“O Triunfo da Mediocridade”

Liberdade daqui a: 811 dias!

Condicionados pela nossa circunstância. Balizada a nossa percepção do Mundo, do Outro, pela natureza da nossa personalidade, muitas vezes criticamos terceiros não reconhecendo nestes os atributos e aspectos positivos que encerram em si.

Critiquei neste espaço, no passado, o facto de o Exmo. Sr. Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, ter atribuído um louvor colectivo aos meus três colegas Inspectores que investigaram o meu “caso” (CFR. texto, “Louvores”, de 7 de Novembro de 2016).

Desejo neste opúsculo fazer retratação: errei, possivelmente condicionado pela minha condição de recluso, porque não compreendi o gesto do Senhor Director, o real alcance do mesmo.

É merecido o louvor, agora compreendo claramente, uma vez que os meus três colegas do Departamento de Setúbal ( e a Dra. Maria Alice, para sermos justos!) são os únicos que conseguem a manutenção da prisão preventiva de um perigoso corrupto durante 3 anos e 3 meses; são os únicos que conseguem provar a existência de corrupção, ainda por cima na forma de “uma promessa”, ao contrário de todos os outros Inspectores, Inspectores-chefe, Coordenadores, e, convém incluir, Magistrados do Ministério Público e Magistrados Judiciais, como se pode confirmar através dos exemplos que por forma a ilustrar e corroborar o que afirmei passo a apresentar; Hermínio Loureiro e seus co-arguidos: António Mexia e seus co-arguidos (inclusive Manuel Pinho, sendo que este nem as perguntas fizeram); Manuel Macedo, Manuel Palos e restantes co-arguidos dos “Vistos Gold”; Paulo Lalanda e Castro, Luís Cunha Ribeiro e restantes co-arguidos do caso do sangue, “Zero negativo”; Ricardo Espírito Santo e restantes “accionistas”; Hélder Bataglia e os outros “Monte Branco”; Armando Vara, Manuel Godinho e restantes envolvidos no caso “Face Oculta”!

Que raio de investigações realiza a restante P.J. que não consegue obter o resultado da Coordenadora Maria Alice e dos três fiéis Inspectores? O que fizeram estes que os outros não fazem?

Retratação feita, porque todos nós encerramos coisas positivas, vamos voltar ao Exmo. Sr. Director da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, porque, mais uma vez, a realidade deu-me razão!

1 de Julho de 2017, 20h25, RTP1, “Telejornal”: “IPMA, em relatório solicitado pelo Primeiro-Ministro António Costa, assegura que não caíu raio perto da árvore “identificada” pela Polícia Judiciária”!

2 de Julho de 2017: “Diário de Notícias” e “Correio da Manhã”, noticiam que não foi como o Director da P.J. afirmou, horas após o incêndio começar, apresentando a perícia do IPMA para rebater as declarações do responsável máximo da Polícia Judiciária!

3 de Julho de 2017, TVI, “Diário da Manhã”: “Relatório de 120 páginas do IPMA contraria versão da P.J. (Director Almeida Rodrigues). Miguel Miranda, Presidente do IPMA, na televisão apresenta o relatório e suas conclusões, esclarecendo dúvidas.

LUSA, 3 de Julho de 2017, edição “on-line”: “Não há evidência meteorológica desse facto, salienta Miguel Miranda (Presidente do IPMA) […] que até pediu apoio a colegas da rede “Euclide” (rede europeia) […] o sistema tem uma eficiência de cerca de 95% […]”

Como dizia o gigante Batista-Bastos, “Há que dizê-lo com frontalidade”: que grande “borrada”, Dr. Almeida Rodrigues!

Asneira feita, como resolver, como corrigir o borrão, como recuperar esta “pintura tosca”?

Tenho que relembrar o(a) Leitor(a), porque eu já escrevi sobre isto! O Primeiro texto deste blogue, “Todos vêem o que aparentas ser, poucos percebem quem tu és”, 4 de Outubro de 2014:

“[…]Imaginem alguém que presenciou o momento em que se decidia o que escrever/dizer aos “média”, para que dessa forma se pudesse colocar “um véu de trevas honestas” sobre o erro que se cometeu numa qualquer investigação […]” Escrito há cerca de 3 anos! Confirmou-se!

O que fez o Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues? Deu a cara, esclareceu, retratou-se? Claro que não!

