“Os Recursos e a Esperança!”

Liberdade daqui a: 1028 dias!

Lamento, Caro(a) Leitor(a), mas tenho que novamente, sem que seja minha a intenção de enfadar, relevar, revelar, denunciar porque continuo a beber “a bebida amarga”, a tragar a dor, a engolir a labuta e “como é difícil acordar calado se na calada da noite eu me dano, quero lançar um grito desumano, que é uma maneira de ser escutado”!

O “Chico” Buarque queria afastar o Cálice. O nosso Pessoa admoestava: “Não se acostume com o que não o faz feliz!”

Como não desejo habituar-me e encontro-me embriagado de dor, aqui deixo mais um exemplo real do que venho, há 973 dias, a gritar: “TVI, “Diário da Manhã”, 1 de Dezembro de 2016. Operação “Trapos Soltos” 8 detidos pela Polícia Judiciária, indiciados por Fraude Fiscal, Branqueamento de capitais, Burla qualificada, Associação criminosa, lesaram o Estado em 15 milhões de euros. Presentes a Juiz de Instrução: os 8 estão em liberdade aguardando os ulteriores desenvolvimentos da investigação”!!!!

Perdoem-me se começo a parecer um “disco riscado” mas a dor é excruciante: Então e eu ?!?

Esta semana montaram a árvore de Natal e fizeram o Presépio aqui em “Ébola”.

Como já o deixei aqui nos dois Natais anteriores, ofende-me esta hipócrita manifestação de calor, humanidade, fraternidade e partilha.

Este ano ainda não esconderam o “Menino Jesus” e ofereceram a boçal piada costumeira “Façam uma rusga às celas dos pedófilos que deve estar lá escondido!”

É assim o Natal em “Ébola”!

Mas isso faz parte da pena, da provação do recluso, isso é a minha cruz. O que esta semana Vos quero deixar, é a minha visão da Esperança e o Verdadeiro espículo, a autêntica verruma que é a espera por provimento, ou não, dos recursos interpostos enquanto se está em prisão preventiva!

A Helena, na última visita, perguntou novamente, triste: “Pai, vais passar este Natal a casa?”

Ui! A dor: “Não, meu amor. Ainda não!”

– E dás presentes à mesma? – esperançada.

Ah! O consumismo, o materialismo “infanto-juvenil”! Se ofereci prédica sobre os valores do afecto, amor, o valor do desinteresse, o despojamento? Claro que não!

Alegrei-a, alimentei a sua Esperança: “Claro que vou dar-te presentes à mesma!”

O irmão de Prometeu (o que ofereceu o fogo aos homens e foi castigado por isso), Epimeteu, foi favorecido pelos deuses: Hefesto, Atena e os restantes divinos “sopraram” em Pandora várias virtudes, entre elas uma Beleza impar, assim como uma desmesurada curiosidade. Ofertaram Pandora a Epimeteu. Pandora significa: “a que possui todos os dons”.

A Pandora, como os deuses são cínicos e vingativos, para não ir com as mãos a abanar, deram-lhe uma caixa onde encerraram todos os males. O resto já sabem! A excessiva curiosidade fez com que a bela Pandora abrisse o nefasto recipiente libertando as maleitas, ficando algo, de forma muito ténue, a brilhar no fundo da caixa, a Esperança!

Séculos depois, outra mulher – Eva – quebra a nossa relação amistosa com Deus, ao seguir as indicações da Serpente, comendo da “Árvore do Conhecimento”, movida pelo desejo de conhecer e distinguir o bem do mal (curiosidade!).

A Serpente foi condenada a ser “maldita entre todos os animais domésticos e todas as feras”; obrigada a rastejar sobre o ventre e a comer pó todos os dias da sua vida!

Eva, e todas as “Evas” subsequentes, tiveram/têm que sofrer muito na sua gravidez. E, os “Adões”, voltarão todos para a terra porque são pó e ao pó voltarão!

Mas, Deus é bom, ficou a Esperança de voltar ao abraço reconfortante do Pai Supremo, após o regresso ao pó, entre a corte dos santinhos no Céu!

Voltemos a assuntos mais terrenos.

Vamos focar-nos somente no meu recurso relativo à alteração da medida de coacção!

