Festina lente

Liberdade daqui a: 993 dias!

Conhecem aqueles bonecos engraçados alusivos às várias profissões existentes?

Existe um pequeno médico patusco com um estetoscópio pendurado ao pescoço; um professor com um livro; um mecânico com uma chave inglesa e até um polícia com o seu bastão!

Nunca me ofertaram nenhum; muitas pessoas, até familiares, não sabiam exactamente o que eu fazia. A Leonor (a mais velha) só aos 8/9 anos percebeu que o pai não era professor mas sim polícia, quando o viu na televisão a salvar pessoas vítimas de um acidente na Av. Da Liberdade, em Lisboa.

Nunca recebi o patusco polícia porque sempre disse à Leonor que o pai não usava farda e era mais que um polícia: era investigador criminal!

Na visita da “ninhada”, após o dia de Natal, a Helena trouxe consigo algumas prendas/brinquedos, assim como o fez o Júnior.

As imagens que acompanham este opúsculo, ilustram os brinquedos que o meu “filho-homem” trouxe consigo para brincar com o pai.

Então não é que foram dar à criança uma carrinha policial de transporte de presos, com um criminoso com farda às riscas e a barba por desfazer!

– Assim está mais próximo do pai: em comunhão! – alguém sorrindo.

Que tristeza. Que mau exemplo o meu… mas não é tudo!

Observem a imagem da direita: podem observar a mãozinha do Júnior activando a sirene e a luz de urgência de marcha azul, e o “bandido” dobrado expondo o traseiro.

Eu, brincando com o Jr., fazia de “bandido” (que outro papel poderia representar presentemente?) e o Joãozinho perseguia o pai. A certa altura, o “bandido” cansado parava e emitia um sonoro flato enquanto recuperava o fôlego.

A “ninhada” toda ria bastante: o Jr. pedia para repetir começando ele próprio, após a vigésima quinta repetição, a encarnar o “bandido” perseguido que esgotado pela fuga “descuidava-se” de forma audível.

Esperamos que rapidamente os nossos filhos emulem os nossos melhores comportamentos e acções. Quanto mais depressa melhor, ainda que a pressa seja inimiga da perfeição; neste caso tinha tudo para correr mal: assimilou o Jr. o exemplo de forma célere sendo que o exemplo era tudo menos perfeito!

Já em casa da avó materna, o meu “filho-homem” pediu a atenção de todos e lá colocou o “bandido” esgotado com problemas de flatulência, a sofrer.

Reforço positivo: os avós acharam a brincadeira engraçada!

O pior estava para vir: com visitas em casa, o Jr. coloca em palco a sua curta-metragem e quando questionado: “O que é isso João?”

Responde: “É o pai!”

“Coitada da criança, além do pai estar preso, ainda dá flatos durante a visita e todos batem palmas” – é o que deve pensar quem assistiu.

Por favor senhores Juízes-desembargadores, apressem-se com os meus recursos porque preciso de repor a verdade junto de terceiros: eu não emito flatos durante as visitas!

Apressem-se!

Festina lente! Locução latina que segundo Suetónio é atribuída a Augusto, primeiro imperador de Roma; significa o mesmo que os nossos conhecidos aforismos “Devagar se vai ao longe” e “A pressa é inimiga da perfeição”!

Esta semana, a 2 de Janeiro de 2017, na RTP3, o recém-eleito bastonário da ordem dos advogados (no contexto dos 20 tribunais reabertos), afirmava que a existirem atrasos na Justiça lusa, era mais ao nível da primeira Instância (Julgamento) algo que não se verificava nas decisões superiores do Tribunal da Relação. Não sei onde foi o Dr. Guilherme Figueiredo beber esta estatística.

No meu caso, ao longo de 2 anos e 10  meses, sempre aconteceu na Relação o que está a suceder agora: dia 20 de Setembro de 2016, o Tribunal decide manter-me em prisão preventiva!

Recorro para a Relação… Outubro… Novembro… Dezembro…

Em Dezembro, o Tribunal tem de reavaliar a medida de coacção: mantém (pois claro!)

Dezembro… Janeiro… dia 9 de Janeiro de 2017… e a Relação: nada!

É de loucos esta temporalidade, não? Festina lente, João! Devagar se vai ao longe!

Longe não vou porque não tenho saído daqui!

Festina lente, João! A 29 de Março de 2017 nova reavaliação da minha medida de coacção,  e a Relação?!?

29 de Março de 2017: 3 anos de prisão preventiva! Faltam 79 dias. Será que a Relação…? Deixemos a Relação e observemos a minha “Ralação”: daqui a 115 dias o meu Jr. faz 3 anos; a partir dessa data, tenho que escolher dos três da “ninhada”, um para ficar de “fora da visita” porque o regulamento do estabelecimento prisional só permite três pessoas por visita, com três ou mais anos de idade!

Como a temporalidade é relativa: já não me parece Festina lente, agora apressa-se a chegada da dor e da revolta e não chega lentamente. Quanto à celeridade do Tribunal da Relação… não se apressem venerandos desembargadores na vossa (espero eu) douta decisão!

