“A Ignorância indigna-se”

Perdoem-me aqueles que expectavam a exposição, esta semana, da aplicação da “abordagem rogeriana” à psicologia forense mas gerou-se uma pequena polémica (diria mesmo uma questiúncula menor) consequência do olhar ignorante daqueles que só colocam os olhos no que o pequeno rectângulo transmite ou naquilo que lhes é familiarmente remoto mas que não se dispensam (sabiamente) de comentar/opinar.

Refiro-me ao facto de alguns jornalistas da nossa praça indignarem-se com as algemas do Sr. Armando Vara , e outros, tão doutos e com igual direito de se sentirem encolerizados, indignarem-se com a indignação dos primeiros.

João Miguel Tavares, num artigo de opinião no jornal “Público” (edição digital) escreve: “Nós já vimos dezenas, centenas de imagens de gente algemada a chegar a um tribunal – porque é que só nos indignamos com Armando Vara?”

A pergunta é pertinente, muito bem colocada e surge como reacção ao artigo de Mário Ramires, publicado no jornal “Sol”, “Porquê algemar Armando Vara?”

Numa tomada de posição muito Prof. Marcelo Rebelo de Sousa nos tempos em que comentava (com a devida vénia) eu acho que ambos têm razão, ou seja, “é… e não é!”

A viúva que matou o triatleta aparece sempre algemada aquando das suas deslocações ao Tribunal: “Será que a senhora vai colocar-se em fuga e lograr alcançar o pretendido, i.e., eximir-se à Justiça e ninguém a consegue apanhar?”

Será possível que a senhora viúva vá desatar a agredir toda a gente?

Não creio. Então qual a razão que está por detrás da indignação do Sr. Mário Ramires?

Existindo normativo que prevê os procedimentos a adoptar aquando do transporte de presos, encontrando-se no mesmo a indicação de algemar, sempre, os reclusos durante o transporte, não deveria ser algemado o Sr. Vara? 

João Miguel Tavares tem toda a razão e não é despiciendo dizer (como escreveu) que se trata de “classismo puro e duro” mostrar-se indignado com a falta de dignidade com que transportaram o Sr. Armando Vara! 

Mas somente quem está (ou esteve) dentro do Convento é que sabe o que lhe vai dentro!

Quando o Eng. Sócrates esteve recluído em Évora nunca foi ao hospital realizar o raio-x torácico porque não desejava ser algemado! Todos os reclusos tiveram de o fazer, é uma questão de saúde pública, o Eng. Sócrates não o fez!

Quando o Eng. Sócrates foi ouvido pelo Ministério Público, no âmbito do inquérito que investigava a Violação de Segredo de Justiça no “Processo Marquês”, não foi transportado algemado!

Até um recluso alcançar a benesse de ter RAI (Regime Aberto no Interior ) oferecida pelo(a) Director(a) do Estabelecimento Prisional, o indivíduo recluído vê-se no meio de um hospital a aguardar a chamada do médico, algemado, com toda a gente a olhar e a desviar-se do mesmo. No dia seguinte, e porque já varre as alas da prisão obtendo desse modo o RAI, no dia seguinte, no mesmo hospital, o sujeito é visto com dois guardas prisionais mas sem as algemas!

Dizem-me V. Exas., Caros(as) Leitores(as), que foi realizada uma avaliação pericial que permitiu colocar o recluso em RAI, logo, sem algemas. 

Errado! É somente uma questão temporal (tempo de pena cumprida) não relevando em nada qualquer tipo de avaliação de personalidade ou outra porque não se realiza qualquer perícia.

Isto sim deveria preocupar e indignar os senhores jornalistas!

Deveria indignar e preocupar todos nós, o facto de um indivíduo com uma perturbação parafílica, um pedófilo, ser colocado em liberdade condicional ao fim de 4 anos de uma pena de 7 anos e 6 meses e (isto sim motivo de indignação, repulsa e alarme social) durante o período de tempo em que esteve recluído não foi alvo de qualquer intervenção psicológica, tendo recebido o mesmo tratamento penitenciário que um burlão ou um corrupto, estando o tempo todo em abstinência sexual imposta e agora, livre, sem algemas, pode libertar toda a pulsão sexual reprimida e reinserir socialmente com sucesso.

A presença das algemas (ou ausência das mesmas) no Sr. Vara ou no Eng. Sócrates, são, como diria esse excelente comunicador, o Sr. Jorge Jesus, “peanuts” quando comparado com todas as deficiências do sistema penitenciário português.

As algemas ou ausência das mesmas nos pulsos do Sr. Vara ou do Eng. Sócrates e a indignação que causam a certos jornalistas da nossa praça, só pode ser melhor explicada pela crónica falta de inspiração e capacidade de observação dos reais problemas que existem.

Com tanto para dizer e mais para fazer, ocupa-se espaço de reflexão e intervenção com minudências sem valor. É caso para dizer: “Deus dá nozes a quem não tem dentes.”

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“30 dias após a Liberdade”

Estimados(as), faz hoje (20 de Janeiro de 2019), Domingo, exactamente um mês, trinta dias, desde que saí do “Inferno de Ébola”!

Como estou? Bem, obrigado.

Estou mais anafado, feliz, quente e reconfortado.

Durante estes trinta dias revi amigos, conhecidos, colegas (agora ex-colegas) e conheci outros que me conhecem melhor do que eu porque viram na televisão que eu tinha sido preso, julgado e condenado, enriquecidos no conhecimento que têm do João De Sousa porque acompanharam ou acompanham este blogue e “sabem muito bem quem eu sou”!!!

As pessoas são muito engraçadas, abordam-me na rua, inclusive na companhia dos meus filhos e dão-me os parabéns, felicitam-me pelo meu comportamento e escrita: “Força, Sr. Dótôr, não desista!”

A situação mais caricata foi protagonizada por um indivíduo com cerca de 60 anos que me disse: “O senhor é o tipo do ouro, não é? Não lhes dê nada, continue porque o pessoal do CDS quer fazer-lhe a folha!”

Mas que raio de relação posso eu ter (um corrupto condenado, presentemente a reinserir) com o CDS?!?

As pessoas falam, comentam, julgam que lêem quando apenas passam os olhos pelas palavras e opinam sobre tudo. É fascinante!

Não será tão fascinante assim perceber agora, passados estes quatro anos e mais qualquer coisa, o que os meus colegas de departamento, superiores hierárquicos e até dirigentes da Polícia Judiciária se dispuseram a fazer, para obterem algo de funcionários da P.J. que se relacionavam comigo, uma informação, uma insinuação que fosse, que pudesse oferecer credibilidade à enxurrada excrementícia que foi o meu processo-crime.

É verdade, durante estes 30 dias contactei com ex-colegas que me descreveram atitudes, comportamentos e acções que pouco ou nada dignificaram/dignificam profissionais que eu admirava enquanto homens/mulheres e enquanto investigadores criminais. Paciência, homo homini lupus, e eu não soube ser raposa!

Voltando aos 30 dias…

Ainda não consegui organizar toda a papelada que por aqui tenho. Ainda estou a regular o organismo à Liberdade, ainda falta contactar muita gente.

Ontem fui eleito Dirigente suplente da APAR (Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso). 

Não é bem a presidência de uma Câmara Municipal do país mas temos de ter em conta a importância dos protagonistas: o Dr. Isaltino não (foi) é, nem de longe nem de perto, um corrupto tão perigoso quanto eu!

Bom, em trinta dias um cargo de dirigente não está mau.

Em trinta dias também outras personagens viram os seus dias passarem com inúmeras ocorrências. Veja-se o caso do Sr. Armando Vara, outro exemplo de como toda a gente diz tudo e não sabe nada.

Hoje, um dos canais generalistas noticiava que o Sr. Armando Vara estava isolado dos outros reclusos, numa cela só para ele.

Não é verdade. 

O “Rapaz dos Porcos” (a todo o infeliz que entra na prisão é-lhe ofertada uma alcunha, a do Sr. Vara está relacionada com o seu apelido: Vara é uma manada de gado suíno) o “49” (e espero que o Sr. Vara não permita o tratamento pelo número) encontra-se numa cela com beliche, partilhando o espaço da exígua cela com um indivíduo condenado por homicídio (matou acidentalmentea mulher).

O companheiro de cela do Sr. Armando é um fulano do piorio, colaborador intenso dos Srs. Guardas: só por maldade fizeram isto ao pobre do homem, algo que não deixa de ser curioso uma vez que uma cela higienizada com colchão e roupa nova da cama estava destinada ao Sr. Vara.

Coitado, talvez devido à “fuga de informação” do E.P. de ”Ébola”, relacionada com esta questão da “cela preparada à medida”, o recluso Vara não pode presentemente usufruir das regalias de um José Sócrates!

Infelizmente, Armando Vara está a sofrer por causa da informação e da desinformação que medra nos média portugueses. 

Será que o Sr. Vara vai fazer alguma coisa quanto a isto?

Será que o Sr. Vara vai fazer como disse: “tentar dar o seu contributo para o melhoramento das condições de quem está recluído, se possível for.”

Como as coisas podem mudar tanto em trinta dias! 

Como se pode apurar tanto em trinta dias!

Como é fácil sermos induzimos em erro, em somente trinta dias.

Como é possível que, em trinta dias, somente o Sr. Vara foi condenado e quantos trinta dias vão ter que passar até os “outros” serem (pelo menos) julgados?

Nestes trinta dias também se realizou a cerimónia de abertura do ano judicial! Viram?

Não perderam nada!

Trinta dias… sabem que por vezes ainda oiço o som das chaves a fecharem as celas? Perturbação de Stress pós-traumático?!?

Não, apenas uma questão de tempo: o “eu-da-experiência” ainda se sobrepõe ao “eu-da-memória”, com o passar dos dias a dor será substituída pela lembrança, mais “levezinha”, do sofrimento experimentado.

Quanto àqueles que agora começaram os seus dias negros, espero que cheguem depressa e bem (sempre sem perderem a Dignidade) aos meus primeiros 30 dias!

“25 dias de liberdade e o Programa da Cristina”

Amanhã, dia da publicação deste texto (14/1/2019) terão passado 25 dias desde a minha libertação.

Em 2014, mais precisamente a 24-12-2014, estava na minha cela/jazigo a ler o livro de Jean-Christophe Rufin, “O grande Jaques Coeur”.

Na ficha de leitura que fiz encontro este comentário: “a Liberdade após a reclusão!” 

O comentário por mim manuscrito referia-se à seguinte frase de Jean –Christophe Rufin: “Sentia o indiscritível sentimento de nascer uma nova vez, mas não como um lactente, ignorante e vulnerável, antes como um desses deuses gregos que surgem no mundo na força da idade adulta, enriquecidos por uma longa experiência e felizes por partilharem os prazeres dos humanos, sobre os quais sabem tudo.”

Na ocasião, recluído, fechado em 9 metros quadrados, sonhava acordado com a minha Liberdade, expectando experimentar o sentimento descrito anteriormente quando alcançasse a minha libertação.

O personagem da obra, Jaques Coeur, foi um mercador francês nascido em finais do séc. XIV que viveu a primeira metade do séc. XV, tendo sido mencionado na obra “O Mistério das Catedrais” de Fulcanelli, referenciado como “Mestre Alquimista”.

Dono de uma vasta fortuna, Jaques Coeur cai em desgraça e é preso, torturado, alcançando de novo a liberdade e a fortuna.

Jean-Christophe Rufin coloca na boca de Coeur a anterior citação.

Esta semana que passou dei por mim a reviver esta leitura, muito particularmente esta passagem do “indiscritível sentimento de nascer uma nova vez”. 

Mas será que este meu renascer foi semelhante, na Sabedoria, ao “desses deuses gregos”?