Dia 11 de outubro de 2016 interpus recurso no Tribunal da Relação para a alteração da medida de coacção: desejo um desagravamento como tiveram tantos outros!

Queria passar o Natal de 2016 com os meus! Claro que é possível, como o foi para tantos outros!

Acompanhem-me, vejam agora como rasteja a Justiça portuguesa tal qual a Serpente.

Dia 20 de Dezembro de 2016, daqui a 15 dias, a Juiz-presidente do meu Julgamento é “obrigada” por Lei a rever os pressupostos da minha medida de coacção.

Espero que a mesma mantenha o “castigo”, infelizmente.

O Tribunal da Relação ainda não “resolveu” o meu recurso porque, até esta data, o Ministério Público (1ª Instância) ainda não se pronunciou, logo, pronunciar-se-á a Juiz-presidente novamente antes de todos os outros, ficando por aqui o mortal João, aguardando regressar ao reconfortante abraço dos seus, o que para si seria o Céu na Terra. Trocaria qualquer recompensa Divina futura (ou a sua promessa) por esta autêntica festa terrena com os meus!

Claro, reconheço Caro(a) Leitor(a), que a questão é pertinente: “Estou esperançado num desfecho favorável, ou não?”

Se entendermos a Esperança na sua definição “mais pura”, “expectativa de um bem que se deseja”, então estou esperançado porque desejo estar com  aqueles que amo e considero essa companhia, essa verdadeira partilha, um bem sofregamente desejado!

Estar com os meus é o objecto da minha espera, a minha ténue esperança.

Considerada uma das três virtudes Teologais – a Esperança – posso definir-me como um virtuoso.

Agora, se atendermos à definição de esperançoso como sinónimo de auspicioso, significando auspicioso algo de “bom agouro”, prometedor, então nesse caso, as probabilidades de êxito são reduzidas. Não creio estar sob felizes auspícios e não me considerando áugure, o meu auspiciar é muito desencorajante.

Creio que para alimentarmos a nossa Esperança devemos possuir elevadas doses de Ilusão, temos que estar presos à expectativa.

A Ilusão é um recurso que necessariamente deve ser inesgotável.

A minha experiência, sustentada por 2 anos, 8 meses e 6 dias, obriga-me a afastar a Ilusão, verdadeiro “engano dos sentidos ou do espírito”, a repudiar a interpretação errónea que seria o expectar por algo diferente agora: o que muito facilmente podíamos considerar uma “esperança quimérica”.

Autêntico engano relativamente à forma, à dimensão e à cor – ilusão de óptica – do que venho a experimentar, somente um prestidigitador conseguiria a “arte de produzir fenómenos que parecem contradizer as leis naturais” – Ilusionismo!

Somente um ilusionista conseguiria convencer-me a manter acesa a luz da minha Esperança.

Sem Esperança não somos nada. Sem Esperança a existência é um perfeito absurdo!

Como sigo? Como consigo suportar tudo isto se não tenho Esperança?

Através da Razão!

A Razão enquanto faculdade pela qual alcanço entender, compreender e julgar quem me julga.

Tendo Razão, estando certo, com  a Verdade do meu lado: os factos diários comprovam o que tenho afirmado!

Virgílio, nas suas “Geórgicas”: Felix qui potuit rerun cognoscere causas (Feliz aquele que pode conhecer a causa das coisas) sublinhando a felicidade daqueles “cuja inteligência penetra os segredos da natureza e se eleva acima das vulgares superstições.”

A serenidade do indivíduo cognoscitivo permite ao mesmo o verdadeiro luxo de dispensar a reconfortante (mas falsa) Esperança; é o seu recurso mais valioso e imprescindível.

Saber o porquê, conhecer “quem”, identificar “como”, oferta-nos a couraça resistente para suportar o pó ou as dores deste difícil parto da Justiça: o nascer da equidade!

A Justiça, o Tribunal da Relação, “está de esperanças”, fecundei o seu ventre com a semente que é o meu recurso, vou aguardar sabendo que vou perder mais um Natal, conhecendo o sabor amargo do cálice, mas feliz por conseguir identificar quem pisou as uvas, engarrafou o vinho, serviu-o e verificou como fraca foi a colheita!

 

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