Se a Polícia Judiciária quer mais, tem que dar mais (e melhor)

Noventa dos cem investigadores da Polícia Judiciária, a exercer a suas funções na investigação de crimes financeiros (encheram-se de coragem e brio profissional) denunciaram ao seu director nacional, à Ministra da Justiça, assim como à população em geral a falta de meios para investigar a corrupção nacional e afins.

Excelente o “timing”! Os “Espirito Santo” nas comissões de inquérito, os vistos “gold”, as buscas ao BES e associados, cavalgando os “média”, tentando fazer esquecer o facto de não terem participado na detenção e sequente prisão de José Sócrates, os investigadores do crime económico apareceram a falar de meios e na falta destes.

Será que estes já esqueceram, ou querem fazer esquecer, o vergonhoso comportamento que mantiveram aquando da luta dos outros OPC’s (Orgãos da Polícia Criminal) demarcando-se dos mesmos, não querendo misturas, vendendo a sua luta por mais de 10 ou 15 euros no serviço de piquete?

A questão que coloco, ou melhor, as questões que coloco agora são estas, a saber:

  • Porque razão não apareceram também os investigadores dos crimes sexuais reivindicando mais e melhor formação na sua área, formação essa que permitiria avaliar de forma capaz menores e seus agressores, evitando situações como aquela que comentamos neste espaço anteriormente? (“Os menores, os crimes sexuais e as mentiras”)
  • Por que razão o mesmo pessoal antes mencionado não veio a terreno reivindicar a formação de equipas de prevenção de crimes sexuais em todos os departamentos da P.J.?
  • Onde estão os indignados Inspectores quando o Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses liga para os vários departamentos questionando se os mesmos não vão comparecer na realização das autópsias? (e não aparecem!)
  • Algum Inspector reivindicou formação no sentido de serem preparados para se apresentarem em tribunal e não declararem somente: “Não me lembro, Sr. Juiz!” O problema dos “primos janotas” é que esqueceram a  locução latina quid pro quo
  • Dá-me algo que eu darei algo!

Exigirem mais meios, mais pessoal, implica dar mais!

A P.J. não pode continuar a apresentar ao Ministério Público “provas”, pericias, conclusões que impliquem a condenação de alguém, aparecendo 2 anos mais tarde o verdadeiro autor dos factos!

A P.J. não pode somente apreender produto estupefaciente quando o mesmo “dá à costa”, sem dono, ou quando a D.E.A. ou a polícia espanhola informa que vem aí o produto, passa por Portugal, portanto, se não for incómodo, prendam-nos aí!

A P.J. não pode concluir uma investigação a um primeiro-ministro (após vários anos) informando que não existem (sequer) indícios da prática de crimes por parte deste, sendo que alguns anos após o concluído, sem a sua intervenção (da P.J.) o mesmo seja preso por corrupção passiva (i.e., recebeu dinheiro no decurso das suas funções!)

A P.J. não pode concluir que a morte de 6 jovens numa praia deveu-se ao destino!

Querem mais meios para quê? Querem mais elementos com que fim?

Os carros já existem, os computadores também, as instalações são excelentes, somente é necessário tirar a palavra “Judiciária” e substituir por “Nacional”. Unificadas as policias complementavam-se, serviam melhor o cidadão.

Uma flecha só quebra-se facilmente. Quatro ou cinco flechas resistirão!
A P.J. é uma flecha já quebrada, portanto exigir novo arco é estultícia e presunção!

(13 de Dezembro de 2014)

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