Esta semana que passou realizei várias actividades quotidianas, algumas das quais eu nem gostava de fazer – como ir a uma grande superfície abastecer a despensa – e retirei um prazer infantil da coisa.

As cores, os barulhos, as pessoas, as pequenas questiúnculas a que todos nós damos uma importância capital, a mim, feliz por ali estar, deram-me prazer. 

Talvez quem me tenha observado terá dito: “Este tipo está com uma cara de parva satisfação só porque comprou pão!!!”

Tudo é para mim como uma primeira vez MAS com o Saber sereno de quem sabe o que expectar daquilo que o momento oferta.

Um dia após ter sido colocado em Liberdade, nem 24 horas tinham decorrido desde o feliz acontecimento, recebi o convite, via telemóvel (ainda nem tinha número e aparelho, foi por interposta pessoa) para dar uma entrevista para o “Programa da Cristina” que estrearia, como estreou, no dia 7 de Janeiro de 2019.

Do outro lado do telemóvel estava o Dr. Hernani Carvalho.

Comprometi-me a dar a entrevista, com o maior gosto, colocando nas mãos do profissional a escolha do espaço, duração da entrevista, questões a colocar e o que mais fosse necessário para a realização da mesma.

Nunca exigi falar de um tema em particular ou evitar questões relativamente a algum assunto sempre que falei com a imprensa. Nunca o fiz quando estava preso, não o fiz para esta entrevista nem o farei alguma vez no futuro.

Como tenho uma mensagem que quero transmitir, porque julgo que o testemunho daquilo por que passei, assim como a experiência (pensada, racionalizada, testada cientificamente) que acumulei ao longo da minha carreira profissional enquanto Inspector da Polícia Judiciária pode auxiliar terceiros, nomeadamente na aplicação capaz da Justiça, é sempre com alegria e extrema satisfação que recebo estes convites e aceito o repto lançado.  

 Claro que não possuo qualquer tipo de influência ou Poder real que permita “agendar e controlar” o trabalho dos jornalistas.

Dia 8 de Janeiro de 2019, terça-feira, compareci nos estúdios da SIC, “apanhando” a abandonar o local os  meus ex-colegas da P.J., presentemente reformados, após terem comentado a actualidade criminal.

Mais uma entrevista, mais uma hipótese de esclarecer, informar. Não! Não tenho nada a esclarecer sobre a minha condenação: fui detido, preso preventivamente, condenado, recorri superiormente, esgotei os recursos todos que a Lei garante (à excepção do Tribunal Europeu) cumpri a pena (ainda estou a cumprir, faltam 9 meses): assunto arrumado.

Mais uma oportunidade de esclarecer mas desta vez foi diferente! Desta vez eu não precisava de mostrar-me como vim ao Mundo e colocar uma nota de 500€ a cobrir o meu “Elvis” para me lerem; desta vez eu não precisava de falar das pulgas do José Sócrates para aparecer; desta vez (e nunca o fiz antes) eu não precisava de fazer de coitadinho, vestir uma ganga e uma t-shirt acrescentando que estou carenciado economicamente.

Ou precisava?!?

Desde o convite até ao dia da realização da gravação da entrevista aconselhei-me com algumas pessoas do meio, solicitei orientação a pessoas que admiro profissional e intelectualmente e ouvi com muita atenção e paciência as advertências dos “meus”, que, preocupados com aquilo que sabem que eu sei, temiam e temem que falar agora prejudique ainda mais a minha pessoa e consequentemente a Família.

O Dr. Hernani Carvalho que todos nós vemos mas possivelmente poucos conhecem de facto, generosamente ofertou aconselhamento.

A minha corrupção, o Doutoramento, a prisão de Évora (ou “Ébola” como se chegou a dizer), a reinserção social (nomeadamente os pedófilos): foram estes os temas abordados.

Hoje, pelas 18H00, telefonei ao Dr. Hernani para saber se a entrevista vai passar ou não.

Vocês já viram o filme de 2014, “The Birdman” (Ou a Inesperada Virtude da Ignorância), do realizador Alejandro G. Iñarritu, com o Michael Keaton como protagonista?

Grande filme!  

Em 2015: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Roteiro Original, etc.

Esta frase é do filme: “A popularidade é a prima ordinária do prestígio!”

Aqui está o busílis da questão. 

Eu não chorei, eu não tenho cancro, as minhas arcadas dentárias permitem-me um sorriso agradável. Felizmente durante a reclusão não fui sodomizado, nenhum dos meus filhos morreu ou ficou sem bracinhos ou  sem pernas enquanto estive a pagar pela minha corrupção. A minha corrupção não é de milhões de euros, é uma simples promessa que vai ser cumprida num futuro qualquer!

Apresentei-me como sempre, aprumado, perfumado, penteado. Não tinha ar de vitima. Como Tom Ford afirmou: “Vestir bem é uma forma de ter boas maneiras!” Sou muito bem educado, logo, não deve ser bom para as audiências.

Concedo! Concedo: que interesse posso eu ter para Vocês? Que interesse pode ter aquilo que passei ou aquilo que sei? Concedo!

E concedo pacificamente porque à semelhança de Jacques Coeur sinto um “indiscritível sentimento de nascer uma nova vez, mas não como um lactente, ignorante e vulnerável, antes como um desses deuses gregos que surgem no mundo na força da idade adulta, enriquecidos por uma longa experiência”.

Concedo neste particular mas não posso conceder nisto: durante a mesma semana a mãe do Rui Pedro foi entrevistada pela excelente profissional deste tipo de programas, Cristina Ferreira.

Doloroso de se ver, ouviram-se descrições inacreditáveis, muito graves, sobre as diligências que a Polícia Judiciária realizou junto da progenitora: “Mostravam crianças a serem violadas e eles a terem prazer com o choro!”

Autênticos energúmenos, os elementos da P.J. sujeitaram aquela fragilizada mãe a momentos inauditos.

A seguir ouvi um ex-colega a comentar e a responder a questões colocadas pela Cristina Ferreira. 

O colega em questão conheço-o da televisão, nunca trabalhei com ele, nunca adquiri conhecimento através de terceiros (logo falível) sobre o seu desempenho (bom ou mau) merecendo toda a minha consideração e respeito, MAS, afirmar que a Polícia Judiciária aquando do desaparecimento do Rui Pedro ainda não estava capaz, por insuficiência de meios humanos ou técnicos e que presentemente está diferente (para melhor) é esquecer os factos:

Rui Pedro, 4 de Março de 1998;

Joana Cipriano, Setembro de 2004;

Madeline McCann, 3 de Maio de 2007.

Qual foi a evolução? Em que momento pensaram o erro anterior e melhoraram?

Justiça seja feita a quem, posteriormente, “pegou” no “Caso Rui Pedro”: profissional de muitos anos de casa, responsável, capaz, indivíduo com uma abordagem humanista na investigação. Os outros, por falta de tecnicidade ou mesmo da mais básica educação, somente agravaram a dor e a desconfiança da população em relação à capacidade real da Polícia Judiciária portuguesa!

Expuseram a mãe do Rui Pedro a imagens de pornografia com menores?!?!

Então e a situação que denunciei aqui e aquando das entrevistas que dei? 

Como é possível industriar-se uma mãe e sua filha menor para que a segunda seja novamente violada/abusada a fim de se conseguir reunir prova?!?

Evoluiu a P.J. desde o Caso Rui Pedro?

Falar de touros ou estar na arena é algo completamente diferente!!!

O “Programa da Cristina” está a bater recordes de audiência. O “Programa da Cristina” é visto por muita gente e influencia a opinião pública! O “Programa da Cristina” quer continuar à frente do programa do Manuel Luís! 

Muito bem, é a realidade, é o que dizia o Jaques Coeur, enriquecidos por uma longa experiência e felizes por partilharem os prazeres dos humanos, sobre os quais sabem tudo, estes programas fornecem o prazer e a despreocupada aceitação do que se por lá se diz, independentemente da gravidade do que é dito.

Quanto a mim? 

Bom, socorro-me do grande Bertold Brecht: “Um luta um dia, outro luta outro dia. Os imprescindíveis são os que lutam todos os dias até ao fim da sua vida”.

Eu? Eu vou continuar a lutar. Sempre!

“Eu não dizia (escrevia)?!?!”

Dia 22 de Novembro de 2014, 07H05.

Ligo a televisão na minha cela, espaço frio, húmido e exíguo que agora partilho com o Director do S.E.F., o bonachão Dr. Manuel Jarmela Palos.

O Manuel está a dormir profundamente, ressona. Obrigado pelos químicos que generosamente o “desligaram”, o Manuel agora, aparentemente, descansa.

RTP 2, “Euronews”: “O ex-primeiro-ministro José Sócrates foi detido na noite desta sexta-feira à chegada ao aeroporto de Lisboa” 

– Manuel! Manuel! – eu, na cama de cima do beliche.

– Hã!?

– Manuel, olhe para a televisão!

– Hã? O que foi!?! – estremunhado.

O Sócrates foi detido ontem no aeroporto! – contendo o riso porque o coitado do Manuel parecia que tinha levado com um balde de água gelada.

– O Sócrates….o quê?!? Isto é onde? – incrédulo olhando o televisor.

– Foi ontem no aeroporto em Lisboa.

– Está tudo f…..! – esfregando os olhos.

– É verdade, quando isto chega a um ex-primeiro-ministro é porque está tudo perdido.

– Não é isso, João. Está tudo f….. porque agora o Carlos Alexandre vai ouvir o gajo durante uns dois ou três dias e eu nunca mais vejo o despacho da pulseira electrónica sair e vou ficando por aqui! – agora já sentado na cama.

O Dr. Manuel Palos esteve preso preventivamente em “Ébola” porque um chinês o corrompeu com duas garrafas de “Pêra Manca”!

O “Pêra Manca” (2005) tinto, por exemplo, são 460€ e o perturbadíssimo Manuel, depois de me colocar nas mãos o despacho do “super-juiz”, dizia-me, nessa ocasião como o fez amiúde antes dos químicos operarem a sua magia e levarem-no para as terras do esquecimento, que não conseguia compreender como alguém poderia sequer colocar a hipótese de ele ter arruinado a sua carreira profissional por causa de duas garrafas de vinho que nunca tinha bebido ou sequer solicitado a terceiros.

O Manuel por ali foi ficando em “Ébola”, não tanto como outros mas o suficiente para perder uns quilinhos e jurar para nunca mais.

Esta semana, para grande satisfação deste vosso ex-recluso em processo de reinserção, todos nós ficamos a saber que o Dr. Manuel Jarmela Palos, meu companheiro de cela, de privação e provação, saiu ilibado de todo o processo judicial conhecido por “Vistos Gold”!

Segundo noticiado, o Juiz disse o seguinte relativamente ao Dr. Jarmela Palos: “Neste caso nem dúvidas o Tribunal tem. Não foi sequer “pro in dubio”.Ou seja, nem dúvidas ficaram: o Dr. Palos é inocente!

Esperem que há mais! O Dr. Miguel Macedo também “saiu” ilibado!

Os cidadãos chineses foram ambos condenados a pena de multa!!!

E o Dr. António Figueiredo, acusado pela prática de mais de uma dezena de crimes – com corrupções várias à mistura – assim como a Dra. Maria Antónia Anes, foram de facto condenados mas com as penas suspensas: 4 anos e 7 meses o primeiro, 4 anos e 4 meses a segunda.

A questão é pertinente: Como é que isto é/foi possível?!?

Como foi possível um homem ser preso preventivamente durante vários meses, o seu nome arrastado na lama, a sua esposa – senhora muito elegante e simpática – ver-se no meio da prisão numa sala cheia de criminosos (o Dr. Palos tinha visitas no mesmo horário que eu, corrupto condenado) dar por si suspenso de funções, sem remuneração e agora, passado tudo isto e muito mais, a mesma Justiça considera-lo inocente?

