“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura!”

Liberdade daqui a: 818 dias!

Não desistir, não capitular, interpelar, falar, gritar se necessário for mas nunca desistir…

Temos que revisitar o tema da passada semana … perseverar… temos que ir ao encontro das vítimas: relembrar, alertar…

No Domingo passado, 25 de Junho de 2017, a “ninhada” veio visitar o pai.

Durante a semana apenas cinco minutos para falar com a mãe da “ninhada”, cinco minutos para tudo, trezentos segundos em que tudo fica por dizer.

Reunidos no Domingo, duas horas (um luxo), complementa-se a informação que durante a semana (30 minutos acumulados, no total) foi trocada.

Soube no Domingo, 25 de Junho, que as filhas daquele atónico pai que vi na televisão a chorar a morte de ambas, assim como a morte da sua mulher, estavam em câmara ardente na escola das minhas filhas, a serem veladas. Os corpos, os cadáveres de duas meninas com a idade das minhas, estavam num féretro na escola que frequentavam com a Leonor e a Helena.

As minhas filhas não as conheciam pessoalmente, não privavam com elas diariamente, não iam a casa delas: “apenas as conheciam de vista, do recreio!”

Por acaso “apenas as conheciam de vista, do recreio”, não passavam tardes com as meninas, nunca foram com elas e os seus pais passar um fim-de-semana na sua casa, como já inúmeras vezes sucedeu com outras ou outros colegas, por acaso.

As minhas filhas podiam ter estado lá, qualquer um de nós podia ter estado lá, todos nós somos vítimas. Pior: todos nós somos responsáveis pelo sucedido! Sim! Todos nós!

Passadas duas semanas após o incêndio, verdadeiro inferno, obra do Diabo porque o Diabo está nos “pormenores” e tantos “pormenores” existiram e subsistem, observámos o “jogo-do-empurra-a-responsabilidade” do costume e a costumeira apatia, marasmo e indiferença cívica do povo português!

Um concerto solidário que de forma inédita uniu os três canais de televisão?

Recorde de contribuições voluntárias de alimentos e roupa?

Indignação generalizada?

Toda a gente que é alguém e muitos mais que nunca se ouviu falar, criticaram em revistas, jornais, televisões e na inevitável rede social o que aconteceu?

Estimados, com todo o respeito: “Bardamerda” para tudo e todos!

Na Grã-Bretanha, Londres, morreram pessoas num prédio, vítimas de um incêndio evitável, e verificou-se um “day of rage”, um dia de raiva, indignação, um protesto cívico, como nos deixou Clara Ferreira Alves na sua crónica semanal na revista “E”, do jornal “Expresso”.

E por cá? O que se fez? Falou-se dos gémeos do Cristiano Ronaldo, e se perguntarem a um português médio em que zona do país fica Pedrogão Grande, é muito provável que desconheça mas responderá correctamente se for questionado sobre o nome das crianças do nosso génio futebolístico!

Estas desgraças que nos tocam são fruto da nossa indiferença. Consequência do nosso divórcio de tudo o que é política, participação cívica, capacidade de protesto informado e esclarecido. Todos criticam o Estado (que somos todos nós) e os políticos, olvidando que aqueles a quem apontamos o dedo foram por nós eleitos quer pelo voto, quer pela abstenção.

Não existe lá nenhum em quem eu confie; oiço-vos dizer? Candidatem-se!

Ajam!

Tudo o que se passou nas semanas “pós-inferno” é um fiel retrato do que é ser português: O líder (hipérbole generosa) da oposição, utiliza a desgraça alheia como arma política e “esbardalha-se” todo com informação não confirmada sobre suicídios (26 Junho 2017)!

A Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, no dia 28 de Junho de 2017, pelas 17h30, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, emociona-se até às lágrimas, embarga-se a voz, declara que não foi o pior dia da sua carreira política mas sim o pior dia da sua vida. O português médio que viu o “Zé Maria” vencer o “Big Brother” porque era o mais “coitadinho”, fica embevecido e compreende; as respostas ficam por dar, a responsabilidade fica por apurar.

Ninguém obtém respostas do Governo, dos Ministérios responsáveis, das Instituições envolvidas ou das autoridades presentes, e o Governo solicita (ordena) a criação de um “focus group” para apurar os índices de popularidade que dispõe após a tragédia ?!?

Nada disto vos indigna? Revolta? Nada disto vos exaspera?

Se acham que eu estou “de mal com tudo e todos”, peguem no comando da “box”, recuem até 29 de Junho de 2017, quinta-feira, RTP1, programa “Grande entrevista” e atentem no que nos deixou António Barreto!!!

