, é uma vergonha: nunca li um livro do Lobo Antunes.

Pior ainda: o único livro/autor que não consegui acabar de ler foi o Lobo Antunes (“Memória de Elefante”).

Tinha 16 anos quando iniciei a leitura, a obra estava em casa dos meus pais (presentemente faz parte da minha biblioteca) e não consegui concluir o livro.

Mais tarde – 29/30 anos – tentei “Os cus de Judas”. Igual desfecho.

Julgo que a culpa é minha, não “me entra”, não o entendo.

É uma falha tremenda, eu sei.

Agora as crónicas… delas sou fã: possuo todos os livros das crónicas!

Leio semanalmente as mesmas.

Conheci o autor numa edição da feira do livro de Lisboa. Autografou-me dois livros: um para mim (que ainda não li), outro que ofereci a um colega da P.J. porque os livros não se emprestam, são objectos pessoais valiosíssimos. Como nos legou Umberto Eco: “O saber não é como a moeda que permanece fisicamente íntegra mesmo através das trocas mais infames: ele é, antes, como um fato belíssimo, que se consome através do uso e ostentação. Não é assim de facto o próprio livro, cujas páginas se esfarelam, cujas tintas e ouros se tornam opacas se demasiadas mãos lhe tocam?”

Lobo Antunes, na sua crónica semanal na “Visão” (edição nº 1222): “[…] – Não vou aos cemitérios porque não está lá ninguém. E é verdade, não está. Nem sequer eu um dia porque me hão-de pôr de certeza nos Jerónimos, entre Camões e Vasco da Gama, com quem formarei um novo Trio Odemira. Deus há-de gostar das nossas cantorias e já o imagino a bater o ritmo com o pé […]”.

Lobo Antunes terminava assim a sua crónica.

Palavras somente? Falta de humildade? Devaneio narcisista?

Oscar Wilde, no seu “Retrato de Dorian Gray”, alerta para a incontornável evidência científica que um bom escritor é sempre desinteressante como pessoa, uma vez que coloca todo o seu fascínio pessoal na sua obra. No caso de Lobo Antunes, talvez por desconhecer a sua obra, acho o personagem fascinante: nada de falsa humildade. “Eu serei Nobel mais tarde ou mais cedo. Se não o for? Que se foda!” (Palavras do próprio!)

Mas tudo isto são palavras. Sim, as palavras contam mas os actos provam!

E já agora: humildade é “o rebaixamento voluntário por um sentimento de respeito ou … de fraqueza”!

Lobo Antunes pode dar-se ao verdadeiro luxo de não respeitar ninguém e de não demonstrar fraqueza; eu, e agora é falsa humildade, não me considero melhor ou pior, apenas diferente!

E diferente porquê, diferente de quem? E como aferir isso mesmo?

Consegue-se aferir através de pequenos nadas que são tudo. Através de pequenos gestos!

Aconteceu-me aqui, no “Inferno de Ébola”, há duas semanas. Confirmei (sem falsa humildade) o quão diferente sou enquanto pessoa e profissional da P.J.

Refeitório cheio. Chegou um novo recluso. Como baratas loucas, num frenesim orgíaco, os reclusos do costume: “Sr. João, chegou um tipo novo! Tem uma cara de pedófilo!”; “Burlão, burlão, acho que é burlão!”; “Não, violência doméstica!”

Refeitório cheio. Tudo a olhar, a escrutinar o tipo novo. Eu, concentrado no levantamento do tabuleiro da comida, sinto alguém a vir na minha direcção:

– Sr. Inspector, como está? – é o tipo novo com a mão estendida!

Cumprimentei o indivíduo e toda a gente viu, sorrindo alguns para mim:

– Este entrou logo a pés juntos, João! – outro recluso com a boca cheia.

Enquanto comia, estudei o sujeito: “Acho que o conheço!” – disse aos meus comensais.

Já fora do refeitório, interpelei o indivíduo e questionei-o:

– “O senhor conhece-me?!”

– Inspector João de Sousa, não é? – de novo a mão estendida, de novo tudo a olhar!

– Eu sou o “X”, o senhor investigou-me!

As voltas que o Mundo dá, e nós a rodar com ele!

Um dos colegas que já aqui esteve e agora em casa se encontra com pulseira, encontrou por aqui alguma “má-vontade”!

Antes de o mesmo chegar, chegou-me “cirurgicamente” aos ouvidos que o “P.J.-da-droga-que-está-para-entrar” tinha prendido um recluso que por aqui estava e terá dito de forma jocosa a este aquando da “entrega” do preso em “Ébola”:

– Este Natal já o passa aqui! – referindo-se ao E.P. de Évora.

