“Sísifo, o Leão, a Raposa e a Barata”

Liberdade daqui a: 1091 dias!

Nota Prévia: ou para ser mais exacto, agradecimento prévio. Grato a todos que passaram e passam por aqui. Uma semana antes deste blogue fazer dois anos, atingimos os 300.000 visitantes!

150.000 por ano, 12.625 visitantes por mês! Não está nada mal para um sujeito que se encontra sepultado vivo! Muito obrigado, a todos!

Dia 4 de Outubro de 2016, o blogue faz dois anos e a minha Maria Helena de Sousa (a.k.a. “Monstro Ucraniano”) completa 10 anos!

Treze dias após a leitura do acórdão da sentença, como estou? O que mudou em mim?

Não sei se vou prejudicar a minha causa, mas 13 dias após o anúncio da minha conduta corrupta motivada por uma “promessa”, não sinto arrependimento ou realizei autocensura!

Bom, não será grave porque estou a recorrer, a ressocialização e a reinserção só se verificam após transitar em julgado!

48 horas após o anúncio da “minha promessa” fiz anos e o meu “Secretariado” ofereceu-me a 1ª edição na “Livros do Brasil / Porto Editora” (Setembro de 2016) do “Mito de Sísifo” de Albert Camus, tradução de Urbano Tavares Rodrigues.

Muito a propósito: também eu, qual Sísifo moderno, com enorme esforço físico e sofrimento psicológico, continuo a carregar a pedra que mais uma vez rolou encosta abaixo.

Também eu, “homem absurdo”, deparo-me com o absurdo de uma sentença que estava há muito anunciada.

Sem arrependimento, sem autocensura, revejo-me nas palavras de Camus: “[…] A este respeito todas as experiências são indiferentes. Há as que servem ou prejudicam o homem.

Servem-no se ele é consciente. Senão, isso não tem importância. As derrotas de um homem não julgam as circunstâncias: julgam-no a ele próprio […]”.

Não serão as circunstâncias, a matéria de facto que me “obrigam a este lugar”, é notório que assim o é pela leitura atenta e crítica do acórdão: sou eu e a minha postura (como aliás o Ministério Público e a Juiz-presidente invocou – a postura – para a manutenção da minha prisão preventiva ao longo de 2 anos, 5 meses e 22 dias, mantendo-se ainda hoje!).

Noticiado: o Juiz Rui Rangel recebeu / solicitou dinheiro a José Veiga. Existem e-mail´s que o provam! Isto são circunstâncias, factos! Existem talões de depósito!!!

Noticiado e provado: malas de dinheiro, pedidos de dinheiro, compras de livros com dinheiro disponibilizado por um “amigo de escola”. Isto são circunstâncias, factos!

Então é admissível colocar a questão: “Por que razão estas circunstâncias, estes factos, não relevam para um sujeito e a ausência destas acções / comportamentos que tipificam crimes idênticos, para outro não importa, transforma-se numa “promessa futura” que justifica 4 anos de pena pelo crime de corrupção?”

Um pequeno salto a Shakespeare e à sua “Tempestade” porque também sou Próspero isolado numa ilha, somente com os seus livros e nem sequer tenho as “minhas Mirandas” comigo: “Feriram-me duramente com as suas graves injúrias, mas com a nobre razão respondo à fúria. A excelência está na verdade, não na vingança.”

Sísifo foi condenado pelos deuses porque foi “leviano para com eles”, “revelou os seus segredos”.

Igualmente condenado pela violação de segredo de funcionário (agravado, pois só assim ia até aos 5 anos e 6 meses) não vi ou ouvi em nenhum momento deste processo-crime (1º interrogatório, Instrução e Julgamento) o conteúdo de gravações que demonstravam o “revelar do segredo de muitos deuses”; o revelar de comportamentos por parte de quadros superiores da P.J. (nomeadamente de quem coordenou a investigação) acções que evidenciavam aquilo que a Juiz-presidente sobre mim afirmou no seu acórdão: “[…] No caso do arguido João de Sousa, mostra-se mesmo agravada a censurabilidade ético-jurídica da conduta, atenta a violação reiterada e grave dos deveres a que se encontrava obrigado, no exercício das suas funções, na qualidade de Inspector da Polícia Judiciária […]”.

