“Como se faz um canalha!”

Liberdade daqui a: 944 dias!

Canalha: A plebe mais vil, gente desprezível. Pessoa sem moral, desonesta; patife, infame, velhaco.

Canalhocracia: Sistema em que preponderam os canalhas. 

Hoje vou falar-vos de uma autêntica canalhice! Uma gritante falta de Moral e de Honestidade!

Presentemente, encontro-me a recorrer da decisão do Tribunal de 1ª Instância, plasmada no Acórdão de Sentença de 20 de Setembro de 2016: condenação pela prática dos crimes de corrupção e violação de segredo de funcionário agravado.

Corrompido por uma “promessa de vantagem patrimonial futura”: um perfeito disparate, sem provas, uma sentença feita “à medida”!

Violação de segredo de funcionário agravado: admiti a violação mas o agravamento é mais uma decisão para ajustar os prazos do castigo!

Agora, “a acção ou palavra própria de canalha”: como já tinha deixado neste espaço, o energúmeno obnóxio do Exmo. Sr. Procurador, Dr. João Davin, magistrado responsável pela fase de inquérito, mandou extrair certidão de peças processuais do NUIPC 2210/12.9 TASTB, processo no âmbito do qual encontro-me preso preventivamente há 2 anos e 11 meses (no próximo dia 29 de Março de 2017, completar-se-ão, 3 anos!!!) objectivando procedimento criminal autónomo por factos que podiam configurar ilícitos criminais praticados por mim.

Esta certidão deu origem ao inquérito NUIPC 353/15.6 T9ALM, a correr termos no Tribunal de Almada, delegada a investigação na Polícia Judiciária, Departamento de Investigação Criminal de Setúbal; departamento onde esteve fisicamente o processo parado, a “marinar”, durante todo o ano de 2015, até que foi enviado para a Direcção de Lisboa e Vale do Tejo! Parado, latente, ameaçador. Como o “Anel de Sauron”, do “Senhor dos Anéis”: “E coisas que não deviam ter sido esquecidas, foram perdidas. A História tornou-se lenda e a lenda tornou-se mito, e durante 2500 longos anos, o Anel caiu no esquecimento. Até que, mal a oportunidade se apresentou, ele seduziu novo portador…”

Durante mais 7 meses do ano de 2016 andou pela Directoria de Lisboa e Vale do Tejo, até que (não, não foi o “Gollum” que o encontrou!) após distribuição a um colega Inspector-chefe, a 12 de Julho de 2016, conheci o inquérito e fui constituído arguido, aqui em “Ébola”: emergindo, revelando-se a malícia e astúcia do “Anel”; perdão, do processo-crime em apreço.

Recordo-vos que desde Outubro de 2015, a Juiz-presidente do meu Julgamento argumenta, também, que devo permanecer em prisão preventiva porque existe “o perigo de continuação da actividade criminosa, considerando, além do mais, a categoria profissional do arguido [eu], sendo que aquele se afere não apenas à factualidade objecto nos presentes autos”.

Nunca, até hoje, foi explicado, concretizado, qual a “factualidade extra”!

Será que se trata dos factos do inquérito 353/15.6 T9ALM? É possível, admissível, intelectualmente honesto, ético, que tenham deixado “marinar” este inquérito para reforçarem a manutenção da medida de coacção – prisão preventiva – que no mínimo pode ser qualificada de vergonhosa?

Acabei, na semana passada, de ler a obra de Montefiore, “Estaline, a corte do czar vermelho” (fascículos grátis com o jornal “Expresso”). Estaline mantinha, guardados, vários relatórios, informações sobre os seus colaboradores e/ou inimigos (reais ou imaginados) a fim de no futuro utilizar esse “espólio” contra os mesmos: os famosos “julgamentos estalinistas”!

Na referida obra, vol. VI, páginas 66 e 67: “Acreditaria Estaline em tudo isto? Sim, com paixão, porque era politicamente necessário, o que era melhor do que ser simplesmente verdade. <<Nós próprios saberemos determinar>>, disse a Ignatiev, << o que é verdade e o que não é.>>”

Ao ler este excerto, senti uma inquietante familiaridade, uma similitude com o que experimento!

Mas o que está em causa no Inquérito 353/15.6 T9ALM? Possível violação de segredo de justiça e violação de segredo de funcionário, assim como uma “mirabolante” tese na qual eu era suspeito de ter ajudado a retirar um indivíduo preso de um estabelecimento prisional, auxiliando o meu co-arguido nessa diligência !!!!

Relativamente a esta “tese fantástica”, e após ler o resumo da intercepção telefónica onde falo com o meu co-arguido, foi notória a “canalhice” de quem investigou e resumiu a conversa, de quem Coordenou e despachou a informação e de quem extraiu a certidão, a saber: os meus colegas Inspectores, a Coordenadora Maria Alice, o Procurador Dr. João Davin! A “Canalhice” é tão grande que o colega Inspector-chefe que recebeu o inquérito, e realizou o meu interrogatório, concluiu que “resultou do resumo algo equívoco” e “não terá relevância criminal”!

Mas foi relevante para manter a minha medida de coacção, quiçá, ou pelo menos para fazer de mim um canalha!

Quanto à violação do segredo de justiça: concluiu que não se verifica!

Quanto à violação do segredo de funcionário… vejam a “canalhice suprema”!

Eu já fui julgado pela prática dos factos em apreço no 353/15.6 T9ALM! Eu falei, declarei os contactos com a imprensa, prestei declarações (está gravado, porra!) sobre a matéria em “investigação” no 353/15.6 T9ALM, aquando do meu Julgamento!!!

