“A Nave dos Loucos”

“La nef des fous” (“A Nave dos loucos”) é uma pintura a óleo sobre madeira, do holandês Hieronymus Bosh (1450-1516). Trata-se da imagem que acompanha este texto!

Encontra-se, discretamente, numa sala lateral do Museu do Louvre. Visitei o referido museu e a obra em questão, ainda não era presumivelmente corrupto!

Esta semana que passou, após ter escrito sobre a geringonça da Maria Alice, observando quem testemunhava, percebi: não é uma geringonça, é a “nave dos loucos” do Bosh, que tudo isto me faz lembrar. Vejam a Maria Alice a tocar alaúde, o Dr. João Davin a cantar ou os dois a tentarem morder o bocado de carne que entre ambos dependurado se encontra!

A obra, que divide estudiosos na sua interpretação, é uma alegoria crítica aos costumes que reinavam à época. Trata-se de criticar o profano, a luxuria e a devassidão das classes altas e das classes baixas.

Este quadro fazia parte de um retábulo: uma parte é designada por “Alegoria da Intemperança”, outra é a “Morte do Avarento” que se encontra na “National Gallery of Art”, em Washington, D.C. (U.S.A.), que também vi “ao vivo”, antes de ter recebido (presumivelmente) da minha associação criminosa, “quantias de dinheiro incompagináveis com a minha condição de funcionário público”.

Atendendo ao que vi e ouvi esta semana, de imediato formou-se esta imagem na minha mente e, ainda na sala de Tribunal, iniciei o esboço do presente texto!

Como referi, muita discussão teórica tem existido sobre a interpretação dos quadros do Mestre Holandês.

A descrição de João Frayze Pereira, na sua obra “O que é a loucura” (1984): “[…] vê-se uma religiosa e um sacerdote como personagens centrais, integrados numa população embriagada. Todos navegam, numa espécie de Paraíso renovado: tudo se oferece ao desejo. Acima deles e à frente do barco, empoleirado sobre um galho, figura a personagem do Bufão ou Louco[…].”

Chevalier, no seu “Dicionário de símbolos, mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números” (2003), explica-nos que a face que se pode observar no topo da árvore (que é também o mastro do barco), pode representar o pensamento racional, a coruja da deusa Minerva que distante e de difícil acesso, se encontra, ocultada dos indivíduos que seguem na embarcação!

Só mais uma interpretação iconográfica: a nudez dos dois indivíduos dentro de água, segundo o referido Chevalier, também pode significar a pobreza, a vergonha e a fraqueza espiritual e/ou moral!

Mas que vi ou ouvi eu, esta semana para invocar a “Nave dos loucos”? Estarei eu louco, porque na quinta-feira, dia 25 de Fevereiro de 2016, completaram-se 700 dias de prisão preventiva?

Ensandeci, porque no dia em que este texto vai ser publicado, 29 de Fevereiro de 2016, estarei preso há 1 ano e 11 meses, faltando apenas 29 dias para se completarem 2 anos?!

Erasmo, escreveu “Um elogio da loucura”, mas seria muito mais parcimonioso no lisonjear, se estivesse dependente da racionalidade ou da aparente demência de terceiros a sua Liberdade?

O responsável pela Brigada que investigou (“investigar” é uma clara utilização de hipérbole), prestou declarações.

Manifestação de interesse: sempre respeitei este colega, respeito ainda e nunca expectei que o mesmo fosse prestar emotivo ou fanático testemunho, e assim foi, apresentando-se sereno, contido, racional.

À direita, na “Nave dos loucos”, encontra-se um indivíduo a regurgitar. Dizem os estudiosos, que se trata da representação da Gula (pecado capital).

Gula: Vício ou defeito de comer e beber em demasia, sofreguidão.

É o velho aforismo popular: ter mais olhos que barriga!

O responsável pela Brigada, após ser interpelado por um advogado:

Um processo desta natureza, se tivéssemos feito tudo como deve ser, não teríamos tempo! – com um encolher de ombros e palmas das mãos viradas para cima, sinal claro e inconsciente de pedido de clemência.

