“Sonhos e sopa de letras”

Liberdade daqui a: 381 dias!!!!

De acordo com Aristóteles, os sonhos são “Reevocações de imagens e de dons que surgiram durante a vigília do indivíduo que sonha”.

Quando experiências emocionais intensas recentes (ou emocionalmente marcantes num passado distante) são vividas, reaparecem nos sonhos como na realidade ocorreram ou transfiguradas com camadas de sentido para decifrar.

Freud, em 1900, com a publicação da sua obra “A interpretação dos sonhos”, explica-nos a razão pela qual a maior parte dos nossos sonhos é estranha e sem sentido; esta estranheza e incongruência são superficiais, “uma máscara habilidosa que nos permite ser indulgentes com o desejo inaceitável, sem nos darmos conta do que é inaceitável”.

Desde os meus 15 anos que mantenho “diários de sonhos”. Desde essa idade que registo o que sonho, quando sonho e consigo recuperar o sonhado. No meu “iPad”, apreendido pelos meus colegas da P.J. que me investigaram, não constavam as quantias monetárias, os locais das “offshores” ou moradas de casas adquiridas com o resultado da minha corrupção, constava sim vários relatos de experiências oníricas.

Aqui em “´Ébola” também registo todos os meus sonhos (excepto aqueles que sonho acordado a olhar para as paredes do “jazigo”), estão registados no Moleskine como: “Sonhos no cárcere”.

Ao fim de 4 anos e 5 meses nunca experimentei um pesadelo, um sonho aflitivo. Curioso, não?

Pelo contrário: sonho com a minha falecida “Mãe Ju” e estamos sempre a rir e, invariavelmente, a comer! Sonho com a “ninhada” e estamos sempre a brincar e, invariavelmente, a comer!

E até, permitam-me a extrema intimidade onírica, já tive sonhos eróticos e, invariavelmente, estou a comer durante o acto! Acreditem!

A mente humana é fabulosa. Esta semana que passou sonhei com… sopa de letras!

Novamente comida, mas, com várias camadas de sentido subjacente às imagens que brotaram profusamente no sonho em apreço.

Sabem o que é um “Palíndromo”? Palíndromo é uma palavra ou um grupo de palavras, ou mesmo um verso, em que o sentido é o mesmo quer seja lido da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda. Por exemplo: RADAR.

Nas visitas com a “ninhada”, de 15 em 15 dias, como não se pode ter jogos, canetas e papéis (até comida para o “Jr.” que com 4 anos tem de aguentar 3 horas!) o “Pai criminoso” inventa “jogos de magia com palavras e letras”.

Às escondidas dos Srs. Guardas, escrevo (ainda na cela) nos dedos das mãos, assim como nas palmas e até nos antebraços, palavras mágicas. A semana passada ensinei-lhes a “escrita especular” do Grande Mestre Leonardo da Vinci! Muito admirados, aprenderam que o Mestre escrevia os seus apontamentos com “escrita especular” apenas decifrável através da colocação de um espelho – escrevia como vemos escrito nas ambulâncias a palavra AMBULÂNCIA!!!!

Com tudo isso na cabeça, sonhei com a “sopa de letras” da “Mãe Ju” que eu demorava um pouco mais a comer porque nunca encontrava o “P” para completar o meu nome na borda do prato da sopa: “Pedro”.

Como estou preso, fechado numa cela, isolado, formei na “Terra do Nunca” (até o “Peter (Pedro) Pan” “convidei” para o sonho) o seguinte palíndromo: A torre da derrota.

Se lerem da direita para a esquerda,“voilá”: a mesma frase. Fascinante o mundo dos sonhos, não é? Derrotado, fechado como numa torre, forma-se o palíndromo. E o que dizer deste: seco de raiva coloco no colo caviar e doces. Leiam ao contrário! Incrível não é? As filhas e o filhote, durante as 3 horas da visita, disputam a minha atenção e o meu colo, e eu, porque observado pelos guardas, porque se os agarro num gesto mais carinhoso desfaço-me em lágrimas e depois não os quero largar, então, seco de raiva coloco no meu colo caviar e doces: novamente o meu desejo de amar os meus transformado em comida, algo que por aqui não abunda!

No sonho, a “sopa de letras” da “Mãe Ju” não sabia muito bem, tinha um sabor amargo. Talvez porque muitas vezes a sopa é uma imposição quando somos mais pequenos.

