“Últimas Palavras”

Prisão Preventiva: 2 anos, 3 meses e 2 dias !!!

Nota prévia: No dia 29 de Julho, terça-feira, a Juiz-presidente manteve a minha prisão preventiva. Para a semana colocarei neste espaço, o despacho, na íntegra e comentarei.

Leiam, porque é muito grave o que está a suceder.

Nota prévia: A Leitura da sentença foi marcada para dia 20 de Setembro de 2016 (dois dias depois, faço anos); e, se o dia todo não chegar, encontra-se já marcado o dia 26 de Setembro de 2016 para terminar a leitura do acordão!

Aquando da leitura “terei” 2 anos, 5 meses e 22 dias de prisão preventiva!

Ficará, a 20 de Setembro, a faltar 9 dias para o esgotamento no prazo legal para a prisão preventiva, e apenas 3 dias para o esgotar no prazo, se a leitura acontecer a 26 de Setembro de 2016. Impensável, no mínimo!

Esta semana, deixo-vos o texto que manuscrevi no isolamento da cela do Estabelecimento Prisional junto da P.J., em Lisboa, e que perante o colectivo de Juízes, no Seixal, em sede de Julgamento, cumprindo-se assim o disposto no art.º 361º do C.P.P. (últimas declarações do arguido e encerramento da discussão) realizei a sua leitura.

É a versão humanizada, moderna, das últimas palavras antes da morte do criminoso!

Fiz uma aposta com os Senhores Guardas Prisionais em como a Meritíssima iria interromper a leitura no final do segundo parágrafo. Perdi: interrompeu no final do sexto!

Depois, com um silêncio sepulcral na sala, li tudo até ao fim!

Não vou dizer alea jacta est, nada disto tem a intervenção da sorte, também não direi consummatum est, longe disso, apenas invoco a inscrição do meu anel, o tal, o que a certa altura era sinónimo de corrupção e depois deixou de o ser: Compus sui semper.

As declarações finais:

 

“ Meritíssima,

Queria dirigir uma palavra de reconhecimento ao colectivo de Juízes a que V. Exa. preside, uma vez que a disciplina da audiência e a direcção dos trabalhos foram asseguradas com elevado senso de equidade, assim como de respeito pelos vários arguidos iguais perante a lei e diferentes nas suas personalidades.

A palavra de reconhecimento impõe-se com maior propriedade atendendo ao lamentável exercício de prepotência e apologia pessoal que foi a intervenção neste processo por parte do Juíz Dr. Carlos Alexandre.

O contraste gritante entre o que foi o lamentável desempenho deste último e a Liberdade para a defesa dos arguidos presentes neste Julgamento, assegurada por V. Exa., obriga à expressão do meu reconhecimento.

 

Com a permissão de V. Exa., gostaria de dirigir também uma respeitosa palavra à Exma. Sra. Procuradora, Dra. Sandra Anselmo, que, na minha opinião, logo a seguir aos cinco arguidos presos preventivamente há mais de 2 anos e 3 meses e aos restantes co-arguidos, foi quem maior angústia e incómodo experimentou durante este Julgamento, consequência da notória incúria presente na investigação realizada.

Quero expressar a minha profunda admiração, ousando acrescentar, a minha sincera solidariedade (porque também eu experimentei esse desconforto amiúde devido à inépcia dos meus pares; alguns deles vieram aqui prestar declarações) porque a Exma. Sra. Procuradora viu-se obrigada a ser o rosto visível de uma obra menor, resultado da, mais do que constactada nas várias sessões realizadas, falta de competência técnica.

É de referenciar a serenidade, distanciamento, diligência, diria mesmo um nobre exemplo de ataraxia que V. Exa. evidenciou quando, por mais de uma centena de vezes, sem a sua prosódia transparecer cansaço ou irritação, ainda que de forma monocórdica, repetiu a questão: “O Sr.(a) alguma vez vendeu objectos em ouro?”, sendo o mérito maior porquanto tratando-se de uma Magistrada experiente, conhecedora, tem a perfeita noção de que a Investigação e o M.P. da fase de inquérito mais uma vez foram relapsos ao não diligenciarem pela realização do exame de perícia de escrita manual.

Ainda assim, a diligência de V. Exa. foi extrema, o que muito a dignifica, apenas maculada, com o devido respeito, pela falta de coragem no assumir do erro, que em abono da verdade não se pode imputar a si, situa-se a montante, conformando-se com a falha, solicitando condenações sustentando-se na inacreditável falta de rigor e cientificidade da investigação.