Como é possível termos lido tanto e ouvido muito mais e depois de observar o que de facto no autos se encontra, o Dr. António Figueiredo ser condenado somente a pena suspensa?

Atenção: felicidades para o Dr. Figueiredo e para a Dra. Anes e os dois chineses com o Dr. Macedo à mistura, mas qual é a credibilidade da Justiça portuguesa?

Na imprensa lê-se (“Correio da Manhã”, edição de 5 de Janeiro de 2019):”A justiça cinge-se a condenar os actos e não a aferir as intenções”. Foi um dos argumentos usados pelo Juiz quando absolveu a arguido Miguel Macedo”

Perdoem-me o português: “Bardamerda para isto!!!”

Bardamerda porque eu fui condenado por causa de uma promessa de vantagem patrimonial futura! Porra, prometer é o cúmulo da intenção!!!

E se uns tiveram “vistos Gold”, outros umas garrafinhas, outros ainda umas entradas de dinheiro nas contas pessoais, aqui o criminoso condenado agora em processo de reinserção foi somente a promessa, a vontade , o desejo, a intenção…

Esqueçam, eu já cumpri e estou a reinserir.

Esqueçam vocês, eu não posso esquecer porque escrevi aqui. Escrevi que estaria muito atento, de preferência já em liberdade, a verificar qual o resultado destas “mega-tuga-blaster-investigações” e, ousado recluso na altura, escrevi que muito possivelmente eu seria o único corrupto condenado a pena efectiva em Portugal: até agora acertei.

Carlos Alexandre, o juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), devia ter pedido escusa do processo “vistos Gold” quando Orlando Figueira, o ex-Procurador do DCIAP e advogado, se tornou defensor de um dos arguidos do caso(…)” (D.N., edição de 3 de Janeiro de 2019)

Depois lemos noticias destas. Encomendadas por quem? Jornalismo de investigação? Realidade? 

Outra vez o “super-juiz”? Vocês já repararam que todos os arguidos, arguidos presos, arguidos com caução ou arguidos sem caução que passam pelas “mãos” do juiz Dr. Carlos Alexandre, nunca são condenados a penas efectivas ou sequer condenados, mas durante a fase de Instrução são uns perigosos criminosos que nem deviam ter duas horas de luz do sol por dia?

Já repararam que os arguidos que a P.J. e o Ministério Público levam ao juiz Dr. Carlos Alexandre, após a “aleatoriedade” do sorteio, não são condenados a pena efectiva ou sequer condenados, em gritante contraste com aquilo que invariavelmente sai nos órgão de comunicação social?

Pensem nisto. Façam um exercício de reflexão! 

Quem está mal? 

A investigação da P.J. a montante, porque alguns desejam protagonismo e progressão na carreira, cedendo, ofertando serviços? Não se esqueçam que o S.L.B. nem sequer vai a julgamento!

O Ministério Público que quer manter o seu estatuto ou porque faz o que a P.J. quer?

Ou será que quem está mal são os colectivos de juízes que cedem à pressão dos “grandes e poderosos”?

Eu consigo explicar isto. Deixem-me colocar com mais humildade: eu tenho uma proposta de explicação para isto mas não aqui, o espaço é curto e uma imagem vale mil palavras. Até lá (e está para breve) permitam-me afirmar, atendendo a tudo o que a Justiça Lusa nos oferta: “Eu não dizia (escrevia)?!?

“Palavra de ordem: Contenção (ou Contensão?)”

Liberdade daqui a: 283 dias!!!!

Olá a todos!

Primeiro uma correcção. Na edição de terça-feira, 27 de Novembro de 2018, o “Correio da Manhã” noticiou o meu doutoramento. Em caixa, com o título “pormenores”, podia-se ler: “João de Sousa é ouvido esta semana pela Direcção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais devido a um pedido de liberdade condicional. Se for aceite poderá saír da cadeia em Dezembro.”

Correcção: eu não apresentei qualquer pedido de liberdade condicional, não é esta a forma que está prevista no normativo vigente.

O que de facto se está a passar é o seguinte: a Juiz do T.E.P. de Évora, em Dezembro de 2017, “ouviu-me” e considerou que eu precisava de estar mais um ano preso para o sistema recuperar-me e devolver-me, ressocializado, à sociedade.

Conforme podem verificar nas digitalizações dos despachos da Meritíssima que Vos deixei neste espaço (texto: “A (In) Justiça do Calimero (a.k.a. João de Sousa)”, 2017) a douta Juiz escreveu: “Tendo em conta a data em que o termo da pena será alcançado (26/9/2019) e o disposto no artº 180º, nº 1, os pressupostos da liberdade condicional serão reapreciados dentro de 12 meses, ou seja, por referência a 14/12/2018.

Atendendo ao exposto, trata-se de uma reapreciação dos pressupostos e não um pedido meu; algo normal, usual, contemplado no Código de Execução das Penas e Medidas Privativas da Liberdade.

E agora começa o exercício de Contenção (ou será de Contensão?)!

O processo de reapreciação implica a realização de relatórios por parte do técnico do E.P. de “Ébola” e da técnica da D.G.R.S.P., com um mês de antecedência. Após este passo, o Tribunal de Execução de Penas de Évora notifica o recluso para, querendo, no prazo de 10 dias, requerer o que tiver por conveniente: fui notificado a 12 de Outubro de 2018. Não requeri nada!

O técnico do E.P. de “Ébola” “ouviu-me” a 9 de Novembro de 2018 e enviou o seu relatório para o T.E.P. de Évora.

A técnica da D.G.R.S.P. “ouviu-me” a 29 de Novembro de 2018e enviou o seu relatório para o T.E.P. de Évora a 10 de Dezembro de 2018!!!!

Os guardas estão em greve, cumprem-se hoje 15 dias, não tenho acesso ao Técnico do E.P. e não sabia quando se realizaria o Conselho Técnico e sequente presença perante o Juiz do T.E.P.!

Tendo como referência 14 de Dezembro de 2018, atrasado o relatório da D.G.R.S.P., a incómoda questão começava a insinuar-se na minha mente enquanto estava (estou ainda) fechado 18 horas por diapor causa da greve dos guardas: “Será que não vou ser “ouvido” pelo Juiz este ano?”

Respira João! Contenção, calma, relaxa (que encaixa!)!

Na quarta-feira, 5 de Dezembro de 2018, outro recluso aqui de “Ébola”  foi notificado pelo T.E.P. de Évora (porque atingiu o meio da pena) para ser “ouvido” pelo Juiz!

Foi notificado para dia 17 de Dezembro de 2018, às 14h15.

E eu?!? Calma, João! Não resistas, não te mexas, já vai passar… contenção!

29 de Novembro de 2018, revista “Sábado”, artigo (genial) do subdirector Carlos Rodrigues Lima, “O Natal dos Armandos Vara”: “Talvez Armando Vara mereça passar o Natal em casa. […]”

“Relax! Take it easy…” Respira… inspira, João! Contenção, serenidade, ataraxia… (Nota: sobre o Armando Vara depois falaremos! O sistema prisional está outra vez, mais uma vez, a cometer os mesmos erros (vergonhosos) que cometeu com José Sócrates! Isto aqui está uma vergonha!)

– Sr. João, o senhor “está de bola”. Agora é que é, vai embora! – um guarda.

Como, se eu ainda não fui notificado? Contenção… ÓMMMMM!!

– O gajo da judiciária é fino! Ele já foi notificado mas não diz nada a ninguém! O porco vai embora agora em Dezembro! – outro recluso.

Os dias foram passando (sem ginásio e fechado 18 horas por dia, com metade do tempo para as visitas da “ninhada”) sempre exercitando a ataraxia, a quietude absoluta da alma, do espírito, da mente, “quietude que é, segundo o epicurismo, o apanágio dos deuses e o ideal do sábio!” … contenção!

Dia 12 de Dezembro de 2018, 08h00, durante 5 minutos diários de contacto com a Família:

– João, já tenho os relatórios e as conclusões… – a voz denotava alegria e alívio.

– Sim…

– Ambos são favoráveis, os pareceres são favoráveis para vires para casa… – exultante.

– Calma, minha querida. Contenção, isso não quer dizer nada, faltam ainda 9 meses…

Três dias antes, no domingo (9 de Dezembro de 2018), o meu “filho-homem” de 4 anos ensaiou um esboço de birra no final da visita agarrado a mim:

– Anda, anda connosco para casa! Não quero que fiques aqui! – começando a chorar, com a Helena aflita porque sabe que não deve estar sempre a perguntar se é desta que o Pai Criminoso vai para casa.

Um olhar duro, sem palavras, desta vez bastou para o Jr. acabar com aquilo: Contenção, por favor!

Dia 13 de Dezembro de 2018, quinta-feira, 17h55, fui notificado: “O T.E.P. de Évora, notificou nesta data o recluso João Pedro Sebastião de Sousa de que foi designado o próximo dia 17 de Dezembro de 2018, pelas 14:00 horas, para a reunião do Conselho Técnico, seguindo-se audição do mesmo”

E assim vai ser Caro(a) Leitor(a): esta segunda-feira, 17 de Dezembro, o Juiz vai “ouvir-me”, na presença do Ministério Público, “munido” dos pareceres favoráveis referidos, e depois, talvez durante a semana de 17 a 21 de Dezembro, eu vou saber se fico por aqui em “Ébola”, mais 9 meses até ao final da pena (Setembro de 2019).

Ontem, 14 de Dezembro, sexta-feira, durante os 5 minutos de contacto telefónico tive que refrear os ânimos, pedir Contenção!

– Mas os pareceres são favoráveis, porque não?

– Calma, minha querida. Como disse o meu querido amigo e agora ex-colega, o meu “Zé”: “No caso do João nada é racional!”. Tem calma e não digas à “ninhada” que agora é que pode ser! Contenção, por favor!

Há cerca de um mês um recluso interpelou-me:

– Sr. João, queria pedir-lhe uma coisa, se for possível. – timidamente. 

– Diga! 

– Quando se for embora em Dezembro, não se importa de me deixar o seu rádio?

Isto foi há um mês! Contenção, por favor! Há um ano atrás, Dezembro de 2017, foi a  mesma coisa: eu ia passar o Natal em casa e já não voltava; “estava de bola”, a “ninhada” esperava-me… 

Contenção, foco: ÓMMMM!

Se eu quero ir-me embora? Desde Março de 2014 que eu quero ir para casa!

Todas as noites, no escurinho da cela, imagino-me em Casa, junto da minha árvore, a alertar o Jr. para não brincar com as figuras do presépio; agarradinho à Helena e à Leonor, como diz o meu “filho-homem”: “A brincar e a sermos felizes!”

Todas as noites, com o garrafão de plástico com água quente na cama (aqui faz um frio que obriga ao engelhar dos meus apêndices) sonho acordado que estou em Lisboa a ver as iluminações, cumprindo-se um ritual que ainda não consegui realizar com o Jr.!

A palavra de ordem é Contenção porque quero impedir o sofrimento daqueles que me amam se mais 9 meses ficar por aqui. O que para trás ficou, e que está marcado no meu peito (nada nas costas, como os cobardes) obriga-me a ser contido nas minhas expectativas.

Amanhã, 16 de Dezembro, Domingo, a “ninhada” vem ver o Pai Criminoso pela última vez antes do Natal: não os quero cá dia 23, assim foi durante estes 4 anos, não os quero cá no Natal, isto é terra de infiéis. 

Amanhã, Domingo, sei que vai surgir a questão – “Vais para casa Pai, passar connosco o Natal?” – e eu já sei o que responder: “Vejam o copo meio-cheio: para o Ano estou lá de certeza absoluta!”. Eles vão fazer um sorriso triste e eu farei uma palhaçada mudando de assunto. 