A imagem do passageiro da “Nave dos loucos”, a vomitar debruçado sobre as águas!

Silêncio no Tribunal. Todas a olharem, incrédulos, o Chefe da Brigada que expeliu as palavras descritas.

A Juiz-Presidente do colectivo de Juízes, levanta a cabeça da folha onde apontava algo, olhando por cima dos óculos, um, dois ou três intermináveis segundos…

Interpela a testemunha:

“Penso que o que a testemunha queria dizer era que a P.J., fez tudo o que era humanamente possível fazer, não?”

“Sim, claro. Foi feito tudo o que era possível fazer…” – novamente expondo as palmas das mãos.

Mas, como a Razão encontra-se inacessível, distante no topo do mastro da embarcação, estando o Chefe da Brigada à direita da representação pictórica, debruçado sobre as estagnadas águas onde se encontra, mais foi expelido: “Não sei dizer qual foi o critério subjacente a uma e outra decisão!”; “Não consigo precisar como chegou o arguido […] à investigação!”; “Não lhe consigo responder!”

Sempre afirmei que o Departamento de Investigação Criminal da P.J. de Setúbal, não possuía condições logísticas ou capacidade de coordenação para realizar uma investigação desta natureza.

Sempre afirmei que a idoneidade e proficuidade da investigação, obrigava a um exercício de humildade e honestidade intelectual, por parte da Coordenadora Maria Alice Fernandes, que tinha a obrigação de solicitar o envio do inquérito para a Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária.

Mas não o fez e a banda sonora que acompanhou a investigação, foi tocada pela mesma no seu alaúde, enquanto tentava morder a peça de carne dependurada. O alaúde de bojo redondo (como se pode ver na imagem), era o instrumento típico dos menestréis que acompanhavam as danças folclóricas, nas festas populares.

Esta investigação foi uma festa!

O Sacerdote (que já identificámos como sendo o Exmo. Sr. Procurador, Dr. João Davin, responsável pela fase de inquérito e sequente acusação) canta ao som do alaúde. E, já que falamos em cantorias, não podemos deixar de lembrar que o processo-crime por violação de segredo de Justiça, passados 2 anos (com prova material apresentada), ainda não apresentou conclusões. Por omissão ou por acção, o Dr. João Davin, responsável máximo pelo inquérito, tem que ser responsabilizado: também ele segue na embarcação!

A testemunha Maria Alice, disse que as Inspectoras que investigaram, depois explicariam tudo, o Inspector responsável pela Brigada, também se escudou nas Inspectoras e até declarou que “a P.J. trabalha sob a direcção do Ministério Público”, e todos eles, embriagados, na embarcação, despudoradamente, sacudiram para cima dos Inspectores da Autoridade Tributária!

E eis que, junto da embarcação, surge a Autoridade Tributária!

Equipas mistas: P.J. e Autoridade Tributária. Todos a dançarem ao som do alaúde da Coordenadora Maria Alice Fernandes.

Os arguidos – comerciantes/fornecedores de ouro – foram escolhidos por amostragem!

Apurou-se um valor e “violà”! Claro que quem ficou no campo do desvio-padrão, safou-se!

O Sr. Inspector da Autoridade Tributária, um “homem-ábaco”, revelou perícia e conhecimento na resolução de intricados e numerosos cálculos ou assim a minha ignorância na matéria direccionou o meu juízo.

Mas, o coitado estava na embarcação! Para ser mais exacto, como são dois Inspectores da A.T., estão ambos imersos, nus, nas águas estagnadas, senão vejamos:

“Uma unidade da P.J. é que disse que o dinheiro que vinha para as contas, entrava novamente na firma, a conclusão não é minha!” Observem o sujeito na imagem com uma tigela na mão, dentro de água, nu!

Vejam o desespero do indivíduo que tenta amparar-se ou subir para a embarcação:

“Devido à pressão a que fomos sujeitos, eu assinei relatórios do meu colega e o meu colega assinou os meus!” – visivelmente incomodado.