 

Com a permissão de V. Exa.,

Uma palavra de apreço por todos os ilustres causídicos presentes que contribuíram para um maior e melhor conhecimento, da minha parte, do Direito.

 

Quero também expressar a minha profunda gratidão à minha ilustre defensora nomeada, Dra. Sónia Santos Lima, que, apesar de ter que esperar, muito provavelmente, durante um período temporal quase idêntico ao meu tempo de prisão preventiva para receber os seus honorários, sempre demonstrou disponibilidade, diligência e profissionalismo na realização da minha defesa, o que reconheço não foi tarefa fácil atendendo às idiossincrasias do seu constituinte.

A disponibilidade, diligência e profissionalismo evidenciado, são seguros predictores de uma vida profissional e pessoal futura recheada de sucessos. GRATO!

 

Meritíssima,

Completar-se-ão 17 anos no dia 22/9/2016, desde o dia em que na Escola de Polícia da P.J. recebi o meu diploma, o livre-trânsito e a arma de serviço.

Nesse mesmo dia 22/9/2016, completarei 43 anos de vida.

Durante os 15 anos em que servi a Polícia Judiciária não averbei na minha folha pessoal qualquer registo que pudesse macular a minha imagem enquanto Inspector ou macular a imagem da instituição.

Os problemas, e muitos experimentei dentro da instituição, foram consequência da minha personalidade.

Terminado o estágio de um ano, todos os agentes foram avaliados. Obtive a classificação de Muito Bom (9,15 valores). Aquando da ratificação e consequente aceitação da avaliação, contestei a mesma porque no campo “Urbanidade e aprumo” não tinha a nota máxima, sendo que no campo “Conhecimentos profissionais”, com um ano de estágio, assim se verificava.

Foi-me comunicado que assim era porque era essa a norma, o hábito, a “ginástica numérica” para obter o valor que desde sempre se praticava. Contestei.

Foi o primeiro momento de crítica, de comportamento não usual para quem ainda nem tinha vínculo efectivo com a “casa”: era agente-estagiário!

Mais tarde, já Inspector, averbei na minha folha um louvor colectivo.

No dia da cerimónia de recebimento da honraria, colocado na D.I.C. de Setúbal, recebi um telefonema de um colega, também agraciado, perguntando onde eu estava: o meu nome era anunciado!

Recusei-me a receber o louvor por razões que internamente apresentei; não compareci na cerimónia.

É verdade, como aqui declarado: sempre fui, e sou, extremamente crítico em relação à P.J., mas sempre critiquei com o objectivo de contribuir para a dignificação e melhoramento da Instituição que, durante 15 anos, até ser preso, orgulhosamente servi.

 

Meritíssima,

Sou associado da Associação Sindical de Funcionários de Investigação Criminal da P.J., não tendo as cotas em dia porque o valor das mesmas é retirado automaticamente do ordenado e eu estou sem ordenado há 2 anos e 3 meses.

Sou membro da Academia Americana de Ciências Forenses.

Sou confrade na Confraria da casta Arinto de Bucelas.

Sou sportinguista, desde que não era mais que uma célula haplóide no organismo do meu progenitor, mas nunca fui sócio.

Sou membro co-fundador de uma sociedade secreta, com elos de ligação inquebrantáveis, na qual tenho o estatuto de Grande Mestre da Ordem dos Magos e dos Feitiçeiros, fazendo parte da mesma, a minha mulher, as minhas duas filhas e um quinto elemento que se juntou à sociedade há 2 anos e um mês, o João de Sousa, Jr. que tem o estatuto de aprendiz.

Estas são, V. Exa., as associações, os grupos ou bandos dos quais faço parte.

Nunca promovi, fundei, fiz parte ou apoiei qualquer grupo, organização ou associação cuja finalidade ou actividade fosse dirigida à prática de qualquer tipo de crime.

 

Meritíssima,

Desejo, aqui e agora, assumir a minha Corrupção!

Confesso a corrupção dos meus valores que sacrifiquei em nome da Vaidade e do Orgulho. Deveria ter saído do D.I.C. de Setúbal, deveria ter sido mais diligente na denúncia da mediocridade que observava uma vez que tinha a disponibilidade de meios e o olhar educado para o fazer, não deveria ter participado em conjuras para tomadas de poder, substituições de Coordenadores, não deveria ter cedido à jactância por ser considerado, como aqui foi declarado por um dos conjurados: “ Um Inspector ímpar na sua área!”

