“Probidade”

As palavras são importantes, o seu significado importa mas são as acções, os actos que realmente definem alguém, um homem, uma mulher ou um pais!

Probidade! Trata-se de um substantivo feminino que significa a observância rigorosa dos deveres, da justiça e da moral.

Se falarmos de probidade administrativa, trata-se da honestidade e rigor que deve existir na administração ou na função pública (definição ofertada por qualquer dicionário).

Esta semana que passou de muito se falou e raras foram as vezes que conseguimos ter um vislumbre da Sra. Probidade!

“Caso E-Toupeira”

O Juiz Rui Teixeira afirmou que a investigação (Polícia Judiciária) seguiu um “raciocínio tipicamente policial”, acrescentando que o Ministério Público não reuniu provas para acusar a SAD do Benfica uma vez que fundamentou a sua acusação no seguinte: “parece que”, “suponhamos” e “é da experiência comum”.

Esclarece ainda o Juiz Rui Texeira, no seu acórdão, que o raciocínio dos investigadores/Ministério Público era do tipo: “só faz sentido “A” agir desta forma porque era do interesse de “A” e “B”, donde pela normalidade da vida…”

Estimados(as), todos Vós que acompanham este blogue podem imaginar o que estou a sentir neste momento!

Eu escrevi aqui sobre isto! Eu chamei os “bois pelos nomes”, descrevi como se investigava e quem investigou este caso, levantei o “véu” e apresentei-Vos a criatura que foi responsável pela coordenação da investigação!

Mas mais do que isso, o que me causa uma certa urticária (eufemisticamente escrevendo) é o facto de um Juiz doutamente (e sem ironias) ter redigido um acórdão onde denuncia o que de muito mau existe nestes “pratos por encomenda”!

O que me causa um transtorno brutal é ter sido condenado pela prática de um crime de corrupção passiva, na forma de uma promessa de vantagem patrimonial futura, ou seja, ninguém me comprou, ninguém me deu nada, o que fez foi prometer-me algo no futuro – um laboratório de Ciências Forenses completamente equipado, só para mim!!!

O que me faz uma certa impressão é o facto de ter sido condenado a pena efectiva (5 anos e 6 meses) ter cumprido 4 anos, 8 meses e 22 dias e, pasmem V. Exas., nos últimos cinco anos e meio fui o único português (ou estrangeiro) a ser condenado pela prática de um crime de corrupção em Portugal!

Nos últimos 5 anos e 6 meses, ninguém foi condenado e quem condenado foi, com dinheiro na conta e o que mais existiu (existe), foi condenado a pena suspensa!!!!

Quando o Engenheiro José Sócrates (esse “Mandela” português presumivelmente autor de crimes de corrupção e afins, considerado inocente até prova em contrário) esteve comigo no E.P. de Évora, dizia-me: “João, não o podem manter aqui mais tempo em preventiva, é uma canalhice!” 

Estive lá 3 anos e 4 meses sem ver casa, mulher e filhos!

Depois, cumpri mais um ano e quatro meses. Durante todo este tempo, o José, o Ricardo e agora, vergonha das vergonhas, o Exmo. Juiz, Dr. Rui Rangel, ainda estão à espera de Godot:

“Pensavam que eu era o Godot?”

Não senhor, nunca nos passou pela cabeça.”

Quem é que ele é?”

Bom, é um… é uma espécie de conhecido.”

Ousem estragar a obra de Beckett, substituam “Pozzo” por “Manel” e “Estragon” por “Quim”, os bacanos lá do bairro!: têm nas mãos a resplandecente, ainda que podre, realidade da justiça portuguesa.

“Recurso da Operação Marquês nas mãos do Juiz Rui Rangel”

O que é isto? Ou como dizia o saudoso Fernando Pessa: “E esta, hein!?!”

Assim acontece porque já passou mais de um ano e a suspensão do Juiz é só por 12 meses, independentemente de existirem fortes suspeitas da prática de crimes, gravíssimos (v.g. Corrupção), por parte de Rui Rangel!!!!

“Queixas de corrupção são arquivadas em 94% dos casos”

Eu sou um azarado! Como cantavam os saudosos “Mamonas Assassinas”: 

Eu sou cagado, vejam só como é que é,

Se der uma chuva de Xuxa no meu colo cai

Pélé.

É como aquele ditado que já dizia,

Pau que nasce torto mija fora da bacia!” 

Só o meu é que não arquivaram, só o meu, no qual não existia prova, apenas este raciocínio lógico-dedutivo da treta: só faz sentido “A” agir desta forma porque era do interesse de “A” e “B”… donde pela normalidade da vida não fiquei com a “Xuxa” que todos estes têm andado a chuchar: o erário público, o tesouro do Estado, as finanças públicas!!!

Meus Amigos(as) e outros, estou a duas semanas de acabar a minha liberdade condicional. 

Não tenho o extenso património, o pornográfico património que não era compatível com a minha condição de funcionário público!

As minhas contas são as mesmas, a minha casa a mesma, o meu carro o mesmo.

Não estou na Ericeira. Não faço férias na Suíça. Digam-me, desafio-Vos: onde esta a minha corrupção!

Por favor, respeitem a inteligência dos envolvidos, pelo menos a minha: vão afirmar que estou bem condenado porque prometeram-me um laboratório forense, no futuro, completamente equipado, só para mim, para derrubar o laboratório da Polícia Judiciária e o Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses?

Por favor, um pouco de probidade! 

Observem, rigorosamente, os deveres de Justiça e Moral e se não conseguirem, pelo menos os “mínimos para os Jogos Olímpicos”!

Atentem: “Um Juiz suspeito de favorecimento, da prática de crimes de corrupção, a avaliar recursos de suspeitos da prática de crimes de corrupção?

Onde é que chegámos? Do sítio de onde nunca partimos?!?

Daqui a duas semanas vamos todos votar, escolher aqueles que nos vão governar (ou desgovernar). 

Pensem nisto que Vos deixo. Não interessa o João De Sousa ser inocente ou culpado, já foi, é oficialmente corrupto, o único em Portugal nos últimos cinco anos (ou mais) agora a terminar a sua reinserção, pensem só nos exemplos que Vos deixei, debrucem-se um pouco sobre o que venho escrevendo e, no dia de votarem, lembrem-se de outro maior que eu e que escrevia muito melhor (ainda que Onésimo Teotónio Almeida afirme que o “mestre da ironia” nunca tal frase escreveu) o nosso Eça:

Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos a tempos pelo mesmo motivo.”

Anúncios

“Estou de Férias mas…”

Estou de férias, acabei uma opípara refeição, o meu Sporting (ninguém é perfeito) começou agora a jogar, a “Ninhada” está disposta em completo caos em frente ao televisor, o meu corpo ainda está quente de todo o Sol que apanhou hoje na praia mas…

… mas tenho de escrever, tenho de “dizer-Vos”: tudo isto é uma vergonha!

Há dias enviaram-me o seguinte apontamento jornalístico: “BES já custou 5.000 milhões ao Estado. Ninguém foi preso ou julgado.”

Na mesma notícia lia-se: “Cinco anos volvidos após ter sido desvendada a maior fraude e pirâmide financeira da nossa história, ninguém foi preso ou sequer julgado”

Entretanto, ainda nesta semana que passou, faleceu o Dr. Alexandre Soares dos Santos.

