Gravitas

Liberdade daqui a: 972 dias!

Colocada no papel enquanto chefiava campanhas militares contra os povos germanos e partos, a obra que todos nós conhecemos como “Pensamentos” ou “Meditações”, é um compêndio magistral da filosofia do dever e do serviço público, obra tutelar da equanimidade que deve estar sempre presente durante qualquer conflito; ensinamentos preciosos legados à posteridade pelo “imperador-filósofo” romano, Marco Aurélio.

O baixo-relevo que acompanha este texto é a representação do imperador Marco Aurélio perdoando os seus inimigos!

A equanimidade, ou seja, “o ânimo inalterável, sempre igual, tanto na adversidade como nos bons momentos; o espírito sereno, equilibrado, a correcção e imparcialidade”, era um dos atributos que o detentor do Poder, o Comandante, o Líder deveria encerrar em si e que contribuía decisivamente para a mais importante das virtudes que tinha de apresentar: a Gravitas!

Gravitas, que de forma insuficiente podemos traduzir por “seriedade”, “peso”, “dignidade”, traduz-se igualmente através do conceito de “sentido de responsabilidade” e “comprometimento” total para com a tarefa. É um sinal de credibilidade, um pilar de formação moral e ética que deve ser visível na construção do edifício da instituição ou do indivíduo que a representa.

Um exemplo coevo da falta de Gravitas é o recém-eleito Presidente dos E.U.A., Donald J. Trump! Compreendem o conceito (ou a falta do mesmo)?

Abraham Lincoln é um exemplo de Gravitas.

Mas, mais uma vez, não precisamos de olhar para os outros, olhemos para nós, aqui em Portugal!

Mais do que o Presidente Marcelo a lesar a Gravitas do seu cargo ao colocar no mesmo patamar de importância a inauguração de uma pastelaria/padaria e a inauguração do ano judicial, comparecendo nos dois eventos, o que motiva a minha pena e indigna, é o processo-crime por difamação que foi movido pelo Procurador do Ministério Público, Dr. Joaquim Moreira da Silva, contra os pais da tragédia do Meco e alguns jornalistas que informaram o público.

A minha dor é muito menor que a dos pais que perderam os filhos, sinto através de distanciamento empático, agora a indignação é desmesuradamente maior porque conheço o que foi feito e o que negligentemente não foi realizado na investigação: eu estava colocado no Departamento de Investigação Criminal de Setúbal, eu fazia parte da secção que investigava homicídios, eu fui escutado a falar sobre o “Caso Meco”, eu critiquei a coordenação da investigação!

O segundo, terceiro e quinto textos deste blogue – “Como funciona a Justiça por cá: uma peça ficcionada”, (11/10/14); “Como funciona a Justiça por cá: uma peça ficcionada (parte II), (18/10/14); “Sob o signo da necessidade: o futuro da investigação do Meco” (25/10/2014) – são a prova registada, o prenúncio de toda esta vergonha a que agora assistimos.

Esta medíocre acção retaliadora do Procurador do M.P., Dr. Joaquim Moreira da Silva, esta falta de elevação moral, esta autêntica baixeza – o processo de difamação a familiares e jornalistas – tem de ser entendida como o culminar de um percurso investigatório que enfermou, consequência da falta de conhecimentos e tecnicidade, lacunas agravadas pela falibilidade de quem coordenava a investigação na Polícia Judiciária, cujas idiossincrasias, nomeadamente a ignorância técnica e convicções pessoais, ditaram a opção por um caminho que inevitavelmente se revelou um atalho directo para o insucesso.

Comparei neste espaço, nos textos referidos anteriormente, a coordenação da Coordenadora Maria Alice Fernandes a “um único peixe descerebrado do grupo” que se “tornava chefe indiscutível deste último, justamente devido à sua insuficiência. Ninguém é tão decidido como aquele que não sabe para onde vai”.

Optando por não recolher o testemunho, com a maior celeridade, da vítima sobreviva da tragédia porque defendia, era sua convicção pessoal, que o mesmo se escudaria no silêncio, comprometeu de forma definitiva o apuramento capaz do ocorrido, comprometendo igualmente todo o trabalho pericial posteriormente realizado, diligências que resultaram somente em despesas desnecessárias, acções que foram realizadas com um único objectivo: demonstrar que tudo foi feito!