Contenção, por favor!

Contenção porque se colocarmos um “s” em vez do “c cedilhado”, como são palavras homófonas, sentirei “forte tensão dos músculos, dos nervos ou do espírito, uma tensão forte”que em nada vai auxiliar quando estiver perante o Juiz na segunda-feira, ou quando, infelizmente, tiver que ficar mais 9 meses por aqui a tentar denodadamente conter-me!

Para todos Vós que já preparam “coisas doces”, para a minha bela “ninhada” e para Ti, um conselho amigo: Contenção, por favor! (Acreditem: depois, a dor da desilusão é menor!)

“Doutor João de Sousa: Res, non verba!”

Liberdade daqui a: 304 dias!!!!

“O progresso do Homem faz-se na luta, muitas vezes absurda, contra os obstáculos tão grandes que se lhe oferecem”

(in “Para compreender “Os Lusíadas””, de Amélia Pinto Pais)

Maior absurdo que a minha detenção, prisão preventiva, julgamento, condenação e sequente cumprimento de pena alguma vez tinha experimentado?

Como progredir, vivenciando o obstáculo que me ofertaram?

Quiçá, qual “Velho do Restelo”, a opinião generalizada é que se revela, inevitavelmente, impossível colher algo de positivo da reclusão ou dela fazer algo de profícuo.

Amélia Pinto Pais, sobre o episódio do “Velho do Restelo”:  “[…] O episódio polariza, pois, uma espécie de antítese à tese que o Poema constitui: a de que, no mar, o Homem encontra a ocasião das ocasiões para ultrapassar as suas fraquezas.”

Aqui, em “Ébola”, como encontrar a ocasião das ocasiões?

Aqui, no meio deste mar tormentoso, como ultrapassar as minhas fraquezas?

Muito bem, Estimados(as) Leitores(as), vou agora, conforme prometido, comunicar-Vos o “tal projecto” que eu venho desenvolvendo e que, com tudo burocraticamente cumprido (cfr. documento em anexo) posso agora revelar:

No dia 20 de Novembro de 2018, a Universidad de Extremadura, Badajoz, Espanha, admitiu João Pedro Sebastião de Sousa, recluso em cumprimento de pena efectiva pela prática dos crimes de corrupção e violação de segredo de funcionário, no Curso de Doutoramento em Psicologia.

O agora Doutorando João de Sousa, apresentou um projecto de investigação, inserido no seu plano de reinserção social, cujos orientadores são o Dr. Paulo Sargento (Professor Coordenador e Director da Escola Superior de Saúde Ribeiro Sanches, Lisboa, Portugal) e o Dr. Florêncio Vicente de Castro (Professor Catedrático da Universidad de Extremadura, Badajoz, Espanha), projecto esse que objectiva responder à seguinte questão:

Em que medida a Lei de Execução de Penas adere à filosofia vigente que reclama (Estado de Direito Democrático) e se concretiza no quotidiano dos cidadãos (reclusos) a que ela estão sujeitos?

O projecto de investigação encerra ainda alguns objectivos específicos, a saber:

a) Estudar em que extensão os objectivos operacionais da execução de penas são concretizados no quotidiano do sistema prisional e qual o seu valor em termos de reinserção social (construção de instrumentos de validação do sistema e de avaliação da sua eficácia);

b) Criar bases para o desenvolvimento de sistemas “standard” de avaliação e promoção da reinserção social.

Ou seja, pela primeira vez (“por mares nunca dantes navegados”) realiza-se um estudo científico cujo autor “participa no terreno”, inserido na realidade estudada, observador participativo que tutorado por orientadores exteriores apresentará Conhecimento desta realidade particular, cientificamente validado e não relativamente fiável ou ancorado em questões de opinião ou conjectura.

Da revisão da escassa literatura existente (o projecto a que me propus é inédito) li, com notório acrescento de conhecimento válido, a tese de Mestrado do Dr. Rui Abrunhosa Gonçalves: “A adaptação à prisão: um processo vivido e observado” (1990)

Com a devida vénia, coloco algumas reservas quanto ao “vivido e observado”; no meu caso será vivido, observado, sentido e cicatrizado!

A Dra. Meghan M. Mitchell enviou-me, gentilmente, a sua tese de Doutoramento defendida na Sam Houston State University, E.U.A., Departamento de Justiça Criminal e Criminologia, Agosto, 2018. Tema: “O código do recluso”.

No capítulo dedicado à descrição do seu estudo, Meghan Mitchell fala-nos na dificuldade de obter informações/dados válidos em ambiente prisional, da extrema dificuldade de um observador exterior experimentar realmente o que sente um recluído. Ela descreve o desafio que é “entrar e sair do estômago da besta” (“to get in and out of the belly of the beast”). O “estômago da besta” é a prisão. Eu estou cá dentro, como Jonas no interior da baleia! Eu sei a que cheira, ao que sabe, que cores pintam as paredes frias e húmidas do cárcere!

Objectivo igualmente fornecer àqueles que formam opinião, àqueles que comentam, aos que legislam e decidem, um modesto contributo (científico) que permita “cortar” nos disparates e acabar com a opinião desinformada, o dito fácil populista, “a ignorância que vende tão bem em televisão”, como escreveu Daniel Oliveira na sua coluna de opinião no jornal “Expresso”, edição de 13 de Novembro de 2018. Espero contribuir para que o comentário informado tenha maior valor que o desabafo! (in “O gajo de Alfama”, Daniel de Oliveira).

Toda a gente opina sobre a prisão, a reinserção ou a reincidência mas ninguém se disponibilizou a estudar de facto o fenómeno.

Indivíduo de 36 anos, após cumprir 7 anos pela prática de crime de Violação, é colocado em liberdade e viola jovem de 19 anos!

A culpa é dos guardas! A culpa é do sistema! A culpa é dos técnicos!

A culpa é da D.G.S.P.! A culpa é do Juiz do Tribunal de Execução de Penas!

“Construção de instrumentos de validação do sistema e de avaliação da sua eficácia”!

Um dos objectivos do estudo.

Que tal? Não é um propósito nobre e válido? É o meu humilde contributo para saldar a dívida que tenho para com a sociedade, todos Vós! Afinal eu fui condenado por corrupção, defraudei a confiança que todos Vós depositaram em mim enquanto Inspector da P.J., lesei o Estado (todos nós) com a “promessa futura”, com algo que no futuro receberia!

Podia ter, durante estes 4 anos e 8 meses da minha reclusão, saldado a dívida para com todos Vós jogando à sueca, dominó, fumando, dormindo e comendo, mas como sempre considerei que as palavras levam-nas o vento e os actos é que contam: Res, non verba!

Res, non verba, factos, não palavras. Locução latina que emprega-se para dizer que uma situação exige actos e não palavras.

O procurador Orlando Figueira esteve aqui preso, disse que ia fundar a Associação Cristã de Apoio ao Recluso: até agora nada! Compreende-se, está ocupado a “colaborar” com a Justiça!

José Sócrates, “autor” do livro, “A confiança no Mundo”, obra sobre a tortura e as injustiças do Homem, indignadíssimo enquanto aqui esteve, surpreendido por ter ratificado e assinado o normativo que o obrigava a experimentar o que vivenciou, com grande facilidade de acesso aos “média” nada diz e menos fez/faz. Também compreendo, está actualmente em processo de mudança de habitação: vai para a Ericeira respirar o saudável ar livre do mar!

Uns são “dótores” e tornam-se corruptos não cumprindo aqui o penoso caminho; outros são corruptos, cumprem a caminhada e saem daqui doutores! Afinal a reinserção existe!

Consequência da minha prisão, não terminei o Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais; entrei em 2014 na prisão doutorando, aspirante a Político (provavelmente corrupto) saio Doutor, ex-criminoso, pobre (era só uma promessa) mas Douto!

Sozinho nada disto conseguiria alcançar! Pessoalmente vou agradecer a todos Vós, a todos que têm sido fenomenais, mas um agradecimento público e notório impõem-se:

Eternamente grato, para sempre devedor, ao meu Mestre, Dr. Paulo Sargento, que desafiou-me a disparar o arco apontando mais alto para que desse modo alcançasse mais e melhor.

Sem a sua orientação, força, entusiasmo, serena compreensão e aceitação da inquietação e frustração de um indivíduo sujeito ao que agora me sujeitam, nada disto era concretizável!

Não sei como saldar a dívida! Obrigado!

Uma palavra de reconhecimento e respeito para com a Directora do E.P. de Évora, Dra. Maria da Ressureição Moura e o Técnico Dr. João Vaz, que observando e cumprindo o normativo existente – Código de Execução das Penas e Medidas Privativas da Liberdade – respeitaram os “princípios da especialização e da individualização do tratamento prisional do recluso” (art. 3º – Princípios Orientadores da Execução) e não colocaram o recluso João de Sousa a varrer alas ou a varrer o pátio, actividades cuja realização (ou não) condicionariam o sucesso do seu tratamento prisional, cumprindo-se igualmente o previsto para o “Plano Individual de Readaptação”, artigo 21º, número 5, do C.E.P.:

“Na elaboração do Plano Individual de Readaptação, deve procurar-se obter a participação e adesão do recluso”

Eu propus, participando no meu Plano Individual de Readaptação, a realização do Doutoramento, os Serviços de Tratamento Prisional e a Direcção do E.P. aceitaram!

“Et voilà”! Aqui está o João de Sousa a nadar para fora da sentina infecta onde tudo o que putrefacto está se pode encontrar!

Agora falta solicitar a colaboração da Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais que, com toda a certeza, estará muito interessada nas conclusões do estudo.

No próximo mês de Dezembro, daqui a 3 ou 4 semanas, serei “ouvido” pelo Juiz do Tribunal de Execução de Penas de Évora, e posteriormente serei informado se vou continuar a cumprir os 9 meses de pena que faltarão para o término da mesma – Setembro de 2019 – ou se vou para casa em regime de Liberdade Condicional. Uma situação ou outra será fonte de conhecimento e informação para a tese de Doutoramento, mas, permitam-me a ingerência, 4 anos e 9 meses já permitiram a recolha de muita informação e conhecimento! Deixem-me ir para casa redigir a tese e defendê-la!!!!

Claro que fazer a tese não tem relação com o cumprimento total da pena, eu sei, mas reparem nesta definição de “Vivenciar” ofertada pela psicologia:

“Processo psicológico consciente no qual o indivíduo adopta uma posição valorizante, sintética, que não é apenas passiva e emocional, pois inclui também uma participação intelectual activa.” Não é “isto” mesmo a verdadeira reinserção? Não estou a fazer precisamente “isto”?

Um dos factores de avaliação constante nos relatórios do E.P. e do Instituto de Reinserção Social, é a “Atitude face ao Crime e Reacção à Pena”; neste particular o que se exige habitualmente é a tão desejada confissão judaico-cristã: “Sim, senhor, cometi os crimes, estou arrependido!”

Nunca se poderá saber se é verdadeira a afirmação mas, defendo-o, é possível avaliar, mensurar (psicometria) se a Vivência (o processo psicológico) ocorreu de facto!

Espero contribuir com a minha tese de Doutoramento para a opinião informada – v.g. perceber como pode auxiliar na luta dos guardas prisionais uma greve ao fim-de-semana que só prejudica os reclusos ou porque morre um recluso em Évora fechado numa cela, etc – pretendo com este projecto dar sentido a tudo aquilo a que me sujeitaram/sujeitam, pretendo de certa forma (a possível) resgatar todo o meu sofrimento e o dos meus, e claro, como dizia o Vasquinho da Anatomia na “Canção de Lisboa”: “Chame-me “Dótor”, homem! Mais alto, vá!”

