“Agradecimento e quem eu não esqueci!”

Prisão Preventiva: 2 anos e um mês!

“[…] Quanto maior for o número de assinaturas da sua Petição maior será o impacto e visibilidade na sociedade e nos meios de comunicação social. As Petições são uma das melhores formas de manifestação, de exercer pressão e de mostrar aos poderes instituídos a vontade dos cidadãos […]”

Podemos encontrar este excerto que Vos ofereço no sítio da “internet”: http//www.peticaopublica.com.

Trago-vos esta temática porque o meu “Secretariado”, muito feliz, comunicou-me esta semana: “Pedro, a petição já tem o número suficiente de assinaturas para ser apresentada na Assembleia da República! – a minha mulher emocionada!

A minha mulher deposita muitas expectativas neste generoso gesto de mais de 1000 concidadãos meus.

Na carta que me enviou com os regulamentos/normas para apresentação de uma petição também se pode ler: “[…] 6. Não admissibilidade de petições. Procede-se ao indeferimento liminar da petição quando for manifesto que: A pretensão deduzida é ilegal, visa a reapreciação de decisões dos tribunais […]”

Lamentando desiludir, mais uma vez, a “corajosa mãe dos meus filhos”, alertei-a para o facto de uma petição não servir para inverter decisões judiciais, nomeadamente, a minha medida de coacção: prisão preventiva!

Então, questiona o(a) Caro(a) Leitor(a): “A petição não servirá para nada?”

Serve, claro que serve, respondo eu!

Dois efeitos muito importantes.

Primeiro: Os 0,001% da população portuguesa que subscreveu a petição ofertou-me mais 200% de estímulo à minha combatividade e resiliência!

Por isso, estou grato (não possuindo a arte suficiente para o expressar através da minha pobre escrita) a todos, conhecidos e desconhecidos, mas muito particularmente aos familiares de vítimas dos inquéritos que investiguei, aos meus amigos, alunos e à incansável Lassalete (autora da iniciativa) a minha vénia, sinal de respeito, carinho e agradecimento!

Segundo: O meu “Secretariado” enviou-me a listagem dos assinantes da petição. Ao ler o documento emocionei-me, alegrou-me, retemperou-me ver pessoas que muito respeito, estimo e até admiro.

Ver indivíduos, o seu nome, que não vejo, fisicamente, há 2 anos e um mês, que entristeceu-me não partilhar uma conversa aqui em “Ébola”, mas compreendo a ausência. Tudo aquilo que se passou e está a passar é muito grave, e, em alguns casos, “quem vê caras, não vê corações”!

Ler o nome de alguém que, carinhosamente, tratava-me por “Canhoto” emocionou-me 2 anos e um mês depois, e se todos os nomes são importantes, há sempre uns que o são mais, por tudo o que se partilhou: alegrias, tristezas, dor, exultação e desanimo, tudo de forma muito intensa!

O assinar da petição não é sinónimo de inocência do João de Sousa, quem assina não afirma a inocência do “Mentalista”, talvez, porque são profissionais da Justiça, colegas de profissão, queiram afirmar: “Independentemente do que fez o “Canhoto”, 2 anos e um mês de prisão preventiva é inaceitável, injustificável, preocupante para todos nós portugueses!”

O “Canhoto” agradece! (Para os “simpáticos anónimos”: eu sei que o Diabo também é conhecido por “Canhoto”, o “Príncipe da Mentira”, o “Senhor da Corrupção”, o “Simulado”, o “Enganador”!)

Considero que reside aqui a importância da petição (para além do bem que me fez ao ânimo): o tempo a que um cidadão português pode ser sujeito à mais gravosa das medidas de coacção, quando outros mecanismos de controlo, mais “humanizantes”, estão disponíveis não pode ser tão longo, castigador, factor de alienação e marginalização. Os representantes do povo na Assembleia da República têm de ser sensibilizados para esta realidade.

Mais uma vez, agradeço a todos os assinantes!

No livro dos Provérbios (Prov. 14,28) podemos ler: “Povo numeroso é honra para o Rei, mas a falta de gente é ruína para o Príncipe”.

Pouco mais de 1000 concidadãos e encontrar os nomes que encontrei, faz-me sentir um autêntico Imperador!

E mais uma semana passou!