Claro que agilizou-se tudo por aqui para que o meu colega não tivesse problemas. Não fiz nada de extraordinário, sei que ele faria o mesmo por mim (sem ironias!).

Voltando ao “novo tipo que o Judite (sou eu!) investigou e está preso por causa dele”, como por aqui se diz.

Já aqui recluído, realizou-se “vídeo-conferência” com o Tribunal de Setúbal. Prestei declarações no âmbito do processo-crime do “novo recluso”.

Os factos. Passagem de ano 2008/2009. 22h35. Telemóvel da prevenção aos homicídios do D.I.C. de Setúbal toca. A família De Sousa a jantar, toda a gente congela.

Subo ao mezanino do “Castelo”. Serviço: um cadáver numa estação de serviço.

Quando se começam a ouvir os disparos de arma de fogo no “bairro da Jamaica”, é meia-noite, passagem de ano, eu estou a passar a perna por cima do cadáver!

Começam a chover chumbos dos disparos de caçadeira – o bairro está a cerca de 500 metros.

Um impacto por cima da minha cabeça, numa janela de um primeiro andar. Olho e estão elementos da P.S.P. deitados no chão: “Sr. Inspector baixe-se, estão a disparar sobre nós!”

Um dos elementos das equipas de intervenção rápida da P.S.P. está aqui preso comigo: reconheceu-me quando aqui entrei a 29 de Março de 2014. As voltas que o Mundo dá, e nós a rodar com ele!

– Sei quem tu és. Trabalhei contigo naquela noite lixada!

Liguei à Dra. Maria Alice:

– Saia daí João! O que foi isso? São os tiros? – histérica.

Não saí. Fiquei lá e acabei o serviço. Fui com seis romenos para o D.I.C. de Setúbal. Ninguém estava disponível para ajudar: passagem de ano!

Dia 1 fui a casa. Dia 2 já lá estava outra vez, desde as 15h30 do dia 1 de Janeiro de 2009!

Os romenos nada. Testemunhas nada. Informação: nada.

Andei a passear os romenos, a manipular os romenos, a “burlar” os romenos (como dizem os meus colegas) sozinho. Falávamos em italiano: “João, também fala italiano?” – a Maria Alice.

Passados 22 meses recebo os romenos, sozinho, num hotel da nossa capital. Consigo que os mesmos indiquem a moradia onde o agora falecido filho e irmão tinha ido urinar junto ao muro (versão “soft” dos romenos)!

Consigo convencer o Juiz de Instrução a não prender os romenos que assaltavam habitações em Portugal (sim, é mesmo assim que se faz por cá, o poder da P.J., nomeadamente do simples Inspector que sozinho trabalha com a conivência da sua Coordenadora, é desmesurado. O objectivo era identificar o homicida!)

Os romenos, à noite, levam-me à moradia onde a vítima, na passagem de ano, vendo que a casa estava com as portadas fechadas, às escuras, foi urinar junto ao muro.

Os romenos com os quais eu andei durante dias, que me ofertaram uma garrafa de vinho (horrível, o português é melhor) foram ouvidos para “memória futura” e partiram para o seu país.

Busca domiciliária à habitação onde a vítima foi urinar, tendo sido baleada mortalmente, sendo que o irmão da mesma colocou o seu corpo numa estação de serviço da Galp, a vários quilómetros do local da ocorrência, só revelando meses após o sucedido uma versão “soft” do que realmente se passou: assalto a uma residência com escalamento de um muro!

Quem residia no local? Um elemento das forças de segurança já reformado.

– Bom dia! O meu nome é João de Sousa, sou Inspector de homicídios da P.J. e estou aqui para realizar uma busca à sua residência, conforme o despacho do Juiz que agora faculto a si uma cópia. Dá-me licença?

– Sim… entre!

– O Sr. “X” possui uma arma de fogo?

– Sim… – estupefacto.

– Disparou a mesma recentemente?

– Sim, aquando da passagem de ano, em 2008! Dei um tiro para o ar, na parte de trás da casa.

Uns indivíduos estavam a saltar o meu muro… Está ali em cima a arma, eu entrego-lhe…

– Lamento informá-lo: o senhor matou um indivíduo!

Não, não o detive. Não, não ficou preso após ser constituído arguido e interrogado.