Um beijo para a “ninhada” e para Ti, porque é por Vocês que continuo a Lutar!

Admissión

 

“Os danos colaterais da nossa Justiça”

Liberdade daqui a: 311 dias!!!!

“La Mort de Socrate”, é a imagem, ou melhor, o quadro de Jacques-Louis David que ilustra este opúsculo. Pintura realizada em 1787, retrata a história da execução de Sócrates, mais precisamente o momento imediatamente antes de beber a taça de cicuta. Falo-Vos deste quadro e deste tema porque, aquando da minha última saída de 96 horas para estar com pessoas saudáveis, estive a descodificá-lo com a minha filha mais velha, a Leonor de 15 anos, uma vez que na semana seguinte, finalmente (a professora esteve a faltar ou em falta!), ia ter a sua primeira aula de Filosofia!

– Estás a ver a lâmpada apagada, a fumegar…

– Sim, ali!

– … assume uma centralidade no quadro, como que interceptando o movimento do sujeito que entrega aquela taça a Sócrates… estás a ver?

– Sim, Pai! Significa alguma coisa? – antecipando algo.

– Representa a morte, o apagar da chama da vida. A taça que Sócrates recebe contém cicuta, um veneno extraído de uma planta…

– A sério?!? E o Sócrates vai bebê-lo?

– Vai! Como é que ele está? Assustado?

– Não, acho que não… está a mandar vir com os outros! – admirada.

– Meu “Amor-mais-belo”, “mandar vir com os outros” não é uma tirada muito filosófica, pois não? – com semblante severo.

– Tens razão, desculpa…

– E não é “o Sócrates”! Não andaste com ele na escola ou estiveste presa com ele! É “Sócrates” somente!

– O.k.! – sorrindo.

– Ele não “está a mandar vir”, está a dar uma lição final aos seus pupilos, encarando a morte com serenidade. O homem que está sentado, cabisbaixo, com os pergaminhos junto de si no chão, é Platão…

A seguir falámos sobre o significado da palavra “Filosofia”: o radical grego “filo”, “amigo”, e “sofia”, “sabedoria”.

Na semana seguinte, a Leonor contou-me que “brilhou” na primeira aula de Filosofia porque a professora – “vê lá a sorte, Pai!” – apresentou o mesmo quadro e ninguém sabia quem era o “homem sentado com a cabeça baixa”. “Então eu respondi: é Platão!” A professora elogiou a Leonor e esta contou ao Pai criminoso o sucesso da primeira aula.

Há 15 dias a minha visita acabou mais cedo. Acabei com a visita porque foi mau demais!

Resultado de um dano colateral da nossa Justiça, há 15 dias fiquei muito zangado com as minhas filhas.

A Leonor teve negativa a Geografia e o teste de Filosofia não correu bem! Corrigido o teste na aula, a Leonor antecipou mais uma negativa.

Bastante desiludido – mais comigo, criminoso que não posso apoiar – questionei-a sobre as respostas erradas:

– Foi nas questões de cruzes! – com um ar de profunda tristeza.

– Cruzes!! – estupefacto – Teste de Filosofia do 10º ano com cruzes!!!!

Mas mais estava para acontecer…

A Helena tinha recebido duas negativas e ocultara o facto à mãe, somente revelando o sucedido aquando da visita, após “duro interrogatório”.

– Tu mentiste à tua mãe, Maria Helena? – eu, mais medonho que o Adamastor.

Entre lágrimas sentidas e soluços sufocantes: “Eu peço desculpa mas não queria que ficasses preso triste e a sofrer por causa de mim!”

– Acabou a visita! Vão-se embora! – sem beijos e “abraço da Família”.

Isto, Estimados (as) são os danos colaterais da nossa Justiça, da Justiça que me ofertaram. Claro que o culpado sou eu! Não sou eu um criminoso condenado pelos doutos Tribunais do meu país? Antes de cometer o meu hediondo crime devia ter pensado no quanto ia faltar à “ninhada”.

A raiva sentida é contra mim: “todos” ainda em liberdade, a recorrer ou até absolvidos, e só tu, corrupto, condenado a faltar aos teus.

É o que juridicamente se designa por “dano emergente”, i.e., prejuízo efectivo, real, provado. O dano é tal, tão real, que a minha Helena mentiu aos pais!

Falhei, falhei na minha obrigação, no “Múnus paternal”. Único corrupto condenado em Portugal nos últimos 5 anos, não consigo auxiliar a “ninhada”: é um dano colateral da nossa Justiça. Mas é o meu, responsabilidade minha. Deixem-me agora falar-Vos de “dano infecto”, i.e., prejuízo possível, eventual, iminente!

Reflexo da “mentira piedosa” da Helena, inspirado na imagem de Platão, pedi para enviarem-me pelo correio a obra de Platão, “Hípias Menor”.

Quem é mais valoroso: “Ulisses dos mil artifícios” ou “Aquiles, o melhor guerreiro”? É melhor a Verdade ou a Mentira?

Eis a temática de “Hípias Menor”.

A obra que tenho na minha biblioteca foi traduzida por Maria Teresa Schiappa de Azevedo, responsável igualmente pela introdução e notas.

Da “Introdução”: “[…] Verdade e Justiça, mentira e injustiça misturam-se quase quotidianamente na estratégia das relações humanas, desde a arte e a política, ao médico capaz de enganar o doente quando está em causa o seu bem-estar. […] Essa, a distinção que cabe justamente aos governantes fazer: eles são à imagem do sábio ou do herói homérico, «os mestres da verdade e da mentira», os que sabem e dominam a totalidade dos factos, de modo a avaliar quando o engano e a mentira […] devem ser utilizados, tanto na educação como na administração da cidade […]”

Deixemos a mentira da Helena, o meu dano e passemos ao Vosso (nosso) dano colateral da Justiça Lusa: o dano infecto!

Comecemos pelos governantes:

José Silvano, deputado e secretário-geral do Partido Social-Democrata; Maria Emília e Sousa Cerqueira, deputada do PSD que integra o Conselho de Jurisdição Nacional do referido partido político. O caso das “presenças fantasma” no parlamento e a troca de “passwords”!

Outro “Sousa”, o João de Sousa, foi acusado de “trabalhar” para uma “Associação criminosa”, facultando informações à mesma com recurso ao sistema de informação informatizado da P.J. Este “Sousa”, entrou no sistema da P.J. com a sua “password” e “username”, ficando deste modo registadas as suas pesquisas (para sua salvaguarda) só que quem o coordenada afirmou que ninguém fazia o mesmo na P.J., mais disseram que “estas pesquisas conhecem-se mas podem ter existido outras com “passwords” de outros colegas”!!! No caso da deputada existem imagens da mesma a introduzir a “password” mas era/é hábito partilharem algo pessoal e intransmissível!

Resultado: um, o “de Sousa”, corrupto! Outros, a “e Sousa” e o “Silvano”, hábitos entre camaradas de bancada! Onde está a Verdade e a Justiça? Eu, talvez porque estou fechado numa cela há 4 anos e 8 meses, só vejo dano infecto!

Nascido em Setembro, sinto-me de facto ofendido e sou Virgem!

Lembram-se de eu escrever neste espaço que somente “quando se zangam as comadres se sabem as verdades”? Muito bem, já se perguntaram se, por acaso, não existisse uma guerra interna pela liderança do PSD, toda esta… nem sei como qualificar ou classificar… será que esta “coisa” se saberia?

Não vamos bater mais na Política: os Tribunais! “Tribunal “esqueceu-se” de pena sobre crime de abuso de confiança”. O caso BPN, o arguido em liberdade, perdão, o condenado em liberdade Oliveira e Costa.

Os «mestres da verdade e da mentira», conseguem distingui-los? Eu só distingo “dano efectivo”! Talvez porque seja corrupto só veja dano! É uma hipótese!

Este Oliveira e Costa – indivíduo doente, coitado – para além dos 14 anos, já levou mais 12 e acho que hoje agravou… mas que importa isso quando estamos em casa (infelizmente doentes!). As melhoras, Sr. Dr.!

Quem fala de Tribunais, fala de Juízes: esta semana, Ricardo Oliveira foi absolvido no âmbito de um processo (mais um) no qual (mais uma vez) foi condenado o “Sr.-Dr.-que-está-em-liberdade-mas-doente”! Quem é Ricardo Oliveira?

É um cidadão ao qual o “Super-juiz”, Dr. Carlos Alexandre, aplicou uma caução recorde de 5 milhões de euros. Passados todos estes anos o homem foi absolvido!

Por falar em cauções, o “Super-juiz”, Dr. Carlos Alexandre, baixou o valor da caução do Dr. Ricardo Salgado, lembram-se? Olhem esta: “Alega Ministério Público, família suspeita de desviar 175 milhões à Venezuela. Grupo Espírito Santo (GES) terá desviado dinheiro de empresas da Venezuela para elementos do próprio GES, diz acórdão” (in C.M., 10 de Novembro de 2018).

Carlos Alexandre, “Super-juiz”?!? Jornal “Expresso”, 10/11/18: “Inspecção diz que Ivo Rosa é “muito bom””.

O “engano e a mentira devem ser utilizados, tanto na educação como na administração da cidade”?

Perdoem-me o pessimismo: só vejo “dano infecto” nisto tudo!

Para terminar (e muito mais existe) o Sr. Bruno de Carvalho!

5 dias detido e já é um homem novo?!? Eu, 4 anos e 8 meses, já preencho os critérios de diagnóstico para disforia de género: não sei se serei um “João novo” ou uma “Joana poderosa”!

O Sr. Nuno Mendes (“Mustafá” para os amigos) declarou na euforia da liberdade reconquistada (mais uma vez): “Não sou terrorista ou traficante de droga!”

É verdade, sim senhor! Eu sei! Terrorista ele não é…

Nem o “Mustafá” é terrorista nem os outros 23 presos, já agora! Escrevi sobre isto a 28/5/2018, neste espaço. Texto “Ethos, Pathos, Logos e Cidadania”.

Mas mais interessante (e louvável) é o facto do Juiz de Instrução, Dr. Carlos Delca, não ter decretado a prisão preventiva para os Srs. Bruno de Carvalho e Nuno Mendes, porque somente existia prova testemunhal: arguidos presos preventivamente (e outros) a acusar terceiros! Muito bem, já lá vão 44 anos desde o tempo em que os “chibos” falavam com a “Velha Senhora”! Seria este o resultado com o “Super-juiz”?

Culpados ou não os envolvidos (e nunca por actos de terrorismo) a essa conclusão só se pode chegar com provas e nunca com “conhecimento subjectivo, exemplificado como «sentimentos de convicção» sobre uma teoria”! (Karl Popper)

Caros(as) Leitores(as), cuidado, muito cuidado com os Ulisses e Aquiles de “trazer no bolso” da nossa praça!

Creio que as mentiras que nos ofertam não são tão piedosas como a mentira da minha bela Helena, essa perfeita Ulixes stolatus (“Ulisses de saias”) como apelidou o imperador Calígula à sua trisavó Lívia Drusila, mulher do Imperador Augusto.

Leiam o “Hípias Menor” de Platão; eu reli durante esta semana porque no domingo vou aproveitar o tempo da visita para falar da “mentira e da verdade” à Helena, introduzir o tema do “Mito” à Leonor, falando de Ulisses, Aquiles e dos deuses envolvidos, aproveitando assim o tempo escasso disponível para ajudar a “ninhada”, vítima inocente dos “danos colaterais” da nossa Justiça!

Claro, claro, eu sei: a culpa é minha!