Voltando ao texto da semana passada: “Ou há moral, ou …”

Estranhamente (ou não) nada disso apresentava relevância para os autos; estranhamente (ou não) testemunhas que mentiram em sede de Julgamento foram assim referenciadas pela Juiz-presidente no seu acórdão: “[…] Resulta, desde logo do depoimento da testemunha Pedro Fonseca cujo depoimento, não obstante a tentativa de descredibilização, foi, nesta parte, rigoroso, claro e inequívoco […]”

Atentem ao “nesta parte”! A única testemunha por mim arrolada (porque o Ministério Público e a Juiz-presidente não permitiu a junção de prova documental que provava a mentira do Coordenador Pedro Fonseca) foi “atropelada” por uma Juiz-presidente que teimava em não deixar a testemunha responder! Mas a testemunha com braveza respondeu! (tenho as gravações da sessão. A seu tempo “revelaremos os deuses”).

Descredibilizada, “apanhada” a mentir, visivelmente prestando um depoimento atendendo a uma agenda pessoal – negar relacionamento estreito com o João de Sousa, negar acções praticadas, palavras proferidas e escutadas – a testemunha é “salva” pelo Tribunal porque importava dar crédito “nesta parte”. Qual “parte”? A que “fere com grave injuria”, a que sustenta a lógico-dedutiva, a que suporta o objectivo: condenar Sísifo por ousar revelar os deuses, confrontá-los com as suas imperfeições, denunciá-los pelos seus actos!

Estes dias, entretanto passados, também permitiram a reflexão.

No passado dia 25 de Setembro, domingo, cinco dias após a leitura do acórdão da “promessa de vantagem patrimonial futura”: visita da “mãe da ninhada” e da “bela ninhada”.

“O que se segue?” – a mãe.

“Quando vais para casa?” – as princesas enquanto o Jr. brincava no meu colo.

5 anos e 6 meses de prisão. 66 meses.

A 29 de Dezembro de 2016, 33 meses, o meio da pena. Posso pedir antecipação da liberdade condicional, ir para casa com pulseira electrónica um ano e depois liberdade plena (condicional). Tudo isto daqui a 87 dias! Uau! Tentador. Estar com a “ninhada”, comer bem, não passar frio, fome, não conviver com pedófilos. Começar a trabalhar, a “limpar” a minha imagem! Lamento, mas não!

“A honra é como uma ilha escarpada e sem praias: não se pode voltar a ela depois de se ter de lá saído” Nicolas Boileau

Antoine Saint-Exupery, no seu “Principezinho”: “O que embeleza o deserto – disse o Principezinho – é o facto de ter um poço escondido”.

Estou no “deserto de Ébola” mas estou focado no meu “poço”, na minha honra, bom nome, na possibilidade de poder melhorar o sistema judicial e presidiário com a minha experiência. Todas as minhas palavras e acções futuras, e eu vou falar e agir (não é promessa, é uma certeza) não são alimentadas por um sentimento de vingança!

Como Próspero: “A excelência está na verdade não na vingança.”

Com “recursos” vou perder todos os prazos e oportunidades de liberdade que o sistema oferece!

Tudo bem, aceito, assumo: o sistema está mal!

Com 44 meses de prisão completam-se 2/3 da pena: posso sair novamente!

Mas não assumindo, estando com espírito crítico, denunciando, só vou sair depois no final da pena, ao fim de 5 anos e 6 meses!

Tudo bem, aceito, assumo. Por isso mesmo é que o texto começa com a indicação:

Faltam 1091 dias! Não 87 dias ou 10 meses, um ano. É inegociável a nossa honra. Ninguém a dá. Não se compra. Uma vez perdida, acabou!

Durante a visita de dia 25 de Setembro falámos de animais, de Esopo, de Jean de La Fontaine.

– Pedro, tens de ser mais calculista, não podes lutar contra tudo e todos! – a “mãe da ninhada”.

Aproveitei e tentei passar a palavra porque há muito que não converso serenamente com os “meus projectos de gente adulta”.

Maquiavel ensinou-nos que um líder tem que necessariamente encerrar em si a astúcia da raposa para assim evitar as armadilhas, assim como a ferocidade do leão, a “força bruta” para derrubar os inimigos.

O Leão na sua fúria cai na armadilha, a raposa contorna-a.

Maquiavel: “[…] O leão não tem defesa contra os laços, nem a raposa contra os lobos. Precisa portanto, ser raposa para conhecer os laços e leão para aterrorizar os lobos”.

