“Uma Questão de Postura”

Prisão preventiva: 2 anos e 13 dias!

Estimado(a) Leitor(a), considero este texto – o septuagésimo oitavo – o mais importante de todos que aqui Vos deixei.

A importância, se me permitem, é enorme para Vós, Leitores, portugueses, concidadãos que crêem viver num Estado justo no qual, há 40 anos, uma Assembleia Constituinte afirmou “A decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da Democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito Democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno” (retirado do Preâmbulo da Constituição da República Portuguesa).

Tudo aquilo a que me sujeitam pode amanhã ser imposto, ataviado com a norma vigente, a regra, a todos Vós.

Não oiçam, escutem! Não olhem somente, vejam! Parem, escutem e vejam!

Como disse Marco António: “Amigos (Romanos), compatriotas, emprestem-me os Vossos ouvidos!”

Na segunda-feira, 4 de Abril (o mês em que se celebra a Liberdade) a minha defensora comunicou-me que o colectivo de Juízes decidiu manter a minha medida de coacção: prisão preventiva!

Sou um indivíduo pragmático, ou seja, como nos diz a definição: “Fundamentado no estudo dos factos; que toma o valor prático como critério da Verdade” (in “Dicionário Enciclopédico Koogan Larousse Selecções”, Léxico Comum).

Mais do que pragmático, sou extremamente vaidoso, não aquele que importância atribui a futilidades, mas aquele que tem vaidade em si, no seu intelecto, e que maior vergonha ou afronta seria afirmar aqui algo que depois facilmente refutado seria por quem assistiu, assiste ou consultaria as gravações do meu Julgamento.

Dito isto, com pragmatismo e vaidade (diria até orgulho) não se produziu prova em Tribunal, no final de 26 sessões, que demonstrasse a prática dos crimes de que sou acusado, à excepção do crime de violação de segredo de funcionário.

Neste momento, a Acusação já terminou a inquirição das suas testemunhas, presentemente encontram-se a prestar declarações (desde 2ª feira, 4 de Abril de 2016) as testemunhas arroladas pelas várias defesas, as comummente designadas “testemunhas abonatórias”.

Hoje, deixo-Vos aqui ipsis litteris os despachos/promoções/decisões do Ministério Público e colectivo de Juízes sobre a minha medida de coacção, fazendo-o do abrigo do artigo 37º (Liberdade de expressão e informação) da Constituição da República Portuguesa, direito constitucional que se encontra vedado à minha pessoa. Retenham a redacção do artigo: “Art.º 37º, nº 1 – Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações;

Nº 2 – O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura […]”

Para reexame dos pressupostos da medida de coacção (art.º 213º do C.P.P.), o Ministério Público (Acusação) pronuncia-se. A promoção do Ministério Público: “O arguido João Pedro de Sousa encontra-se preso preventivamente à ordem dos presentes autos, desde o dia 29 de Março de 2014. Uma vez que decorrem quase 3 meses após a revisão da referida medida, há que proceder a nova revisão – art.º 213 do C.P.P.

 Assim, verifica-se que não se encontra ainda esgotado o prazo a que alude o disposto no art.º 215 do C.P.P., porquanto o arguido se encontra pronunciado pela prática dos crimes de associação criminosa, recebimento indevido de vantagem, denegação de Justiça, corrupção, abuso de poder e violação de segredo de funcionário.

Por outro lado, mantém-se inalterados os pressupostos de facto e de direito que determinaram a aplicação ao arguido da referida medida de coacção.

Pelo exposto, promove-se que o arguido João de Sousa continue a aguardar os ulteriores termos do processo sujeito à referida medida”.