Elísio Alexandre Soares dos Santos foi um empresário, um filantropo, tendo sido distinguido, ainda em vida, com a Ordem do Infante D. Henrique, a Ordem do Mérito e a Ordem do Mérito Empresarial.

Depois de morto é agora reconhecido por todo e qualquer indivíduo que por cá tenha ficado.

Os meios de comunicação nacionais repuseram na sua grelha televisiva entrevistas ao falecido empresário filantropo. Vi e ouvi o Dr. Soares dos Santos afirmar: “O que vou dizer vai dar bronca mas em Portugal não há democracia!

Acrescentou ainda: “O Sócrates ainda anda aí… ninguém é condenado por corrupção, somente o Vara!”

Alto! Temos de corrigir o falecido! Armando Vara não foi condenado pela prática do crime de corrupção!

O único cidadão português que nos últimos 5 anos foi detido, julgado e condenado pela prática de um crime de corrupção foi este Vosso infeliz e fraco escritor de opúsculos: eu, João De Sousa!

Se tenho orgulho? Claro que não! Tenho é vergonha da Justiça que o Estado realizou com o “Pai da Ninhada”, o Inspector da Polícia Judiciária!

Eu fui detido, preso, julgado e condenado a 5 anos e 6 meses (os seis meses são uma pérola, um preciosismo, um artificialismo para não ser possível a pena suspensa) porque prometeram-me um laboratório de Ciências Forenses para acabar com o laboratório da Polícia Judiciária e o então Instituto de Medicina Legal. Uma promessa a cumprir-se no futuro! Uma promessa de vantagem patrimonial futura!

Então e estes meus “concidadãos de primeira”, estes “senhores” impolutos com o colarinho branco sujo, estes “ex-disto e ex-daquilo”, “donos-disto-tudo-e-só-de-alguma-coisa”, como é que é?

Em 5 anos, o “super-juiz” não conseguiu nada?

Em 5 anos, o “super-Procurador” nada conseguiu?

Em 5 anos, a Polícia Judiciária não consegue prender, acusar ou contribuir para a condenação de ninguém? Nem sequer dos outros que também fazem parte da P.J., como o ex-Inspector João de Sousa?

Afinal, o corrupto sou eu? Sim, porque transitou em julgado e todos os meus recursos foram recusados! Mas será que é mesmo assim?

Onde está a minha riqueza? Onde está o estilo de vida acima das minhas possibilidades enquanto funcionário público?

Onde está todo o dinheiro que os meus ex-colegas afirmavam que eu recebia? Está bem, esqueci-me, perdoem-me: era só uma promessa!

Tenham vergonha!

Estou a 1 mês e 7 dias de acabar a minha liberdade condicional e ainda ninguém foi sequer julgado? Tenham vergonha!

Alexandre Soares dos Santos, 84 anos, filantropo, assertivo, corajoso!

Medina Carreira, 86 anos, arauto da desgraça (afirmavam alguns) crítico feroz das finanças públicas portuguesas, da educação, da justiça, alertando para a inexistência de políticas contra a corrupção!

Depois de mortos, sábios homens, faróis que sempre orientaram os cegos que por cá moram.

Tenham vergonha!

A pouca vergonha vai continuar, ninguém é condenado em Portugal pela prática do crime de corrupção… quer dizer… eu fui… eu, o único cidadão português condenado por causa de uma promessa de vantagem futura… eu, que… esperem!

Esperem um pouco…. O Sporting marcou!!! Que grande gritaria vai por aqui… eu vou dizer mais mas hoje não, hoje estou de férias e o Sporting está a ganhar!

Boas Férias para todos Vós!

“Quando o Povo não quer saber ou lembrar… Portugal não avança!”

No seguimento da entrevista que dei ao Grupo Impala e que pode ser vista no Portal de Notícias Impala News (https://www.impala.pt/reportagem/para-la-das-grades-das-prisoes/), publicada a primeira parte a 2 de Agosto e a segunda a 3 de Agosto de 2019, reuni com uns amigos.

Alegre tertúlia,  “Do Tio Patinhas à Bíblia” como foi baptizada, falou-se da minha entrevista, das condições das prisões em Portugal, do recluso José Sócrates, do Sócrates “verdadeiro” e da sua prisão/execução, assim como das eleições que estão aí à porta!

A certa altura, um dos “tertulianos” questionou-me sobre o recluído José Sócrates: “Como era? Como é que o tipo se dava com aquilo tudo? O sujeito de certeza que colocou toda a gente em respeito e exigiu o cumprimento da Lei. Lutou por melhores condições, claro?”

Como nós somos, pensei eu! 

Este “tertuliano” é um indivíduo com formação superior, doutorado, respeitado na sua esfera pessoal e profissional, com forte contributo e participação em causas cívicas.

Atendendo ao que narrei relativamente ao “Sócrates luso”, rebentou uma discussão brutal, algo somente visto quando o João da Ega arremessou-se de punhos fechados contra o poeta Tomás de Alencar!

“Então o Socialismo não vale nada!?”; “E o Ortega y Gasset?!?! Um homem é um homem e a sua circunstância!”; “Sem verniz, sem regras, na prisão é que se veem os homens!”, berrava outro “tertuliano”, um que nunca esteve preso!

Esta alegre tertúlia fez-me pensar: quando o Povo não quer saber ou lembrar, infelizmente, Portugal não avança.

E para que todos saibam ou relembrem, repesquei um texto com 4 anos, 8 meses e mais alguns dias (6 de Dezembro de 2014), quase tantos quantos aqueles que por lá passei, deixando-Vos aqui outra vez o opúsculo porque daqui a dois meses vamos todos votar e é importante saber e não esquecer:

Ainda bem que prenderam o José Sócrates porque Évora ganhou nova atracção turística. Consequentemente aumentou a procura de quartos, ganhou novo fôlego a restauração – pelo menos a “fast-food” – mas muito mais importante que tudo isto, ainda bem que prenderam o José Sócrates porque agora a nossa Justiça é mais publicitada, logo alvo de maior escrutínio e atenção.No rescaldo do “caso Casa Pia” verificou-se uma alteração legislativa substancial relativamente às regras das intercepções telefónicas. Mui alta e digna gente foi escutada de forma desenfreada e tal não pode ser.

Com o recluso 44 vamos esperar que o instituto da prisão preventiva mude.

Se o comum cidadão passar pelo que tem passado o José alguém se vai importar grande coisa? Depois do Sócrates com certeza!

Caro(a) Leitor(a), acredite em mim, vai mesmo existir um marco na Justiça portuguesa: o antes e o pós prisão preventiva José Sócrates Pinto de Sousa!

O extravagante advogado do engenheiro – julgo ser estratégia, julgo que o senhor advogado leu Gil Vicente e sabe que só “Joane, o parvo”, conseguiu o céu – todos os dias sem nada falar vai dizendo tudo, o que nem é relevante porque o que ele não diz Sócrates grita ao mundo!

José passa por cima das regras do estabelecimento prisional: telefona o tempo que quer, fala com quem quer, não acata ordens de ninguém, considerando ser seu dever moral assim agir porque é um preso político alvo de canalhice!

