“Alexandre, o Pequeno Beato”

Liberdade daqui a: 930 dias!

Esta semana, o tema é… não, não vou falar do Cunha Ribeiro e do Lalanda e Castro estarem em liberdade, apenas com imposição de condutas – não contactarem um com o outro, não sair do país – conquanto sejam muito graves os crimes pelos quais estão indiciados, uma vez que o Ministério Público considera não estarem reunidos os pressupostos para aplicarem a medida de coacção mais grave: prisão preventiva! Não vou indignar-me, mais uma vez, com a diferença de tratamento a que sou sujeito. É tão evidente que vou poupar-vos ao reiterar da expressão da dor e revolta.

O tema é outro mas antes, mais importante que tudo o resto, a minha Princesa Leonor de Sousa, no dia 14 de Março de 2017, faz 14 anos.

Telegraficamente, laconicamente, de forma simples e mesmo assim muito distante da verdadeira expressão do orgulho, vaidade e privilégio de ser Pai dela, para a bela Princesa: hoje, mais do que ontem, incomensuravelmente menos do que amanhã: Amo-te!

Como é a semana da Leonor e uma vez que a mesma gostou especialmente do texto da semana passada sobre a matrafona e Pompeia, vamos continuar na Roma antiga – a “cidade eterna” moderna que ela adorou visitar – e comparar os homens que se dizem probos actualmente, com os verdadeiramente probos homens do antanho!

Na imagem que acompanha este texto, o primeiro rosto a contar da esquerda: Marco Pórcio Catão, o Velho; conhecido também por Catão, o Censor (234-149 a.C.).

Exemplo de homem virtuoso pelos seus pares, autor de um livro de máximas morais. Cultivava e defendia acerrimamente os valores da parcimónia, a frugalidade, o trabalho árduo e o amor à Pátria.

A fim de dar o exemplo, por forma a demonstrar a austeridade de seus hábitos, comportamentos e acções, Catão, o Velho, vestia-se como os seus escravos!

Impunha restrições ao luxo muito severas, tendo, enquanto Censor, expulsado todos aqueles que ele não considerava merecedores de fazerem parte da sociedade romana da época, porque apresentavam, no seu juízo, lacunas morais ou eram muito ambiciosos!

Extremamente respeitador da religião oficial, Catão, o Censor, horrorizava-se com a licenciosidade dos bacanais.

Plutarco, na sua obra, “A vida de Catão”, descreve-o: “Catão é enaltecido por haver sido bom pai para com os seus filhos, bom marido para a sua mulher e bom administrador sabendo governar e fazer aproveitar seus bens”.

Catão, o Velho, ficou também conhecido por proferir a famosa frase, exemplo da reconhecida inflexibilidade das suas convicções: Ceterum censeo Carthaginem esse delendam (“Além disso acredito que Cartago deve ser destruída”)

Na mesma imagem, o primeiro a contar da direita: Marco Pórcio Catão, o Jovem, também conhecido por Catão de Útica. Nascido em Roma, 95 a.C., falecido em Útica, 46 a.C. Bisneto de Catão, o Velho.

Célebre pela sua inflexibilidade e integridade moral, à semelhança do seu bisavô. Fervoroso estóico, era, reconhecido pela sociedade romana do seu tempo, incorruptível, propalando a sua aversão a qualquer tipo de suborno, quer através da palavra quer através dos actos.

“Amava a severidade da Justiça, que não se dobra, nem por graça nem por favor algum!”

Após ter herdado avultada soma pela morte de um parente, ficou com o indispensável para a sua vida estóica, emprestando o remanescente, sem juros, a amigos!

Suicidou-se após a vitória de Júlio César na batalha de Tapso, contra o qual lutou por odiar tudo o que César representava.

Na imagem, o indivíduo de óculos, com uma expressão de desconforto (obstrito?!?): o “super-juiz”, Dr. Carlos Alexandre!

Não sei se o Dr. Carlos Alexandre alguma vez leu Plutarco ou Salústio (ambos retrataram o bisavô Catão e o bisneto Catão). Posso garantir que quando o “super-juiz” “monologou” comigo aquando da Instrução do meu processo, no meio da profusa algaraviada, seja de forma directa ou indirectamente, nunca se referiu a ambos.

A soberba, a pretensa superioridade moral e ética, a “flebite” discursiva, em tudo invocavam as “imagos” dos “Catões”!

Completamente descontextualizado do que nos levava à sua presença, o Dr. Carlos Alexandre, flexuoso, comunicou aos presentes que não tinha casa própria, tinha várias mas eram da C.G.D.; invocou o facto de eu ter vários fatos Hugo Boss (estás a ver como o Acordo ortográfico não vale nada, Leonor!?!) acrescentando que os fatos que possuía não eram de marca!

