“La verità effetuale della cosa”

Liberdade daqui a: 437 dias!!!!

Como está o Vosso Maquiavel? Não, nada disso! Não estou a perguntar se são “Maquiavélicos”!

É importante esclarecer que muito boa gente, supostamente formada e informada, não sabe nada sobre Maquiavel ou o “maquiavelismo”. Questiono-Vos sobre a Leitura da obra maior deste autor, “O Príncipe”  (“Il Principe”). Se ainda não leram (mas com toda a certeza já ouviram falar) aproveitem a Vossa actual condição de veranistas e leiam.

Diogo Pires Aurélio viu a sua tradução do italiano (do texto de Giorgio Inglese) receber a “Menção Honrosa do Prémio de tradução Científica e Técnica em Língua Portuguesa da Fundação para a Ciência e Tecnologia e da União Latina”, tendo sido editada no Círculo de Leitores (“Temas e Debates”, 2008) a referida tradução, introdução e notas.

Na passada semana reli o meu Macchiavelli.

Fi-lo como o próprio fazia: “Chegada a noite, volto para casa e entro no meu escritório. Dispo a roupa do dia-a-dia, cheia de lama e lodo, e cubro-me de panos reais e curiais. Assim, vestido decentemente, entro nas antigas cortes dos antigos homens […] Não me envergonho de falar com eles e de Lhes perguntar a razão das suas acções […]”

A única diferença é que eu não entro no meu escritório mas sim na minha cela, e dos “antigos homens” agora também faz parte o próprio Niccolò Machiavelli!

Não sei se sabem mas Machiavelli foi preso e torturado, consequência de ter feito parte de uma conjura republicana fracassada. As palavras antes evocadas, foram escritas por ele aquando do seu exílio, altura em que escreveu “Il Principe”.

O ilustre florentino (não no seu tempo) escreveu “Il Principe” para o ofertar ao Poder vigente, objectivando retornar à arena política do seu tempo.

Encontrando-me eu “exilado”, recluído, confrontado com a realidade do meu Tempo (o Vosso), Estimados(as) Leitores(as) senti necessidade de “falar e perguntar” ao Niccolò sobre a nossa Era, a nossa realidade.

Na introdução de Diogo Pires Aurélio lê-se: “[…] Maquivael, cuja intenção expressa é escrever algo que seja útil, opta, como vimos, por ir direito à «verdade efectiva da coisa», em vez de se ficar pela imaginação desta […]”

É á luz deste conceito – “La verità effetuale della cosa”  (“a verdade efectiva da coisa”) – que eu Vos quero falar sobre a nossa Realidade!

Maquiavel: “[…] Porque é tanta a distância de como se vive a como se deveria viver, que aquele que deixa o que se faz por aquilo que se deveria fazer, mais depressa conhece a sua ruina do que a preservação […]” (capítulo: “As coisas pelas quais os homens e principalmente os príncipes são louvados ou vituperados”; “O Príncipe”)

Vou ofertar-Vos um exemplo do “Mundo” em que agora (sobre)vivo: um camarada que já alcançou a sua Liberdade, há uns tempos veio ter comigo (uns dias antes de estar perante a Juiz do T.E.P.) questionando-me sobre a “melhor maneira de se apresentar e falar com ela”.

Como começo por dizer a todos: “Repare, eu não consegui pulseira, depois fui condenado, ainda não gozei as precárias, porque é que acha que os meus conselhos são válidos? A realidade desmente-me!”

Conquanto a advertência, ainda assim o sujeito queria saber a minha opinião. Dei a minha opinião e fiquei desiludido com o indivíduo, porque a certa altura disse-me, convicto:

“- Sr. João, eu não cometi o crime mas, porque agora é preciso, é assim que eles querem: vou assumir e demonstrar-me arrependido!”

Reservei-me, não comentei, não demonstrei o meu desagrado pela falta de hombridade, a ausência de resiliência, a indolência manifesta na defesa do que acreditava ser “a sua verdade”!