Alguém que aqui em “Ébola” também se encontra preso preventivamente, indivíduo diferenciado, profundo conhecedor das “promoções do Ministério Público” e das idiossincrasias da Justiça portuguesa, quando leu a promoção que antes se transcreveu, com refinada ironia disse:

– João, quando eu quero dizer algo sem nada dizer por forma a manter o estado das coisas, recorro a esta frase: “Há factos inabaláveis que na ordem social dos factos não merecem ser discutidos”! Essa promoção do Ministério Público é um exemplo disso mesmo! – referindo-se à sua deliciosa mas inquietante frase, uma vez que este indivíduo sabe perfeitamente do que fala quando se pronuncia sobre o Ministério Público.

Antecipando os “factos inabaláveis…”, solicitei à minha diligente defensora que apresentasse requerimento expondo argumentos para a alteração da medida de coacção.

Resposta do Ministério Público: “[…] A fls. 14750 o Ministério Público pronunciou-se pela manutenção da medida de coacção aplicada ao arguido João de Sousa por se entender que os pressupostos que determinaram a sua aplicação se mantêm inalterados.

Apesar do teor do requerimento agora junto ao autos, o Ministério Público mantem a sua posição.

Com efeito, no requerimento agora apresentado, o arguido não invoca factos concretos que consubstanciem uma alteração dos pressupostos que determinaram a aplicação de tal medida, dando sim a sua apreciação da prova que foi já produzida em Julgamento e que, diga-se desde já, ainda não terminou.

Os ilícitos pelos quais o arguido se encontra a ser julgado e a POSTURA por si demonstrada até ao momento, acarretam um elevado e concreto perigo da perturbação da ordem e tranquilidade públicas.

Por outro lado, o arguido demonstra continuar a ter acesso a uma rede de contactos que constituem um perigo para a conservação e veracidade da prova.

Pelo exposto […] sujeito à medida de coacção de prisão preventiva.”

Se eu não tivesse apresentado requerimento, nem justificação era apresentada, mas, apresentado o requerimento, foi esta a resposta: A postura e os contactos!

A jornalista Luísa Meireles (primeiro caderno, jornal “Expresso” de 2 de abril de 2016): “[…] Por outro lado, na capital angolana, a embaixada portuguesa juntou-se às demais representações dos Estados-membros da União Europeia (UE) para assinar uma “Declaração local” da UE onde se afirma que o caso suscita “reservas” quanto ao respeito pelas garantias processais e o princípio da proporcionalidade”.

Então e o meu caso aqui tão perto de todos Vós, aqui, em território nacional e não no ultramar?

Mas eu sou um otimista: ao menos não tenho “perigo de fuga” e ainda falta a Juiz-Presidente pronunciar-se; não pode ser “uma questão de postura”!

Contactos? Eu tenho mantido contactos privilegiados com Umberto Eco, Platão, Baldassare Castiglione, Machado de Assis, Karl Popper, Fernando Pessoa, Tito Lucrécio, Maquiavel, Carl Schmitt entre outros… até com Deus, uma vez que dizem que a Bíblia foi “ditada” por Ele aos homens…

Ah! E claro, o contacto telefónico de cinco minutos com a minha mulher!

Mas vejamos a fundamentação da Juiz-Presidente (estejam atentos, não olhem somente, por favor): “[…] Não é de afastar a verificação do perigo de fuga, uma vez que o arguido [eu], que participou várias vezes em cursos e acções de formação em países estrangeiros, na sua área de actividade, possui certamente contactos facilitadores daquela acção.

O perigo de continuação da actividade criminosa, considerando a globalidade dos factos imputados, não é, in caso, aferido exclusivamente do exercício da sua actividade profissional, pelo que não é de excluir, mesmo tendo em conta a suspensão do exercício de funções.