Deveria ter realizado um exercício de verdadeira humildade (muito raro em mim, reconheço) e alcançado a simples e saudável constactação de que “em terra de cego, quem tem olho é rei”; aforismo que se confirmou neste Julgamento aquando das declarações da Coordenadora e Inspectores responsáveis pela Investigação.

 

Meritíssima,

O único João que tinha como objectivo a promessa de vantagem patrimonial futura foi o segundo de Portugal, que, prescientemente, de forma ardilosa, impôs que a linha de divisão do Mundo fosse colocada 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde, isto em 1494, ludibriando deste modo os reis católicos de Espanha, em Tordesilhas.

D. João II, V. Exa., sabia lá estar o Brasil!

O arguido João de Sousa não pesquisou, não auxiliou, não se corrompeu por ver na possibilidade da concretização de um projecto futuro, o seu “achamento do Brasil”!

O arguido João de Sousa é ambicioso, deseja conhecer, descobrir, inovar, desbravar caminhos, fazer mais e melhor, e, possivelmente, isso sim, é incompaginável com a sua condição de funcionário público atendendo à cultura dominante no sector.

 

Meritíssima,

Vários colegas meus, pares e superiores hierárquicos, disponibilizaram-se para comparecerem neste Tribunal como testemunhas abonatórias.

Agradeci e recusei porque tenho a perfeita noção que prejudicariam a sua imagem, uma vez que, devido a mais um dos devaneios de quem investigou, existe um inquérito para apurar se alguém me avisou da investigação que nos traz aqui.

Os colegas compareceriam para demonstrar que as pesquisas são uma prática comum.

A gestão da informação com colaboradores ou mesmo amizades é comum, ainda que o normativo interno e a Lei penalizem e condenem o acto.

O Inspector que negar pesquisas e troca de informação no desempenho das suas funções está a contrariar a realidade, é incompetente ou está a ocultar algo!

Nunca, numa investigação realizada por mim, o mandado de busca continha a morada errada porque eu pesquisei no “Google Earth”, sentado à frente do computador, o local alvo da busca.

Nunca alguém apontou-me o dedo afirmando que não conhecia o pavimento da estrada de Algés ou a cor da porta de uma loja de um alvo de uma investigação da minha responsabilidade.

A avaliação de V. Exa. atenderá ao exemplo de um homem médio, segundo as regras da experiência comum, nas circunstâncias concretas, mas, sem qualquer intenção de ingerência, um Inspector da P.J. não age como o homem médio, tem a obrigação profissional de não o fazer, foi treinado para não o fazer, e, os exemplos aqui ofertados por quem coordenou e investigou estão muito abaixo da mediania, não representam minimamente a Polícia Judiciária que tem nos seus quadros (e pode parecer inverossímel afirmá-lo quando chegados aqui vemos o resultado desta denominada mega-investigação especialmente complexa) excelentes profissionais que pautam o seu desempenho pela idoneidade, honestidade intelectual, cientificidade e, conscientes que as suas acções, os seus depoimentos, podem subtrair a Liberdade a outro indivíduo, impõem a si próprios a recolha de indícios, a confirmação dos mesmos como prova e sequente consignação nos autos, sem qualquer tipo de interpretação subjectiva subtraída à objectividade dos factos e da ciência forense.

 

Meritíssima.

Terminando.

Não vou concluir recorrendo à habitual expressão utilizada solicitando a “customada Justiça”, uma vez que aquela que há 2 anos e 3 meses tem sido costumeira eu, respeitosamente, tenho que repudiar. Apenas espero de V. Exa., Justiça, até porque, e vou respeitosamente ousar contrariar indicação sua relativamente ao uso de locuções latinas, nunca a expressão fez tanto sentido para mim e se revelou tão verdadeira como neste momento: In manus tuas Domina!

 

Disse!”