Após falar com a Juiz, o sujeito em questão foi colocado em Liberdade condicional! Tendo sido condenado a uma pena maior do que a minha, tendo cumprido menor tempo de prisão do que o tempo de condenação que já levo presentemente, logrou alcançar o desejado!!!!

Conseguem ver aqui, neste exemplo, a distância existente entre “como se vive e como se deveria viver”? Detectaram no exposto, onde se encontra “La verità effetuale della cosa”?

Outro facto no qual também podemos observar o conceito de Machiavelli: “Jornal Expresso, 1º Caderno, edição de 23 de Junho de 2018. Artigo de Ricardo Costa, “O curioso encolher do “Caso Fizz” ”. Escreveu Ricardo Costa: “Há poucos meses o “caso Fizz” tinha tudo para ser um dos mais importantes do ano judicial […] começa a ficar claro que a frente política e diplomática foi muito mais importante do que o processo em si […] o “caso Fizz” encolheu tanto que agora é outra coisa.”

Afinal não é “à política o que é da política, e à Justiça o que é da Justiça”; afinal a “realidade efectiva da coisa” é outra. Afinal, um procurador que confessou a prática de crimes de branqueamento e fraude fiscal pode mesmo ser condenado (somente) a pena suspensa!

Podemos concluir que a Justiça não é “ceguinha” e tem de obedecer às “razões de Estado”.

A dura realidade dos actos obriga a branquear comportamentos, acções, saldos bancários, escutas, provas e tudo mais, fechando-se os olhos ao que é justo e correcto fazer-se (ou condenar-se) tudo por um “valor mais alto”, não se aplicando a Lei quando não é conveniente. Honoré de Balzac postulou-o melhor do que eu: “Não existem princípios, apenas factos. Não existe o bem e o mal, apenas circunstâncias. O homem superior apoia factos e circunstâncias a fim de guiá-los. Se houvesse princípios e leis fixas, as nações não as mudariam como mudamos de camisa, e não se pode esperar de um homem que seja mais sábio do que uma nação inteira”

Ora aqui está a “verdade efectiva da coisa”: eu, João de Sousa, o menos sábio e maquiavélico dos homens (atentem que não recebi nada com a minha corrupção, foi só uma promessa!) certamente não sou mais sábio que a nossa Nação inteira, Dr. António Costa, Professor Marcelo R. de Sousa, Ministério Público, Juízes e Dr. Orlando Figueira incluídos!

O burro sou eu! (como dizia o outro) O corrupto sou eu!

Vejam: “Ongoing falida escondeu ser dona de empresa líder de recrutamento […] Fundada por [Nuno] Vasconcelos, a Ongoing deve quase 700 milhões ao Novo Banco e ao BCP […]”(Jornal “Expresso”, 1º caderno, edição de 30 de Junho de 2018).

“La verità effetuale della cosa”: todos nós é que estamos a pagar a dívida do Sr. Nuno Vasconcelos e a Justiça Lusa, estrábica, não consegue (ou não quer) fixar os olhos no moço!

“La verità effetuale della cosa”: passado um ano, qual é a verdade de Pedrogão? Um raio?!?

A Madona pode ter 15 lugares reservados em Lisboa, a capital do Vosso país, e Voçês?

Um Prémio Nobel da Paz cobra um escandaloso valor de 9000 euros por minuto para falar sobre alterações climáticas e perspectivas para o futuro, à porta fechada, apenas para 3000 indivíduos, entrando e saindo como uma “pop star” (“like a virgin”) e os presentes, deslumbrados pela proximidade da celebridade: regozijam! Então não é objectivo de Barack Obama chegar ao maior número de pessoas possível com a sua mensagem? Será que o Mandela também pagava para aparecer?!?

Querem a “verdade efectiva da coisa”? “Yes, they can”! (sim, eles podem! Ele e a Madona).