Vasco Pulido Valente na sua coluna de opinião do jornal “Público”, datada de 30 de Novembro de 2014, escreve:

“Alguém lhe terá de explicar que não foi preso pela pide, a KGB ou a Stasi por razões políticas. E que, pelo contrário, a Judiciária e um tribunal civil independente o puseram em Évora por suspeitas de que ele é um criminoso.”

Está muito bem dito, à excepção da referência à Polícia Judiciária porque, como já escrevi antes neste “blog”, a P.J. não tocou na massa!

José Sócrates julga-se Napoleão Bonaparte em Stª. Helena.
Fala sobre filosofia política com o tipo da P.J. que bateu no P.S.P. ( fala só com este porque terá estudos como lhe informou o director do S.E.F. antes de ir para casa com a pulseira electrónica).

Sócrates não quer a pulseira electrónica: “Nada disso, pá! Eu estou inocente!”
Sócrates é altivo. Sócrates afasta os outros reclusos que o incomodam dizendo:

– Ó homem deixe-me!

“O homem superior é impassível por natureza: pouco se lhe dá que o elogiem ou censurem, ele não ouve senão a voz da sua própria consciência.”
(Napoleão Bonaparte)

Sim! Claro! Para o José o José Sócrates, ele próprio, é superior!

Sócrates acaba a sua refeição no refeitório da prisão e não arruma a sua cadeira. Sócrates paira sobre a ralé, mas o guarda avisa-o.

Também é de Napoleão a frase:”Do sublime ao ridículo é só um passo.”
Mais do que ridículo porque José não percebe onde está, é uma questão de berço, de etiqueta, de educação – após levantar, arruma-se a cadeira!

Perturbação do inquérito. O que é isso para o José? “Não me vão calar”, diz rangendo os dentes. “São todos uns canalhas.”

Chegou-me que num destes dias da semana que passou, Sócrates foi chamado ao director do estabelecimento prisional. Um guarda foi o mensageiro da solicitação feita pela autoridade máxima do local.

Diz quem viu que o engenheiro saltitando ora num pé, ora noutro, sem sair do mesmo sitio, terá tido semelhante tirada: “Agora não. Diga ao director que agora vou fazer o meu treino!”

José Sócrates vive o seu próprio mito. Sócrates, possivelmente em estado de choque (fase de negação) não reconhece ou não quer reconhecer onde está. Não sabe que o estado de graça terminará, não percebe que muito em breve será somente o José, o “44”, e que o jogo político não se realizará com as regras do parlamento mas sim com as regras do pátio da prisão.

Sócrates define-se como um animal feroz, mas no meio onde está agora inserido cada vez mais confunde coragem com ignorante temeridade, postura com arrogância, vaidade com desmedida jactância.

Sócrates não é um leão. Sócrates é um assustado e pequeno diabo de Tasmânia.
Sócrates quer ser águia mas na prisão existem pombos que comem o pão molhado que os reclusos colocam junto ás suas janelas gradeadas – ratazanas aladas que se devoram quando o pão acaba.

Sócrates, o engenheiro, recluso, notícia do momento, luta desesperadamente para não o colocarem a residir na Rua do Esquecimento.

José Sócrates tem de recuperar os ensinamentos de Maquiavel, tem de assimilar que se não encerrar em si a “Virtú” está perdido, pois a “Fortuna” claramente virou-lhe as costas!

“Afinal o que é isto? Justiça à la carte!?! Ou algo mais?”

Quando, muito novinho, fui colocado na Direcção Central de Investigação ao Tráfico de Estupefacientes (DCITE) da Polícia Judiciária, o nome Franklim Pereira Lobo era algo inominável, assim como o “Lord Voldemort” da saga “Harry Potter”.

“O pulo do Lobo”, a fuga do Franklim como ficou conhecida, era um tema tabu, envolto em densa névoa (“cortinas de fumo”?).

Condenado a 25 anos de prisão efectiva, aquele que era considerado o maior traficante português mas também, segundo alguns colegas, o maior informador, foi libertado na sequência de um pedido de “habeas corpus”, tendo viajado até ao Brasil onde continuou a sua vida.

2005, preso novamente.

2007, libertado consequência de um erro processual que obrigou à repetição do julgamento.

Passados 7 anos foi absolvido da condenação à pena máxima!

2008, absolvido no âmbito de um processo-crime que investigava branqueamento de capitais.

2009, condenado por tráfico de estupefacientes e associação criminosa.

2016 (já estava eu em Évora, com 2 anos de prisão preventiva!) Lobo é suspeito no âmbito da “Operação Aquiles”: ligações a dois elementos da P.J., um ex-Coordenador e um Inspector-chefe. Ambos estiveram em Évora presos preventivamente. Felizmente para eles saíram do “Inferno de Ébola” e presentemente estão em liberdade a aguardar julgamento.

Hoje estava a ver televisão e, de boca aberta, vi e ouvi a notícia: Franklim Pereira Lobo foi libertado pela Juíza Ana Peres!

De imediato fui ler os “mídia” – “internet” – e deparei-me com o artigo do “Observador”, do qual bebi a informação que atrás Vos deixei, confirmando a veracidade da mesma porque por lá andei no “Convento” e sei perfeitamente o que ia lá dentro!

A dois meses de terminar a minha liberdade condicional, depois de ter esgotado o prazo da prisão preventiva, após terem sido recusados dois pedidos de “habeas corpus”, depois de ter sido recusada a prisão domiciliária com pulseira durante 3 anos e 4 meses, ao fim de 4 anos, 8 meses e 22 dias de prisão efectiva condenado pela prática de um crime de corrupção passiva (pela promessa de uma vantagem patrimonial futura: um laboratório de Ciências Forenses, só para mim, todo equipado! Uma promessa!!!!) e pela prática de um crime de violação de segredo de funcionário, vejo com surpresa (estou a ser irónico) um indivíduo referenciado pela Justiça, anteriormente condenado, com fortes ligações à Policia Judiciária e ao Ministério Público (profundo conhecedor do sistema de Justiça português) a ser libertado porque, pasmem, a Juíza afirma que não existe perigo de fuga e considerou que o risco de continuação da actividade criminosa é moderado.

Nada mais acrescentarei saído da minha pena, vou deixar-Vos com a História, com Platão, a “Apologia de Sócrates”.

Creio que esta passagem do texto platónico, aquando da condenação à morte de Sócrates, com o filósofo a “julgar” os seus juízes, ilustra bem o que é a justiça portuguesa e como uns se safam enquanto outros penam. 

Atentem, por favor!

“(…) A estes direi o seguinte: talvez penseis Atenienses, que fui condenado por não ter recorrido àqueles discursos com que vos podia ter persuadido, se eu achasse que me era lícito fazer e dizer tudo para escapar a uma condenação.Grande engano! Se fui condenado, não foi por falta de discursos, mas de audácia e impudência, foi por não ter usado aquela linguagem que gostaríeis de ouvir, por não ter chorado, gemido, feito e dito aquelas coisas indignas de mim, que há pouco referi e que vós estais habituados a ouvir a outros acusados. Mas entendi que não devia, por causa do perigo, proceder de maneira indigna dum homem livre e, por isso, não me arrependo da defesa que apresentei.(…)”

Compreendem agora o percurso penoso de uns e os trilhos fáceis (facilitados) de outros?

“Mais de Meio Milhão de Leitores”

Um excelente dia para todos Vós!