Qual pressão? A música do alaúde da Coordenadora Maria Alice Fernandes?

Sobre a análise do património dos arguidos (relembro o(a) Leitor(a) que está em causa, no caso dos meus co-arguidos, a prática de crimes de Fraude Fiscal Qualificada e Branqueamento de Capitais): “Foi apurada sem ter acesso à contabilidade dos indivíduos!”

Sobre a idoneidade de elementos de prova reunidos:

“Penso que a Inspectora[…] pode responder.” – encolhendo os ombros.

“Mas, a Inspectora[…] remeteu para si a resposta!” – de forma triunfante o causídico.

Verdadeiramente “de loucos” é o facto de estarem constituídos arguidos particulares/empresas que, presentemente realizadas as inspecções tributárias, regularizaram a sua situação, ou, loucura total, não foram analisados os documentos apreendidos nas buscas realizadas, documentação que comprovaria a licitude dos negócios (passados 2 anos!!!).

Repare agora o(a) Caro(a) Leitor(a) a orquestração da Coordenadora Maria Alice Fernandes:

“Relativamente ao Inspector João de Sousa, o que apurou a Autoridade Tributária?” – a minha defensora.

Baixando o tom de voz:

– “Bom, isso… como era uma situação delicada…” – começou por dizer.

“Mais alto, por favor!” – solicitou a Presidente do colectivo de Juízes.

“Sim, desculpe. Como era uma situação delicada, eu apenas fiz a impressão das declarações de IRS do Sr. João de Sousa, vinte e quatro horas antes da operação das buscas… – encolhendo novamente os ombros – eu nem sabia quem era…”

Atenção: eu fui inicialmente indiciado da prática dos crimes de Fraude Fiscal Qualificada e Branqueamento de Capitais, indiciação que serviu de suporte para a manutenção da minha prisão preventiva! Nem sequer tinham suporte pericial!

Atenção: a Relação invocou que eu movimentava, “quantias de dinheiro incompagináveis com a minha condição de funcionário público”, por forma a manter a minha prisão preventiva! Sem análise do meu património!

Só 24 horas antes! A Senhora do alaúde “pintou” um quadro do Inspector João de Sousa muito negro, um Monstro tentacular que tudo controla e domina. Com contactos em todo o lado, o mais perigoso dos últimos 100 anos! Loucura? Devaneio? Estultícia? Sofreguidão? Mais olhos do que barriga para comer (ou morder), o naco de carne dependurado na “Nave dos loucos”?

Mais do desnudado Inspector da A.T.: “Foi uma convicção que formámos”; “Confesso que estou um bocado baralhado!”; “Um relatório muito apriorístico, só depois…” (alguns presos, muitos constituídos arguidos, mas só agora está a ser feito!); “Não foi enviada cópia do que foi apreendido para nós [Autoridade Tributária], porque era muito extensa a documentação apreendida” (os arguidos foram escolhidos por amostragem, mas a análise da documentação apreendida, que permitiria inocentar ou culpabilizar os mesmos, não foi feita!).

Que loucura!

Até que um exausto Inspector da Autoridade Tributária, perante um Tribunal com enjoo de navegação, profere humilde e honestamente: “Estou aqui a fazer o meu trabalho, não estou aqui contra ninguém!”

E eu acredito no sujeito que nu, tenta demonstrar o seu profissionalismo e reconhecida isenção; a dele, porque a da restante tripulação, encontra-se condicionada pela louca música do alaúde!

“Neste momento, já estou a concluir de forma diferente!” – o Inspector da A.T. novamente.

Não fizemos um cruzamento integral, não foi exaustivo!” – pelo menos é honesto intelectualmente.

Dementes, obnubilados pela sofreguidão de imputar algo a alguém, possuídos pela música do alaúde, erraram, não fizeram e quando executaram, foram negligentes, incompetentes.

Fixe-se o(a) Leitor(a) no indivíduo que sobe a árvore com uma faca na mão, para obter o frango amarrado no tronco da mesma!

