“Apanhados (ou talvez não)!”

Liberdade daqui a 797 dias (ou talvez não)!

Descoberta. “Coisa que se descobriu, descobrimento, achamento; invenção, invento.”

Esta semana, no centésimo quadragésimo nono texto, vou ousar aconselhando uma leitura.

Época de veraneio, calmaria, podemos ler um livro a ouvir o restolho dos campos ou o marulhar das águas, doces ou salgadas.

Eu li a obra durante esta semana que passou acompanhado pela ruidosa Verborréia dos sujos corredores do Estabelecimento Prisional de “Ébola”.

Imerso no que lia, durante quatro dias nada escutei do ruído das chaves ou das vozes de revolta e asco.

O livro: “Apanhados”. O autor: António José Vilela (Grande repórter da revista “Sábado”). Editora: “Manuscrito”. 549 páginas (sim, 549 porque é muito interessante ler de páginas 517 a 549 as “Fontes” consultadas!)

Não posso dizer que foi uma “descoberta”. Primeiro porque não se encontra “invenção” ou “invento” na matéria que nos é ofertada – as “Fontes” são os próprios inquéritos e os responsáveis pela investigação e/ou os investigados – diria que foi mais uma “confirmação”, vou um pouco mais longe: uma ratificação!

O livro trata (como surge no grafismo da capa) das “investigações judiciais às fortunas escondidas dos ricos e poderosos”.

Manuseando, no verso após sinopse: “Um livro indispensável para perceber o que aconteceu em Portugal nos últimos 15 anos”

Eu (uma questão de egotismo) percebi ou confirmei, não descobri, os meus últimos 3 anos e 3 meses de prisão preventiva!

Tudo aquilo que li está marcado a ferro e fogo em mim, o juízo moral que formulei justifica-se por tudo a que me sujeitam, a assimilação das palavras do autor foi facilitada pela minha actual condição.

Esta questão não é de somenos importância porque como dizia Ronald Dworkin no seu “Justiça para Ouriços”: “Assim, não deveríamos ter medo de admitir que as opiniões morais de todas as pessoas são acidentais neste sentido: se as suas vidas tivessem sido suficientemente diferentes, as suas crenças teriam também sido diferentes”.

Ou seja, as vendas deste livro podem ser muito humildes atendendo que existe um “divórcio” da população portuguesa sobre a matéria em apreço, uma vez que a “experiência” da maioria – com apenas 43 anos de democracia – é do “deixa andar até a mim tocar”!

Reconhecidamente o maior e mais perigoso criminoso em Portugal do pós-25 de Abril, o mais nefasto dos prevaricadores, aquele que se revelou o mais nocivo para a economia nacional consequência da sua corrupção através de uma promessa, e tudo o que se escreveu facilmente é comprovável através da manutenção da prisão preventiva, inúmeras vezes confirmada pela 9ª secção do Tribunal da Relação de Lisboa, eu, João de Sousa, Inspector da P.J., revi Tucídides nas letras de António José Vilela quando Arquídamo, rei dos espartanos, afirmava em “A guerra do Peloponeso” que: “A guerra é mais uma questão de dinheiro do que armas”.

“Fugiram aos fisco entre 2002/2006, contabilizando a empresa facturas fictícias de quase 28 milhões de euros produzidas em nome do “offshore” Union Trade […]” Operação Furacão, página 95

O meu co-arguido manifestou ao Tribunal a sua vontade de “saldar as dívidas” com o fisco, à semelhança de todos aqueles da “Operação Furacão”: não permitiram o pagamento, “apanhou” 10 anos!

O Juiz (Carlos Alexandre), a Directora Cândida Almeida (Ministério Público) e o Procurador Vitor Magalhães (intermediário), reuniram-se num almoço, objectivando os dois magistrados do Ministério Público convencer o Juiz a concordar com a solução para a “Operação Furacão” – “pagas e não vais para a prisão” – solução com a qual estavam de acordo os membros do governo liderado por José Sócrates (argumento utilizado pela Dra. Cândida de Almeida)! Página 95 da obra em apreço.

Como !?!?! O Juiz dos Direitos, Liberdades e Garantias, o “fiel da balança”, aquele que deve manter-se equidistante das partes – arguido e Ministério Público – num almoço para ajustarem uma “solução judicial”? Repito: como ?!?

Página 184: Juiz–desembargador, Dr. Nuno Ataíde das Neves ligado a Francisco Canas: “[…] 13 telefonemas entre Canas e o Juiz por causa de uma alegada transferência […]”

O autor está a inventar e eu a aproveitar? Leiam tudo: páginas 527/528, “Fontes”!!!

Ricardo Arcos. “Operação Monte Branco”. 300 mil euros de caução e liberdade após denunciar vários clientes e prometer continuar a colaborar!

Afinal sempre se “negoceia” a Liberdade em Portugal. Afinal sempre se prende para extorquir a “confissão”, afinal os pressupostos da prisão preventiva são “vendáveis”!