Um enorme OBRIGADO para todos Vós!

Mais de meio milhão de leitores atingiu este humilde espaço graças a todos Vós!

MEIO MILHÃO! Claro que é uma estratégia de “marketing” escrever “meio milhão”. Meio milhão consegue a Cristina Ferreira diariamente só porque optou por uma nova marca de produtos de higiene íntima!

Meio milhão consegue o “nosso” Cristiano Ronaldo só porque beijou a Georgina com o canto direito da boca e não com a boca inteira!

Meio milhão não é nada mais que quinhentos mil leitores, obtendo-se um efeito impressionante se eu digitar a “bolt” e com a fonte dois números acima, colocando três pontos de exclamação imediatamente a seguir: 500 000!!!

Rogo o Vosso perdão porque este exercício de vaidade é notoriamente desproporcional em relação à real dimensão da importância deste Vosso humilde “tocador de teclas” (nem consigo descrever-me como um escritor!).

Mas estou feliz e orgulhoso pelo meu meio milhão, reconheço.

Quem, como eu, já esteve nos dois lados do tríptico de Bosch (a imagem que ilustra o presente opúsculo) ou seja, já experimentei a doce e tranquilizadora paz que se vive no “Jardim do Éden”, na companhia de companheiros e companheiras (alguns deles autênticas alimárias como aquelas que vemos desenhadas pela mão do Mestre holandês), conhecedor da existência da “Árvore do Bem e do Mal” (as investigações tipo “Freeport” ou os atropelos à lei em nome da “vangloria de mandar”) com a “Fonte da Vida” ao fundo (as “Ajudas de Custo” que sequiosos esticávamos um pouco) e que depois, num autêntico “coup de théâtre”, como o anjo Lúcifer, sou rasteirado e caído do Céu em desgraça, directamente no Inferno sem passagem pela Casa de Partida, logo, sem receber os 2.000$00 (condenado pela prática de um crime de corrupção passiva por promessa de vantagem patrimonial futura: ainda hoje estou à espera!)…

Quem como eu, dizia-Vos, depois de estar 4 anos, 8 meses e 22 dias no lado direito do tríptico – o “Inferno de Ébola” – conseguiu, pela Vossa maior graça, ter mais de 100 000 pessoas por ano a ler o muito pouco (qualitativamente) que tenho escrito, é motivo de imensa vaidade (sim, sou um pecador vaidoso, admito, mas não corrupto, isso não!).

Com tão pouco fico tão feliz…

Há dias perguntaram-me: “Então João, que vais fazer agora? Sai um livro ou não?!?”

Respondi que não o posso fazer porque estou a meio da minha tese de doutoramento e, quiçá a verdadeira razão para não escrever, falar sobre o quê? Quem é que, à excepção de todos Vós, que generosamente todas as semanas dispensam um pouco do Vosso tempo, vai querer ler o que eventualmente possa ter para escrever.

O meu interlocutor chamou-me a atenção para o facto de diariamente se falar de prisões, investigações, de presos, de formas de investigar e julgar.

“E então!?!?”, respondi eu.

Disse-me ele que há dias viu – eu também, com muita atenção – na CMTV, uma reportagem sobre o Cabo Costa, o dito “serial killer” de Santa Comba Dão, e que estiveram a comentar a investigação, a condenação e o perfil do mesmo.

Eu vi este programa porque esteve presente no mesmo o orientador português da minha tese de doutoramento, o Prof. Dr. Paulo Sargento.

Estavam também dois elementos que trabalharam na Polícia Judiciária, o Dr. Carlos Anjos e o Dr. Moita Flores, o primeiro conheço-o pessoalmente.

Suportados na sua experiencia profissional e nos seus conhecimentos técnicos, falaram sobre o Cabo Costa, os seus actos criminosos e o seu perfil.

“Sim, e então? Não estou a perceber o que estás a querer dizer!”, comuniquei ao meu companheiro de conversa.

“Então não estudaste Psicologia? Não estás a fazer um doutoramento sobre a execução das penas? Não eras o “Master Blaster” dos homicídios, reconhecido pela imprensa aquando da tua detenção? E, sortudo como és, não estiveste tu a cumprir pena de prisão em Évora, privando durante 4 anos, 8 meses e 22 dias com o Cabo Costa?”

Respondi-lhe que ninguém se interessa agora pelo Cabo Costa!

“E pelo Sócrates? Não estiveste preso com ele e não publicaste um perfil psicológico do mesmo?”

“E a Polícia Judiciária? Não foste funcionário da P.J. durante mais de 15 anos? Não me digas que não conheces como se investiga, as limitações e as excelências que por lá com certeza existem?”

“Confessa lá! Vá lá! Não sabes tu como foi o “Freeport” e o “Caso do Meco” ou as trapalhadas da “Maddie?”

Sem perceber bem o que ele queria…

“Ó homem, larga o blogue e escreve o livro que está a fazer falta à Justiça portuguesa!”

Ahhhh! Claro que lhe respondi que não posso abandonar o meu “ mais de meio milhão” de leitores, seria ingratidão da minha parte.

Quanto ao livro… porque não dizer livros? Creio que dá para mais do que um!

Estou a brincar! Estou a deixar-me levar de novo pela minha vaidade e não tenho qualquer razão para isso: quem é que quer saber como realmente é o Cabo Costa, como se comportou o Sócrates ou qual foi a razão pela qual ele não foi preso no Caso Freeport?

Tem juízo João de Sousa!

Neste momento estou no centro do tríptico. Naqueles trajes que podem ver, feliz, vaidoso pelo meu “meio milhão de leitores”, grato a todos Vós, a dois meses de acabar a liberdade condicional e muito concentrado no doutoramento.

No painel central, “O Jardim das Delícias Terrenas”, Hieronymus Bosch pintou um falso Paraíso, local onde a raça humana sucumbe ao pecado, em particular à luxúria, seguindo o inevitável caminho para o Inferno. Eu fiz o percurso inverso!

Ainda que concupiscente, o meu maior pecado é mesmo a vaidade – aquele que é o preferido do Diabo – e confesso que me sinto vaidoso pela atenção que me têm dispensado.

Um muito obrigado a todos Vós pela Vossa atenção! (e quando escrevo todos, é mesmo a TODOS Vós!)

“Só os burros não mudam!”

“Ninguém entra duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra já não são as mesmas águas que passam, e o próprio ser já se modificou.

Heráclito, filósofo pré-socrático, afirmava isto mesmo no séc. V a.C.

José Sócrates, português, ex-primeiro-ministro, ex-político preso (ainda que ele ache que é ao contrário: preso político) é o exemplo vivo que, independentemente dos rios e das águas que passam nos mesmos, existem indivíduos que não mudam!

Eu tenho uma hipótese: José Sócrates não quer mudar e por isso mesmo, aquando da sua passagem por “Ébola”, não tomava banho tantas vezes quanto era recomendável para manter uma higiene pessoal minimamente aceitável!

Porque de águas falamos, talvez passe envolta na espuma dos dias – Portugal venceu a “Liga das Nações”, hoje é “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas” – a notícia da deslocação de José Sócrates ao Estabelecimento Prisional de Évora para visitar Armando Vara.

O José, ex-44, foi a “Ébola” e arrasou! 