Os estudiosos, afirmam tratar-se de um camponês, sôfrego, que representa igualmente a Gula.

Eu, numa “leitura psicanalítica”, revejo-me no frango preso. Quanto ao camponês, olhando a faca, aflora-me a mente algumas representações de Judas sentado à mesa da “Última Ceia”, ocultando o saco das moedas e uma faca, olhando Cristo.

Vem aí o Mês de Março. A faca, invoca-me as palavras do áugure cego, que avisa César: “Cuidado com os Idos de Março!” Tudo isto porque, em Março, alguém vai testemunhar e eu imagino-o a subir o “mastro-árvore” da “nave dos loucos”, de faca na mão, ao som da música do alaúde da tresloucada Maria Alice…

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9 thoughts on ““A Nave dos Loucos”

  1. Caro Inspector,
    isto é geral, um pouco por todo o lado, uns mais loucos do que outros. Por aí, para além de loucos são ATRASADOS MENTAIS,que é diferente.

    E COM O PODER DE DECIDIR SOBRE A VIDA DE OUTREM!!!!

  2. Caro Inspetor João de Sousa,desejo-lhe muita coragem,fé e força…..deixo-lhe este pensamento…..”A vida não é certa…. Nada aqui é certo! O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, conseguindo… e só assim, é possível chegar àquele momento do dia em que a gente diz: “Graças a Deus deu tudo certo! ”
    — Luis Fernando Veríssimo

    Um abraço…

  3. Esta pintura resume-se ao seguinte: “Cuidado com as pessoas ao nosso redor”!
    A questão que se coloca é: “Onde estacionou Maria Alice a Nave?” Maria Alice lembra-me a história infantil “os três porquinhos”, sendo ela o porquinho preguiçoso “não quer ter muito trabalho! Construiu uma casa com um monte de palha” (a sua acusação) Espero que o “lobo mau” sopre esta casa depressa e a deite abaixo. É claro que o “porquinho” vai correr para outras casas, venham elas!
    De volta ao seu texto…
    …o pedaço de carne pendurado, todos cantam para o pedaço de carne…dá a ilusão que querem comer, mas não! A senhora do alaúde dá os acordes e voilá, todos a cantar (com o efeito da bebedeira, eis que surgiu o PRIMEIRO microfone) … Nem tudo é o que parece. (como no seu julgamento)
    A bandeira … Simboliza aqueles que só abanam a cabeça…não tem opinião, tal como a bandeira, ondulam ao “sabor” do vento! Fazendo referência à Alegoria da caverna “(…)tudo aquilo que julgamos ver afinal não é mais do que o que nos fizeram ver, porque é óbvio e vantajoso .Se não dermos um salto de conhecimento para reconhecer que afinal o que pensamos ser verdades absolutas são meros conceitos, jamais saberemos mais sobre seja o que for(…) Ah pois é! É preciso mencionar alguém?
    “Penso que o que a testemunha queria dizer era que a P.J., fez tudo o que era humanamente possível fazer, não?” Humanamente fizeram TUDO? Não era aqui que entrava o Max o cão policia??? O Rex??? É a deixa perfeita…e eis que surge um pastor Alemão a correr em direção ao sr. Inspetor e a mordiscar-lhe “as joias da coroa”… em pleno tribunal. Ah, assim sim…isto está a ficar “compostinho”…
    Qualquer dia o pórtico que deteta metais começa a apitar a pessoas corruptas e é ver tudo a “ir dentro” só porque se ouviu PI PI… Vou ali regurgitar e já volto, para a semana talvez.
    Vou continuar a ouvir Caetano Veloso, “sozinho”!

  4. Caro Inspector,
    Infelizmente, ou felizmente, já vi que dentro da sua “casa” tem alguns inimigos. Será que os ofuscou?? os galos despeitados são sempre piores que as galinhas!!

  5. Os tipos que fazem os comentários, devem ser os mesmos que batiam na Leonor Cipriano desumanamente, para verem se ele confessava. Nada como a liberdade!!!
    Olha os resultados… mudem as pessoas, tirem de lá as Marias Alices.

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