Neste tipo de ilícitos, o perigo de perturbação da ordem e da tranquilidade públicas resulta incontornavelmente de uma aparente falta de resposta imediata e adequada por parte da autoridade judiciária e do sentimento de “impunidade” associado na comunidade, sendo certo que todas as sessões de audiência de Julgamento já realizadas têm sido alvo de curiosidade e acompanhamento efectivo por parte dos órgãos de comunicação social, sendo certo que o arguido referiu amplamente no decurso da audiência os conhecimentos e contactos com os profissionais dessa área, não sendo ainda de excluir a susceptibilidade de declarações que pudesse vir a produzir sobre o caracter e a credibilidade de testemunhas deste processo perturbarem a veracidade e conservação da prova e a tranquilidade pública e que outra medida, nomeadamente a obrigação de permanência na habitação não poderia evitar […] Pelo exposto, determino […] prisão preventiva […]”

Por favor, acompanhem-me, vejam com atenção! Isto está a acontecer em Portugal, a um concidadão Vosso, não é em Angola! Não tenho vergonha de partilhar: estou neste momento a chorar! A chorar de raiva, de desprezo, de impotência!

Perdoem-me os visados mas temos que fazer um exercício de “Justiça relativa”!

Será minimamente honesto intelectualmente afirmar que um indivíduo, por ter realizado formação no estrangeiro, possa fugir? A Academia Americana de Ciências Forenses vai dar abrigo a um polícia português acusado de corrupção?

Exercício de “Justiça relativa”: Eu tenho perigo de fuga e José Sócrates ou Ricardo Salgado, não?!

No final do Julgamento altera-se a acusação afirmando que eu, não só no âmbito das funções profissionais também pratiquei crimes, logo, perigo de continuação da actividade criminosa!?

Mafalda Anjos, directora-adjunta da revista Visão: “Se do que se sabe – e sabe-se muito; a acusação era, desde o início, insustentável (em Angola como em qualquer país democrático) o processo foi irregular, até na substituição do crime nas alegações finais do Ministério Público em Julgamento […]” (in “Visão”, nº 1204, de 31/3 a 6/4/16; crónica “O gravoso crime de pensar”).

A jornalista referia-se a Luaty Beirão, criticava a Justiça Angolana, eu sou português a ser julgado em Portugal!

João Garcia, director da mesma revista, no mesmo nº 1204, na sua crónica: “[…] Em tempo: na Coreia do Norte, roubar um cartaz político dá direito a 15 anos de prisão. Em Angola, debater um livro proibido, são mais de cinco. Não será isto terrorismo de Estado? […]”

Pergunto eu: “Dois anos e treze dias de prisão preventiva, sustentada a medida de coacção com este argumentário, não será terrorismo de Estado?”

Agora o mais incrível dos três argumentos!

A autoridade judiciária tem uma “aparente falta de resposta imediata e adequada”, então, perante a incapacidade da douta autoridade judiciária, eu fico em prisão preventiva?!

As sessões de Julgamento são alvo da curiosidade dos meios de comunicação social?

“Artigo 321º do Código de Processo Penal português (Publicidade da audiência): nº1. A audiência de Julgamento é pública, sob pena de nulidade insanável, salvo nos casos em que o presidente decidir a exclusão ou a restrição da publicidade […]”

A Juiz-Presidente não decidiu pela exclusão ou a restrição da publicidade!

Mais, a Juiz-Presidente foi desonesta intelectualmente no seu despacho (eu sei que ela tem o meu futuro próximo nas mãos, eu sei!): Há meses que não estão jornalistas na sala, há meses que o meu caso não é falado na comunicação social!

Deixem-me invocar só mais este artigo. Artigo 88º do C.P.P. (Meios de comunicação social):

“1. É permitida aos órgãos de comunicação social, dentro dos limites da lei, a narração circunstanciada do teor de actos processuais que se não encontrem cobertos por Segredo de Justiça ou a cujo decurso for permitida a assistência do público em geral […]”

Exercício de “Justiça relativa”: será que o meu caso foi mais publicitado que outros bem conhecidos?

Será que eu sou suspeito de tentar controlar estações de televisão, será que fui escutado a dar ordens para que este ou aquele jornalista fosse nomeado director de algum órgão de comunicação social?

