“Proxenetismo Luso de Luxo”

Prisão Preventiva: 2 anos, 4 meses e 24 dias!!!!

Leitura da sentença, faltam: 29 dias!

A “Lupa Capitolina”. Pode ser vista nos Museus Capitolinos, em Roma. Tenho uma “memória cristalizada”, em formato fotografia, da minha filha Leonor junto da mesma quando estivemos de férias em Roma, nos bons velhos tempos, nos tempos distantes (parece-me agora, aqui fechado), muito distantes, de sol e alegria.

A Leonor na altura achou muita graça aos “dois meninos que querem morder o cão”!

Expliquei-lhe na ocasião o significado da representação: uma pequena introdução à iconologia.

Tenho tantas saudades de explicar coisas aos meus filhos … de ter férias com eles …

“Eneida” de Virgílio: Eneias, filho da Deusa Vénus, com Tróia em chamas, foge com o seu pai às costas. Alguns séculos depois, Reia Sílvia, Vestal, engravida de Marte e nascem os gémeos Rômulo e Remo que vemos na imagem que acompanha este texto, a alimentarem-se com o leite da loba.

Como Reia Sílvia não se manteve casta (“condição” que a sua posição como Vestal obrigava) foi encarcerada num calabouço e foi ordenado que Rômulo e Remo fossem atirados ao rio Tibre!

O resto é conhecido: a loba encontra-os e amamenta-os, Marte no Olimpo protege-os, depois pastores os acham, Remo é capturado. Rômulo, sabendo da sua origem divina, liberta o irmão e fundam Roma! Depois os irmãos zangam-se e Remo morre, Rômulo governa até à sua morte a eterna Roma.

Na Roma antiga, se um indivíduo desejava ser Cônsul (o mais alto cargo da República) tinha que observar certo número de fases: primeiro, tinha que ser admitido no Senado como Senador; segundo, exercer o cargo de Questor; terceiro, ser Pretor e por último, candidatar-se a Cônsul.

Estes “quatro passos” de ascensão ao Poder eram conhecidos por cursus honorum.

Esta sequência de Magistraturas era obrigatória, sendo igualmente obrigatório possuir muitos “denários e sestércios” para comprar votos, angariar clientes, realizar jogos (o famoso panem et circenses, presente nas “Sátiras” de Juvenal) eventos que davam grande notoriedade, reconhecimento e votos nas urnas a quem os organizava.

Claro que só certas “ordens sociais” tinham “disponibilidade” para percorrer a “Via da Honra”(cursus honorum).

Ainda que existisse “permeabilidade” entre as ordens – Senatorial, Equestre, Decurial – tratava-se de uma “permeabilidade selectiva”, selecção feita através do apuramento da riqueza pessoal e/ou familiar dos indivíduos – por exemplo, o acesso à Ordem Decurial exigia a disponibilidade de 100.000 sestércios!

Muitos dedicavam-se à carreira militar, sendo o seu objectivo major o governo de uma província que proporcionasse fartos lucros!

Como Júlio César disse: “Prefiro ser o primeiro numa aldeia do que o segundo em Roma!” (desde que não se tratasse da aldeia dos irredutíveis Gauleses!)

Resumindo: o que os romanos antigos que desejavam o Poder faziam era, à imagem do seu mito fundador, mamar até à saciedade nas tetas da Loba (Roma) deixando a mesma descorada e fraca, esquálida!

“O que aconteceu, de novo acontecerá; e o que se fez, de novo será feito: debaixo do Sol não há nenhuma novidade. Às vezes ouvimos dizer: “Vede aqui está uma coisa nova!” Mas ela já existiu em outros tempos, muito antes de nós” (Eclesiastes, 1, 9-10)

Quer ver o(a) Leitor(a) como hoje, na nossa República, dois mil e tal anos depois, indivíduos mamam sofregamente, não nas tetas da Loba, mas nos belos seios da nossa representação iconográfica da República; quer ver como “eles” estão pendurados nos mamilos do interesse comum, da comunidade, quer perceber como saciados uns mamam e outros sedentos, definham! Veja como Portugal é um país de castas, de privilegiados, um país com uma democracia insípida.

Atente no Proxenetismo Luso de Luxo:

“Ricardo Salgado autorizado a ir de férias para a Comporta, apresentando-se na G.N.R. da Comporta por forma a facilitar a sua estadia no local onde usufruirá das casas arrestadas pela Justiça portuguesa” (in “TVI Jornal das 8″, de 13/08/16)

Despacho da Ministra da Justiça sobre o ordenado suspenso ao Inspector João de Sousa, preso preventivamente há 2 anos, 4 meses e 24 dias, após este interpor providência cautelar:

“[…] Por um lado, cabe a cada um, perante situações imponderáveis, como as de desemprego ou outras que impliquem perda de remuneração, prevenir-se antecipadamente para as consequências nefastas que daí possa resultar […] Por fim, o ora Requerente (o Inspector João de Sousa) tem que adaptar as suas despesas à nova realidade da sua vida […]”

Eu, o “Zé Povinho” (com manguito e tudo), eu, fora da casta, eu e os meus sem “os sestércios” tenho que me adaptar, o Ricardo Salgado não se adapta: adaptam-se a sua medida de coação e os bens arrestados para que o mesmo passe férias em Família!

José Sócrates, numa das muitas caminhadas comigo nas alas de “Ébola”, antes de “rompermos o namoro”, dizia-me com semblante triste:

– João, estes canalhas obrigam-me a vender a minha casa que eu queria deixar aos meus filhos, para conseguir pagar despesas: aos advogados e ao Carlos Santos Silva!