Sim, após 8 anos, foi condenado a 11 anos de prisão efectiva, condenação que após recurso ficou em 6 anos de prisão em “Ébola”! O Sr. “X” tem 65 anos, estava em casa e tentaram roubar a sua residência: a inacreditável Justiça Lusa!!!!

No dia 7 de Agosto de 2016, às 9h15 recebi a visita de um verdadeiro Amigo e colega da P.J.

Na sala de visitas, às 9h25, entram um casal jovem e uma senhora mais velha.

Olham-me fixamente. Estou a falar com o meu Amigo e referencio o comportamento “daquela gente”. Talvez alguém que viu a entrevista na CMTV, lê o blogue ou lia as crónicas do C.M.

A porta de acesso dos reclusos à sala de visitas abre-se e entra o Sr. “X”, o dos 6 anos e ainda o pagamento de uma “choruda” indemnização!

Fez-se luz. Era a esposa do Sr. “X”, julgo que seria o genro e a filha que se apresentou como tal e fez questão de me cumprimentar. Todos fizeram questão de me cumprimentar.

O meu Amigo olhou-me, percebi a questão no seu olhar:

– São os familiares deste sujeito que entrou, que eu investiguei e que apanhou 6 anos de pena efectiva!

Então não existem ressentimentos, má vontade, gestos maus?

Muitos aqui comentaram: “Então o “Judite” prende o gajo e ele respeita-o!”

Claro que sim! O segredo? Manipulação? Burla?

Não, nada disso, algo muito simples, mas que dá um trabalhão: profissionalismo!

Profissionalismo sem falsa humildade. Nem melhor nem pior, apenas diferente (agora com tremenda falsa humildade. Tem que ser porque para sermos aceites pelos outros, temos que cultivar em nós alguns defeitos!)

Finalizando. Os meus co-arguidos foram vítimas de sequestro e roubo. Na ocasião mataram um dos assaltantes. Isto em 2008. Tratei o processo da mesma forma que o fiz com o Sr. “X”. Invoquei o facto em Tribunal, dei o exemplo do caso do Sr. “X” (sem imaginar que este entraria aqui em “Ébola” alguns meses após as minhas declarações).

A Dra. Maria Alice e os meus colegas afirmaram desconhecer se auxiliava os familiares das vítimas dos meus processos, ironizaram: “Se o Sr. João de Sousa fazia trabalho de Segurança Social? Que eu tenha conhecimento, não!”

Palavras!

Palavras: investiguei mal os meus co-arguidos porque formámos uma associação criminosa!

Palavras: nunca auxiliei as pessoas nos meus processos; negligenciava investigações!

Pequenos nadas que são tudo para justificar uma falsa teoria lógico-dedutiva que tem sustentado 2 anos, 4 meses e 17 dias de prisão preventiva!

O que vale mais: uma palavra ou um gesto? Uma intenção ou um acto? Uma hipótese ou um facto? Um indício ou uma prova?

Não irei para os Jerónimos como o Lobo Antunes, nada disso.

Estou num local que pode ser considerado um cemitério, metaforicamente falando/escrevendo!

Ao contrário dos cemitérios, aqui está muita gente, por aqui passam muitos que como no cemitério são esquecidos.

São apenas palavras ou números de reclusos, mas, diferentemente do lugar deserto e silencioso onde enterram os mortos, aqui não estão estátuas inertes, aqui estão pessoas que são visitadas por outras que apenas reagem àquilo que nós ofertámos enquanto profissionais.

Aqui, os nossos gestos passados foram as sementes dos gestos presentes daqueles que interagiram connosco, em outro tempo com outra luz…

… e o gesto é tudo!

“Coaching”: Citius, Altius, Fortius

Prisão Preventiva: 2 anos, 4 meses e 10 dias!!!!

Leitura da sentença, faltam: 43 dias!

Susana Torres, a “coach” do Éder (o agora “Grande Éder”, pós-Euro 2016) estudou nos E.U.A. o conceito de “Programação neurolinguística”, aplicando na prática, os seus conhecimentos com o “agora” herói nacional Éder, facto que permitiu à nossa nação ser campeão da Europa… de futebol!

“Ferramentas técnicas de alto impacto”; “Projectos pessoais”; “Tomada de acção”; “Visão periférica”; “Visualização”; “Enquadramento pessoal”; “Metas definidas”: tudo conceitos, “chavões” que actualmente, felizmente, correm nas páginas dos jornais, revistas e na televisão.