Arrasou porque denunciou as condições em que estão recluídos concidadãos seus? 

Não, nada disso. José Sócrates arrasou, não porque é o “enfant terrible” da política nacional, mas porque é um menino mimado, auto-centrado e narcisista (como todos aqueles que estiveram em “Ébola”, aquando da sua breve passagem por lá, podem testemunhar). 

José Sócrates fez uma birra no dia em que foi visitar Armando Vara!

Para usar uma expressão do Dr. Mário Soares: só os burros não mudam, e, socorrendo-nos de um silogismo, uma conclusão deduzida de premissas, uma argumentação lógica perfeita como afirmava Aristóteles:

Os burros não mudam.

Sócrates não muda.

Logo, Sócrates é burro!

Eu posso afirmar isto mesmo e demonstrá-lo, porque durante os dias socráticos de Ébola” eu relatei o que no interior do convento ia, tendo inclusive sido castigado – isolamento na cela – porque o fazia.

José Sócrates não mudou, vejam:

6 de Dezembro de 2014. Texto deste blogue: “Ainda bem que prenderam o José Sócrates”

“(…) José passa por cima das regras do estabelecimento prisional: telefona o tempo que quer, fala com quem quer, não acata ordens de ninguém, considerando ser seu dever moral assim agir porque é um preso político alvo de canalhice! (…)”

Mais uma vez, passados praticamente 5 anos, José Sócrates acha que pode estar acima das regras que regem os comuns mortais, esses seres rasteiros, os seus concidadãos.

“(…) Sócrates acaba a sua refeição no refeitório da prisão e não arruma a sua cadeira. Sócrates paira sobre a ralé, mas o guarda avisa-o.

José Sócrates vive o seu próprio mito. Sócrates, possivelmente em estado de choque (fase de negação) não reconhece ou não quer reconhecer onde está. Não sabe que o estado de graça terminará, não percebe que muito em breve será somente o José, o “44”, e que o jogo político não se realizará com as regras do parlamento mas sim com as regras do pátio da prisão. (…)”

O José, ironicamente, numa autêntica piada de mau gosto do Destino (“karma”?) sente-se afrontado, incomodado, mal tratado pelas regras do Estabelecimento Prisional de Évora, normas que ele mesmo aprovou e ratificou aquando da sua “actuação” enquanto Primeiro-Ministro!

“(…) Sócrates define-se como um animal feroz, mas no meio onde está agora inserido cada vez mais confunde coragem com ignorante temeridade, postura com arrogância, vaidade com desmedida jactância. (…)”

Passados 5 anos, o José não aprendeu nada com a sua experiência: continua arrogante, jactante, mal educado!

5 de Julho 2015. Texto deste blogue: “O preso n.º 2 e o desafio de Sócrates”

“(…) Mas o José é credível, o José vai com toda a certeza demonstrar àqueles que afirmaram que não escreveu sobre a tortura, sobre a confiança no mundo, que é ele o autor, porque vai aceitar o meu desafio; vai mesmo assumir-se como o “Mandela português”, não vai abandonar as 4 linhas melindrado porque foi desafiado. O recluso José Sócrates vai, ao contrário do que nunca fez durante 6 meses, abandonar as entrevistas controladas e encomendadas por si, deixar a “apologia de Sócrates”, o “auto-panegírico do José”, e dar a sua conhecedora opinião (porque foi essa a temática da tese do seu mestrado) sobre tratamentos desumanos, condições de reclusão, no fundo ofertar um pouco da sua imagem e visibilidade pública à causa comum(…)”

Fê-lo? 

Ouviram ou leram José Sócrates (ou alguém que por ele escreveu) a falar/escrever sobre condições desumanas nos estabelecimentos prisionais? 

Ouviram ou leram José Sócrates a “filosofar” (ou alguém por ele) sobre legislação relativa ao tratamento prisional?

Ouviram ou leram José Sócrates (ou alguém por ele) a propor discussão nacional sobre o sistema penitenciário, a reinserção ou ressocialização dos reclusos?

Claro que não!

Sabem qual é a vontade que tenho?

É dizer ao Engenheiro José Sócrates o mesmo que disse o seu advogado a uma jornalista: 

“Ó homem! Vá tomar banho, pá! Você cheira mal! Vá tomar banho!”

“25 de Abril de 74 em 2019”

Como escreveu o meu Mestre Dimas de Almeida, na introdução à sua tradução da obra de Aristóteles, “Ética a Nicómaco”: “(…) a obra enuncia logo no início a equação “vida boa” – “bem agir” ou “ser bem sucedido” – “felicidade”, eixo em torno do qual se virá a desenrolar a reflexão (…)

“Vida boa” e “Felicidade”, sendo que uma “vida boa” implica bem agir e ser bem sucedido.

Não é isto mesmo que desejamos para os nossos, nomeadamente para a nossa descendência?

Como fazê-lo? Como alcançar este nobre propósito? Como vamos educar pedaços de nós para a Ética, para a Moral, para a Cidadania?

Como posso eu fazê-lo atendendo ao meu recente percurso? Não fui eu condenado a cumprir pena de prisão pelo crime de corrupção?

Devo fazê-lo pelo exemplo? O meu exemplo de vida, o meu percurso é válido para educar a minha “ninhada”?

Dimas de Almeida, na introdução referida, utiliza as palavras de Aristóteles para nos educar sobre o significado da Ética aristotélica: “(…) O ético significa uma operação de autoprogenitura, pois parece de todo irrefutável “que o homem seja princípio das suas acções e seu autor, tal como é autor dos seus filhos” (Et. Nic.113b 17-18).

As minhas acções, os meus actos, definem os meus princípios éticos, descrevem a minha Moral.

Sim, serão as minhas palavras e os meus actos que transmitirão à “ninhada” como bem agir e serem bem sucedidos (nem que seja “a contrario sensu”).

O meu exemplo e o dos outros; a minha vida e a vida do país deles, a minha estória e a história das mulheres e dos homens que lutaram pela Liberdade, por mais Cidadania, por um Portugal melhor.

“(…)A individualidade, porém, é impensável como ensimesmamento e solidão ética ou ontológica, pois, <<ela implica também os pais, os filhos, a mulher e, de um modo geral os amigos e os concidadãos, posto que um homem é por natureza um ser social>>(…)” (Et. Nic. 1097b 9-11)

Atendendo às palavras do Mestre Dimas de Almeida e do próprio Aristóteles, nesta quinta-feira passada, 25 de Abril de 2019, a Família De Sousa viveu uma nova “aventura”:

– Qual vai ser a aventura amanhã, Pai? – o Jr.

– Vamos celebrar o “25 de Abril”!

– O quê?! Tem “irossauros”?! – o João pequeno só pensa em dinossauros.

– Não filho, vamos para Lisboa e depois quando chegarmos o Pai explica.

Esta quinta-feira passada fomos para Lisboa celebrar e explicar o “25 de Abril de 74”, tudo porque “Ética e Política distinguem-se para se unirem: <<é visando esse duplo objectivo – o bem do indivíduo e o da Cidade– que a nossa investigação se constitui como uma forma de política>>” (Et. Nic.1094b 11).

E lá fomos nós para a nossa Cidade celebrar na companhia dos nossos compatriotas.

