“Um abraço solidário à Professora Susana Pereira”

Liberdade daqui a: 1021 dias! (na 2ª feira, 12 de Dezembro de 2016)

Todas as semanas escrevo o texto deste espaço até quarta-feira, o mais tardar, por forma a ser atempadamente “teclado” e colocado na “net”.

Durante o fim-de-semana, o meu imprescindível e valioso “Secretariado” realiza o trabalho de publicação da imagem escolhida e respectivo texto. Ao Domingo tenho sempre a visita do “Secretariado” sendo que, se necessário se revelar, “afina-se” a fraca escrita do recluído.

No Domingo passado, as minhas filhas informaram-me, solenemente, que esta semana a visita terá que ser realizada no Sábado, 10 de Dezembro!

– Porquê? – questionei eu.

– Porque vamos fazer uma “acção social”! – respondeu altiva a Helena.

– “Acção social”?!? – o pai incrédulo.

– Acção de Solidariedade, Helena! – corrigiu a mais velha enquanto o projecto de homem que é o irmão as olhava – Tens que escrever para “sair” na 6ª feira!

– Isso! Tens de fazer um texto para nós! – peremptória a Dona Helena.

As minhas “belas senhoritas” desejam que o pai recluído se deixe dessas coisas da Justiça, que se deixe de lamentações e, porque muita gente o lê (crêem elas!), divulgue a acção de solidariedade na qual elas e a mãe vão participar!

Já lá vamos à acção de solidariedade…

Qual é o pai que não deseja ser o exemplo a emular pela sua descendência?

Quem é que não quer ser o referencial ético e moral daqueles que ama e pelos quais daria a sua vida?

A experiência social dos nossos filhos está circunscrita à esfera familiar, somos nós que facultamos o exemplo, somos nós, Família, que conduzimos as primeiras lições de comportamento social: o desenvolvimento moral dos nossos “tesouros” somos nós que promovemos!

Os pais, avós, tios e afins são quem regula o “fazer Bem” ou “não fazer Mal”, a interiorização destes conceitos e a autopunição é trabalhada por nós, cuidadores!

Esta temática aflige-me desmesuradamente porque estou impossibilitado de dar o meu contributo, impedido de estar com a “ninhada” nesta fase critica do seu desenvolvimento, da formação do seu raciocínio moral!

Mas as coisas até estão a correr bem, como vamos ver mais à frente…

Ao correr da pena de cem opúsculos (este é o centésimo décimo sétimo) tenho escrito sorrisos, gargalhadas, choro, pranto, lamuria e revolta, por vezes repetindo a dor que sinto, até à exaustão.

Queixo-me dos recursos, mas ainda posso recorrer!

Queixo-me das dores da pubalgia, mas curei-me!

Queixo-me da tristeza, mas sorrio quando vejo quem amo!

Queixo-me desta incerteza, desta espera, mas dia 29 de Setembro de 2019 (o mais tardar) tudo vai terminar e de novo vou estar com os meus, livre!

Tenho receio que o meu exemplo – um pai preso, corrupto em 1ª Instância, desacreditado, poluto, maculado – não seja uma referência válida para os meus projectos de “gente grande”, mas estou cá para eles incondicionalmente amarem-me e eu ter o privilégio de os amar!

Shakespeare colocou-o na perfeição: “Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos”.

Aqui em “Ébola” escarnecemos de tudo:

– Tanto tempo preso! Só falta quando sair ser-me diagnosticado um cancro no pâncreas! – um recluso rindo da Vida, do Bem e do Mal, da má Fortuna!

Nada aqui é santo, intocável, tudo é possível transformar num alvo de escárnio, um alvo de substituição para o rancor, a frustração que se alimenta entre paredes, por detrás das grades!

Mas esta provação, esta privação terá um fim anunciado: Terrível, insuportável é não sabermos o que nos reserva o final da luta, o que nos espera no final da batalha.

Angustiante é esgotarem-se as instâncias às quais recorrer, absolutamente doloroso, paradoxal, é não percebermos como foi possível (porquê a mim?) e aceitar que alguém ou algo “escreve direito por linhas tortas” ou “cujos caminhos são insondáveis”, assim como aquilo que nos reserva o é!