Tudo bem, vamos pressupor que eu manipulo a comunicação social, afinal sou o mais perigoso dos mentalistas!

Afirma a Meritíssima que as minhas declarações sobre o “carácter e a credibilidade de testemunhas deste processo” podem perturbar a “veracidade e conservação da prova e tranquilidade públicas”? Quais testemunhas? As abonatórias? Neste momento só estão a prestar declarações, as testemunhas das várias defesas!

A cereja no topo do bolo! A obrigação de permanência na habitação não poderia evitar a perturbação da “veracidade e conservação da prova e a tranquilidade públicas”!

Eu fui entrevistado aqui em “Ébola”, eu escrevo aqui em “Ébola”, eu exerço o meu direito constitucionalmente previsto – Art.º 37º (Liberdade de expressão e informação) nunca é demais relembrar! – aqui em “Ébola”, eu sou português aqui em “Ébola”, eu opino, penso, critico, ouso pensar, mesmo preso!

Novamente a jornalista Mafalda Anjos, no artigo da “Visão” antes mencionado (sobre o Luaty Beirão): “[…] O seu gravoso crime, foi, imagine-se, ousar pensar. Pensar diferente. Algo que, num país democrático, se faz livremente todos os dias, a toda a hora […]”

No meu, nosso, Portugal democrático, todos os dias, a toda a hora, eu penso diferente, critico, informo, mas está a valer-me 745 dias (2 anos e 13 dias) de prisão!

Afinal, é mesmo uma questão de postura! Deveria ter ficado pela posição do primeiro indivíduo que a imagem que acompanha este texto apresenta. Nunca erecto, de fato, vaidoso, crítico, pensante!

O Papa Francisco, cumprindo a tradição litúrgica, na Sexta-feira Santa, no Vaticano, reza no chão da Basílica de São Pedro assumindo a posição mais humilde de todas: a prostração!

Infelizmente, eu não consigo ser humilde! Mas não é corrupção, nem abuso de poder!

Não é crime a arrogância ou a falta de humildade!

Não vou fazer nenhum falso exercício de genuflexão perante a arbitrariedade de quem exerce o Poder judiciário, não fui moldado para tal. Os dois anos de humidade, alimentação e condições precárias impostas pela reclusão, danificaram seriamente a saúde das minhas articulações condicionando, irremediavelmente, a acção de dobrar o joelho ou joelhos, a capacidade de ajoelhar!

Por favor, peço-vos: não liguem à pessoa, desprezem o autor das palavras mas atentem no seu significado!

Hannibal ad portas!  Esta é a nossa Justiça, isto passa-se em Portugal!

Estamos todos sujeitos a isto (uns muito mais que outros, e são mais os “uns” que os “outros”).

Uma referência histórica e um livro para terminar (não, não ambiciono a Presidência da República).

António Marujo na sua resenha “O outro terramoto”, apresenta-nos a obra de Carlos A. Moreira Azevedo “Terramoto Doutrinal” (Temas e Debates, 2016). Carlos Azevedo é bispo, historiador e delegado do Conselho Pontifício para a Cultura do Vaticano. O livro “recupera o texto e conta a história” de um padre “ousado para o seu tempo: João Moutinho, que tinha sido membro da congregação dos Oratorianos até 1732”.

O que fez João Moutinho? Escreveu uma carta aberta na qual criticava a Igreja Católica portuguesa e a Santa Inquisição.

Do texto de António Marujo: “[…] A carta era, no entanto, sobretudo um libelo político. Os próprios censores admitiam que ela continha <<mais implicações políticas, com consequências nos leitores, do que erros doutrinais>> […]” Perturbação grave da ordem e tranquilidade públicas!

“[…] O autor da “Carta Dogmático-Política” tinha-se a si mesmo em boa conta. Considerava-se um “instrumento” divino e tecia elogios em causa própria […]”. Notória falta de humildade!