Mas não foi! Qual o interesse de se fazer muito quando não se faz o necessário?!

A 7 de Fevereiro de 2015, publico neste blogue um texto no qual informo a própria Coordenadora Maria Alice Fernandes (o texto era dirigido à mesma) que aqui em “Ébola” reuni com o advogado das famílias, Dr. Vitor Parente Ribeiro, tendo na ocasião esclarecido o mesmo da possibilidade de ser realizado exame pericial às roupas da única testemunha dos factos, vestuário que foi vergonhosamente negligenciado pela investigação!

O célebre “exame às Diatomáceas”!

15 de Dezembro de 2013, o triste evento! 7 de Fevereiro de 2015, o exame às Diatomáceas presentes (ou não!) nas roupas do sobrevivente: cerca de 2 anos após o sucedido!

Negligência fruto da incompetência. Mediocridade da Coordenadora. Vergonha! Falta de credibilidade da investigação! Ausência de Justiça para as vítimas, dor para os familiares!

Atenção: Justiça também é o apuramento exacto do sucedido, independentemente de existir intervenção criminosa de terceiros!

Presentemente ninguém sabe o que se passou, e a incompreensão dos pais, a sua indignação, a não aceitação de conclusões como aquelas que se leram na imprensa como causas da tragédia (“ o destino”) são justificação suficiente para a luta que estes abraçaram!

Olhemos lá para fora outra vez: “O teste do novo progresso não é se acrescentamos à abundância dos que têm muito; é se garantimos o suficiente àqueles que têm pouco”.  (Franklin Delanor Roosevelt). Estas palavras estão inscritas na pedra num monumento em Washington dedicado a Roosevelt. Relacionam-se com a segurança social, tema “querido” a Trump.

Redireccionemos as mesmas para a Justiça e a aplicação desta, invoquemos a citação em relação ao Procurador e aos pais das vítimas do Meco: o Ministério Público, o Estado, já tem tudo – a acção penal, o poder judicial – estes pais ficaram sem nada, perderam algo que não podem recuperar!

O que deve o Estado – Ministério Público – ofertar? Proficuidade, rigor investigatório, ética, moral, Justiça, fortaleza, prudência, virtudes que sustentam a sua Gravitas!

O que fez o Dr. Joaquim Moreira da Silva? Feriu de morte a Gravitas da sua posição. Logrou as expectativas daqueles que deve servir!

Pushkin escreveu: “Um logro que nos eleva é melhor que um monte de meias-verdades”

O inquérito “Caso Meco” é um cesto roto que contém meias-verdades, algumas dificilmente ou mesmo impossíveis de confirmar ou infirmar, um logro a todos nós, um teste ao progresso da investigação criminal e da aplicação da Justiça em Portugal em que os seus operadores notória e vergonhosamente reprovaram!

Artigo 37º da Constituição da República Portuguesa (C.R.P.): Liberdade de expressão e informação!

Artigo 38º da C.R.P.: Liberdade de imprensa e meios de comunicação social!

O Ministério Público, o Dr. Joaquim Moreira da Silva, é zelador da Constituição!

Violação do dever de zelo: será esta a acção que compromete a sua Gravitas?

Desconhecedor da Constituição, o Dominus do processo “Caso Meco”?

Elemento de uma “casta” que se considera intocável, acima da saudável crítica democrática?

Os pais das vítimas, mais do que tudo, querem respostas, cientificidade, trabalho rigoroso; não necessitam de represálias, respostas revanchistas!

Quem serve, tem que ter a capacidade de escutar, contemporizar, transigir, diferir a acção que a sua emoção, o seu cérebro reptiliano o incentiva a adoptar: permitir à racionalidade tomar as rédeas da acção, ser honesto intelectualmente e não pactuar, subscrever o erro, a insuficiência da investigação.

O escrutínio é saudável, a contestação é importante: eleva os índices de exigência dos responsáveis pela Justiça!

Voltando ao exemplo estrangeiro, Joe Biden, o vice-presidente de Obama, declarou: “Cresce Donald, cresce. Está na altura de te portares como adulto, és o Presidente!”

Isto a propósito das respostas agressivas de Trump (via “Twitter”) àqueles que não concordam com ele.

