“Contagem decrescente para a Liberdade!”

Liberdade daqui a: 360 dias!

Duas notas prévias:

Iª – No dia 10 de Setembro de 2018, publiquei neste espaço um texto sobre o “Caso Luís Grilo”.

Na quarta-feira, dia 26 de Setembro de 2018, nos vários canais da TV noticiava-se, em “última hora”, a detenção, por parte dos investigadores da P.J., dos presumíveis autores do homicídio do triatleta.

Como deixei no opúsculo “O dizer e o “saber-fazer””: “[…] os elementos da P.J. tudo vão fazer para resolver o caso com a máxima dedicação e esforço pessoal, apenas condicionados pela sua formação e “experiência não pensada”[…]”. Assim foi. Excelente trabalho: célere. Dignificada a instituição, todos nós fazemos votos para que até ao final do julgamento tudo decorra como devido, para que se faça justiça à vítima.

Parabéns à Polícia Judiciária mas, muito importante, salvo melhor opinião em contrário (que o prove) o que escrevi continua válido e actual!

 

IIª – O Juiz Ivo Rosa, após sorteio electrónico, vai presidir à Instrução do processo-crime conhecido por “Operação Marquês”. Estimados(as), não vejam como uma cabala do P.S., a intervenção de José Sócrates, o dinheiro do Espírito Santo ou  qualquer outra coisa menos clara, a razão pela qual (eventualmente) possam “caír” crimes, sejam revogadas diligências ou “tudo cair por terra” e não existir sequer julgamento! Agora sim, um Juiz dos Direitos, Liberdades e Garantias, um Juiz equidistante do Ministério Público e da defesa dos arguidos, vai presidir à Instrução e de forma isenta aplicar a Lei! Vamos aguardar para ver; vocês aí em liberdade, eu aqui (ainda) recluso!

O tema desta semana: “Contagem decrescente para a Liberdade!”

Reparem que a contagem que Vos deixo todas as semanas encontra-se agora a vermelho!

Liberdade daqui a: 360 dias!!!! Menos de um ano para sair daqui para fora!!!!

Quem lê com atenção os textos que aqui vou deixando, com toda a certeza reparou que enganei-me nas contas para o final da pena! Só verifiquei o erro quando estava em casa a redigir o texto sobre o meu aniversário: estava a tirar uma semana à pena! É compreensível. É a ansiedade!

Corrigido o “irritante cronológico”, posso hoje gritar do interior da minha “cela-jazigo”:  Falta menos de um ano! Faltam 360 dias!!!!

Uma breve pausa no êxtase eufórico para que possa, de certa forma, consolar os meus!

De facto faltam 360 dias para o final da pena: 26 de Setembro de 2019.

Conquanto assim seja, não deixa de existir a hipótese de, em Dezembro deste ano, daqui a 3 meses, eu, após ser ouvido pelo Juiz do Tribunal de Execução de Penas de Évora, ir para casa, em liberdade (ainda que condicional porque ficarão a faltar 9 meses para o final da pena)!

Não pensem que desejo por aqui ficar mais 9 meses. Acreditem que ninguém mais do que eu precisa de estar com a Leonor que este ano vai começar a estudar Filosofia. Eu, mais do que ninguém, desejo explicar à Helena, serenamente e não durante a visita, o porquê das pessoas morrerem, e, extremamente importante, explicar ao Jr. que as “maminhas” das meninas e das senhoras não são para tactear sempre que nos apetece! Lamento junto das visadas, aqui, publicamente garantindo-Vos que não foi com o Pai que ele aprendeu a fazê-lo. O Pai pergunta primeiro (sempre): “Por obséquio, não se importa?” (“private joke”!)

Assim sendo, e contando somente com aquilo que de mim depende, falta menos de um ano para eu sair daqui!

“4,3,2,1…” Caminho agora para o final da aventura. O filme de terror está a terminar.

Sem minimizar a gravidade do sucedido, a terrível mácula de ser condenado pela prática de um crime de corrupção, a derrota, a dor, o frio, a fome, a irreparável perda, mesmo assim e por tudo isto, chamo-lhe “aventura”, a “agridoce aventura”!

Recorro novamente ao maior psicólogo de todos os tempos: William Shakespeare. “Ricardo II”. Bolingbroke, futuro Henrique IV, exilado por Ricardo II, despede-se do seu pai. Este, o velho John of Gaunt (e “Gaunt” pode ser traduzido por “muito magro” ou “desolado”, referindo-se a lugar, mas também pode significar “Gauntlet”, ou em português “Guante” que significa “luva de ferro da armadura”, e no seu sentido figurado “autoridade, severidade, rigor”) tenta reconfortar o filho pária:

– Tua dor é só ausência de algum tempo. – o pai, John of Gaunt

– Sem alegria, é dor todo esse tempo – o filho, Bolingbroke

– Seis invernos que são? Passam depressa – John of Gaunt

– Para quem é feliz; mas a natureza transforma uma hora em dez! – o pária, futuro rei.

Já passaram quatro invernos e está a chegar o quinto! Durante estes quatro invernos, durante todas as horas dolorosas, sofridas, nunca uma hora se transformou em dez. Recordo a ocasião em que fui à P.J., já preso, e uma colega administrativa, depois de lhe responder à sua pergunta, sem qualquer “maquilhagem”, sem tentar parecer corajoso ou duro, disse-me:

“Pois, para ti é fácil, tens formação em Psicologia!”

Estes invernos passados têm sido dificílimos, mas existe, arrisco mesmo dizê-lo, alegria, uma satisfação pessoal ao experimentar todo este fel.

A alegria não a sinto porque aqui estou, isso seria loucura, creio que a alegria é consequência do facto de ter “estado e sido” como ainda me encontro!

