Pobre justiça a nossa: Armindo Castro libertado, Sócrates silenciado!

Na terça-feira, 16 de Dezembro de 2014, os três canais televisivos – RTP, TVI, SIC – apresentavam um indivíduo pálido, carregando dois sacos, ou três, ou mesmo quatro, não interessa quantos, ainda que os mesmos contivessem dois anos e alguns meses da vida do sujeito enquanto recluso. Poucos sacos de facto, para dois anos de vida, mas não esqueça o meu caro(a) Leitor(a) que a vida em reclusão anda mais devagar, está suspensa e o que acontece lá dentro não se deseja transportar cá para fora, não se quer carregar.

Armindo Castro, ao fim de quarenta e poucos dias foi colocado em liberdade.

Ao fim de quarenta e poucos dias após a confissão de outro sujeito, depois do erro brutal da Polícia Judiciária, com o despacho e promoção do Ministério Público, com a sequente e consequente decisão de um Juiz e posteriormente a sentença de um colectivo de Juízes!

Talvez o meu Leitor(a) não saiba desta realidade mas um indivíduo que está em prisão preventiva a aguardar o seu julgamento – e pode estar preso preventivamente até 3 anos e alguns meses – quando finalmente vai a tribunal ouvir a sentença decretada pelo Juiz, se por acaso é condenado a uma pena suspensa, já não entra na zona dos reclusos no estabelecimento prisional, conquanto tenha os seus pertences na sua cela. São os guardas prisionais que colocam em sacos os objectos do agora ex-recluso! Porquê este procedimento?

É simples e lógica a resposta: para salvaguardar a integridade física dos reclusos e do ex-recluso.

Compreenda o meu Estimado(a) Leitor(a) que durante o tempo  que o agora “ex-recluso” permaneceu junto da restante população recluída geram-se conflitos, questiúnculas manifestas ou latentes.

Invejas, antagonismos por questões menores – fala muito com os guardas, chora demais, é “comilão”, é do Sporting, o que for! “Vai em liberdade e eu fico aqui!”

Voltemos ao Armindo Castro. Logo após o país – e o estabelecimento prisional onde este estava preso – saberem que o mesmo estava muito provavelmente inocente, o sujeito ainda tem que penar quarenta e poucos dias junto da restante população reclusa, ansioso, temente ao que poderiam fazer-lhe!

Onde estavam os peritos da Polícia Judiciária para avaliarem de forma célere a veracidade da confissão? Já que se “ausentaram” inicialmente, não fazendo na altura um trabalho rigoroso, científico, ausente de convicções – pois “a certeza está em nós mas a verdade encontra-se nos factos” – logo um trabalho válido que evitaria a vergonha a que todos agora assistimos.

Tudo está em causa. Como confiar na nossa Justiça e nas instituições que são o garante da mesma.

Neste momento é possível e admissível pensarmos, quando invocamos a Justiça, em manipulação, indução, erro, ocultação, inépcia, ignorância quiçá tirania!

Sim tirania, porque outra assustadora constatação emerge actualmente.
Vejamos. José Sócrates pretendeu dar uma, ou várias entrevistas aos “média” e foi proibido de o fazer pelo Juiz de Instrução Carlos Alexandre, invocando o soberano Juiz que perturbaria o inquérito.

No caso de Armindo Castro foi diferente. Armindo Castro, antes de ser colocado em liberdade, deu uma entrevista que foi televisionada até à exaustão (o que acho muito bem).

Ora no caso de Armindo Castro o perigo de perturbação é ainda maior (salvo douta opinião em contrário que respeito e não coarcto de ser publicitada) porque podiam as palavras do pobre Armindo condicionarem o confessor, o Ministério Público ou mesmo os Juízes que apesar de humanos como nós se tornam autistas a tudo e a todos por forma a decidirem bem!

O autismo é uma deficiência cognitiva. Remeter alguém ao silêncio é tortura!

É um atentado à dignidade e liberdade do cidadão, do ser humano.
Diga o que disser, ou omitir José Sócrates, não pode o mesmo ser impedido de exercer os seus direitos.

Perturbação de inquérito! O homem já está preso, logo existem fortes indícios, ou as pessoas são presas para se conseguir investigar, para as silenciar.

Será que só é permitido aos reclusos, ao cidadão recluso, prestar declarações, defender-se publicamente quando notoriamente a Justiça foi incompetente e o mínimo (ou máximo que vão dar) é deixar os pobres “Armindos” humildes terem os seus 15 minutos de fama?

Faço votos para que corra tudo bem ao Sócrates e à Justiça, pois de “Armindo humilde” o José não tem nada e falar é com ele!

(20 de Dezembro de 2014)

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