Numa investigação em segredo de Justiça observamos um Coordenador da P.J., coordenador dessa mesma investigação, aparecer na revista “Sábado”, edição nº 687, de 29 de Junho de 2017, a prestar declarações, justificando conclusões, adiantando que foram ouvidas três testemunhas, “três pessoas que dizem ter visto cair o raio que terá iniciado o incêndio de Pedrogão Grande”!

“Um véu de trevas honestas”: Fizeram tudo, encontraram a árvore e até três pessoas, o que sempre é melhor que uma!

“[…] Que garantias temos que tudo vai ser feito para apurar as reais causas do incêndio, e não para confirmar as declarações despropositadas, verdadeiro estrupício, do Director da P.J. […]”. Deixei-vos esta na semana passada!

Vamos dar o benefício da dúvida: não foi para salvaguardar o verdadeiro desbocamento do Dr. Almeida Rodrigues. Mas, e a questão é pertinente: vamos valorizar mais a subjectividade de três testemunhas ou os dados científicos apresentados? Afinal: a P.J. é ou não é uma polícia científica?

“Quase com certeza, é a minha convicção, não vi”; “Não estava presente, não ouvi nada, não se sabe. Apenas se verificou através das intercepções telefónicas!”; “Tenho 36 anos de profissão, não 36 dias!”. “Não posso afirmar que pagavam!”; “Se calhar encontrei razões!”. “Não sabemos, não fizemos a perícia!”; “Seria o ideal mas não foi feito”. “Devido à pressão a que formos sujeitos eu assinei relatórios do meu colega e o meu colega assinou os meus!”

São frases que já conhecem: pronunciadas pela Coordenadora Maria Alice; pelos três fieis e louvados Inspectores, sendo que a última foi proferida por um elemento da Autoridade Tributária, durante o meu Julgamento (está tudo gravado, como a “fita do tempo” da tragédia e as impensáveis declarações do Director da P.J. – “Achámos a árvore” – horas após o início do incêndio, ainda lavravam as chamas!).

Conseguem identificar um padrão de actuação? É notório o triunfo da mediocridade?

Tenho razão ou não? Claro que tenho: ainda continuo, vergonhosamente, em prisão preventiva. Incomodamente já expus tudo isto aqui, antecipando, explicando!

Eu posso estar condicionado, ressabiado, então e a Clara Ferreira Alves? “[…] Quero saber o que correu mal e o que não correu mal. Ou se correu tudo mal. Quero saber por que raio a Polícia Judiciária um dia depois já sabia que era um raio, na investigação mais célere da sua história […]” (in revista “E” do Jornal “Expresso”, edição 2331, de 1 de Julho de 2017)

“Então Polícia Judiciária? Esclarecimentos, por favor!” Texto publicado neste blogue em 8 de Novembro de 2014 (em 2014!). Excerto: “[…] A P.J. tem de esclarecer, tem de assumir de uma vez por todas que não se pode remeter ao silêncio, como sempre fez e faz, esperando que no segundo seguinte surja outro caso que faça esquecer os erros e omissões do anterior […] Não pode esperar que tudo vá passar, não deve depositar fé na solução sem acção, procrastinar o gesto e a fala. Actualmente não é possível. […]”

Ainda bem que tudo fica na “net”. É isto que me dá alento para tudo suportar: saber, ter razão! Observem! TVI, “Jornal das 8”. 20h20, José Alberto Carvalho: “A TVI colocou 8 questões à Direcção Nacional da P.J., após a apresentação do relatório do IPMA: Não responderam a nada!

Ah! João de Sousa, orgulho de seus pais!!!

Bom, sejamos justos, se calhar agora, confortavelmente, tem o Dr. Almeida Rodrigues que obedecer à questão do segredo de Justiça!

Que grande cacetada na idoneidade da P.J.! Surpreendido, eu? O que venho escrevendo comprova-o: “Quem está no convento sabe o que vai lá dentro”, e eu estive lá 15 anos e muito atento!

Onomástica. Estudo dos nomes próprios. Desde sempre que é um “hobby”. Todos temos o nome que nos dão aquando do nascimento – padrinhos, pais, etc. – e aquele que os outros, consequência do nosso desempenho, nos “ofertam”. Por vezes coincidem!

Reparem! “Almeida”: é um termo náutico que designa a abertura que dá entrada ao cano do leme. Engraçado como se aplica ao Exmo. Sr. Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues: a abertura, o “buraco” está lá mas o leme encontra-se em falta, logo a P.J. navega impelida pelas vagas destruidoras da incompetência.