Observando o fenómeno mediático do há muito praticado “coaching”, só agora em Portugal falado graças a um dos pilares fundamentais da nossa pátria – o futebol – coloquei a questão: e aqui, em “Ébola”, como ultrapassar isto?

Como conseguir maior celeridade na Justiça (Citius)? Como obter deferimento nos recursos da Relação, instância superior (Altius)? Como manter a fortaleza do nosso propósito (Fortius)?

Quem nos oferta “coaching”?

Lembra-se o(a) Leitor(a) da Dra. Margarida Estevinho, a técnica de Educação que foi afastada pelo Director do Estabelecimento Prisional de Évora, com o beneplácito do Director da D.G.S.P., Dr. Celso Manata? Recorda-se do abaixo-assinado – 44 reclusos em 47 assinaram – solicitando a manutenção da mesma neste E.P., uma vez que esta realizava trabalho meritório em prol da sociedade – ressocialização e reinserção do recluso – e dos próprios reclusos?

Não está o(a) Caro(a) Leitor(a) esquecido dos textos aqui publicados – inclusive o texto, na íntegra, do abaixo-assinado, assim como as notícias sobre o facto nos média?

A Dra. Margarida Estevinho era como que um “coach”, uma “Susana Torres” dos reclusos! Foi afastada no dia 30 de Maio de 2016!

Desde essa data – há 2 meses e oito dias – que não se realizam actividades em “Ébola” objectivando a capaz reinserção e ressocialização dos reclusos aqui presos!

Há 2 meses e oito dias que se regrediu até ao tempo em que ninguém queria saber destes “fora da lei” que, mais dia menos dia, serão devolvidos à sociedade!

“Programação neurolinguística”!

Já são quatro os Moleskine que tenho aqui comigo, “fartos” de anotações relativamente a esta minha “viagem” (lembrem-se: “Programação neurolinguística”, logo, reclusão, experiência prisional passa a “viagem”).

As primeiras três páginas estão repletas de frases anotadas, como indica Jeff Archer que deve ser feito: “Tome nota e aja!

As três primeiras páginas são comuns: “Resiliência: capacidade do indivíduo lidar com os problemas, superar obstáculos ou resistir a situações adversas”.

“Ataraxia” (mas manuscrito com caracteres gregos. Pois, altivez intelectual, mas que posso eu fazer se aos 16 anos entrava no ano propedêutico do curso de Filosofia na Universidade Católica e aprendi grego?!): “Quietude absoluta da alma, quietude que é, segundo o epicurismo, o apanágio dos deuses e do sábio”.

“Todos acham que algo é impossível de realizar, até que alguém aparece que não o sabe e o inventa” Einstein

O homem superior é impassível por natureza: pouco se lhe dá que o elogiem ou censurem, ele não ouve senão a voz da sua própria consciência” Napoleão Bonaparte

Entre outras “programações neurolinguísticas”!

Atendendo a tudo isto, e ao afastamento da Dra. Margarida Estevinho, o que fazer?

Resignar-me? Persignar-me  e entregar-me a Cristo?

Não! Segui o instinto e agi (“auto-coaching”): vou promover um abaixo-assinado, vou tentar algo inédito, vou reunir as assinaturas de todos o reclusos!

Visualização, mentalização, “impossível de realizar, até que alguém aparece e o inventa”: eu!

Só três não assinaram! Recorde Nacional!

“Programação neurolinguística”: “Sucesso consiste em seguir de falhanço em falhanço sem perder o entusiasmo” (Winston Churchill)

Falhanço porque não foi a totalidade da população reclusa?

Não foi esse o maior falhanço: esta semana que passou, visitou o E.P. de “Ébola”, o Dr. Celso Manata (Director da D.G.S.P.), o mesmo que delegou no director de “Ébola” a leitura de um despacho seu, no seguimento da recepção do “nosso” abaixo-assinado, solicitando aos reclusos aqui presentes que apresentassem suas reivindicações por escrito, o que foi feito no corpo do texto do referido abaixo-assinado que pode ser lido neste espaço!

Manobra dilatória, tentativa para a “acção conjunta” cair no esquecimento!

Esta semana, da parte da tarde, o Director, Dr. Celso Manata esteve aqui em “Ébola”, na companhia do Director do E.P., cumprimentou reclusos, viu alguns espaços da prisão. Quer saber o(a) Leitor(a) o que fizeram os meus “camaradas” reclusos?

Cumprimentaram os Srs. Directores e “siga a marcha”!

Ninguem denunciou, reivindicou, alertou, criticou!

Eu? Onde estava?

Fechado na cela, como é hábito conhecido há 2 anos e 4 meses!

