“Eu não dizia (escrevia)?!?!”

Dia 22 de Novembro de 2014, 07H05.

Ligo a televisão na minha cela, espaço frio, húmido e exíguo que agora partilho com o Director do S.E.F., o bonachão Dr. Manuel Jarmela Palos.

O Manuel está a dormir profundamente, ressona. Obrigado pelos químicos que generosamente o “desligaram”, o Manuel agora, aparentemente, descansa.

RTP 2, “Euronews”: “O ex-primeiro-ministro José Sócrates foi detido na noite desta sexta-feira à chegada ao aeroporto de Lisboa” 

– Manuel! Manuel! – eu, na cama de cima do beliche.

– Hã!?

– Manuel, olhe para a televisão!

– Hã? O que foi!?! – estremunhado.

O Sócrates foi detido ontem no aeroporto! – contendo o riso porque o coitado do Manuel parecia que tinha levado com um balde de água gelada.

– O Sócrates….o quê?!? Isto é onde? – incrédulo olhando o televisor.

– Foi ontem no aeroporto em Lisboa.

– Está tudo f…..! – esfregando os olhos.

– É verdade, quando isto chega a um ex-primeiro-ministro é porque está tudo perdido.

– Não é isso, João. Está tudo f….. porque agora o Carlos Alexandre vai ouvir o gajo durante uns dois ou três dias e eu nunca mais vejo o despacho da pulseira electrónica sair e vou ficando por aqui! – agora já sentado na cama.

O Dr. Manuel Palos esteve preso preventivamente em “Ébola” porque um chinês o corrompeu com duas garrafas de “Pêra Manca”!

O “Pêra Manca” (2005) tinto, por exemplo, são 460€ e o perturbadíssimo Manuel, depois de me colocar nas mãos o despacho do “super-juiz”, dizia-me, nessa ocasião como o fez amiúde antes dos químicos operarem a sua magia e levarem-no para as terras do esquecimento, que não conseguia compreender como alguém poderia sequer colocar a hipótese de ele ter arruinado a sua carreira profissional por causa de duas garrafas de vinho que nunca tinha bebido ou sequer solicitado a terceiros.

O Manuel por ali foi ficando em “Ébola”, não tanto como outros mas o suficiente para perder uns quilinhos e jurar para nunca mais.

Esta semana, para grande satisfação deste vosso ex-recluso em processo de reinserção, todos nós ficamos a saber que o Dr. Manuel Jarmela Palos, meu companheiro de cela, de privação e provação, saiu ilibado de todo o processo judicial conhecido por “Vistos Gold”!

Segundo noticiado, o Juiz disse o seguinte relativamente ao Dr. Jarmela Palos: “Neste caso nem dúvidas o Tribunal tem. Não foi sequer “pro in dubio”.Ou seja, nem dúvidas ficaram: o Dr. Palos é inocente!

Esperem que há mais! O Dr. Miguel Macedo também “saiu” ilibado!

Os cidadãos chineses foram ambos condenados a pena de multa!!!

E o Dr. António Figueiredo, acusado pela prática de mais de uma dezena de crimes – com corrupções várias à mistura – assim como a Dra. Maria Antónia Anes, foram de facto condenados mas com as penas suspensas: 4 anos e 7 meses o primeiro, 4 anos e 4 meses a segunda.

A questão é pertinente: Como é que isto é/foi possível?!?

Como foi possível um homem ser preso preventivamente durante vários meses, o seu nome arrastado na lama, a sua esposa – senhora muito elegante e simpática – ver-se no meio da prisão numa sala cheia de criminosos (o Dr. Palos tinha visitas no mesmo horário que eu, corrupto condenado) dar por si suspenso de funções, sem remuneração e agora, passado tudo isto e muito mais, a mesma Justiça considera-lo inocente?

Como é possível termos lido tanto e ouvido muito mais e depois de observar o que de facto no autos se encontra, o Dr. António Figueiredo ser condenado somente a pena suspensa?

Atenção: felicidades para o Dr. Figueiredo e para a Dra. Anes e os dois chineses com o Dr. Macedo à mistura, mas qual é a credibilidade da Justiça portuguesa?