“[…] Como o diplomata e historiador José da Cunha Brochado (1651-1733) que dizia que em Portugal “tudo era Inquisição” […]”. Não estava tão sozinho como poderia parecer!

“[…] A 10 de Julho, depois de receber a carta, Sebastião José [Marquês de Pombal] dá instruções ao Embaixador de Roma sobre “as liberdades em que se soltou” João Moutinho intimidando-o a perseguir o Padre […]”. Não se prostrou… tinha que ser vergado!

“ […] O portuense acaba detido no Castelo Sant’Angelo, a prisão papal […]”. Estava-se mesmo a ver, não é?

“[…] Acabou por morrer na prisão: as últimas referências à detenção são de 1759; em 1760, interrompem-se as relações entre Portugal e a Santa Sé e deixa de ser possível saber com exactidão o que aconteceu. Ficaram as suas ideias.”

Moral da História: 257 anos depois, Portugal, Estado de direito democrático, evoluiu na garantia dos direitos dos seus cidadãos?

Será que “João” é sinónimo de falta de humildade, soberba intelectual, será que existe uma relação entre um indivíduo chamar-se João e ser “solto nas suas liberdades”?

Será que tudo isto é somente, em todas as épocas, apenas uma questão de postura?

Para ser exacto, não apresentei a “Moral da História”, apenas ofertei perguntas sem resposta! E vou deixar mais uma ao meu Leitor(a):

“Não se sente minimamente incomodado(a) com tudo isto?”

 

P.S. Sei que muitas pessoas expectam a minha reacção, aqui vai: Conheço os dois colegas da P.J. detidos (à data, enquanto escrevo, ainda não se sabe se vão ficar em prisão preventiva). Trabalhei na mesma brigada que um deles, eramos agentes, ele mais antigo e reconhecidamente um profissional de excepção na investigação do crime de Tráfico de Estupefacientes, tendo ofertado muito à Justiça, à instituição P.J. e aos superiores hierárquicos que muito “lucraram” em prestígio e promoção das suas próprias carreiras. É muito triste para a instituição o que está a acontecer, é muito triste para todos nós, concidadãos.

Espero, sinceramente, que ambos não penem o que tenho penado e faço votos (para a “saúde da Justiça”) que não sejam condenados por práticas de investigação superiormente conhecidas e reconhecidas e que agora “puritanamente” se repudiam.

Se prevaricaram, então que o castigo seja exemplar como foram exemplares na sua disponibilidade para servirem a Polícia Judiciária, tal como exemplar foi a confiança depositada nos mesmos, facto que agrava o desvalor da acção!

 

 

Anúncios

15 thoughts on ““Uma Questão de Postura”

  1. Este despacho é claramente estarem a “fazer-lhe a folha” pese embora a sua argumentação tenha alguns erros de observação participante. Ainda assim, e para uma cabal avaliação e esclarecimento de todos nós cidadãos, agradeço que avise a data e morada das próximas sessões de julgamento. Só desta forma nós poderemos surgir ou insurgir no devido tempo e com o conhecimento necessário. Parece-me, como sempre, que há muito que não conta da sua acusação e é algo que está guardado só para o pequeno teatro. Gostaríamos todos de ouvir a contra parte que se vai desenrolando na acusação e até mesmo na acusação à defesa. Só assim poderá alguma vez aspirar à realização da sua justiça. Cumprimentos