Há quem diga que a visita foi realizada propositadamente durante o período da tarde: o “Diabo” estava fechado!

(Nota: Pedro Passos Coelho, no Conselho Nacional do PSD, proferiu: “Gozem bem as férias que em Setembro vem aí o Diabo”. A piada pegou por aqui: “Falaram do João de Sousa na televisão. O Passos Coelho. Estava a referir-se à leitura da sentença dele em Setembro!”)

Coragem! É muito importante no “coaching”, na Vida. Escudados no “gajo da Judite” que foi o “autor moral”, o “instigador” do abaixo-assinado: tudo bem! Agora, “olhos nos olhos”, com os Srs. Directores presentes: Silêncio reverencial!

No dia seguinte, interpelei o Director de “Ébola” e o mesmo garantiu-me, cortesmente, que foi um “acaso logístico” a visita realizar-se à tarde.

“Não foi porque o “Diabo” estava fechado? – questionei sorrindo.

“Não, foi um acaso! – sorrindo, respondeu o Sr. Director.

Como “focalizar” ao fim de 2 anos, 4 meses e 10 dias de prisão preventiva? (que, importa referir, é recorde nacional e europeu absoluto: Citius, Altius, Fortius!)

Colocando desafios, metas.

Quando cheguei fui para o ginásio: “Anima sana in corpore sano”.

Como o nosso Éder, senti o olhar de desprezo dos “camaradas” que “levantavam ferro” que pesava mais do que eu, e eu, o “bolachinha oreo” (o tamanho dos discos na barra) a suar!

Actualmente, já levanto “pizzas médias”!

Vou cair no esquecimento, não tenho voz!

Um blogue! Uma coluna de opinião no “Correio da Manhã”. Uma entrevista na T.V.! Actualmente, graças a todos Vós, Leitores (todos mesmo, até “aqueles que nós sabemos” e que não conseguem deixar de aqui vir, o que muito provoca a minha gargalhada) estou, ou melhor, estamos perto de conseguir outro objectivo pessoal: 300 000 visitas ao blogue antes de este espaço fazer 2 anos (4 de Outubro de 2016).

Coragem! Coragem para ser escrutinado, como fui na Academia Americana de Ciências Forenses ao apresentar o meu trabalho científico, sozinho, sem rede ou “cunhas”:

Vou submeter este humilde espaço à apreciação de um conjunto de Jurados da “Média Capital”. O concurso chama-se “Blogs do ano”!

Vou concorrer nas categorias : “Personalidade” e “Política, Economia e Negócios”!

Eh!eh!eh! Pois é!

Já os estou a ouvir (ler alguns): “Tu és um corrupto! Quem vai ligar a um bófia corrupto?”; “Que interesse tem este espaço de m…?”

Permitam-me que “puxe a brasa à minha sardinha”:

– O autor é um recluso que as pessoas até lêem, algo inédito;

– O autor já foi fechado de castigo, 42 anos após o 25 de Abril, porque exerceu a sua liberdade de expressão neste blogue;

– O autor continua preso, conforme despacho que aqui foi publicado, porque “não sendo imprevisível a produção de declarações opiniosas […] que outra medida, nomeadamente a obrigação de permanência na habitação não poderia evitar”, sendo este espaço a “fonte poluta” das suas opiniões;

– O autor foi convidado pelo jornal diário com maior tiragem nacional, “consequência da sua escrita” neste blogue: novo inédito.

Citius, Altius, Fortius”. Que tal este “auto-coaching”?

O que acha o(a) Leitor(a): submeto o blogue a concurso?

Se falhar? António Lobo Antunes, na sua crónica semanal com o título: “Escrever”:

“ […] numa frase de Goethe que até certo ponto me ajudou. Dizia ele: “Homem quando compreenderás que o facto de não conseguires o que queres é que faz a tua grandeza.” ”

Mais uma “programação neurolinguística”.

Os meus objectivos:

– Dia 20 de Setembro (o mais tardar 26 de Setembro) ir para casa e ser recebido em festa!

– Após o anterior, cumprir o prometido, à semelhança do Eduardo Madeira: realizar nú integral, publicamente, para celebrar o facto!

– Escrever um livro que possa auxiliar no melhoramento da Justiça em Portugal e no melhoramento da Polícia Judiciária. Algo como: “Judiciária: a verdadeira história”!

Visualizar, sempre mais alto: ser um Deus! Bem, um pouco menos: até agora tenho sido Sísifo com a sua rocha; Tântalo supliciado, com fome e sede, tão perto mas ainda tão longe (dia 20 de Setembro).