– João, perceba, a luta é contra o Estado, contra o “Monstro Estado” que oprime o cidadão indefeso! – colérico, o Engenheiro.

Então e agora o mesmo Engenheiro, vítima do “Leviatã”, pede subvenção vitalícia: dois mil e mais alguns “sestércios”!

O Sr. Engenheiro vê-se obrigado a recorrer ao Estado e paga (ou pagará alguém!?) a renda de uma habitação numa das zonas habitacionais mais caras da capital portuguesa!?!

E o que dizer de Duarte Lima: 2.289,10€ de subvenção vitalícia, condenado a 10 anos de prisão, suspeito da prática de um homicídio?

Armando Vara: condenado a 5 anos de prisão, suspeito na “Operação Marquês” e com subvenção vitalícia?

Vejamos o que disse o Director Nacional Adjunto da P.J. relativamente ao ordenado do Inspector João de Sousa: “[…] Que a imediata suspensão dos efeitos do despacho, a qual sendo provavelmente propalada, nos meios de comunicação social, na maior parte das vezes, com títulos a atirar para uma forma sensacionalista e conteúdos pouco rigorosos do ponto de vista técnico-jurídico, traduzir-se-ia no desprestígio da imagem externa e bom nome da Polícia Judiciária, já que este caso envolve directamente um seu trabalhador […] e, em consequência, reconheço que seria gravemente prejudicial para o interesse público o diferimento da sua execução […]”

Eu, João “Povinho” de Sousa, sou responsável pelos títulos dos “média”, eu, de “casta inferior”, lesava gravemente o interesse público se recebesse um sexto do meu ordenado, seria talvez um exemplo de proxenetismo: mamaria nas “tetas da grande porca” do Bordalo Pinheiro. Eu, presumivelmente inocente, lesaria, eles, que junto à “porca” estão há anos: não!

Último exemplo, o melhor de todos:

Fernando Rocha Andrade, Secretário de Estado, a convite da Galp, vai ver a Selecção Nacional com tudo pago!

Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais aceitou convite da Galp, empresa que tem um diferendo judicial com o Estado português no valor de 150 milhões de euros!

Artigo 372º do C.P. (recebimento indevido de vantagem)

  1. O funcionário que no exercício das suas funções ou por causa delas, por si, ou por interposta pessoa, com o seu consentimento ou ratificação, solicitar ou aceitar, para si ou para terceiro, vantagem patrimonial ou não patrimonial, que não lhe seja devida, é punido com pena de prisão até cinco anos […]
  2. […]
  3. Excluem-se dos números anteriores as condutas socialmente adequadas e conformes aos usos e costumes.

Primeiro: o DIAP de Lisboa ainda vai analisar se o processo-crime “tem pernas para andar”;

Segundo: Germano Marques da Silva já declarou que “houve um comportamento eticamente reprovável, mas ainda assim, não houve a prática de qualquer crime, porque um convite da Galp, que é patrocinadora da Selecção, a um Governante, enquadra-se na ressalva, muito aberta e vaga, das condutas conformes aos usos e costumes.”

Terceiro: Fernando Rocha Andrade vai reembolsar a Galp!

Quanto ao Inspector João de Sousa, acusado da prática de crime de recebimento indevido de vantagem:

Primeiro: o Ministério Público considerou que o processo- crime “tinha pernas para andar”, tanto que há 2 anos, 4 meses e 24 dias “cortou as pernas” ao Inspetor da P.J.;

Segundo: o número 3 do artigo 372º do C.P., nomeadamente “as condutas socialmente adequadas e conforme aos usos e costumes” só o são para alguns. A minha ex-aluna empresta-me o seu carro ou o meu co-arguido, com ouro velho que lhe facultei, mandar fazer um anel a um ourives da sua confiança não se enquadra nas “condutas socialmente aceitáveis”. Se ainda falta provar que Fernando Rocha Andrade favorecia ou não a Galp, no meu caso, eu de casta menor, de certeza que iria favorecer ainda que não se tenha provado ou mesmo demonstrado a intenção de o fazer, ao fim de 6 meses de julgamento;

Terceiro (e o mais difícil): como vou eu ressarcir, devolver a minha vantagem indevida se provado ficou que nada recebi? Ah! Já sei: era uma vantagem patrimonial futura! Porra! Tinha de ser algo insubstancial só para eu me lixar!

Perdoem-me! Estou a esquecer-me de algo fundamental! Afinal eu, ao contrário dos indivíduos que invoquei: sou culpado! Vou ser condenado, eles não; afinal eu, ao contrário dos sujeitos que invoquei: opino, tenho a postura errada!

Eu sou politicamente incorrecto, desbocado; ora vejam:

Proxeneta é “uma pessoa que faz profissão de intermediário em amores”; estes que invoquei, são intermediários de amor ao dinheiro, ao Poder!

Tenham-no, usufruam! A minha revolta reside no facto de não existir equidade, Justiça.

Deixem-me usufruir do pouco (para mim, tudo) que tenho: os meus filhos, a minha Família, a minha Liberdade! Ao contrário do Engenheiro e outros, não vou “sugar os seios do Estado”, vou lutar pelo meu futuro sem necessitar de ajudas. Já o fazia na P.J.: todas as minhas formações foram oneradas por mim.

Tudo isto é vergonhoso. Tudo isto se passa no meu país. Tudo isto não é nada de novo!

Como diria Astérix: Estes “proxenetas lusos de luxo” são loucos!

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