  2. Deixe-me divagar, desvairar como recurso a travar-me o uso dum vocabulário menos apropriado a este espaço.
    Será que alguém ou “alguens” que maneja/m os cordelinhos do seu processo judicial, estão desesperadamente á espera que o Inspector endoideça, para depois o transferirem – com elogios e faces pesarosas, tão usuais em Portugal – para uma casa de recuperação mental?
    É preciso ser se detentor de um domínio mental e de uns nervos de aço, para resistir há mais de dois anos a uma situação de escravatura e de humilhação.
    Vou terminar este comentário como comecei. Desvairando.
    Orgulhe-se de ficar na história da justiça portuguesa, como o preso mais “perigoso” dos últimos anos ditos democráticos.
    Qual Vara, qual Salgado, qual Sócrates, qual Rendeiro, qual Duarte Lima, e dezenas de “quais”…
    Há pessoas que nem à bofetada lá vão. Tal não é a rebaldaria que graça por Portugal….
    Não é de excluir a hipótese de a justiça portuguesa estar a vasculhar alguma ligação do Inspector ao ” Panamá Papers”. Ou alguma afinidade à Mossack Fonseca.
    Começo a pensar se devo perdoá-lo mesmo que seja culpado.

  3. Caro Inspector,
    como todos, já percebemos independentemente da sua maior ou menor culpa, é óbvio, que o estão a condenar. Não é difícil de perceber que o Direito Processual Penal, aqui está na gaveta, ou melhor, no sitio onde mais convém.
    Não será o primeiro, infelizmente. Nos tempos que correm é “mais do mais”, é o esperado, já não se estranha, como diz o ditado, entranha-se!

    Boa Sorte.

  4. Já fiz alguns comentários neste espaço (poucos), porque é difícil dizer seja o que for ao inspector João de Sousa e à família. Estes últimos dois anos na vida desta família, devem ter sido um inferno que poucos podem avaliar.
    Continuo sem perceber como é que em Portugal se prende para investigar. Ultrapassa qualquer raciocínio que tente elaborar. O lógico seria investigar e depois prender e, eventualmente, fazer mais algumas investigações só possíveis com o(a) suspeito(a) preso(a), mas que teriam necessariamente de ser sempre céleres.
    Também me parece que a sentença está já alinhavada, o que não augura nada de bom.
    Só posso continuar a esperar que um sistema que tem falhado tantas vezes e em casos tão graves, mostre que é realmente justo e que apresente provas irrefutáveis da culpabilidade do inspector ou, se tem dúvidas, que o diga também, faça mea culpa e o deixe sair.
    Não percam a esperança. Força.
    Inês

  5. A Postura os nossos juízes vai muito mal!!

    Não é por maldade, Inspector

    è por medo da ignorância

    ou não fora coincidência

    quem tem bons advogados

    safar-se sempre

    ou com os mínimos.

    EM

  6. É difícil imaginar o sofrimento por que passa e a revolta que deve estar a sentir. Isto é mau demais para acontecer nesta parte do Mundo, mas é assim a “justiça” em Portugal. Coragem.

    FS

  7. Não vejo grande interesse, por cobardia jornalística, dos nossos escrivinhadores, em aflorarem o seu caso; angola é outra conversa…mais in, supostamente mais acutilante e que vende mais, almofadado nas prováveis repercusões políticas. Ainda não perceberam que o seu caso é comparável ao homem que mordeu o cão…

  8. Tudo o que lhe está a acontecer, eu já esperava. O senhor não é um poderoso, não é um VIP, para ter essa postura orgulhosa e vaidosa. Isso +e só para alguns e o senhor não é um deles.
    Deve terminar já com o blog, deixar de criticar tudo e todos, baixar a cabeça e eventualmente também as calças (figurado). Andou na PJ quantos Anos ? Não aprendeu nada, Pjotas, Mp’s, Juízes, Advogados, outras Polícias e outros tiranos que tais, não gostam de ser confrontados com essa tal de democracia. Alias nem a conhecem. E essa outra de fazer justiça, muito menos.
    A justiça Portuguesa ficou presa no passado, nos Anos da nossa ditadura, no “quero posso e mando”.
    Quem é o senhor para por em causa aqueles fulanos e as sua decisões ?
    Quem é o senhor para ter opinião ? Acha mesmo que isto é um País democrático ? Se acha está enganado.
    Faça como eu que escrevo no seu blog há muito tempo e que agora, perante os últimos desenvolvimentos, deixei de me identificar, sou apenas um anónimo, tremo, só de pensar que me pode acontecer a mim aquilo que lhe está a acontecer, só porque o senhor quis ter opinião.
    Tem que ter força, porque eu acho que ainda vai piorar, não muito, porque também não há muto mais para piorar, mas vai piorar.