Amadureça, Dr. Joaquim Moreira da Silva, amadureça. Eleve-se ao nível da Gravitas do seu cargo!

Eleve-se porque o senhor, tão bem ou melhor que eu, é conhecedor das insuficiências gritantes da investigação. Eleve-se porque eu sou testemunha dessa insuficiência e se for necessário testemunharei nas instâncias próprias sobre a mediocridade de quem foi responsável pela investigação. Os pais, os jornalistas, o público em geral não o sabe mas eu conheço, eu estava  lá!

Magnanimidade! Magnânimo: que perdoa facilmente, generoso, benevolente, nobre, elevado!

Tudo isto está representado no baixo-relevo: Marco Aurélio perdoando aos inimigos.

Perdoando, demonstrando Gravitas.

Os pais das vítimas do Meco não são o inimigo. São aqueles que o Estado, o Ministério Público tem obrigação de servir.

O serviço que o Dr. Joaquim Moreira da Silva prestou, desta vez, foi muito fraco; não devia agravar mais a insuficiência adoptando acções medíocres, egóticas, vingativas, que lesam a Constituição, que apenas reparam o seu bom-nome, direito inalienável de qualquer cidadão, assim como o direito dos pais das vítimas a conhecerem as causas reais que conduziram ao passamento dos seus filhos, direito que é também o dever incontornável que a instituição/indivíduo que a representa deve observar no desempenho das suas funções.

O Dr. Joaquim Moreira da Silva, o Ministério Público em representação do Estado, tem à sua disposição o Poder e os meios para cumprir o dever de instaurar e conduzir a acção penal, sempre tendo como objectivo, servir o bem comum.

O Dr. Joaquim Moreira da Silva, o Ministério Público em representação do Estado, encontram-se revestidos pelo prestígio, importância, gravidade, estatuto e reconhecimento público; vestem a toga, símbolo das virtudes romanas do Labor, da Justiça, da Dignidade, da Honra, do sentido de Dever, da Moral, da Ética, enfim, resumindo numa palavra: Gravitas!

Mas temos que recordar ao Dr. Joaquim Moreira da Silva, o velho aforismo popular: “O hábito (neste caso, a toga) não faz o monge”!

Anúncios

8 thoughts on “Gravitas

  1. Bom dia
    Obrigado pelo texto de hoje, continue pois pelo facto de estar privado da liberdade, não está privado da sua liberdade de expressão, de transmitir o que lhe vai na alma e, acima de tudo pugnar pela verdade e pela justiça.
    Um abraço.

  2. Mentiroso… o exame das roupas não foi ideia tua… tem vergonha na cara aldrabao. O teu amigo Hernâni carvalho que conte quem lhe escreveu vários textos sobre o meco é quem verdadeiramente falou sobre as roupas… mentes com quantos dentes tens…. nem preso assumes a verdade continuas a mentir e a usar o que os outros fazem e a dizeres que é teu…… chega de mentiras pá …… o Hernâni nem abre a boca …. tu não estiveste ligado ao caso meco cala-te aldrabao de merda….

  3. Mentiroso mesmo. Ele não passa de um safado que sempre usou os outros e depois inventava histórias e dizem que era ele que sabia e dizia….. asneiras que fez em homicídios, asneiras que fez nos crimes sexuais. Um criminoso que recebeu dinheiro também de traficantes de droga.

  4. Pelos comentários, deduz-se a categoria de todos estes bófias. São factos brilhantes, noticiados diáriamente: roubos, mentiras, agressoes, para não dizer nada mais. Na realidade são todos uns herois. Futuramente serão todos comentadores do correio do crime quando reformados. Emprego seguro no país de chibos,

  5. Isto esta cada vez mais interessante.
    A ser verdade o que estes supostos senhores vão dizendo, porque afirmarem não.
    Pudera,Serão coniventes Terão presenciado, Terão feito o mesmo ou pior.
    Ao JOÃO um grande abraço e muito força, ex 37.

  6. Acho muita piada a estes inspetoreszecos de meia tijela que se escondem atrás de nomes falsos para virem aqui dizer que o “colega” era corrupto, recebia dinheiro de droga, fez merda em processos mas na altura devida não denunciaram. Só falam agora???

    Se calhar são como ele mas talvez mais espertos e ainda não foram apanhados… Ainda… cambada de zeros à esquerda!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s