“Onde estão os psicólogos na prisão?”

Estimado(as) Leitores(as), este é o texto que enviei para o meu incansável “Secretariado” na quarta-feira, 1 de Agosto de 2018, via “correio-azul”.

A carta chegou após 16 dias !!!! Como devemos “dar a César o que é de César”, o Estabelecimento Prisional de Évora e os seus serviços não foram responsáveis pelo atraso; assim sendo, reddite Caesari quod est Caesaris, et Deo quod est Dei: os “CTT” são uma desgraça e o E.P. de “Ébola” foi célere e diligente nesta situação.

Mais uma informação que entretanto reuni: a Psicóloga só dispõe de 2 horas semanais para desempenhar o seu importante trabalho no E.P. de Évora. Talvez antes do final da minha pena, ou melhor, do meu “tratamento prisional” (antes de Setembro de 2019) eu consiga estar perante a Psicóloga, até lá: só uma cadeira vazia!

 

Liberdade daqui a: 409 dias!!!!

Foi há uma ou duas semanas que vi na televisão um apontamento jornalístico sobre Psicólogos nas prisões e a miséria da remuneração que auferem: 5€/hora!

Na passada semana reuni com o Técnico do Serviço de Educação do Estabelecimento Prisional de Évora, tendo obtido a informação, durante a reunião, que, desde a semana de 16 de Julho de 2018, existia no E.P. uma psicóloga.

Ao fim de 4 anos, 4 meses e 1 dia, eu, João de Sousa, recluído, fechado num espaço de 9 metros quadrados durante 13 horas diárias dos 1577 dias que já cumpri, que durante os últimos 1577 dias apenas copulei 7 vezes com a pessoa amada (aquando das saídas precárias concedidas) que regredi, obrigado, até à fase da adolescência e às práticas manuais típicas desse conturbado período da minha vida, distante dos filhos, ausente aquando do falecimento da minha progenitora, assim como do nascimento do “filho-homem” desejado, diariamente cerceado na expressão saudável da minha personalidade, cristalizado no tempo, partilhando tempo e espaço com alguns dos “animais” mais execráveis da nossa sociedade, finalmente vou ter o auxílio de um profissional formado, com conhecimentos reais que lhe permitem auxiliar seres humanos sujeitos à reclusão!

Ou não!

O recluído, eu, sistema bio-psico-sociológico complexo, em confronto diário, real, com o “outro sistema” – a prisão – cuja realidade física e social é nociva para um desenvolvimento psicológico (e até físico) saudável, que dia após dia tenho de realizar a correcta e sábia gestão entre a minha individualidade e as imposições institucionais, que tenho de “representar” os papeis que se enquadram no expectável/exigido pelo contexto, pelo “sistema”, sendo obrigado a apresentar “esquemas comportamentais” que em “sociedade livre” seriam incontestavelmente, de imediato, reprovados, eu que a tudo isto estou submetido, podendo-se facilmente afirmar que cada vez mais vejo-me afastado do que se considera ser “uma pessoa saudável”, finalmente vou ter a auxiliar-me um profissional capaz, com conhecimentos reais que lhe permitem observar, diagnosticar e tratar a minha doente pessoa.

Ou não!

Em 1993, Rui Abrunhosa Gonçalves escreve, “A adaptação à prisão – um processo vivido e observado”, obra que, como o próprio descreve, “constitui no seu essencial, a dissertação de Mestrado em Psicologia, especialidade de Psicologia do Comportamento Desviante, concluída em Dezembro de 1990”.

Há cerca de 25 anos, o Dr. Rui Abrunhosa Gonçalves concluía: “[…] que a tarefa dos psicólogos a trabalhar em meio prisional deve ser, sobretudo, a de promover uma adaptação – processo que permita a indivíduo sobreviver intra-muros, tão autonomamente quanto possível, em termos de preservação da sua identidade e personalidades próprias, facultando os meios possíveis para a aprendizagem das formas mais adequadas de estar na prisão sem ter que assumir modelações simbióticas com ela que, aquando da libertação, dificultarão seguramente o seu devir como cidadão livre […]”.

A Sra. Dra. Psicóloga colocada aqui em “Ébola”, vai alcançar tudo isto a 5€/hora, dispondo de 2 horas diárias para lograr fazê-lo? Melhor (ou pior): acho que são 2 horas semanais!

Olhe que não Dra.! Olhe que não!

Mas há mais! Aqui, em Ébola, somos “apenas” 40 exemplares nocivos; como será nas prisões sobrelotadas com 500, 600, 700 delinquentes?

E aqui, como vai ser aferida a necessidade de cada recluso? Sim, porque 2 horas diárias (ou semanais, estão ainda a decidir como vai ser!) não chegam para todos os 40 que não estão a evoluir, estão sim “cristalizados” ou a regredir!

A solução seria uma análise capaz “dos 40”,com entrevista, sujeição a psicometria e posterior análise dos dados recolhidos. Mas não, aqui é feito a “olhómetro”!

Atenção, temos que ser honestos intelectualmente e justos: como é que a Direcção do E.P. de Évora poderia fazer diferente? Como fazer correctamente quando só existe um profissional da saúde mental disponível durante 2 horas diárias (ou semanais!!!) a auferir 5€/hora?

