“Ansiedade e eucatástrofe”

Liberdade daqui a: 909 dias!

“Ansiedad, de tenerte en mis brazos / Musitando… palabras de amor / Ansiedad, de tener tus encantos / Y en la boca, volverte a besar …”

A versão de “Ansiedad” que eu mais gosto é a interpretada pela voz cristalina e dengosa do Nat King Cole! Adoro ouvi-la, dançá-la… mas não é desta ansiedade (que também a sinto) que Vos quero “falar”!

É da outra, da perniciosa: a da “inquietação global relacionada com a incerteza”.

Esta maldita deixa-nos “sistematicamente apreensivos”, receamos sempre o pior e somos colocados em constante angústia, em defesa permanente contra “desastres antecipados”.

Existe uma entidade nosológica, devidamente classificada: perturbação da ansiedade generalizada!

Tanta pompa e circunstância na designação não pode trazer nada de bom. É verdade!

Agitação; nervosismo ou tensão interior; fadiga fácil; dificuldade de concentração ou mente vazia; irritabilidade; tensão muscular e/ou perturbação do sono. Um autêntico monstro!

Diz-nos a literatura da especialidade: “[…] Os adultos com Perturbação da Ansiedade Generalizada preocupam-se frequentemente com circunstâncias diárias e rotineiras da vida, tais como possíveis responsabilidades no emprego, aspectos financeiros, saúde dos membros da família, azares que possam suceder aos filhos ou pequenos problemas […]”.

Está lá tudo! Preencho todos os critérios de diagnóstico!

Mas… surpreendentemente: Não! Não sinto ansiedade!

Conquanto encerre em mim profunda preocupação com a Família, com a “ninhada”, treino diariamente como o “CR7”, estou focado na “Luta”. A única tensão muscular que sinto é a saudável dor banhada pelo doce bem-estar da endorfina e durmo como um santo, um doce e inocente querubim!

Então, qual a razão para debruçar-me sobre a Ansiedade?

Porque faltam hoje 5 dias para conhecer a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa e quem me ama, quem estima a minha amizade, quem apoia o recluído Inspector João de Sousa, está, ou melhor, estão ansiosos!

Não se trata de fanfarronice, postura para “inglês ver” da minha parte. O(a) Caro(a) Leitor(a), tem que conceder-me que aqui “desnudei-me” sempre, fui honesto intelectualmente, chorei, choro e chorarei, demonstrando assim que o aforismo é verdadeiro: os homens também choram! E muito!

O que se passa de facto – não. Não é a loucura do desespero – é uma segura racionalidade, uma conformidade com os factos que alimentam o motor, o impulso desta minha luta de 3 anos e que se resume e define numa simples frase: “Eu tenho razão!”

Esta semana, aquando da visita de um querido colega e Amigo:

– Não alimentas grandes expectativas relativamente ao resultado do teu recurso para a Relação pois não, João? – com um olhar triste.

Respondi sem falar, somente sorrindo. Ele retorquiu:

– João, companheiro, não vês que se eles fizerem cair a Corrupção e diminuírem a pena, estão a dizer publicamente que tu tens razão e o “sistema” está errado?!? Não vês que isso é impossível?

– Eu sei! Mas mesmo que isso não aconteça, há algo que me alimenta e fortalece!

– O quê? – interrompendo.

– Eu tenho razão! – sempre sorrindo.

Ainda esta semana:

– E se deixarem a Corrupção e desagravarem a Violação de segredo de funcionário… quantos anos tiram? Dá para ires para casa? – ansiosa.

– E se considerarem… e se analisarem… – ansiosos, preocupados!

Como manter a serenidade, a sanidade, a constância no dizer e fazer, como manter a força moral de quem não se deixa abater? Como preservar e possuir força e ânimo?

Antes de Vos expor os factos que sustentam a minha resistência, e que possivelmente vão gerar ansiedade em alguns tantos, acompanhem-me mais um pouco, por favor!