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19 thoughts on ““Últimas Palavras”

  1. És grande Jean, talvez até demais para as mentes ardilosas que te rodeavam. É natural apelidar de pecador alguém que não consegue fazer com o pé direito tudo aquilo que fazes com o pé esquerdo.
    Agora, agora meu caro talvez possamos vir a assistir a meios, esforços e desígnios para tornar uma investigação “top” em algo expressivo. E isso existe é triste e deixa plenamente confiante qualquer cidadão

  2. Uma parra cheia, poucas uvas e nenhum sumo.
    Aqui se vê como devias ter mostrado a todos a tua acusação, continuas a deitar palavras vãs ao vento sem nada dizeres nem assumires TODOS os teus crimes. Uma vergonha…
    A juíza quer lá saber se tu és um cagão, isso é um defeito teu.
    O Estado preocupa-se é com a justiça deste país, e o que é vergonhoso é que tenhas sido um criminoso, agora acusado por associação criminosa e corrupção. Isso sim!
    E como bem sabias, todos os teus prazos iriam até ao limite, porque o que estão a fazer é que pagues pelas trafulhices que fizeste, pelo que roubaste, pelos esquemas criminosos, que só corruptos como tu fazem em caves escondidas com o boçal do Paulinho.
    E sabes muito bem João, que muito ficou por provar, porque foste avisado pelo gajo de Lisboa, e aí deitaste fora o telefone, inventaste a história do laboratório, escondeste o ouro, o dinheiro, a mulher lavou tudo bem lavadinho e pronto!
    Aqui chegados, a tua pena maior já a estás a cumprir, a vergonha do país e da PJ te terem dado uma vida e uma carreira e te mostrares agora SUJO! Vergonha do juramento que prestaste perante a nação para depois se confirmar seres um traidor criminoso e corrupto.
    Para aprenderes, nada como quase três anos de prisão preventiva, e agora mais o Verão em Évora pela fresquinha, para que nunca esta JUSTIÇA oculte o crime, seja ele na PJ ou noutro lado qualquer.
    E afinal, mesmo para aqueles que alguma vez tiveram dúvidas porque não leram o processo e as vigarices todas que ali fizeste (grande parte te recusaste responder e inventaste mentiras absurdas) que foram MUITAS para tão pouco homem, nunca vi um arrependimento, mas um orgulho banal próprio de ditadorezercos de trazer por casa, doentes mentais com síndrome de Napoleão.
    E a esses, a história reservou um lugar: no cemitério ou na prisão.
    Passa mal “rapazito”, porque tudo o que passares é pouco para tanto crime que praticaste!

    • Pois é Carrasco, a acusação pouco vale e importa, acaba de ser absolvido um homem que esteve preso 9 meses em preventiva acusado de homicídio, que bela investigação. Quanto ao ódio que destilas, tem cuidado porque poderá virar-se o feitiço contra o feiticeiro.

  3. A mim assusta-me algumas considerações dos cidadãos que utilizam este blog para opiniões menos abonatórias. E assusta-me porque alguma delas dão a entender que pertencem à polícia, se assim for, assusta-me a mentalidade limitada que é patente ( pelos adjetivos e frustrações aqui explanadas), a falta de dignidade (por se esconderem e não revelarem a sua identidade), a incompetência (por terem conhecimento de atos ilícitos entre os seus pares e não denunciarem) e assusta-me por último porque são estas pessoas que estão na polícia (hipoteticamente falando) sem que para tal tenha qualificações pessoais. Quanto ao cidadão detido caso seja culpado do que é acusado, num país de direito, deverá responder pelos seus atos pois não está acima da lei; caso venha a ser absolvido o Estado deverá reparar os danos causados e rever a forma de investigação de modo a prevenir erros futuros.

  4. João, posso ser muito naife mas acredito que és inocente no que toca aos crimes que te são imputados. Desejo sinceramente que voltes rápido para a tua família e que consigas com o tempo apaziguar para não dizer apagar, este episódio da tua vida, na tua mente e espírito! Não será fácil é certo, mas tu pareces-me rijo.
    Não nos conhecemos apenas sigo o teu blog desde o início.
    Setembro está à porta.
    Um abraço sincero e faz com que o JR e as tuas moçoilas sejam bons cidadãos.

  5. O segundo comentário com o nome “eusoutaoestupido” é feito em nome de alguém que não o meu! O meu nome é Antonio Dias e na verdade o nick eusoutaoestupido assume-se automaticamente pela conta do wordpress que tenho!
    Peço desculpa ao João e à família do João pelo sucedido.