Afinal, eu fui condenado! Condenado pelos mesmos tribunais que em relação ao outro Senhor… esqueceram-se da pena sobre alguns crimes. Coisa pouca, mas que pesado dano (grande prejuízo) causa na confiança que temos na nossa Justiça!

 

 

 

 

 

“Habent sua fata libelli”

Liberdade daqui a: 318 dias!!!!

Habent sua fata libelli. Os livros têm o seu destino!

José Tolentino Mendonça, em entrevista ao jornal “Expresso” (30 de Junho de 2018), após assumir o cargo de arquivista e bibliotecário do Vaticano, invocou esta frase de um gramático latino do séc. III.

Na minha terceira saída, em Setembro do presente ano, anunciei solenemente:

– “Quando eu sair definitivamente, para o ano [2019, Setembro] vamos mandar gravar uma nova madeira [inscrição a laser] para colocarmos na porta da nossa biblioteca! Habent sua fata libelli!”

– Mais uma para aprender, Pai? – a Helena

– O que é que significa? – a Leonor

No meu primeiro ano na Universidade Católica – o Propedêutico do Curso de Licenciatura em Filosofia – “baldava-me” às aulas para passar horas deliciosas na biblioteca existente. Com 17 anos, “disciplina de estudo” era algo próprio de espíritos menores: se o programa de estudo exigia Pascal, eu, fedelho ignorante, abraçava Nietzsche; para a semana S. Tomás de Aquino e o “ousado estulto” arremessava Sartre!

Pior que tudo isto foi a “Grande Ocultação”! Somente na “idade adulta” eu confessei à “Mãe Ju” o que fazia: passava as noites a ler e, às 6h15, quinze minutos antes do despertador tocar e ela aparecer no meu quarto para eu ir “tomar a banhoca”, ardilosamente apagava a luz do meu candeeiro e fingia acordar nessa altura. Depois, após despedirmo-nos em Santa Apolónia, à saída do comboio no qual tínhamos viajado juntos, ela ia para a paragem do autocarro, segura de que eu ia fazer o mesmo. Nada disso: o filho ia apanhar o mesmo comboio em que viera, para voltar aos lençóis e descansar, faltando às aulas!

Um forte predictor do futuro criminoso do adolescente João de Sousa!

Nunca sentiram uma aceleração, um bem-estar doce, revigorante, quando durante o dia, a trabalhar, lembraram-se de repente, do nada, que após a jornada diária vão ver um filme, encontrar-se com a pessoa amada, entrar de férias? Estão a “ver” a sensação? Eu sentia isso com a perspectiva de leitura de um novo livro ou mesmo da continuação da leitura de uma obra que iniciara! Ainda hoje, aqui, experimento essa sensação!

Tudo começou com “Os cinco” da Enid Blyton. Colecção que herdei do meu irmão, presente, velhinha, na minha biblioteca.

Os livros sempre estiveram presentes, os livros sempre ajudaram a perceber, a viver, e, se agora estou nesta miserável situação, a culpa não é deles, é minha: não soube ler correctamente aquilo que me ofertaram!

O tal S. Tomás de Aquino que eu desprezava com 17 anos, quando lhe perguntaram por que estava mais grato a Deus, respondeu: “Por me dar a entender cada página que leio.”(in “Uma história da curiosidade”, Alberto Manguel)

Ontem estive a organizar “os meus papéis” aqui no “Jazigo”.

Dos meus registos: o primeiro livro que solicitei da minha biblioteca, estando detido a aguardar no “E.P. junto da P.J.”, para ser presente a juiz (Março de 2014) foi a “Arte da Guerra”, edição ilustrada, Sun Tzu. Durante três dias li e reli.

Já preso preventivamente, em “Ébola”, da biblioteca da prisão: “A metamorfose”, de Kafka.

Até à presente data li 117 livros, resultando desse exercício 324 fichas de leitura.

O professor Marcelo bate-me aos pontos, ele nem dorme!

Os meus livros salvaram-me. Deram-me força. Ajudaram-me a compreender e a entender os outros!

Que projecto pode ter alguém que vai estar encarcerado 5 anos e 6 meses?

Pergunto-me, agora, muitas vezes: “Com o que é que sonha o leão enjaulado?”

Sonhará com caçadas, com perseguições a presas velozes?

Como suportar isto? Como assimilar?

“Só após travessia da floresta, onde bem durou <<a noite que passei de pena inquieta>>, é que Dante pode iniciar a viagem que o conduzirá à compreensão da sua própria humanidade”.

Ah! Então é isto! E assim, quando a dúvida fere, eu saro e continuo: após consultar os livros!

Em 2014 foram os regulamentos, os estudos das prisões. Os que estiveram presos: Mandela, Soljenitsine, Luther King e claro, o “outro lado”: “Mein Kampf”, Adolf Hitler.

Desculpem o esquecimento! Muito importante: “A confiança no Mundo”, José Sócrates.

Este foi o último livro que li em 2014. Desejei ver se a “bota batia com a perdigota”! Não batia!

O contacto com o “sistema prisional português”! O que é isto, como pode ser tão mau? Porquê? Primo Levi conta-nos que certo dia, em Auschwitz, encontrando-se fechado num barracão, com sede (“morto de sede”) ao ver um pedaço de gelo pendurado, parte o pingente para aplacar a sua necessidade. Um guarda nazi ao ver o gesto tira-lhe o bocado de gelo. Levi: Warum? (“porquê?”); Guarda: “Hier ist kein warum!” (“Aqui não há porquês!”).

Se conhecermos, se lermos, tudo se relativiza. Isto sim é um “porquê” horrível!

Só  posso ter no meu “jazigo” cinco livros. A “Bíblia” está sempre presente!

“Abolir inteiramente qualquer forma de ensino religioso nas escolas públicas seria formar novas gerações com uma cultura deficiente e privá-las de um conhecimento básico para entender a sua História, a sua Tradição e saborear a arte, a literatura e o pensamento do Ocidente” (in “A civilização do espectáculo”, Mário Vargas Llosa)

Por isto mesmo é que eu, um pai agnóstico, coloquei a “ninhada” nas aulas de “Religião e Moral”! Os livros educam-nos e confirmam/reforçam as nossas convicções/ideias.

2016: a celebração dos 400 anos da morte do Mestre Shakespeare! Também Cervantes.

Li, na íntegra, as aventuras do “cavaleiro da lança inútil”, como o descreveu Jorge de Sena, sentindo-me como uma “lança inútil” nas mãos de terceiros! Nem sequer “cavaleiro errante”!

Quanto a Shakespeare, o segundo livro que desde o início não é substituído semanalmente, à semelhança da “Bíblia”: “Essential Shakespeare Handbook”, da “DK”.

Muitas vezes digo à “ninhada”: “O Pai é “Próspero”, isolado numa ilha com o seu tesouro, os livros; separado das suas “Mirandas” e do seu “Ariel” (o Jr.)”

Como vencer este tormento, esta triste “epopeia da derrota”? A “Ilíada” que cantou a cólera de Aquiles, o “Pélida” (a minha cólera); a “Odisseia”, 1200 hexâmetros que falam “do homem astuto que tanto vagueou”; a “Eneida”, poema no qual Eneias me sossegou: “A tudo suportai, Vos conservai / para os dias felizes que virão”.

E se a estas Musas dediquei a minha atenção, como não deliciar-me com as Tágides do nosso maior “Príncipe dos poetas”: “Cessem do sábio grego e do troiano / As navegações grandes que fizeram / Cale-se de Alexandre e de Trajano / A fama das vitórias que tiveram […] Cesse tudo o que a Musa antiga canta, / Que outro valor mais alto se alevanta”

Na íntegra, “Os Lusíadas”, onde encontrei aquilo que arduamente procuro alcançar aqui: “Nem me falta na vida honesto estudo, / Com longa experiência misturado” (canto X, est. 154)

Saber mais e melhor! Sopetear aquilo que a Vida nos oferece, seja doce ou amargo.

Compreender, assimilar, estudar o fenómeno, a condição, não só teoricamente mas também experimentando, mesmo que a experiência seja horrível.

Horrível 2017: a “Mãe Ju” faleceu! “Por favor, traz-me este fim-de-semana o meu Séneca: “As cartas a Lucílio”! Não esqueças!”

Séneca: “Mas, ó loucura humana, que planos grandiosos nós fazemos para esta nulidade que é a existência”. Planos para um “cozido à portuguesa” pela “Mãe Ju” cozinhado no dia em que eu saísse daqui?!? Esqueceste o teu Séneca, João de Sousa?

Como aguentar esta perda, esta ausência, como suportar o resto da pena aqui dentro sem a “Mãe Ju” lá fora? Séneca responde: “Na vida é como no Teatro: não interessa a duração da peça, mas a qualidade da representação!”

A pena vai terminar um dia, é certo, incerto é o nosso desempenho até lá chegar; assim sendo: dignidade, cabeça erguida mesmo na terrível adversidade que se abateu sobre mim, no dia 19 de Outubro de 2017!

Nestas alturas é fácil e reconfortante acusar a Fortuna. Não, nada disso, leiam a “História da minha vida”, de Giacomo Casanova (sim, esse mesmo): “Ai dos tolos que, atingidos pelo infortúnio, acusam a sorte quando deveriam acusar-se a si mesmos”. Escreve-o nas suas memórias, depois de estar preso em Veneza (numa cela que eu visitei)!

Está tudo nos livros, na minha biblioteca, no meu Universo: “Tendo em conta que Borges dizia que o universo era um livro e que imaginava o Paraíso <<sob a forma de uma biblioteca>>”(in “A biblioteca à noite”, Alberto Manguel)

Este fim-de-semana, amanhã, vai entrar, “Embalando a minha biblioteca”, do Manguel.

Prenda de anos da bela Rita, para a qual mando um beijo com saudade!

Beijos e abraços para todos aqueles – alguns, leitores deste espaço que não conhecia/conheço – que enviaram livros: todos li! Mas impõem-se um beijinho muito especial para a “Mattie” que ao longo destes 4 anos e 8 meses, ofereceu-me várias obras (presentemente menos, porque, felizmente, vai ter que comprar livros para a “leitorazinha” que está para “chegar”!). Obrigado a todos!

Os livros permitiram-me “descodificar” tudo isto a que me sujeitaram/sujeitam!

Observar este “mundo miserável” que é (desde 2014) o meu, à luz de La Fontaine, é um exercício delicioso! Tanta ratazana por aqui. Tanta galinha a querer comer raposas!

“Compreender tecnicamente” este fenómeno é gratificante: um “thanks” à Dra. Meghan M. Mitchell, do “Department of Criminal Justice and Criminology”, Sam Houston State University, E.U.A., pelo generoso gesto: o envio da sua tese de doutoramento sobre o “Código do Recluso”!

Voltando ao princípio para terminar: “Que projecto pode ter alguém encarcerado 5 anos e 6 meses?”; “Com o que é que sonha o leão enjaulado?”

Quando li na íntegra Homero, achei que era meu dever ler o que não li (estulto) quando estava no curso de Filosofia: a “Paideia”, de Werner Jaeger. Li da primeira à última página a “Formação do homem grego”.

Está lá a resposta! É o compos sui semper do anel. À transliteração: “enkrateia”!

“Enkrateia”: “Domínio de si próprio”, firmeza, moderação. Segundo Xenofonte: a “base de todas as Virtudes”. Muito difícil enquanto projecto pessoal, não acham?

Tenho falhado muitas vezes na prossecução de tão nobre empresa. Mas os livros auxiliam-me. A minha biblioteca é a minha âncora, o meu porto de abrigo, a minha conselheira, a luz nesta escuridão.

Quando fenece a minha resiliência penso no “prémio final para o corpo”, como dizia Camões: “O prémio lá no fim bem merecido / Com fama grande e nome alto e subido.”