Na imprensa lê-se (“Correio da Manhã”, edição de 5 de Janeiro de 2019):”A justiça cinge-se a condenar os actos e não a aferir as intenções”. Foi um dos argumentos usados pelo Juiz quando absolveu a arguido Miguel Macedo”

Perdoem-me o português: “Bardamerda para isto!!!”

Bardamerda porque eu fui condenado por causa de uma promessa de vantagem patrimonial futura! Porra, prometer é o cúmulo da intenção!!!

E se uns tiveram “vistos Gold”, outros umas garrafinhas, outros ainda umas entradas de dinheiro nas contas pessoais, aqui o criminoso condenado agora em processo de reinserção foi somente a promessa, a vontade , o desejo, a intenção…

Esqueçam, eu já cumpri e estou a reinserir.

Esqueçam vocês, eu não posso esquecer porque escrevi aqui. Escrevi que estaria muito atento, de preferência já em liberdade, a verificar qual o resultado destas “mega-tuga-blaster-investigações” e, ousado recluso na altura, escrevi que muito possivelmente eu seria o único corrupto condenado a pena efectiva em Portugal: até agora acertei.

Carlos Alexandre, o juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), devia ter pedido escusa do processo “vistos Gold” quando Orlando Figueira, o ex-Procurador do DCIAP e advogado, se tornou defensor de um dos arguidos do caso(…)” (D.N., edição de 3 de Janeiro de 2019)

Depois lemos noticias destas. Encomendadas por quem? Jornalismo de investigação? Realidade? 

Outra vez o “super-juiz”? Vocês já repararam que todos os arguidos, arguidos presos, arguidos com caução ou arguidos sem caução que passam pelas “mãos” do juiz Dr. Carlos Alexandre, nunca são condenados a penas efectivas ou sequer condenados, mas durante a fase de Instrução são uns perigosos criminosos que nem deviam ter duas horas de luz do sol por dia?

Já repararam que os arguidos que a P.J. e o Ministério Público levam ao juiz Dr. Carlos Alexandre, após a “aleatoriedade” do sorteio, não são condenados a pena efectiva ou sequer condenados, em gritante contraste com aquilo que invariavelmente sai nos órgão de comunicação social?

Pensem nisto. Façam um exercício de reflexão! 

Quem está mal? 

A investigação da P.J. a montante, porque alguns desejam protagonismo e progressão na carreira, cedendo, ofertando serviços? Não se esqueçam que o S.L.B. nem sequer vai a julgamento!

O Ministério Público que quer manter o seu estatuto ou porque faz o que a P.J. quer?

Ou será que quem está mal são os colectivos de juízes que cedem à pressão dos “grandes e poderosos”?

Eu consigo explicar isto. Deixem-me colocar com mais humildade: eu tenho uma proposta de explicação para isto mas não aqui, o espaço é curto e uma imagem vale mil palavras. Até lá (e está para breve) permitam-me afirmar, atendendo a tudo o que a Justiça Lusa nos oferta: “Eu não dizia (escrevia)?!?

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3 thoughts on ““Eu não dizia (escrevia)?!?!”

  1. Cuidado Caro ex-Inspector da PJ. Certamente sabe muito melhor do que eu – que nao vivo em Portugal – que o seu e meu país está a saque (passe a expressão).
    A justiça está repleta de razoaveis profissionais, e de profissionais do piorio que se possa imaginar.
    Quando uma “star” da justiça portuguesa disse perante as cameras de uma estação de TV que não tinha amigos que lhe emprestassem dinheiro, e recentemente soube-se que um seu amigo/ex-colega lhe emprestou 10 mil euros ( pouco me importa se foi para arranjar uma casa lá terra ou se para comprar amendoins), que se pode dizer ou aferir de gente deste calibre?
    Cuidado Sr. Sousa!…. num país onde a mentira e a corrupção impera, tudo pode acontecer.
    Um abraço desde os antípodas

  2. Fico feliz em tomar conhecimento que o amigo passou as quadras festivas em família. Eu sou da terra do Figueiredo. Depois conto mais. Um abraço e bom ano.

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