Voltando a Tolkien e ao “Senhor dos Anéis: O regresso do Pai” (foi intencional o lapso!)

Tom Shippey, estudioso da obra de Tolkien, autor do livro, “J.R.R. Tolkien: Author of the century”, deixa-nos que Tolkien  referia-se à palavra por ele criada, “eucatástrofe”, como o termo que devia de existir como antónimo, oposição ao termo catástrofe.

Catástrofe é a súbita reviravolta do Bem para o Mal. “Eucatástrofe”, será a súbita mudança em sentido contrário, mas mais que isso: é o Bem que resulta do Mal!

Tolkien ofertava o exemplo de Cristo: da tragédia da crucificação resultou a salvação de toda a Humanidade!

Percebe o(a) Leitor(a)? Conquanto tudo se revele sombrio, mau e terrível, há um momento de viragem! Não esquecer que vem aí o mês de Abril: altura do ano em que se celebra o dia da Liberdade e a Páscoa!

É um sinal positivo? Estou optimista? Estou com uma “fezada”?

Não! Creio que a superstição dá azar e sou como Newton nas palavras de Keats.

Keats censurava Newton por “destruir toda a poesia do arco-íris” através da sua análise científica do fenómeno!

Não é Fé, trata-se de análise racional. E não se esqueçam: eu tenho razão!

Vamos à factualidade.

Correcção ao texto da passada semana: o meu co-arguido não está em casa com pulseira electrónica, o meu co-arguido está em Liberdade plena, apenas sujeito à menos gravosa das medidas de coacção, Termo de Identidade e Residência!

Como!?! Pois é: “eucatástrofe”!

Como é sabido, para quem acompanha este espaço, sempre que a 9ª Secção do Tribunal da Relação de Lisboa foi chamada a decidir sobre a medida de coacção dos 5 arguidos presos no “caso da fraude do ouro envolvendo o Inspector João de Sousa”, decidiram sempre da mesma forma: manter a prisão preventiva!

A 3ª Secção avaliou a questão – alteração da medida de coacção – e o meu co-arguido, com uma pena igual à minha, 5 anos e 6 meses, está em Liberdade (plena!).

Vou deixar-vos dois parágrafos do Acórdão da 3ª Secção, transcrição ipsis litteris:

“[…] Invoca também o despacho recorrido, se bem que, aparentemente, a propósito de um outro arguido, que << a falta de resposta imediata e adequada por parte da autoridade judiciária e do sentimento de impunidade associado na comunidade >> a este tipo de ilícitos imporia a prisão preventiva, o que, sendo em parte verdade, não pode ser mitigado através da imposição de medidas de coacção, transformando estas em <<penas provisórias>> aplicadas a presumíveis inocentes […]”

O que está “a bolt” é da minha responsabilidade. Sabem quem é o “outro arguido”?

É isso: o filho da D. Julieta e do Sr. Fernando! Eu!!! Um recado para alguém?

“Outro arguido” referido no Acórdão de um recurso de outro arguido? “Eucatástrofe”?!?

Só mais este parágrafo: “[…] Não podemos deixar ainda de dizer que, mesmo que não se subscrevessem as considerações acabadas de fazer, não se vê como é que se poderia manter a prisão preventiva com uma duração de quase 3 anos sem que se considerasse violado o princípio da proporcionalidade, tantas vezes invocado […]”.

Contextualização: o meu co-arguido quando recorreu, à semelhança do meu recurso (só que o meu foi “sorteado” e saiu-me a “fava”, perdão, a 9ª Secção) estávamos presos há 2 anos e 9 meses! Eu já estou preso com os 3 restantes, há 3 anos e 5 dias!

Contextualização: o “princípio da proporcionalidade invocado”; é invocado pelo Ministério Público e pela Juiz de Julgamento, para manter a prisão preventiva! “Tantas vezes invocado”!!!