Contactada a magistrada do Ministério público de Almada, pelo investigador da P.J., a mesma afirmou que os factos não têm qualquer relação, logo, envie os autos que nós depois tratamos do canalha!

Non bis in idem. Princípio segundo o qual o Estado não pode submeter a um processo um acusado duas vezes pelo mesmo facto, seja em forma simultânea ou sucessiva!

24 de Fevereiro de 2017, RTP3: Paulo Pereira Cristovão não será acusado pela prática de crime de corrupção porque a Juiz de Instrução considera que já foi julgado relativamente a esses factos no âmbito do Julgamento do “Processo Cardinal”, no qual foi condenado a 4 anos e 6 meses de pena suspensa!

A realidade é incontornável, a canalhice sinto-a na pele!

Vejam o despacho da Procuradora do Tribunal de Almada: “[…] determinei que o Inquérito aguardasse por 3 meses que o processo “baixasse” do V. TRL pelos recursos interpostos […]”

Descodificando: vai aguardar o resultado do meu recurso para a Relação relativamente à sentença! Ora, se os factos não têm relação alguma, por que razão aguardar o resultado do recurso?

Se o canalha se safar, leva com este também? Em Março vai ser avaliada novamente a medida de coacção e este processo pendente ajuda a manter o canalha na prisão?

Caro(a) Leitor(a), isto é vergonhoso! Isto não se faz! É de uma mediocridade aviltante!

E porquê? Porquê a mim? Vejam esta “pérola” com mais de 2000 anos, de um comandante das legiões de Marco António: “Não é fácil escrever [scribere] críticas sobre alguém que nos pode proscrever [proscribere]” (“Sátiras”, Macróbio. Frase atribuída a Asínio Polião). Tão distante e tão dolorosamente actual.

Carlos Alexandre, Juiz, referindo-se a uma investigação famosa – “Caso Vistos Gold” – qualificava os factos adjectivando: “um autêntico lamaçal”.

Esta canalhice é um lamaçal com um miasma fétido, acrescento eu.

Mas até na escuridão existe luz, mesmo na “esperança sem garantias” de uma luta que já vai longa.

Os Inspectores que investigaram o Inspector João de Sousa e a Coordenadora Maria Alice, em sede de audiência de Julgamento, declararam que ninguém faz pesquisas fora do âmbito de inquéritos distribuídos, ninguém tem práticas como o arguido João de Sousa!

Caro(a) Leitor(a), nem toda a Polícia Judiciária, nem toda a administração da Justiça é falsa, canalha.

O Inspector-chefe que realizou as diligências no âmbito do “inquérito-canalha”, colega que conheci no dia em que realizou o meu interrogatório, na sua conclusão: “[…] consta daquele processo que o arguido João de Sousa terá consultado as bases da Polícia Judiciária relativamente a […]. Tais pesquisas, na opinião do signatário (o Inspector-chefe responsável pela investigação) e face ao teor da conversa em causa, são perfeitamente naturais. Estranho seria se o Inspector João de Sousa não as tivesse efectuado […]”

Será que este Inspector-chefe faz parte da “minha associação criminosa”? É corrupto?

Ou foi simplesmente profissional, equidistante, honesto intelectualmente, com uma agenda única: apurar a verdade material e não transformar alguém num canalha!

Num dos interrogatórios subsequentes à minha detenção, um colega de Setúbal sentiu necessidade de dizer o seguinte (em 2014): “João, se fosse em Lisboa a investigação teria sido feita da mesma maneira, não foi nada pessoal!” Sentiu necessidade de o dizer. A psicanálise explica muito bem este fenómeno…

Este mês, comemoram-se os 30 anos decorridos desde a morte do grande Zeca Afonso.

“Como se faz um canalha” é um poema seu musicado. A certa altura: “[…] Mas ninguém sabia ao certo / Como se faz um canalha […]”

Eu sei Zeca, faz-se assim, ainda hoje, da forma como antes descrevi!

E o canalha, sou eu!?!

Aproveitem aí fora o Carnaval!

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4 thoughts on ““Como se faz um canalha!”

  1. O que é perturbador, é tentar imaginar o número de canalhices que se fazem sobre tanta gente que não tem, nem a sua visibilidade nem os seus conhecimentos.
    Quanto a si….estrebuche, estrebuche, mas se for mesmo como tem escrito, eu só ficaria vingado se bebesse o sangue de colegas (gente?) tão reles.

  2. Caro Inspetor,
    Acho profundamente desoladora toda esta situação.
    Aliás, arrisco mesmo dizer que o que lhe estão a fazer é um crime onde existe uma principal culpada: a Justiça que permite todo este rol de canalhismos.
    “Even the smallest person can change the course of the future.”
    Cumprimentos,

  3. Bom dia
    Caro Inspector, depois de ouvir ontem os Pró-e-Contras na RTP 1, já nada me surpreende o que lhe está a acontecer. Tenha calma, continue a denunciar porque tudo terá um fim e, até lá, à que sofrer e ao mesmo tempo sentir o carinho daqueles que lhe são queridos. Para si, para a sua família, principalmente para a Sra. Sua Mãe os desejos de melhoras, desejando que a família continue unida e com saúde, tudo há-de passar se Deus quiser.

  4. Concordo com o comentário anterior. Desconheço o historial do Sr. Desejo-Lhe toda a sorte, o que não é fácil nesta pseudo democracia, pelo menos para alguns. Num País onde a denúncia é premiada tudo é de esperar. Boa Sorte. Sinceramente, espero que não tenha tramado ou ajudado a tramar a vida a nimguém, como é apanágio de policias e congéneres. BOA SORTE

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