Um dos elementos/factor de aferição/rastreio são os Serviços Clínicos, i.e., a médica que está colocada aqui em “Ébola” considerar que o recluso necessita de ser “atendido” pela Psicóloga. É uma boa forma de solucionar a questão. Não, não é! A “Sra. Dótora” é a mesma que me comunicou restarem-me 3 meses de vida (leiam, se não o fizeram ainda, o texto deste blogue, “A Medicina do Refugo”!

Outra solução é a observação diária dos reclusos por parte do corpo dos guardas prisionais!

Com todo o respeito que merecem, será que na sua formação profissional base, ou mesmo em formações posteriores, os “srs. guardas” foram dotados das ferramentas necessárias para observar, identificar e comunicar patologias de adaptação, critérios de normalidade, contextos comportamentais, manifestações de stress, comportamentos de assimilação, acomodação ou “modelações simbióticas”?

Com a devida vénia, a não ser que o recluso João de Sousa amanhã defeque no refeitório e com as fezes tente reproduzir a “Guernica” na parede, o corpo dos guardas prisionais conclui: está tudo bem com o mesmo!

Sabem a falta que fazem os Psicólogos na prisão? Quem é que aplica, quando aplicam, os tratamentos (acompanhamento/terapia/observação/avaliação) aos abusadores sexuais (pedófilos, violadores) ou quem é que executa/realiza os programas de treino de competências pessoais e sociais (v.g. aos homicidas e autores de violência doméstica)?

Deveriam ser psicólogos! É essa a falta que fazem!

Aqui em “Ébola” existem Planos Individuais de Readaptação (PIR) onde está prevista a participação em Programas de Treino de Competências para autores de violência doméstica (homicidas): não são aplicados! Num dos casos, o indivíduo assinou o seu PIR, elaborado somente ao fim de 5 anos (numa pena de 16 anos) e ainda não frequentou qualquer programa de treino de competências!

Não foi avaliado por um psicólogo! Não foi aplicado qualquer tipo de psicometria! Foi, mais uma vez, a “olhómetro”!

O Técnico dos Serviços de Educação do E.P. de Évora, desde que chegou, faz o que pode, sendo que por vezes aquilo que o recluso precisa é de alguém que faça um pouco de “escuta activa”, que o oiça de facto, mas isso até um “barman” faz com elevada mestria. Agora, ouvir, identificar o problema e “desenhar” um plano de actividades que permitam a reinserção e ressocialização capaz, isso somente um técnico da área, um psicólogo.

Mas não a 5€/hora e com 2 horas diárias (ou semanais, estão ainda a decidir). Crer que algo se está na realidade a fazer, só se for para a promoção política de algum governante ou Director que tutela a área responsável pela questão, de outra forma, é atirar areia para o “olhómetro” do pessoal!

 

 

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6 thoughts on ““Onde estão os psicólogos na prisão?”

  1. Ó animal a psicóloga devia era ver que és um psicopata perigoso. És manipulador, és uma merda doente que deviam dar-te o comprimido para saires da prisão a babar-te assim já nos riamos quando te vissem na rua a pedir. Isto é que era porco. És tarado sexual psicopata.

  2. “Conheço a peste”…….se conheces tens uma inveja desgraçada que te corrói as entranhas e por esse facto tens os dias contados, irás efectivamente elouquecer a andar nos semáforos a pedir um cigarro.
    Agora mestre João, a 5€/Hora e logo SÓ 2 HORAS? não dá nem, nem pensar e por isso, irão continuar muito tempo nesse marasmo. Mas há algo de novo que aí vem, para obter a carta de condução irá ser necessário um curso de desfibrilhador ora, certamente irá chegar a todos os Guardas assim como a todos os detidos. Continue, vá levando um dia após outro e em breve, todo o pesadelo terá passado, haja saúde assim como para toda a família. Um abraço

  3. Todas as semanas há um anormal (ou outro) que vem expor bacoradas e despejar o lixo, que lhe atafulha a cabeça, nestes comentários. E sempre em primeiro lugar, o que mostra o grande interesse pelas interessantes crónicas do João de Sousa. Esconde-se no anonimato, o que mostra a sua cobardia. Nunca responde às críticas que lhe fazem. Enfim… uma (ou outra) besta. Continue, João, que há milhares que esperam as suas peças e que sabem apreciar a sua bela prosa. E ficam a conhecer os meandros dessa instituição que distribui a Justiça nesta terra. E quando sair, não deixe de publicar um livro com todo este material.

    • Completamente de acordo com o Augusto.
      Já reparou que a anormal (com este ódio patológico, só pode ser mulher, extremamente infeliz e frustrada) nem dorme para ser a primeira a colocar um comentário!
      Força João Sousa! Os seus textos continuam a justificar vir aqui todas as semanas.

  4. O quanto andam enganados estes comentadores …
    Uma mulher, qual mulher !!!???
    É um corno que vem aqui todas as semanas em primeiro lugar e que para ganhar coragem, já vem “que nem um cacho” …
    A dor de corno, segundo especialistas mundialmente reconhecidos, não passa com o simples enfrascanço.

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