Nós não, eu principalmente! E este foi o maior ensinamento que retirei (e continuo a retirar) do meu processo-crime, da minha prisão preventiva, do meu julgamento e sequente condenação, do cumprimento da minha pena: “Eles” podem e eu não!

Consequência de uma gritante falta de conhecimento da minha real dimensão, fruto da temeridade filha da coragem imprudente e presunçosa, escravo de uma egolatria sem motivo, decidi jogar o jogo para o qual não fui convidado! Mais do que não dominar o resultado do lance dos dados, desconhecia o que marcado estava nas faces dos pequenos cubos! Confundi a emoção do (aparente e não real) controlo, com Poder efectivo!

Não culpo a “Fortuna”, mas sim a minha falta de “Virtude”, ou como magistralmente colocou Niccolò Machiavelli: “Acontece de modo semelhante com a Fortuna, a qual demonstra a sua potência onde não está ordenada Virtude para lhe resistir” (Capítulo: “Quanto pode a Fortuna nas coisas humanas e de que modo se deve fazer-lhe frente”; “O Príncipe”)

Cheguei a esta conclusão relendo o meu Machiavelli e uma pequena notícia da revista “Sábado”, edição 739, de 28 de Junho a 4 de Julho de 2018.

Quando fui presente ao Juiz de Instrução de Almada, após a minha detenção, durante o interrogatório o Meritíssimo exibiu-me a primeira página do “Correio da Manhã” desse mesmo dia, na qual eu aparecia numa fotografia (corpo inteiro), dizendo-me indignado: “Vê, Sr. Inspector? Vê o que os seus “amigos da imprensa” lhe fizeram?”

Fui condenado por violação de segredo de funcionário, não como estava na acusação – por facultar informações a jornalistas – mas sim porque auxiliava uma “associação criminosa” que afinal não existia, não por dinheiro mas sim pela recompensa de um laboratório forense só para mim!

Se fosse informação aos jornalistas – o que de facto se verificou – então não existiria condenação a 5 anos e 6 meses!

Na ocasião, durante o julgamento também, sempre afirmei (a pés juntos!) que somente eu falava com jornalistas na P.J., mais ninguém tinha a relação promíscua que eu vergonhosamente mantinha com os média.

Na revista “Sábado”, edição antes referida, lê-se: “Concurso da P.J. chumba coordenadores”. É pacífico: o jornalista fez o seu trabalho de investigação, consultou o “Diário da República” e redigiu a sua peça.

Será que no “Diário da República” constava o seguinte: “[…] Deitou abaixo muitas esperanças e avivou algumas invejas. Enquanto o casal […] subiram de nível, os colegas […] ficaram fora dos escolhidos. O chumbo também atingiu […] desistiram a meio. Um dos que passou à justa foi Pedro Fonseca (o 8º classificado de um grupo de 10), o homem que coordena a equipa especial dos casos de futebol.

Qual é a verdade efectiva desta pequena “fofoca”? Ou melhor: desta fofice? Lucra a quem? Será um exemplo de promiscuidade entre efectivos da P.J. e os média?

Winston Churchill, reconhecido maquiavelista, costumava dizer: “A verdade é tão preciosa que deveria estar sempre escoltada por mentiras.”

Ao reler o meu Machiavelli e ao ler esta cirúrgica “nota breve sobre o assunto”, percebi que “eles” sempre poderam e podem, e eu, fogo-fátuo, falso brilho, chama débil, ousei desconhecendo “La verità effetuale della cosa”, a saber: “Que nada é tão débil e instável quanto a fama de potência não assente na própria força”.

Potência, só a fama da mesma e força: nenhuma!

Errei a toda a linha. Contrariei todas as regras que deveria observar: ofusquei o brilho dos meus superiores hierárquicos; confiei demasiado naquele(s) que julgava ser amigo(s); não ocultei as minhas intenções e projectos; disse e escrevi (sempre) mais do que era necessário; não aniquilei totalmente o inimigo (só o provoquei escarnecendo-o); não percebi com quem lidava, não representei o “perfeito cortesão” (e até sobre isto eu leccionava: “Sprezzatura”).