  6. Griff Jean, diretamente da confraria dos griffs papadores das fêmeas dos carrascos da vida aqui vai um abraço griffante na certeza de que o karma é uma coisa lixada e infalivel. Nunca se sabe quando o puro carrasco ainda vai bater com os costados no forno alentejano.
    Normalmente nestes gajos assim nunca se coloca o “se” mas sim o “quando”. Abraços griffs

  7. Então João de Sousa que dizias tão mal da PJ e de todos os ex-colegas (que eram todos uns tacanhos) agora já são bons? Só os que te investigaram é que são maus, ou outros já são bons…. ok…. estás a ficar um bocadito borrado… Já não te lembras das barbaridades que escreveste nos primeiros textos do blog? Estás a entrar em contradição.
    Em relação ao texto… coitada da Juíza…. levou com uma seca…. no fim já não devia saber o que foi dito no início, mas também não interessava. Não sei se a tua ideia era ela dar-te como inimputável, mas para isso tinhas que caprichar mais um bocadinho. Ou era para dar graxa como fazias a quem tinha algum poder na PJ? É que se era isso também não resultou….
    Espero que tenhas sacado bastante, para compensar tudo isto que estás a passar. Mas deve ter sido, que a tua sopeira ainda se mantém a apoiar-te… e bem…. já que também correu riscos, ao menos que goze o dinheiro. Mas para ela era melhor ter arranjado um marido logo com dinheiro, legal, oficial, que ter dinheiro e ter que o esconder e fazer de conta que não se tem, não dá gozo…nem a ostentação goza… e tu também já não a vais poder gozar (ostentação). Mas como durante uns anos (até seres preso) vaidade e ostentação eram contigo, já tens a tua parte.
    No fundo és um otário…. os piores gajos da polícia, (segundo a tua teoria) os mais limitados, chegaram para apanhares uns anos de cana, imagina se fossem os bons…. por outro lado, sacas e amealhas o dinheiro, a tua mulher goza-o e tu é que estás preso. Mas pronto, tens mais uns anos para “contar azulejos” e escrever umas balelas.