Eu gostava de encerrar em mim estas “maquiavélicas aptidões”, porque esta minha luta vai ser dura, agora que descredibilizado me encontro.

– Então pai, és leão ou raposa? – a Leonor.

– Leão filha, somos do Sporting!

– Eu gosto de borboletas! – a Helena.

Entretanto acabou a visita e regressei à húmida cela, ao jazigo e o tema andou a dançar na minha cabeça…

Lembrei-me das palavras de La Fontaine, o “pai da fábula moderna”. Sobre a fábula: “É uma pintura em que podemos encontrar o nosso próprio retrato”.

Leão? Conquanto seja do Sporting, não derrotei os meus “lobos”!

Raposa? Também não, não evitei os “laços”, as armadilhas, estou fechado numa cela!

Fechado numa cela… no jazigo, húmido, escuro … a comer mal… “decapitaram-me”, excluíram-me!

Deuses, é isso! Pela cabeleira do La Fontaine, já sei: sou uma barata!

Reconheço que não é uma “pintura” muito abonatória. Mas reparem:

Fortes probabilidades de sobreviver a um ataque nuclear!

Alimentação diversificada (ingerem fezes e cadáveres da mesma espécie); conseguem estar um mês sem comer nada e semanas sem ingerir água; vejam esta: é capaz de sobreviver até um mês sem cabeça porque as estruturas vitais estão situadas no abdómen e caso “percam a cabeça”, “um gânglio nervoso no tórax passa a coordenar os seus movimentos, o que permite fugir a ameaças”.

Vivem e medram em ambiente sujos, húmidos e com pouca luminosidade: o estabelecimento prisional de “Ébola”!

Eu sou uma barata! Eu vou sobreviver! Vou estar cá para contar e medrar!

Durante o seu período de vida – 4 anos – pode produzir até 800 descendentes! Eu vou colocar muitos “ovinhos”, muita informação!

Quiçá sou uma “barata tonta”: “Vou agora recorrer para a Relação onde está um Juiz que recebe dinheiro? Eu não tenho dinheiro!!” Não devias ter afirmado isso, João, sua “barata tonta”!

Mas eu afirmo, sabem porquê? Porque tenho razão! Porque no lado de lá das grades ouvi, assisti a muito e até denunciei! Mas é o meu ego, a minha vaidade a falar (dizem eles).

Do lado de cá das grades estive com todos eles e escutei-os com muita atenção: engenheiros, magistrados, colegas, gente que não são “baratas” (nem são baratos, atentem nas quantias monetárias!).

Não resistem bem a espaços escuros e húmidos, logo: desabafam no pátio, criam “narrativas” e, como os roedores, devoram as imagens públicas, a honra, a idoneidade uns dos outros!

Tudo isto é um absurdo, uma hipocrisia.

Eu sou uma barata. Sou o absurdo caixeiro-viajante Samsa de Kafka, aquele que na “Metamorfose”, fechado numa divisão, se torna um insecto!

Eu sou o absurdo Joseph K. do “Processo” de Kafka!

Uma barata é um insecto. Reino: animália, filo: Arthropoda; classe: Insecta.

A barata tem vários inimigos naturais, entre eles os vermes!

Verme pode ser um parasita intestinal, a denominação vulgar de muitas larvas, moles, de corpo alongado sem patas.

Verme também significa um indivíduo reles, desprezível.

Eu sou uma barata que foi mordida por vermes mas sobreviveu e sobrevive ainda. Agora está na época da postura, agora vou desovar.

Interpretem o último parágrafo como uma fábula de La Fontaine: desovar também significa desembuchar, revelar!

“Blatella germanica”. Cosmopolita. A praga mais importante entre as baratas devido ao alto potencial reprodutivo. Resiste a certos insecticidas e prolifera rapidamente.

Não esquecer que a adversidade torna os sobreviventes mais fortes!

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One thought on ““Sísifo, o Leão, a Raposa e a Barata”

  1. There is a chance that it could of. It depends how long you’ve had it.Chlamydia causes the fallopian tubes to close (due to liquid) If only one has been effected, then you will still be fertile, but it might be hard to get pregnant. If both are, then depending how long you’ve had it, it may be possible to open them up with an operation. Or if the operation isn’t possible, it would have to be IVF tr.oYmentetau should ask to get checked for this.

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