Mas depois de comer a “sopa do sonho” o resto da refeição foi muito prazerosa; quiçá identifiquei a sopa com a prisão e o “pós-prisão (sopa)” com a liberdade! E, logo de imediato, nasceu outro palíndromo: após a sopa (façam o mesmo exercício, leiam da direita para a esquerda, por favor!)

Por esta altura (no sonho) encontrava-me numa sala enorme, onde à minha frente estava um colectivo de juízes presidido pela Sra. Maria Alice que me repreendeu duramente quando eu dirigi-me à mesma e muito entusiasmado afirmei: “Tenho outro palíndromo: a droga da gorda.

Sem perceber se a senhora ficou arreliada por ter dito “gorda” ou “droga”, apesar da visível irritação descontrolada desta, eu insistia: “Leia da direita para a esquerda, por favor!” Curiosíssima a mente humana!

Mas o que fazia eu naquele julgamento afinal? (isto no sonho, claro). Percebi tudo quando a Maria Alice foi substituída por uma coruja (símbolo de Sabedoria). A Coruja, de toga, informou-me: “Este Tribunal quer encontrar o palíndromo perfeito!”

De imediato respondi: Ana!

Como num passo de mágica – só possivel num sonho – vejo um velho com um acordeão, sentado num banco de madeira junto ao Coliseu de Roma, a tocar “Speak softly love”, enquanto leio numa ementa (novamente a comida): Roma é Amor (outro palíndromo)

Ainda a ouvir a musica da canção do Andy Williams (banda sonora da trilogia do “Padrinho” de Coppola) uma luz azul (outro palíndromo) cega-me e estou de novo perante a Coruja a defender a minha resposta: Ana.

“Porquê Ana?” – insiste a Coruja

“Porque Ana significa “graciosa” ou “plena de graça”! – claramente aquilo que faço com a “ninhada” quando lhes explico o significado dos seus nomes.

Como nos sonhos a geografia, o tempo e a lógica regem-se por outras leis, no lugar da Coruja está agora o Gianni Morandi que canta: “Anna, io sono un treno / Ho passato una vita a viaggare anche senza freno…” (Ana eu sou um comboio / Passei a minha vida toda a viajar sem freio (travão)). Fui sonhar isto porquê? Talvez por causa da crise na C.P., será?

Talvez não porque o Gianni Morandi continuou: “Questa notte è una notte di luna / E tu mi porterai fortuna e penso a te…” (“Esta noite é uma noite de lua / E tu trazes-me Fortuna (sorte) e eu penso em ti”).

Apareceu então o Dr. Carlos Alexandre que me diz: “Dr. Sousa. explique melhor isso, explique-me porque eu não entendo a razão pela qual Ana é o palíndromo perfeito!” – irado.

A minha resposta: “Eu vou apelar ao meu advogado para explicar a V. Exa. – aponto então para o meu lado direito e vejo, surpreso, o Roberto Carlos levantar-se, pegar no microfone… e começar a cantar o “Concavo e o Convexo”: “Nosso amor é demais e quando o amor se faz / Tudo é bem mais bonito / Nele a gente se dá muito mais do que está / E o que não está escrito”

A “ninhada”, atrás de mim e do inesperado “advogado” Roberto Carlos, começa a aplaudir.

Um Carlos Alexandre a espumar grita: “Calem o advogado e as crianças!”

Mas o “Rei Roberto” continua: “Nosso amor é assim, para você e para mim / Como manda a receita / Nossas curvas se acham, nossas formas se encaixam / Na medida perfeita…”

Grita então alguém que não consigo identificar: “Cala-te ó Juíz, porque as coisas simples da vida são as mais belas!”

Silêncio absoluto, está escuro, apenas vejo a cara iluminada do Juíz Carlos Alexandre que me diz: “Dr. Sousa, o senhor é um lobo e vai ficar preso! Levem-no!”

Eu, entusiasmado digo apressadamente: “Antes de ir permita-me dizer, com a devida vénia: “O lobo ama o bolo”! Viu Dr. Carlos Alexandre! Leia da direita para a esquerda, por favor! Não posso ser preso, fiz mais um palíndromo, ganhei! – enquanto oiço a voz da minha Helena: “Uau! O Pai é mesmo mágico!”

Agora estou fechado dentro da carrinha celular. Sei que vou a caminho do E.P. de Évora.