Perdoem-me a presunção: Prometeu! Ser como Prometeu que deu o fogo aos homens e foi supliciado amarrado a uma rocha por toda a eternidade, enquanto uma águia devorava-lhe o fígado que se renovava, renovando o suplício (como a renovação da prisão preventiva!)

E qual é a minha dádiva? O meu fogo?

Então não se está a ver? Algo como: “Judiciária: a verdadeira história”.

Bom, vou continuar com as minhas “programações neurolinguísticas”. Vou continuar a tentar, a falhar, a treinar. Já aqui referi que estou a ser esfolado vivo, mas, como se pode ver na imagem que acompanha o texto, “lá fora” já estava habituado a isso: a treinar e dar o “corpo às balas”, sempre de frente, até a pele cair!

“O meu nome é João Pedro Sebastião de Sousa, também eu […] MAS …”

Prisão Preventiva: 2 anos, 4 meses e 3 dias!!!!

Leitura de sentença, faltam: 50 dias!

Estimado(a) Leitor(a),

O meu nome é João Pedro Sebastião de Sousa, tenho 42 anos, sou casado, tenho três filhos menores e sou Inspector da P.J.; também eu estive na presença do “super-juiz”, Dr. Carlos Alexandre, MAS continuo preso preventivamente há 2 anos, 4 meses e 3 dias!

Nunca uma conjunção foi tão determinante, tão diferenciadora!

“MAS”, expressa fundamentalmente oposição ou ressalva; tem como sinónimos “porém”, “contudo”, “todavia”, “entretanto”, “no entanto”!

“Vem por aqui – dizem-me alguns com os olhos doces

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que os ouvisse

Quando me dizem: “Vem por aqui!”

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços),

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali…”

No dia 22 de Julho de 2016, o meu colega Inspector-chefe e o seu co-arguido saíram de “Ébola”, da cela ao lado da minha, e foram para casa sujeitos a vigilância electrónica.

Dei um caloroso abraço ao colega, daqueles que somente quem partilha o infortúnio pode ofertar. Ainda durante o instintivo amplexo disse-me:

– Calma João! Dia 20 (de Setembro) também vai ser o teu dia! – emocionado.

– Vamos ver, vamos ver … – respondi-lhe – Que tudo corra bem para ti! – acrescentei.

Na ocasião não disse mais nada, o momento era de alegria … MAS como acreditar na sua previsão para dia 20 de Setembro, ele que já tinha desabafado comigo:

– João já me “deram” especial complexidade ao processo, portanto ficarei aqui tanto tempo como tu!

Enganou-se! Assim como se equivocou o Procurador. Dr. Orlando Figueira:

– Acredite João, eu vou ficar por aqui até ao último dia do final do prazo da especial complexidade do inquérito!

A ambos respondi: “Olhe que não! Não se trata da mesma coisa!”

Se não se trata “da mesma coisa” então trata-se do quê?!

Não são crimes da mesma natureza? Mais graves até?

Não são ambos elementos da P.J.? Não se trata de um Magistrado?

Não é o mesmo juiz, o Dr. Carlos Alexandre?

NO ENTANTO aqui estou eu, ainda, sentado ao lado da sanita, no “jazigo”, a escrever …

Mais um pouco do “Cântico Negro”, do Régio, que ajuda a perceber:

“Prefiro escorregar nos becos lamacentos / Redemoinhar aos ventos / Como farrapos, arrastar os pés sangrentos / A ir por aí …”

Também eu estive perante o juiz, Dr. Carlos Alexandre.

Numa sala cheia de curiosos – o que grande gáudio proporcionou ao “super-juiz” – comecei a falar. Passados cinco minutos, o juiz interrompe o meu discurso, vira-se para o meu advogado e vocifera:

– Dr. Santos Oliveira é para isto … foi para isto … o Sr. Dr. conhece-me há anos … é para isto … – colérico.

Eu, serenamente fecho o Moleskine, arrumo os papéis, afasto um pouco a cadeira demonstrando estar pronto para sair assim que a indicação fosse dada para tal …

– Bom! MAS continue Dr. Sousa, continue eu vou ouvi-lo … – mais afável.

Quem presenciou sabe o que se passou: Falámos das contas bancárias e dos empréstimos do … Dr. Carlos Alexandre. Mostrámos as etiquetas dos nossos fatos um ao outro. Ele contou-me uma história, eu retribuí-lhe a gentileza contando-lhe outra!