Sim, porque é o “caminho da virtude alto e fragoso, mas no fim doce, alegre e delicioso.”

Imagino-me a sair daqui no dia 26 de Setembro de 2019, pelas 8h00, e, não um guarda, mas uma guarda-prisional que recentemente foi colocada aqui (com longos cabelos louros apanhados e olhar doce e sereno, num rosto desenhado qual ninfa da “Ilha dos Amores”) dizer-me como o disse Tethys dirigindo-se a Vasco da Gama: “Podei-vos embarcar, que tendes vento / E mar tranquilo, para a Pátria amada” (Canto X, est. 143)

Como podem ver está tudo nos livros… tudo menos o que tu e eu, a bordo da nossa “Caravela”, com a “ninhada” por tripulação (e quem mais no futuro se juntar) como dizia, tudo, menos o que no palimpsesto recém raspado e polido, vamos em conjunto, lado a lado, escrever!

 

 

 

 

 

“Paulatinamente a urdidura desfia-se!”

Liberdade daqui a: 325 dias!!!!

“Os dois guerreiros mais fortes são a Paciência e o Tempo.”    Lev Tolstoi

Nada é mais verdadeiro. Tolstoi foi Mestre!

Pacientemente, obedecendo ao Tempo que tudo e todos vence, aqui recluído, observo prazerosamente o partejar da Verdade.

Vejo, com gáudio – conquanto ainda não me permitam o alívio destes trabalhos a que me sujeitaram – dia após dia, semana após semana, mês ou ano após ano, confirmar-se muito do que neste espaço deixo escrito.

Os personagens (reais) que descrevo, a cujos actos relevo ofereço, surgem nos noticiários, nas “coisas da vida, detalhes do mundo”, com a verdadeira face exposta, oferecendo esclarecimento e comprovando tudo o que há 4 anos e 7 meses propalo, em directo, da “Rua do Esquecimento” para o Mundo (o microcosmo composto pelos meus Leitores!)

Poucos, mas bons – “Nós os poucos, os pouco afortunados, um grupo de irmãos”, “Henrique V” – se atentos ao fraco “engenho e arte” do meu português que em nada ajuda, podem concluir sem esforço que com Verdade venho escrevendo e que a razão assiste-me!

24 de Outubro de 2018, quarta-feira, 22h30. RTP3, programa “Grande Entrevista”. Jorge Silva Carvalho, o “super-espião”, entrevistado por Vitor Gonçalves. A entrevista teve como ponto de partida o lançamento do livro do Dr. Jorge Silva Carvalho, “Ao serviço de Portugal”.

20 de Outubro de 2018. Jornal “Sol”, edição nº 634: “Tancos. O “Sol” sabe que foi o à época director da Polícia Judiciária, Almeida Rodrigues, quem avisou o então director da P.J. Militar, Luís Vieira, de que estava sob investigação da P.J.”

No mesmo jornal (“Sol”): “Há quatro anos foi escolhido Carlos Alexandre para a fase de inquérito, este ano foi Ivo Rosa a ficar com a instrução da “Operação Marquês”. Juiz Carlos Alexandre pôs agora em causa a aleatoriedade do sorteio”

16 de Outubro de 2018. “Correio da Manhã”: “Rendeiro evita prisão se pagar 400 mil euros”

Comecemos pelo último. João Rendeiro, fundador e antigo presidente do Banco Privado Português, instituição que conduziu ao colapso, tendo em conta o douto Tribunal que este João em apreço não tem antecedentes criminais, reduziu a pena solicitada pelo Ministério Público (de 7 a 9 anos de prisão efectiva) para 5 anos de pena suspensa, após pagamento de 400 mil euros, uma vez que “o elevado padrão de vida e o facto de Rendeiro viver num condomínio de luxo em Cascais (Quinta do Patiño)”, permitirem dispensar essa quantia para pagar a liberdade!!!!

Conclusão: a Justiça (ou a liberdade, ou mesmo a “inocência”) compra-se, porque é bem vendável em Portugal! Um conselho de um criminoso condenado a pena efectiva, sem antecedentes criminais, mas, infelizmente, sem “fazenda” ou lucro resultante do crime praticado para comprar a “leveza” do braço forte da “Justiça Lusa”: se o fizerem, façam-no em grande!

Se viram e ouviram o Dr. Jorge Silva Carvalho, perceberam facilmente que o trabalho das secretas portuguesas não mantém uma relação de proximidade com a legalidade.

Infere-se também que muito do que se faz é com o aval e informado beneplácito da hierarquia, até ao momento em que tudo se “desfia” e a paternidade da “urdidura”, confortavelmente para alguns (costumadamente “os de cima”) revela-se incógnita.

Em sede de Julgamento, segundo o Dr. Jorge Silva Carvalho, o superior hierárquico negou conhecer os “procedimentos” de Silva Carvalho, faltando somente, credibilizando desta forma, religiosamente, o seu testemunho, pronunciar um sentido: “Vade retro, Silva Carvalho!”

Com facilidade poderia agora estabelecer um paralelismo com aquilo que sucedeu no meu Julgamento, mas não é válido: eu fui condenado a 5 anos e 6 meses de pena efectiva porque no futuro um laboratório forense ofertar-me-iam; o Dr. Silva Carvalho foi condenado a pena de 4 anos e 6 meses, suspensa na sua execução, ainda que com contrato assinado com a “Ongoing”, não “contrato-promessa”, mas trabalho efectivo!

O Dr. Silva Carvalho escreveu o seu livro socorrendo-se do “condicional”, a fim de evitar incómodos futuros com a Justiça, nomeadamente com a “violação de segredo de Estado”. É um artifício que devo observar e emular, ainda que no exercício das minhas funções nunca tenha “lidado” com segredos de Estado, somente fui testemunha do estado da “P.J.” que sempre foi segredo por todos bem guardado!

Quanto ao “super-juiz” Carlos Alexandre, que recusa o epíteto mas secretamente deleita-se com o adjectivo (é notório), confirma-se tudo o que Vos deixei neste espaço. Após o mesmo ser o responsável pela fase de Instrução do meu processo-crime, conheci de facto o personagem!

O seu desempenho (texto: “Asininos Desempenhos”), a sua personalidade (texto: “Alexandre, o Pequeno Beato”) e a sua auto-sugestão de equidade ética e incorruptabilidade (texto: “A perigosa comicidade do “super-juiz”, Dr. Carlos Alexandre”) podem ser agora lidos a outra luz, à luz do que Carlos Alexandre tem dito e feito!

Relativamente à “aleatoriedade do sorteio electrónico”! 3 anos e 8 meses a “sair-me”, após sorteio electrónico, a 9ª Secção do Tribunal da Relação de Lisboa, para apreciação dos meus recursos: acho que está tudo dito!

E assim chegámos, paulatinamente, à Polícia Judiciária…

Setembro de 2016. Leio, no Tribunal do Seixal, perante um colectivo de Juízes, as minhas últimas declarações em sede de Julgamento (publicado o teor das declarações no texto deste blogue, “Últimas Palavras”)

Dois parágrafos somente: “A gestão da informação com colaboradores ou mesmo amizades é comum, ainda que o normativo interno e a Lei penalizem e condenem o acto”.

“O Inspector que negar pesquisas e troca de informação no desempenho das suas funções, está a contrariar a realidade, é incompetente ou está a ocultar algo!”

A Coordenadora-Superior Maria Alice Fernandes e os meus colegas que realizaram a investigação do meu processo-crime, sob juramento, garantiram que nenhum Inspector consulta a base de dados da P.J. sem ser no âmbito de inquérito distribuído!

Sob juramento, declararam que somente o departamento de comunicação da P.J. contacta com a imprensa!

Sob juramento, asseguraram que ninguém na P.J. troca informações com elementos pertencentes ao “submundo do crime”!

Eu acrescentei que na realidade, comprovadamente, só dois elementos da P.J. violaram o segredo de funcionário/Justiça: eu, João de Sousa, e, como escreveu o primeiro-ministro, Dr. António Costa (confirmando presentemente o que declarei em 2016), o Dr. Fernando Negrão, Director da P.J., corria o ano da graça do Senhor de 1999.

– Ninguém, meritíssima, até prova em contrário, até estarem sob escuta… talvez… ninguém na P.J. viola o segredo de funcionário/Justiça como eu o fiz! – em sede de julgamento.

Está gravado. Declarei-o em Tribunal. É escrutinável!

“Almeida Rodrigues terá sido apanhado numa escuta no âmbito da investigação Húbris”; “O aviso dado pelo então director da P.J. aos arguidos […] aconteceu em Dezembro de 2017” (in jornal “Sol”, 20 de Outubro de 2018)

Como disse o príncipe dinamarquês: “Ó minha profética alma!”

Justifica-se deste modo a prática do meu crime (violação de segredo de funcionário)?

Claro que não! Não devia ter sido condenado porque o meu Director Nacional e/ou outros o fizeram/fazem? É óbvio que não!

Mas (e o adversativo impõem-se) importa perceber o porquê de a uns ser dada cobertura e a outros ser negada a justificação ou apontar-se o facto/acção (de todos conhecido e até superiormente incentivado) como prova de corrupção!!!!

Almeida Rodrigues vê-se agora no ponto mais baixo da revolução da Roda da Fortuna.

A roda rodou e o facto de terem ficado questões por colocar ao Eng. José Sócrates no âmbito do processo “Freeport”, acrescido do pornográfico período de tempo em que a Coordenadora-Superior Maria Alice Fernandes manteve o inquérito parado, assim como os relatórios perdidos ou alterados e as diligências travadas, tudo isto com o consentimento informado do Dr. Almeida Rodrigues, quiçá toda esta urdidura, no momento em que a deusa faz girar a inexorável roda, tem de ser duramente cobrada!

Jorge Silva Carvalho, no condicional, afirma que os métodos dos Serviços Secretos não obedecem à Lei; eu garanto-Vos, preto no branco, que foram muitas as vezes em que a Lei foi esquecida na P.J., para se cumprir a Justiça!

Esquecida por mim, atenção! Nunca pelos meus colegas ou superiores hierárquicos, à excepção da Coordenadora-Superior Maria Alice Fernandes e do agora também Coordenador-Superior, Pedro Fonseca, ambos quadros superiores da P.J. que coordenavam o meu trabalho/desempenho.

Ainda das minhas últimas declarações, em 2016: “A avaliação de V. Exa. atenderá ao exemplo de um homem médio, segundo as regras da experiência comum […] um Inspector da P.J. não age como o homem médio, tem a obrigação profissional de não o fazer, foi treinado para não o fazer […]”

Reconheço que isto é muito perigoso: tornamo-nos facilmente em investigadores, Juízes e Carrascos! Tudo o que fiz no desempenho das minhas funções não o fiz somente porque me mandavam os Coordenadores referidos. Muitas vezes os contrariei, quase sempre a iniciativa foi minha porque eles não sabiam o que fazer! Mas esta é a realidade: deram cobertura ao realizado!

Não existe qualquer tipo de controlo exterior, ninguém “guarda os guardiões”.

Somente quando se “zangam as comadres”, porque interessa calar ou porque a facção contrária subiu e agora é altura de pagar, só nestas ocasiões todos Vós conhecem um pouco do que vai dentro do convento.

Desde Agosto de 2015 que existe um processo disciplinar interno na P.J., no âmbito do qual fui inquirido como testemunha, porque denunciei uma investigação coordenada pela Sra. Maria Alice, na qual sujeitaram uma menor a novo abuso sexual com o objectivo de prender o abusador. Tudo com o conhecimento da P.J., tudo industriado pela P.J.!

Sabem qual foi o desfecho? Nem eu! “Tempo” e “Paciência”, os mais fortes guerreiros. Eu sou obrigado a esperar mas não esqueço, e recuperarei tudo sem recurso ao “condicional”.