Utilizei termos como “borrada” e “borrão”, o que me conduz a outro exercício de onomástica. Criado em Lisboa pelos meus avós paternos, sempre os ouvi a dizer, sobre os funcionários da Câmara que realizavam a limpeza da cidade: “Respeita o trabalho do “Almeida” e não atires lixo para o chão!”

O Dr. Almeida também não dignifica estes “Almeidas”: uns limpam, prestando serviço público, ele, Director da P.J., conspurca irremediavelmente a imagem da instituição que dirige!

O que nos leva à análise da imagem que ilustra este texto!

Todos nós criticamos, furiosamente, as tolices, as baboseiras, os perigosos regulares regurgitares de Donald Trump. Todos nós manifestamos a nossa indignação perante a falta de verdade, honestidade e cientificidade das declarações do actual presidente dos E.U.A.

As “fake news”, a falta de rigor, as versões mirabolantes que só mancham a bandeira estado-unidense e o seu valoroso povo são por todos repudiadas; e por cá? E as declarações sem rigor científico, responsabilidade institucional, honestidade intelectual do Director da P.J.? Não mancham a bandeira da Instituição, a idoneidade dos profissionais que fazem parte da mesma?

Polichinelo! Conhecem? É um boneco, uma personagem cómica do teatro de marionetas. Um bobo que até poderia despertar em todos nós a gargalhada se o luto que todos experimentamos não condicionasse o nosso humor!

Polichinelo, um títere: “indivíduo que se deixa facilmente levar por outrem, que só age por inspiração ou a mando de outrem”. Eu acrescento: que se deixa levar por algo, neste caso português, manietado pela incompetência!

Como é possível medrarem líderes com estas características? A última imagem ilustra e oferece explicação: porque o português médio esquece facilmente, não se interessa! Porque, após a “borrada”, tentam reescrever a “narrativa”, porque toda a “máquina judicial” não se auto-regula e auto-critica.

Porque como é costume, a culpa morre solteira, o que facilita o medrar destes autênticos cogumelos que preferem os lugares da fria indiferença, da húmida e nefasta ignorância.

Depois de Pedrogão Grande, Tancos: o Director Almeida respira de alívio, o foco já não está sobre si!

Depois de Pedrogão Grande a guerrilha política: o Director Almeida, qual títere, servirá!

Depois de Pedrogão Grande, o esquecimento: o Director Almeida manterá o seu lugar frio e húmido até prevaricar outra vez e inevitavelmente tudo ser esquecido!

Ou talvez não! Como tudo fica na “net”, eu reitero: demita-se, Dr. Almeida Rodrigues, já toda a gente sabe (é um “segredo de Polichinelo”) que V. Exa. é o oxiúro que provoca o desagradável incómodo e que só pode ser eliminado através da administração de purgativos!

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6 thoughts on ““O Triunfo da Mediocridade”

  1. Por este andar a liberdade é mesmo ao fim de 811 dias. Então inspetor João de Sousa como quer o Senhor, a liberdade se diz que Diretor da PJ é um oxiúro….
    Boa sorte!!!!

    • E nós todos deveríamos chamar também que temos mais que razões para isso!! Mesmo depois do relatório do IPMA, ainda teima que caiu de facto um raio??Mas está a chamar de parvos a todos os que apresentam factos cientificos que devia de ser ELE, a PJ, a apresentar, como policia científica que é!?? (deveria ser!) Quando temos uma pessoa presa nas condições em que este inspetor está, quando temos um diretor que acha que está num filme do CSI, quando temos corruptos mais que confirmados que nunca cheiram a prisão muitos em troca de cauções de milhões, será que podemos de alguma forma acreditar num sistema judicial credível e justo????
      Eu não acredito!!
      Sim, demita-se Sr. Diretor. Fazer o povo de parvo, não lhe fica bem. Admita que esteve mal, muito mal e retire-se!!

  2. “Os bois pelos nomes”… Infelizmente as pessoas não estão habituadas a isso…este é um pais de falsidades…
    Você só pode ser uma pessoa MUITO ESPECIAL…Já lhe tinha dito e volto a dizer…faz mais em reclusão que muita gente cá fora…sabe o q merecia? Sair em liberdade…ir para as Maldivas de férias…e ao fazer um buraco na areia a brincar com o mais novo, encontrar um tesouro…isso é que eu me ria!…
    Continue…um forte abraço!

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