Pode parecer-Vos um pouco enigmático ou até contraditório, mas na realidade é muito simples! Ele, o Bardo, melhor do que eu colocou-o. Da mesma tragédia, “Ricardo II”.

O rei Ricardo, agora “em queda” porque Bolingbroke regressou para reclamar a coroa, é admoestado pelos seus conselheiros que o observam desesperado:

– Milorde, os sábios nunca se detém para chorar seus males, mas atalham, resolutos, o passo às amarguras. Recear um inimigo, já que o medo oprime toda a força, é dar mais força ao inimigo, à custa da fraqueza que revelais. Assim, vossa loucura luta contra vós próprios. Mostrai medo, e morto já estareis. Pior não pode suceder num combate.

Pobre de mim, se não existisse o Grande Mestre Shakespeare!

A alegria reside no facto de me ter conduzido ao longo destes quatro invernos “atalhando, resoluto, o passo às amarguras.” E, apesar de ter por inúmeras vezes experimentado o medo, esse monstro insidioso cerceante, os valores da Família, o Amor da Família, a Lealdade e Devoção dos Amigos, deram-me Coragem para ultrapassar e vencer o opressor Medo!

Falta menos de um ano e, com toda a certeza, ouvirei de novo que dois indivíduos violaram uma mulher inconsciente e foram condenados a quatro anos e meio de pena suspensa! Eu, terrível corrupto, já levo nas costas (perdoem-me a boçalidade: e no fundo das costas!) quatro anos, seis meses e cinco dias de pena efectiva!

Continuarei a ouvir durante os 360 dias que faltam que o Dr. Armando Vara ainda aguarda esclarecimentos do Tribunal da Relação!

Verei ainda um Procurador do Ministério Público que confessou a prática de crimes de branqueamento de capitais e fraude fiscal, ser condenado a pena suspensa porque os seus pares do Ministério Público não pediram condenação com cumprimento de pena efectiva!

A tudo isto, prevejo, vou assistir. Recluído, a cumprir a totalidade dos meus cinco anos e meio de pena.

Um recluso, enorme, do tamanho da “Godzilla”, disse-me quando aqui cheguei: “Dois anos de prisão é uma lição; mais do que isso é degradação humana!”

Não concordo! Estou a aprender muito, sobre mim e sobre os outros: intelecção universal da essência das coisas humanas!

Falta menos de um ano, agora é sempre a descer! Mas não se pode facilitar porque aqui a mediocridade é farta, e na floresta existem presas e predadores, assim como caçadores e armadilhas, logo, como nos ensinou Maquiavel, temos que ser raposas para evitar as armadilhas, e leões para destruir os inimigos. É a lei da selva e eu estou a aprender!

Faltam somente 360 dias! Daqui a 360 dias já não me obrigam a baixar a cuequinha, a expor o “Elvis” e demonstrar que nada trago introduzido no orifício anal aquando do regresso da “precária”. Como se fosse possível introduzir algo em tão imaculado orifício, enquadrado por duas partes carnudas que formam a minha parte posterior, tonificadas pelo treino, semelhantes à cútis suave da face de um bébé!

Daqui a 360 dias, não vou obrigar-me, jamais, a deglutir o “vegetariano da prisão”: feijão com arroz, arroz com feijão, abóbora com feijão e arroz, arroz com feijão e cenoura, fritos com arroz, fritos com feijão, e, claro, fritos com feijão e arroz!

Daqui a 360 dias, não mais partilharei o meu espaço e tempo com o pedófilo que violou a própria filha numa esquadra onde trabalhava.

Daqui a 360 dias, não vou ter que condescender com faltas de profissionalismo, urbanidade e bom senso.

Daqui a somente 360 dias… vou agarrar-me à “ninhada” e aos meus e chorar, chorar tudo o que tenho retido e contido, chorar de alegria, de tristeza. Daqui a 360 dias, finalmente passados cerca de dois anos, farei o luto da “Mãe Ju”: até ao momento não foi possivel, estou em luta!

Ainda falta menos de um ano, estou aqui há 4 anos, 6 meses e 5 dias, e, ainda que Vos possa parecer estranho, continuo feliz! Não negociei nada, nada vendi ou alienei. Sairei cheio de cicatrizes (no peito, nada nas costas) todo torto, mas feliz e orgulhoso. Somente 360 dias…

Para a semana este espaço faz 4 anos! Para a semana, no mesmo dia, um dos meus maiores amores, uma das três melhores partes de mim, a bela Helena, faz 12 anos!

Para a semana faltarão menos de 360 dias, é sempre a descer! Daqui a sete dias relatar-Vos-ei como foi, melhor, mostrar-Vos-ei! Pois é, é isso mesmo: agora é sempre a descer e com balanço! Até para a semana!

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7 thoughts on ““Contagem decrescente para a Liberdade!”

  1. Agora os investigadores já são bons. És uma merda, a P.J. está muito melhor sem ti respirase melhor as pessoas estão felizes não está cá o perfeitinho. Cuidado a quem decide não permitam que este imundo venha para a rua em Dezembro, este merdas pode prejudicar muito a justiça e a P.J. Devias cumprir mais dez anos assim já não influenciavas as crianças que já não devem valer nada por tua causa.
    Valores de familia, coragem e o Shakespere és um tretas ó maricas.

  2. Quando saires lembra-te da parceira do Anónimo … senão esse animal não te dá descanso !!!
    Anónimo, isso foram coisas que te meteram na cabeça …
    … não são cornos !!!

  3. Falte menos de um ano é verdade, mas cuidado porque há por aí animais rancorosos que, se puderem, arranjam-lhe um “caldinho” para mais uns tempos. Felicidades, um abraço.

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