Será isto a “eucatástrofe do Tolkien”?

O que senti ao ler isto? Como devem imaginar, há 3 anos que não usufruo de um orgasmo em condições uma vez que só faço “o Amor” comigo; a sensação foi um “quase orgasmo” devidamente acompanhado e partilhado!

Eu tinha, eu tenho razão: está tudo registado neste blogue!

Prisioneiro do desespero? Presa da predadora Treva? Nunca, existem coisas mais fortes que o Desespero! O quê? Ter razão!

Estar seguro do que fiz, do que não fiz e do que nunca teria feito ou farei!

Muitos, inúmeras vezes, aconselharam, alertaram, com Amor: “João, não podes lutar contra tudo e contra todos!”

Correcto! Não podemos lutar todas as batalhas, em todas as frentes, o homem ponderado sabe-o! Devemos ser sensatos e escolher, mas existem batalhas que necessária e urgentemente temos de lutar, pleitar, é um imperativo Ético e Moral: não podemos fugir!

O Tempo, a História, muitas das vezes dão razão ao ostracizado, ao derrotado, ao excluído; ainda que dos fracos não reze a História e as “crónicas dos tempos” sejam sempre, invariavelmente, escritas pelos vencedores.

Actualmente, felizmente, podemos deixar o nosso registo, podemos difundir a nossa palavra, a nossa versão dos factos, ainda que isso nos valha a prisão!

O Tempo está do meu lado, a razão assiste-me. Enquanto escrevo o Tempo está a passar, e, se muito perdi, tanto ou mais existe para conquistar, ganhar. Sim, claro, porque a “eucatástrofe” existe, as marés mudam, os ventos alteram a sua direcção.

Ansiedade? Não, não sinto, mas alguns estarão agora a sentir a ansiedade e a angústia, consequência do “desastre antecipado”, do desmoronar da construção maldosa que realizaram.

E se tudo ficar na mesma? Afinal não é a 9ª Secção que agora vai avaliar todos os recursos da sentença?

Não importa, porque em última análise, eu tenho razão e isso faz toda a diferença!

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9 thoughts on ““Ansiedade e eucatástrofe”

  1. O Insp. João Sousa pode estar na posse de 100% da razão. Mas o seu colega e Amigo – que recentemente o visitou – o que ele lhe disse tem lógica.
    Alguém teria que admitir que o Insp. tem sido “repasto” de uma vingança insaciável.
    Be ready to receive bad news.

  2. Inspector Joao regressou a sua confiança e vitalidade. Assim, sim vamos continuar a ter o lutador. Vitima de enredos brutais e da justiça influenciada, é tempo de emendarem a mâo e reavaliarem a situaçao. Errou, mas nao tanto como quiseram fazer acreditar…
    Volto a dizer: continue a sua luta, mesmo em liberdade e por outros injustiçados. E …nao alimente ódios em pessoas que nao o merecem. Abraço

  3. Espero que seja desta que as coisas sejam analisadas por alguém livre e justo. E se digo isto, é porque a sensação que fica de tudo o que se conhece deste processo (seja através do blogue, seja através de notícias), é que todas as decisões tomadas até agora, já o estavam antes de ter entrado qualquer requerimento. E sim, tem razão!
    Beijinhos para toda a família.
    Inês

  4. A justiça tem de ser séria, objectiva e coerente e não vaga e subjectiva.
    O Tribunal da Relação não pode compactuar com um sistema persecutório que está à vista de todos! A 3ª seccão foi séria e justificadamente segundo o CPP.
    Não lhe desejo boa sorte, também não sou supersticioso, desejo sim, dignidade e integridade por parte de quem decide! Está mais que na hora que alguém as possua!
    Força! Não perca essa coragem que diariamente o acompanha e que a tantos incomóda.

  5. “Perder uma batalha não significa perder uma guerra, pois a vida é constituída … da vida com perseverança e sem desânimo. Já se pode considerar um vitorioso!”

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