Declarou que trabalhava muito, porque precisava, invocou a frugalidade dos seus hábitos diários, sentindo eu na altura que quem não levava marmita para o local de trabalho era alvo do desdém do Dr. Carlos Alexandre!

A minha relação com os meus co-arguidos era dúbia, merecedora da maior desconfiança daquele farol de integridade, acima de qualquer suspeição: o “super-juiz”.

Coloca-se então a questão: é o Dr. Carlos Alexandre um “Catão moderno”? Está o mesmo à altura destes homens probos, impolutos?

Bom, a imagem deste, que ilustra este opúsculo, é bem mais pequena!

Comparemos!

Catão, o Velho: frugalidade, parcimónia, “bom administrador sabendo governar e fazer aproveitar os seus bens”.

Carlos Alexandre: “Deve muito aos bancos? Carlos Alexandre: Sim. Meio milhão de euros em créditos à habitação pelos quais pago três mil euros mensais de prestações. E talvez dez mil euros em cartões de crédito” (in revista “E”, do jornal “Expresso”, edição n. 2290, de 17 de Setembro de 2016)

Ó Diabo! Está a estalar o verniz! Atenção: se o Dr. Carlos Alexandre pode pagar os empréstimos e o crédito, cumprir as suas obrigações com o que ganha, então nada a apontar!

Mas…

Catão, o Jovem: fervoroso estóico, amante da severidade da Justiça, “após ter herdado […] ficou com o indispensável para a sua vida estóica, emprestando o remanescente, sem juros, a amigos”

Carlos Alexandre: “[…] depois tenho a minha mulher, que vence mais ou menos metade do que eu ganho, e uns rendimentos prediais de umas casas que os meus sogros deixaram e que estão arrendadas […]”(in revista “E”, do jornal “Expresso”, edição n. 2290, de 17 de Setembro de 2016)

Parece neste exemplo que Carlos Alexandre emula Catão, o Jovem, mas não! E como diziam os antigos romanos: Hic jacet lepus (“Aqui se esconde a lebre”). Agora é que são elas!

“Orlando Figueira, acusado de corrupção, emprestou 10 mil euros ao Juiz Carlos Alexandre” (in Correio da Manhã”)

“Ex-Procurador arguido na “Operação Fizz” emprestou dinheiro ao Juiz Carlos Alexandre” (in “Jornal Económico”)

Porque necessitava de dinheiro para uma obra que realizou numa casa sua em Mação, dinheiro que não foi disponibilizado por entidade bancária, o Dr. Orlando Figueira, amigo, auxiliou o “super-juiz”!

Isto faz de Carlos Alexandre um corrupto? Isto retira credibilidade a Carlos Alexandre?

Macula o “super-juiz”? Claro que não!

Mas isto sim: “Não tenho amigos ricos! Tenho de trabalhar para pagar as minhas despesas!”

Esta afirmação de Carlos Alexandre a um canal de televisão, numa entrevista muito vista e comentada, macula a honestidade intelectual de Carlos Alexandre, revelando um perigoso lado “beato” da sua personalidade, um modo afectado e beato, perigoso num juiz!

Se leu ou não Plutarco, não o sei dizer, mas os Evangelhos sinópticos, com toda a certeza o fez porque é um devoto confesso e praticante: “[…] Porque olhas para o argueiro no olho do teu irmão e não prestas atenção à trave que está no teu próprio olho? […] Hipócrita, tira primeiro a trave do teu próprio olho, e então verás bem para tirar o argueiro do olho do teu irmão […]” (Mateus 7, 3-5).

O “super-juiz”, Dr. Carlos Alexandre, concluiu, despachando, sobre o Inspector João de Sousa:

“[…] para o desempenho das tarefas, além da remuneração que se presume que recebeu […]”

No final do Julgamento, concluiu-se que fui corrompido por uma promessa, o “super-juiz”, presumiu ser dinheiro! No caso do “amigo” do Alexandre, não se presume, sabe-se, foram 10 mil euros!

Corrupção? Não presumo isso, não sou beato!

“ […] O facto das contas bancárias de João de Sousa, pese embora os escassos depósitos em ATM, não reflectirem movimentos considerados suspeitos, não é de estranhar tendo em conta a qualidade daquele […]”

De novo a beata convicção do “pequeno” Alexandre! No caso do Dr. Carlos Alexandre existiu mesmo o empréstimo dos 10 mil, os depósitos em conta! Corrupção? Não presumo isso, não desejo a beatificação!

No final da Instrução presidida pelo “super-juiz”: 34 arguidos, mega-associação criminosa!

No final do Julgamento: apenas 6 condenados e 28 absolvidos da totalidade dos crimes!