Na companhia dos nossos compatriotas talvez seja um exagero: os nossos compatriotas eram poucos porque Lisboa e os locais onde a “Revolução dos Cravos” se desenrolou mais pareciam o estaleiro das obras da Torre de Babel, tantas eram as línguas que se ouviam e nenhuma em português afirmava LIBERDADE! Um sinal dos tempos ou uma ilustração do que realmente aconteceu e ainda acontece em Portugal: poucos são aqueles que podem de facto AFIRMAR LIBERDADE.

Percorridas as belas artérias da nossa capital, na companhia daqueles que mais amo, ao fim de 4 anos, 8 meses e 22 dias, no dia da Liberdade, após ter celebrado cinco “25 de Abril” em reclusão, o primeiro destino era óbvio: “Museu do Aljube – Resistência e Liberdade”.

– Mas Pai…isto que o Salazar diz sobre os jornais está correcto, ou não? Não são os jornais que devem informar? – a mais velha.

– Os jornais devem informar, educar, denunciar e alertar mas não podem ser fiscalizados, não pode ser o Estado, um Governo, a ditar o que se pode publicar ou não!

– Ah! Percebi! E hoje em dia já não é assim, certo?

– Não filha, hoje em dia já não existe o “lápis azul” da censura, hoje em dia existem pressões que se exercem de forma encoberta, mais elegante, mais refinadas. Hoje em dia colocam-se jornalistas na “prateleira”, pressionam-se linhas editoriais e fazem-se edições de reportagens e entrevistas, ou seja, “corte e costura” por encomenda!

– Então isso é tão mau como o António! – a Helena.

– O António? Qual António filha? – eu, um pouco desorientado.

– O António Salazar! 

– Ah! Esse! Não filha, agora estamos em Democracia! 

– Não estou a perceber nada. – insistia a Helena.

– Olha, nós temos um livro na nossa biblioteca que te vou dar para leres: “Ostentar uma falsa democracia não é governar”, L. Cabido Pontes.

– Fiquei pior…osten…quê?

– Depois explico em casa. Agora deixa esse senhor alemão passar que ele quer ver a exposição também.

– Olha Pai! Contigo também foi assim? – a Helena, ainda não convencida com a ostentação da falsa democracia.

– Em parte, amor. O Pai foi detido de facto mas não era um preso político, e o isolamento em que colocaram o Pai não foi tão duro quanto o isolamento das pessoas que passaram por estas experiências.

– Mas o José Sócrates quando esteve em Évora contigo foi um preso político, não foi? Não era o que ele dizia? – a mais velha.

– Sim Leonor, era o que ele dizia!

– Então foi um preso político, certo? – desconfiada.

– Errado Leonor, o José foi um político preso não foi um preso político.

– Irra que eu não percebo nada destas coisas…- a pragmática Helena.

– Ainda bem que agora já não é assim. Não tiveste que esperar que os guardas te levassem à casa de banho ou que te prestassem socorro se precisasses, foi só nesta altura…certoooo?  – a Leonor que começava a duvidar da “Revolução de Abril”.

– Infelizmente ainda é assim. Infelizmente faleceu um recluso em “Ébola” quando o Pai lá esteve porque os guardas não o socorreram a tempo e quando o fizeram não sabiam o que fazer!

– O Sócrates estava lá? – a Helena.

– Sim!

– E o que é que ele fez? Deve ter mandado vir com os guardas como tu contas, como o fez porque não deixavam ele andar com as tais botas…lembro-me que se falou nisso nas notícias… – a Leonor indignada.

– Não Leonor, ele não fez nada!

– A tua cela era assim?! 

– Não Helena, era maior.

– Eles estavam aqui de castigo?

– Sim.

– Porquê?

– Porque tinham uma visão diferente do Salazar, porque queriam ser livres, falar o que desejassem, reunirem-se com quem quisessem. Queriam ser de facto livres.

– Então tu também não estavas de acordo com o Salazar e por isso foste preso! – a Helena.

– Não foi isso Helena. O Pai foi preso porque os Tribunais decidiram que o Pai praticou crimes, é diferente. O Pai foi o que se chama um “preso comum”, um preso de “delito comum”. Estas mulheres e estes homens estiveram presos e foram castigados, muitos deles pelo que escreviam, outros pelo que diziam e outros ainda pura e simplesmente pelo que os “Pides” achavam que eles pensavam: foram presos políticos!

– Espera lá! – a mais velha – Então tu também foste um preso político! Tu estiveste castigado, dentro da prisão, porque escreveste no Correio da Manhã!

– Boa! O Pai é um preso da história! – a Helena.

– Helena, mais baixo! Olha que ainda estão por aí alguns portugueses e se calhar votaram no Sócrates! – repreendi-a sorrindo.

– Deve ser uma piada das políticas, não é? Não percebi nada agora! – a Helena encolhendo os ombros.

Como educá-los? Como fazer deles cidadãos plenos? Como explicar o que me sucedeu, como fazê-los entender que não existe o preto e o branco mas sim uma miríade de tons de cinzento? 

Devo dar o meu exemplo? A sociedade onde eles estão inseridos condenou o Pai. Os Tribunais que agora se diz serem  capazes e justos decidiram que o Pai deles foi corrupto. O Pai não afirma que foi um preso político, o Pai não cria narrativas alternativas para justificar o injustificável. Como educá-los?

A resposta foi ofertada por um poeta. A resposta foi a minha filha mais velha que me ofereceu.

Na transição entre salas, subindo as escadas, a Leonor deparou-se com este poema do Manuel Alegre. 


Estava eu a dizer ao Jr., pela enésima vez, que não existiam dinossauros na exposição quando oiço a minha fila de 16 anos a dizer à minha filha de 12:

– Olha! Isto é o Pai!

– Como assim?! – a mais nova

– O pai também resistiu, o Pai também disse que não.

– Foi? E isso é bom?

– Sim, claro. O Pai nunca disse o que eles queriam mesmo que isso o prejudicasse.

A foto que todos Vós podem observar – o poema do Manuel Alegre – foi tirada depois da Helena, muito excitada, vir ter comigo e puxar-me enquanto dizia: “Pai, Pai, vem cá que tu também estás no museu, estão a falar de ti!”

Se fiquei envergonhado? Claro que não, estava ao pé de nós um casal de franceses que não perceberam o que se estava a passar apesar de terem ficado parados a olhar para o poema, lendo a versão em inglês. Também eles tiraram uma fotografia, talvez para dizerem em casa que os portugueses dão muita importância aquele poema, deve ser uma coisa importante porque um menina chamou o Pai muito excitada e toda a Família quis pousar junto ao poema!

Se fiquei embaraçado? Claro que não! 

Senti-me orgulhoso, fiquei emocionado. E assim fiquei porque percebi que afinal conduzi-me bem no meio da tormenta. 

Percebi que posso estar descansado porque a “ninhada” compreendeu o que foi o “25 de Abril de 74”; aquilo que o “25 de Abril de 74” ainda não é; o quão frágil é uma Democracia e como o 25 de Abril de 2019 ainda está muito distante daquilo que alguns pensaram que seria.

No meio de tudo isto só se verificou um problema que não consegui resolver:

no “Museu do Aljube – Resistência e Liberdade”, incompreensivelmente e para enorme desgosto do meu filho-homem, não se viu um único “irossauro”! 

É inadmissível!