  8. João de Sousa estava num almoço com colegas da Polícia Judiciária (PJ) quando o telemóvel tocou. Levantou-se para atender. Paulo Martinho, empresário e presidente da Associação de Comerciantes de Ourivesaria e Relojoaria do Sul, queria atribuir-lhe mais uma tarefa: dar-lhe, para verificação, a matrícula de um veículo. O inspector anotou-a e informou-o de que só o poderia fazer mais tarde. Tinha acabado de perceber algo importante: o mesmo Paulo Martinho estava a ser investigado pela PJ de Setúbal. Ou seja, ele próprio poderia ser alvo de um inquérito. A informação consta do despacho de pronúncia assinado pelo juiz Carlos Alexandre em 27 de Julho que decidiu levar a julgamento 34 arguidos, num processo relacionado com o negócio de ouro. Estarão em causa vários milhões de euros não declarados ao Fisco provenientes da compra, fundição e venda de ouro. João de Sousa garantiria a “segurança” e a “operacionalidade” do grupo. Entre outros crimes, será julgado por associação criminosa, corrupção passiva e abuso de poder. Segundo o documento, o inspector da PJ conheceu Paulo Martinho, o alegado cabecilha, no Verão de 2008. Foi João de Sousa quem investigou a morte de um assaltante na casa do ourives e da sua mulher. No final do processo, os três mantiveram o contacto. A amizade cresceu e o inspector terá sido colocado ao corrente dos negócios do grupo e da necessidade de os colocar a salvo das autoridades e de criminosos. Para o juiz, que acompanhou a posição do Ministério Público (MP), João de Sousa “disponibilizou-se para colaborar com os arguidos, assegurando-lhes protecção” e, mais tarde, assumiria um “papel preponderante” na “recolha e tratamento da informação.” Os dois eram cautelosos: cada um tinha um telemóvel só usado entre eles. Por várias vezes, nas escutas, a PJ ouviu-os a dizer para falarem pelo “outro” – que o MP acredita ser um aparelho que terá sido deitado fora quando o inspector descobriu que o grupo estava a ser investigado. Para o MP, João de Sousa tinha funções de um “empregado” contactado quase diariamente para investigar “indivíduos, matrículas” e fazer “segurança pessoal”. Tarefas que procurava “cumprir de forma célere e eficaz”, através dos “meios informáticos da PJ”. Entre Janeiro de 2013 e Março de 2014 terá usado mais a base de dados ao serviço de Paulo Martinho do que da polícia. Pesquisou várias vezes o nome do cabecilha do grupo. Só não descobriu nada porque a investigação teve cuidados extra: o processo circulou de mão em mão, era do conhecimento de poucos e o nome dos visados não foi introduzido no sistema. João de Sousa ter-se-á deslocado a Lisboa ou Almada nas horas de serviço para se encontrar com Paulo Martinho ou Florbela Gaspar. Fez seguimentos, protecções e descansou os líderes do grupo. Quando Paulo Martinho se sentiu ameaçado pela “turma do Pedro Alemão, indivíduo do grupo de Alfredo Morais”, por causa de um projecto de um estabelecimento de diversão nocturna, falou ao inspector para ele resolver o problema. João de Sousa disse-lhe que estaria lá quando a casa abrisse. Foi por causa desse problema que Paulo Martinho lhe ligou a 10 de Janeiro de 2014. No fim do almoço, o inspector já não voltou ao serviço e telefonou ao cúmplice para se encontrarem. Foi o último contacto pelo telemóvel secreto.
    Passou a falar através do seu número oficial sobre assuntos até então nunca abordados, como a criação de um laboratório forense financiado por Paulo Martinho. Para o juiz Carlos Alexandre, esta foi uma forma de “montar uma operação de cobertura das suas actividades delituosas” através das quais receberia dinheiro. Viagens para formações no estrangeiro, carros emprestados e um anel em ouro fabricado por outro arguido. Estes indícios levaram Maria Alice Fernandes, antiga líder da PJ de Setúbal, a afirmar em tribunal que João de Sousa, o inspetor cuja detenção ela liderou, vivia acima das possibilidades do ordenado de polícia e terá recebido “contrapartidas” por alegadamente ajudar uma rede de fraude fiscal, branqueamento de capitais e recetação no negócio do ouro. A coordenadora superior de investigação criminal, que se aposentou há um ano, testemunhou no tribunal do Seixal. Explicou que a investigação ao ouro começou com uma denúncia anónima às Finanças e que chegou ao seu subordinado “através de escutas”. João de Sousa está acusado de consultar o Sistema Integrado de Investigação Criminal (base de dados) e procurar se os outros 32 arguidos eram investigados. Depois passava as informações a Paulo Martinho, dizendo que era uma contrapartida por este o ajudar e à PJ. Maria Alice desmentiu-o: “Paulo Martinho nunca colaborou com a PJ”. E acusou Sousa de negligenciar várias investigações – entre elas o homicídio de uma idosa em Almada, “que esteve dois anos parado”. “A base de dados não existe para passar informações. Isso é crime”, disse a antiga coordenadora. Garantiu nunca se ter sentido “limitada ou parcial” por investigar Sousa, que era “sempre muito crítico, dentro e fora de tudo o que se passava na PJ”.
    Em causa estão, entre outros crimes, associação criminosa, branqueamento, fraude fiscal qualificada, corrupção ativa e passiva, recetação, falsificação e detenção de arma proibida.

  9. Fantástico CARRASCO, tu és mesmo bom, nem sei se há melhor. Mas, desculpa lá a Maria Alice disse isso em Tribunal, que o João de Sousa negligenciava investigações. que teve um processo parado dois anos????. FANTÁSTICO mesmo, CARRRASCO então e ela não se referiu à investigação que fez ao SOCRATES, durante quantos anos??? e quanto tempo esteve parado??? e que só surgia para a ribalta quando se aproximavam eleições???? e mais???? e mais??? que não vale a pena dizer porque envergonhariam toda a PJ e o País. E também não disse que quem pôs o João em roda livre foi ela, que não o controlava porque o achava muito bom e que quando soube o que ele dizia ao telefone sobre ela ficou em chamas??? E tu CARRASCO és aquele que ainda lhe lambes as botas??? cuidado CARRASCO. Mas de qualquer modo obrigado por fazeres um retrato tão claro sobre a investigação. Sem ti continuavamos todos a zeros.

  10. Mas o processo do Sócrates não foi reactivado antes das eleições, porque ele o tinha mandado parar quando foi para o governo? Ou estarei enganado?

  11. O John brincou com o fogo, inqualificável…..um inspetor da judite honesto, não se mete nestes trabalhos, agora aguenta….mas mesmo assim tens sorte, muita sorte, imagina ires para vale de judeus

  12. Nem o Sócrates te valeu…. bem o tentavas bajular quando ele foi para aí, mas o homem é mais esperto que tu…. ignorou-te, foi embora e borrifou-se para ti…. altura em que começaste a dizer mal dele. Foi demonstrativo da tua falta de carácter.

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