Diz-nos António Barreto que não acredita que se alcancem explicações válidas, causas verdadeiras, responsabilização sobre o sucedido.

Acrescentou que o contrato do SIRESP é uma vergonha, mais do mesmo de três protagonistas conhecidos e reconhecidos: José Sócrates, BES e PT!

O Sistema Integrado de redes de emergência e segurança de Portugal, no seu contrato, cláusula 17ª, consigna que serve para tudo excepto para emergências! Aquando do concurso público, outra entidade fornecia o serviço com ligação satélite, mais barato, mas não ganhou o concurso porque, palavras de António Barreto (não do Inspector João de Sousa preso preventivamente há 3 anos e 3 meses) não estava por detrás do negócio a nefanda tríade: José Sócrates, BES e PT!!!

Por favor, vejam a entrevista! Informem-se! Participem! Podiam ser vocês e os vossos filhos!

António Barreto, conhecedor, disse que a criação de uma comissão independente para apurar, com exactidão, responsabilidades/causas é uma assumpção tácita de que as entidades oficiais não são idóneas, credíveis e capazes!

Debate quinzenal, 28 de Junho de 2017. Assembleia da República. António Costa, primeiro-ministro, em resposta a Assunção Cristas, afirma que é o Primeiro-Ministro e não só o António Costa, por isso, guardava a sua opinião sobre o sucedido, opinando somente quando soubesse onde e como começou o incêndio!

António Barreto, António Costa e… Almeida Rodrigues, Director Nacional da P.J.!!!

“Água mole em pedra dura…” “Eles” podem continuar a manter-me por aqui, em “Ébola”, mas eu não me calo: podiam ser os meus filhos, a mãe da “ninhada” no meio do Inferno!

Voltando ao texto da semana passada, perseverando, voltando ao “calhau” do Exmo. Sr. Director da P.J., Dr. Almeida Rodrigues…

Horas após o início da tragédia, ainda o fogo medrava, ceifava vidas, incompreensivelmente o Director da P.J. encontrava a árvore atingida por um raio que esteve na origem do incêndio afastando “mão criminosa”! Estultícia, falta de cientificidade, ausência de bom senso e liderança, incapacidade para gerir uma instituição que seria, como o foi, chamada a dar resposta científica ao sucedido, uma instituição que o português médio (o mesmo que sabe o nome dos gémeos do nosso Ronaldo) ainda, por ignorância, considera uma das melhores polícias do Mundo!

“Daniel Saúde viu o fogo começar em Escalos Fundeiros. Ligou para o 112 às 14h38. Tirou-lhe a primeira fotografia. A P.J. nunca lhe perguntou como foi”. A frase é do Jornal “Expresso”, edição de Sábado, 24 de Junho de 2017, mas encontra-se em todos os “media”!

Mais uma vez: eu tenho razão!

O António Barreto tem razão quanto à comissão independente. O Primeiro-Ministro, o Ministério Público, a Procuradora Geral da República, Dra. Joana Marques Vidal, vão receber um relatório da P.J. que estará irremediavelmente ensombrado pela indómita inépcia do Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues!

Todos nós temos que interpelar quem lidera (lá estou eu com as hipérboles) toda esta desgraça, sim, desgraça, não investigação: que garantias temos que tudo vai ser feito para apurar as reais causas do incêndio e não para confirmar as declarações despropositadas, verdadeiro estrupício, do Director da P.J.?

Será que também neste caso vão excluir tudo aquilo que não confirma a autêntica “barbaridade” que o Director Nacional disse?

Reparem: até pode ter sido o raio da árvore, mas “raio parta” um dirigente máximo vir a público dizer isto, horas após o ocorrido, sem relatório, cientificidade, método aplicado!

Mais, agora tudo indica que não foi conforme adiantou o Dr. Almeida Rodrigues!!!

Como fica a idoneidade da P.J.?

Durante estas duas semanas a impensável actuação do Director da P.J., passou incólume, sem escrutínio, crítica ou responsabilização. Um povo sem sentido crítico, sem conhecimento, sem preocupação e consequente participação cívica, é responsável pela nefasta manutenção e medrar de dirigentes incompetentes.

Quem esteve do “outro lado das grades” e conhece os protagonistas, já expecta que declarações como aquela do Director Nacional da P.J. ocorram! Vendo nos jornais (ou em directo nas televisões) indivíduos que no passado, imprudentemente, de forma inacreditável e impunemente, ordenaram aos bombeiros a limpeza antes da devida análise, com recurso a jactos de água, de uma cena de crime de um homicídio, agora assumirem cargos de direcção de áreas científicas da Polícia Judiciária, é como reviver o erro, assistir ao triunfo da mediocridade, confirmar que a evolução não se verificou!