“Visitador de Évora”

Este Sábado, 9 de Março, regressei ao Estabelecimento Prisional de Évora. 

Calma, não entrem em êxtase alguns dos comentadores deste blogue, não fui preso outra vez! Nem sempre os mais secretos (ou publicamente anónimos) desejos pessoais se realizam.

No Sábado fui visitar um camarada recluído que durante a minha travessia de 4 anos, 8 meses e 22 dias não falhou.

Num local de dor, desconfiança, máscaras e logros, temos de avaliar as relações com base no evento diário: durante os longos dias em que partilhamos a “coisa maldita” estivemos sempre lá, lado a lado.

Estranhos laços se criam num local de dor partilhada, estranhas cumplicidades e fortes amparos.

Conforme garantido (não prometido) transportei a mãe deste parceiro na tormenta para o visitar. Em Abril deste ano, ao fim de praticamente 8 anos, sai em Liberdade Condicional.

Reinserido, ressocializado? Claro que não! Ele reconhece isso, eu também o sei e o próprio sistema o sabe.

A culpa é de quem? Dele, como é lógico, do Sistema com toda a certeza!

Personalidade muito particular, sociopata como todos aqueles que se desviam do cumprimento das leis (como eu) mas com uma inteligência emocional acima da média, capaz de se rir da sua pessoa (particularidade que lhe permitiu não agravar o seu “neuroticismo genético”) por diversas vezes solicitou ajuda ao Sistema mas o Sistema não soube identificar nos comportamentos radicais do mesmo esse pedido de auxílio.

Em Abril sairá em Liberdade Condicional.

Durante a visita vários reclusos foram à enfermaria, mais do que é usual. 

A razão? Para se ir à Enfermaria tem de se passar pelo pórtico que também serve para o recluso aceder à sala de visitas. 

Com o beneplácito do Sr. Guarda presente, revi vários parceiros de caminhada escura: abraços com cheiro a prisão. No Sábado percebi que os reclusos têm um cheiro característico. Eu também devia cheirar ao mesmo mas nunca me apercebi!

Presentemente, em “Ébola”, os reclusos já não estão em celas de 9 metros quadrados em beliches a dormir com outro indivíduo e com uma única sanita para ambos. Óptima decisão, infelizmente no “meu tempo” não era assim e muito penei até deixar de “levar” com o próximo a entrar. 

O “famoso” que por lá se encontra, como qualquer ser humano, está a adaptar-se à “comunidade do refugo da sociedade” e já protagonizou vários episódios que se poderiam considerar hilariantes, não fosse a triste condição em que se encontra.

Outra particularidade engraçada é o tratamento que o Corpo dos Guardas Prisionais agora dispensa ao ex-recluso João De Sousa: “Bom dia, Sr. Dr. !”

Há menos de 3 meses solicitavam que eu baixasse as calças e as cuecas para confirmarem ou infirmarem a introdução de objectos proibidos no ânus, e, talvez porque já estou ressocializado após tratamento prisional, ofertam-me a saudação e Doutoramento, tudo no mesmo pacote (salvo seja!) 

Logo à entrada, revi um elemento do Corpo dos Guardas que nunca me tratou por “Dr.” mas sempre pautou pela urbanidade e respeito genuíno a interacção que manteve com o recluso João De Sousa.

Esta deferência para com a Dignidade do recluso vale mais do que todos os doutoramentos apócrifos.

Outra curiosidade foram os dois meses que demoraram a autorizar a minha presença, como visita, no E.P. de Évora!

José Sócrates, quando visitou Armando Vara, assim como outros ex-reclusos que cumpriram pena em “Ebola”, foram autorizados para visitarem “aqueles que ficaram ainda”, no meu caso foi mais uma “comédia” inexplicável! 

Questionei a Técnica do I.R.S., aquando da minha primeira apresentação para acompanhamento da minha reinserção/ressocialização, sobre o atraso da autorização para a visita mas esta não soube explicar. Nem sequer o Técnico colocado no E.P. de Évora, indivíduo que “acompanhou” o meu tratamento prisional, apresentou uma explicação congruente, válida.

Mas isso agora não interessa. 

O que de facto importa é que garanti (não prometi) ao meu “companheiro na desgraça” que o visitaria e transportaria a sua progenitora e assim foi feito: palavra de João De Sousa.

O que de facto importa é que não devemos negar o nosso Passado, apagando troços inteiros da nossa caminhada pela Vida, porque podemos dessa forma não compreender completamente o momento presente e comprometer definitivamente o Futuro.

“A Ignorância indigna-se”

Perdoem-me aqueles que expectavam a exposição, esta semana, da aplicação da “abordagem rogeriana” à psicologia forense mas gerou-se uma pequena polémica (diria mesmo uma questiúncula menor) consequência do olhar ignorante daqueles que só colocam os olhos no que o pequeno rectângulo transmite ou naquilo que lhes é familiarmente remoto mas que não se dispensam (sabiamente) de comentar/opinar.

Refiro-me ao facto de alguns jornalistas da nossa praça indignarem-se com as algemas do Sr. Armando Vara , e outros, tão doutos e com igual direito de se sentirem encolerizados, indignarem-se com a indignação dos primeiros.

João Miguel Tavares, num artigo de opinião no jornal “Público” (edição digital) escreve: “Nós já vimos dezenas, centenas de imagens de gente algemada a chegar a um tribunal – porque é que só nos indignamos com Armando Vara?”

A pergunta é pertinente, muito bem colocada e surge como reacção ao artigo de Mário Ramires, publicado no jornal “Sol”, “Porquê algemar Armando Vara?”

Numa tomada de posição muito Prof. Marcelo Rebelo de Sousa nos tempos em que comentava (com a devida vénia) eu acho que ambos têm razão, ou seja, “é… e não é!”

A viúva que matou o triatleta aparece sempre algemada aquando das suas deslocações ao Tribunal: “Será que a senhora vai colocar-se em fuga e lograr alcançar o pretendido, i.e., eximir-se à Justiça e ninguém a consegue apanhar?”

Será possível que a senhora viúva vá desatar a agredir toda a gente?

Não creio. Então qual a razão que está por detrás da indignação do Sr. Mário Ramires?

Existindo normativo que prevê os procedimentos a adoptar aquando do transporte de presos, encontrando-se no mesmo a indicação de algemar, sempre, os reclusos durante o transporte, não deveria ser algemado o Sr. Vara? 

João Miguel Tavares tem toda a razão e não é despiciendo dizer (como escreveu) que se trata de “classismo puro e duro” mostrar-se indignado com a falta de dignidade com que transportaram o Sr. Armando Vara! 

Mas somente quem está (ou esteve) dentro do Convento é que sabe o que lhe vai dentro!

Quando o Eng. Sócrates esteve recluído em Évora nunca foi ao hospital realizar o raio-x torácico porque não desejava ser algemado! Todos os reclusos tiveram de o fazer, é uma questão de saúde pública, o Eng. Sócrates não o fez!

Quando o Eng. Sócrates foi ouvido pelo Ministério Público, no âmbito do inquérito que investigava a Violação de Segredo de Justiça no “Processo Marquês”, não foi transportado algemado!