A Professora Susana Pereira, de 39 anos, está neste momento a travar uma batalha incomensuravelmente mais difícil do que a minha, sem qualquer dolo da sua parte, apenas porque o seu organismo decidiu guerrear com ela: a Professora Susana Pereira, de 39 anos, encontra-se a lutar contra o Cancro!

A Professora Susana Pereira, de 39 anos, está com um problema desmesuradamente maior do que o Inspector João de Sousa: enquanto eu não tenho disponibilidade económica para advogados, a Professora Susana Pereira, de 39 anos, encontra-se sem disponibilidade económica para fazer uma viagem aos E.U.A., país que tem capacidade para realizar operação cirúrgica que salvará a sua vida!

Enquanto escrevo estou a ouvir o último álbum de Leonard Cohen, “You want it darker”. Na faixa com o mesmo título do álbum, na sua hipnótica e grave voz, diz-nos: “A million candles burning/For the help that never came/You want it darker/We kill the flame”

Não vamos matar a “chama”, vamos fazer chegar a nossa ajuda, vamos iluminar a esperança de cura à Professora Susana Pereira, de 39 anos, que luta contra o Cancro!

O pedido de divulgação, de coisas que realmente importam, foi feito pelas “minhas senhoritas”, pelos meus “projectos-de-gente-grande-moral-e-eticamente-sólidas”: Ajudem-nas a acreditar nos adultos!

Ajudem a Professora Susana Pereira, de 39 anos, que luta contra o Cancro!

No Domingo, 11 de Dezembro de 2016, pelas 10h30, a Escola Básica Nº1 da Póvoa de Santa Iria, abre as suas portas para uma aula colectiva de “Zumba”, por forma a angariar fundos para a Professora Susana Pereira, de 39 anos, que luta contra o Cancro! Apareçam! Contribuição: “3 Zumbas” (3 euros) por pessoa!

Como pode verificar – mesmo com um pai corrupto (em 1ª instância) – os meus “tesouros”, o “meu ouro”, as minhas “promessas” de futuro, estão a desenvolver-se moral e eticamente de forma válida (responsabilidade total da mãe da “ninhada”).

Como a Leonor e a Helena vão ajudar a mãe a “teclar” este texto, ainda com mais vontade e entusiasmo, eu, um agnóstico convicto, deixo aqui uma passagem da “Bíblia” para elas e para todos nós, é sempre bom relembrar, Lc 10,30-37: “[…] Jesus respondeu: Um homem descia de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos de salteadores, que lhe roubaram tudo e o espancaram. Depois foram-se embora e deixaram-no quase morto. Por acaso, um sacerdote descia por aquele caminho; quando viu o homem, passou adiante, pelo outro lado. O mesmo com um Levita: chegou ao lugar, viu e passou adiante, pelo outro lado. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou perto dele, viu, e teve compaixão. Aproximou-se dele e fez-lhe o curativo, derramando azeite e vinho nas feridas. Depois colocou-o no seu animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, pegou em duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: << Toma conta dele. Quando eu voltar, vou pagar o que ele tiver gasto a mais >> […]”

Nenhum de nós quer passar por “Sacerdote” ou “Levita”. Não vamos passar adiante, pelo outro lado. Vamos pegar nas “nossas moedas” e ajudar. Amanhã podemos estar nós caídos na estrada entre Jerusalém e Jericó …

Quanto à “ninhada”, como atrás escrevi, as coisas até estão a correr bem. Posso com segurança e orgulho afirmar: “Depois de mim virá quem bom de mim fará!”

Caros “Samaritanos”: Domingo, 11 de Dezembro de 2016, Escola Básica Nº1 da Póvoa de Santa Iria, pelas 10h30, “3 Zumbas” (3 euros) por pessoa, vamos abraçar solidariamente a Professora Susana Pereira, de 39 anos, que luta corajosamente contra o Cancro!

(Morada da Escola: R. Prof. Maria Luísa Lucena, 2625-176 Póvoa de Santa Iria)

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