Surpreendidos porque o Dr. Almeida Rodrigues avisou alguém, via telefone, violando o segredo de funcionário/Justiça? Já esqueceram a vergonha que foi a entrega do Pedro Dias, através da Sandra Felgueiras?

Esqueceram que de uma entrevista de 2 horas, realizada aqui em “Ébola” pelo “Sexta às 9”, só 2 minutos passaram, “associando-me” ao “Dia Internacional do Combate à Corrupção”, aparecendo o Dr. Almeida Rodrigues a refutar tudo o que eu disse mas que não foi transmitido?

Tempo e Paciência!

Faltam agora 11 meses para sair daqui. Depois será currente calamo (“ao correr da pena”) pois desnecessário se torna pensar muito, a Verdade, mais do que a Mentira, corre veloz se ouvidos (neste caso olhos) lhe oferecerem.

Depois é agir, sem condicional.

José Cardoso Pires escreveu: “Quando um país não dá para agir, contentamo-nos em pensar”. Aqui fechado muito tenho pensado; muito tenho visto e ouvido quem não pensa, quem fala sem saber, sem conhecer. Está na hora de agir e, realizando serviço público (como disse o Dr. Jorge Silva Carvalho) relatar-Vos-ei informando (objectivando melhorar a Instituição) o que eu fiz ao serviço da P.J. e de Portugal (recorrendo pouco ou nada ao “condicional”).

 

“Contagem decrescente para a Liberdade!”

Liberdade daqui a: 360 dias!

Duas notas prévias:

Iª – No dia 10 de Setembro de 2018, publiquei neste espaço um texto sobre o “Caso Luís Grilo”.

Na quarta-feira, dia 26 de Setembro de 2018, nos vários canais da TV noticiava-se, em “última hora”, a detenção, por parte dos investigadores da P.J., dos presumíveis autores do homicídio do triatleta.

Como deixei no opúsculo “O dizer e o “saber-fazer””: “[…] os elementos da P.J. tudo vão fazer para resolver o caso com a máxima dedicação e esforço pessoal, apenas condicionados pela sua formação e “experiência não pensada”[…]”. Assim foi. Excelente trabalho: célere. Dignificada a instituição, todos nós fazemos votos para que até ao final do julgamento tudo decorra como devido, para que se faça justiça à vítima.

Parabéns à Polícia Judiciária mas, muito importante, salvo melhor opinião em contrário (que o prove) o que escrevi continua válido e actual!

 

IIª – O Juiz Ivo Rosa, após sorteio electrónico, vai presidir à Instrução do processo-crime conhecido por “Operação Marquês”. Estimados(as), não vejam como uma cabala do P.S., a intervenção de José Sócrates, o dinheiro do Espírito Santo ou  qualquer outra coisa menos clara, a razão pela qual (eventualmente) possam “caír” crimes, sejam revogadas diligências ou “tudo cair por terra” e não existir sequer julgamento! Agora sim, um Juiz dos Direitos, Liberdades e Garantias, um Juiz equidistante do Ministério Público e da defesa dos arguidos, vai presidir à Instrução e de forma isenta aplicar a Lei! Vamos aguardar para ver; vocês aí em liberdade, eu aqui (ainda) recluso!

O tema desta semana: “Contagem decrescente para a Liberdade!”

Reparem que a contagem que Vos deixo todas as semanas encontra-se agora a vermelho!

Liberdade daqui a: 360 dias!!!! Menos de um ano para sair daqui para fora!!!!

Quem lê com atenção os textos que aqui vou deixando, com toda a certeza reparou que enganei-me nas contas para o final da pena! Só verifiquei o erro quando estava em casa a redigir o texto sobre o meu aniversário: estava a tirar uma semana à pena! É compreensível. É a ansiedade!

Corrigido o “irritante cronológico”, posso hoje gritar do interior da minha “cela-jazigo”:  Falta menos de um ano! Faltam 360 dias!!!!

Uma breve pausa no êxtase eufórico para que possa, de certa forma, consolar os meus!

De facto faltam 360 dias para o final da pena: 26 de Setembro de 2019.

Conquanto assim seja, não deixa de existir a hipótese de, em Dezembro deste ano, daqui a 3 meses, eu, após ser ouvido pelo Juiz do Tribunal de Execução de Penas de Évora, ir para casa, em liberdade (ainda que condicional porque ficarão a faltar 9 meses para o final da pena)!

Não pensem que desejo por aqui ficar mais 9 meses. Acreditem que ninguém mais do que eu precisa de estar com a Leonor que este ano vai começar a estudar Filosofia. Eu, mais do que ninguém, desejo explicar à Helena, serenamente e não durante a visita, o porquê das pessoas morrerem, e, extremamente importante, explicar ao Jr. que as “maminhas” das meninas e das senhoras não são para tactear sempre que nos apetece! Lamento junto das visadas, aqui, publicamente garantindo-Vos que não foi com o Pai que ele aprendeu a fazê-lo. O Pai pergunta primeiro (sempre): “Por obséquio, não se importa?” (“private joke”!)

Assim sendo, e contando somente com aquilo que de mim depende, falta menos de um ano para eu sair daqui!

“4,3,2,1…” Caminho agora para o final da aventura. O filme de terror está a terminar.

Sem minimizar a gravidade do sucedido, a terrível mácula de ser condenado pela prática de um crime de corrupção, a derrota, a dor, o frio, a fome, a irreparável perda, mesmo assim e por tudo isto, chamo-lhe “aventura”, a “agridoce aventura”!

Recorro novamente ao maior psicólogo de todos os tempos: William Shakespeare. “Ricardo II”. Bolingbroke, futuro Henrique IV, exilado por Ricardo II, despede-se do seu pai. Este, o velho John of Gaunt (e “Gaunt” pode ser traduzido por “muito magro” ou “desolado”, referindo-se a lugar, mas também pode significar “Gauntlet”, ou em português “Guante” que significa “luva de ferro da armadura”, e no seu sentido figurado “autoridade, severidade, rigor”) tenta reconfortar o filho pária:

– Tua dor é só ausência de algum tempo. – o pai, John of Gaunt

– Sem alegria, é dor todo esse tempo – o filho, Bolingbroke

– Seis invernos que são? Passam depressa – John of Gaunt

– Para quem é feliz; mas a natureza transforma uma hora em dez! – o pária, futuro rei.

Já passaram quatro invernos e está a chegar o quinto! Durante estes quatro invernos, durante todas as horas dolorosas, sofridas, nunca uma hora se transformou em dez. Recordo a ocasião em que fui à P.J., já preso, e uma colega administrativa, depois de lhe responder à sua pergunta, sem qualquer “maquilhagem”, sem tentar parecer corajoso ou duro, disse-me:

“Pois, para ti é fácil, tens formação em Psicologia!”

Estes invernos passados têm sido dificílimos, mas existe, arrisco mesmo dizê-lo, alegria, uma satisfação pessoal ao experimentar todo este fel.

A alegria não a sinto porque aqui estou, isso seria loucura, creio que a alegria é consequência do facto de ter “estado e sido” como ainda me encontro!

Pode parecer-Vos um pouco enigmático ou até contraditório, mas na realidade é muito simples! Ele, o Bardo, melhor do que eu colocou-o. Da mesma tragédia, “Ricardo II”.

O rei Ricardo, agora “em queda” porque Bolingbroke regressou para reclamar a coroa, é admoestado pelos seus conselheiros que o observam desesperado:

– Milorde, os sábios nunca se detém para chorar seus males, mas atalham, resolutos, o passo às amarguras. Recear um inimigo, já que o medo oprime toda a força, é dar mais força ao inimigo, à custa da fraqueza que revelais. Assim, vossa loucura luta contra vós próprios. Mostrai medo, e morto já estareis. Pior não pode suceder num combate.

Pobre de mim, se não existisse o Grande Mestre Shakespeare!

A alegria reside no facto de me ter conduzido ao longo destes quatro invernos “atalhando, resoluto, o passo às amarguras.” E, apesar de ter por inúmeras vezes experimentado o medo, esse monstro insidioso cerceante, os valores da Família, o Amor da Família, a Lealdade e Devoção dos Amigos, deram-me Coragem para ultrapassar e vencer o opressor Medo!

Falta menos de um ano e, com toda a certeza, ouvirei de novo que dois indivíduos violaram uma mulher inconsciente e foram condenados a quatro anos e meio de pena suspensa! Eu, terrível corrupto, já levo nas costas (perdoem-me a boçalidade: e no fundo das costas!) quatro anos, seis meses e cinco dias de pena efectiva!

Continuarei a ouvir durante os 360 dias que faltam que o Dr. Armando Vara ainda aguarda esclarecimentos do Tribunal da Relação!

Verei ainda um Procurador do Ministério Público que confessou a prática de crimes de branqueamento de capitais e fraude fiscal, ser condenado a pena suspensa porque os seus pares do Ministério Público não pediram condenação com cumprimento de pena efectiva!

A tudo isto, prevejo, vou assistir. Recluído, a cumprir a totalidade dos meus cinco anos e meio de pena.

Um recluso, enorme, do tamanho da “Godzilla”, disse-me quando aqui cheguei: “Dois anos de prisão é uma lição; mais do que isso é degradação humana!”

Não concordo! Estou a aprender muito, sobre mim e sobre os outros: intelecção universal da essência das coisas humanas!

Falta menos de um ano, agora é sempre a descer! Mas não se pode facilitar porque aqui a mediocridade é farta, e na floresta existem presas e predadores, assim como caçadores e armadilhas, logo, como nos ensinou Maquiavel, temos que ser raposas para evitar as armadilhas, e leões para destruir os inimigos. É a lei da selva e eu estou a aprender!

Faltam somente 360 dias! Daqui a 360 dias já não me obrigam a baixar a cuequinha, a expor o “Elvis” e demonstrar que nada trago introduzido no orifício anal aquando do regresso da “precária”. Como se fosse possível introduzir algo em tão imaculado orifício, enquadrado por duas partes carnudas que formam a minha parte posterior, tonificadas pelo treino, semelhantes à cútis suave da face de um bébé!

Daqui a 360 dias, não vou obrigar-me, jamais, a deglutir o “vegetariano da prisão”: feijão com arroz, arroz com feijão, abóbora com feijão e arroz, arroz com feijão e cenoura, fritos com arroz, fritos com feijão, e, claro, fritos com feijão e arroz!

Daqui a 360 dias, não mais partilharei o meu espaço e tempo com o pedófilo que violou a própria filha numa esquadra onde trabalhava.

Daqui a 360 dias, não vou ter que condescender com faltas de profissionalismo, urbanidade e bom senso.

Daqui a somente 360 dias… vou agarrar-me à “ninhada” e aos meus e chorar, chorar tudo o que tenho retido e contido, chorar de alegria, de tristeza. Daqui a 360 dias, finalmente passados cerca de dois anos, farei o luto da “Mãe Ju”: até ao momento não foi possivel, estou em luta!

Ainda falta menos de um ano, estou aqui há 4 anos, 6 meses e 5 dias, e, ainda que Vos possa parecer estranho, continuo feliz! Não negociei nada, nada vendi ou alienei. Sairei cheio de cicatrizes (no peito, nada nas costas) todo torto, mas feliz e orgulhoso. Somente 360 dias…

Para a semana este espaço faz 4 anos! Para a semana, no mesmo dia, um dos meus maiores amores, uma das três melhores partes de mim, a bela Helena, faz 12 anos!

Para a semana faltarão menos de 360 dias, é sempre a descer! Daqui a sete dias relatar-Vos-ei como foi, melhor, mostrar-Vos-ei! Pois é, é isso mesmo: agora é sempre a descer e com balanço! Até para a semana!