Até um recluso alcançar a benesse de ter RAI (Regime Aberto no Interior ) oferecida pelo(a) Director(a) do Estabelecimento Prisional, o indivíduo recluído vê-se no meio de um hospital a aguardar a chamada do médico, algemado, com toda a gente a olhar e a desviar-se do mesmo. No dia seguinte, e porque já varre as alas da prisão obtendo desse modo o RAI, no dia seguinte, no mesmo hospital, o sujeito é visto com dois guardas prisionais mas sem as algemas!

Dizem-me V. Exas., Caros(as) Leitores(as), que foi realizada uma avaliação pericial que permitiu colocar o recluso em RAI, logo, sem algemas. 

Errado! É somente uma questão temporal (tempo de pena cumprida) não relevando em nada qualquer tipo de avaliação de personalidade ou outra porque não se realiza qualquer perícia.

Isto sim deveria preocupar e indignar os senhores jornalistas!

Deveria indignar e preocupar todos nós, o facto de um indivíduo com uma perturbação parafílica, um pedófilo, ser colocado em liberdade condicional ao fim de 4 anos de uma pena de 7 anos e 6 meses e (isto sim motivo de indignação, repulsa e alarme social) durante o período de tempo em que esteve recluído não foi alvo de qualquer intervenção psicológica, tendo recebido o mesmo tratamento penitenciário que um burlão ou um corrupto, estando o tempo todo em abstinência sexual imposta e agora, livre, sem algemas, pode libertar toda a pulsão sexual reprimida e reinserir socialmente com sucesso.

A presença das algemas (ou ausência das mesmas) no Sr. Vara ou no Eng. Sócrates, são, como diria esse excelente comunicador, o Sr. Jorge Jesus, “peanuts” quando comparado com todas as deficiências do sistema penitenciário português.

As algemas ou ausência das mesmas nos pulsos do Sr. Vara ou do Eng. Sócrates e a indignação que causam a certos jornalistas da nossa praça, só pode ser melhor explicada pela crónica falta de inspiração e capacidade de observação dos reais problemas que existem.

Com tanto para dizer e mais para fazer, ocupa-se espaço de reflexão e intervenção com minudências sem valor. É caso para dizer: “Deus dá nozes a quem não tem dentes.”

“30 dias após a Liberdade”

Estimados(as), faz hoje (20 de Janeiro de 2019), Domingo, exactamente um mês, trinta dias, desde que saí do “Inferno de Ébola”!

Como estou? Bem, obrigado.

Estou mais anafado, feliz, quente e reconfortado.

Durante estes trinta dias revi amigos, conhecidos, colegas (agora ex-colegas) e conheci outros que me conhecem melhor do que eu porque viram na televisão que eu tinha sido preso, julgado e condenado, enriquecidos no conhecimento que têm do João De Sousa porque acompanharam ou acompanham este blogue e “sabem muito bem quem eu sou”!!!

As pessoas são muito engraçadas, abordam-me na rua, inclusive na companhia dos meus filhos e dão-me os parabéns, felicitam-me pelo meu comportamento e escrita: “Força, Sr. Dótôr, não desista!”

A situação mais caricata foi protagonizada por um indivíduo com cerca de 60 anos que me disse: “O senhor é o tipo do ouro, não é? Não lhes dê nada, continue porque o pessoal do CDS quer fazer-lhe a folha!”

Mas que raio de relação posso eu ter (um corrupto condenado, presentemente a reinserir) com o CDS?!?

As pessoas falam, comentam, julgam que lêem quando apenas passam os olhos pelas palavras e opinam sobre tudo. É fascinante!

Não será tão fascinante assim perceber agora, passados estes quatro anos e mais qualquer coisa, o que os meus colegas de departamento, superiores hierárquicos e até dirigentes da Polícia Judiciária se dispuseram a fazer, para obterem algo de funcionários da P.J. que se relacionavam comigo, uma informação, uma insinuação que fosse, que pudesse oferecer credibilidade à enxurrada excrementícia que foi o meu processo-crime.

É verdade, durante estes 30 dias contactei com ex-colegas que me descreveram atitudes, comportamentos e acções que pouco ou nada dignificaram/dignificam profissionais que eu admirava enquanto homens/mulheres e enquanto investigadores criminais. Paciência, homo homini lupus, e eu não soube ser raposa!

Voltando aos 30 dias…

Ainda não consegui organizar toda a papelada que por aqui tenho. Ainda estou a regular o organismo à Liberdade, ainda falta contactar muita gente.

Ontem fui eleito Dirigente suplente da APAR (Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso). 

Não é bem a presidência de uma Câmara Municipal do país mas temos de ter em conta a importância dos protagonistas: o Dr. Isaltino não (foi) é, nem de longe nem de perto, um corrupto tão perigoso quanto eu!

Bom, em trinta dias um cargo de dirigente não está mau.

Em trinta dias também outras personagens viram os seus dias passarem com inúmeras ocorrências. Veja-se o caso do Sr. Armando Vara, outro exemplo de como toda a gente diz tudo e não sabe nada.

Hoje, um dos canais generalistas noticiava que o Sr. Armando Vara estava isolado dos outros reclusos, numa cela só para ele.

Não é verdade. 

O “Rapaz dos Porcos” (a todo o infeliz que entra na prisão é-lhe ofertada uma alcunha, a do Sr. Vara está relacionada com o seu apelido: Vara é uma manada de gado suíno) o “49” (e espero que o Sr. Vara não permita o tratamento pelo número) encontra-se numa cela com beliche, partilhando o espaço da exígua cela com um indivíduo condenado por homicídio (matou acidentalmentea mulher).

O companheiro de cela do Sr. Armando é um fulano do piorio, colaborador intenso dos Srs. Guardas: só por maldade fizeram isto ao pobre do homem, algo que não deixa de ser curioso uma vez que uma cela higienizada com colchão e roupa nova da cama estava destinada ao Sr. Vara.

Coitado, talvez devido à “fuga de informação” do E.P. de ”Ébola”, relacionada com esta questão da “cela preparada à medida”, o recluso Vara não pode presentemente usufruir das regalias de um José Sócrates!

Infelizmente, Armando Vara está a sofrer por causa da informação e da desinformação que medra nos média portugueses. 

Será que o Sr. Vara vai fazer alguma coisa quanto a isto?

Será que o Sr. Vara vai fazer como disse: “tentar dar o seu contributo para o melhoramento das condições de quem está recluído, se possível for.”

Como as coisas podem mudar tanto em trinta dias! 

Como se pode apurar tanto em trinta dias!

Como é fácil sermos induzimos em erro, em somente trinta dias.

Como é possível que, em trinta dias, somente o Sr. Vara foi condenado e quantos trinta dias vão ter que passar até os “outros” serem (pelo menos) julgados?

Nestes trinta dias também se realizou a cerimónia de abertura do ano judicial! Viram?

Não perderam nada!

Trinta dias… sabem que por vezes ainda oiço o som das chaves a fecharem as celas? Perturbação de Stress pós-traumático?!?

Não, apenas uma questão de tempo: o “eu-da-experiência” ainda se sobrepõe ao “eu-da-memória”, com o passar dos dias a dor será substituída pela lembrança, mais “levezinha”, do sofrimento experimentado.

Quanto àqueles que agora começaram os seus dias negros, espero que cheguem depressa e bem (sempre sem perderem a Dignidade) aos meus primeiros 30 dias!