Este Sr. Ricardo Arcos foi criticado pelo “super-Juiz”, Dr. Carlos Alexandre , como se pode verificar num despacho de sua autoria: “Diríamos que a atitude […] é a causa da ausência de receitas fiscais por parte do Estado, alimentando uma economia paralela superior a 3 mil milhões de euros” (página 218)

3 mil milhões de euros!!!! E com 300 mil euros : liberdade!?!

Eu, com “uma promessa”, ainda cá estou a “apodrecer”!

Estás a apodrecer porque queres: vende a tua Honra, informa o Juiz, diz o que eles querem saber, colabora com a Justiça!

Muito bem, e se não existir nada para dizer, e se não for má vontade, comportamento criminoso? E se não existir nada, o que fazer?

Ainda persistem dúvidas sobre como tudo isto funciona?

Página 257. Michel Canals “detido há 10 dias (10 dias!!! Fraca resiliência!) no estabelecimento prisional anexo à sede da Polícia Judiciária (P.J.) […] por suspeitas de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais”, escreve carta a Rosário Teixeira apelando ao Magistrado do Ministério Público: recebam-me que eu quero “chibar-me” (“liberdade poética” do autor deste blogue).

Resultado: liberdade para o Sr. Canals!

Ainda acreditam que a Justiça é igual para todos?

Página 327. Rosário Teixeira “justifica” a “não prisão” do Dr. Ricardo Salgado: “[…] o ora arguido permanecerá controlado nos seus movimentos e poderá ser encontrado […]”

Na página 341 pode-se ler como os advogados do Dr. Salgado ironizaram com as medidas aplicadas invocando que o Sr. Salgado saíu das instalações do Tribunal sem qualquer escolta policial, conduzido pelo seu motorista. Os próprios advogados gozam com tudo isto!

Eu, que ainda aqui estou com perigo de fuga, se achar graça é porque enlouqueci ou sou estulto: não estou a rir!

Página 424. Salgado, o Ricardo e Riciardi, o António, assim como outros (estes administradores da ESCOM) receberam 16 milhões de comissões pelo negócio dos “famosos submarinos”.

Pagaram ao fisco, estavam em falta e não podiam ser presos, foram cumpridores: 50 mil euros!

Incrível, não é?

Leiam a obra, há muito mais: a extinção do mandado internacional de detenção de Hélder Bataglia por parte do “super-juiz”, o “negócio” da Justiça (pág. 430); o “super-juiz” escondido no W.C. da fisioterapeuta para não se cruzar com dois ex-presidentes, ou seja, comportamentos do “fanático beato” (pág. 464). Atenção: “fanático beato” é epiteto da responsabilidade do autor deste blogue!

Página 488 a 493: Carlos Alexandre e a relação com Orlando Figueira e os comportamentos neuróticos do “super-juiz”!

Sócrates e os empréstimos está lá tudo, todos eles estão em liberdade, presumíveis inocentes. Eu não estou lá, não conto como é lógico e nem podia contar como é óbvio: não tenho riqueza pessoal ou familiar; o resultado da minha corrupção, o meu lucro, foi uma promessa; não delatei, não colaborei; não consegui comprar o cartão “está livre da prisão”, não possuo o monopólio de nada!

Mais: eu sou o mais perigoso, ardiloso e ruim dos criminosos, eu perturbo a ordem e tranquilidade públicas se for colocado em casa ou em liberdade!

Meus Caros, leiam a obra e pensem, porque se pensarem, ainda que o tempo esteja bom para banhos de mar/rio ou ­­banhos de sol, já é tempo de insurgirmo-nos, de zelarmos pela res pública, de participarmos conhecedora e criticamente na gestão da “Polis”, de sermos de facto “animais políticos”.

Não esqueçam Carl Schmitt, “O conceito do político”: “Por um povo já não ter força ou vontade de se manter na esfera do político, o político não desaparece do mundo. Desaparece apenas um povo fraco.”

Leiam “Apanhados” do António José Vilela conquanto o título não corresponda à realidade; pois “apanhado”, “bem apanhado”, apenas conheço um: João de Sousa, 43 anos, português, pai de filhos, Inspector da P.J., nunca tendo negociado com ninguém, sem sorte alguma neste autêntico jogo do “Monopólio” que é a Justiça Lusa!

 

 

 

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3 thoughts on ““Apanhados (ou talvez não)!”

  1. Concordo com o que escreve.
    O Sr. deve ter conhecimento destas situações muito bem. Por acaso, nunca foi protagonista de nenhuma? Há casos em que muitos inocentes são condenados e culpados não, por declarações e atuações policiais, (Todos os tipos de policia), não só pjs. Como deve ter conhecimento as noticias não são muito abonatórias para a classe policial, as situações são numerosas, embora não só para policias. Mas penso que nesta democracia (?), não haverá muito a fazer.
    Continuo a desejar-lhe BOA SORTE.

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