Ele, Carlos Alexandre, deu-me “piedosas intenções”, pediu-me “definições”, convidou-me a “ir por ali”, eu, como o poeta, respeitosamente repliquei: “Sei que não vou por aí!”

MAS o que desejava o Dr. Carlos Alexandre?

Eu digo-vos e vamos fazer um exercício conjunto. Vamos começar apresentando o “Lado Lunar” da questão, como canta o Rui Veloso: o João de Sousa é culpado, criminoso, como a imprensa referiu: “Um Inspector da P.J. ao serviço do crime”.

Tese da Maria Alice (investigação) e do Dr João Davin (Ministério Público).

– o Inspector João de Sousa foi avisado por alguém no interior da P.J. de que era alvo de uma investigação (vamos admitir que é verdadeira a hipótese).

Tendo negado desde o meu primeiro interrogatório o facto, tendo negado por mais duas vezes, em sede de interrogatório complementar, perante os meus dois colegas e o Dr. João Davin, por que raio é que haveria de o confessar ao histriónico, Dr. Carlos Alexandre?

Mais importante: se alguém me avisou, vou trair quem me ajudou!?!

Sou bandido, criminoso e junto a esse “lado lunar”, a terrível nódoa da traição, da delação?

“Malandro que é malandro não faz barulho, muda de esquina”.

Então “aperta-se a mão ao Sinatra” e depois para não penar “abre-se a gasosa”?

Afinal José Sócrates tinha razão: a prisão preventiva serve para “vergar o indivíduo”, serve para a delação!

Na série documental “A Pide antes da Pide”, o narrador diz-nos que somos um povo que, devido à “delação premiada informal”, contribuiu para o medrar da polícia política, do opressor.

Actualmente, num suposto regime de Direito Democrático, um juiz em particular – o Dr. Carlos Alexandre – e muitos dos presos preventivos (muitos com formação em Direito, muitos que sabem como o “Sistema” opera) têm contribuído decididamente para o desvirtuar, para a deturpação do instituto da prisão preventiva!

Nós só temos as instituições que queremos, que permitimos que existam!

MAS continuemos com esse “Lado Lunar”:

– o Inspector João de Sousa lucrou com a sua associação criminosa e tem dinheiro, ouro e diamantes, acrescido do facto de saber da atividade criminosa dos seus co-arguidos, PORÉM não o confessa!

E sou criticado e castigado por isso?! Não posso “dar à morte” quem me fez ganhar tanto dinheiro ilicitamente! É lógico!

“Omerta”, o código do silêncio lucra a todos, assim como não vou “dar o ouro ao bandido”, perdão, ao Dr. Carlos Alexandre!

E estou a ajudá-lo evitando a vergonha que deve estar a sentir por ter que libertar os bens do Álvaro Sobrinho após decisão da Relação que lavrou o seguinte acórdão: “[…] supor ou presumir não basta. As presunções têm de assentar em factos conhecidos e demonstrados por outra prova, sob pena de estarmos na presença da presunção da presunção […]”

Claro que o Dr. Álvaro Sobrinho não tem o meu “lado lunar”, eu sei!

O José Veiga já não tem polícia à porta. José Sócrates já corre no Parque das Nações, dá palestras, entrevistas, TODAVIA não apresenta o meu “lado lunar”.

Todos estiveram perante o “super-juiz” Dr. Carlos Alexandre e ENTRETANTO viram a sua medida de coacção desagravada ou mesmo desaparecer.

O que se passa comigo? Não encontrei eu a “soga de Teseu”? Onde está o “fio de Ariadne” que me conduzirá para a saída deste labirinto?

A “soga de Teseu” era a toga do Dr. Carlos Alexandre: confessa e vais para casa!

“Porquê auto-infligir a estrapada, Dr. João de Sousa? Eu posso tirá-lo da polé!”

Não foi isso que o “super-juiz” fez com o colega da P.J. que entrou recentemente aqui em “Ébola”?

Não ofertou – de forma escabrosa, pornográfica mesmo, inquisitorial – o Dr. Carlos Alexandre, o exemplo do Sr. Paulo Pereira Cristóvão dizendo ao agora preso Inspector: “O Paulo Pereira Cristóvão só depois de ter estado preso é que confessou, veja lá você, não quer dizer onde está o resto do dinheiro?” (Como sei disto? Eu estou aqui em “Ébola”, em “carne e osso”, em “primeira mão”!)

Ninguém vê o perigo desta indecorosa prática?