Quem afirmar que só agora alerto e falo disto, só agora recluído, oiçam as gravações do primeiro interrogatório a que fui sujeito aquando da minha detenção em Março de 2014 (gravações que tornarei públicas) onde se ouve o Procurador, Dr. João Davin, não a perguntar pela “minha corrupção”, não apresentando factos que conformassem acções ilícitas, mas sim a questionar se eu, Inspector João de Sousa, mantinha as opiniões que expressava nas “escutas” sobre os meus superiores hierárquicos!!! Surpresos? Acreditem!

Eu sei porque estou aqui, o Director Nacional da P.J., Dr. Almeida Rodrigues, colocado lá, não sabe o que diz, e todos nós, governantes incluídos, permitimos que a incompetência, a iniquidade, a consequente injustiça, a ignorância, o desmérito e, pior que tudo, o desrespeito pelas vítimas e seus familiares desta horrorosa tragédia, macule qualquer concerto solidário, recolha de fundos ou discurso político!

Ninguém me ouve? Ninguém me liga? Brado aos ventos? Estou só? Não. Não acredito nisso!

Se ninguém ouvisse (ou melhor, lesse!) eu já estava em casa junto dos meus!

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura!” Eu vou continuar a “pingar”, como na “tortura chinesa”. Uma torneira que pinga, à noite, onde está instalado o silêncio da indiferença, a pingar ininterruptamente, de forma cadenciada: incómoda!

Tenho de incomodar, tenho que me sentir incomodado com tudo isto: as vítimas mortais e seus familiares exigem isto de mim e de todos nós!

Mesmo que o Director Nacional da Polícia Judiciária, Dr. Almeida Rodrigues, passe entre os pingos da chuva, mesmo que a imprensa nada diga sobre as suas declarações, mesmo que o meu contributo seja uma gota no oceano, um dia, uma simples gota, a última, fará transbordar a água do copo. Um dia, uma simples gota, de tanto bater: fura!

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”: Demita-se, Dr. Almeida Rodrigues!

 

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6 thoughts on ““Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura!”

  1. Gosto como descreve tudo!
    E como diz “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”.
    E continue! Precisamos de muitas pessoas assim!
    Que todo este horror não fique esquecido!

  2. ….e a costumeira apatia, marasmo e indiferença cívica do povo português!
    Esta parte do parágrafo merece a pontuação máxima 20 valores!
    O facto de não viver em Portugal à “luas”, faz com que tanto me afecta que o PM seja o Sr. Antonio Costa, como a Rita Pereira. Que o PR seja o Sr. Marcelo ou o filho mais velho do Ronaldo.
    Já me afecta e revolta, o proteccionismo que certos “figurões” beneficiam, as injustiças (o Senhor está a sentir na sua pele) , o esbanjar de dinheiros públicos que colocaram milhões de portugueses em situação difícil. Responsáveis? Foi a conjuntura!
    Assim como foi a arvore responsável pelo incêndio em Pedrógão.
    Bem: se o Insp. me dá licença, vou ver o “Preço Certo”. Trata-se de um programa televisivo aonde aprendo muito a ser português …

  3. Fico grato por mais um texto muito precioso para mim. Estou de acordo com o Sr. Inspector quando diz que a responsabilidade é de nós todos, claro que é. E também lhe digo que o Sr. Inspector nuca estará só.É de lamentar realmente a postura do Sr. Director Nacional da P.J. A atitude vergonhosa que teve não é para um Sr com a responsabilidade que tem.Não sabemos em quem confiar! Eu sei que Sr. Inspector não é de desistir por isso muita força um grande Abraço.

  4. Óptimo Texto.

    Vem mais uma vez reforçar a ideia que tenho sobre certos indivíduos e determinadas organizações. Pena que os distintos comentadores, pjs reformados e não só, não abordem estes assuntos no correio do crime. Espero que estas Suas portagens, não o prejudiquem ainda mais. Aprecio a Sua coragem.Espero que não seja desespero. Cuidado com estes indivíduos, e com esta pseudo democracia.
    BOA SORTE

  5. João, viu a investigação feita pelo “Sexta às 9”? Se eu já andava incrédula com estas histórias todas ainda mais irritada fiquei.
    Esqueça a raiva deste povo, é sempre pontual e efêmera. Gostamos mesmo é de um bom dramalhão. Já não bastava a tristeza das mortes e ainda alguém se lembra de velório na escola?

  6. Carissimo PJ/JS.
    A tua situação muito se deve ao teu dito amigo intendente da PSP/DA com quem tu falavas sobre o assunto que te encerrou onde te encontras.
    Não desistas que a razão está do teu lado!

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