Mas, a regra mais importante que desprezei, vejo-o agora, foi esta: independentemente do que pensa de facto, aja como os outros!

Muito antes de Machiavelli, Tucídides escreveu: “Ao desprezar as leis e imitar os modos estrangeiros, tornou-se amplamente suspeito de não estar disposto a conformar-se com padrões normais”. Tucídides referia-se a Pausanias. Modos de agir e pensar, e vangloriarmo-nos de assim sermos, ainda que não seja essa a intenção e mesmo que não seja real, só é visto por terceiros como “mostrar-se superior aos outros”. Isto, acreditem, só traz consigo dissabores! Um simples Inspector não tem contactos com os média. Um simples Inspector não faz doutoramentos em Ciência Política e Relações Internacionais. Um simples Inspector não é convidado para ser membro de Associações Forenses Americanas. Um simples Inspector não faz Ciência ou dá aulas. Um simples e corrupto Inspector condenado não escreve crónicas semanais para o jornal com maior tiragem nacional. Um simples e corrupto Inspector condenado não aparece na televisão a dar entrevistas.

Tudo isto são actividades (tirando a corrupção e contactos com os média, claro!) da exclusiva competência de Coordenadores, Coordenadores-Superiores ou cargos de Direcção da P.J.!

E eu, ignorante e débil fogo-fátuo, não compreendi, não percebi que estava a fazer tudo mal, tudo ao contrário. Como disse o nosso maior poeta: “Errei todo o discurso de meus anos / dei causa a que a Fortuna castigasse”. E achei-me corrupto e condenado!

Agora percebo, entretanto compreendi, só agora vi “La verità effetuale della cosa”. Talvez tarde demais… não, creio que não, ainda há tempo, já falta pouco tempo, e quando o tempo chegar, nessa altura esta “longa experiência das coisas modernas”, aliada à “contínua leitura dos antigos”, permitirá, com elevado grau de certeza, ultrapassar e vencer as dificuldades da conquista e manutenção de um “principado novo”!

Não deixem de ler (ou reler) “Il Principe”, de Niccolò Machiavelli! Boa leitura!

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6 thoughts on ““La verità effetuale della cosa”

  1. O que eu me farto de rir com este porco infeliz lê porco lê que te faz bem aos cornos. Tanta sabedoria e estás preso. Todos os outros não faziam nada de jeito na tua boca mas tu é que estás a apodrecer. Lê porco lê o que eu lia com gosto era a notícia da tua morte, isso é que era.
    Vai falar italiano com as paredes da cela. Viva a Justiça

  2. Ainda nem sequer li a crónica de hoje, mas vim ver o que este porco aqui veio escrevinhar.Essa raiva toda não é só assunto de serviço, há por aí algo de íntimo que te atormenta, conta a verdade o que de tão mal te fez o “infeliz” para teres tanta felicidade. Há o ditado “quem com ferros mata, com ferros morre” ou aquele que diz “quem tem telhados de vidro…..

  3. Tanto ódio não é normal !
    Há um anónimo que necessita urgentemente de tratamento psiquiátrico!
    Força Inspector. Há muita gente do seu lado (e curiosamente, o ódio deste psicopata só confirma a sua razão).

  4. Que saudades das aulas de “sprezzatura” Prof. João. Vou reler o “Príncipe” com saudades da forma incrível de explicar os temas. Muitas saudades de tudo. Um abraço.

  5. Tenho pena de viver no pais de cegonhas,EX.SR.presidente será que de tanta fanfarra não tem coragem de por esta justiça na ordem 40 anos de compaderio vai deixar poucas saudades viva , DR.judice sousa grande jurista diz muitas verdadez sobre esse sr.

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