De terça-feira a sexta-feira in partibus infidelium (nas terras dos infiéis). Como o Estabelecimento Prisional da P.J. em Lisboa, não é para “bófias”, mais uma vez em “terra de infiéis” a fazer exercícios de resistência ao “bullying”.

Três sessões de Julgamento e vão começar as alegações finais!

Está a chegar ao fim (esta fase do percurso!) vamos ver quem é que vai recolher o dinheiro das apostas que por aí fora foram feitas: pena suspensa; 4 anos efectiva; 10 anos; pena de morte ou 2 anos mais de pena efectiva e, entretanto, diagnosticado um cancro no cérebro! Pelo menos um “AVC” que deixe o tipo sem capacidade de escrita!

Na sua peça “Much ado about nothing”, Shakespeare diz-nos: “Um homem que se deixe abater por um chiste é um triste” (tradução minha).

Eu sou uma pessoa muito alegre, adoro a pilhéria!

Ultimamente, quiçá, por causa das comemorações do “25 de Abril de 74”, recorrentemente dou por mim a cantarolar os imortais versos de José Niza cantados pelo inimitável Paulo de Carvalho: “Quis saber quem sou / O que faço aqui / Quem me abandonou / De quem me esqueci […]”

Na sexta-feira, 29 de Abril de 2016, num “momento de viagem”, em sala de Tribunal: “[…] De quem me esqueci […]”!!!

Sou chamado à realidade quando oiço, distante, a Juiz-Presidente: “[…] extracção de certidão das declarações do arguido João de Sousa […]”

Como?!

“[…] instauração de processo-crime por parte da Dra. Maria Alice Fernandes em que é arguido João de Sousa […]”

“[…] E depois do amor / E depois de nós / O dizer adeus / O ficarmos sós […]”

Ah! Até que enfim. Isso das “palavras leva-as o vento” ou “palavras loucas, ouvidos moucos”, muda um pouco de figura quando assumidamente pronunciadas perante um Tribunal, não é?

Eu, assumidamente perante o Tribunal, pronunciei as palavras, e, não se trata, como a ouvi declarar, Senhora Alice, de “convicção minha”, “não vi mas sei” ou “acho que sim”.

Não se pode ir a Tribunal e não materializar “aquilo que sinto cá dentro”, “a minha convicção sustentada por mais de 30 anos de profissão”!

Agora, Sra. Alice, vamos à materialidade.

A serenidade que lhe faltou e que não lhe permitiu uma clara apreciação dos factos, ausência que a levou a exageros, deturpações da Verdade e autênticos paroxismos histéricos que pouco a dignificaram, tenho-a eu aos “molhos”, “paletes de serenidade” fruto do exercício de paciência atenta a que me sujeitam há 2 anos e um mês!

Como cantava o Paulo de Carvalho: “[…] De novo vieste em flor / Te desfolhei […]”

Vai ser uma autêntica “Desfolhada”, e se a Senhora Alice perfilhou um inquérito autêntico “filho feito por gosto”, agora tem que o suportar.

Afirmar sem provas que alguém é corrupto, sujeitar alguém à reclusão durante 2 anos e um mês e afirmar perante o Tribunal que não tinha nenhuma responsabilidade naquilo que foi a Acusação do Ministério Público, é o mesmo que dizer que a gonorreia não é o corrimento provocado pela localização geniturinária da infecção gonocócica!

(Sinceramente, não sei explicar porque associei esta referência bacteriológica com a pessoa em questão! Algo recalcado, possivelmente!)

Sra. Alice, vamos colocar as “fezes na ventoinha”. A renovação das instituições, o progresso das mesmas, é sempre posterior a uma revolução, uma purga.

De momento, estou focalizado no Julgamento mas tenho sempre espaço reservado para a Sra. Alice. Não quero com isto significar que o “golpe” é baixo porque estou de rastos, prostrado, condicionado pela reclusão. Nada disso!

A Senhora tem sempre um pequeno espaço, maior que a minha cela porque não lhe desejo o meu desconforto, na Memória de quem não esqueci!

Para a semana, atendendo ao que expecto que venha a suceder, o texto que publicarei terá “bolinha vermelha”! Aguarde o meu Leitor(a)!

Acabo, cantando a canção, para si Sra. Alice: “[…] Tu vieste em flor / Eu te desfolhei / Tu te deste em amor / Eu nada te dei / Em teu corpo, amor / Eu adormeci / Morri nele / E ao morrer / Renasci …”   

 

 

 

 

 

 

 

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