Sozinho, convicto de que o palíndromo perfeito é Ana, começo a ouvir na rádio a música “Bo tem mel”. Sorrio, relembrando…

Chegando ao E.P. de Évora, sou recebido por um burro com um fato vestido que me pergunta: “Anotaram a data da libertação, a data do final da pena?”

Respondo eu sorrindo, orgulhoso: “Anotaram a data da maratona?”

– Como?!? – pergunta admirado o burro, erguendo as orelhas.

– Leia, por favor, da direita para a esquerda! É mais um palíndromo, venci outra vez!

– Um quê?!? Levem-no para a cela e sirvam o jantar – ordena

Enquanto vou escoltado por dois guardas oiço o burro dizer: “Este tem a mania que é mais esperto que os outros mas foi preso!” – gargalhando.

Não ligando à última do burro, feliz por mais um palíndromo, pergunto aos guardas:

– O que é o jantar?

– Sopa de letras … mas faltam letras!

– Faltam?!? Tem dois “A” e um “N”? – pergunto ansioso

– Sim, tem, a sua mãe colocou. – respondeu o guarda

– Perfeito! – desejoso, com muita saudade.

E acordei. É mesmo maravilhosa a mente humana, não é?

 

 

 

 

 

 

 

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11 thoughts on ““Sonhos e sopa de letras”

  1. Não tiveste palidromos para a juiz pois não. Levaste 5 palidromos e meio e tens de levar tudo atrás. Tanta letra tanto verso agora só cantas a cancão do bandido aos pedófilos que estão contigo na prisão. Ninguém te quer ouvir agora vais cantar para os outros porcos que estão presos contigo. Tenho um palidromo para ti: acabou tudo às gajas e o bem bom. Se leres isto de trás para a frente vai dar ao mesmo. Chupa.

  2. Intenso…
    Temos de nos encontrar. Espero que isso aconteça!
    É por isso que é tão invejado. Pir ser e diferente.
    O que é diferente incomoda!
    Faltam trezentos dias?…piece of…canja…como a sopa de letras.

  3. Anónimo, tu nem dormes, só para seres o primeiro a comentar, tu amas o João de Sousa e tens uma admiração incondicional por ele.
    Quando ele sair,tu serás o primeiro!!
    Muitos de vós, parasitas da Judiciária, (que sabem o que fazem )porque só fazem o que vos mandam e nem sequer sabem o porquê, irão estar tramados, porque este homem sabe o que deve fazer, e então quando ele abrir a boca e agir, estarei cá para ver e ouvir, tenho curiosidade e se Deus quiser, será para breve, força Inspetor! !

  4. Muita força Sr João de Sousa, Está quase na meta final. Mas tenho que reconhecer que o Sr incomoda muita gente, é impressionante mas fico feliz por isso, um ABRAÇO MUITO FORTE.

  5. UM ESPETÁCULO, como não há-de ser odiado pelos incompetentes analfabetos PJs que por aqui vomitam o seu fél. . Força inspector, atrás de tempo, tempo virá. Comparando esta performance com a dos inspectores e e-inspectores que andam pelas Tvs.é de bradar aos céus tanta incompetência e até ignorância. Força Inspector, saúde para si e para a família.

  6. É impressionante como bófias (de toda a espécie), conseguem armazenar e vomitar tanto ódio. Inacreditável. É estranho que certos pasquins , tentem promover estes párias a heróis. Enfim.
    Pense noutra profissão que não esteja tão contaminada e esqueça também o correio do crime e alguns dos seus comentadores.
    Boa Sorte para o Sr e para os Seus.

  7. A justiça em Portugal é de facto uma anedota. E os juízes nem falar….
    O recluso João de Sousa apanhou 6 anos de prisão por uma alegada promessa futura de qualquer coisa.
    Um sargento da GNR apanhou pena suspensa por um crime de recebimento indevido de vantagem agravado.

  8. Sr.Joao Sousa ,conforme o tempo vai passando verifico que o seu crime , que vai praticar no futuro ,foi um erro não o ter praticado no presente conforme noticias recentes, seus colegas ,(GNR)foram condenados de recebimento de vantagens agravadas e tiveram penas suspensas, o seu caso é politico ou de compactuacoes, de gentalha da sua corporação e assim ,em breve terá um lugar com merito no futuro , nos donos deste pais,(C.M)correio da manhã ,assim vai a justiça neste pais e os nossos governantes com a cabeça enfiada na areia ou será este comentario extemporâneo conforme uso comum, quando os processos não interessam aos meretisimos desembargadores !!

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