E se não existir nada para confessar?

E se não existir “lado lunar”? E se aquilo que se declarar não confirmar a teoria lógico-dedutiva da investigação: ficamos presos até dizermos que sim?

Até dizer: Fui eu!

Isto é medievo!

Eu tenho visto toda a gente a passar por aqui, eu leio os jornais, as crónicas, os artigos insinuando novos nomes, os mesmos nomes que aqueles que já não estão cá sussurraram aos meus ouvidos. Aqueles que murmuraram aqui, após falarem com o “dono da polé”, já aqui não estão.

A subtileza levou-a o vento ou talvez a dor de estar sujeito a tudo isto obrigue a esquecer a hombridade, o que em nada ajuda à aplicação da Justiça, nada auxilia ao esclarecimento do que é de facto e para que serve o instituto da prisão preventiva.

E se de facto não existir nada para confessar? E se o indivíduo não calar a sua voz, sofrer mas não temer?

A imprensa, os “comentadores de serviço” nada dizem, optam pelo comentário populista, pela análise fácil e simplista.

Alguém que muito respeito como profissional da imprensa portuguesa, que admiro como pessoa pelo seu lado humanista (que o manifestou à minha Família por diversas vezes) que recebe os meus textos do blogue via “e-mail” (a minha mulher envia, incomodando-o, semanalmente) escreveu há umas semanas: “Olá Carla! Obrigado pelo envio. A argumentação revela má-fé, claro. Mas, não me leve a mal, penso que o João está a ser vítima da sua atitude de altivez intelectual. É estúpido que assim seja porque as únicas motivações para manter alguém na cadeia deviam relacionar-se com a sua culpabilidade. Compreendo a frustração do João (com quem estou solidário) mas acho que no seu interesse não devia prosseguir com esta luta verbal.”

Ao contrário do que possam pensar, eu escuto com muita atenção e assimilo aquilo que são as críticas, conselhos ou sugestões dos outros.

Mais uma vez um conselho sensato MAS não posso parar!

Eu assisto a tudo aqui. Eu oiço, vejo, entendo: como não denunciar se tenho três filhos, futuros homens e mulheres que vão viver neste país?

Tudo isto está a custar-me, estou esfolado vivo, NO ENTANTO, na semana que passou, falando com um guarda prisional, um indivíduo experiente, muitos anos de profissão temperados por uma profunda sabedoria telúrica, fruto de muito observar, no rescaldo da saída do meu colega e do seu co-arguido, incentiva-me, quase como uma admoestação:

– Sr. João aguente até ao fim, tem de aguentar, sabe porquê? – com os olhos de um azul forte, muito abertos.

– Diga lá! – solicitei.

– Você está a sofrer, MAS quando sair daqui, é um Senhor!

A minha expressão foi de admiração, CONTUDO deve ter interpretado erroneamente:

– Não quer dizer que antes não fosse um Senhor, está a entender-me, não está? – apressou-se a dizer.

Como faz toda a diferença um simples “MAS”

Robert Frost escreveu: “Two roads diverged in a wood, and I took the one less traveled by, and that has made all the difference.”

(“Duas estradas divergiram num bosque e eu segui pela menos usada e isso fez toda a diferença”)

Na Vida, como na Política e na Justiça, a forma e o modo contam.

De que forma, qual o modo de sair daqui do “Inferno de “Ébola””?

Vamos alimentar o erro do sistema? Vamos pactuar com a injustiça, deixar definhar a Justiça célere e equidistante, suportada na norma, na Constituição ou “sacudir a água do capote”: “Nomear para me safar”?

Não desejo ser um segundo Marques Mendes antecipando factos porque tenho contactos, MAS, perante o que ouvi e vi, é uma forte possibilidade que outros entrem porque alguns conseguiram um acordo para sair!

Não faz mal, é tudo “farinha do mesmo saco”, tudo tratantes, criminosos, que muito escondem e não dizem!

E se assim não for? E se nada se esconder e não tivermos vergonha de o dizer, de lutar pela nossa inocência?

O meu nome é João Pedro Sebastião de Sousa, tenho 42 anos, sou filho de Fernando António Ramos de Sousa e de Julieta Leitão Sebastião Ramos de Sousa, sou casado, tenho três filhos menores e sou Inspector da P.J.; também eu estive na presença do “super-juiz”, Dr. Carlos Alexandre, MAS continuo preso preventivamente há 2 anos, 4 meses e 3 dias!

E isto, Caro(a) Leitor(a), faz realmente toda a diferença!