    Cumps deste seu indefetível fã

  9. É aterrador o que acontece só aos mais desfavorecidos.
    Aos que não têm as influências certas.
    Aos que roubam o povo descaradamente nada acontece, curioso.
    O mais gravoso é que todos nós sabemos disso e ninguém faz rigorosamente nada porque a justiça ao que parece não é igual para todos, existem os que são condenados, culpados (até sem o serem) e os intocáveis!
    Estamos em Abril o mês da Liberdade, da Revolução!
    Desta maneira singela porque sou um homem comum e não tenho a influência certa para fazer a justiça necessária, peço a todos vocês que assinem a petição do caríssimo Inspector João de Sousa.
    http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=AjudeQuemNosAjudou
    Medo Jamais! Liberdade Sempre!

  10. Meu caro Inspector.
    Tenho seguido semanalmente as suas crónicas as quais contemplam um quadro digno de um filme de terror. Não por violência física; não por condições logísticas desumanas; não por tanta coisa….. mas sim pela desigualdade, injustiça, incompetência, prepotência extrema, aparente incapacidade de reconhecimento de erros,graves como a privação de liberdade, etc, etc.
    Assusta, aterroriza qualquer cidadão, o que se passa no seu caso. 13 meses preso sem culpa formada; um julgamento que segundo os seus relatos nada conclui por uma investigação lenta e inconsequente e possivelmente esvaziada de conteúdo.
    Estar preso preventivamente porquê? 13 meses? Alguem foi morto, violado, selvaticamente agredido? Haverá indicios de pedofilia com perigo de repetição? Assalto à mão armada, com utilização de violência excessiva?
    E inevitavelmente temos de questionar o caso do Inspector versus outros de banqueiros ( BES, BPN, BPP ), ou os Monte Brancos, ou os casos tipo Marquês, SEF, etc.
    Meu caro, não sei, por desconhecimento, se Você cometeu algum crime.
    Mas alguma coisa eu sei, que a prepotência, a perversidade e a dualidade de critérios de avaliação de agentes da justiça deixam-nos, a nós simples cidadãos incautos que contribuímos com os nossos impostos, para pagar a esses agentes, extremamente preocupados pelo que se passa.
    Resta-me desejar que esse julgamento acabe rápido e que se houver culpa formada que se exerça a lei em conformidade. Se a inocência for declarada que Inspector e a sua Grande familia sejam reparados pelo incalculável sofrimento a que teem sido sujeitos.
    Apresento-lhe a minha solidariedade.
    Fernando H. Pimenta

  11. O insuspeito, Dr. Rui Rio disse que o rei ia nu, disse o que todos dizemos mas que ninguém nos ouve. Que a Justiça funcionava melhor, durante a ditadura, do que agora, na democracia. E que bela democracia, quando o principal pilar da democracia; a Justiça,não funciona, que democrracia é esta?
    E o 4º. Poder, a comunicação social, também é uma boa merda, que se limitam a ladrar o que os seus donos mandam.
    Agora nos” Papéis do Panamá”, como a informação já vem trabalhada, lá vão indicando uns nomes já sobejamente conhecidos de todos e duvido que o atual homem mais poderoso do país, que substituíu o Ricardo Salgado, o Dr. Balsemão, deixe que os seus amigos sejam importunados. “Para o Salgado rápidamente e em força, há que rebentar com aquele artista que utilizou a ongoing para se meter comigo”, deverão ser estas as ordens que o Balsemão dá aos seus “colaboradores”.
    Sem Justiçae sem um jornalismo independente e sério, resta-nos acreditar que o Benfica elimine o Bayern e que Deus nos acuda.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s