Mas Carlos Alexandre justifica-se (não se refere ao meu caso): “Não me arrependo, aprendo. Há muitas vicissitudes em julgamento que não estão ao meu alcance na fase de inquérito ou na de instrução. Mais tarde, em julgamento, há muito material que sofre evoluções[…]”

Muito distante dos “Catões”, este nosso Alexandre, cuja auctoritas (a dos primeiros, entenda-se) era legitimada pelas acções em si, não precisava de ser explicada ou justificada!

Como posso entender um homem, juiz, que não deseja promoção na carreira porque vai ganhar menos?

Como interpretar um homem, juiz, que se descreve como viciado no trabalho, não pela virtude da própria virtude do seu labor, mas porque tem despesas que acumulou, declarando que “depois, faço uns fins-de-semana nos quais ganho líquidos 70 euros”, criticando, indignado, o Inspector João de Sousa por ter tempo para dar aulas, ter projectos futuros, afirmando (está gravado) que a culpa era dos directores da P.J.?

Como colocar entre os maiores exemplos de probidade e equidade um homem, juiz, que manda para casa, conduzido pelo seu motorista, no seu carro, Ricardo Espírito Santo, quando, decretada por ele, juiz, a prisão domiciliária deste indivíduo, baixando posteriormente o valor da caução aplicada, e, com o Inspector João de Sousa e outros, manter a prisão preventiva?

Os “Catões” eram justos avaliadores de si e dos outros.

Este Alexandre não é grande porque é forte com os fracos e fraco com os fortes!

Carlos Alexandre declara que deseja “ver para crer” relativamente ao seu amigo Dr. Orlando Figueira. A mim e a muitos outros, não viu nada, não desejou ver, apenas acreditou no “copy-paste” que fez do Ministério Público, não se confirmando depois, como muitos casos demonstram, a sua histriónica auto-proclamada isenção e proficuidade!

Quando nascemos dão-nos um nome. Ao longo da vida, atendendo às nossas acções e palavras, atribuem-nos outro.

Todos nós somos somente a opinião dos outros. Ainda que nos possamos colocar no mais olímpico dos patamares, são os outros que oferecem a nossa posição.

Carlos foi baptizado Alexandre mas não é Grande. Carlos é Alexandre, cognome o Pequeno!

Como Carlos é uma personalidade muito particular, Alexandre é juiz, vamos ofertar cognome mais composto: Carlos Alexandre, o pequeno beato!

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12 thoughts on ““Alexandre, o Pequeno Beato”

  1. Bom dia.
    Amanhã, se Deus quiser, cá estarei para dar os meus para à pequena Leonor.
    Sobre a crónica de hoje? acho-a admirável.
    Desejando saúde e sorte, com um abraço.
    Emanuel

  2. Um dia as pessoas perceberão que afinal o Super-juiz é uma Super-treta, ou nas suas próprias palavras, um completo SALOIO (ainda por cima inimputável).
    Gostei da sua crónica. Parabéns pela sua coragem.
    Força!

  3. Bom dia, o prometido é devido. Parabéns à pequena/Grande Leonor que Deus te proteja nesta caminhada e com a esperança de que em breve a família se encontrar toda reunida. Felicidades, 1 beijinho.

  4. Muitos parabéns menina Leonor! Parabéns ao seu pai também!
    Orgulhe-se do seu pai como ele se orgulha indubitavelmente de si!
    Homens corajosos como ele, há muito poucos! e a menina tem os seus genes, por isso tem de ser “grande”! FORÇA!!

  5. Só para o Sr.é que o super juiz e o super procurador conseguem provas para o manterem preso? E paro o Sócrates? Penso que viu o circo no correio do crime TV? Boa Sorte, embora com estes artistas, seja dificil. Estranho os Pl s reformados comentadores do CC TV, não o defenderem um pouco. BOA SORTE

  6. Bom dia Família Sousa, hoje o que me traz aqui é apenas desejar um feliz aniversário à princesa Leonor. Mesmo que atrasados, são puros e sentidos. Este ano o meu rebento mais velho também faz 14 anos e este tempo traz-me alguma nostalgia e histórias passadas numa certa rua de traz, num prédio em frente à tua casa ou num campo qualquer onde a bola rolava para cima e para baixo, lembras-te da sirumba, do bate-pé. Como éramos jovens e inocentes mas amizade pairava, a cumplicidade era muita. O tempo passou e cada um de nós seguiu o seu caminho.

    Os bons amigos são como as estrelas, nem sempre os podemos ver mas temos a certeza que estão sempre lá.

    Aquele abraço amigo e desistir nunca foi a tua opção.

    Nuno Costa (SCGentil85)

  7. Muitos Parabéns, Leonor!
    Já falta pouco para esta história terminar. Quando deres por ela, puff, já passou.
    Desejo-te um dia bom e que mantenhas o queixo erguido. Sempre!

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