Esta semana um Caro Leitor, ao qual agradeço, enviou-me uma missiva simpática na qual seguia junto uma impressão do jornal “Diário de Notícias on-line”: “Condenações por corrupção são cada vez menos mas P.J. investiga mais […] Condenações são apenas 0,04% do total registado em 1ª Instância […]”

Sublinhado no texto, com um comentário – “Não perdeu tempo a responder ao Inspector” – vinham as declarações do Director da P.J., Dr. Almeida Rodrigues!

De que fala o Leitor? No texto de 19 de Dezembro de 2016 – “E se eu me calar … o que mudará?” – critiquei o Dr. Almeida Rodrigues, epitetando-o de “disparatado factótum”, quando afirmou que “prendia um corrupto de 3 em 3 dias”!

Neste artigo do “D.N. on-line”, o Dr. Almeida Rodrigues declara: “ O que faz uma média de um detido de 3 em 3 dias.”  O artigo em questão está datado: 24 de Dezembro de 2016! 5 dias após o meu texto a corrigir o Sr. Director!

Caro Leitor, não creio que exista qualquer relação entre o que escrevi e a correcção posterior do Dr. Almeida Rodrigues: o Director da P.J. não lê blogues de funcionários da instituição presos preventivamente!

Na minha modesta opinião, o que se passou foi que perante as câmaras dos “media”, tendo necessariamente que dizer algo, e “como depressa não há quem”, o resultado foi idêntico ao do ofegante boneco do Jr. … corrigindo a posteriori, o que só lhe fica bem!

Obrigado pela carta!

Festina lente. Devagar, paulatinamente, vagarosamente faz o seu percurso descendente, aquela linha de água que escorre na parede do meu “jazigo” onde agora me encontro a escrever. As paredes estão húmidas, está aqui em “Ébola” um frio molhado que devagar se entranha no meu corpo… Festina lente!

Lá vem outra! Outra gota de água … lentamente, sem pressa, vai alimentar mais uma poça no meu “jazigo”.

Estou cansado e zangado a toda a hora: só a mim protelam o dia do regresso e está tanto frio.

Bom, ultrapassemos isto! Já baixamos os quatro dígitos: já só faltam 993 dias!

Com paciência e perseverança se conseguem os melhores êxitos: “Devagar se vai ao longe! Festina lente”

Este Sábado vem cá o Jr. e as “manas”: espero reverter a “pequena narrativa da flatulência”.

Despachem-se Srs. Desembargadores, por favor!

Compreendam! Tenho que me justificar perante as visitas de minha casa: corrupto ainda vá lá! Agora, falta de elegância: nunca!

 

 

 

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13 thoughts on “Festina lente

  1. Genial mesmo é esta criança começar a perceber o criminoso que tem como Pai. Espero que, da decência da sua mãe e do lamento deste “pai” se é que pode usar esse nome, expliquem um dia porque foi preso: porque foi corrupto, porque roubou o Estado e todos os seus cidadãos contribuintes, porque mentiu em tribunal, porque foi um funcionário desleal, porque é um crimonioso!
    E só assim, com alguma sorte, aquela criança não morrera de vergonha a vida toda de ter o mesmo nome que o seu previsto progenitor. Com sorte, ainda um dia decide ser policia para zelar contra todos aqueles, como o pobre semental, que roubam e decidem optar pelo mundo do crime!
    E pensar que daqui a 3 anos este animal está cá fora… SENHORES JUIZES: DEUS NOS LIVRE!
    É a sociedade que vos implora: mantenham este criminoso preso mais tempo porque o ouro ainda não apareceu!

  2. Sherlock Holmes tu és um autêntico Carrasco !
    O homem já cumpriu quase 3 anos de prisão e ainda queres mais?
    Isso é ódio de estimação ?
    Tu és daqueles que depois do homem sair ainda lhe apontas o dedo?
    Imagina que o homem ganha o recurso, como é que depois te comportas? Vais chamar nomes aos juízes?

  3. Surpreende-me como um ex-polícia julgado e condenado por inúmeros crimes, preso há três anos, ainda consiga colocar em causa a justiça de um colectivo de juízes, vários procuradores do ministério público, inúmeros investigadores, distintos órgãos de polícia criminal, diversos advogados e outras demais entidades.
    Este senhor é um presidiário. Nada mais.
    Cumpra a sua pena.

  4. Caro Inspetor,

    O Inspetor é nitidamente importante e digno, pois só alguém assim pode suscitar esta gigante inveja! Tão cegos que até com os dois olhos abertos só enxergam ódio.
    Apenas consigo ter pena destas pobres almas.

    Cumprimentos,

  5. I live to serve. At first, I was surprised you con30u&#dl9;t remember yourself, but then I realized I live in a third-world country and didn't have as many sweet things to get excited about while growing up. I assume your childhood memories are full of wicked awesome crap, and there just wasn't room to store all the details.As for me, I had a block of wood and some rope. There was a cardboard box my parents got me when I was five, but I left it ouside and it got soggy. Also, there was StarCom. Anyway, you're welcome.

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